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quinta-feira, 21 de maio de 2026

O chá e o silêncio do espírito: a bebida mística que atravessa séculos

Celebrado em 21 de maio, o International Tea Day relembra a ligação ancestral entre o chá, a meditação, o despertar espiritual e os antigos rituais contemplativos do Oriente

 
Celebrado em 21 de maio, o International Tea Day relembra a ligação ancestral entre o chá, a meditação, o despertar espiritual e os antigos rituais contemplativos do Oriente. O chá e o silêncio do espírito: a bebida mística que atravessa séculos. Na imagem Buddha entre folhas de chá.

Há bebidas que apenas acompanham a rotina. Outras parecem carregar memória, simbolismo e presença. O chá pertence a essa segunda categoria.

Celebrado mundialmente em 21 de maio, o International Tea Day foi oficializado pela ONU em 2019 para reconhecer a importância cultural, histórica e econômica do chá em diferentes partes do planeta. Mas muito antes disso, a bebida já ocupava um espaço quase sagrado em tradições espirituais orientais.

No Budismo, especialmente nas escolas zen da China e do Japão, o chá passou a ser associado à contemplação silenciosa, à atenção plena e à permanência no momento presente. Monges utilizavam a bebida durante longos períodos de meditação para manter a mente desperta e o corpo em equilíbrio.

Aos poucos, o preparo do chá deixou de ser apenas um hábito cotidiano. Tornou-se ritual. Os movimentos lentos, o vapor subindo da xícara, o som da água quente e o silêncio compartilhado passaram a representar algo maior: uma pausa consciente dentro do caos do mundo.

“O chá acabou se transformando em uma linguagem universal da pausa.”

Existe também uma antiga lenda ligada ao mestre Bodhidharma, considerado fundador do Zen Budismo. Conta-se que ele teria adormecido durante uma meditação profunda. Frustrado, arrancou as próprias pálpebras para nunca mais dormir — e do local onde elas caíram teria nascido a primeira planta de chá.

A narrativa é simbólica, mas poderosa: o chá como instrumento de vigília espiritual e despertar da consciência.

Embora não existam registros históricos que comprovem que Siddhartha Gautama, o Buda, tivesse o chá como bebida favorita, tradições budistas posteriores associaram naturalmente a infusão ao estado de clareza mental, serenidade e equilíbrio interior.

Em outras culturas, o chá também ganhou contornos místicos. Na Europa e no Oriente Médio, surgiram práticas como a tasseografia — a leitura das folhas de chá como forma simbólica de interpretação espiritual e intuitiva.

Talvez por isso o chá atravesse tantas tradições diferentes sem perder sua essência. Ele aparece em mosteiros tibetanos, cerimônias japonesas, rodas sufis, casas de chá chinesas e até nos silenciosos fins de tarde britânicos.

Enquanto o café costuma ser associado à aceleração, o chá quase sempre parece convidar à contemplação.

E talvez seja justamente essa a sua forma mais profunda de magia. Escolha agora mesmo qual é o chá perfeito para aquele seu momento de degustação e meditação.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

A chama que revela: um conto sobre véus, consciência e transformação

Entre silêncios e percepções sutis, a jornada espiritual se revela como um processo íntimo de retirada de véus e reencontro com a própria luz

A chama que revela: um conto sobre véus, consciência e transformação. Entre silêncios e percepções sutis, a jornada espiritual se revela como um processo íntimo de retirada de véus e reencontro com a própria luz.

Naquela noite, o silêncio parecia mais denso do que o habitual. Não era ausência de som — era presença. Algo ali existia, ainda sem nome.

Sentado à beira da janela, ele tinha a sensação de que o mundo estava inteiro diante dele, mas encoberto. Como se véus invisíveis se sobrepusessem a tudo: pessoas, decisões, até os próprios pensamentos.

Foi então que a luz mudou.

Não veio de fora. Não atravessou o vidro nem rasgou o céu. Surgiu dentro — uma chama suave, violeta, pulsando com uma inteligência serena. Não queimava. Revelava.

— Nem tudo o que parece confuso é, de fato, confusão.

A voz não ecoava no ambiente. Era percebida por dentro, como uma lembrança que retorna no momento exato. E, curiosamente, não havia medo — apenas reconhecimento.

A chama cresceu devagar. Com ela, veio a certeza de que não estava só. Havia ali uma consciência maior, conduzindo aquele instante com delicadeza e precisão.

Saint Germain não surgia como figura distante, mas como presença ativa — quase um princípio em movimento. A Chama Violeta não era símbolo abstrato. Era ferramenta. Um meio sutil de reorganizar o que estava desalinhado, dissolver ilusões, clarear o que antes parecia opaco.

— Os véus não são castigos — veio o entendimento —. São etapas. Cada um que se dissolve amplia tua visão.

E então algo fez sentido.

Não se tratava de esperar sinais grandiosos nem de buscar respostas fora. O trabalho era silencioso. Interno. Contínuo. Os mensageiros de luz — sempre presentes — nunca deixaram de orientar. O desafio sempre foi perceber.

Os véus… não estavam apenas no mundo. Também eram construídos por ele.

Medos antigos, julgamentos rápidos, apego ao que é confortável. Tudo isso criava camadas. E a chama, agora mais intensa, parecia atuar justamente nesses pontos — não destruindo, mas transformando.

Memórias começaram a surgir. Situações mal compreendidas, oportunidades que passaram despercebidas, aprendizados ignorados. Não havia culpa. Apenas clareza.

— O progresso da humanidade começa no indivíduo.

A ideia veio firme, sem imposição. Natural.

— Cada véu retirado em ti é um passo coletivo.

Ele respirou fundo.

Havia ainda muitos véus. Isso estava claro. Mas, pela primeira vez, isso não pesava. Dava direção.

A chama suavizou, como se cumprisse seu papel naquele instante. Mas algo já não era o mesmo.

Levantou-se.

Lá fora, o mundo seguia igual. Mas sua forma de ver havia mudado.

Agora existia um compromisso silencioso: apurar os sentidos, reconhecer o que antes passava despercebido, escutar com mais atenção aquilo que não faz ruído.

Porque a jornada não é sobre chegar rápido.

É sobre enxergar melhor.

E, no fundo, ele compreendeu — com uma calma que não precisava de prova alguma:

A luz nunca esteve distante.

Só aguardava ser revelada.

Texto inspirado em psicografia de Valmir Cunha e postada no Facebook por Philippe Bandeira de Mello

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domingo, 5 de abril de 2026

Páscoa: a manhã em que a esperança voltou a respirar

Na Páscoa, não celebramos apenas um fato — reencontramos um sentido para viver

Ainda era madrugada quando tudo parecia perdido. As ruas estavam quietas, como se o próprio mundo tivesse prendido a respiração. No coração dos que ficaram, havia um vazio difícil de explicar — uma dor que não fazia barulho, mas pesava. Era o fim… ou assim parecia.

Alguém caminhava sem rumo, tentando ir embora de tudo aquilo. Fugir da lembrança, do medo, da cruz. Mas, no meio do caminho, algo mudou. Não foi um clarão, nem um milagre visível. Foi mais simples — e mais profundo.

Uma certeza começou a nascer por dentro.

“É verdade: ressuscitou o Senhor.”

E, de repente, o caminho deixou de ser fuga. Virou volta.

Volta para os amigos. Volta para a fé. Volta para a vida.

Quando se reencontraram, ninguém precisou explicar muito. Eles sentiram. Cristo estava ali — presente de um jeito novo. No pão repartido, no olhar compartilhado, no silêncio cheio de significado. Não era mais lembrança. Era presença viva.

E tudo começou outra vez.

Senhor Jesus, que encheste de esperança os apóstolos com o doce chamado de anunciar a Boa Nova, dilata também o nosso coração. Faz crescer em nós esse desejo simples — e urgente — de levar ao mundo a alegria da Tua Ressurreição. Que cada pessoa, em algum momento, possa sentir isso também: que a vida não terminou… ela recomeçou.

A Páscoa é isso. Uma passagem.

Não só aquela de dois mil anos atrás — mas a de agora. A que acontece dentro da gente.

Passagem da culpa para o perdão. Do medo para a coragem. Da escuridão para uma luz que não apaga.

Desde muito antes, lá nas tradições antigas do povo hebreu, já existia a ideia de atravessar — de sair da escravidão para a liberdade. Mas em Cristo, essa travessia ganha um sentido ainda maior. Não é só um povo que é libertado. É o coração humano.

Ó Cristo Ressuscitado, vencedor da morte, por Tua vida nos mostraste que o amor não perde. Que a dor não tem a última palavra. Que sempre existe um depois.

Volta a nós, mais uma vez. Não como lembrança distante, mas como presença viva no cotidiano. Ensina-nos a viver com atitudes de ressurreição — perdoando mais, julgando menos, recomeçando sempre que for preciso.

Porque, no fundo, é isso que a Páscoa pede da gente: um jeito novo de viver.

Um jeito mais leve. Mais verdadeiro. Mais humano.

Não nascemos para o ódio.

Nascemos para a vida.

E mesmo quando tudo parece enterrado — como uma semente esquecida na terra — algo está acontecendo em silêncio. Algo está se preparando para nascer.

Deus, nosso Pai, cremos na ressurreição. Cremos que a vida sempre encontra um caminho. Que a esperança, mesmo pequena, nunca é inútil. Que o amor, no fim, permanece.

Que nesta Páscoa, cada um de nós encontre esse momento de volta. Nem que seja pequeno. Nem que seja silencioso. Mas real.

E que, pouco a pouco, a gente aprenda a viver como quem sabe: a luz já venceu.

Feliz Páscoa.

sábado, 21 de março de 2026

O poder do amor sempre vence

Mesmo quando o ódio parece dominar, é o amor que permanece — silencioso, paciente e inevitavelmente vencedor.

O poder do amor sempre vence

Há momentos em que o mundo parece esquecer de si mesmo.

O ódio cresce em silêncio — às vezes disfarçado de razão, outras vezes alimentado por dor antiga, mal curada. Ele se infiltra nas palavras, endurece os gestos, cria distâncias onde antes havia presença. E, por um tempo, pode até parecer forte. Pode até parecer definitivo.

Mas não é.

Porque o amor não desaparece — ele apenas recolhe-se.

Ele silencia quando precisa, observa quando é ignorado, e aguarda… não por fraqueza, mas por sabedoria. O amor não disputa espaço com o ódio no mesmo nível. Ele não grita para ser ouvido, não se impõe pela força. O amor é uma energia mais antiga, mais profunda — e, sobretudo, mais verdadeira.

O ódio pode durar dias, anos… até gerações. Pode atravessar famílias, histórias, nações. Pode marcar vidas inteiras com sua sombra. Mas ele nunca cria — apenas consome. Nunca constrói — apenas corrói. E por isso, inevitavelmente, se esgota.

O amor, ao contrário, se renova.

Ele ressurge no gesto simples, na palavra inesperada, no perdão que parecia impossível. Ele brota onde ninguém mais acreditava. E quando retorna, não volta como antes — volta mais consciente, mais inteiro, mais poderoso.

Porque o amor não é apenas um sentimento. É uma força criadora.

É a energia que sustenta a vida, que reorganiza o caos, que transforma dor em aprendizado e ausência em presença. Quando você escolhe amar — mesmo ferido, mesmo cansado, mesmo sem garantias — você se alinha com algo maior do que qualquer conflito.

E é aí que tudo começa a mudar.

Não porque o mundo externo se transforma de imediato, mas porque dentro de você nasce uma nova realidade. Um espaço onde o ódio não encontra mais morada. Um campo onde a paz deixa de ser busca e passa a ser estado.

O amor sempre vence — não porque elimina o ódio, mas porque o transcende.

Ele não precisa destruir para existir. Ele apenas permanece.

E no final — sempre no final — é isso que fica.

O que é verdadeiro.
O que é essencial.
O que é eterno.

O amor volta.
E quando volta, não deixa dúvidas: ele nunca foi embora.

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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

O Bruxo do Paraná, Chik Jeitoso e sua 'prece portuguesa'

 


Antiga prece portuguesa: 

“O que queres que o próximo ano te traga? Não quero que me traga nada. A única coisa que quero é que não leve. Que não leve o teto que me protege, o prato que me alimenta, a manta que me aquece, a luz que me ilumina, o sorriso dos meus amados, a saúde como um tesouro, a paz que me acalenta, o trabalho como sustento, a amizade, a companhia, os abraços e beijos. Que não leve os sonhos, nem pedaços dos corações, formados por pessoas que carrego dentro de mim”.

Hoje é dia de abençoar as pessoas que você considera. Eu te abençoo com todo meu coração. Com toda minha admiração. Com todo o meu respeito. Eu abençoo sua vida. Eu abençoo sua saúde. Eu abençoo sua economia. Que sua casa seja abençoada ao entrar e sair dela. Eu abençoo seu trabalho. Eu abençoo sua vida espiritual. Abençoo todos os seus planos e metas para o ano de 2026. Oremos para que seja sempre assim. Hoje é “o dia da bênção”. Recomenda-se abençoar o maior número possível de pessoas de todo o coração. Quanto mais você abençoar, mais bênçãos virão para você e sua família.   

Estou feliz em abençoar sua vida hoje.  

Dia de bênçãos....  

Envie para quem você quer abençoar!!!🙏🏻🙏🏻🥰

Feliz Ano Novo

domingo, 26 de outubro de 2025

Homenagem a Santa Francisca Xavier Cabrini

Santa Francisca Xavier Cabrini: uma santa dos ventos, das viagens e dos corações missionários — lembrada por sua fé, sua missão e seu cuidado pelos pequenos

Orações e Magia — 26 de outubro

Hoje prestamos homenagem a Santa Francisca Xavier Cabrini (Madre Cabrini), nascida em Sant'Angelo Lodigiano em 15 de julho de 1850 e falecida em Chicago em 22 de dezembro de 1917. A caçula de treze filhos, de saúde frágil desde o nascimento, transformou a própria fragilidade em impulso missionário. Fundadora do Instituto das Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus, dedicou-se a proteger órfãos, migrantes e enfermos, abrindo 67 instituições nos Estados Unidos, na América do Sul e na Europa.

Enviada pelo Papa Leão XIII aos Estados Unidos em 1889, Madre Cabrini tornou-se símbolo de resistência, trabalho social e fé ativa. Foi beatificada em 1938 e canonizada em 1946; seus restos estão preservados como sinal de devoção, e seu santuário em Chicago é, até hoje, lugar de oração e peregrinação.

Oração a Santa Francisca Xavier Cabrini

Santa Francisca Cabrini, mensageira da ternura e do amor do Sagrado Coração,
intercede por todos os que viajam, que buscam abrigo, que lutam por dignidade e fé.
Que teus ventos levem esperança aos que sofrem, e que teu exemplo inspire a servir com humildade e compaixão.
Ampara as mães cansadas, os órfãos, os migrantes e os doentes. Ensina-nos a caminhar com confiança, mesmo quando a estrada é longa e o corpo frágil.
Santa Cabrini, missionária dos céus e dos mares, guia-nos na tempestade e acalma nossos corações. Amém.

Por que a lembramos hoje

Além da memória de sua vida (1850–1917) e do legado institucional espalhado por continentes, recordar Madre Cabrini é celebrar a missão: a compaixão organizada que transforma políticas de cuidado em gestos cotidianos. Seja na capela, no santuário ou no terreiro, seu exemplo convoca a ação: abrir portas, proteger crianças, cuidar dos doentes e levar consolo aos migrantes. Madre Cabrini rogai por nós!

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

O pecado não existe! Evangelho de Maria Madalena (MM 7,11-28)

Maria Madalena e o Evangelho Esquecido: “O pecado não existe”

Por Ronald Sanson Stresser Junior

Há quase dois mil anos, uma mulher ousou compreender o divino para além das fronteiras da culpa. O nome dela era Maria Madalena, e sua voz ecoa — apesar dos séculos de silenciamento — como um convite ao retorno do ser ao seu próprio centro.

O texto conhecido como Evangelho de Maria Madalena, descoberto em papiros no Alto Egito em 1945, traz uma revelação que desconcerta o mundo cristão ainda hoje: “O pecado não existe.”

Trata-se de um evangelho gnóstico, escrito provavelmente por volta de 150 d.C., em um tempo em que o cristianismo ainda não era poder, mas experiência. Quando o “seguir Jesus” era sinônimo de mergulhar dentro de si, não de obedecer a dogmas.

A mulher que compreendeu o invisível

Madalena não aparece ali como a prostituta arrependida que a tradição forjou, mas como a discípula mais íntima do Mestre — aquela que o compreendeu em profundidade.

É a ela que Jesus, já ressuscitado, confia os segredos da alma. É a ela que os homens — Pedro à frente — questionam:

“Já que tu te fazes intérprete dos elementos e dos acontecimentos do mundo, dize-nos: o que é o pecado no mundo?”

E o Mestre responde, segundo o texto:

“Não há pecado. Sois vós que fazeis existir o pecado, quando agis conforme os hábitos de vossa natureza adúltera.”

O “adúltero” de que fala Jesus não se refere à carne, mas à idolatria — ao ato de adorar o que é ilusório, de absolutizar o relativo e relativizar o Absoluto. O pecado, portanto, não é uma ofensa a Deus, mas um afastamento do centro, um desvio da harmonia original entre o ser humano e o cosmos.

O retorno ao centro

“Eis por que estais doentes e morreis: é a consequência de vossos atos”, continua o texto.

A doença, a morte, o sofrimento — tudo seria, nesse olhar, fruto da desarmonia, da ignorância de nossa natureza divina. Quem caminha em Deus não adoece, porque vive em equilíbrio; quem se afasta do centro, vive dividido — e o diabo, palavra que literalmente significa “aquele que divide”, instala-se na consciência.

Para Maria, voltar às raízes é voltar ao Sagrado. É reunir o fragmentado, é permitir que o Bem — que é o próprio Cristo — una novamente os elementos da nossa natureza dispersa.

“Jesus veio ao nosso meio a fim de nos unir às nossas raízes”, ensina o evangelho. Eis o sentido mais puro da redenção: não o perdão de um crime, mas a lembrança de quem somos.

A coragem do feminino

O Evangelho de Maria Madalena confronta, de modo radical, o institucionalismo patriarcal que viria a dominar a Igreja nascente.

Nele, o feminino é a ponte com o divino. Não o feminino submisso, mas o feminino da intuição, da escuta e da liberdade interior — aquele que reconhece o Mistério sem precisar domesticá-lo.

Talvez por isso Pedro tenha se incomodado. Talvez por isso a história oficial tenha calado sua voz por séculos. Mas nenhuma fogueira foi capaz de queimar essa chama.

A nova compreensão do “pecado”

Quando o Mestre diz “quem puder, compreenda”, ele parece falar conosco — homens e mulheres de um tempo igualmente dividido. O pecado, nesta leitura, não é algo que se faz, mas algo que se esquece: a lembrança de que somos um com o Todo.

O Bem — ou Deus, ou o Amor — não vem de fora para nos punir, mas de dentro para nos curar. Permanecer no centro, como diz o texto, é já viver sem pecado. É deixar que a graça flua sem resistência. É caminhar sem culpa, mas com consciência.

Um evangelho para o novo tempo

Em tempos de intolerância e dogmas travestidos de fé, o Evangelho de Maria Madalena ressurge como uma brisa lúcida no deserto espiritual da humanidade. Ele não destrói a fé — ele a devolve ao coração. E nos recorda de que o verdadeiro templo é a consciência desperta, onde Deus não é medo, mas presença.

Madalena nos convida à reconciliação com nós mesmos. A compreender que o Bem não está em um altar, mas no instante em que cessamos de nos dividir. E, quando isso acontece, o pecado realmente deixa de existir.

“Quem puder, compreenda.” — Evangelho de Maria Madalena, 7, 28

quinta-feira, 17 de julho de 2025

Conto Espírita — “A Última Lição do Sr. Sanson”

A Última Lição do Sr. Sanson (conto espírita)

 
A última lição do Sr. Sanson
 

Naquela tarde silenciosa de abril, as cortinas estavam semiabertas, permitindo que a luz suave do entardecer banhasse o aposento com tons dourados. O Sr. Sanson, deitado em repouso sereno, já pressentia o momento da travessia. Não havia dor em seu semblante, tampouco temor em sua alma. Apenas um silêncio que sussurrava paz.

Com o olhar voltado para o alto, ele sorriu, como quem reconhece ao longe um amigo querido. Sentia que o véu entre os mundos já se tornava tênue — como se os dois planos estivessem prestes a se tocar.

Ao seu lado, repousava uma carta já selada, endereçada ao presidente da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Era um pedido raro: que, após sua partida, fosse evocado para relatar, passo a passo, a experiência da morte. A curiosidade não era vaidade, mas serviço. Ele desejava ensinar, mesmo do outro lado da vida.

Dois dias depois, ali mesmo na câmara mortuária, Allan Kardec e alguns confrades estabeleceram comunicação com o Espírito do amigo. Ele viera — lúcido, sereno, com a mesma voz interior de quem nunca partira de fato. Descreveu sensações leves, visões sutis, e uma alegria difícil de traduzir. Não houve dor. Houve reencontro. Não houve vazio. Houve plenitude.

— “Senti como se tivesse me libertado de um casulo apertado… e reencontrado o céu da infância”, disse Sanson, entre os suspiros emocionados dos presentes.

Mas o que o tornara tão feliz? Por que, entre tantos, ele atravessara o umbral com tamanha lucidez e júbilo?

Ele mesmo respondeu:

— “Fiz da caridade minha estrada e da abnegação, meu abrigo. Não temia a morte, porque vivi de forma que minha consciência pudesse repousar em paz. Os bens materiais, tratei como ferramentas, não como donos. E a fé… ah, a fé… essa foi minha luz nas horas de sombra.”

O relato emocionou a todos. Não era um santo, tampouco um espírito elevado entre os maiores. Era apenas um homem comum… que escolhera, com humildade, viver de forma extraordinária. Ao final, Kardec disse, com os olhos marejados:

— “Um justo morreu. Mas ao mesmo tempo, nasceu para a verdadeira vida.”

No plano espiritual, os sinos não dobraram de luto. Tocaram de esperança. E, entre Espíritos amigos, alguém o recebeu com um abraço e disse: “Bem-vindo de volta, irmão.”

Autor: Ronald Sanson Stresser Junior

domingo, 22 de junho de 2025

Conto espírita: “O Jardim de Utopia”

Como um bom irmão, em prece, numa tarde serena de junho, revelo este conto, retirado de trás das cortinas da realidade, inspirado pela figura luminosa de São Thomas More

 
 

Na bruma dourada de um entardecer no mundo espiritual, sob as colinas suaves de um jardim que parecia ter sido sonhado por almas em paz, um homem caminhava com passos serenos. Tinha os olhos brilhantes de quem conheceu o peso da cruz, mas também o perfume da ressurreição. Vestia-se com simplicidade, uma túnica de tecido leve e antigo, e em seu rosto morava um sorriso que sabia de eternidades.

Chamava-se Thomas, e ali era chamado de Irmão More — pois no Alto os títulos ficam nas sombras do tempo, e só o amor permanece nome.

A cada passo que dava naquele jardim, flores se abriam. Não flores comuns, mas espécies delicadas que carregavam as cores do perdão, da renúncia e da verdade. O jardim era conhecido por muitos Espíritos como “O Recanto da Utopia” — não porque fosse irreal, mas porque abrigava a lembrança viva de um homem que, em vida, ousou sonhar com um mundo mais justo, mesmo entre as engrenagens do poder.

Irmão More dedicava-se, agora, à tarefa de acolher Espíritos recém-libertos da prisão do fanatismo, do orgulho intelectual ou das dores causadas pela intransigência religiosa. A eles, não impunha verdades. Oferecia histórias. Sentava-se em silêncio e, como um velho amigo, contava parábolas simples sobre seu tempo na Terra: da sua paixão pelos livros, da doçura com os filhos, da alegria das conversas, e até dos dias sombrios da prisão.

— “A cela era fria — dizia com voz mansa — mas o Cristo era calor. Eu lia o Evangelho e sentia que não estava só. Quando me tiraram a liberdade, ganhei o recolhimento. Quando perdi os títulos, vesti o manto da verdade. E no instante em que a espada me tocou, o Reino de Deus me abraçou.”

Muitos choravam ao ouvir-lhe a alma. Não por pena, mas por se reconhecerem: padres endurecidos pela vaidade, pastores marcados por julgamentos, estudiosos embriagados de razão e descrença... todos encontravam em More a ponte para o recomeço.

Um dia, aproximou-se dele um Espírito revoltado, recém-desencarnado, que fora juiz na Terra. Tremia de angústia, porque descobrira os erros que havia cometido em nome da lei dos homens.

— “Você morreu por resistir a um rei. Eu apenas cedi. Por que você sorri, e eu me afundo?”

More o olhou com infinita compaixão e respondeu:

— “Irmão... eu não morri por resistir a um rei. Eu renasci por permanecer fiel ao Reino de Deus. A questão não é o que enfrentamos, mas como escolhemos amar. Está em suas mãos fazer nova justiça, agora com o coração.”

E então, o jardim floresceu mais uma vez.

- Prece de Thomas More aos irmãos da Terra

Inspirada por suas palavras eternas e adaptada à vibração da Doutrina Espírita

Senhor das Almas e das Consciências,

Em meio às tormentas do mundo, fazei de mim um espírito alegre e firme,

Capaz de sorrir mesmo diante das dores,

Capaz de servir mesmo sob os grilhões da incompreensão.

Dai-me, Senhor, a coragem de seguir-Vos,

Ainda que o mundo me acene com atalhos e coroas.

Que eu me mantenha fiel à Tua verdade —

não a que se impõe, mas a que se doa.

Se me for concedido um cargo ou uma missão,

Que minha autoridade seja temperada pela humildade,

E minha palavra seja sempre caminho de reconciliação.

Quando a solidão me visitar,

Que eu a receba como retiro.

Quando a injustiça me alcançar,

Que eu a transforme em testemunho.

Senhor, que minha consciência seja meu templo,

E que o Espírito de verdade seja o altar onde deposito

Minhas escolhas, meus silêncios e minha fé.

E quando minha hora chegar,

Que eu possa, como outrora, sorrir com esperança,

E dizer com o coração tranquilo:

“Sirvo a Deus primeiro, e aos homens com amor.”

Que assim seja.

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