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sábado, 30 de janeiro de 2010

50 anos depois da cremação, cinzas de Gandhi são jogadas no Ganges

As cinzas de Mahatma Gandhi foram depositadas, parte nas águas sagradas do Rio Ganges e parte no Oceano Índico, hojena Índia. A cerimônia aconteceu quase 50 anos após o assassinato deste que foi um dos idealizadores e fundadores do moderno estado indiano e um influente defensor do Satyagraha (princípio da não-agressão, forma não-violenta de protesto) como um meio de revolução.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Nos Ossos Que Aqui Estamos Pelos Vossos Esperamos ☠ A Capela dos(as) Caveiras

Poema sobre as caveiras

As caveiras descarnadas
São a minha companhia,
Trago-as de noite e de dia
Na memória retratadas
Muitas foram respeitadas
No mundo por seus talentos,
E outros vãos ornamentos,
Que serviram à vaidade,
E talvez...na eternidade
Sejam causa de seus tormentos.


A imagem dos esqueletos pretende lembrar a transitoriedade da vida

Poema sobre a existência

Aonde vais, caminhante, acelerado?
Pára...não prossigas mais avante;
Negócio, não tens mais importante,
Do que este, à tua vista apresentado.

Recorda quantos desta vida tem passado,
Reflecte em que terás fim semelhante,
Que para meditar causa é bastante
Terem todos mais nisto parado.

Pondera, que influído d'essa sorte,
Entre negociações do mundo tantas,
Tão pouco consideras na morte;

Porém, se os olhos aqui levantas,
Pára...porque em negócio deste porte,
Quanto mais tu parares, mais adiantas.


Fotos: Rafaela e Diva Labatut - Texto: Poemas dentro da capela.

domingo, 24 de janeiro de 2010

A Vida Permanente - Lição à Vida

por Marie Corelli, Novelista Inglesa e Rosacruz (*1855 - +1924)

Em sua dupla natureza, o Homem dispõe de poder de manter suas células sob seu domínio – pode renová-las ou destruí-las à vontade. Geralmente prefere destruí-las pelo seu egoísmo e obstinação – os dois elementos principais de desintegração de sua composição mortal.

Daí resulta o que chama morte – mas é apenas a mudança necessária de sua existência (produzida por ele mesmo), para uma fase mais sutil. Se aprendesse uma vez por todas, que pode prolongar sua vida na Terra, permanecendo moço e sadio por um período indefinido em que os dias e os anos não se contam, mas os episódios psíquicos ou as estações; passaria de uma alegria para outra, de um triunfo para outro com a mesma facilidade com que respira o ar.

É considerado bom o corpo de um homem que permaneça direito e que mova os seus membros com graça e facilidade, executando exercícios físicos para a melhora e fortalecimento de seus músculos, e não é considerado louco por qualquer feito de valor físico ou habilidade que realize. Por que, pois, não há de treinar sua alma a permanecer tão direita como seu corpo, de modo que possa tomar posse completa de todos os poderes que a energia natural e espiritual pode fornecer?

Vós para quem estas palavras são escritas aprendei e lembrai-vos que o segredo da vida é a Harmonia com que os átomos de que seu corpo se compõe obedecem às ordens da Alma. Sêde o deus de vosso próprio universo! Governai o vosso próprio sistema solar, para que possa acalentar-vos e revivicar-vos com uma primavera continua! Fazei com que o amor seja o verão de vossa vida e que crie em vós a paixão do desejo nobre, o fervor da alegria, o fogo do idealismo e da fé! Considerai-vos parte do Divino Espírito de todas as coisas e sêde divino em vossa própria existência criadora. O Universo está aberto às investigações da vossa Alma se o Amor for a tocha que alumie o caminho.

O Pensamento é uma força motora real, mais poderosa do que qualquer outra força motora do mundo. Não é a simples pulsação num conjunto particular de células cerebrais, destinadas a terminar em nada, quando a pulsação cessou. O Pensamento é a voz da alma. Assim como a voz humana é transmitida a grandes distâncias pelo fio telefônico, assim também a voz da Alma é transmitida através das radiantes fibras ligadas aos nervos do cérebro. O cérebro recebe-o porém não pode conservá-lo pois é transmitido pela sua própria força elétrica a outros cérebros e não podeis conservar um pensamento exclusivamente para vós, da mesma forma que não podeis fazer monopólio da luz do Sol.

Por toda a parte, em todos os mundos, através de todo o cosmos, as Almas falam através do intermediário material do cérebro, almas que podem não residir neste mundo, mas estarem tão afastadas de nós como a última estrela visível ao mais forte telescópio. As harmonias que se sugerem ao músico no momento atual podem ter partido de Sírius ou Júpiter, impressionado seu cérebro terrestre com uma melodia espiritual de mundos desconhecidos, o poeta escreve o que nem bem compreende, obedecendo a inspiração de seus sonhos, e todos somos, enfim, apenas intermediários para a transmissão do pensamento, recebendo-o primeiramente de outras esferas, e depois transmitindo-o para outros. Shakespeare, o principal poeta do mundo, escreveu: “ Nada há de bom ou de mau, mas o pensamento é que o faz assim”, expressando assim uma verdade profunda, uma das verdades mais profundas do Credo Psíquico. Pois somos o que pensamos; e nossos pensamentos se resolvem nos nossos atos.

Na renovação da vida e conservação da juventude, o Pensamento é o fator principal. Se julgamos que somos velhos, envelhecemos rapidamente. Pelo contrário, se pensamos que somos moços, conservamos indefinidamente nossa vitalidade. A ação do pensamento influencia as partículas vivas de que se compõe nosso corpo, de forma que as fazemos, positivamente, envelhecer ou rejuvenescer, pela atitude que tomamos. A atitude mental da Alma humana deve ser gratidão, amor e alegria. Na Natureza Espiritual não há lugar para o medo, a depressão, a moléstia ou a morte. Deus tem em vista que a sua criação seja feliz, e harmonizando nossa Alma e nosso Corpo com a felicidade, obedecemos Suas leis e cumprimos Seus desejos. Portanto, para viver muito, alimentai pensamentos de felicidade! Evitai todas as pessoas que falam de moléstia, miséria e corrupção, pois estas coisas são os crimes do homem e ofendem o desígnio primário que Deus estabeleceu para a beleza. Respirai profundamente quantidade de luz e ar fresco, inalai o perfume das flores e plantas, afastai-vos das cidades e das multidões, não procureis a fortuna que não seja ganha pela vossa mão ou vosso cérebro, e acima de tudo, lembrai-vos que os filhos da Luz caminham na Luz, sem receios das trevas!

Para viverdes uma longa existência, deveis ter perfeito domínio sobre as forças que engendram a vida. Os átomos que de se compõe vosso corpo estão em perpétuo movimento, vosso Eu Espiritual deve guiá-los no caminho que devem tomar, pois do contrário, se assemelham a um exército sem organização ou equipamento, o qual é facilmente destroçado no primeiro assalto. Se os tiverdes sob vossas ordens espirituais, estareis praticamente imunes a toda moléstia. A moléstia nunca poderá entrar em vosso sistema se não for por alguma porta mal guardada. Podeis sofrer acidente, pela falta de outrem ou por vossa própria teimosia; se for pela falta de outrem, sabereis que estava destinada e preordenada a vossa remoção de uma esfera para a qual sois considerada imprópria.

Excetuando estes acidentes, vossa vida não necessita ter fim, mesmo neste planeta. Vosso Espírito, chamado Alma, é uma Criatura de Luz, e pode fornecer, incessantemente, raios revivificadores para cada átomo e célula de vosso corpo. É um suprimento inesgotável de ‘rádio’, pelo qual as forças de vossa vida podem tirar um sustento perpétuo. O homem emprega todo meio exterior de conservação própria, porém e esquece do poder interno que possui, o qual lhe foi concedido para que pudesse ‘encher a Terra e sujeitá-la’. ‘Encher’ a Terra é manifestar de bom grado, amor para com toda Natureza; ‘sujeitar’ a Terra é, em primeiro lugar, governar os átomos de que o organismo humano se compõe, conservá-los sob completa sujeição, de modo que, por meio desse domínio, todos os outros movimentos e forças atômicas deste planeta e da atmosfera que o circunda possam também ser governados.

Para a Alma que não quer estudar as necessidades de sua natureza imortal, a própria vida se torna uma cela estreita. Toda a criação espera por ela para fornecer-lhe o que pedir. Todavia ela perece no meio da abundância. O medo, a desconfiança, a raiva, a inveja e a insensibilidade paralisam sua existência e destroem sua ação; o amor, a coragem, a paciência, a brandura, a generosidade e a simpatia são reais forças vivas para ela a para o corpo que habita. Todas as influências do mundo social agem contra ela; todas as influências do mundo natural agem com ela. Nada há na Natureza pura que não obedeça ao seu mandado, e isso deve ser o suficiente para sua existência. A tristeza e o desespero resultam da má direção da Vontade; não há na Terra ou no céu outra causa de sofrimento ou perturbação.

“Neste mundo”, prosseguiu lentamente, “não é o clima, nem o ambiente natural que afeta o homem, mas sim as influencias que seus companheiros exercem sobre ele. Os entes humanos vivem realmente rodeados pelas ondas de pensamento emitidas pelos seus cérebros e pelos dos que os rodeiam, e essa é a razão por que, se não forem bastante fortes para encontrar um centro de equilíbrio serão movidos por caminhos e tendências mentais que, de modo algum aceitariam livremente e de escolha própria.

Se uma mente, ou antes uma Alma, pode resistir às impressões que lhes são enviadas por outras forças que não as próprias, se ela pode permanecer só, livre de obstáculo, na Luz da Imagem Divina, então adquiriu domínio sobre todas as coisas. Porém, é tão difícil de alcançar essa posição, que geralmente se torna impossível. Poe toda parte existem influências que agem ao redor de nós; homens e mulheres de grandes aspirações na vida são desviados de suas intenções pela indiferença ou o desânimo de seus amigos, feitos de bravura são impedidos em sua realização pela sugestão de temores que não existem realmente; e a força psíquica e poderosa mentalidade diariamente dissipadas por ondas cerebrais perturbadoras ou opostas, seriam suficientes para fazer o mundo num perfeito paraíso se fossem empregadas para este fim.

Já vos disse que estais sob a impressão de ter passado por certas aventuras ou episódios, que vos deixaram mais ou menos perturbada e embaraçada. Essas coisas só existiram em vossa mente! Quando vos levei para vosso quarto, na torre, vos coloquei sob a minha influência e a de outros quatro cérebros que agiam em combinação comigo. Tomamos posse completa de vossa mente e deixamo-la o mais possível vazia, como um quadro negro em que escrevêssemos o que quiséssemos. A prova consistia em examinar se vossa Alma, que é vosso Eu Real, podia suportar as nossas sugestões e resistir a elas. À primeira vista, isto parece como se tivéssemos exercido sobre vós uma alucinação para nosso entretenimento; porém não é assim, é simplesmente uma aplicação da mais poderosa lição de vida, a saber, a resistência as influências dos outros e vitória sobre elas, pois são as forças mais perturbadoras e debilitantes com as quais temos de lutar.

A Vida Permanente - Corelli, Marie - Editora O Pensamento - 1934 / Imagem: Marie Corelli (fonte: wikipedia)

Saiba mais, sobre, lendo a obra 'O Domínio da Vida' (AMORC) - http://www.amorc.org.br/dominio.htm

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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Saint-Germain e Helena Blavatsky, dois mensageiros da Loja Branca




Por H.S.Olcott (1º Pres. da Soc.Teosófica)
Reimpresso de The Theosophist Julho de 1905
Theosophical Publising House, Adyar, Chennai (Madras), Índia, junho de 1918

Para mim, uma das figuras mais pitorescas, impressionantes e admiráveis na história moderna é o fazedor de maravilhas cujo nome intitula este artigo. O mundo não o vê como um recluso do deserto ou da selva, sujo, encarquilhado, cabeludo e vestido com farrapos, vivendo à parte de seus semelhantes e desprovido de simpatias humanas; mas como alguém que entre o esplendor das mais brilhantes cortes européias igualou-se aos maiores personagens que se movem no painel da história. Ele sobressaiu-se acima de todos eles – reis, nobres, filósofos, estadistas e homens de letras, na majestade de seu caráter pessoal, na nobreza de seus ideais e motivos, na consistência de seus atos e na profundidade de seu conhecimento, não só dos mistérios da Natureza, mas também da literatura de todos os povos e épocas. Lendo tudo o que eu pude encontrar sobre ele, incluindo os instrutivos artigos da Srª Cooper-Oakley no Theosophical Review (vols. 21 e 22), passei a amá-lo e também admirá-lo; amá-lo como amava H.P.B. [Helena Petrovna Blavatsky ]; e pela mesma razão – pois ele foi um mensageiro e agente da Loja Branca, cumprindo sua missão com altruística lealdade e fazendo para beneficiar os outros tudo o que cabe dentro do poder humano.

A recente leitura de uma memória biográfica sob a forma de um romance histórico, do famoso Souvenirs do Barão de Gleichen; de um interessante artigo no volume 6 do Le Lotus Bleu; do artigo sobre o Conde na Encyclopaedia Britannica, e noutras publicações, reavivou todas as minhas lembranças do que eu ouvira sobre ele, e, mais importante ainda, persuadiu-me de sua identidade com um dos mais encantadores dos Personagens Invisíveis que permaneceram por trás da máscara de H.P.B. durante a escrita de Ísis sem Véu. Quanto mais eu penso nisso, mais completamente me convenço da verdade desta suposição.

Antes de entrar nesses detalhes, contudo, será bom simplesmente dizer que um dia, no século XVIII, ele apareceu na França sob o nome mencionado acima. É dito que ele o havia tomado de uma propriedade comprada por ele no Tirol. A Srª Cooper-Oakley dá, baseada na autoridade da Srª. d’Adhémar, uma lista dos diferentes nomes sob os quais este fazedor de época foi conhecido, desde o ano 1710 até 1822. Cito os seguintes: Marquês de Montferrat, Conde Bellamare, Cavaleiro Schoening, Cavaleiro Weldon, Conde Soltikoff, Conde Tzarogy, Príncipe Ragoczy, e finalmente, Saint-Germain. A Srªa Oakley, com a ajuda de amigos, procedeu a uma industriosa pesquisa nas bibliotecas do Museu Britânico e noutras de diversos reinos europeus. Ela pacientemente reuniu, de várias fontes, fragmentos de história que identificariam o grande Conde com os personagens conhecidos sob estes diferentes títulos. Mas é aceito por todos os que escreveram sobre ele que o verdadeiro segredo de seu nascimento e sua nacionalidade jamais foi descoberto; todas as diligências das autoridades policiais de diferentes países resultaram somente em fracasso.

Um outro fato de grande interesse é o de que nenhum crime nem intenção criminosa nem fraude jamais foram provados contra ele; seu caráter era inatacável, seus propósitos, sempre nobres. Embora vivendo no luxo e parecendo possuir uma riqueza inesgotável, ninguém jamais pôde saber de onde vinha seu dinheiro; ele não mantinha contas em banco, não recebia ordens de pagamento, não desfrutava de pensão de nenhum governo, recusou todas as ofertas de presentes e benefícios feitas a ele pelo Rei Luís XV e por outros soberanos, mas ainda assim sua generosidade era principesca. Aos pobres e miseráveis, aos doentes e oprimidos, ele era uma encarnação da Providência; entre outros benefícios públicos, fundou um hospital em Paris, e possivelmente outros em outros lugares.

Grim, em sua celebrada Correspondance Littéraire, que é descrita pela Britannica como "o mais valioso registro remanescente de algum período literário de importância", afirma que Saint-Germain era "o homem mais ilustrado que ele jamais vira". Ele conhecia todas as línguas, toda a história, toda a ciência transcendental; não aceitava presentes ou patrocínios, e recusava todas as ofertas disto, dava prodigamente, fundou hospitais, e trabalhava sempre, e sempre arduamente, pelo benefício da raça. Alguém poderia pensar que um homem como este poderia ter sido poupado pelo maledicente e pelo caluniador, mas não foi; enquanto ainda vivia e desde sua morte (ou antes desaparecimento) os mais reles insultos têm chovido sobre sua memória. Diz a Britannica que ele foi "um célebre aventureiro do século XVIII que assegurando ter descoberto alguns segredos extraordinários da natureza exerceu considerável influência em diversas Cortes européias. (...) Era dito comumente que ele obtinha seu dinheiro desempenhando as funções de espião para uma das Cortes européias".

A mesmíssima opinião sobre ele é ecoada por Bouilferet em seu Dictionnaire d’Histoire et de Geographie, e por diversos outros escritores. Temos várias descrições da aparência pessoal do Conde de Saint-Germain, e embora elas difiram um pouco nos detalhes, todas o descrevem como um homem de saúde radiante, e de inalterável cortesia e bom-humor. Suas maneiras eram a perfeição do refinamento e da graça. Ele parece ter sido um lingüista notável, falando fluentemente e usualmente sem sotaque estrangeiro as línguas correntes da Europa. Um escritor, assinando-se Jean Léclaireur, diz em um interessante artigo sobre O Segredo do Conde de Saint-Germain, no Lotus Bleu, vol. VI, 314-319, que ele estava familiarizado com o francês, inglês, italiano, espanhol, português, alemão, russo, dinamarquês, sueco e muitos dialetos orientais. Sua maestria nestes últimos fornece um dos pontos de semelhança que são tão extraordinários entre ele e H.P.B., pois Sua Alteza, o falecido Príncipe Emil de Sayn-Wittgenstein, Adido do Corpo Diplomático junto ao Imperador Nicolau e um antigo membro de nossa Sociedade, uma vez escreveu-me que quando ele conheceu H.P.B. em Tiflis, ela era famosa por sua habilidade de falar a maioria das línguas do Cáucaso – geórgio, mingreliano, abásio, etc, enquanto que nós mesmos a temos visto produzir literatura de qualidade superior em russo, francês e inglês. Mas quanto mais se lê sobre Saint-Germain e se conhece sobre H.P.B., mais numerosas e notáveis são as semelhanças entre os dois grandes ocultistas.

A Srª Cooper-Oakley em sua cuidadosa compilação diz (Theosophical Review, vol. XXI, p. 428): "Era consenso quase universal que ele tinha uma graça e cortesia de maneiras encantadoras. Ele apresentava em sociedade, além disso, uma grande variedade de dons, tocava vários instrumentos musicais excelentemente, e às vezes demonstrava faculdades e poderes que beiravam o misterioso e o incompreensível. Por exemplo, um dia ele lhe tinha ditado os primeiros vinte versos de um poema, e os escreveu simultaneamente com ambas as mãos em duas folhas separadas de papel – e ninguém presente poderia distinguir uma folha da outra".

O Sr. Léclaireur, no artigo supracitado, sumarizou muitos pontos sobre o Conde de Saint-Germain que corroboram a citação e parecem ter sido cuidadosamente compilados da literatura sobre o assunto. Ele diz que "sua beleza era notável e suas maneiras esplêndidas; ele tinha um extraordinário talento para a elocução, uma educação e erudição maravilhosas. (...) Músico completo, ele tocava todos os instrumentos, mas agradava-o mais o violino; ele o fazia soar tão divinamente que duas pessoas que ouviram a ele e depois ao afamado mestre italiano Paganini colocaram ambos no mesmo nível". Aqui lembramos a soberba facilidade de H.P.B. como pianista, seu toque ligeiro, sua capacidade improvisativa e seu conhecimento da técnica. O Barão Gleichen cita-o dizendo assim:

"Vocês não sabem do que estão falando; só eu posso discutir este assunto, o qual já esgotei, como o fiz com a música, que abandonei porque nela não podia ir mais além". O Barão foi convidado à sua casa com o objetivo declarado de examinar algumas pinturas muito valiosas, e o Barão diz que "ele manteve a palavra, pois as pinturas que ele me mostrou tinham o caráter de singularidade ou de perfeição, que as fazia mais interessantes que muitas das pinturas de primeira linha, especialmente uma Sagrada Família, de Murillo, que igualava em beleza a de Rafael em Versalhes; mas ele me mostrou muito mais que isso, a saber: uma quantidade de gemas, especialmente diamantes, de cores, tamanho e perfeição surpreendentes. Eu pensei que estava contemplando os tesouros de Aladim. Dentre outras havia uma opala de tamanho monstruoso e uma safira branca tão grande quanto um ovo, que empalideceu todas as gemas que eu coloquei ao lado para comparar. Suponho ser um conhecedor de jóias, e declaro que o olho não poderia descobrir a menor razão para duvidar da qualidade destas pedras, ainda mais que não estavam engastadas".

Muitos anos atrás minha irmã, Srª. Mitchell, sentindo-se indignada pelas calúnias baixas que estavam circulando contra H.P.B. e mim mesmo, e desejando deixar registrado um relato de alguns dos fatos que foram observados por ela própria enquanto ocupava, com seu marido e filhos, um apartamento no mesmo edifício que o nosso, publicou em um jornal londrino um artigo no qual citava, entre outros, o seguinte incidente: "Um dia ela disse que me mostraria algumas coisas belas, e indo até uma pequena escrivaninha que ficava debaixo de uma das janelas, pegou dela muitas peças de soberba joalheria; broches, pregadores, braceletes e anéis, que estavam cravejados com todos os tipos de pedras preciosas, diamantes, rubis, safiras, etc. Eu as peguei e examinei, mas pedindo para vê-las no dia seguinte só encontrei gavetas vazias". Minha irmã pensou que elas deviam valer bem muitos milhares de dólares. Mas como aconteceu de eu saber que H.P.B. não tinha nenhuma coleção de pedras preciosas como esta, nem mesmo uma pequena parte delas, minha única inferência possível é a de que ela havia forjado para a visão de minha irmã uma daquelas ilusões ópticas que ela descrevia como truques psicológicos. Sou inclinado a acreditar que Saint-Germain fez o mesmo com o Barão Gleichen. Na verdade, estes fazedores de maravilhas podem ao bel prazer transformar uma ilusão em realidade e fazer as pedras sólidas e permanentes. Tomemos por exemplo meu "anel da rosa" (vide O.D.L., I, 96) que ela primeiro fez surgir a partir de uma rosa que eu segurava na mão, e, dezoito meses mais tarde, quando minha irmã o usava, fez com que três pequenos diamantes aparecessem engastados no ouro, em forma de triângulo. Muitas pessoas em diferentes países viram este anel, e algumas me viram escrever com ele sobre vidro, provando assim que as pedras são diamantes genuínos. O anel ainda está em meu poder, e durante estes trinta anos não mudou em nada suas características. Além disso, há os casos de sua duplicação de um diamante amarelo para o Sr. Sinnett em Simla, de safiras para a Srª.

Carmichael e outros amigos de diversos lugares, sua produção do seu místico anel de sinete, agora de posse da Srª. Besant, ao esfregar entre suas mãos meu próprio anel de sinete gravado; e as híbridas pinças para cubos de açúcar de prata, e, primeiro e último, muitos artigos de metal e pedra que, tendo sido devidamente descritos em meu O.D.L., não precisam ser recapitulados aqui. O leitor verá que os respectivos fenômenos de Saint-Germain e H.P.B. complementam-se e se corroboram mutuamente, e demonstram que entre os ramos da ciência oculta que são familiares aos adeptos e seus discípulos avançados deve ser incluído um conhecimento íntimo e controle do reino mineral.

Saint-Germain contou a alguém que ele havia aprendido de um velho Brâmane hindu como "reviver" o carbono puro, isto é, como transmutá-lo em diamante; e Kenneth Mackenzie é citado como dizendo (na sua Royal Masonic Cyclopaedia, p. 644): "Em 1780, durante sua visita ao embaixador francês em Haia, ele despedaçou com um martelo um soberbo diamante que havia produzido por meios alquímicos; uma pedra gêmea desta, também feita por ele, vendeu-a a um joalheiro pelo preço de 5.500 luíses de ouro".Não temos em nenhum destes relatos evidência de se alguma das gemas feitas por ele permaneceram sólidas ou se se dissolveram de volta na luz astral de onde foram constituídas, exceto nos casos específicos onde a gema foi dada a algum indivíduo, ou neste em que a gema foi vendida a um joalheiro. Para mim é impensável que ele tenha vendido o diamante para conseguir 5.500 luíses, pois o fato de ele ter o aparente comando ilimitado sobre o dinheiro mostra que ele não poderia ter tido necessidade de uma soma tão pequena.

Falamos antes sobre a dissolução de uma gema criada magicamente. Se o leitor consultar o O.D.L., 197 e 198, verá que a primeira pintura do "Cavaleiro Louis", precipitada por H.P.B. em certa noite, havia-se desvanecido pela manhã, mas que quando ela a fez aparecer de novo, ao pedido da Srª. Judge, ela o "fixou" de modo que permanece inalterada até o momento deste escrito. Minha explicação disto é que depende inteiramente do adepto operador se ele fará uma precipitação efêmera da imagem-pensamento, deixando-a ser dissipada pela ação do espaço, ou se ao depositar o pigmento cortar a corrente que o conecta com o espaço e assim deixando-o como um depósito pigmentar permanente no papel ou noutra superfície. De fato eu aconselho encarecidamente a qualquer um que queira abordar os mistérios de Saint-Germain, Cagliostro e outros operadores de prodígios, ler em conexão a isto os vários relatos dos fenômenos de H.P.B. que têm sido publicados por testemunhas fidedignas.


Tomemos por exemplo a citação feita pela Srª. Cooper-Oakley dos Souvenirs de Marie-Antoinette, da Condessa d’Adhémar, que havia sido amiga íntima da rainha e que faleceu em 1822. Ela dá um interessante relato de uma entrevista entre Sua Majestade, o Conde de Maurepas, ela mesma e Saint-Germain. Este último havia feito à Srª. d’Adhémar uma visita de importância momentosa em relação à família Real e a França, e havia ido embora, e o ministro, Sr. de Maurepas, havia entrado e estava ultrajando com injúrias a Saint-Germain, chamando-o de impostor e charlatão. Recém ele havia dito que o mandaria para a Bastilha, a porta se abriu e Saint-Germain entrou, para consternação do Sr. de Maurepas e a grande surpresa da Condessa. Andando majestaticamente em direção ao Ministro, Saint-Germain advertiu-o de que ele estava arruinando tanto a monarquia quanto o reino com sua incompetência e obstinada vaidade, e terminou com as palavras: "Não espere homenagem da posteridade, Ministro frívolo e incapaz! Sereis enfileirado entre aqueles que causam a ruína de impérios. (...) O Sr. de Saint-Germain, tendo falado isso num só fôlego, dirigiu-se para a porta novamente, fechou-a e desapareceu. (...) Todos os esforços de encontrar o Conde falharam". Compare-se isto com as diversas desaparições de H.P.B. nas grutas Karli e arredores, e noutros locais, e vejam como os dois agentes da Fraternidade empregaram meios idênticos de se fazerem invisíveis no momento crítico.

Ele vivia suntuosamente e aceitava convites para jantar de reis e outras personalidades importantes, mas sempre subentendendo-se que não se esperasse que ele comesse ou bebesse com o grupo; e, de fato, ele nunca o fez, dando a desculpa de que ele era obrigado a seguir um regime muito restrito e especial. Dizia-se que ele mantinha seu corpo forte, jovem e são tomando elixires e essências, cuja composição mantinha em segredo; alegava-se que sua dieta visível era somente o que poderíamos chamar de mingau de aveia, o qual também era preparado por ele mesmo. O Sr. Léclaireur diz que ele "freqüentemente se deitava muito tarde, mas nunca estava cansado; ele tomava grandes precauções contra o frio. Freqüentemente abandonava-se a um estado letárgico que durava de trinta a quarenta horas, durante o qual seu corpo parecia morto. Depois acordava, recuperado e rejuvenescido e revigorado por este mágico descanso, e assombrava os presentes relatando todas as coisas importantes que haviam transcorrido na cidade ou nos negócios públicos durante o intervalo. Suas profecias, assim como sua previsão, nunca falharam".

Isto lembra a história contada por Collin de Planey (Dictionnaire Infernal, vol. II, p. 233) sobre Pitágoras, que ao retornar de suas viagens ao plano astral "sabia perfeitamente de tudo que acontecera na Terra durante sua ausência".

Continuando nossa comparação entre os dois "mensageiros", amigos e colaboradores, vemos que H.P.B. não se limitava a mingau ou mesmo à dieta vegetariana, mas, como o Conde, também caía naqueles estados de letargia quando ficava inconsciente das coisas em seu redor, mas que voltava inteirada de tudo durante o intervalo de sua abstração física temporária. No primeiro volume do O.D.L. são descritos estes estados de "estudo obscuro" [brown study, no original – NT], e também suas alterações de humor e modos conforme um ou outro Mestre estivesse "em guarda". Também é registrado como a nova entidade entrante tinha de captar no cérebro do corpo o registro do que recém havia acontecido; algumas vezes cometendo erros palpáveis. Infelizmente não temos registro do efeito produzido em Saint-Germain de ser despertado subitamente de sua condição de transe recuperador, provavelmente porque ele sempre tomou precauções contra este tipo de ocorrência; mas no caso de H.P.B. descrevi o grande choque que ela experimentava quando súbita e inesperadamente era trazida de volta à consciência física; mais de uma vez ela colocou minha mão em seu peito para me fazer sentir o coração batendo como uma britadeira, e ela me disse que sob certas circunstâncias tal ocorrência poderia ser fatal. Não estou aludindo aos casos em que ela deixava o corpo uma ou mais horas para ser usado por um ou outro dos Mestres que supervisionavam a produção de Ísis sem Véu, mas somente àqueles breves deslocamentos do plano de consciência externo para o interno.

Em um outro ponto havia grande diferença entre os dois mensageiros. Saint-Germain amiúde, quando a conversa se voltava para qualquer período do passado, descreveria o que havia acontecido como se ele mesmo tivesse estado presente, e, como nos diz o Barão Gleichen, "descreveria as circunstâncias mais detalhadas, as maneiras e gestos dos personagens, e mesmo a sala e local que ocupavam, com uma minúcia e vivacidade que fazia pensar que estava-se ouvindo a um homem que realmente estivera presente. (...) Ele conhecia, em geral, a história com precisão, e criava a representação de quadros e cenas mentais com tamanha naturalidade, que nenhuma testemunha ocular o faria a respeito de fatos recentes como ele o fazia sobre aqueles de séculos passados".

As revelações da psicometria tornaram perfeitamente fácil para nós entender como um adepto, como evidentemente o era Saint-Germain, poderia evocar das "galerias da luz astral os incidentes de qualquer época histórica dada, mesmo os detalhes da construção da casa, e a aparência, atos, falas e gestos dos habitantes; e espalhando em todas as direções seu poder de observação como uma teia de aranha, saberia de quaisquer fatos em andamento. Sem ter encarnado naqueles tempos remotos, mesmo assim se tornava em verdade uma testemunha ocular e auditiva daquele período em questão". Esta é a esplêndida potencialidade da descoberta de Buchanan, que marcou época. Não encontramos no Soul of Things de Denton listas de casos onde psicômetras treinados faziam a mesma coisa? E se os membros da família de Denton podiam fazer isso sem treinamento oculto prévio, por que não deveria um ser tão grandioso como Saint-Germain ter sido capaz de fazer muito mais?

Vimos acima que ele persistentemente mistificava aquelas pessoas curiosas de todas as classes – reis, nobres e plebeus – que tentavam penetrar o segredo de seu nascimento, nacionalidade e idade. Não temos visto H.P.B. pregando a mesma peça em seus fuxiqueiros importunos? Às vezes ela diria que tinha oitenta anos, às vezes que havia nascido no século XVIII, e temos registrado o testemunho de um correspondente da imprensa que, depois de observá-la durante toda uma noite, disse e escreveu que ela parecia em um momento ser uma velha e logo a seguir uma jovenzinha, enquanto que mais de uma pessoa viu sua aparência física mudar de um sexo para outro. Então temos o caso em que, quando ela e eu estávamos a sós na sala de nossa "Lamaseria" [apelido da casa onde moravam – NT] em Nova Iorque, ela atraiu minha atenção e eu vi surgir de seu corpo o de um Mestre com sua compleição indiana e cabelo negro, desvanecendo por um momento a mulher de tipo caucasiano, olhos azuis e cabelo claro que estava sentada à minha frente.

Léclaireur diz, como prova da memória prodigiosa do Conde, que "ele podia repetir exatamente e palavra por palavra o conteúdo de um jornal que apenas havia relanceado diversos dias antes; ele podia escrever com ambas as mãos ao mesmo tempo; com a direita um poema, com a esquerda um documento diplomático, freqüentemente da maior importância. Muitas testemunhas ainda vivas poderiam, no início deste século (XVIII), corroborar estas faculdades maravilhosas. Ele lia, sem as abrir, cartas fechadas, e mesmo antes chegarem a ele". Aqui, novamente, somos obrigados a lembrar dos feitos do mesmo tipo que H.P.B. operava em presença de testemunhas, incluindo eu mesmo. Ela, ainda, não apenas leria cartas fechadas antes de tocar nelas, mas também tomaria um lápis e escreveria seu conteúdo, como nos casos do Sr. Massey e outros em Nova Iorque, e o do Prof. Smith em Bombaim, cuja carta era interessante. Certa manhã Damodar [Damodar Mavalankar, do círculo Teosófico indiano – NT] recebeu quatro cartas por um correio, que continham adicionalmente mensagens dos Mahatmas, como constatamos ao abrí-las. Eram de quatro locais muito distantes entre si, e todas com o carimbo dos correios. Mandei todas ao Prof. Smith, assinalando que freqüentemente recebíamos tais escritos dentro de nossa correspondência, e pedi-lhe que gentilmente primeiro examinasse cada envelope para verificar se havia algum sinal de terem sido violados. Ao devolvê-las a mim com a declaração de que todas estavam perfeitamente regulares, até onde se podia averiguar, pedi a H.P.B. que as colocasse em frente à sua testa e visse se podia encontrar alguma mensagem dos Mahatmas em alguma delas. Ela o fez com as primeiras que chegaram, e disse que em duas havia tais mensagens. Então ela leu clarividentemente as mensagens e pedi ao Prof. Smith que as abrisse ele mesmo. Depois de as haver escrupulosamente examinado, ele cortou os envelopes, e todos nós vimos e lemos as mensagens exatamente como H.P.B. as havia decifrado pela visão clarividente.

Uma forma de fenômeno, entretanto, de que não encontramos relato em Saint-Germain, era o da interceptação de cartas no correio, que em minha opinião está entre as coisas mais notáveis que já testemunhei. Toda história está contada no O.D.L., Primeira Série, pp. 35-37, mas pode ser resumida em poucas palavras. Eu tinha vindo de Nova Iorque para Filadélfia para visitar H.P.B., enquanto tirava uma folga depois de ler o livro de Eddy, People from the Other World, não impresso. Tencionando ficar só dois ou três dias e não sabendo qual seria meu endereço em Filadélfia, não havia deixado instruções para o repasse de minha correspondência; mas ocorrendo de ela insistir que eu ficasse mais tempo, fui à Agência dos Correios de Filadélfia, dei o endereço de sua casa e solicitei que se algo chegasse para mim, deveria ser mandado para lá. Eu não estava esperando nada, mas algo ou alguma coisa me impeliu a agir assim. Na mesma tarde foram entregues na casa pelo carteiro cartas da América do Sul, da Europa e de alguns dos estados do leste da União, com o endereço da casa de H.P.B. escrito a lápis em cada envelope. Mas, e isto é que dá o selo de valor como evidência ao fenômeno, o endereço de Nova Iorque não foi anulado, nem o carimbo dos Correios de Nova Iorque aparece na frente dos envelopes, como prova de que eles teriam chegado no primeiro destino tencionado por meus diversos correspondentes.

Qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento dos procedimentos postais verá a grande importância destes detalhes. Mas ao abrir as cartas que me chegaram deste modo durante minhas visitas noturnas à minha colega, encontrei dentro de muitas delas, se não de todas, algo escrito com a mesma caligrafia das cartas que eu havia recebido dos Mestres em Nova Iorque, o escrito tendo sido feito ou nas margens ou em qualquer espaço deixado em branco pelos que as escreveram. As coisas escritas eram ou algum comentário sobre as características ou motivações do correspondente, ou assuntos de interesse geral em relação aos meus estudos ocultos.

As histórias da época todas falam de Saint-Germain e do importante papel desempenhado por ele na política do momento de mais de um reino. Assim é dito que ele teve muito a ver com a ascensão da Imperatriz Catarina ao trono da Rússia. Ele foi amigo íntimo de Frederico o Grande da Prússia, de Luís XV da França, do Landgrave de Hessen, e de vários príncipes e de outros grandes nobres. Por muitos anos ocupou um grande lugar no pensamento público de várias cortes e nações, mas, de súbito, no ano de 1783, desapareceu da vista pública com o mesmo mistério cercando sua retirada de cena que cercara sua aparição. Não temos registro de seu destino, além da declaração de seu amigo, o Príncipe de Hesse-Cassel, de que ele falecera em 1783, durante alguma experiência química em Eckenford, perto de Schleswig. Não há absolutamente nenhum registro histórico da doença final ou morte deste homem que, por tantos anos, agitou as cortes européias, nem uma só palavra sobre a destinação de sua alegada fortuna colossal, em gemas e ouro, que ele sempre tinha consigo. Como diz Léclaireur: "Um homem que teve uma carreira tão brilhante não pode se extinguir tão subitamente de modo a cair no esquecimento".

Além disso, como o mesmo autor diz: "É relatado que ele teve uma entrevista com a Imperatriz da Rússia em 1785 ou 1786. É relatado que ele apareceu à Princesa de Lamballe quando ela estava diante do tribunal revolucionário, logo antes que cortassem sua cabeça, e para a amante de Luís XV, Jeanne Dubarry, enquanto ela esperava o golpe mortal, em 1793. A Condessa d’Adhémar, que morreu em 1822, deixou uma nota manuscrita, datada de 12 de maio de 1821, e presa com um alfinete ao manuscrito original, onde diz que "vira o Sr. de Saint-Germain diversas vezes depois de 1793, a saber, no assassinato da Rainha (16 de outubro de 1793); no 18 Brumário (9 de novembro de 1799); no dia seguinte à morte do Duque d’Enghien (i804); no mês de janeiro de 1813; e na véspera da morte do Duque de Berri (1820)". Deve ser observado paralelamente que estas últimas visitas à sua amiga, a Condessa, depois de seu desaparecimento de Hesse-Cassel e sua suposta morte, podem ter sido feitas da mesma maneira que a do Mestre a mim mesmo em Nova Iorque – no corpo astral projetado; pois temos, no artigo da Srª. Cooper-Oakley, uma citação das Memoirs de Grafer, a declaração de que Saint-Germain disse a ele e ao Barão Linden que deveria desaparecer da Europa por volta do final do século XVIII, e mudar-se para uma região dos Himalaias, acrescentando: "Vou descansar; eu preciso descansar. Exatamente em oitenta e cinco anos as pessoas novamente porão os olhos sobre mim. Adeus, eu vos amo".

A data desta entrevista pode ser deduzida aproximadamente de um outro artigo no mesmo volume, onde é dito: "Saint-Germain esteve em Viena no ano de 1788, ou 1789, ou 1790, onde tivemos a inesquecível honra de encontrá-lo". Se tomarmos a primeira data, então oitenta e cinco anos nos trariam a 1873, quando H.P.B. veio a Nova Iorque para me encontrar; se tomarmos a segunda, então oitenta e cinco anos coincidem com nosso encontro em Chittenden; se a terceira, isso marca a data de fundação da Sociedade Teosófica e o início da escrita de Ísis sem Véu, em cujo trabalho, como já disse, estou persuadido de que Saint-Germain foi um dos colaboradores.

Assim, tracei brevemente, mas de boa fé, a relação entre estes dois personagens misteriosos, Saint-Germain e H. P. Blavatsky, mensageiros e agentes da Loja Branca, como acredito. Um foi mandado para auxiliar na condução das linhas de karma convergentes que ocasionariam o cataclismo político do século XVIII com todas as suas terríficas conseqüências, desencadeando o ciclone moral que haveria de purificar a atmosfera social do mundo; a outra veio numa época em que o materialismo iria encontrar seu Waterloo e o novo reino de elevado pensamento espiritual deveria ser anunciado através da atuação de nossa Sociedade.

Fonte/Tradução: Ricardo Frantz - http://www.levir.com.br/libris.php?msg=2
imagem: Madame Blavatsky with Kuthumi El Morya, Saint-Germain (autor descconhecido)

LEIA TAMBÉM - http://floresemcasa.blogspot.com/2009/12/saint-germain-o-mitico-e-o-mistico.html


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Intolerância Religiosa

Axé para todos que lutam contra a bestial, e ignorante, intolerância religiosa pregada por alguns contra as religiões Afro-Decendentes e Espiritismo. Oxalá esteja conosco, Ogum nos proteja e defenda.

Saravá!

Recebi do irmão Ricardo Barreira o e-mail que transcrevo a seguir:

Hoje é o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

O 21 de janeiro, como Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, foi instituído pelo presidente da República com a Lei Nº 11.635, em 27 de dezembro de 2007. A data foi escolhida para coincidir com o aniversario de morte da Yalorixá (Mãe de Santo) Gilda de Ogum, que morreu de infarto fulminante em 2000, após ter seu terreiro invadido duas vezes por religiosos contrários a suas práticas e ver sua foto ilustrando matéria de teor depreciativo veiculada por jornal religioso.

A Intolerância Religiosa não é algo que atinge apenas uma religião, não é não. Cada qual ao seu grau. O que acontece é que no Brasil nenhuma outra religião foi tão massivamente e históricamente perseguida como as religiões denominadas afro-brasileiras, entre elas, Umbanda e Candomblé.

Mas por quê? De onde vem tanto preconceito com as religiões afro-brasileiras?

Um estudo mais aprofundado nos mostra que o motivo primórdio deste preconceito é justamente por ser AFRO-brasileira. Como tudo que veio da África, como tudo que está relacionado ao negro, por melhor que seja, sofre ou já sofreu, muito preconceito... Continua no Blog www.ricardobarreira.com

"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar” - Martin Niemöller

sábado, 16 de janeiro de 2010

Mensagem do Dalai-Lama para o Haiti

13 de janeiro de 2010

A René Garcia Préval
Presidente da República do Haiti
Porto Príncipe
Haiti

Vossa Excelência:

Estou profundamente triste com a perda de tantas vidas e bens, como resultado do terremoto que atingiu a capital, Porto Príncipe, na terça-feira.

Eu estendo a minha solidariedade e sentidas condolências a todas as famílias que foram diretamente afetadas pelo que eu entendo ser o pior terremoto em dois séculos na história do Haiti.

Eu ofereço minhas orações para aqueles que perderam a vida nesta tragédia, condolências aos seus familiares e outras pessoas afetadas por esta catástrofe natural.

Com minhas orações.

O Dalai Lama

Fonte: http://www.dalailama.com/news/post/481-message-to-haiti

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Bate-papo com Carlos Castañeda




– Dom Juan dizia que para pensar bem é preciso deixar de pensar.

– Sim, é preciso deixar o mundo do pensamento habitual, que são só reafirmações sobre você mesmo. O mestre yaqui dizia que a descida do espírito acontece quando este corta o nosso diálogo interno, e lamentava que ninguém quisesse ser livre.

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– Se existem outros aspectos da realidade, tem que ser um indivíduo muito especial para captá-los?

– As pessoas têm um profundo sentido do mágico, mas o fato de ser racional constitui uma desvantagem.

– Por quê?

– O mundo cotidiano é tão extraordinariamente poderoso que não nos permite saídas. Ensina-nos desde muito cedo a obsessão pela pessoa; não pelo ser total, mas só pela pessoa social; a obsessão não nos deixa sair.

– É assim para todos?

– Os anos que transcorrem nesse tipo de prática erradicam a magia, e então só existem o eu pessoal e as tolices.

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– Por que Dom Juan dizia que se tem que ensinar ao homem, agora mais do que nunca, a conectar-se com seu ser interior? É porque alcançou um maior nível de desenvolvimento intelectual?

– Qual o que! (exclama). É porque agora sim estamos na bancarrota; estamos (continua irritado) em meio a uma luta entre duas superpotências que vão acabar com a humanidade. Já abriram um buraco na camada de ozônio. Você acredita que vão tapar? Vão diminuir seus enormes gastos com a defesa para consertar a Terra? Mais que nunca (conclui em tom de firmeza) o homem precisa da ajuda da magia.

Fonte: "Conversando com Carlos Castañeda" de Fort, Carmina - Editora Record, 1991. (RESENHA DO LIVRO)

Conheça o livro "A Erva do Diabo", e outros, de Carlos Castañeda

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Voltar-se para dentro - Osho




Voltar-se para dentro não é movimentar-se, absolutamente.

Ir para dentro de si não é deslocar-se.

Voltar-se para dentro simplesmente significa que você tem estado perseguindo um desejo atrás do outro, que esteve correndo cada vez mais, para chegar repetidas vezes à frustração; que cada desejo traz infelicidade, que não existe nenhum preenchimento por meio de desejos; que você nunca chega a lugar nenhum, que o contentamento é impossível.

Percebendo a verdade de que correr atrás de desejos não leva a lugar nenhum, você acaba parando.

Não que você faça algum esforço para parar.
Se você fizer qualquer esforço para parar, de uma maneira sutil você ainda estará correndo atrás de alguma coisa novamente.

Você ainda está desejando -- talvez, agora, seja a ausência de desejo o seu desejo.Se estiver fazendo algum esforço para voltar-se para dentro, você ainda estará saindo de si mesmo.

Qualquer esforço só poderá levá-lo para fora, em direção ao exterior. Todas as viagens são viagens para fora -- não há viagem para dentro.

Como você pode viajar para dentro de si mesmo? Você já está ali, não faz sentido ir.

Quando o deslocar-se cessa, a viagem desaparece; quando não há mais nenhum desejo obscurecendo a sua mente, você está dentro.

A isso é que se chama voltar-se para dentro.

Mas não se trata absolutamente de um deslocamento, trata-se simplesmente de não sair para fora.

Fonte: Osho 'This Very Body The Buddha' - Capítulo 9


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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O Manuscrito 512

O manuscrito 512, ou documento 512 (ver imagem), consiste em um dos arquivos manuscritos da época Brasil colonianista que está guardado no acervo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Tal documento, tem caráter expedicionário, e consiste em um relato de um grupo de bandeirantes, embora o nome de seu autor seja desconhecido.

Este manuscrito é a base da maior fábula arqueológica nacional, e um dos mais famosos documentos da Biblioteca Nacional. O acesso ao relato original é extremamente restrito atualmente, embora uma versão digitalizada dele tenha sido disponibilizada recentemente com a atualização digital da biblioteca nacional.

Descoberta e Valorização

Não obstante a datação do anos de 1753, estima-se que a escritura seja realmente setecentista por determinados aspectos relatados, seu descobrimento e noção de relevância, contudo, ocorreram apenas em 1839. De forma um tanto irônica para com a importância do documento, e ainda de maneira a reforçar todo o mito que envolve o objeto, o documento 512 foi encontrado ao acaso, esquecido no acervo da biblioteca da corte (então a biblioteca nacional).

O manuscrito, muito antigo, e já deteriorado pelo tempo, foi descoberto por Manuel Ferreira Lagos, e posteriormente entregue ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB); foi nas mãos de um dos fundadores do instituto que a escritura teve seu real valor reconhecido e e divulgado: após leitura o cônego Januário da Cunha Barbosa publicou uma cópia integral do manuscrito na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, com a adição de um prefácio no qual esboçava uma teoria de ligação entre o assunto do documento e a saga de Roberto Dias, um homem que fora aprisionado pela coroa portuguesa por se negar a fazer revelações a respeito de minas de metais preciosos na Bahia.

Em um contexto de busca da identidade nacional, e valoração dos atributos brasileiros, o documento ganhou um destaque e um enfoque cada vez maiores ao longo dos anos, tanto por parte de aventureiros, como intelectuais, religiosos, e até do próprio imperador Dom Pedro II. O tão investigado relato que faz o documento, e que foi motivo de sua relevância ao longo da história defendido arduamente por muitos, contestado calorosamente por outros, e obsessivamente buscado por alguns: o documento 512 traz o relato do encontro de alguns bandeirantes com as ruínas de uma cidade perdida, uma civilização arruinada em meio à selva brasileira com indícios de desenvolvimento cognitivo, além de riquezas, e um fim desconhecidos.

O Mito da Cidade Perdida

O documento que hoje traz o subtitulo de Relação histórica de uma occulta e grande povoação antiquissima sem moradores, que se descobriu no anno de 1753, narra o encontro do grupo de bandeirantes com ruínas de uma cidade perdida e desconhecida até então.

O relato da expedição, em sua parte mais conhecida, conta que houve quem avistasse de uma grande montanha brilhante, em consequência da presença de cristais e que atraiu a atenção do grupo, bem como seu pasmo e admiração. Tal montanha frustou o grupo ao tentar escalá-la, e transpô-la foi possível apenas por acaso, pelo fato de um negro que acompanhava a comitiva ter feito caça a um animal e encontrado na perseguição um caminho pavimentado em pedras que passada por dentro da montanha rumo a um destino ignorado.

Após atingir o topo da montanha de cristal os bandeirantes avistaram uma grande cidade, que a princípio confundiram com alguma pole já existente da costa brasileira e devidamente colonizada e civilizada, todavia ao inspecioná-la verificaram uma lista de estranhezas entre ela e o estilo local, além do fato de estar em alguns trechos completamente arruinada, e absoluta e totalmente vazia: seus prédios, muitos deles co mais de um andar jaziam abandonados e sem qualquer vestígio de presença humana, como móveis ou outros artefatos.

A entrada da cidade era possível apenas por meio de somente um caminho, macadamizado, e ornado na entrada com três arcos, o principal e maior ao centro, e dois menores aos lados; o autor do texto expedicionário observa que todos traziam inscrições em uma letra indecifrável no alto, que lhes foi impossível ler dada a altura dos arcos, e menos ainda reconhecer.

O aspecto da cidade narrada no documento 512 mescla caracteres semelhantes aos de civilizações antigas, porém traz ainda outros elementos inidentificados ou sem associação; o cronista observa que todas as casas do local semelhavam à apenas uma, por vezes ligadas entre si em uma construção simétrica e uníssona.

Há descrição de diversos ambientes observados pelos bandeirantes, admirados e confusos com seu achado, todos relatados com associações do narrador, tais como: a praça na qual se erguia uma coluna negra e sobre ela uma estátua que apontava o norte, o pórtico da rua que era encimado por uma figura despida da cintura para cima e trazia na cabeça uma coroa de louros, os edifícios imensos que margeavam a praça e traziam em relevo figuras de alguma espécie de corvos e cruzes.

Segundo a narrativa transcrita no documento, próximo a tal praça haveria ainda um rio que foi seguido pela comitiva e que terminaria em uma cachoeira, que aparentemente teria alguma função semelhante a de um cemitérios, posto que estava rodeada de tumbas com diversas inscrições, foi neste local que os homens encontraram um curioso objeto que segue descrito a seguir.

Entrementes, quando a expedição seguiu adiante e encontrou os rios Paraguaçu e Una, o manuscrito foi confeccionado em forma de carta, com o respectivo relato, e enviado às autoridades no Rio de Janeiro; a identidade dos bandeirantes do grupo aparentemente foi perdida, restando apenas o manuscrito enviado, e a localização da cidade supostamente visitada tornou-se um mistérios que viria atrair atenção de renomadas figuras históricas.

A Moeda de Ouro e O Rapaz Ajoelhado

O único objeto mencionado pela expedição de bandeirantes, que foi encontrado ao acaso, e descrito cuidadosamente na carta consiste em uma grande moeda confeccionada em ouro. Tal objeto, de existência e destino incógnitos, trazia emblemas em sua superfície: cravados na peça havia em uma face o desenho de um rapaz ajoelhado, e no reverso combinados permaneciam as imagens de um arco, uma coroa, e uma flecha.

O Manuscrito 512

Relação historica de huma oculta, e grande Povoação, antiguissima sem moradores, que se descubrio no anno de 1753.

Em a America ................. nos interiores ................. contiguo aos ................. Mestre de campo .................. e sua comitiva, havendo dez annos de que viajava pelos certões, a vêr se descubria as decantadas minas de Prata do grande descubridor Moribeca, que por culpa de hum Governador se não fizerão patentes, pois queria lhe uzurpar-lhe esta gloria e o teve prezo na Bahia até morrer, e fi-arão por descubrir: Veio esta noticia ao Rio de Janeiro em principio do anno de 1754.

Depois de huma longa, e inoportuna perigrinação, incitados da incaciavel cobiça de ouro, e quazi perdidos em muitos annos por este vastissimo certão, descubrimos huma cordi-lheira de montes tão elevados, que parecia chegavão a Região etheria, e que servirão de throno ao vento as mesmas estrellas; o luzimento que de Longe se admirava, principalmente quando o Sol fazia impressão ao Cristal de que era composta e formando hu-ma vista tão grande e agradavel, que nin-guem daquelles reflexos podia afastar os olhos: entrou a chover antes de entrarmos a registrar esta christallina maravilha e viamos sobre a pedra escalvada correr as agoas precipitando-se dos altos rochedos, parecendo-nos como a neve, ferida dos raios do sol, pelas admiraveis vistas daquelle chris .................. uina se reduziria ................. das aguas e tranqui-lidade do tempo nos resolvemos a investigar aquelle admiravel prodigio da natureza, chegando-nos no pé dos Montes, sem embaraço algu de Matos, ou Rios, que nos difficultasse o trânsito, porem, circulando as Montanhas, não achamos pasio franco para exe-cutar-mos a rezolução de accommeter-mos estes Al-pes e Pyrineos Brasílicos, rezultando-nos deste des-engano huma inexplicavel tristeza.

Abarracados nós, e com o dezignio de retrocedermos no dia seguinte, sucedeo correr hum negro, andando à lenha, a hum veado branco, que vio, e descobrir por este acazo o caminho entre duas serras, que parecião cortadas por artifi-cio, e não pela Natureza: com o alvoroço desta novi-dade principiamos a subir, achando muita pedra solta, e amontoada por onde julgamos ser calçada desfeita com a continuação do tempo. Gasta-mos boas tres horas na subida, porém suave pelos christaes que admiravamos, e no cume do Monte, fizemos alto, do qual estendendo a vista, vimos em hum Campo razo maiores demonstracoes para a nossa admiração.

Divisamos cousa de legoa, e meia huma Povoação grande, persuadindo-nos pelo dilatado da figu-ra ser alguma cidade da Corte do Brazil: descemos logo ao Valle com cautela ................ lferia em semelhante cazo, mandando explorar ................ gar a qualidade, e ................. se bem que repararam ................. Fuminés, sendo este, hum dos signaes evidentes das povoações.

Estivemos dois dias esperando aos ex-ploradores para o fim que muito desejavamos, e só ouviamos cantar gallos para ajuizar que havia alli po-voadores, até que chegarão os nossos desenganados de que não havia moradores,ficando todos confu-zos: Resolveo-se depois hum índio da nossa com-mitiva a entrar a todo risco, e com precaução, mas tornando assombrado, afirmou não achar, nem desco-brir rastro de pessoa algua: este cazo nos fez confundir de sorte, que não o acreditamos pelo que via-mos de domecilios, e assim se arranjarão todos os exploradores a ir seguindo os passos do índio.

Vierão, confirmando o referido depoimento de não haver povo, e assim nos determinamos todos a entrar com armas por esta povoação, em huma madrugada, sem haver quem nos sahisse ao encontro a impedir os passos, e não achamos outro caminho senão o unico que tem a grande povoação, cuja entrada he por tres arcos de grande altura, o do meio he maior, e os dois dos lados são mais pequenos: sobre o grande, e principal devizamos Letras, que se não poderão copiar pela grande altura

Faz huma rua da largura dos três arcos, com cazas de sobrados de huma, e outra parte, com as fronteiras de pedra lavrada, e já denegrida. So ................ inscripções, abertas todas ................. ortas são baxas defei................. nas, notando que pela regularidade, e semetria em que estão feitas, pa-rece huma só propriedade de cazas, sendo em realidade muitas, e alguas com seus terraços des-cubertos, e sem telha, porque os tetos são de ladri-lho requeimado huns, e de lajes outros.

Corremos com bastante pavor alguas cazas, e em nenhuma achamos vestígios de alfaias, nem móveis, que pudéssemos pelo uso, e trato, conhecer a qualidade dos naturaes: as cazas são todas escuras no interior, e apenas tem huma escaça luz, e como são abóbodas, ressoavam os ecos dos que falavão, e as mesmas vozes atemorizavão.

Passada, e vista a rua de bom cumprimento, demos em huma Praça regular, e no meio della huma collumna de pedra preta de grandeza extraordinária, e sobre ella huma Estatua de homem ordinario, com huma mão na ilharga esquerda, e o braço direito estendido, mostrando com o dedo index ao Polo do Norte: em cada canto da dita Praça está huma Agulha a immitação das que usavão os Romanos, e mais algumas já maltratadas, e partidas, como feridas de alguns raios.

Pelo lado direito desta Praça esta hum soberbo edifício, como casa principal de algu se-nhor da Terra, faz hum grande sallão na entrada e ainda com medo não corremos todas as casas, sendo tantas, e as retrat ................... zerão formar algu............... mara achamos hum................. massa de extraordinária................. pessoas lhe custavão a levanta lla.

Os morcegos erão tantos, que investião as caras das gentes, e fazião uma tal bulha, que admirava: sobre o pórtico principal da rua está huma figura de meio relevo talhada da mes-ma pedra e despida da cintura para cima, coroa-da de louro: reprezenta pessoa de pouca idade, sem barba, com huma banda atraveçada, e hum fraldelim pela cintura: debaixo do escudo da tal figura tem alguns characteres já gastos com o tempo, divizão-se, porém os seguintes:

Da parte esquerda da dita Praça esta outro edifício totalmente arruinado, e pelos vestígios bem mostra que foi Templo, porque ainda conserva parte de seu magnífico frontespicio, e alguas naves de pedra inteira: ocupa grande territorio, e nas suas arruinadas paredes, se vem obras de primor com alguas figuras, e retratos embutidos na pedra com cruzes de vários feitios, corvos, e outras miudezas que carecem de largo tempo para admira llas. Segue-se a este edificio huma grande parte de Povoação toda arruinada e sepultada em grandes, e medonhas aberturas da terra, sem que em toda esta circunferencia se veja herva, arvore, ou plan-ta produzida pela natureza, mas sim montões de pedra, humas toscas outras lavradas, pelo que entendemos ha as fronteiras de ................. verção, porque ainda entre ................. da de cadáveres, que ................ e parte desta infeliz ................. da, e desamparada, ............. talves por algum terremoto.

Defronte da dita Praça corre hum caudalozo Rio, arrebatadamente largo, e espaçoso com alguas margens, que o fazem muito agradavel a vista, terá de largura onze, até doze braças, sem voltas concideraveis, limpas as margens de arvoredo, e troncos, que as inundações costumão trazer: sondamos a sua Altura, e achamos nas partes mais profundas quinze, até dezesseis braças. Daparte dalém tudo são campos muito viçosos, e com tanta variedade de flores, que parece entoar a Natureza, mais cuida-doza por estas partes, fazendo produzir os mais mi-mozos campos de Flora: admiramos tambem algu-mas lagôas todas cheias de arrôs: do qual nos aproveitamos e também dos innumeraveis ban-dos de patos que se crião na fertilidade destes campos, sem nos ser deficil cassa-llos sem chum-bo mas sim as mãos.

Tres dias caminhamos Rio abaixo, e topamos huma catadupa de tanto estrondo pela força das agoas, e rezistencia no lugar, que julgamos não faria maior as boccas do decantado Nillo: depois deste salto espraia de sorte o Rio que parece o grande Oceano: He todo cheio de Peninsulas, cubertas de verde relva: com alguas arvores disperças, que fazem...............hum tiro com davel. Aqui achamos................. a falta delle de noss............... ta variedade de caça................ tros muitos animais criados sem cassadores que os corrão, e os persigão.

Daparte do oriente desta catadupa achamos varios subcavões, e medonhas covas, fazendo-se experiência de sua profundidade com muitas cordas; as quais por mais compridas que fossem, nunca podemos topar com o seu centro. Achamos também alguas pedras soltas, e na superfície da terra, cravadas de pra-ta, como tiradas das minas, deixadas no tempo

Entre estas furnas vimos huma coberta com huma grande lage, e com as seguintes figuras lavradas na mesma pedra, que insinuão grande mistério ao que parece. **** Sobre o Portico do Templo vimos outras da forma seguinte dessignadas.

Afastado da Povoação, tiro de canhão, está hum edificio, como caza de campo, de duzentos e sincoenta passos de frente; pelo qual se entra por hum grande portico, e se sobe, por huma escada de pedra de varias côres, dando-se logo em huma grande salla, e depois desta em quin-ze cazas pequenas todas com portas para a dita salla, e cada huma sobre si, e com sua bica de agoa ...............qual agoa de ajunta ...............mão no pateo externo ..................columnatas em cir- ................dra quadrados por arteficio, suspensa com os seguintes caracteres:

Depois destas admirações entramos pelas margens do Rio a fazer experiencia de descobrir ouro e sem trabalho achamos boa pinta na superficie da terra, prometendo-nos muita grandeza, assim de ouro, como de prata: admiramo-nos ser deixada esta Povoação dos que a habita-vão, não tendo achado a nossa exacta diligencia por estes certões pessoa algua, que nos conte desta deploravel maravilha de quem fosse esta povoação, mostrando bem nas suas ruínas a figura, de grandeza que teria, e como seria populosa, e oppulenta nos séculos em que floreceu povoada; estando hoje habitada de andorinhas, Morcegos, Ratos e Rapozas que cebadas na muita creação de galinhas, e patos, se fazem maiores que hum cão perdigueiro. Os Ratos tem as per-nas tão curtas, que saltão como pulgas, e não andão, nem correm como os de povoado.

Daqui deste lugar se apartou hum companheiro, o qual com outros mais, depois de nove dias de boa marcha avistarão a beira de huma grande enseada que faz hum Rio a huma canôa com duas pessoas brancas, e de cabellos pretos, e soltos, vestidos a Europea, e dando hum tiro como signal para sever .................... para fugirem. Ter ................ felpudos, e bravos, .................. ga a elles se encrespão todos, e investem

Hum nosso companheiro chamado João Antonio achou em as ruinas de huma caza hum dinheiro de ouro, figura esferica, maior que as nossas moedas de seis mil e quatrocentos: de huma parte com a imagem, ou figura de hum moço posto de joelhos, e da outra parte hum arco, huma coroa e huma setta, de cujo genero não duvidarmos se ache muito na dita povoação, ou cidade dissolada, por que se foi subversão por algu terremoto, não daria tempo o repente a por em recato o preciozo, mas he necessario hum braço muito forte, e poderozo para revolver aquele entulho calçado de tantos annos como mostra.

Estas noticias mando a v.m., deste cer-tão da Bahia, e dos Rios Pará-oaçu, Uná, assen-tando não darmos parte a pessoa algua, por-que julgamos se despovoarão Villas, e Arraiais; mas eu a V.me. a dou das Minas que temos descuberto, lembrando do muito que lhe devo.

Suposto que da nossa Companhia sahio já hum companheiro com pretexto differente, contudo peço-lhe a V.me. largue essas penúrias, e venha utilizar-se destas grandezas, usando da industrias de peitar esse indio, para se fazer perdido, e conduzir a V.me. para estes thesouros, etc ................... Acharão nas entradas .................... sobre lages.

Referências

Anonimo: Relação histórica de uma oculta e grande povoação antiquíssima sem moradores, que se descobriu no ano de 1753. Na América [...] nos interiores [...] contiguos aos [...] mestre de campo e sua comitiva, havendo dez anos, que viajava pelos sertões, a ver se descobria as decantadas minas de prata do grande descobridor Moribeca, que por culpa de um governador se não fizeram patentes, pois queria uzurpar-lhe esta glória, e o teve preso na Bahia até morrer, e ficaram por descobrir. Veio esta notícia ao Rio de Janeiro no princípio do ano de 1754.. Bahia/Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, documento n. 512, 1754.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuscrito_512

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Ressureição e Imortalidadade de Láhiri Mahasáya




Sri Yuktéswar e Yogananda
Sri Yukteswar

Graças ao meu paramguru meu livro “A Ciência Sagrada” esgotou rapidamente. “Na manhã seguinte ao término de meus esforços literários”, continuou o mestre, “fui ao ghat Raí banhar-me no Ganges. O ghat estava deserto; detive-me silencioso um instante gozando uma paz radiante. 

Depois de imersão nas águas cintilantes, voltei para casa. Naquele silêncio, o único ruído que ouvia era o da toalha ensopada das águas do Ganges farfalhando a cada passo meu. Como passasse além das grandes banyans, próximas da margem, forte impulso forçou-me a olhar para trás. Ali, à sombra de uma banyan, cercado por alguns discípulos, estava o Grande Bábají!

"-Saudações Swamijí!" A bela voz do mestre fez-se ouvir para assegurar-me que eu não estava sonhando. "Vejo que você teve pleno sucesso com seu livro. Como havia prometido, aqui estou para agradecer-lhe".

Com o coração batendo descompassadamente, prostreí-me completamente aos seus pés. '- Paramgurují', disse eu súplice, 'não poderíeis vós e vossos chelas honrar minha miserável casa com vossa presença?'

- A palavra paramguru refere-se ao guru de um guru. Assim, Bábají, o guru de Láirhi Mahásaya, é o paramguru de Sri Yuktéswar. Mahavatar Bábají é o supremo guru na linha indiana de Mestres que assumem a responsabilidade do bem-estar espiritual de todos os membros SRF-YSS que fielmente pratiquem Kryia Yoga -

“O supremo guru declinou amavelmente: '- Não filho', disse ele. '- Somos gente que aprecia o abrigo das árvores. Este lugar é bastante confortável.'

“- Peço-lhe, então, demore-se mais um pouco, mestre', supliquei-lhe contemplando-o. 'Volto num instante com deliciosas iguarias'.

“Quando após alguns minutos retornei com um prato de manjares, a nobre banyan não mais abrigava o grupo celestial. Procurei-os pelo ghat, mas em meu coração senti que o pequeno grupo já estava então escapando em vôos etéreos.

“Fiquei profundamente magoado. 'Não obstante nosso novo encontro, eu não poderia estar incomodando ao falar com Bábají', disse a mim mesmo. 'Ele foi grosseiro ao abandonar-me tão repentinamente.' Isto eram só arrufos de amor, naturalmente, e nada mais. Poucos meses depois, visitei Láhiri Mahásaya em Benares. Ao entrar na sala de visitas, meu guru. sorriu -me em saudação.

“- Benvindo Yuktéswar”, disse ele, “Você pode ver o virtuoso Bábají à soleira de meu quarto?”

“Não, por quê?” respondi surpreso.

"Venha cá.” Láhiri Mahásava tocou-me gentilmente a testa; desta vez contemplei junto à porta a figura de Bábají florescente como um perfeito lótus.

Lembrei-me de minha mágoa e não o saudei. Láhiri Mahásaya olhou-me com espanto.

“O divino guru estava me contemplando com olhos perscrutadores. '- Você ficou aborrecido comigo?'

“- Senhor, por que não deveria ficar? “respondi. Do ar vieste com vosso grupo, e no rarefeito ar vos desvanecestes.

“- 'Falei-lhe que ia vê-lo, mas eu não disse que ficaria mais tempo'. Bábají riu afavelmente. 'Você estava muito excitado. Asseguro -lhe que eu já estava quase extinto no éter pelo pé-de-vento de seu ressentimento.'

“Fiquei instantaneamente satisfeito por esta explanação pouco lisonjeira. Ajoelhei-me aos seus pés; o supremo guru bateu-me afavelmente no ombro.

“- 'Filho, você deve meditar mais', disse ele. 'Sua contemplação não é perfeita. Você nem pôde ver-me sumindo através da luz do sol.' Com estas palavras em voz semelhante ao som de uma flauta celestial Bábají desapareceu dentro de um esplendor.

“Esta fora uma de minhas últimas visitas a Benares para ver meu guru”, concluiu Sri Yuktéswar. “Como Bábají predissera na Kumbha Mela, a encarnação de chefe de família de Láhiri Mahásaya estava se encaminhando para o fim,

Durante o verão de 1895, desenvolveu-se um pequeno tumor nas costas de seu robusto corpo. Quiseram lancetá-lo, ele protestou; saldava em sua própria carne o mau carma de alguns de seus discípulos. Afinal, dois ou três chelas tornaram-se muito insistentes; o mestre respondeu, enigmaticamente:

“- O corpo tem de encontrar uma causa para a morte; concordo, façam o que bem entenderem.

“Pouco tempo depois, o incomparável guru abandonou seu corpo em Benares. Não mais necessito procurá -lo em sua pequena sala de recepção; todos os dias de minha vida são abençoados por ele, meu guia onipresente. (26 de setembro de 1895 foi a data em que Láhiri Mahásaya abandonou o corpo. Alguns dias depois ele teria completado 67 anos.)

“ Anos mais tarde, dos lábios de Swâmi Keshabananda, um discípulo adiantado, ouvi muitos detalhes admiráveis sobre a partida de Láhiri Mabásaya.

“- Poucos dias antes de meu guru abandonar o corpo - contou-me Keshabananda - ele se materializou diante de mim, quando me encontrava sentado em meu eremitério de Hardwar.

“- Venha imediatamente a Benares. - Com estas palavras, Láhiri Mahásaya desapareceu.

“Tomei o trem imediatamente para Benares. Em casa de meu guru, encontrei muitos discípulos reunidos. Durante horas, naquele dia, o mestre explicou o Gíta; depois, com simplicidade, dirigiu -se a nós:
“- Volto para o meu lar.

“Nossos soluções de angústia prorromperam, irresistíveis.

“- Consolem-se; eu ressuscitarei. - Após esta afirmação, Láhiri Mahásaya levantou-se de seu assento, três vezes girou seu corpo em círculo, sentou-se em posição de lótus encarando o norte e gloriosamente entrou em mahásamádhi.

“O belo corpo de Láhiri Mahásaya, tão caro a seus devotos, foi cremado segundo os ritos solenes reservados aos chefes de família, em Manikarnika Chat, junto ao Ganges sagrado - continuou Kesbabananda. - No dia seguinte, às dez horas da manhã, enquanto ainda me encontrava em Benares, meu quarto inundou-se de uma grande luz. À minha frente apareceu, em carne e osso, de pé, Láhiri Mahásaya. Seu corpo parecia-se exatamente ao interior, embora mais jovem e mais radiante. Meu divino guru me disse:

“- Keshabananda, sou eu mesmo. Com os átomos que se desintegraram de meu corpo cremado, remodelei minha forma, ressuscitei. Minha tarefa como chefe de família no mundo terminou; mas não deixo a Terra inteiramente.

Doravante, passarei uma temporada com Bábají no Himalaia e outra com Bábají no cosmo.

“Abençoando-me com algumas palavras, o transcendente mestre desapareceu. Uma inspiração maravilhosa saturou-me o coração; fui elevado em Espírito, à semelhança dos discípulos de Cristo e de Kabir, que contemplaram seus gurus redivivos após a morte física.

“Quando regressei a meu eremitério isolado, em Hardwar - prosseguiu Kesbabananda -levei comigo uma parcela das cinzas sagradas de meu guru. Sabia que ele escapara à prisão do espaço e do tempo; o pássaro da onipresença estava livre. Entretanto, era um consolo para meu coração guardar suas sagradas cinzas em meu santuário.”

Outro discípulo abençoado com a visão do ressuscitado guru foi o santo Panchanon Bhattachárya. Visitei-o em sua morada em Calcutá e ouvi com deleite a história de sua convivência de muitos anos com o mestre. Em remate, narrou-me o acontecimento mais maravilhoso de sua vida.

-Aqui em Calcutá -disse Pancharion -às dez horas da manhã seguinte à sua cremação, Láhiri Mahásaya apareceu diante de mim, gloriosamente vivo.

Swâmi Pranabananda, “o santo com dois corpos”, também me fez confidências detalhadas de sua sublime experiência. Durante sua visita à minha escola de Ranchi, Pranabananda contou-me:

-Alguns dias antes de Lábiri Mahásaya abandonar o corpo, recebi dele uma carta solicitando minha ida imediata a Benares. Fui, porém, inevitavelmente retardado e não pude partir no mesmo instante, Exatamente quando me preparava para partir para Benares, cerca de dez horas da manhã, senti-me dominado por súbita alegria ao ver em meu quarto a figura resplandecente de meu guru.

“- Por que se apressa a ir em Benares? - disse Láhiri Mahásaya, sorrindo. - Não me encontrará mais ali.

“Quando compreendi o significado de suas palavras, chorei tristemente, acreditando que o contemplava apenas numa visão.

“O mestre aproximou-se de mim, confortadoramente: - Toque à minha carne - disse ele -estou vivo, como sempre. Não se lamente; não estou consigo por toda a eternidade?”

Dos lábios destes três, grandes discípulos emergiu uma história de maravilhosa verdade: um dia após a entrega às chamas do corpo de Lábiri Mabásaya, o mestre ressurrecto, em corpo real mas transfigurado, apareceu diante de três discípulos, em cidades diferentes, à mesma hora, dez da manhã.

“E quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, a este corpo mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: - Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó sepulcro, a tua vitória?

I Corínflos, 15:54-55 “Por que se julgaria uma coisa incrível entre vós, que Deus ressuscitasse os mortos?” (At~s, 26:8).