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sábado, 28 de janeiro de 2012

Olorum



"Divino Criador Olorum, não temos de Vós uma noção apurada ou exata. Sois muito mais do que podemos imaginar ou conceituar, mas pedimos licença para tecer algumas considerações sobre Vossa criação." Rubens Saraceni


"Olorum, nosso Deus, está muito acima de nossa compreensão. Ele é infinito em todos os sentidos e inefável, pois não pode ser expressado ou explicado por palavras. Dar um nome a Deus é limitá-lo, pois um nome, por si só, já é uma visão parcial. Aquele que transcende o entendimento comum está acima de adjetivos e nomenclaturas.

A unidade religiosa da Umbanda está em Olorum, o Divino Criador, Deus, princípio de tudo. A palavra Olorum é de origem yorubá, é uma contração de Olodumaré (Senhor Supremo do Destino). Olo significa senhor e Orum o além, o alto, o céu. Olorum é o Senhor do Céu, infinito em Si mesmo, onisciente, onipotente, onipresente, oniquerente e indivisível. Ele é em Si toda a criação e rege tudo no Universo. Deus é UM, sempre foi e sempre será, mas muitos são os nomes pelos quais Ele é conhecido. Os nomes usados por diferentes povos e religiões, referem-se simplesmente aos diversos caminhos por meio dos quais Deus manifesta a Si mesmo na criação, para cada povo com sua cultura específica.

Deus não tem um início; é princípio, meio e fim; é o Criador, o Gerador de tudo o que existe e está tanto na Sua criação como nas criaturas e nos seres que gera. Deus é vida, é o mistério que anima e fornece os meios ideais para que nos multipliquemos em nossos filhos, que também trazem em si a capacidade de se reproduzir, pois são gerados em um meio vivo. Olorum, Senhor Supremo do Destino, é infinito em tudo e também o é nas Suas Divindades, os Sagrados Orixás. Ele as gerou em Si e elas complementam-se umas às outras na sustentação da criação divina e na manutenção dos princípios que a regem, manifestando-se através dos sentidos da Fé, do Amor, do Conhecimento, da Justiça, da Lei, da Evolução e da Geração.

Os Orixás são mistérios individualizados do Divino Criador, são Divindades, Tronos Sagrados distribuídos por toda a Sua criação, são manifestações das qualidades divinas. Olorum é o todo e Suas divindades são as partes formadas por esse todo. Cada divindade atua num campo só seu e em momento algum elas se chocam. Adorar as divindades significa adorar as qualidades de Deus. A magnitude, a grandeza infinita de Olorum, nos agracia e contempla com Suas divindades, através das quais podemos perceber o quanto o Divino Criador é infinito em Si mesmo.

Portanto, a Umbanda não é politeísta e os orixás não são deuses. Eles são divindades de Deus, são irradiações divinas que amparam os seres até que evoluam, desenvolvendo seus dons naturais, para alcançar seus fins em Deus. Deus se manifesta e se irradia em todos os níveis onde vivem os seres e as criaturas, através do Setenário Sagrado, os sete sentidos da vida, pelos quais fluem as essências divinas (cristalina, mineral, vegetal, ígnea, aérea, telúrica e aquática) que chegam até nós pelas vibrações mentais, sonoras, energéticas e magnéticas.

Olorum nos gerou em Seu íntimo e nos exteriorizou como Seus filhos humanos, dotados com Sua programação genética humana, para que, através da nossa vivência, encontremos nossa forma pessoal de evolução e ascensão, pois só assim nos tornaremos em nós mesmos as Divindades humanas de Deus, o nosso Divino Criador.

Nós Vos louvamos e Vos agradecemos, Divino Criador Olorum!"

Texto do Babalawô Rubens Saraceni (in memorian) - Fonte: https://www.facebook.com/groups/155726677829761/260218694047225/

Rubens Saraceni (1951/2015) foi um médium, umbandista e escritor brasileiro. Fundador do Colégio Tradição de Magia Divina, colégio este que se destina a dar amparo aos magos iniciados nas magias abertas ao plano material e espiritual.

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

26 de Janeiro :: Deuses Lares



Que são os deuses Lares? Em Latim, lar significa "lareira", "lar", "casa". Seriam eles, assim, deuses domésticos, de casa, que protegem a habitação e a família. Sua origem está vinculada ao nascimento de Júpiter.

Segundo Hyginus, quando Júpiter nasceu, Juno pediu a Opis (Rhea) que lhe desse o bebê sob sua guarda uma vez que Saturno já havia confinado Orco ao Érebo e Netuno sob as águas do mar e prometera devorar o recém-nascido. 

Comovida, Opis deu-lho a ela que o escondeu em Creta, na gruta de Dicte. Amaltea tomou-lhe guarda e alimentou-o, já que Juno era apenas uma bela e formosa menina. 

Saturno, revoltado, saiu em perseguição ao filho por todo o mundo. Quando o Deus menino chorava, Amaltea chamava jovens que batiam com as espadas nos seus escudos de bronze, fazendo tanto barulho que Saturno não conseguia ouvi-lo. Ora bem, na Grécia esses jovens chamavam-se Curetes, em Roma, Lares.

Portanto, da mesma forma que os Lares protegeram a Júpiter, protegem também a nossas habitações e famílias.

Hyginus, Fabulae 139

Simpatia

No dia 26 de janeiro, dia de deuses Lares, você pode fazer uma simpatia muito simples aos espíritos guardiães da tradição romana, que protegem nossas casas, e dos quais se origina a palavra "lar". Escolha um cantinho da sua casa para ser a morada dos deuses Lares e acenda uma vela verde e um incenso de ervas, agradecendo a eles pela proteção e alegria que proporcionam.

Diga: "Espíritos Guardiães, eu os convido a participar desta cerimônia. Agradeço, por sua presença e proteção, e por aquecerem este lar com seu doce manto de alegria."

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A conversão de São Paulo




O martírio de São Paulo é celebrado junto com o de São Pedro, em 29 de junho, mas sua conversão tem tanta importância para a história da Igreja que merece uma data à parte. 

Neste dia, no ano 1554, deu-se também a fundação da que seria a maior cidade do Brasil, São Paulo, que ganhou seu nome em homenagem a tão importante acontecimento.

Saulo, seu nome original, nasceu no ano 10 na cidade de Tarso, na Cilícia, atual Turquia. À época era um pólo de desenvolvimento financeiro e comercial, um populoso centro de cultura e diversões mundanas, pouco comum nas províncias romanas do Oriente. 

Seu pai Eliasar era fariseu e judeu descendente da tribo de Benjamim, e, também, um homem forte, instruído, tecelão, comerciante e legionário do imperador Augusto. Pelo mérito de seus serviços recebeu o título de Cidadão Romano, que por tradição era legado aos filhos. Sua mãe uma dona de casa muito ocupada com a formação e educação do filho.

Portanto, Saulo era um cidadão romano, fariseu de linhagem nobre, bem situado financeiramente, religioso, inteligente, estudioso e culto. Aos quinze anos foi para Jerusalém dar continuidade aos estudos de latim, grego e hebraico, na conhecida Escola de Gamaliel, onde recebia séria educação religiosa fundamentada na doutrina dos fariseus, pois seus pais o queriam um grande Rabi, no futuro.

Parece que era mesmo esse o anseio daquele jovem baixo, magro, de nariz aquilino, feições morenas de olhos negros, vivos e expressivos. Saulo já nessa idade se destacava pela oratória fluente e cativante marcada pela voz forte e agradável, ganhando as atenções dos colegas e não passando despercebido ao exigente professor Gamaliel.

Saulo era totalmente contrário ao cristianismo, combatia-o ferozmente, por isso tinha muitos adversários. Foi com ele que Estêvão travou acirrado debate no templo judeu, chamado Sinédrio. Ele tanto clamou contra Estevão que este acabou apedrejado e morto, iniciando-se então uma incansável perseguição aos cristãos, com Saulo à frente com total apoio dos sacerdotes do Sinédrio.

Um dia, às portas da cidade de Damasco, uma luz, descrita nas Sagradas Escrituras como "mais forte e mais brilhante que a luz do Sol", desceu dos céus, assustando o cavalo e lançando ao chão Saulo , ao mesmo tempo em que ouviu a voz de Jesus pedindo para que parasse de persegui-Lo e aos seus e, ao contrário, se juntasse aos apóstolos que pregavam as revelações de Sua vinda à Terra. 


Os acompanhantes que também tudo ouviram, mas não viram quem falava, quando a luz desapareceu ajudaram Saulo a levantar pois não conseguia mais enxergar. Saulo foi levado pela mão até a cidade de Damasco, onde recebeu outra "visita" de Jesus que lhe disse que nessa cidade deveria ficar alguns dias pois receberia uma revelação importante. A experiência o transformou profundamente e ele permaneceu em Damasco por três dias sem enxergar, e à seu pedido também sem comer e sem beber.

Depois Saulo teve uma visão com Ananias, um velho e respeitado cristão da cidade, na qual ele o curava. Enquanto no mesmo instante Ananias tinha a mesma visão em sua casa. Compreendendo sua missão, o velho cristão foi ao seu encontro colocando as mãos sobre sua cabeça fez Saulo voltar a enxergar, curando-o. A conversão se deu no mesmo instante pois ele pediu para ser Batizado por Ananias. De Damasco saiu a pregar a palavra de Deus, já com o nome de Paulo, como lhe ordenara Jesus, tornando-se Seu grande apóstolo.

Sua conversão chamou a atenção de vários círculos de cidadãos importantes e Paulo passou a viajar pelo mundo, evangelizando e realizando centenas de conversões. Perseguido incansavelmente, foi preso várias vezes e sofreu muito, sendo martirizado no ano 67, em Roma. Suas relíquias se encontram na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, na Itália, festejada no dia de sua consagração em 18 de novembro.

O Senhor fez de Paulo seu grande apóstolo, o apóstolo dos gentios, isto é, o evangelizador dos pagãos. Ele escreveu 14 cartas, expondo a mensagem de Jesus, que se transformaram numa verdadeira "Teologia do Novo Testamento". Também é o patrono das Congregações Paulinas que continuam a sua obra de apóstolo, levando a mensagem do Cristianismo a todas as partes do mundo, através dos meios de comunicação.

Fonte: Site Paulinas ~ via  Blog do Pe. Isaías


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

2012 ~ The Year of the Dragon ~ 4710 ~ "long" 龍 ~ 恭喜發財




Kung Hei Fat Choi - Gong Xi Fa Cai - 恭喜發財

4710



domingo, 22 de janeiro de 2012

São Cipriano e Santa Justina



Para falar sobre a vida de São Cipriano, seu encontro com Santa Justina e Deus, antes cabe entendermos melhor o que é Santo:

Santo é algo sagrado ou canonizado. Canonizar é o processo por via do qual se inscreve alguém nos cânones da igreja, ou seja, no rol de santos reconhecidos pela Igreja Católica Apostólica Romana. Canonizar significa por isso “tornar santo”. Através da canonização, a igreja estabelece o culto público a uma pessoa já desencarnada e cujos feitos, ou o exemplo de vida, tenha se tornado motivo de inspiração à fé cristã. Para tornar uma pessoa santa a Igreja Católica promove um longo e complexo processo. Para santificação é necessária antes a beatificação.
A canonização de um beato é um assunto sério e um processo complexo dentro da Igreja, a ponto de só poder ser tratada pela Santa Sé em si, por uma comissão de altos membros e com a aprovação final do Papa. Canonização é a confirmação final da Santa Sé para que um Beato seja declarado Santo. Só o Papa tem a autoridade de conceder o estatuto de Santo. 
O Código de Direito Canônico da Igreja, no seu cânon 1186 estabelece: "Para fomentar a santificação do povo de Deus, a Igreja recomenda à veneração peculiar e filial dos fiéis a Bem-aventurada sempre Virgem Maria, Mãe de Deus, que Jesus Cristo constituiu Mãe de todos os homens, e promove o verdadeiro e autêntico culto dos outros Santos, com cujo exemplo os fiéis se edificam e de cuja intercessão se valem."; e, ainda no artigo 1187: "Só é lícito venerar com culto público os servos de Deus, que foram incluídos pela autoridade da Igreja no álbum dos Santos ou Beatos." ¹
São Cipriano foi canonizado pelo sacrifício que fez em nome da fé, tendo sido martirizado e pagado com a própria vida o preço pela inabalável fé em Deus, em Jesus Cristo e no Divino Espírito Santo.

Cipriano, o Bruxo que se tornou Santo

O nome verdadeiro de Cipriano era Tascius Caecilius Cyprianus, ele nasceu em 250 d.C. na Antioquia, região situada entre a Síria e Arábia; que na época era a terceira maior cidade do Império Romano. 

A região era na época conhecida pelos hábitos devassos e depravados da maioria de seus habitantes, costumes estes tão baixos que por inúmeras vezes chegaram a causar grande preocupação às administrações imperiais de Roma, governantes e, no então, proprietárias daquele território.

A cidade de Antioquia floresceu na margem esquerda do rio Orontes, na Turquia. Foi nesta mesma cidade que São Paulo pregou seu primeiro sermão, numa Sinagoga, nos tempos em que o cristianismo era apenas uma pequena facção religiosa; foi igualmente em Antioquia que os seguidores de Jesus foram chamados pela primeira vez de cristãos.

Esta metrópole da exercia grande fascínio no mundo antigo. Por sua beleza arquitetônica e riqueza artística era conhecida por "Antioquia, a bela", ou a "rainha do Oriente". Ali as belezas da arte romana e do luxo oriental se fundiam num cenário descrito nos livros de história como deslumbrante. A população de Antioquia era formada majoritariamente na origem romano/helênica, e o culto dos deuses originários desta tradição era a religião oficial.

Os cultos religiosos mais populares estavam associados as deusas do amor e da fertilidade, o que explica em parte a lascívia e libertinagem praticas livremente naquela cidade. Foi neste ambiente social, religioso e cultural que Cipriano nasceu. Filho de Édeso e Caledônia, descendeu de uma família próspera. Seus pais eram ricos e fiéis às divindades oficiais do antigo Império Romano, sendo assim Cipriano, ainda em sua infância, foi consagrado por seus pais ao serviço dos deuses. Com sete anos de idade, foi entregue aos magos para o estudo da magia e do ocultismo, tendo sido posteriormente, aos dez anos de idade, enviado à Grécia, como iniciado.

Cipriano entrou assim em contato com as ciências ocultas, e aprofundou-se com dedicação nos estudos da feitiçaria, rituais de sacrifício, evocação de espíritos, astrologia e adivinhação. Ele nutria verdadeira vocação e gosto por seus estudos místicos e religiosos. Assim, Cipriano dedicou boa parte de sua vida ao estudo e prática do ocultismo.

Cipriano acabou adquirindo o epíteto de ‘O Feiticeiro’ e alcançando grande fama. Seu nome foi reconhecido enquanto um poderoso feiticeiro, capaz de grandes prodígios.

Cipriano não se limitou aos estudos e sacerdócio na Antioquia, aprofundando-se nas ciências ocultas durante viagens de estudo que fez ao Egito e Grécia. Desta forma absorveu conhecimento com vários mestres e sacerdotes místicos da época, estudando desde as mais ancestrais técnicas astrológicas, passando por numerologia hebraica e profecias, até os rituais de magia do antigo Egito.

Por volta dos 30 anos de idade Cipriano esteve na Babilônia, onde encontrou a bruxa Évora. Estudando com ela, Cipriano desenvolveu notórias capacidades premonitórias, e outras matérias sobre a arte da bruxaria, segundo as tradições místicas dos Caldeus. Após o falecimento da Bruxa Évora, Cipriano herdou seus manuscritos esotéricos, dos quais acabou por extrair muito de sua sabedoria ocultista.

Passado algum tempo, Cipriano já dominava com maestria as artes das ciências ocultas e da magia negra, contatando espíritos das trevas e demônios. Diz a lenda que Cipriano se aprofundou tanto e com tal dedicação, nestes contatos com o além, ao espantoso ponto de tornar-se amigo intimo de Lúcifer e Satanás; para os quais conseguia - em troca de poder e favores - angariar a perdição de muitas belas e jovens mulheres, o que acabou por lhe trazer grandes poderes sobrenaturais.


"Acredite em mim", ele disse: "Eu vi o príncipe das trevas, pois propiciei-lhe por sacrifícios. Cumprimentei-o e falei com ele e os seus anciãos, ele gostava de mim, elogiou meu entendimento, e antes de todo mundo ele disse: 'Aqui está um novo Jambres, sempre pronto para a obediência e digno da comunhão com a gente!" E prometeu fazer de mim um príncipe depois da minha partida do corpo, e para o curso da vida terrena para me ajudar em tudo. E ele me deu uma legião de demônios para me servir. 

Por conseguinte, todos os seus príncipes estavam atentos para mim, vendo a honra que me demonstrou a mim. A aparência externa do príncipe das trevas foi como uma flor. Sua cabeça foi coroada por uma coroa - espiritual - feita de ouro e pedras preciosas, como um resultado do qual todo o espaço ao seu redor estava iluminado, e sua roupa era surpreendente.  Quando ele se voltava para um lado ou outro, todo lugar tremia, uma multidão de espíritos malignos de vários graus estava obedientemente em seu trono. Entreguei-me totalmente a seu serviço naquela época, obedecendo a seu comando todos os dias. “²


Mestre no domínio do poder infernal, Cipriano construiu uma carreira sólida na bruxaria, alcançando grande fama e produzindo feitos extraordinários, o que lhe rendeu a reputação de Grande Feiticeiro. Muitas pessoas de todos os quadrantes geográficos procuravam seus serviços místicos e os seus ganhos financeiros, com estas práticas, eram bastante significativos.

Cipriano foi autor de diversas obras e tratados místicos, e era já um feiticeiro respeitado, reputado e temido, quando foi contatado por um rapaz chamado Aglaide. O rapaz estava ardentemente apaixonado por uma belíssima donzela cristã chamada Justina. 

Sendo rico, Aglaide rapidamente conseguiu o consentimento dos pais de Justina para unir-se a ela em casamento. 

Entretanto a jovem donzela professava uma forte fé cristã e desejava manter sua pureza, oferecendo sua virgindade a Deus, por esse motivo Justina recusou-se a contrair matrimônio com Aglaide.

Desgostoso e contrariado, mas com forte determinação em possuir a donzela Justina, Aglaide encomendou os serviços de Cipriano. O Grande Feiticeiro usou toda extensão de sua bruxaria, para fazer Justina oferecer-se a Aglaide, cair em tentação carnal e renunciar a fé cristã. Cipriano fez uso de diversos trabalhos de magia, contudo nenhum deles surtiu qualquer efeito. Para espanto de Cipriano, toda gama de feitiços que usava era repelido pela jovem donzela, apenas através do sinal-da-cruz e orações.

Acostumado a fazer belas moças caírem em tentação carnal; levando-as a entrar pelos caminhos da luxúria e conquistando-as para si mesmo, ou fazendo-as se abrirem a quem lhe encomendava os serviços de feitiçaria, Cipriano não conseguia entender o que estava acontecendo. Ele encontrou muitas dificuldades, e noite após noite visitava a jovem Justina com a sua infernal quantidade de feitiços. Nada resultou.

Cipriano desiludiu-se então profundamente com as suas artes místicas, que até então tinham funcionado de maneira infalível. Viu todo seu conhecimento de magia e ciências ocultas, todo seu poder, ser derrotado por uma mera donzela com fé no Deus de Cristo. Foi então que, aconselhado por um amigo seu, de nome Eusébio, e observando o enorme poder sobrenatural da fé de Justine, Cipriano resolveu converter-se ao cristianismo. Assim feito, o Grande Feiticeiro destruir todas suas obras esotéricas e tratados de magia negra, bem como ofereceu e distribuiu todos seus bens materiais e riquezas entre os pobres.

Depois de converter-se, Cipriano foi fortemente atormentado pelos espíritos de bruxas e demônios que o perseguiam, mas ele não vacilou, foi forte e manteve sua fé, afastando de si estas aparições malignas que pretendiam fazer com que ele retornasse aos caminhos do maligno. A fama de Cipriano era, contudo, grande e as noticias da sua conversão ao cristianismo chegaram até a corte do Imperador Diocleciano que no então tinha fixado residência na Nicomédia. A notícia despertou a ira do imperador Diocleciano, implacável perseguidor do povo cristão.
São Cipriano e Santa Justina foram então perseguidos pelos romanos, tendo sido aprisionados e lavados à presença do tirano imperador, diante do qual foram forçados a negar sua fé. 

Ao negarem renunciar a fé em Jesus Cristo, Justina foi despida e chicoteada, enquanto Cipriano era martirizado cruelmente com um chicote de pentes de ferro. 

Mesmo assim, a cada açoite do chicote com dentes de ferro, e tendo a carne arrancada do corpo, Cipriano não renegou a sua recém adquirida fé, e Justina manteve-se sofredoramente fiel a Deus.

Mesmo sob tortura, Cipriano e Justina negaram-se a renunciar a fé em Cristo, então o imperador ordenou que fossem executados. Cipriano e Justina acabaram por ser decapitados, em 26 de Setembro de 304 d.C., juntamente com outro mártir católico, de nome Teotiso. Aceitaram a sua execução com grande fé e serenidade, tendo desencarnado com coragem e dignidade. Seus corpos nem sequer foram sepultados, ficaram expostos por seis dias, até que um grupo de cristãos, comovidos pela barbárie, acabou recolhendo-os.

Constantino

Mais tarde, o Imperador, cristão, Constantino, primeiro Imperador Romano a confirmar o cristianismo como religião oficial, ouviu falar de Cipriano. Diz a lenda que na noite antes de uma batalha decisiva, as portas de Roma - a Batalha da Ponte Mílvia, que aconteceu em 28 de outubro de 312 d.C -, o imperador sonhou com uma cruz e ouviu uma voz que lhe disse: “sob este símbolo vencerás”.

Constantino interpretou o sonho como uma mensagem divina, e, de fato, venceu a batalha, conquistando assim o mais alto cargo de poder do império romano e governando-o até morrer.

A tradição sustenta que, ao anoitecer de 27 de outubro, quando os exércitos se preparavam para a batalha, Constantino teve uma visão quando olhava para o sol que se punha. As letras gregas XP (Chi-Rho, as primeiras duas letras de Χριστός, "Cristo") entrelaçadas com uma cruz apareceram-lhe enfeitando o sol, juntamente com a inscrição "In Hoc Signo Vinces" — latim para "Sob este signo vencerás".


Constantino, que era pagão na altura (apesar de que provavelmente sua mãe fosse cristã), colocou o símbolo nos escudos dos seus soldados. De fato, existem duas narrativas mais ou menos contemporâneas do episódio: Segundo o historiador Lactâncio, Constantino teria recebido num sonho a ordem de inscrever "o sinal celeste nos escudos dos seus soldados" - o que teria feito ordenando que fosse neles traçado um "estaurograma", uma cruz latina com sua extremidade superior arredondada em "P". 
Segundo Eusébio de Cesaréia, o próprio Constantino teria lhe dito que, numa data incerta - e não necessariamente na véspera da batalha - teria tido, ao olhar para o sol, uma visão de uma cruz luminosa sobre a qual estaria escrito, em grego, "Εν Τουτω Νικα", ou, em latim, in hoc signo vinces - "com este sinal vencerás", e que, na noite seguinte, Cristo lhe teria explicado em sonho que esta frase deveria ser usada contra seus inimigos.
Cristograma de Constantino
No dia seguinte, os dois exércitos confrontaram-se e Constantino saiu vitorioso. 
Já conhecido como um general hábil, Constantino começou a empurrar o exército de Maxêncio de volta ao rio Tibre e Maxêncio decidiu recuar, para defender-se mais próximo de Roma. Mas só havia uma escapatória, pela ponte, e os homens de Constantino infligiram grandes perdas no exército em fuga. 
Finalmente, uma ponte de barcas colocada ao lado da ponte Mílvio, pela qual muitas das tropas escapavam, sofreu o colapso, tendo os homens que ficaram na margem norte do rio Tibre sido mortos, ou feitos prisioneiros, com Maxêncio entre os mortos. 
Constantino entrou em Roma pouco depois, onde foi aclamado como o único Augusto ocidental. Ele teve creditada a vitória na ponte Mílvia à "Divindade" - ou a "uma Divindade" (na formulação deliberadamente ambígua escolhida pelo Senado, simpatizante do paganismo, para ser colocada no seu arco do triunfo), e ordenou o fim de todas as perseguições aos cristãos nos seus domínios, um passo que ele já tinha tomado na Britânia,na Gália e Hispânia em 306. Com o imperador como patrono, o Cristianismo, que já era muito difundido no império, explodiu em conversões e poder. ³
Foi Constantino que convocou o concilio de Nicéia, onde se fixou a data da Páscoa cristã, assim como fora editada a bíblia original, adaptando-a aos interesses de dominação da Igreja Católica, agora religião oficial do Império Romano. Foi também Constantino que através do Édito de Constantino, fixou o domingo como dia de descanso cristão, o correspondente ao Sabbath judaico, arrebanhando, desta forma, um maior número de fiéis.

Constantino ordenou que os restos mortais de Cipriano fossem sepultados na Basílica de São João Latrão, localizada na praça com o mesmo nome em Roma, que é a catedral do Bispo de Roma, ou seja: o papa. A basílica de São João de Latrão, (Archibasilica Sanctissimi Salvatoris), é a “mãe” de todas as igrejas, aquela na qual o Santo Padre exerce o seu mais alto oficio divino. A Basílica de São João de Latrão encontra-se localizada na praça de mesmo nome em Roma e é a Catedral do Bispo de Roma: o Papa. O seu nome oficial é Arquibasílica do Santíssimo Salvador, e é considerada a "mãe” de todas as igrejas do mundo. Foi na Omnium Urbis et Orbis Ecclesiarum Mater et Caput, (mãe e cabeça de todas as igrejas do mundo), que São Cipriano, o santo e mártir, encontrou o seu eterno repouso.

Existiram outras figuras como Cipriano ao longo da história


Maria Madalena amava profundamente a luxúria e era prostituta, uma mulher totalmente entregue ao prazer da carne, da vaidade e da luxúria, e que mais tarde viria a ser Santa; Paulo perseguia a matava homens e mulheres inocentes apenas por serem cristãos. 

Era um sanguinário predador de homens, um assassino que assistiu á morte de São Estevão, (o primeiro mártir), e que perseguiu e matou cristãos na estrada que conduzia a Damasco, e que depois ascendeu a Santo; Maria Egípcia, viveu na Alexandria, (Egito), onde se tornou prostituta. 

Não vendia o corpo pensando em dinheiro, mas apenas pelo vício do prazer. A quem lhe queria pagar, ela recusava o dinheiro e dizia que se prostituía apenas para ter quantos homens fosse possível, fazendo de graça o que lhe dava prazer. Também ela se tornou Santa Maria do Egito, a ermitã.



Conclusão

Todo percurso de São Cipriano é um verdadeiro hino á vida no esplendor da sua existência: do ‘Diabo’ a Deus, dos anjos aos ‘demônios’, da feitiçaria é fé crista, da ‘magia negra’ à ‘magia branca’, em tudo São Cipriano mergulhou, estudou e viveu. Do pecado á virtude, da luxúria á santidade, da riqueza á pobreza, do poder ao martírio, se alguém é digno de um percurso existencial completo, rico e enriquecedor, eis que este santo assim o representa. 

Uma vida vitoriosa que, ao encontra Santa Justina, viu a fé como simples e simplificando sua própria vida libertou-se dos laços infernais. A vida em Cristo é transparente, não tem interesse avaro, ganacioso, desumano ou qualquer ação que possa prejudicar o próprio autor, pois a lei do retorno é imutável. Aqui se faz, aqui se paga, ou, aqui se planta, aqui se colhe.

Em São Cipriano, é controversa e polêmica a própria noção de evolução espiritual através da profunda vivência das mais diversas realidades espirituais - do mais profano excesso, á mais sacrificada ascese -, encontra corpo na vida e obra deste feiticeiro e mártir.

São Cipriano
A história está repleta de santos que foram pecadores, e grandes pecadores que se tornaram santos. São Cipriano é também um desses exemplos da natureza humana em toda a sua complexa extensão: de ‘pecador’ dedicado á feitiçaria; conquistando pela bruxaria belas mulheres para as entregar ás mãos do perdição, insanidade e luxúria, chegou a santo na mais devota assunção do termo. Muito mais que apenas um feiticeiro, ou apenas um santo: é um símbolo da mais íntima natureza humana, na sua ampla dualidade.

O dia de São Cipriano é celebrado em 2 de Outubro, sendo que na última noite deste mesmo mês, em 31 Outubro, é celebrado o dia dos mortos, ou o dia das bruxas. O mês 9 de todos os anos, é um mês de profunda tradição na bruxaria.

Poderosa Oração a São Cipriano e Santa Justina

Ó Deus Onipotente e Eterno que por meio de vossa serva Justina, com quem vou perder a vida temporal para alcançar a eterna, eu vos peço humildemente perdão de todos os malefícios que cometei durante o tempo que meu espírito esteve preocupado com o dragão infernal; em pagamento do sacrifício de minha vida, suplico-vos que minhas preces sejam ouvidas a favor de todos aqueles que de bom coração vos suplicarem a saúde de seu corpo e alma, recordando–vos, Senhor, que com uma só palavra tirastes o maligno espírito daquele santo varão de que nos fala a Escritura, que ressuscitastes Lázaro, morto há três dias, que devolvestes a vista ao santo Tobias, cego por instigação de Satanás, que sois o soberano Dominador de vivos e mortos.

Compadecei-vos, Senhor, de todos aqueles que sabeis serem vossos por sua fé, esperança e boas obras, e vos suplico que aqueles que estejam ligados com feitiços, bruxarias ou possuídos do espírito maligno, os desateis para que possam, com toda liberdade, vos servir com tantas e boas obras e que os desenfeiticei para que possam usar de seu arbítrio em vosso serviço; que os desembruxeis para que o lobo raivoso não possa dize que tem domínio sobre alguma ovelha de vosso rebanho, comparada a custo de vosso preciosismo sangue derramado no monte do Gólgota.

Livrai-nos, Senhor Todo-Poderoso, do anjo rebelde, para que, já livres do inimigo comum, vos louvemos, bendigamos, adoremos, exaltemos, santifiquemos e confessemos a Vós, ao Pai e ao Espírito Santo, com todo o coro de Anjos, Patriarcas, Profetas, Santos, Santas, Virgens, Mártires, Confessores de vossa Santa Glória.

E vos suplico, Senhor, que em nome de Santa Justina preserveis ao vosso servidor... (citar o nome da pessoa) de todos os malefícios, perfídias, enganos e ardis de Lúcifer e de perseguir Vosso Santo Nome, que para sempre louvado seja. 

Preservai a vista, o pensamento, as obras, os filhos, os bens, animais, semeaduras, árvores, comestíveis e bebidas, não permitindo que vosso servidor... (citar o nome da pessoa) sofra qualquer investida do demônio, antes, iluminai-o, dando-lhe a vista conveniente para ver e observar vossas maravilhas na obra da Natureza; retificai meu entendimento para que possa contemplar vossos favores e dirigir os negócios a um bom fim; desatai minha língua para cantar os louvores de vossa bondade, dizendo: louvado seja Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, três pessoas em um só Deus, que tudo criou do nada; se tenho preguiça nas ações, dignais-vos fazer que a preguiça de mim fuja para poder me empregar em ações de vosso agrado; se má direção há nos bens, filhos e demais dependentes deste vosso servidor... (citar o nome da pessoa), suplico-vos, Senhor, a troqueis em boa, para empregá-la em todo vosso santo serviço; e finalmente, aceitai, ouvi e conceda-me o que eu vos vou pedir em paga do sacrifício que fizeram de suas vidas vossos mártires Cipriano e Justina, com as seguintes preces:

São Cipriano e Santa Justina
Senhor, apiedai-vos de mim.
Jesus Cristo, apiedai-vos de mim.
Senhor, ouvi-me.

Deus Pai que estais no céu,
Deus Filho, redentor do mundo,
Deus Espírito Santo, apiedai-vos de mim.
Santa Trindade, apiedai-vos de mim.
Todos os Santos Apóstolos, Evangelistas e Discípulos do Senhor, rogai por mim.

De todo mal, livrai-me, Senhor.
De todo pecado, livrai-me Senhor.
De vossa ira, livrai-me Senhor.
De morte repentina, livrai-me Senhor.
Dos laços do demônio, livrai-me Senhor.
Da ira, ódio e má vontade, livrai-me Senhor.
De terremotos, livrai-me Senhor.

Anjos do céu, ouvi-me.
Prestai-me vossa ajuda.
Sem vós, meu coração perde toda a sua força.
Fiquem cheios de confusão os que tentam contra a minha vida espiritual.
Eia, eia! – vão eles gritando. Logo cairás em nossos laços, seguiremos os teus passos e neles acabarás caindo.

Mas os que amais Senhor, e vos honram dia e noite, por isso que invocam o seu Libertador.
Deus clemente, vós conheceis minha miséria, minha pobreza e minha fraqueza; não me negueis vosso auxílio.

Sede, Senhor, meu defensor na perseguição de meus inimigos.
Fugi, amigos de minha desgraça; em meu Deus encontrei graças; fugi.
Que estes inimigos sejam confundidos e afastados, Senhor.
Que venham trovões e tempestades de má influência, para que se afastem de minha presença.
Sejam inúteis, Senhor, os passos de meus inimigos.
Livrai-me de suas emboscadas, Senhor.

Concedei-me essa graça, Senhor.
Salvai, Senhor, vosso servo; eu vos suplico por vosso amor.
Senhor, ouvi minha súplica; e que o grito de meu coração cheguei até vós meu Deus.


sábado, 21 de janeiro de 2012

Números



 1  O número “um” de natureza solar indica o “ponto não-manifestado”. Dele derivam todos os outros números, e, quanto mais nos afastamos do número “um”, mais mergulhamos na matéria densa, no mundo químico e fenomenal; mais nos afastamos do Espírito ou Energia Primordial representada pelo número “um”. 

Em numerologia astrológica, o número “um” é o princípio de tudo e está relacionado com a Luz e com o Sol

 2  O número “dois”, projeção do número “dois” e de ordem lunar, indica conflito resultante do reflexo do número “um” no plano da forma; da fusão do número “um” com o seu reflexo ou contrapartida que é o número “dois”

 3  Do número dois surge a manifestação representada pelo número “três”, de natureza jupteriana (reflexo antípoda Mercúrio). Até aqui a Trindade em seu aspecto divino

 4  O número “quatro” é o símbolo do quaternário ou da Terra, representado pelo cubo, pelo quadrado ou pela cruz. É a matéria e a forma

 5  O número “cinco” é o símbolo do homem, o pentagrama geométrico representando o homem em pé, de braços e pernas abertos, formando o pentagrama, símbolo do homem perfeito

 6  O número “seis”, símbolo do equilíbrio representado pela união dos contrários, ou seja, dos dois triângulos, de fogo, vértice apontando para cima, e o de água, vértice para baixo

 7  O número “sete” representa a união do triângulo que é a Trindade com o quadrado que representa a matéria

 8  O número “oito” é o símbolo do infinito (oito deitado), está relacionado com as serpentes entrelaçadas do Caduceu de Mercúrio, símbolo da Ressurreição e da Eternidade

 9  o número “nove” é o retorno à unidade, representado pela união dos três triângulos

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Oração a São Sebastião pelo Rio de Janeiro




✞ Viva São Sebastião! Rogai Por Nós! ✞
São Sebastião é um santo muito popular e padroeiro do município do Rio de Janeiro, dando seu nome à cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Reza a lenda que, na batalha final que expulsou os franceses que ocupavam o Rio, São Sebastião foi visto de espada na mão entre os portugueses, mamelucos e índios, lutando contra os franceses calvinistas.

Além disso, o dia da batalha coincidiu com o dia do santo, celebrado em 20 de janeiro. São Sebastião é o protetor da Humanidade contra a fome, a peste e a guerra.

Oração

"São Sebastião, que a vós temos profundo amor e veneração, exaltamos a Deus por ter-Vos levado a tamanho grau de santidade.

Padroeiro dos que sofrem epidemias, pedimo-vos nestes momentos por quais passam o nosso mundo, com promessas de guerras nucleares, vossa intervenção.

São Sebastião, vós que fostes eleito como padroeiro do Rio de janeiro, intercedei junto a Deus pelos seus habitantes para que corrijam os maus costumes, principalmente da moralidade, fazendo-os crescer em virtudes e santidade.

Por Cristo, Nosso Senhor.

E assim é!"
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Leia também: São Sebastião e seu sincretismo com Oxoce, Orixá das Matas

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Santo Antão do Deserto :: 17 de Janeiro

"Não mais temo a Deus, mas O amo."
Santo Antão, O Grande
Festa, 17 de janeir
o
Santo Antão do Deserto, também conhecido como Santo Antão do Egito; Santo Antão, o Grande; Santo Antão, o Eremita; Santo Antão, o Anacoreta; Santo Antônio, O Grande* ou ainda O Pai de Todos os Monges, é comummente considerado como o fundador do monaquismo cristão.

O fundador do monaquismo cristão nasceu em 251, na Tebaida, no Alto Egipto, e faleceu em 356, com 105 anos de idade. Os que adoptaram o seu modo de vida chamam-se eremitas ou anacoretas.

Seus pais eram cristãos abastados da nobreza. Quando menino viveu com os pais, conhecendo apenas a família e a casa; não quis ir à escola, desejando evitar a companhia dos outros meninos; seu único desejo era levar uma simples vida no lar.

Depois da morte dos pais ficou sozinho com a irmã, muito mais nova. Tinha então uns 18 a 20, e cuidou da casa e da irmã. Menos de 6 meses depois da morte dos pais, ia, como de costume, a caminho da igreja. Enquanto caminhava, ia meditando e refletia como os apóstolos deixaram tudo, e seguiram o Salvador; como os fiéis vendiam o que tinham e o punham aos pés dos Apóstolos para distribuição entre os necessitados.

Pensando estas coisas, entrou na igreja. Aconteceu que nesse momento se estava lendo o evangelho, e ouviu a passagem em que o Senhor disse ao jovem rico:

"Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres, depois vem, segue-me e terás um tesouro no céu

Como se Deus lhe houvera proposto a lembrança dos santos, e como se a leitura houvesse sido dirigida especialmente a ele, Antão saiu imediatamente da igreja e deu a propriedade que tinha de seus antepassados: trezentas "aruras", terra muito fértil e formosa. Não quis que nem ele nem sua irmã tivessem algo que ver com ela. Vendeu tudo o mais, os bens móveis que possuía, e entregou aos pobres a considerável soma recebida, deixando só um pouco para a irmã.

De novo, porém, entrando na igreja, ouviu aquela palavra do Senhor no evangelho:

"Não se preocupem com o amanhã"

Não pôde suportar maior espera, mas foi e distribuiu aos pobres também este pouco. Colocou a irmã entre virgens conhecidas e de confiança, entregando-a para que a educassem. Então ele dedicou todo seu tempo à vida ascética.¹

* Uma vez que o seu nome latino é Antonius, em traduções displicentes de obras onde o seu nome figura para a língua portuguesa, o nome do santo tem sido vertido como António do Deserto, do Egipto, o Grande, ... (nome que, de resto, mantém nas demais línguas europeias), mas que tem suscitado confusões, pela homonímia, com o Santo Antônio (um dos mais populares santos brasileiros). Trata-se, pois, de dois santos distintos e, para melhor diferenciá-los, é preferível (ao menos em países de língua portuguesa) optar pelo nome - de resto já consagrado pela tradição vernácula -, de Santo Antão.²

Padres do Deserto

O termo, Padres do Deserto inclui um grupo influente de eremitas e cenobitas do século IV que se estabeleceram no deserto egípcio. As origens do monaquismo oriental se encontram nessas ermidas primitivas e comunidades religiosas.

Paulo de Tebas é o primeiro eremita do qual se tem notícia, a estabelecer a tradição do ascetismo e contemplação monástica e Pacômio de Tebaida é considerado o fundador do cenobitismo, do monasticismo primitivo.

Ao final do terceiro século, contudo, o venerado Antão do Egito orienta colônias de eremitas na região central. Logo, ele se torna o protótipo do recluso e do herói religioso para a Igreja oriental - uma fama devida em grande parte à vasta louvação na biografia de Atanásio sobre ele.

Esses primitivos monásticos atrairam um grande número de seguidores aos seus retiros austeros, através da influência de sua simples, individualista, severa e concentrada busca pela salvação e união com Deus. Os Padres do Deserto eram frequentemente solicitados para direção espiritual e conselho aos seus discípulos. Suas respostas foram gravadas e colecionadas num trabalho chamado "Paraíso" ou "Apotégmas dos Padres".³

Oração

Ó Deus, que permitistes que, mesmo na solidão de uma gruta, no deserto, o demônio perturbasse Santo Antão com violentas tentações, mas lhe destes força de vencê-las, enviai-me, do céu, o vosso socorro, porque eu vivo num ambiente minado de tentações que me agridem, pelo rádio, televisão, internet, novelas, bailes, cinemas, revistas, propagandas e maus companheiros.

Santo Antão, ficai sempre ao meu lado; vós que vencestes o demônio, na aparência de um bicho imundo, me dareis força na tentação. Na hora da tentação, socorrei-me Santo Antão.

E assim é!

Ritual

Todos os anos, nas vésperas de Santo Antão (17/01), a pequena aldeia espanhola de São Bartolomeu de Pinares, perto de Ávila, (Espanha) é iluminada pelo fogo "purificador" de duas dezenas de grandes fogueiras. Na noite do domingo passado, como sempre, os cavalos, as éguas, os burros e as burras, de toda a região central da meseta castelhana foram até São Bartolomeu de Pinares, levados pelos respectivos donos, a fim de cumprirem o ritual - por vezes assustador - de saltar as fogueiras acesas em honra do patrono dos animais.


Fonte/Referências:

Participe! Vamos dizer um MEGA NÃO ao SOPA!


SOPA, Protect IP e e-parasites são projetos de lei que estão tramitando no congresso Americano. SOPA significa “Stop Online Piracy Act”, e estabelece o uso no território Americano de um mecanismo de censura sobre a Internet semelhante ao utilizado em países como a China, Irã e Síria, com a desculpa de coibir a pirataria online, ou seja, pretendem combater práticas sociais que historicamente utilizamos para ter acesso alternativo à qualquer obra cultural: trocar, compartilhar, emprestar… tal qual sempre ocorreu nas Bibliotecas.

O SOPA não afetará apenas os Estados Unidos, pois o país alem de concentrar a maior parte da infra-estrutura da rede, concentra quase todos os serviços e sites que utilizamos diariamente, e que podem ser afetados tais como Youtube, Facebook, WordPress, Google, Gmail, Twiiter, e muitos outros. Temos de lembrar também que muitos sites são hospedados nos EUA, mesmo sem ter TLD americano e outros fora dos EUA com TLD americano como (.com, .net, .org) em ambos os casos o site estará debaixo da legislação Americana.

SOPA também prevê instrumentos para bloquear os serviços de publicidade e pagamento online sob a jurisdição dos EUA, impactando qualquer site no mundo, apenas com base em uma denuncia de suspeita,e sem ordem judicial.

Os problemas não acabam por ai, o SOPA afetará profundamente a liberdade de expressão na Internet, todos os sites se verão obrigados a aplicar mecanismos de auto-censura, e filtrar toda atividade online de seus usuários para evitar serem bloqueados.

O que diz a lei (SOPA)

Quando um site for denunciado, todos os demais sites que tenham “relacionamento” com ele e não queiram sofrer as conseqüências legais terão cinco dias para:

  • ISP: Deverão bloquear os seus DNS (impedindo o acesso ao domínio)
  • Serviço de hospedagem: Deverão bloquear o acesso ao site
  • Publicidade: Deverão bloquear a publicidade
  • Serviços de pagamento: Deverão congelar os fundo
  • LInks : Deverão ser removidos links ao site

Efeitos colaterais

Muitas tecnologias (como a rede anônima “TOR”, os DNS alternativos, as redes P2P e os proxys VPN) que permitem a navegação e/ou distribuição de informações anônimas e sem censura, e que são fundamentais para muitos ativistas e organizações políticas em todo o mundo, basicamente se verão ilegais de um dia para outro.

Os provedores de Internet, email, blogs gratuitos, mensageiros instantâneos e redes sociais serão forçados a espionar todo conteúdo publicado por seus usuários em busca de material não autorizado e eventualmente bloqueá-los.

Todas as tecnologias inovadoras nasceram de alguma forma da “pirataria”: O Cinema x as patentes, a indústria fotográfica x seus interpretes, o radio x a industria fonográficas, o vídeo cassete x cinema, a TV a cabo x TV aberta. Todas operaram em áreas de incerteza jurídica, até as leis se adaptaram ao novo, sem tentar muda-lo. Um marco legal restritivo e antiquado como o que se quer impor agora sufocaria muitas das novas ideias e sem duvida sufocará as próximas grandes ideias.

As comunidades online, em especial as comunidades colaborativas que são o fenômeno da Internet que afetam mais profundamente a nossa sociedade, ou seja, desde a esfera cultural, política, social até a econômica. O bloqueio de sites e tecnologias a serviço destas comunidades irá em muitos casos impedida-las de continuar existindo.

O Brasil e o SOPA

No Brasil estamos ha anos lutando contra o o AI5Digital (PL 84/99) e a favor do Marco Civil da Internet (PL 2126), tem sido uma luta incansável. Todo este esforço pode ser perdido com a aprovação do SOPA, pois junto com a lei Sinde na Espanha e Hadopi na França, ele pode ser um terrível instrumento de pressão para que o Brasil e demais países adotem legislações semelhantes. É importante lembrar que a Lei Sinde que aparentemente havia sido brecada por ativistas Espanhois, foi aprovada logo no inicio do novo mandato sob grande pressão Americana, e que o AI5Digital, que fora congelado em 2008 voltou a tona no inicio deste ano com grande pressão para aprovação. Não podemos descansar nenhum minuto!

Este texto é uma tradução livre e adaptada do Infográfico disponível no site Direito de ler, saiba mais lendo a entrevista com o Sérgio Amadeu.


SOPA Blackout Brasil

No dia 18/01/12 diversos sites, blogs e coletivos irão aderir ao #SOPABlackoutBR da forma que for possível. O ideal é que o site fique fora do ar por 12h (de 8h as 20h), para que as pessoas sintam realmente como seria terrível deixar de ter acesso ao site caso ele seja bloqueado pelo SOPA. O período de tempo e o fato de ficar totalmente fora do ar fica a critério de cada um.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Felicitas, deusa romana da sorte e da fortuna



Felicitas e seus 7 filhos,
p/ Hartmann Schedel (1440-1514)
Na mitologia romana, Felicitas (que significa "boa sorte" ou "fortuna") era a deusa ou personificação de boa sorte e sucesso. Ela desempenhou um papel importante na religião de Roma, durante o império, e era frequentemente retratada em moedas. Ela se tornou um símbolo importante da riqueza e prosperidade do império romano.

Felicitas era desconhecida antes de meados do século II a.C., quando um templo foi dedicado a ela no Velabrum, no Campo de Marte, por Lucius Licinius Lucullus, usando o saque de sua campanha na Espanha (151-150 a.C.). O templo foi destruído por um incêndio durante o reinado de Claudius e nunca foi reconstruído.

Outro templo, dedicado a deusa Felicitas, foi planejado por Júlio César e erguido por Marcus Emílio Lépido, na Cúria Hostília, em Roma, após sua morte. O templo havia sido restaurado por Lucius Cornelius Sulla, mas demolido por César em 44 a.C. Este templo já não existia na época de Adriano, e sua localização, provavelmente, está sob a igreja de Igreja de Santi Luca e Martina.

A palavra felicitas "sorte", é também a origem da palavra e do nome "felicidade", feliz, afortunado.¹ Em um sentido  mais amplo seria a ausência de todo o mal, e vivência plena do bem. Em geral, "felicitas" seria  um estado humano de satisfação devido à própria situação do mundo, relacionando-se a este  significado assuntos profissionais, financeiros, familiares, sociais, de saúde, entre outros. 


Por essa relação com a situação, a noção de felicidade "felicitas" se difere do significado de  "beatitude", outra palavra também originária do latim, que seria o ideal da felicidade  independente da relação do homem com o mundo e, por isso, limitada à esfera contemplativa,  divina, religiosa ou espiritual. Assim o arquétipo da deusa Felicitas está diretamente ligado ao estado de felicidade humana.

Moeda Romana (Valeriano)
com a Efígie de Felicitas
Um dos pontos mais importantes que dominava os debates de Sócrates (470-399 a.C.), bem  como o desenvolvimento das filosofias de Platão (427-347 a.C.) e Aristóteles (384-322 a.C.),  ainda na antiga Grécia, foi o questionamento de "como viver bem?" ou, em outras palavras, a  busca de respostas para a questão "como ser feliz?". 

Desde os primórdios da filosofia  ocidental até a atualidade tais questões estão intrinsecamente presentes na vida cotidiana de  todos os indivíduos e de todas as sociedades e, por esta fundamental razão, é a característica  ou vocação comum que une toda a humanidade. Alma Felicitas!² Lembre-se sempre que a verdadeira felicidade parte de dentro para fora, ela só pode ser achada dentro de cada um de nós. Por mais que se busque a felicidade na matéria, a felicidade não é material, é um estado de espírito.

A felicidade está muitas vezes bem mais próxima de nós do que imaginamos! Diga em voz alta três vezes: "Chamo até mim a grandiosa Felicitas, Deusa da felicidade! Estenda suas bençãos sobre este lar e sobre aqueles que aqui moram. Gratidão!"

Diz a tradição que para atrair os favores e simpatia da deusa Felicitas para dentro de seu lar, pode-se acender uma vela azul próxima a janela, evocando a felicidade. Se dinheiro não traz a felicidade, a felicidade pode trazer dinheiro. Lembre-se sempre que a verdadeira felicidade parte de dentro para fora, ela só pode ser achada dentro de cada um de nós. Por mais que se busque a felicidade na matéria, a felicidade não é material, é um estado de espírito.

Fonte/Referências: 
1- Tradução livre de: http://en.wikipedia.org/wiki/Felicitas
2- Felicitas | Descrição: http://www.felicitas.com.br/felicitas_descricao.html