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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Provérbios do Inferno




If the doors of perception were cleansed, everything would appear to man as it is, infinite

Se as portas da percepção estivessem livres, tudo se mostraria ao homem como é, infinito       ~William Blake - 'O casamento do Céu e do Inferno', 1793


Monumento próximo ao túmulo sem marca de Blake
William Blake nasceu em Londres, no dia 28 de novembro de 1757 e fez sua passagem na mesma cidade em 12 de agosto de 1827, foi um poeta, tipógrafo e pintor inglês, sendo sua pintura definida como pintura fantástica.

Em 1782, após um relacionamento infeliz que terminou com uma recusa à sua proposta de casamento, Blake casou-se com Catherine Boucher. Blake ensinou-a a ler e escrever, além de tarefas de tipografia. Catherine retribuiu ajudando Blake devotamente em seus trabalhos, durante toda sua vida.

Blake escreveu e ilustrou mais de vinte livros, incluindo "O livro de Jó" da Bíblia, "A Divina Comédia" de Dante Alighieri - trabalho interrompido pela sua morte - além de títulos de grandes artistas britânicos de sua época. Muitos de seus trabalhos foram marcados pelos seus fortes ideais libertários, principalmente nos poemas do livro "Songs of Innocence and of Experience" ("Canções da Inocência e da Experiência"), onde ele apontava a igreja e a alta sociedade como exploradores dos fracos.

Em 1790, publicou sua prosa mais conhecida, "O casamento do céu e do inferno", em que formula uma posição religiosa e política revolucionária na época: "a negação da realidade da matéria, da punição eterna e da autoridade"

É em "O casamento do Céu e do Inferno" que está, além da frase inspiradora da banda The Doors, que abre esta postagem, o mais famoso poema de Blake: "Proverbs of Hell", "Provérbios do Inferno", o qual reproduzo logo abaixo. No vídeo, logo após a reprodução da poesia de Blake, também compartilho a versão da banda brasileira "As Mercenárias", que musicou "Provérbios do Inferno", em 1987. Abra as portas da sua percepção!


Provérbios do Inferno

No tempo de semeadura, aprende; na colheita, ensina; no inverno, desfruta.
Conduz teu carro e teu arado sobre a ossada dos mortos.
O caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria.
A Prudência é uma rica, feia e velha donzela cortejada pela Impotência.
Aquele que deseja e não age engendra a peste.
O verme perdoa o arado que o corta.
Imerge no rio aquele que a água ama.
O tolo não vê a mesma árvore que o sábio vê.
Aquele cuja face não fulgura jamais será uma estrela.
A Eternidade anda enamorada dos frutos do tempo.
À laboriosa abelha não sobra tempo para tristezas.
As horas de insensatez, mede-as o relógio; as de sabedoria, porém, não há relógio que as meça.
Todo alimento sadio se colhe sem rede e sem laço.
Toma número, peso e medida em ano de míngua.
Ave alguma se eleva a grande altura, se se eleva com suas próprias alas.
Um cadáver não revida agravos.
O ato mais alto é até outro elevar-te.
Se persistisse em sua tolice, o tolo sábio se tornaria.
A tolice é o manto da malandrice.
O manto do orgulho, a vergonha.
Prisões se constroem com pedras da Lei; Bordéis, com tijolos da Religião.
A vanglória do pavão é a glória de Deus.
O cabritismo do bode é a bondade de Deus.
A fúria do leão é a sabedoria de Deus.
A nudez da mulher é a obra de Deus.
Excesso de pranto ri. Excesso de riso chora.
O rugir de leões, o uivar de lobos, o furor do mar em procela e a espada destruidora são fragmentos de eternidade, demasiado grandes para o olho humano.
A raposa culpa o ardil, não a si mesma.
Júbilo fecunda. Tristeza engendra.
Vista o homem a pele do leão, a mulher, o velo da ovelha.
O pássaro um ninho, a aranha uma teia, o homem amizade.
O tolo, egoísta e risonho, o tolo, sisudo e tristonho, serão ambos julgados sábios, para que sejam exemplo.
O que agora se prova outrora foi imaginário.
O rato, o camundongo, a raposa e o coelho espreitam as raízes; o leão, o tigre, o cavalo e o elefante espreitam os frutos.
A cisterna contém: a fonte transborda.
Uma só idéia impregna a imensidão.
Dize sempre o que pensas e o vil te evitará.
Tudo em que se pode crer é imagem da verdade.
Jamais uma águia perdeu tanto tempo como quando se dispôs a aprender com a gralha.
A raposa provê a si mesma, mas Deus provê ao leão.
De manhã, pensa, Ao meio-dia, age. Ao entardecer, come. De noite, dorme.
Quem consentiu que dele te aproveitasses, este te conhece.
Assim como o arado segue as palavras, Deus recompensa as preces.
Os tigres da ira são mais sábios que os cavalos da instrução.
Da água estagnada espera veneno.
Jamais saberás o que é suficiente, se não souberes o que é mais que suficiente.
Ouve a crítica do tolo! É um direito régio!
Os olhos de fogo, as narinas de ar, a boca de água, a barba de terra.
o fraco em coragem é forte em astúcia.
A macieira jamais pergunta à faia como crescer; nem o leão ao cavalo como apanhar sua presa.
Quem reconhecido recebe, abundante colheita obtém.
Se outros não fossem tolos, seríamos nós.
A alma de doce deleite jamais será maculada.
Quando vês uma Águia, vês uma parcela do Gênio; ergue a cabeça!
Assim como a lagarta escolhe as mais belas folhas para pôr seus ovos, o sacerdote lança sua maldição sobre as alegrias mais belas.
Criar uma pequena flor é labor de séculos.
Maldição tensiona: Benção relaxa.
O melhor vinho é o mais velho, a melhor água, a mais nova.
Orações não aram! Louvores não colhem!
Júbilos não riem! Tristezas não choram!
A cabeça, Sublime; o coração, Paixão; os genitais, Beleza; mãos e pés, Proporção.
Como o ar para o pássaro, ou o mar para o peixe, assim o desprezo para o desprezível.
O corvo queria tudo negro; tudo branco, a coruja.
Exuberância é Beleza.
Se seguisse os conselhos da raposa, o leão seria astuto.
O Progresso constrói caminhos retos; mas caminhos tortuosos sem Progresso são caminhos de Gênio.
Melhor matar um bebê em seu berço que acalentar desejos irrealizáveis.
Onde ausente o homem, estéril a natureza.
A verdade jamais será dita de modo compreensível, sem que nela se creia.
Suficiente! ou demais.



Fonte/referências:
http://www.youtube.com/watch?v=G0Ytk9gl8VA - http://pintura.aut.org/BU04?Autnum=11.210
http://www.reproarte.com/painter/William_Blake/index.html - http://www.friendsofblake.org/
http://en.wikipedia.org/wiki/William_Blake

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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Quem é de Axé diz que é


Omolu / Obaluaiyé é o rei da terra. A sua vestimenta é feita de ìko; uma fibra de ráfia extraída do Igí-Ògòrò, a “palha da costa”, elemento de grande significado ritualístico, principalmente em ritos ligados à morte e o sobrenatural, sua presença indica que algo deve ficar oculto. 

Compostos de duas partes o “Filá” e o “Azé”, a primeira parte, a de cima que cobre a cabeça é uma espécie de capuz trançado de palha da costa, acrescido de palhas em toda sua volta, que passam da cintura, o Azé, seu asó-ìko (roupa de palha) é uma saia de palha da costa que vai até os pés em alguns casos, em outros, acima dos joelhos, por baixo desta saia vai um Xokotô, espécie de calça, também chamado “cauçulú”, em que oculta o mistério da morte e do renascimento. Nesta vestimenta acompanha algumas cabaças penduradas, onde supostamente carrega seus remédios. Ao vestir-se com ìko e cauris, revela sua importância e ligação com a morte.

Sua festa anual é o Olubajé. Tido como filho de Nanã no Brasil, a sua origem, forma, nome e culto em África é bastante variado, de acordo com a região, essa variação de nomes é em conformidade com a região, Obaluaiyé ou Xapanã em Tapá (Nupê) chegando ao território Mahi ao norte do Daomé; Sapata é a sua versão Fon, trazida pelos Nagôs.

Em alguns lugares se misturam, em outros são deuses distintos, confundidos até com Nanã Buruku; Omolu em keto e Abeokutá. O seu parentesco com Oxumaré e Iroko é observado em Keto (vindo de Aisê segundo uns e Adja Popo segundo outros), onde se pode ver uma lança (oko Omolu) cravada na terra, esculpida em madeira onde figuram esses três personagens mencionados, também em Fita próximo de Pahougnan, território Mahi, onde o rei Oba Sereju, recebera o fetiche Moru, três fetiches ao mesmo tempo Moru (Omolu), Dan (Oxumaré) e Loko (Iroko).

Qualidades

Akavan: Tem ligação com Oyá, veste estampado.

Azonsu / Ajunsu: Tem fundamentos com Oxumaré, Oxun e Oxalá. Carrega lança e veste branco.

Azoani: É jovem, veste vermelho, palha vermelha Tem caminhos com Iroko, Oxumaré, Iemanjá e Oyá.

Arawe / Jagun: Tem fundamento com Oyá e Oxalá.

Ajoji / Jagun: Tem fundamentos com Ogun e Oxagian.

Avimaje Tem fundamento com Nana e Ossain e Odé.

Ajoji / Segí/Jagun: Tem ligação com Yemanjá e Oxumare / Nanã.

Afomam: Veste a estopa e carrega duas bolsas de onde tira as doenças. Veste de amarelo e preto. Todas as plantas trepadeiras pertencem-lhe. Tem caminhos com Oxumaré, Ogun de quem é companheiro, dança cavando a terra com Intoto para depositar os corpos que lhe pertencem.

Agbagba Jagun: tem fundamento com Oyá.

Itubé Jagun: É jovem e guerreiro; leva na mão uma lança chamada okó; Tem caminhos com Ogunjá, Oxaguian, Ayrá, Exu e Oxalufan. Não come feijão preto e é o único que come Igbin (Caracol).

Ìpòpò: Tem forte fundamento com Nanã, usa biokô.

Tetu / Etetu Jagun: É jovem e guerreiro. Come com Ogum e Oyá. Veste de branco, usa biokô:

Agòrò: veste branco, usa biokô com franjas de palha

Itetù Jagun: ligado a Yemnjá e Oxalá

Dizem que são 14 qualidades ou caminhos de Obaluaiye/Omolú/Jagun/Sakpata. Teremos ainda vários nomes, títulos e qualidades parecidas: Ajágùsí, Topodún, Janbèlé, Parú, Polibojí, Akarejebé, Aruajé, Ahoye, Olutapá, Sapatá Ainon, WariWarún, etc.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

São Martinho de Tours



Festa litúrgica: 11 de novembro


"Senhor, se o vosso povo precisa de mim, não vou fugir do trabalho. Seja feita a vossa vontade", dizia Martinho, bispo de Tours, aos oitenta e um anos de idade.

Martinho nasceu na Hungria, antiga Panônia, por volta do ano 316. Seu pai era comandante do exército romano. Por curiosidade começou a frequentar uma Igreja cristã, ainda criança, sendo instruído na doutrina cristã, porém sem receber o batismo. 

Ao atingir a adolescência, para tê-lo mais à sua volta, seu pai o alistou na cavalaria do exército imperial. Mas se o intuito do pai era afastá-lo da Igreja, o resultado foi inverso, pois Martinho continuava praticando os ensinamentos cristãos, principalmente a caridade. Depois, foi destinado a prestar serviço na Gália, atual França.

Foi nessa época que ocorreu o famoso episódio do manto. Um dia, um mendigo que tiritava de frio pediu-lhe esmola e, como não tinha, o cavalariano cortou seu próprio manto com a espada, dando metade ao pedinte. Durante a noite, o próprio Jesus apareceu-lhe em sonho usando o pedaço de manta que dera ao mendigo e agradeceu a Martinho por tê-lo aquecido no frio. Dessa noite em diante, ele decidiu que deixaria as fileiras militares para dedicar-se à religião.

Com vinte e dois anos, já estava batizado, provavelmente pelo bispo de Amiens, afastado da vida da Corte e do exército. Tornou-se monge e discípulo do famoso bispo de Poitiers, santo Hilário, que o ordenou diácono. Mais tarde, quando voltou do exílio, em 360, doou a Martinho um terreno em Ligugé, a doze quilômetros de Poitiers. Lá, Martinho fundou uma comunidade de monges. Mas logo eram tantos jovens religiosos que buscavam sua orientação que Martinho construiu o primeiro mosteiro da França e da Europa ocidental.

No Ocidente, ao contrário do Oriente, os monges podiam exercer o sacerdócio para que se tornassem apóstolos na evangelização. Martinho liderou, então, a conversão de muitos e muitos habitantes da região rural. 


Com seus monges, ele visitava as aldeias, pregava o evangelho e onde encontrava resistência, fundava um mosteiro. Com os monges evangelizando pelo exemplo da caridade cristã, logo todo o povo se convertia. Dizem os escritos que, nessa época, havia recebido dons místicos, operando muitos prodígios em beneficio dos pobres e doentes que tanto amparava.

Quando ficou vaga a diocese de Tours, em 371, o povo aclamou-o, unanimemente, para ser o bispo. Martinho aceitou, apesar de resistir no início. Mas não abandonou sua peregrinação apostólica: visitava todas as paróquias, zelava pelo culto e não desistiu de pregar os ensinamentos de cristo, convertendo os ímpios e exercer exemplarmente a caridade. Nas proximidades da cidade, fundou outro mosteiro, chamado de Marmoutier. E sua influência não se limitou a Tours, tendo se expandido por toda a França, tornando-o querido e amado por todo o povo.

Martinho exerceu o bispado por vinte e cinco anos. Morreu, aos oitenta e um anos, na cidade de Candes, no dia 8 de novembro de 397. Sua festa é comemorada no dia 11, data em que foi sepultado na cidade de Tours.

Venerado como são Martinho de Tours, ele se tornou o primeiro santo não mártir a receber culto oficial da Igreja e também um dos santos mais populares da Europa medieval. 

ORAÇÃO A SÃO MARTINHO DE TOURS

"Glorioso São Martinho, nosso amigo e protetor, que ao dividir vosso manto com o mendigo que padecia de frio na neve encontrastes o próprio Senhor Jesus, ajudai-nos, a saber, partilhar o que temos com os mais empobrecidos que encontramos em nosso caminho, principalmente as crianças mais abandonadas, reconhecendo nelas a imagem de nosso divino mestre.

Ó bom Jesus, por intercessão de São Martinho dai-nos os dons da caridade e do amor fraterno, que nos fazem servir com desprendimento aos vossos filhos mais excluídos dessa terra

Que Assim Seja!"

Fonte: reprodução de http://preceserezas.blogspot.com.br/2011/12/vida-e-oracao-sao-martinho-de-tours.html

domingo, 8 de abril de 2012

Congá, aglutinador de forças




A palavra “Congá” é de origem banto e é utilizada no ritual de Umbanda para denominar o “altar sagrado” do terreiro. Este altar é composto de imagens de santos católicos, caboclos, preto-velhos, e outros.

O Congá é o lugar do terreiro onde são colocadas as imagens dos santos, os assentamentos ou imãs dos Orixás e falanges. 

É o centro da imantação de um templo, pois é dali que emanam todas as vibrações através de seus imãs. 

A parte onde são colocados os imãs é fechada, pois eles não podem ficar a mostra. Tocar nos imãs ou assentamentos só é permitido ao Babá (Pai ou Mãe de Santo), pois a ele(ela) pertence e somente no caso de algum problema com o/a dirigente poderão ser tocados pela Mãe ou Pai pequeno. 

Os assentamentos do Congá têm que ser limpos periodicamente. Os filhos de santo da casa tem obrigação de saldar este altar antes de começar o ritual e no seu término. Aos visitantes e consulentes a saudação só pode ser feita caso lhes tenha sido dada autorização. Das extremidades do altar é que partem as vibrações para a corrente mediúnica.

No livro 'Umbanda De A a Z', N.Peixoto, Ramatís, define-se:

"O congá é o mais potente aglutinador de forças em um terreiro: e atrator, condensador, escoador, expansor, transformador, e alimentador dos mais diferentes tipos de energias e magnetismo. 
Existe um processo de constante renovação de Axé que emana do congá, como núcleo centralizador de todo o trabalho na Umbanda. Cada vez que um consulente chega à sua frente, renovam-se naturalmente os planos espiritual, físico, numa junção que sustenta toda a consagração dos Orixás na Terra, na área física do templo..."

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Simpatia para uma boa Páscoa


Domingo que vem é Domingo de Páscoa, e se você quer um almoço com muita paz, pegue sete qualidades de frutas, coloque numa fruteira e no meio das frutas coloque uma rosa branca. No final do almoço, dê a rosa branca para a mulher mais velha da mesa e ofereça a todos as frutas como sobremesa. 

Faça com fé e Feliz Páscoa!

Outra simpatia (por Dila Cortes) boa é para acabar com brigas, na sexta-feira santa, jogue na casa, água de camomila com água de arroz.

Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/religiao-e-fe/pai-paulo-de-oxala/o-triunfante-orixa-ajudara-no-dinheiro-4452907.html#ixzz1r6M1GTAM - Imagem: Pixabay (CC0)