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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

São Jerônimo - Xangô - 30 de setembro



São Jerônimo nasceu em Strídon, cerca de 347 e fez sua passagem em Belém, no dia 30 de setembro de 419. Seu nome completo era Eusebius Sophronius Hieronymus, ele é conhecido sobretudo como tradutor da Bíblia do grego antigo e do hebraico para o latim. É o padroeiro dos bibliotecários e dos tradutores e patrono das Secretárias, por este motivo ambas estas classes comemoram seu dia em 30 de setembro. Na Umbanda é sincretizado com Xangô, Orixá da Justiça.

A "Vulgata", edição da bíblia feita por São Jerônimo é o texto bíblico oficial da Igreja Católica Romana, que o reconhece como Padre da Igreja e doutor da mesma. Jerônimo nasceu em Strídon, fronteira entre a Panónia e a Dalmácia e por este motivo também é chamado de Jerônimo de Strídon, desencarnou perto de Belém, na cela em que morava, próxima a gruta da Natividade. A Vulgata foi publicada cerca de 400 d.C., poucos anos depois de Teodósio I ter feito do Cristianismo a religião oficial do Império Romano (391).

Xangô é sincretizado com São Jerônimo, São Pedro e São João Batista. Seu poder se manifesta na pedreira, é o Senhor da justiça. Seu símbolo é o machado de duas faces, significando que o machado tanto protege seus filhos das injustiças como os punem quando as cometem, bem como, a Estrela de 6 pontas cujo símbolo é em si o poder equilibrador do Universo.

Leia mais em: http://floresemcasa.blogspot.com.br/2011/09/xango-postagem-700.html

Iluminação ou Consciência Espiritual



Por Wagner Borges

Em muitos homens, a mente espiritual se revela lenta e gradualmente, e ainda que a pessoa possa sentir um constante aumento de conhecimento e consciência espiritual, pode não haver experimentado uma notada e repentina mudança.

Outros têm tido momentos do que é conhecido como iluminação, nos quais se acreditavam elevados quase fora do seu estado normal, e lhes parecia passar a um plano de existência ou de consciência mais elevado, que os deixava mais adiantados do que antes, ainda que não pudessem trazer à sua consciência uma clara recordação do que haviam experimentado, enquanto se encontravam nesse exaltado estado da mente. Essas experiências têm-se dado com muitas pessoas, em diferentes formas e graus, de todas as crenças religiosas, e têm sido geralmente associadas a algum aspecto da crença religiosa particular, professada pela pessoa que experimenta a iluminação. Mas os ocultistas adiantados reconhecem todas essas experiências como diferentes formas de uma só e mesma coisa - o amanhecer da consciência espiritual - o desenvolvimento da mente espiritual.

Alguns escritores têm chamado a esta experiência consciência cósmica, nome muito apropriado, pois a iluminação - pelo menos em seus aspectos mais elevados - põe o indivíduo em contato com a totalidade de Vida, fazendo sentir um sensação de parentesco com toda a Vida, alta ou baixa, grande ou pequena, boa ou má.

Essas experiências, como é natural, variam materialmente conforme o grau de desenvolvimento individual, sua preparação prévia, seu temperamento etc.; mas certas características são comuns a todas. O sentimento mais comum é o da posse quase completa do conhecimento de todas as coisas - quase onisciência. Esse sentimento existe apenas por um momento e nos deixa, a princípio, submersos em profunda pena pelo que chegamos a ver e que perdemos. Outro sentimento comumente experimentado é o da certeza da imortalidade, - uma sensação de atual ser - a certeza de haver sido sempre e a de estar destinado a sempre ser. Outro sentimento é o do desaparecimento de todo temor e da aquisição de um sentimento de certeza, segurança e confiança, e que estão além da compreensão daqueles que jamais o experimentaram. Então, um sentimento de amor nos inunda - um amor que abarca a Vida toda , desde os mais próximos a nós, na carne, até aos das mais longínquas partes do Universo - desde aquilo que nós consideramos puro e santo, até aquilo que o mundo considera vil, malvado e completamente indigno. Esse sentimento de retidão própria, que induz a condenar os outros, desaparece, e o amor, como a luz do sol, derrama-se sobre tudo que vive, sem ter em conta o seu grau de desenvolvimento ou bondade.

A alguns, essas experiências chegaram como um profundo sentimento de reverência que tomou completa posse deles, por alguns momentos ou mais tempo, enquanto que a outros se afigurava que se achavam num sonho e chegaram a ser conscientes de uma exaltação espiritual, acompanhada de uma sensação de estar circundando os compenetrados por uma luz brilhante.

A alguns, certas verdades se têm revelado sob a forma de símbolos, cujo significado não se tornou evidente senão muito tempo depois. Essas experiências produzem uma mudança na mente daquele que passa por elas e que depois nunca torna a ser o mesmo homem que de antes. Ainda que a recordação vívida desapareça, fica ali certa reminiscência que, por longo tempo, será para ele um manancial de bem estar e de força, especialmente quando a sua fé vacila e se sente agitado, como uma cana, pelos ventos de opiniões em conflito e especulações do intelecto. A lembrança de tal experiência é uma fonte de renovada energia - um porto de refúgio, ao qual as almas fatigadas acodem para amparar-se do mundo externo que não as compreende.

Tais experiências são também usualmente acompanhadas de uma sensação de intensa alegria; de fato, a palavra e o pensamento de alegria parecem ser o que predomina na mente, nesta época. Mas não é uma alegria de experiência ordinária - é alguma coisa que não pode ser sonhada senão depois de havê-la experimentado - uma alegria cuja lembrança estimulará o sangue e fará palpitar o coração, todas as vezes que a mente relembrar a experiência.

Como já dissemos, também se experimenta a sensação de um conhecimento de todas as coisas, uma iluminação intelectual impossível de descrever. Nos escritos dos antigos filósofos de todas as raças, nos cantos dos grandes poetas de todos os povos, nas prédicas dos profetas de todas as religiões e tempos, podemos encontrar rasgos desta iluminação experimentada por eles - esse desenvolvimento da consciência espiritual. Não temos espaço para detalhar esses numerosos exemplos. Uns disseram-nos de um modo, outros de outro, mas todos dizem praticamente a mesma história. Todos os que têm experimentado essa iluminação, ainda que fosse em débil grau, reconhecem a mesma experiência na relação, canto ou prédica de outro, ainda que entre eles hajam decorridos séculos. É o canto da alma que, uma vez ouvido, jamais é esquecido. Ainda que seja expresso pelos toscos instrumentos das raças semi-bárbaras ou pelos mais aperfeiçoados talentos musicais da atualidade, seus tons são claramente reconhecidos.

Vem o canto do velho Egito, - da Índia de todas as idades - da antiga Grécia e Roma, - dos primitivos santos cristãos - dos Quarkers Friends, - dos mosteiros católicos - das mesquitas maometanas - do filósofo chinês - das lendas do índio americano, herói profeta, - é sempre o mesmo tom, elevando-se mais e mais alto, à proporção que muitos mais o entoam e agregam suas vozes ou dos sons de seus instrumentos ao grande coro. Aquele tão mal compreendido poeta ocidental, Walt Whitman, sabia o que dizia (como compreendemos nós), quando prorrompia e expressava em singular verso a sua estranha experiência. Lêde o que ele diz e verificai se já foi alguma vez melhor expresso:

"Como num desmaio, um instante,
Outro sol inefável me deslumbra,
E todos os orbes conheci, e orbes mais brilhantes desconhecidos,
Um instante da futura terra, terra do céu."


E quando sai do seu êxtase, exclama:

"Não posso estar acordado, porque nada me olha como antes,
Ou então estou acordado por primeira vez, e tudo de antes foi simples sonho."

E nós devemos concordar com ele, quando declara a inabilidade do homem para descrever inteligentemente isso, nestas palavras:

"Quanto melhor quero expressar-me, menos posso,
Minha língua não se move sobre sua ponta,
Meu alento não obedece aos seus órgãos,
E fico mudo."

Que essa grande alegria da iluminação seja vossa, queridos estudantes. E vossa será no seu tempo oportuno. Quando ela chegar, não vos alarmeis, e quando vos abandonar, não lamenteis sua perda - voltará outra vez. Vivei elevando-vos acessíveis à sua influência. Estais sempre dispostos a escutar a voz do silêncio, prontos sempre a responder ao toque da Mão Invisível.

Não torneis a temer, porque convosco tendes sempre o Ser Real que é uma chispa da Chama Divina, e o qual será como uma lâmpada que iluminará o caminho a vossos pés.

A paz seja convosco.

Por Iogue Ramacháraca*
*Texto extraído do livro "Catorze Lições de Filosofia Iogue", do Iogue Ramacháraca; Editora Pensamento

Notas do professor Wagner Borges:
Esse texto foi distribuído originalmente para uma turma de alunos num curso sobre projeção da consciência (Viagem astral). Na ocasião, eu comentava com eles sobre as expansões da consciência (samadhi, satori, consciência cósmica). Para ilustrar o tema, passei o brilhante texto de Ramacháraca para a turma estudar.

É um texto do início do século 20, editado originalmente na Inglaterra. Seu autor é o escritor William Walker Atikinsons (que usava o pseudônimo de Iogue Ramacháraca). Fala do estado de consciência cósmica e de suas repercussões no ser humano.

Parece estranho falar de um assunto desses no meio de tanta encrenca que acontece no viver diário da maioria das pessoas. Mas é melhor falar de algo assim do que compactuar com as pesadas vibrações do pessimismo e da falta de alegria.

Textos assim mantém a chama acesa em nosso coração e nos levam a reflexões profundas, típicas de quem almeja a ampliação da lucidez, do amor e do brilho em todas as dimensões.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

São Miguel Arcanjo ☧ 29 de Setembro



Miguel (em hebraico: מִיכָאֵל, Micha'el or Mîkhā'ēl; em grego: Μιχαήλ, Mikhaíl; em latim: Michael or Míchaël; em árabe: میکائیل, Mikā'īl) é o Arcanjo líder dos Exércitos Celestiais

É um dos três anjos mencionados por nome na Bíblia, juntamente com Rafael e Gabriel.

Referências na Bíblia:

"O Príncipe do reino da Pérsia me resistiu durante vinte e um dias, mas Miguel, um dos primeiros príncipes, veio em meu auxílio" - Daniel 10:13

"Ninguém me presta auxílio para estas coisas senão Miguel, vosso Príncipe." - Daniel 10:21

"Nesse tempo levantar-se-á Miguel, o grande Príncipe, que se conserva junto dos filhos do teu povo. Será um tempo de tal angústia qual jamais terá havido até aquele tempo, desde que as nações existem. Mas nesse tempo o teu povo escapará, isto é, todos os que se encontrarem inscritos no Livro." - Daniel 12:1

"E, no entanto, o arcanjo Miguel, quando disputava com o diabo, discutindo a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a pronunciar uma sentença injuriosa contra ele, mas limitou-se a dizer: O Senhor te repreenda!" - Judas 9

"Houve então uma batalha no céu: Miguel e seus Anjos guerrearam contra o Dragão. O Dragão batalhou, juntamente com seus anjos, mas foi derrotado, e não se encontrou mais um lugar para eles no céu." - Revelação 12:7

No livro de Enoque Miguel (dos apócrifos) é designado como o príncipe de Israel. No livro dos Jubileus, ele é retratado como o anjo que instruiu Moisés na Torá. Nos Manuscritos do Mar Morto é retratado lutando contra Beliel.

A vitória de São Miguel sobre o demónio, escultura por Sir Jacob Epstein perto da entrada da Catedral de Coventry, no Reino Unido. Miguel, o Arcanjo, é considerado o chefe dos exércitos celestiais e o padroeiro da Igreja Católica. É o anjo do arrependimento e da justiça. É comemorado pela Igreja Católica sob o nome de São Miguel Arcanjo em 29 de setembro.

O Catolicismo mantém uma considerável devoção por São Miguel Arcanjo, especialmente demonstrada nas situações em que são efetuados pedidos de livramento dos seus fiéis contra ciladas do demônio e dos espíritos maléficos. Acredita ainda que, durante as orações, e quando o nome do arcanjo é invocado, este defenderá os crentes, com o grande poder que Deus lhe concedeu, protegendo-os contra os perigos, as forças do mal e os inimigos.


Seria o Arcanjo Miguel o próprio Senhor Jesus?

O arcanjo Miguel representado numa moeda bizantina. Ao contrário das posições acima referidas, algumas denominações religiosas, que também se intitulam cristãs, identificam Miguel como sendo o próprio Jesus Cristo ou como uma representação dele.

Segundo os textos bíblicos, Miguel e seus anjos batalharam contra o dragão e seus anjos. (Revelação ou Apocalipse 12:7), de modo que Miguel é descrito ali como o líder de um exército de anjos fiéis. O mesmo livro também se refere a Jesus como líder de um exército de anjos fiéis, no capítulo 19, versículos 14 a 16, sendo que o apóstolo Paulo menciona especificamente o "Senhor Jesus" e os "seus anjos poderosos" (2 Tessalonicenses 1:7), pelo que é possível concluir que, na Bíblia, existem referências tanto de Miguel e "seus anjos" como de Jesus e "seus anjos". (Mateus 13:41; 16:27; 24:31; 1 Pedro 3:22)

Histórica e cronologicamente falando, as teses interpretativas dos textos bíblicos mencionadas pelos que defendem que Miguel é um outro nome de Jesus, remontam ao Século IV quando foram propostas e defendidas, quase com as mesmas argumentações, na exposição cristológica de alguns discípulos e adeptos do presbítero alexandrino Ário.

Quando Miguel se levantar, viverão os que estiverem com o nome no livro da vida (Dn. 12,1). Na volta de Cristo ocorrerá o mesmo (Ap. 3,5). Contudo o "livro da vida" referido em Ap. 3,5 não é o "Livro" aduzido em Dn. 12,1. O "livro da vida" é aquele onde está inscrita o que cada ser humano fez realidade só conhecida por Deus; o "Livro" é aquele onde está inserido o nome daqueles que Deus chamou à comunhão eterna consigo.

Miguel é chamado de “o Grande Príncipe” que está “a favor dos filhos do teu povo” (Dn. 12,1). Deus elevou Jesus “a Príncipe e Salvador”, para estar a favor dos Seus filhos, dando “o arrependimento e a remissão dos pecados.” (At. 5,31)

“Miguel, vosso Príncipe”, “se levanta a favor dos filhos do teu povo” (Dn. 10,21; 12,1). Cristo, “o príncipe da salvação deles” (Hb. 2,10), “o príncipe do teu povo” (At. 23,5).

O chefe dos exercitos celestes, identificado com Miguel pelas Testemunhas de Jeová, recebe adoração (Js. 5,14). Adoração só a Deus pertence (Mt. 4,10). (Só a tradução dos Testemunhas de Jeová omite a palavra adorar)

E em 1Ts. 4,16 se lê: “Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, com a voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.” (Só em algumas traduções)

Existem denominações cristãs trinitárias, que apresentam várias razões que identificam o arcanjo Miguel como sendo o próprio Jesus Cristo. Entretanto, identificar Miguel com Jesus é um objetivo meramente informativo, pois esse assunto não é considerado uma doutrina, nem tampouco é de grande importância para a salvação/evolução do indivíduo.

Oração:

"Glorioso Príncipe do Céu, protetor das almas, eu vos chamo e invoco para que me livreis de toda adversidade e tentação, fazendo-me evoluir e levando-me no caminho escolhido por Deus. São Miguel Arcanjo, protegei-nos no combate, cobri-nos com Vosso Escudo contra os embustes e ciladas dos inimigos e do maligno; subjugue-os Deus, instantaneamente, vos pedimos. E Vós, Príncipe da Milícia Celeste, libertai-nos do mal, da ignorância e das trevas que andam pelo mundo. Assim seja!"

"São Miguel à frente para me defender;
São Miguel atrás para me proteger;
São Miguel à direita e à esquerda para me acompanhar;
São Miguel acima para me iluminar;
São Miguel abaixo para me sustentar;
São Miguel São Miguel São Miguel;
Eu Sou o seu amor que me protege aqui;
Eu Sou!"


Saravá Arcanjo Miguel!

Dos sete poderosos Arcanjos, Mensageiros de Deus, o Arcanjo Miguel - o Senhor dos Anjos – é o mais conhecido. Ele é o Arcanjo Miguel da fé, da proteção e da libertação do mal. Está na Terra desde a sua formação e desde os Planos Sutis, presta inestimáveis serviços à humanidade, mantendo incansavelmente a iluminação da Força da Fé Iluminada. Os apelos infindáveis que lhe têm sido dirigidos pelos seres humanos, e as Suas prontas respostas, contribuíram para que Ele se aproximasse mais da Terra.

O Príncipe Miguel ouve as súplicas das criaturas que se queixam de suas dores tanto morais, quanto físicas. Bem no início, quando os homens encarnaram aqui, Ele resolveu vir, espontaneamente, e ser o guardião da fé. Acompanhado de Suas Cortes Celestiais desceu à Terra, a fim de atender a todos aqueles que desejassem o Seu auxílio.

Do Templo etérico do Arcanjo Miguel saem, incessantemente, os auxiliares e mensageiros da proteção, misericórdia, absolvição e auxílio. O Raio do Absoluto (da fé inabalável em Deus) transpassa incessantemente os planos mental, sentimental, etérico e físico do planeta, bem como os reinos em evolução.

Bem-Amado Arcanjo Miguel, nós agradecemos a Fé que, a cada momento, imprimis em nossos corações. A Fé que remove montanhas, a Fé consciente, a Fé necessária para que entreguemos a Oxalá o leme das nossas vidas. Apelamos, Bem-Amado Miguel, para que poderosa energia da Fé encontre terreno propício em nosso ser de forma realizar todas as mudanças necessárias, removendo de nossos corpos as densidades que nos aprisionam e reduzem a nossa gama vibratória, afastando dos nossos caminhos, todas as barreiras e impedimentos, todos os grilhões e amarras que possam retardar a realização do nosso Plano Divino e a abundância de todo o bem em nossas vidas.

Firmai o nosso propósito para que a energia da Fé, conduzida pelo nosso Cristo interno, interpenetre os nossos caminhos, operando o milagre da transformação em nosso ser e em nosso mundo. Com o coração repleto de Fé no Poder do Pai que nos habita, decretamos, em seu nome, a superação de todos os nossos problemas e observamos confiantes o fim de nossas dificuldades. Assim É, em Nome de Zambi e Oxalá!

Saravá pai Oxalá e pai Ogum! Salve O Arcanjo Miguel, Saravá Vovô Miguel! Axé!

Fonte: Glossario Esotérico - Haja Luz, Ponte para a Liberdade - A Hierarquia dos Iluminados - Livro dos Apelos - Tola Gynska - Orações do Povo de Deus - Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Miguel_(arcanjo)

Prece de Cáritas




A Prece de Cáritas foi psicografada na noite de 25 de dezembro de 1873 pela médium Madame W. Krill, num círculo espírita de Bordeaux, França.
"Chamo-me Caridade, sou o caminho principal que conduz a Deus; segui-me, eu sou a meta a que vós todos deveis visar" - Cáritas

PRIÈRE DE CARITAS                                                        PRECE DE CÁRITAS

Dieu   notre  Père,  Vous  qui  êtes  puissance  et   bonté,  donnez  la  force  à  celui  qui  subit  l’épreuve,  donnez  la  lumière  à celui  qui  cherche  la  vérité,  mettez  au  cœur  de  l’homme  la  compassion  et  la  charité.

Dieu, donnez  au  voyageur  l’étoile  directrice, au  malade  le  repos  et  au  souffrant  la  consolation.

Père,  donnez  au  coupable  le  repentir,  à  l’esprit  la  vérité,  à l’enfant  le  guide,  à  l’orphelin  le  père.

Seigneur,  que  votre  volonté  s’étende  sur  tout  ce  que  Vous  avez créé.  Pitié  Seigneur  pour  ceux  qui  ne  vous  connaissent  pas  et  espoir  pour  ceux  qui  souffrent.

Que  votre  bonté  puisse  permettre  aux  Esprits  consolateurs  de  répandre  partout  l’espérance  et  la  foi.

Dieu,  un  rayon,  une  étincelle  de  votre  amour  peut  éclairer  la  Terre.  Laissez  nous  boire  à  la  fontaine  de  votre  bonté  infinie  et  toutes  les  larmes  sécheront,  toutes  les  douleurs  disparaîtront.  Un  seul  cœur,  une  seule  pensée  monteront  jusqu’à  Vous,  comme  un  cri  de  reconnaissance  et  d’amour.

Comme  Moïse  sur  la  montagne,  nous  Vous  attendons  les  bras  ouverts.  Ô  bonté,  Ô  beauté,  Ô  perfection,  nous  voulons  en  quelque  sorte  mériter  votre  miséricorde.

Dieu,  donnez-nous  la  force  de  subir  l’épreuve,  aidez-nous  à  progresser  afin  que  nous  puissions  nous  élever  jusqu’à  Vous.

Donnez-nous  la  charité  et  l’humilité .

Donnez-nous  la  foi  et  la  raison.

Donnez-nous  la  simplicité  qui  fera  de  nos  âmes  le  miroir  où  se  reflétera  votre  douce  et  divine  image.

Ainsi  soit-il .

Deus nosso Pai, Vós que sois poder e bondade, daí a força àquele passa pela provação, daí a luz àquele que procura a verdade, ponde no coração do homem a compaixão e a caridade.

Deus, daí ao viajante a estrela guia, ao doente o repouso e ao sofredor a consolação.


Pai, daí ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, ao órfão o pai.

Senhor, que vossa vontade se estenda sobre tudo o que Vós criastes.  Piedade, Senhor, para aqueles que Vos não conhecem e esperança  para aqueles que sofrem.

Que vossa bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda parte a esperança e a fé.

Deus, um raio, uma faísca de vosso amor pode iluminar a Terra. Deixai-nos beber na fonte de vossa bondade infinita e todas as lágrimas secarão, todas as dores desaparecerão.  Um só coração, um só pensamento subirão até Vós, como um grito de reconhecimento e de amor.

Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos. Ó bondade, ó beleza, ó perfeição, queremos de qualquer sorte merecer vossa misericórdia.

Deus, dai-nos a força de suportar nossa prova, ajudai-nos a progredir a fim de que possamos nos elevar até Vós.

Dai-nos a caridade e a humildade.

Dai-nos a fé e a razão.

Dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde se refletirá vossa doce e divina imagem.

Assim seja.
* Cette  prière  fut  reçue  durant  une  séance  spirite,  le  25  Décembre   1873.  L’esprit  appelé  Caritas  fut  martyrisé  en  la  ville  de  Lyon  (France ).

Essa prece foi recebida durante uma sessão espírita, em 25 de dezembro de 1873. O espírito chamado Cáritas foi martirizado na cidade de Lyon (França)


Corpo e Espírito Juntos




Prossegue o teu caminho sem reclamar. Podendo ajudar, ajude. Mas não esqueças de cuidar de ti. Se cuidares somente do lado espiritual, faltará o outro lado, aquele que não tens dado muito valor, o material. Este corpo veio contigo para que, juntos, corpo e Espírito, cresçam.

Quando priorizamos somente o espiritual, o corpo pode adoecer. E assim o espiritual também padecerá. Portanto, cuidem dos dois juntamente. O lazer é importante, o espairecer é importante. Tentem fazer os dois sempre andarem juntos, lado a lado.

Só podemos realmente ajudar a alguém, se nos ajudarmos primeiramente. O desgaste emocional e a desarmonia desequilibram todo o conjunto, gerando desânimo, fazendo-os questionarem coisas que antes não questionavam.

Então parem e analisem para que sejam seres completos, em crescimento por igual. Deste modo estarão satisfazendo a natureza que os enviou para aprenderem errando e buscando consertar o que ainda é possível. Assim, buscando o equilíbrio haverá, como resultado desta busca de harmonia, o encontro com o que mais buscam: a paz interior.

Autor desconhecido

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

CONEAFRO 2009 - 4 de outubro - São Paulo



CONVITE 1:

O Movimento Chega e o grupo GUERREIROS DO AXÉ convidam para participar do encontro que acontecerá no dia 01 de Outubro de 2009 a partir das 19h30min, na Rua Carlos Belmiro Correia, 1259 - Terminal Casa Verde - Alt. do 2500 da Av. Engenheiro Caetano Alves. São Paulo-SP.

Trata-se uma reunião política, aberta a todos os religiosos e simpatizantes das Religiões de Matriz Africana, Afro brasileira e espiritualista em geral, que queiram contribuir com proposta e se unir na luta em defesa dos nossos direitos. A luta contra injustiça, intolerância religiosa e exclusão social é uma luta de todos nós. PARTICIPE!

Mais informações em: www.coneafro.com.br

Veja neste site a lista de lideranças e religiosos que estarão participando do maior CONGRESSO de religião Afro Brasileira e de Matriz Africana na capital de São Paulo no dia 04 de Outubro de 2009.

CONVITE 2:
CONEAFRO 2009
O CONEAFRO em nome das Comunidades Tradicionais de Terreiros, CONVIDA os amigos, parceiros e Religiosos ligados as Religiões de Matriz Africana e Afro brasileira para participarem do CONGRESSO ESTADUAL que será realizado no dia 04/10/09 (Domingo), as 8h00 no Salão Nobre do Sindicato dos Eletricitários do Estado de São Paulo, localizado na Rua Thomas Gonzaga, 50 - Metro Liberdade – São Paulo.

Confirme sua participação preenchendo a ficha de inscrição ou entre em contato:
Fones: [11] 3453-6175 - 5599-4673 - 8323-9056 ou por
E-mail: contato@coneafro.com.br

Fonte: CONEAFRO - Comissão organizadora

“Comunidade Organizada é Respeitada e Tem Seus Direitos Preservados”
“Comunidade Desorganizada Caminha Lentamente Para Sua Extinção.”

Papus - O Médico Alquimista




Por Alex Alprim

Gérard Anaclet Vincent Encausse, conhecido nos meios místicos como Papus, foi um dos maiores estudiosos das ciências ocultas do século 19. Sua genialidade e dedicação marcaram sua vida, e ele deixou um vasto conjunto de obras que abrangem os vários caminhos que levam o homem a se conectar à sua natureza divina.

Existem homens sobre os quais não basta simplesmente dizer quando nasceram, ou o que fizeram durante sua existência física. Seu trabalho segue em tantas direções e possui um impacto tão profundo no saber da humanidade, que é necessário ir além do relato biográfico.

Papus é um desses homens, mas como temos de iniciar num ponto, façamo-lo a partir de seu nascimento. Ele veio ao mundo no dia 13 de julho de 1865, em La Coruña, Espanha. Sua mãe era uma cigana espanhola, Irene Perez; seu pai, Louis Encausse, era um químico francês.

Dessa forma, ele já nascia tendo no sangue a magia do povo cigano unido à tradição química francesa, que, por sua vez, tinha profundas origens na alquimia européia do século 17. Em sua casa também viveu num ambiente favorável ao estudo das artes divinatórias, como o tarô e o estudo da alma humana. Podese dizer que a espiritualidade em Papus veio do berço.

Em 1869, mudou-se com a família para Paris, onde iniciou seus estudos regulares no colégio Rollin. Sua inclinação para a medicina surgiu ainda jovem e, aos dezessete anos, foi para a famosa Faculdade de Medicina de Paris. Ainda assim, apesar de toda sua dedicação nos estudos da razão e das ciências em sua essência mais materialista, não se afastou dos conhecimentos esotéricos.

Na verdade, ele nunca se afastou do ocultismo, o que pode ser verificado a partir dos relatos de alguns companheiros da época. Enquanto muitos jovens estavam vivendo a intensa efervescência política pela qual atravessava a Europa, ele passava grande tempo na Biblioteca Nacional de Paris ou na Biblioteca do Arsenal (que possuem imensos acervos de obras ocultistas) estudando tudo que pudesse revelar os caminhos da alquimia e da cabala e o conhecimento para se atingir o saber das Chaves Divinas.

Além da agitação política, no século 19, a Europa também vivia um grande florescimento esotérico; um sem-número de sociedades filosóficas surgiam e algumas delas se destacaram, como a Sociedade dos Filósofos Desconhecidos, fundada por Louis Claude de Saint-Martin um século antes, e na qual Papus teria recebido sua iniciação ao Caminho. Segundo documentos da época, Papus foi iniciado por Henri Delaage, em 1882.

Nessa sociedade, ele se destacaria por sua genialidade e intensa disciplina, o que o levou rapidamente a integrar o círculo interno da organização. Isso ocorreu num período que abrange dos dezessete aos vinte anos de idade, o que é um feito e tanto para alguém tão jovem. Aos vinte e dois anos, escreveu sua primeira obra, que se tornaria um marco para todos que pesquisavam a base das ciências ocultas no ocidente: o Ocultismo Contemporâneo.

Mas ele não parou por aí: aos vinte e cinco anos, já era uma celebridade na França e conhecido em vários países, tendo publicado Tratado Elementar de Ciências Oculta, Tarot dos Boêmios, Tratado Metódico de Ciência Oculta, A Cabala e Tratado Elementar de Magia Prática.

Esse ímpeto de conhecer, estudar e se aprofundar em todas as ciências não tardaria a levar o jovem Papus a uma jornada literária. Escrevendo continuamente durante várias décadas, sua produção chegaria a mais de 160 títulos, abordando todos os campos do conhecimento ocultista e médico.

Sua mente agitada e a intensa dedicação ao estudo do oculto levaram-no a fundar uma nova sociedade de estudos. A idéia era que esse grupo não apenas complementasse sua ânsia de aprender, mas também reunisse pessoas que estivessem sintonizadas com os grandes ideais da humanidade e divulgassem a espiritualidade. Foi assim que, em 1889, surgiu o Grupo Independente de Estudos Esotéricos (GIDEE), que mais tarde se tornaria a conhecida Escola Hermética.

Papus também iniciou a publicação das famosas revistas A Iniciação e Véu de Ísis, que divulgavam estudos e textos sobre as ciências ocultas e estabeleciam um contraponto ao materialismo que tomava de assalto as instituições de ensino, tanto na França quanto em outros países, com o objetivo declarado ou não de acabar com as trevas da ignorância espiritualista.


Mais Que um Médico

Apesar de toda sua dedicação ao mundo ocultista, Papus não abandonou suas obrigações como médico e trabalhou nos hospitais de Paris. Defendeu sua tese de medicina - A Anatomia Filosófica e Suas Divisões -, a qual foi elogiada pela profundidade e clareza com que foi elaborada.

Posteriormente, defendeu outra tese, chamada Compêndio de Fisiologia Sintética, tão elogiada nos meios acadêmicos quanto a anterior. Sua dedicação à medicina e seus escritos de fisiologia mostravam um homem que absorvia tanto saber quanto era produzido pelo mundo.

Nos sábios de tempos passados ele foi buscar os caminhos da cura e das ciências perdidas. O grande Paracelso foi um exemplo para o jovem buscador que, assim, iniciou uma série de viagens pela Europa, percorrendo bibliotecas, questionando estudiosos do oculto e os homens da razão. Conheceu curandeiros, médicos, teve contato com a homeopatia e estudou tudo o que lhe caísse às mãos. Sem preconceitos, foi até os limites da ciência, por mais obscuro que issofosse. Além de procurar compreender os princípios mecânicos do funcionamento do corpo, Papus tentava, por meio da cabala e da alquimia, descobrir outros aspectos da saúde e da cura, antevendo nas ciências ocultas a chave para o tratamento dos males que afligiam a humanidade.

Existem curas creditadas a ele que beiram o milagroso. Diz-se que ele sabia das doenças, causas e reações dos pacientes sem que estes lhe dirigissem a palavra, assombrando a todos com a exatidão de suas observações. E muitos casos se resolviam enquanto Papus conversava com seus pacientes: dores sumiam, mal-estares desapareciam, sem a utilização de remédios. Para analisar um doente e dar o diagnóstico, Papus analisava seu campo astral e, depois, usava uma técnica semelhante às técnicas energéticas orientais; ele aplicava uma "força-vital" que reequilibrava a psique e a fisiologia da pessoa, restabelecendo a saúde do doente.

Segundo seus escritos, existiam as doenças do corpo (material), do astral (mental) e do espírito (espiritual), e para cada uma delas existe um conjunto de técnicas e remédios possíveis. Por exemplo, as doenças do corpo podem ser curadas pela medicina dos contrários (alopatia); já as doenças do astral são tratadas pela homeopatia; as doenças do espírito são curadas pela força da oração e da magia, desde que o problema não tenha nascido como resultado de uma questão cármica, pois isso está fora da alçada apenas do curador: o paciente deve ser parte ativa na cura, e o curador age apenas como um guia.

A Medicina Oculta (os conhecimentos que permitem agir além do plano físico na cura dos pacientes) era parte integrante das técnicas de Papus, pois é relatado que ele curava a distância, usando para isso objetos pertencentes aos doentes, fossem suas excreções ou objetos próximos a eles; além disso, diagnosticava usando seus dons paranormais, que iam da clarividência a viagens a distância, provavelmente usando seu corpo astral.

Praticou de tudo. Conectou-se a linhas de trabalho que iam da alopatia à hipnose. Pode-se dizer que foi o precursor do "holismo", pois não dispensava uma análise integral do ser humano para achar a causa das doenças, e as tratava como algo mais do que uma disfunção física, mas sim como uma questão que envolvia os corpos sutis em comunhão com o universo físico.


Os Grandes Mistérios do Mundo

Além de estudar e praticar os aspectos mais obscuros das ciências místicas, Papus procurava conhecer o legado da antigüidade egípcia e os mistérios dos gregos e romanos.

Concluiu que, na verdade, o bem-estar do homem e o seu grau de desenvolvimento material refletiam o quanto este estava envolvido com a Iniciação aos planos superiores de existência.

Dessa forma, ele acreditava que a máxima dita no Templo de Delfos - "conhece-te a ti mesmo, que conhecerás o Universo e os deuses" - seria a grande chave mística para toda a humanidade e para a cura dos grandes males que a assolam.

O nome Papus - que significa "o médico da primeira hora" -, foi baseado em um nome que surgia na conhecida obra Nuctameron, escrita pelo sábio da Antigüidade, Apolônio de Tiana. E é um nome que representa muito bem o que foi a vida de Papus, pois também significa aquele que não mede sacrifícios para cumprir o seu papel de curador e conselheiro, estando preparado para ajudar o próximo a qualquer hora.

Papus se consagrou ao estudo de como a chamada Luz Astral (chi, para os chineses; energia astral, para os praticantes da New Age) age em nossos corpos, e do papel da mente e suas relações com o homem. Suas pesquisas incluíam fenômenos hipnóticos, espíritas e parapsicológicos, sempre com o objetivo de unir a mais alta razão científica aos mistérios do ocultismo.

A Escola Hermética, a qual fundara anos antes, reunia os mais famosos ocultistas de que se tem notícia, numa época áurea da humanidade em que tantos desbravaram a antiga sabedoria do mundo místico e esotérico. Homens como Stanislas de Guaita, Sedir, Barlet, Peladan, Chamuel, Marc Haven, Maurice Barres, Victor-Emile Michelet, entre outros, fizeram parte do grupo de Papus, e esses estudiosos recrutavam outros membros para a ordem, criando uma rede de pessoas dedicadas à elevação da humanidade com um todo.

Papus faleceu (desencarnou) em 25 de outubro de 1916, aos 51 anos de idade. Seu maior legado foi uma vida inteira dedicada aos seres humanos e, especialmente, voltada para explorar os caminhos do espírito, sempre demonstrando imensa compaixão e amor pelo conhecimento.

Bibliografia: http://www.sca.org.br/biografias/papus.pdf

domingo, 27 de setembro de 2009

Saravá São Cosme e São Damião! Erê !




São Cosme e São Damião eram irmãos gêmeos e nasceram na Arábia por volta do século III, em meio a uma nobre família. Estudaram medicina na Síria, e depois foram para Egéia. Circunstâncias desconhecidas os colocaram em contato com o Cristianismo e se tornaram animados discípulos de Cristo. Aproveitando da sua arte médica, mas confiando muito mais no poder da oração e na confiança em Deus, os dois irmãos continuavam a exercer a medicina, conseguindo êxito extraordinário.

Não recebiam pagamento por seus serviços médicos - daí serem chamados "anárgiros", ou seja, que "não são comprados por dinheiro" - porque seu objetivo principal era a conversão dos pagãos à fé cristã. De fato, conseguiram deitar a semente cristã em muitos corações e numerosas foram as conversões.

Assim viveram alguns anos como médicos e missionários na Ásia Menor. No entanto, esta atividade devia chamar a atenção das autoridades, ainda mais que tinha estourado a terrível perseguição do Imperador Diocleciano contra os cristãos, por volta do ano 300. O Governo Imperial, então, ordenou a prisão dos dois médicos, sob acusação de inimigos dos deuses pagãos.

Perante o tribunal, o governador os interpelou sobre sua pátria e religião. Acusados de se entregarem a feitiçarias e usar meios diabólicos para disfarçar as próprias curas, eles responderam: "Nós curamos as doenças em nome de Jesus Cristo e pelo seu poder". "É preciso que adoreis os deuses, sob pena de cruel tortura", disse o governador. Ao que eles responderam: "Teus deuses não têm poder algum; nós adoramos o Criador do Céu e da Terra !"

Como se recusassem a renunciar a seus princípios religiosos, o governador mandou aplicar-lhes tormentos bárbaros. Vendo, porém, que estes processos eram inúteis, deu ordem para que fossem decapitados. Cosme e Damião morreram mártires em 303, na Egéia.


sábado, 26 de setembro de 2009

Bhagavad-Gita: Canto III - Yoga da Ação

Arjuna disse:

1. Por que queres me engajar nesta terrível batalha, se achas que a compreensão é superior ao trabalho, ó Keshava, ó Jnardana?

2. Minha mente está confusa com Tuas palavras dúbias; dize-me, pois, com clareza o que é melhor para mim.

O Supremo Senhor disse:

3. Eu acabei de explicar que há dois tipos de pessoas tentando entender o Eu. Umas através da mente, outras por servir a Deus.

4. Não se é livre do dever porque se deixa de agir nem se atinge a perfeição somente pela renúncia.

5. Todo mundo tem que agir de acordo com o seu carma. Nem mesmo por um momento pode alguém deixar de agir.

6. Quem reprime os seus sentidos mas não livra sua mente dos objetos do desejo está enganando a si mesmo e não passa de um farsante.

7. Mas aquele que usa a mente no controle dos sentidos praticando a devoção e agindo com desapego, é digno de ser louvado.

8. Execute o seu trabalho pois esse procedimento é melhor que a inação. Sem trabalhar não se pode sequer manter-se o corpo.

9. Deve ser feito o trabalho como um sacrifício a Deus. Pois se é feito de outro modo, ele leva ao cativeiro do mundo material. Por isso ó filho de Kunti, execute o seu trabalho para a satisfação d'Ele, e assim você será livre.

10. No início da criação o Pai de todos os seres enviou muitas gerações de homens e semideuses com o fim de executar sacrifícios para Vishnu e abençoou-os dizendo: "Que vós sejais bem felizes; através dos sacrifícios tereis o que desejardes.

11. Agradando aos semideuses eles vos serão propícios. E assim - os deuses e os homens cooperando mutuamente - haverá muita fartura".

12. Os semideuses contentes com os vossos sacrifícios saciarão vossos desejos. Mas quem desfruta das dádivas sem ofertá-las aos deuses é certamente um ladrão.

13. Os devotos do Senhor estão livres do pecado porque comem alimento ofertado em sacrifício. Os que preparam a comida para o gozo dos sentidos apenas comem pecado.

14. Nossos corpos materiais são nutridos pelos grãos produzidos pelas chuvas. As chuvas são produzidas por força dos sacrifícios, os quais são provenientes das obrigações prescritas.

15. Todas as obrigações estão prescritas nos Vedas, e os Vedas se manifestam diretamente de Deus. Por isso o Brahman Supremo é presente eternamente no rito de sacrifício.

16. Quem não adota a seqüência de sacrifícios prescritos pelas escrituras védicas decerto vive em pecado. Vive em vão quem vive apenas como um servo dos sentidos, ó descendente de Pritha.

17. Mas para aquele que encontra contentamento no Eu, e se ilumina no Eu, já não há obrigação.

18. Ele já não tem razão para cumprir dever algum. Nem tampouco tem razão para não fazer o que deve. Ele também não precisa depender mais de ninguém.

19. Por isso deve-se agir sem apego a resultados, mas apenas por dever, pois agindo sem apego, o homem atinge o Supremo.

20. Mesmo os reis como Janaka chegaram à perfeição por cumprirem seus deveres. Do mesmo modo você deve fazer seu trabalho para ensinar pelo exemplo.

21. Qualquer ação praticada por um homem superior é tomada como exemplo por toda a comunidade como se fosse um padrão que todos querem seguir.

22. Ó descendente de Pritha, não há dever que me obrigue em qualquer um dos três mundos. Não sinto falta de nada nem necessito de nada, mas mesmo assim Eu Me ocupo em cumprir o que é prescrito.

23. Se alguma vez Eu deixasse de ocupar-Me com cuidado da execução dos deveres decerto todos os homens seguiriam o Meu exemplo.

24. Se Eu deixasse de cumprir os Meus deveres prescritos arruinaria os três mundos criando prole indesejada, destruindo assim a paz de todos os seres vivos.

25. Assim como os ignorantes executam seus deveres com apego aos resultados, igualmente os que são sábios também cumprem seu dever, sem desejar nada em troca, apenas com o propósito de conduzir as pessoas para o caminho correto.

26. Que o sábio não confunda a mente dos ignorantes que trabalham pelo ganho, procurando encorajá-los a abster-se de trabalhar. Ele só deve ensiná-los a servir com devoção.

27. A alma estando confundida pelo mundo material coloca-se como autora do que na verdade é feito pela ação da natureza.

28. Quem possui conhecimento da Realidade Absoluta, Arjuna de braços fortes, não se ocupa na procura dos prazeres dos sentidos, pois bem sabe a diferença entre agir por devoção ou apegado aos resultados.

29. Por estarem confundidos pelas três qualidades da matéria, os ignorantes se ocupam com os assuntos mundanos, ficando muito apegados. Não deve, no entanto, o sábio por causa disso agitá-los. Eles agem desse modo por falta de entendimento.

30. Por esse motivo, Arjuna, com a mente fixa em Mim, sem desejar nada em troca, e ofertando-Me os teus atos, lute sem desanimar!

31. Quem executa os deveres conforme os Meus preceitos, quem segue Minhas lições com muita fé e devoção, sem se levar pela inveja, fica livre da prisão do trabalho interesseiro.

32. Mas os que, devido à inveja, não praticam Meus preceitos, privam-se completamente de todo o conhecimento, malogrando seus esforços de atingir a perfeição.

33. Até mesmo os eruditos não podem deixar de agir de acordo com os ditames de sua própria natureza. Que adianta se reprimir?

34. Todo mundo experimenta atração ou repugnância pelos objetos sensíveis; mas ninguém deve servir ao império dos sentidos que são pedras no caminho que leva à libertação.

35. É muito melhor cumprir, embora imperfeitamente, as próprias obrigações do que cumprir as dos outros da maneira mais perfeita. Morrer cumprindo o dever é correr menos perigo do que perder seu caminho.

Arjuna disse:

36. Ó descendente de Vrishni, o que faz o homem pecar, embora contra a vontade, como se fosse forçado?

O Supremo Senhor fala:

37. É tão-somente a luxúria gerada pela paixão que mais tarde se transforma em ira, a grande inimiga pecaminosa e voraz devoradora de tudo.

38. Como o fumo cobre o fogo, a poeira cobre o espelho e o útero cobre o feto, de maneira similar o ser vivo está coberto por camadas de luxúria.

39. Desse modo a consciência é coberta de luxúria, que é sua eterna inimiga, pois nunca se satisfaz e arde tanto como o fogo.

40. A mente e os cinco sentidos, assim como a inteligência, são moradas da luxúria, que cobrindo a consciência do ser vivo, o desnorteia.

41. Sendo assim, filho de Bhárata, subjugue desde o princípio o causador do pecado controlando os seus sentidos, e aniquile o matador da alma e do conhecimento.

42. Os sentidos se situam acima dos seus objetos. Mais acima dos sentidos está situada a mente. Em posição superior se situa a inteligência e, acima desta, está a alma.

43. Sabendo então que transcende, tanto aos sentidos e à mente, assim como à inteligência, deve por isso a Pessoa, Arjuna de braços fortes, domar o eu inferior e, com a força do espírito, vencer de vez a luxúria, esse inimigo terrível.

Fonte: Bhagavad-Gita, o texto faz parte da epopéia Mahâbhârata, que compõe as Escrituras Sagradas da milenar cultura indiana.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Utilidade Pública - Fundo 157 - Grana não reclamada

O Fundo 157, que foi criado pelo Decreto Lei nº 157, de 10.02.1967, tratava-se de uma opção dada aos contribuintes de utilizar parte do imposto devido quando da Declaração do Imposto de Renda, em aquisição de quotas de fundos administrados por instituições financeiras de livre escolha do aplicador.

Pessoas que declararam Imposto de Renda, nos exercícios entre 1967 e 1983, e que tinham Imposto devido neste mesmo período, são os que podem, ainda, possuir aplicação no referido Fundo. Segundo informações há um saldo não reclamado de quase 500 milhões de reais.

Então, se for o seu caso, prossiga da seguinte forma:

1 - Acesse o site da Comissão de Valores Mobiliários do Ministério da Fazenda: http://www.cvm.gov.br/

2 - Role a tela até o menu 'Acesso Rápido'

3 - Clique em 'Consulta Fundo 157'

4 - Digite seu CPF

5 - Veja em que Banco está o seu dinheiro.

6 - Consulte o CPF de todos seus familiares também.

7 - Seja cidadão e avise amigos, conhecidos, enfim, todos que declararm Imposto de Renda no período supracitado.

"Um por todos! Todos por um!" - "...o sentido sagrado da fraternidade"

Maçonaria - O Bem, o Mal e a Lição da Pedra Bruta




"Uma análise dos símbolos maçônicos que têm como objetivo a edificação e aprimoramento do ser humano, e a necessidade de se lapidar e trabalhar o espírito. Ao entrar para a Ordem, a primeira imagem com a qual o Aprendiz Maçom toma contato, sob um ponto de vista sintetiza boa parte (senão todos) dos símbolos pertinentes a seu presente estágio e, sob outro aspecto, ela traz em si a indicação do trabalho que começou a ser realizado por aquele que iniciou o seu longo aprendizado.

Descrevendo rapidamente, a imagem apresenta um jovem olhando em direção a um bloco disforme de pedra. Este jovem, provavelmente um pedreiro ou um escultor, traz consigo os instrumentos de seu ofício: um malho e um cinzel. Em uma primeira vista, logo notamos que, pelo menos os já citados quatro elementos básicos da imagem, saltam aos nossos olhos. Repetindo, são eles: o próprio pedreiro, o malho, o cinzel e a pedra bruta.

Para podermos iniciar nossas rápida exposição – tanto sobre esses elementos quanto sobre o conjunto que a imagem em si representa, como um todo – é necessário que voltemos um pouco no tempo para nos lembrar da época em que assim chamada Maçonaria, hoje especulativa, era considerada operativa.

Naquele tempo, com a evolução da arte de se construir, o material utilizado nas edificações aos poucos passaria de madeira para pedra e, depois, da pedra para a pedra trabalhada. Assim, as construções iam se tornando mais sólidas e belas. 

O trabalho na pedra bruta visava, principalmente, a preparar um conjunto de peças para que essas se moldassem e se encaixassem em um todo maior de pedras, e que todo as estivessem em conformidade com o projeto dos “construtores”. No campo operativo, boa parte do trabalho de lapidação executado pelo novos Pedreiros era feito com o suo de, entre tantos outros materiais, três elementos básicos : a Pedra em si, o Martelo (ou Malho) e o Prego (ou Cinzel).

Talvez como efeito do avanço industrial, quando a máquina começava a substituir a mão-de-obra humana, por volta da segunda década do século 18, a Maçonaria passaria a ser considerada de ordem especulativa. Assim, boa parte dos componentes materiais até então utilizados no ofício e na arte da construção passaria a compor símbolos, cuja natureza, ainda associada às edificações, agora também estariam relacionados a aspectos internos do ser humano, sejam esses aspectos de ordem moral, sejam de ordem espiritual.

Dessa forma, o que antes era visto como a preparação para se produzir peças perfeitas, agora ganhava os contornos de símbolos que visavam à edificação do verdadeiro homem. Para tal, assim como acontecia com os blocos de pedra bruta, o próprio homem necessitaria ser trabalhado, ou lapidado, para que sua perfeição enfim se mostrasse.

Na já citada imagem do Grau de Aprendiz, vemos o jovem pedreiro trabalhando a pedra bruta. Para a realização desse trabalho, ele emprega o Cinzel e o Malho. O Malho se encontra em sua mão direita, enquanto o Cinzel está na esquerda. Comparando a pedra com o homem, é mostrado que ela, em seu estado bruto, se encontra disforme, distante de um possível estado de perfeição que, mais tarde, será representado pela Pedra Cúbica; igualmente, esse trabalho de lapidação poderá ocorrer com o próprio ser humano.

Ora se identificando com a Pedra, ora com o Pedreiro, o Aprendiz terá todos os elementos necessários para trabalhar a si próprio. Esses elementos estão representados pelos já mencionados Malho e Cinzel.

Superficialmente, alguns autores relacionam o Malho ao elemento ativo da obra de desbaste da Pedra Bruta, enquanto que o Cinzel seria o elemento passivo. O primeiro estaria associado à força e ao intelecto, enquanto que o segundo diria respeito à arte de esculpir propriamente dita. 

Em uma análise um pouco mais criteriosa, o Malho seguro pela mão direita, é entendido como sendo um símbolo da ação pura da vontade o Aprendiz, atuando com perseverança e continuidade sobre a Pedra, enquanto o Cinzel é visto como a capacidade de orientação e observação, a capacidade de saber discernir o que deve ou não ser retirado do bloco em trabalho. 

Sob o ponto de vista iniciático, Malho e Cinzel podem ser percebidos, respectivamente, como a Tradição, que prepara, e como a Tradição, que prepara, e como a Revelação, que cria. Um é inútil sem o outro, e eles atuam em conformidade com o Princípio Hermético da Polaridade, que diz que “tudo é duplo”.

Se uma forma de assimilação do símbolo do Grau de Aprendiz o mostra trabalhando a Pedra Bruta, um outro entendimento, de ordem ainda superior, nos fala que o Aprendiz, sendo a própria Pedra a ser desbastada, “sofrerá” a ação do Grande Escultor, que fará uso dos elementos necessário à realização da Obra final.

Mas qual seria a relação direta do Bem e do Mal com a lição Pedra Bruta? Estes dois conceitos, Bem e Mal, ocuparam e certamente continuarão ocupando a mente de todos e quaisquer estudantes das Ciências Antigas. 


Genericamente tomados como conceitos absolutos – nos quais primeiramente poderíamos simplesmente optar por um (normalmente o Bem) e esquecer o outro – tais aspectos da criação são de tamanha relatividade que defini-los satisfatoriamente pode parecer tarefa assaz dura, senão francamente impossível. Assim, iremos nos limitar a dissertar de modo livre e sucinto sobre os mesmos sempre tendo em mente o símbolo da Pedra Bruta, bem como nossa fé e confiança no Grande Artesão.

Em princípio, quanto mais livre de conceitos (sobremodo conceitos religiosos) preestabelecidos estiver a mente de alguém, mais apta esta mente estará para perceber os notáveis equívocos, alguns seculares, com os quais estamos obrigados a conviver. Por exemplo, tornou-se uso comum associar Deus tão somente ao Bem, relegando todos os aspectos supostamente vis da criação, as “coisas” ruins, ao seu eterno opositor. Dessa forma, a perene luta Bem versus Mal, tendo seu palco há muito armado, segue seu rumo em direção ao eterno.

Somente como ilustração para este equívoco, citamos um trecho, extraído dos códigos de uma das crenças mais populares de nosso país. Este trecho afirma, de modo claro, taxativo, lapidar e final ser “[....] Deus, soberanamente justo e bom...”. A suposição de que algo seja “justo e bom”, mesmo muito antes de poder ser considerada primária, deve ser vista como realmente é, ou seja, ilógica, até mesma contraditória.

O Segundo Princípio elaborado por aquele Três Vezes Grande, o Princípio de Correspondência nos diz que “o que está em cima é como o que está em baixo...”. Segundo a lógica hermética, sabemos que, em tese, um juiz, quando emite uma sentença ou julga uma causa humana, intenta nada mais ser senão justo. Ele não deseja ser nem bom e nem mau, mas apenas justo. As demais partes envolvidas são as que, segundo a conveniência de cada uma, entendem ter sido o seu veredicto, a sentença, boa ou má.

Da mesma forma, seguindo o Princípio Hermético das Correspondências, podemos supor o mesmo a respeito do Grande Juiz, o Criador. Se Ele é justo, como o crêem todos, é apenas justo. Nós, suas criaturas, é que, dentro de nossa limitada compreensão, entendemos serem as Sua ações mera conseqüência de um possível Bem o Mal. E exatamente nisto, em Sua Justiça, está a Sua Perfeição. Não é à toa que os maçons se utilizam do mote “Justo e Perfeito”, e nunca “Justo e Bom”.

Seguindo o raciocínio sobre o Bem e o Mal, no trabalho de lapidação da Pedra Bruta duas vontades parecem agir de modo concomitante : a primeira vontade seguirá os desígnios do Criador, que é soberana. A vontade secundária partiria da própria Pedra, ou do indivíduo a ser trabalhado, no caso, o Aprendiz. Em ambas possibilidades, intenta-se obter o produto final na forma de uma pedra Justa e Perfeita. Ela é Justa, pois está adequada à Sua Obra, e é Perfeita, pois também está em conformidade com a Perfeição de Seu Plano Maior.

O livre-arbítrio que, em princípio, parece dirigir a vontade de Aprendiz, nada mais é do que a faculdade que lhe dá a chance de estar em harmonia com a vontade Maior que o criou. Nesse caso, as duas vontades, sendo harmônicas, passam a ser uma única Vontade. Então, poderíamos entender o Bem como sendo a capacidade do Aprendiz de pôr a própria vontade em sintonia com a vontade Superior, enquanto o Mal simplesmente representaria a opção contrária a esta.

Um outro aspecto do símbolo, presente no processo de tornar desbastada a pedra bruta, também muito teria a acrescentar. Sob um certo ponto de vista, a Pedra Bruta é entendida como um estado original de liberdade, enquanto que a pedra trabalhada é vista como sendo nade mais do que o produto da submissão de uma individualidade pela força. Mas por hora, devido á densidade deste particular modo de entendimento da lição da Pedra Bruta, não gostaria de me aprofundar.

Para encerrar, diria apenas que cabe a cada um de nós descobrir a sutil diferença entre a perfeição da pedra trabalhada e a submissão que o desbastar da pedra por vezes representa. Não reconhecer tal diferença pode nos levar a ser, simplesmente, um mero produto de nosso meio, mais uma peça moldada à revelia de nossa própria vontade, de nosso próprio querer.

Enfim, talvez a diferença possa estar no fato de que, enquanto uma traz em si mesma o objetivo de toda Iniciação, ou seja, a fiel expressão da vontade do conjunto Criador e Criatura, constituindo uma verdadeira jóia una – a outra não passara de um mero capricho da manipulação profana, apenas mais um tijolo na parede, fadado a nada mais senão o esquecimento." 
Artigo redigido por Carlos Raposo*

“All in all you’re just another brick in the wall” (The Wall, Pink Floyd)

*Mais textos e informações sobre o autor, Carlos Raposo, você encontra em: http://orobas.blogspot.com/

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Clonando Paulo Coelho que clonou Confúcio

"Seja gentil com os grosseiros. Eles são os que mais precisam de carinho."

"Be kind to unkind people - they need it more than anybody else."

Para seguir Paulo Coelho no Twitter entre em: http://twitter.com/paulocoelho
Para me seguir no Twitter: http://twitter.com/quimbanda

Os Mistérios da Mente e a Inteligência

Por Francisco Claussen

Vai chegar o ponto em que a humanidade atingirá o ponto de fusão completa entre a matéria densa e a matéria sutil, chegando ao que se pode chamar de Inteligência Cósmica.

Como dizia Walter Rudolf Hess (1881-1973), da Universidade de Zurique, Prêmio Nobel de Medicina em 1949: “Para estudar a mente, devemos começar pela introspecção observação de nossa própria experiência. Suponha que passemos juntos pelo meu jardim. Pelas reações e comentários que você fizer posso deduzir-lhe os sentimentos e pensamentos, e muitas coisas sobre o seu estado de espírito. Uma rosa amarela pode atrair-lhe atenção. A cor, o perfume e a picada do espinho formam em sua mente uma impressão dessa rosa, a qual se funde logo com impressões passadas. A sua imagem da rosa deveria ser igual à minha, porém elas não se assemelham porque duas mentes jamais são iguais”.

As impressões que recebemos se integram em nossas memórias e assim corporificam a nossa experiência. Nosso comportamento individual é determinado pela associação de impressões novas com a lembrança de experiências anteriores. A mente pode lidar com situações complexas usando a abstração e a associação, e chegar a conclusões lógicas que podem resultar em decisões ou criações. O modo pelo qual as intenções podem ser convertidas com precisão em movimentos hábeis (pense em um cirurgião, um pianista, um atirador) nos dá uma indicação geral da correlação entre o mental e o físico.

Através de experiências com homens e animais, sabemos que certos tipos de comportamento se relacionam com zonas bem definidas do cérebro. Pela estimulação elétrica do tronco encefálico e das áreas adjacentes podemos despertar reações de defesa, vôo e fome; estimulando níveis superiores, o riso compulsivo; pela estimulação do córtex, reações visuais e auditivas, entre outras. São fascinantes os resultados desse tipo de pesquisa no cérebro, mas e preciso compreender que eles mal chegam a constituir um começo. A grande lacuna que devemos transpor em nosso conhecimento da mente continua sendo esta: de que maneira as ações do sistema nervoso se transformam em consciência?

A mente e seus processos sempre foram tão misteriosos e fascinantes para o homem quanto o próprio universo. Mas, de um modo relativo, faz pouco tempo que o estudo da mente se tornou um campo da ciência experimental. Com tal abordagem científica, o conhecimento da mente veio a lucrar muito. No século 19, muita coisa se esclareceu sobre a natureza dos processos mentais, as origens da vida emocional e vário tipos de comportamento. E a medida que surgiam noções novas, as teorias antigas e simplistas foram sendo substituídas por indagações cada vez mais complexas.

René Descartes (1596-1650) definiu o pensamento como o conjunto dos processos mentais conscientes: pensamentos intelectuais, sentimentos, sensações e vontade. Achava que a mente trabalhava sempre, até durante o sono. Fez uma divisão completa e total entre o espírito e o corpo, bem mais drástica do que a divisão de Platão (427-347 a.C.), que pelo menos atribui a sensação ao corpo. Além disso, prestou um serviço inestimável por atribuir à mente todos os processos.

Mas o homem ainda pergunta: O que é a mente? Será que os mistérios vão desaparecer quando entendermos o funcionamento da complexa estrutura anatômica que chamamos de sistema nervoso? Ou a mente tem os seus próprios segredos?

A concepção que os antigos gregos tinham da mente era bem simples: ela era o órgão que se relacionava apenas com as idéias puras. Platão negava, do modo mais explícito, haver alguma ligação com a sensação. A seu ver, a sensação era a função do corpo inferior, sendo este destituído de qualquer atividade intelectual.

Já Aristóteles (384-322 a.C.) respeitava bem mais o corpo, achando que ele era governado por poderes psíquicos dignos da atenção dos filósofos, poderes relacionados com movimento e sensação. Tão precárias eram suas noções de anatomia que, para ele, a sede física da vida mental era o coração, e não o cérebro, não obstante ter antecipado o pensamento moderno com a crença de que a matéria viva era misteriosamente animada por poderes psíquicos.

Os primeiros cristãos admiravam mais Platão do que Aristóteles, e em toda a Idade Média considerava-se que a alma pertencia a Deus e o corpo, a Satanás. Apenas a alma podia conhecer a verdade de Deus. Apenas dois mil anos depois de Aristóteles, outro grande filósofo reabriu a velha questão com um novo espírito de investigação.

Foi o francês René Descartes. A mente ativa de Descartes abarcou todos os ramos do conhecimento de seu tempo: matemática, fisiologia, mecânica e filosofia. Cristão devoto, sua filosofia foi uma tentativa corajosa de reconciliar os métodos científicos com a fé em Deus, harmonizar a teoria mecanicista do mundo com a aceitação de que este era criação de Deus. Procurou usar métodos científicos para provar verdades sobre o espírito e a matéria. Daí sua famosa máxima: “Penso, logo existo”; isto é, a existência do espírito não era uma doutrina revelada, mas fato fácil de observar.

O conhecimento da mente era ainda concebido como uma acumulação de “idéias” estáticas, embora as sensações já estivessem incluídas como parte dele. Era como se a mente fosse vista como um depósito que, de repente, era encontrado repleto de todos os tipos possíveis de objetos. Há dois mil anos, o estadista e filósofo romano Lúcio Sêneca (3 a.C.-65 d.C.) declarou: “O homem é um animal que pensa”. E ao longo dos tempos os psicólogos continuaram a indagar: O que é o pensamento?

O médico alemão que se fez filósofo, Wilhelm Wundt (1832-1920), usando suas técnicas e métodos, expandiu suas investigações para muito além do campo da sensação pura. Começou a identificar uma série de funções mentais bem semelhantes àquelas em que o homem baseara suas primeiras alegações de superioridade sobre outros animais.

A memória e a aprendizagem suscitam dificuldades semelhantes. Os animais podem aprender muita coisa. O comportamento de alguns animais superiores, como os elefantes, por exemplo, mostra que usam a lembrança do que aprenderam para ajudar a resolver problemas posteriores.
Pensamento, consciência, memória e aprendizagem são termos diversos para indicar que a vida mental inclui significação, conhecimento. Fica, assim, clara a superioridade do homem sobre os animais. Desde que entendamos um conceito, podemos generalizar. Podemos evocá-lo repentinamente, como na memória, e com base nele fazer previsões com o uso da imaginação e de técnicas novas ainda em desenvolvimento, e nisso está a nossa maior esperança de obter o conhecimento pleno dos processos mentais.

Anatomistas e fisiologistas têm revelado a estrutura detalhada do sistema nervoso e os meios pelos quais funciona. Médicos estudam os efeitos de lesões e doenças, e, de suas observações sobre a mente anormal, chegam a conclusões sobre a mente normal. Psicólogos realizam experimentos sobre o comportamento e a percepção de homens e animais. Constroem-se máquinas eletrônicas para imitar, até onde é possível, os processos de pensamento, e com eles já aprendemos alguma coisa quanto à aprendizagem e memória. Com os sistemas mais complexos que quase diariamente estão sendo inventados, iremos certamente aprender mais sobre outras funções superiores desse fascinante fator da vida, que é a mente.

Conviria, nesse particular, dizer mais alguma coisa sobre a inteligência. É muito comum nos referirmos a ela, mas nem sempre os significados atribuídos ao termo são idênticos e, às vezes, até um pouco contraditórios. É preciso que se entenda que a inteligência não é uma coisa, como uma mesa, uma cadeira, um animal, mas sim um conceito que só pode ser compreendido dentro de um conjunto global de fatos e teorias a ela associadas.

As origens dessa definição se perdem na antiguidade. Sabe-se que Platão e Aristóteles já tinham formulado uma distinção entre os aspectos conhecidos da natureza humana, relacionada com pensamento, solução de problemas, meditação, raciocínio, reflexão, e ainda sobre categorias dos comportamentos humanos relacionados com emoções, sentimentos, paixões e vontade; até que Cícero, mais tarde, inventou o termo inteligência, que ainda usamos freqüentemente para nos referirmos aos poderes cognitivos e capacidades intelectuais de uma pessoa.

No século passado, a noção de inteligência foi aperfeiçoada pelo filósofo Herbert Spencer (1820-1903), pelo estatístico Karl Pearsone, e pelo primo de Darwin, gênio mundialmente conhecido, Sir Francis Galton. Eles introduziram as noções de mensuração, evolução e genética experimental no estudo da inteligência. Pode-se acrescentar a essas contribuições as dos fisiologistas, particularmente a do trabalho clínico de Hughlings Jackson, as investigações experimentais de Sherrington e os estudos microscópicos do cérebro, realizados por Campbell, Brodman e outros. Esses trabalhos fisiológicos serviram para confirmar a teoria de Herbert Spencer, de uma hierarquia das funções neurais em que um tipo básico de atividades se desenvolve através de estágios regularmente definidos, em formas mais altas e mais especializadas.

Descobriu-se que o cérebro sempre atua como um todo. Sua atividade, nas palavras de Sherrington, é padronizada e não indiferentemente difusa; a própria padronização sempre envolve e implica em integração, e o conhecimento cognitivo é governado por amplas áreas do cérebro e não por pequenas áreas especializadas. A ação de massa foi identificada teoricamente com a inteligência, por muitos autores.

A evolução da humanidade em seu caminho para a eternidade vem se tornando possível com a agregação dessa energia cósmica ao último elo mais aperfeiçoado do gênero mamífero, que se desenvolveu durante milhões de anos em nosso planeta. Essa situação deverá levar a humanidade, progressivamente, a um estágio de aperfeiçoamento da sua matéria densa, quando ocorreria a fusão completa da matéria densa com a matéria sutil – a Inteligência Cósmica.

Ao ser atingido esse estágio, assim entendemos, tudo retornaria à pura e simples energia da qual surgiu o universo em que vivemos. Mas para que isso aconteça, ainda decorrerão bilhões de anos, e o que a ciência hoje já chama de crush-bang (o grande esmagamento).

O fluido energético, a Inteligência Cósmica de que fomos dotados há, provavelmente, cerca de 600 mil anos – quando a natureza encontrou o tipo ideal para estabelecer e desenvolver o ser humano que veio se formando durante milhões de anos em nosso planeta – aperfeiçoou a nossa vida intelectual, como uma virtude que sintetiza, de um modo excelente, a disposição duradoura adquirida pela repetição freqüente de um ato. À medida que essas primeiras virtudes intelectuais começaram a determinar e aperfeiçoar a atividade própria de nossa inteligência – no que diz respeito aos objetos que lhes eram imediatamente conaturais – a sabedoria foi aperfeiçoando nossa atividade intelectual naquilo que ela possui de mais puro e mais elevado.

Por natureza, há no homem o desejo pelo conhecimento, e esse desejo pode ser satisfeito, em, parte, pelas ciências ou outras formas de conhecimento intuitivo. Somente a virtude da sabedoria, entretanto, satisfaz plenamente a este anseio profundo do homem. A contemplação, por exemplo, nada mais é do que o ato excelente produzido por essa virtude. As demonstrações científicas ou as que procedem desse hábito, são normalmente mais rigorosas e mais corretas do que aquelas que derivam das demais ciências. Os julgamentos, obras do hábito da sabedoria, são, os mais penetrantes, os mais exatos.

Pode-se mesmo caracterizar o modo que a sabedoria imprime a todos os seus conhecimentos como uma maneira de unidade na perfeição. Este modo de unidade é, de fato, a feição própria de uma atividade intelectual perfeita, que tende a reduzir o mais possível as imperfeições de nossas atividades de conhecimento, sempre fragmentárias e sucessivas.

Fonte: revista Sexto Sentido nº 54, páginas 20-24 - http://www.revistasextosentido.net/