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quarta-feira, 14 de maio de 2025

Divaldo Franco volta para a Pátria Espiritual

Divaldo Franco: o homem que falava com a alma e abraçava com o coração

Por Ronald Sanson Stresser Junior

 
Divaldo Franco - Reprodução/Internet
 

Na noite de 13 de maio, um silêncio diferente tomou conta da Mansão do Caminho, em Salvador. Não era apenas a morte de Divaldo Franco, aos 98 anos, que causava comoção. Era a sensação de que o Brasil perdia um pai amoroso, um amigo constante, um mestre que falava como quem acende luzes por dentro.

Mas quem conheceu Divaldo — pessoalmente ou por suas palavras — sabe: ele não partiu. Apenas voltou para casa.

A infância marcada pela dor, o coração moldado pela fé

Divaldo nasceu em Feira de Santana, interior da Bahia, no ano de 1927. Desde pequeno, experimentou o sofrimento com perdas irreparáveis, como a morte de dois irmãos. Ainda menino, começou a ouvir vozes e a ver espíritos, fenômenos que o isolaram, mas também o empurraram com firmeza para o caminho que transformaria sua vida — e a de milhões de outras pessoas.

Encontrou no espiritismo o colo que tanto buscava. E, mais do que isso, descobriu uma missão: consolar os que choram, guiar os que se perdem, cuidar dos que ninguém mais vê.

Não podemos evitar que o sofrimento nos alcance, mas podemos escolher como vamos enfrentá-lo.” — gostava de dizer, com aquele sorriso sereno que atravessava qualquer turbulência.

A Mansão do Caminho e o milagre cotidiano do amor

Em 1952, ao lado do inseparável amigo Nilson de Souza Pereira, fundou a Mansão do Caminho. Mais do que uma obra social, tornou-se um lar. Um útero coletivo de afeto, educação e dignidade para milhares de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade.

Lá, não se ensinava apenas matemática ou português. Ensinava-se, sobretudo, o valor da bondade, o respeito pela vida, a força do perdão. Divaldo não era apenas o fundador — era o cuidador, o contador de histórias, o abraço de fim de dia.

Vale a pena amar. O amor é a alma da vida.” — repetia, enquanto acolhia sem distinção quem chegasse.

A palavra que cura e a fé que não impõe

Mais de 260 livros psicografados. Conferências em mais de 70 países. Uma vida a serviço da paz, da espiritualidade e do diálogo. Mesmo nos momentos em que o mundo parecia endurecer, Divaldo se mantinha fiel ao seu compromisso com a ternura. Nunca usou a fé para condenar. Usava-a para libertar.

Ele dizia:

Se alguém te fere, perdoa. Se alguém te abandona, ora. O outro é sempre o espelho do que ainda precisamos trabalhar em nós.

Durante o velório, na própria Mansão do Caminho, não houve desespero — mas gratidão. Maria Piedade, voluntária da instituição, chorava sorrindo:

— Ele ensinou a gente a viver por dentro. A amar sem medida. A servir com alegria.

Graça Leal, outra amiga espiritual, lembrou com carinho do passe que recebeu dele, ainda grávida, em 1982, quando médicos diziam que sua filha não sobreviveria:

— Hoje minha filha é uma mulher linda. E viva graças à fé que ele me deu naquele momento.

A luz segue acesa

Fabrício Carpinejar o descreveu como “um poste de luz que jamais se apagará”. E é isso. Divaldo Franco continua. Em cada criança salva pela Mansão. Em cada espírito confortado por suas palavras. Em cada pessoa que, mesmo sem o conhecer pessoalmente, se sentiu amada ao ouvir sua voz.

O Centro Espírita Paulo de Tarso, em Brasília, resumiu com doçura:

— Ele foi um verdadeiro mensageiro de Cristo, em ações e ensinamentos. E esses nunca morrem.

E de fato, não morrem.

Porque como ele mesmo dizia:

Tudo passa… menos o que construímos com o coração.

Vai em paz Divaldo!

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Maria Dolores: 'Ainda o perdão'

"Então Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Jesus lhe disse: Não te digo que até sete, mas, até setenta vezes sete." (Mateus 18:21)



"1. Quando o assunto do perdão entrou a interessar os discípulos, o Divino Mestre teve esta observação:

2. O perdão não deve ser doado três vezes, mas de sete a sete mil vezes.

3. De inesperado, o Mestre não se referiu a horas e dias, a semanas ou meses, mas sim, às três vezes multiplicadas por mil, apresentando-nos ao mesmo tempo, ainda o perdão capaz de dissolver todas as dissensões.

4. Observemos a paciência do Senhor para nos entregar ideias capazes de liquidar todas as nossas dificuldades nas relações uns com os outros de antemão.

5. Para em relação ao ódio e a criminalidade, a oportunidade para nós até sete vezes ao tempo, solucionarmos nossas desavenças e ainda há de descobrir meios de sossegar as nossas almas a tempo necessário de compreendermos uns aos outros."


Chico Xavier e Maria Dolores


Nota: essa página foi recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, na noite de 12/06/1999, em reunião pública do Grupo Espírita da Prece — Uberaba — MG. A mensagem psicografada em 12/06/1999, foi publicada originalmente em 2005 pela editora GEPCX e é a 19ª lição do livro "Realmente…", por Chico Xavier e Autores espirituais diversos, e, posteriormente publicada no livro "Abençoando Nosso Brasil com Jesus e por Jesus", do qual foi extraída esta reprodução parcial - citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais - Imagem: Cristo Redentor - Rio de Janeiro, por Diego S. Araújo em 12 de Junho de 2005 (Baixaqui - CC0) - Clique na capa do livro para adquirir a edição na íntegra...



sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Mensagem de Maria, Mãe de todos nós, através de Chico Xavier

Homenagem falada de Francisco Cândido Xavier, a N. S. da Abadia, no dia 15.08.1998, em reunião pública no Grupo Espírita da Prece em Uberaba - MG...


Grupo Espírita da Prece de Chico Xavier, - Av. João XXIII, 1469 - Uberaba - MG (Google)

"Amigos! — Falou a Mensageira.

E agora já que estou na minha hora de atuar, peço a vossa permissão para fazer uma saudação a “uma personalidade” mais eminente do Evangelho, conhecida em nossa cidade querida, Uberaba, por Nossa Senhora da Abadia.

Saudação, por mais que se ouve, assim peço licença para orar:

“Ave Maria,

Mãe de Jesus,

Nossa Senhora,

Bendito seja o Filho Divino, que possivelmente nos trouxe, JESUS,

Rogai a Deus por nós os pecadores,

Agora e na hora de nossa morte, e sempre.

Assim seja!”

Com Jesus e por Jesus…

Aqui fica a nossa saudação pelo dia de hoje em Uberaba.

Convidando a todos irmãos Espíritas Cristãos, a lembrarmos nossa Mãe Santíssima, despeço em nossa divina Benfeitora, trazendo-nos JESUS."

Francisco Cândido Xavier


A Visão Celeste

"… Momentos antes do início da reunião Pública do Grupo Espírita da Prece, no dia 15/08/1998, data em que se homenageia Nossa Senhora da Abadia, padroeira da Região, Chico Xavier, com a sua facilidade mediúnica, via, no recinto, a presença da MÃE SANTÍSSIMA pedindo a ele (Chico) que prestasse uma homenagem ao “FILHO, NOSSO MESTRE JESUS”. No mesmo instante Chico, emocionado via também a figura excelsa de JESUS, pedindo a ele (Chico) que prestasse homenagem à sua MÃE e “MÃE DE TODOS: NOSSA MÃE SANTÍSSIMA”.

Diante da solicitação de JESUS junto aos AMIGOS ESPIRITUAIS SUPERIORES, que estão sempre com o nosso querido Chico, prevaleceu a homenagem para AQUELA que é a “MÃE DE TODOS NÓS”."

Eurípedes Higino

Uberaba, ano de 2004

[Data da última mensagem contida nesse livro, 15 de maio de 2001]


Nota do compilador: Todos os prefácios nos livros de Francisco Cândido Xavier foram recebidos na conclusão do livro, indicação segura de sua data de edição, embora, muitas vezes, houvessem sido publicados posteriormente. A data colocada entre colchetes é a mesma da mensagem mais tardia deste livro impresso em 2004, a lição nº 13 intitulada  “Dinheiro”:


"Dinheiro é sempre necessário

Para sustentar o pão e a luz

Mas é preciso evitar os excessos

Para não misturá-lo com Jesus."

Chico Xavier

[Página escrita por Chico Xavier, em reunião de 15/05/2001,  no Grupo Espírita da Prece - Uberaba/MG]


"Isso também passará" - Mensagem de Maria, mãe Jesus a Chico Xavier - Por Ivan Lima


Fonte: prefácio e lição nº 13, do livro "Missão cumprida..." de Francisco Cândido Xavier, ditado por autores espirituais diversos - citação parcial para estudo, divulgação da Doutrina Espírita e da obra de Francisco Cândido Xavier, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais - Vídeo: "Isso também passará" - Mensagem de Maria, mãe Jesus a Chico Xavier - Por Ivan Lima (YouTube) - Imagem: Grupo Espírita da Prece de Chico Xavier, - Av. João XXIII, 1469 - Parque das Américas - Uberaba - MG (Google Street View)


terça-feira, 22 de setembro de 2020

André Luiz: 'Luz nas sombras' - Capítulo 1 do livro 'Ação e Reação'

'Luz nas Sombras', cap. 1 de 'Ação e Reação', de Chico Xavier, pelo Espírito André Luiz


Sumário:
1. Em palestra com o Instrutor Druso, diretor da Mansão Paz.
  O que é a Mansão Paz.
  Presenciando uma violenta tempestade em região umbralina, arrastando consigo, multidões de Espíritos sofredores:
  Não seria possível abrigá-los todos na instituição socorrista dirigida por Druso?
  Tais infelizes guardam consciência do que lhes sucede?
  Conservam-se interminavelmente nesse terrível desajuste?
2. Bastará, porventura, a romagem de purgação do Espírito depois da morte, nos lugares de treva e padecimento, para que os débitos da consciência sejam ressarcidos?
3. Que aconteceria se as almas encarnadas pudessem morrer no corpo, alguns dias por ano, não à maneira do sono físico em que se refazem, mas com plena consciência da vida que as espera?
4. Quem são os Espíritos desencarnados que vivem nas regiões trevosas do Umbral? São delinquentes comuns ou criminosos acusados de grandes faltas? Encontraríamos por aí, seres primitivos como os nossos selvagens por exemplo?
  Como o Instrutor Druso chegou à condição de Diretor da Mansão Paz.

"1 — Sim — afirmava-nos o Instrutor Druso, sabiamente —, o estudo da situação espiritual da criatura humana, após a morte do corpo, não pode ser relegado a plano secundário. Todas as civilizações que antecederam a glória ocidental nos tempos modernos consagraram especial atenção aos problemas de além-túmulo.

O Egito mantinha incessante intercâmbio com os trespassados e ensinava que os mortos sofriam rigoroso julgamento entre Anúbis, o gênio com cabeça de chacal, e Horus, o gênio com cabeça de gavião, diante de Maât, a deusa da justiça, decidindo se as almas deveriam ascender ao esplendor solar ou se deveriam voltar aos labirintos da provação, na própria Terra, em corpos deformados e vis; os hindus admitiam que os desencarnados, conforme as resoluções do Juiz dos Mortos, subiriam ao Paraíso ou desceriam aos precipícios do reino de Varuna, o gênio das águas, para serem insulados em câmaras de tortura, amarrados uns aos outros por serpentes infernais; hebreus, gregos, gauleses e romanos sustentavam crenças mais ou menos semelhantes, convictos de que a elevação celeste se reservava aos Espíritos retos e bons, puros e nobres, guardando-se os tormentos do inferno para quantos se rebaixavam na perversidade e no crime, nas regiões de suplício, fora do mundo ou no próprio mundo, através da reencarnação em formas envilecidas pela expiação e pelo sofrimento.

A conversação fascinava-nos.

Hilário e eu visitávamos a “Mansão Paz”, notável escola de reajuste de que Druso era o diretor abnegado e amigo.

O estabelecimento, situado nas regiões inferiores, era bem uma espécie de “mosteiro São Bernardo”, em zona castigada por natureza hostil, com a diferença de que a neve, quase constante em torno do célebre convento encravado nos desfiladeiros entre a Suíça e a Itália, era ali substituída pela sombra espessa, que, naquela hora, se adensava, movimentada e terrível, ao redor da instituição, como se tocada por ventania incessante.

O pouso acolhedor, que permanece sob a jurisdição de “Nosso Lar” ¹, está fundado há mais de três séculos, dedicando-se a receber Espíritos infelizes ou enfermos, decididos a trabalhar pela própria regeneração, criaturas essas que se elevam a colônias de aprimoramento na Vida Superior ou que retornam à esfera dos homens para a reencarnação retificadora.

Em razão disso, o casario enorme, semelhante a vasta cidadela instalada com todos os recursos de segurança e defesa, mantém setores de assistência e cursos de instrução, nos quais médicos e sacerdotes, enfermeiros e professores encontram, depois da morte terrestre, aprendizados e quefazeres da mais elevada, importância.

Pretendíamos efetuar algumas observações, com referência às leis de causa e efeito — o carma dos hindus e, convenientemente recomendados pelo Ministério do Auxílio, achávamo-nos ali, encantados com a palavra do orientador, que prosseguia, atencioso, após longa pausa:

— Acresce notar que a Terra é vista sob os mais variados ângulos. Para o astrônomo, é um planeta a gravitar em torno do sol; para o guerreiro é um campo de luta em que a geografia se modifica a ponta de baionetas; para o sociólogo é amplo reduto em que se acomodam raças diversas; mas, para nós, é valiosa arena de serviço espiritual, assim como um filtro em que a alma se purifica, pouco a pouco, no curso dos milênios, acendrando qualidades divinas para a ascensão à glória celeste. Por isso, há que sustentar a luz do amor e do conhecimento, no seio das trevas, como é necessário manter o remédio no foco da enfermidade.

Enquanto nos entendíamos, reparávamos lá fora, através do material transparente de larga janela, a convulsão da Natureza.

Ventania ululante, carreando consigo uma substância escura, semelhante à lama aeriforme, remoinhava com violência, em torvelinho estranho, à maneira de treva encachoeirada…

E do corpo monstruoso do turbilhão terrível rostos humanos surdiam em esgares de horror, vociferando maldições e gemidos.

Apareciam de relance, jungidos uns aos outros como vastas correntes de criaturas agarradas entre si, em hora de perigo, na ânsia instintiva de dominar e sobreviver.

Druso, tanto quanto nós, contemplou o triste quadro com visível piedade a marcar-lhe o semblante.

Fixou-nas em silêncio como a chamar-nos para a reflexão. Parecia dizer-nos quanto lhe doía o trabalho naquela paragem de sofrimento, quando Hilário interrogou:

— Por que não descerrar as portas aos que gritam lá fora? Não é este um posto de salvação?

— Sim — respondeu o Instrutor, sensibilizado —, mas a salvação só é realmente importante para aqueles que desejam salvar-se.

E, depois de pequeno intervalo, continuou:

— Para cá do túmulo, a surpresa para mim mais dolorosa foi essa, o encontro com feras humanas, que habitavam o templo da carne, à feição de pessoas comuns. Se acolhidas aqui, sem a necessária preparação, atacar-nos-iam de pronto, arrasando-nos o instituto de assistência pacífica. E não podemos esquecer que a ordem é a base da caridade.

Apesar da explicação firme e serena, concentrava-se Druso no painel exterior, tal a compaixão a desenhar-se-lhe na face.

Logo após, recompondo a expressão fisionômica, o Instrutor aduziu:

— Somos hoje defrontados por grande tempestade magnética, e muitos caminheiros das regiões inferiores são arrebatados pelo furacão como folhas secas no vendaval.

— E guardam consciência disso? — indagou Hilário, perplexo.

— Raros deles. As criaturas que se mantêm assim desabrigadas, depois do túmulo, são aquelas que não se acomodam com o refúgio moral de qualquer princípio nobre. Trazem o íntimo turbilhonado e tenebroso, qual a própria tormenta, em razão dos pensamentos desgovernados e cruéis de que se nutrem. Odeiam e aniquilam, mordem e ferem. Alojá-los, de imediato, nos santuários de socorro aqui estabelecidos, será o mesmo que asilar tigres desarvorados entre fiéis que oram num templo.

— Mas conservam-se, interminavelmente, nesse terrível desajuste? — insistiu meu companheiro agoniado.

O orientador tentou sorrir e respondeu:

— Isso não. Semelhante fase de inconsciência e desvario passa também como a tempestade, embora a crise, por vezes, persevere por muitos anos. Batida pelo temporal das provações que lhe impõem a dor de fora para dentro, refunde-se a alma, pouco a pouco, tranquilizando-se para abraçar, por fim, as responsabilidades que criou para si mesma.

2 — Quer dizer, então — disse por minha vez —, que não basta a romagem de purgação do Espírito depois da morte, nos lugares de treva e padecimento, para que os débitos da consciência sejam ressarcidos…

— Perfeitamente — aclarou o amigo, atalhando-me a consideração reticenciosa —, o desespero vale por demência a que as almas se atiram nas explosões de incontinência e revolta. Não serve como pagamento nos tribunais divinos. Não é razoável que o devedor solucione com gritos e impropérios os compromissos que contraiu mobilizando a própria vontade.

Aliás, dos desmandos de ordem mental a que nos entregamos, desprevenidos, emergimos sempre mais infelizes, por mais endividados. Cessada a febre de loucura e rebelião, o Espírito culpado volve ao remorso e à penitência. Acalma-se como a terra que torna à serenidade e à paciência, depois de insultada pelo terremoto, não obstante amarfanhada e ferida. Então, como o solo que regressa ao serviço da plantação proveitosa, submete-se de novo à sementeira renovadora dos seus destinos.

3 Atormentada expectação baixara sobre nós, quando Hilário considerou:

— Ah! se as almas encarnadas pudessem morrer no corpo, alguns dias por ano, não à maneira do sono físico em que se refazem, mas com plena consciência da vida que as espera!…

— Sim — ajuntou o orientador —, isso realmente modificaria a face moral do mundo; entretanto, a existência humana, por mais longa, é simples aprendizado em que o Espírito reclama benéficas restrições para restaurar o seu caminho. Usando nova máquina fisiológica entre os semelhantes, deve atender à renovação que lhe diz respeito e isso exige a centralização de suas forças mentais na experiência terrena a que transitoriamente se afeiçoa.

4 A palavra fluente e sábia do Instrutor era para nós motivo de singular encantamento, e, porque me supunha no dever de aproveitar os minutos, ponderava em silêncio, de mim para comigo, quanto à qualidade das almas desencarnadas que sofriam a pressão da tormenta exterior.

Druso percebeu-me a indagação mental e sorriu, como a esperar por minha pergunta clara e positiva.

Instado pela força de seu olhar, observei, respeitoso:

— Diante do espetáculo penoso a que nos é dado assistir, somos naturalmente constrangidos a pensar na procedência dos que experimentam o mergulho nesse torvelinho de horror… São delinquentes comuns ou criminosos acusados de grandes faltas? Encontraríamos por aí seres primitivos como os nossos indígenas por exemplo?

A resposta do amigo não se fez esperar.

— Tais inquirições — disse ele —, quando de minha vinda para cá, me assomaram igualmente à cabeça. Há cinquenta anos sucessivos estou neste refúgio de socorro, oração e esperança. Penetrei os umbrais desta casa como enfermo grave, após o desligamento do corpo terrestre. Encontrei aqui um hospital e uma escola. Amparado, passei a estudar minha nova situação, anelando servir. Fui padioleiro, cooperador da limpeza, enfermeiro, professor, magnetizador, até que, de alguns anos para cá, recebi jubilosamente o encargo de orientar a instituição, sob o comando positivo dos instrutores que nos dirigem.

Obrigado a pacientes e laboriosas investigações, por força de meus deveres, posso adiantar-lhes que às densas trevas em torno somente aportam as consciências que se entenebreceram nos crimes deliberados, apagando a luz do equilíbrio em si mesmas. Nestas regiões inferiores não transitam as almas simples, em qualquer aflição purgativa, situadas que se encontram nos erros naturais das experiências primárias. 

Cada ser está jungido, por impositivos da atração magnética, ao círculo de evolução que lhe é próprio. Os selvagens, em grande maioria, até que se lhes desenvolva o mundo mental, vivem quase sempre confinados a floresta que lhes resume os interesses e os sonhos, retirando-se vagarosamente do seu campo tribal, sob a direção dos Espíritos benevolentes e sábios que os assistem; e as almas notoriamente primitivas, em grande parte, caminham ao influxo dos gênios beneméritos que as sustentam e inspiram, laborando com sacrifício nas bases da instituição social e aproveitando os erros, filhos das boas intenções, à maneira de ensinamentos preciosos que garantem a educação dessas almas.

Asseguro-lhes, assim, que, nas zonas infernais propriamente ditas, apenas residem aquelas mentes que, conhecendo as responsabilidades morais que lhes competiam, delas se ausentaram, deliberadamente, com o louco propósito de ludibriarem o próprio Deus.

O inferno, a rigor, pode ser, desse modo, definido como vasto campo de desequilíbrio, estabelecido pela maldade calculada, nascido da cegueira voluntária e da perversidade completa. Aí vivem domiciliados, às vezes por séculos, Espíritos que se bestializaram, fixos que se acham na crueldade e no egocentrismo. Constituindo, porém, larga província vibratória, em conexão com a Humanidade terrestre, de vez que todos os padecimentos infernais são criações dela mesma, estes lugares tristes funcionam como crivos necessários para todos os Espíritos que escorregam nas deserções de ordem geral, menosprezando as responsabilidades que o Senhor lhes outorga.

Dessa forma, todas as almas já investidas no conhecimento da verdade e da justiça e por isso mesmo responsáveis pela edificação do bem, e que, na Terra, resvalam nesse ou naquele delito, desatentas para com o dever nobilitante que o mundo lhes assinala, depois da morte do corpo estagiam nestes sítios por dias, meses ou anos, reconsiderando as suas atitudes, antes da reencarnação que lhes compete abraçar, para o reajustamento tão breve quanto possível.

— Desse modo…

Dispunha-se Hilário a ensaiar conclusões, mas Druso, apreendendo-lhe a ideia, atalhou, sintetizando:

— Desse modo, os gênios infernais que supõem governar esta região, com poder infalível, aqui vivem por tempo indeterminado. As criaturas perversas que com eles se afinam, embora lhes padeçam a dominação, aqui se deixam prender por largos anos. E as almas transviadas na delinquência e no vício, com possibilidades de próxima recuperação, aqui permanecem em estágios ligeiros ou regulares, aprendendo que o preço das paixões é demasiado terrível.

Para as criaturas desencarnadas desse último tipo, que passam a sofrer o arrependimento e o remorso, a dilaceração o a dor, apesar de não totalmente livres das complexidades escuras com que se arrojaram às trevas, as casas de fraternidade e assistência como esta funcionam, ativas e diligentes, acolhendo-as quanto possível e habilitando-as para o retorno às experiências de natureza expiatória na carne.

Lembrava-me do tempo em que perlustrara, por minha vez, semiconsciente e conturbado, os trilhos da sombra, quando de meu desligamento do veículo físico, confrontando meus próprios estados mentais do passado e do presente, quando o orientador prosseguiu:

— Segundo é fácil reconhecer, se a treva é a moldura que imprime destaque à luz, o inferno, como região de sofrimento e desarmonia, é perfeitamente cabível, representando um estabelecimento justo de filtragem do Espírito, a caminho da Vida Superior. Todos os lugares infernais surgem, vivem e desaparecem com a aprovação do Senhor, que tolera semelhantes criações das almas humanas, como um pai que suporta as chagas adquiridas pelos seus filhos e que se vale delas para ajudá-los a valorizar a saúde.

As Inteligências consagradas à rebeldia e à criminalidade, em razão disso, não obstante admitirem que trabalham para si, permanecem a serviço do Senhor, que corrige o mal com o próprio mal. Por esse motivo, tudo na vida é movimentação para a vitória do bem supremo.

Druso ia prosseguir, mas invisível campainha vibrou no ar e, mostrando-se alertado pela imposição das horas, levantou-se e disse-nos simplesmente:

— Amigos, chegou o instante de nossa conversação com os internados que já se revelam pacificados e lúcidos. Dedicamos algumas horas, duas vezes por semana, a semelhante mister.

Erguemo-nos sem divergir e acompanhamo-lo, prestamente."
Nota: 1- Cidade espiritual na Esfera Superior "Nosso Lar". — (Nota do Autor espiritual.)
Fonte: transcrição do Capítulo 1 do livro "Ação e Reação", obra mediúnica escrita por Chico Xavier e ditada pelo Espírito André Luiz (FEB Editora) - Citação parcial para estudo, divulgação do livro, da obra de Chico Xavier e do Espiritismo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais - Imagem: representação artística da cidade espiritual "Nosso Lar" (reprodução/internet) - Para mais informações sobre a obra completa veja o adendo...

Ação e Reação (A Vida no Mundo Espiritual)


"Durante três anos, o Espírito André Luiz permaneceu na Mansão Paz, instituição sob jurisdição da colônia Nosso Lar que atende espíritos sofredores de regiões próximas à Terra.

Acompanhado do amigo Hilário, o autor espiritual conhece diversos casos relacionados à lei de causa e efeito que confirmam como a atual existência terrena do ser é vinculada à vida passada, assim como as ações do hoje condicionarão a realidade futura.

Com psicografia de Francisco Cândido Xavier, 'Ação e Reação' descreve regiões inferiores da esfera espiritual e o sofrimento que atinge uma consciência culpada, após a morte do corpo físico, além de apresentar orientações sobre o débito aliviado, os preparativos para a reencarnação, os resgates coletivos e o valor benéfico da oração." Clique aqui para adquirir seu eBook 'Kindle' ou livro físico...

domingo, 20 de setembro de 2020

Entrevista com Chico Xavier: "Os Milagres" (Programa 'Pinga-Fogo')

Trecho do livro: 'Chico Xavier, dos hippies aos problemas do mundo' ¹ (Cap. 19: Milagres)


"Em nossa infância, e na primeira juventude, frequentamos a Igreja Católica com o mesmo respeito com que nos dirigimos hoje a uma reunião espírita cristã, e sempre sentimos, reconhecemos, dentro da Igreja Católica, prodígios de espiritualidade, inimagináveis.  Muitas vezes, principalmente nas missas da manhã, quando era possível a comunhão de vibrações espirituais de todos os crentes numa só faixa de espiritualidade, e de fé em Jesus, tivemos oportunidade de ver Espíritos santificados que abençoavam as hóstias, e elas se transformavam como se fossem flores de luz, que o sacerdote oferecia na mesa da comunhão.  Muitas vezes, principalmente no altar daquela que nós veneramos como sendo nossa Mãe Santíssima, vimos irradiações de luz que alcançavam toda a assembleia, do altar consagrado a Santa Teresinha de Lisieux, muitas vezes vi partirem rosas trazidas por criaturas desencarnadas, amigos e amigas católicos da cidade de Pedro Leopoldo, sem que eu pudesse explicar o fenômeno.   Tivemos ocasião de, por misericórdia de Deus, e com o amparo da comunidade espírita cristã, e sobretudo com a assistência de dois amigos extremamente queridos para nós, um de Uberaba e outro de São Paulo, tivemos oportunidade de visitar pessoalmente a cidade de Lourdes, e vimos ali demonstrações extraordinárias de fé, sentimos a espiritualidade do Evangelho, na cidade de Lourdes, como se o Cristianismo estivesse renascendo na procissão em toda a sua pureza.  Portanto, todos os fenômenos de bondade divina, através da Igreja Católica, que nós consideramos como mãe de nossa civilização, eles todos são legítimos, credores de nossa veneração. Nós não estamos separados, os evangélicos reformistas e nem os espíritas cristãos, por diferenças fundamentais.  Os Espíritos nos ensinam que nós estamos em faixas diferentes de interpretação, mas somos uma família só, diante de Nosso Senhor Jesus Cristo, e que reverenciamos em sua santidade, o Papa, em nossos eminentes cardeais do Brasil, protetores da nossa fé.  Nós não podemos esquecer isto, e amamos a religião tradicional em tudo o que ela tem de belo, em tudo o que ela tem de divino, embora estejamos pessoalmente na faixa do Espiritismo cristão, dentro das conceituações de Allan Kardec, porque a mediunidade nos chamava para esse campo de trabalho que também é profundamente cristão, e para ele um dia partimos das nossas atividades da Igreja Católica, com a benção do sacerdote a quem nós amávamos como se ama a um pai."


"1. Saulo: E a homenagem que prestamos ao cinema brasileiro, na presença do artista e homem sério Anselmo Duarte.

Anselmo Duarte: Ao nosso caro irmão Chico Xavier é para mim uma honra poder dirigir a palavra a você, e fazer uma pergunta que tenho a impressão que seria uma pergunta que muita gente gostaria de fazer.

O que pensa você, como analisa os chamados milagres da Igreja Católica, ou seja, o aparecimento, aparição de Nossa Senhora mãe de Cristo, em Lourdes, em Fátima, e no caso de tratar-se de uma materialização espiritual, queria saber se em algumas oportunidades os chamados santos da Igreja Católica, têm deixado mensagens através da religião espírita?

Chico Xavier: Nós nos sentimos muito honrados com a pergunta do nosso grande líder de arte no Brasil que é o nosso querido e festejado Anselmo Duarte. 

Em nossa infância, e na primeira juventude, frequentamos a Igreja Católica com o mesmo respeito com que nos dirigimos hoje a uma reunião espírita cristã, e sempre sentimos, reconhecemos, dentro da Igreja Católica, prodígios de espiritualidade, inimagináveis.

Muitas vezes, principalmente nas missas da manhã, quando era possível a comunhão de vibrações espirituais de todos os crentes numa só faixa de espiritualidade, e de fé em Jesus, tivemos oportunidade de ver Espíritos santificados que abençoavam as hóstias, e elas se transformavam como se fossem flores de luz, que o sacerdote oferecia na mesa da comunhão.

Muitas vezes, principalmente no altar daquela que nós veneramos como sendo nossa Mãe Santíssima, vimos irradiações de luz que alcançavam toda a assembleia, do altar consagrado a Santa Teresinha de Lisieux, muitas vezes vi partirem rosas trazidas por criaturas desencarnadas, amigos e amigas católicos da cidade de Pedro Leopoldo, sem que eu pudesse explicar o fenômeno. 

Tivemos ocasião de, por misericórdia de Deus, e com o amparo da comunidade espírita cristã, e sobretudo com a assistência de dois amigos extremamente queridos para nós, um de Uberaba e outro de São Paulo, tivemos oportunidade de visitar pessoalmente a cidade de Lourdes, e vimos ali demonstrações extraordinárias de fé, sentimos a espiritualidade do Evangelho, na cidade de Lourdes, como se o Cristianismo estivesse renascendo na procissão em toda a sua pureza.

Portanto, todos os fenômenos de bondade divina, através da Igreja Católica, que nós consideramos como mãe de nossa civilização, eles todos são legítimos, credores de nossa veneração. Nós não estamos separados, os evangélicos reformistas e nem os espíritas cristãos, por diferenças fundamentais.

Os Espíritos nos ensinam que nós estamos em faixas diferentes de interpretação, mas somos uma família só, diante de Nosso Senhor Jesus Cristo, e que reverenciamos em sua santidade, o Papa, em nossos eminentes cardeais do Brasil, protetores da nossa fé.

Nós não podemos esquecer isto, e amamos a religião tradicional em tudo o que ela tem de belo, em tudo o que ela tem de divino, embora estejamos pessoalmente na faixa do Espiritismo cristão, dentro das conceituações de Allan Kardec, porque a mediunidade nos chamava para esse campo de trabalho que também é profundamente cristão, e para ele um dia partimos das nossas atividades da Igreja Católica, com a benção do sacerdote a quem nós amávamos como se ama a um pai.


2. Freitas Nobre: Pode-se dizer então ecumenicamente que religião boa é a que melhora o homem?

Chico Xavier: A religião é sempre boa, e toda religião boa, isto é, fundada nos princípios do bem, que torna os homens bons, essa religião é um processo de ligação, processo de comunicação, vamos dizer assim, nos conceitos modernos de nossa vida nos tempos de hoje, é um processo de nossa comunicação com as forças divinas, que emanam de Deus.

Todas as religiões que objetivam o burilamento da criatura humana, toda religião que nos traz esta legenda de paz e de amor, autênticos, mas profundamente autênticos, sem nenhuma ofensa para ninguém, sem nenhuma desconsideração para ninguém, a que se referiu o nosso querido entrevistador, Dr. Durval Monteiro, toda religião baseada nestes princípios, é um caminho santo, que nós, como espíritas cristãos, respeitamos, e devemos respeitar cada vez mais."


Fonte: trecho do livro: 'Chico Xavier, dos hippies aos problemas do mundo' (Capítulo 19: Milagres) - transcrição de entrevista concedida pelo médium brasileiro, Francisco Cândido Xavier, em 1972, à TV Tupi, pgm 'Pinga-Fogo'. O livro, publicado pela Editora Boa Nova, é resultado do programa de entrevistas Pinga-Fogo, segunda edição, transmitido ao vivo pela TV em 1972, através do canal 4 (Rede Tupi).

Elenco: Chico Xavier, Saulo Gomes, Almir Guimarães, Herculano Pires e outros, dentre grande auditório e audiência.

No programa Chico Xavier esclarece vários assuntos como a Umbanda, a pena de morte, as crianças excepcionais, os hippies, os transplantes, a cremação, a superpopulação, homossexualismo, amor livre e outros temas de palpitante atualidade até os dias de hoje.

Observação: Citação parcial do program ade TV e de sua transcrição em livro, para estudo, divulgação do Espiritismo e da obra de Chico Xavier, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais - Imagem e vídeo: O médium Chico Xavier sendo entrevistado no programa 'Pinga-Fogo', da Tupi. (reprodução/YouTube)

sexta-feira, 3 de julho de 2020

"Este dia", em "Respostas da Vida", de André Luiz e Chico Xavier

Este dia



"1 Este dia é o seu melhor tempo, o instante de agora.

2 Se você guarda inclinação para a tristeza, este é o ensejo de meditar na alegria da vida e de aceitar-lhe a mensagem de renovação permanente.

3 Se a doença permanece em sua companhia, surgiu a ocasião de tratar-se com segurança.

4 Se você errou, está no passo de acesso ao reajuste.

5 Se esse ou aquele plano de trabalho está incubado em seu pensamento, agora é o momento de começar a realizá-lo.

6 Se deseja fazer alguma boa ação, apareceu o instante de promovê-la.

7 Se alguém aguarda as suas desculpas por faltas cometidas, terá soado a hora em que você pode esquecer qualquer ocorrência infeliz e sorrir novamente.

8 Se alguma visita ou manifestação afetiva esperam por você chegou o tempo de atendê-las.

9 Se precisa estudar determinada lição, encontrou você a oportunidade de fazer isso.

10 Este dia é um presente de Deus, em nosso auxílio; de nós depende aquilo que venhamos a fazer com ele."

André Luiz e Chico Xavier, em 'Respostas da vida' (capítulo 1: Este dia)*

*Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais
Imagem: ph/pxhere/@Divesh Ray: "Os raios de Sol caindo sobre a Terra" (CC0)

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Uma visão Espírita sobre o racismo

O Racismo na visão do Espiritismo



Constantemente somos bombardeados por notícias através da mídia, que denunciam atos de agressão física, verbal, moral e assassínios relacionadas ao racismo. Temos, no Brasil, o polêmico "sistemas de cotas" e sofremos com o infame "racismo estrutural" em nossa sociedade. Em 1997, Jávier Godinho, colaborador da "Revista Espírita Allan Kardec", publicou na mesma um artigo a respeito do assunto, que continua bastante atual. Vale a pena ler e compartilhar:

"A imprensa apresenta, constantemente, fatos relacionados a manifestações de racismo, fora e dentro do Brasil. E mostra, também, cenas terríveis de miséria nos países mais devastados da África, onde homens, mulheres e crianças de pele negra parecem mais esqueletos vivos, semelhantes às fotos dos seis milhões de judeus exterminados nos campos de concentração nazistas.

Não seriam as esquálidas criaturas de hoje os mesmos homens que provocariam o genocídio da Alemanha de Hitler, agora em novos corpos?

O racismo é, antes de tudo, uma demonstração de atraso espiritual e desconhecimento das leis divinas. Aquele que diminui ou persegue o irmão pela cor da pele ou por qualquer outra característica étnica, viola o grande mandamento, síntese de toda a lei e dos profetas, "amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo."

Pela lei do carma, ou de causa e efeito, o racista sofrerá, em si próprio, a inteireza do sofrimento provocado ao semelhante. Pagará até o último ceitil, pois todo homem será punido naquilo em que pecar. "Quem com ferro fere, com ferro será ferido"- na expressão do próprio Cristo.

Ensina "O Livro dos Espíritos" que os homens atuais são os mesmos Espíritos que voltaram, para se aperfeiçoar em novos corpos, estando, ainda, muito longe da perfeição. A raça de agora, que por seu crescimento tende a invadir toda a Terra e substituir as raças que se extinguem, terá, também, a sua decadência. Outras raças a substituirão, descendentes dela mesma, como os civilizados contemporâneos descendem dos seres brutos e selvagens das eras primitivas.

A origem das raças perde-se na noite dos tempos. Como todas pertencem à grande família humana, puderam misturar-se e produzir novos tipos. As múltiplas variedades de um mesmo fruto não impedem que constituam uma só espécie.

No final de 1939, justamente quando o racismo nazista contra o povo judeu era um dos determinantes da eclosão da Segunda Guerra Mundial, o espírito de Emmanuel começava, no Grupo Espírita Luiz Gonzaga, de Pedro Leopoldo, Minas Gerais, a psicografar, através de Francisco Cândido Xavier, o livro "O Consolador".

Na obra, editada no ano seguinte pela Federação Espírita Brasileira, Emmanuel considera justo o agrupamento nos países de múltiplas coletividades pelos laços afins da educação e do sentimento. A política do racismo, todavia, é encarada como um erro gravíssimo, que pretexto algum justifica. O racismo não tem nenhuma base séria nas suas alegações que, na realidade, só encobrem o propósito tenebroso do separatismo e da tirania.

Se todavia, nenhum dos argumentos acima convence o leitor, lembramos as recentes descobertas da Arqueologia, dando-nos conta de que todos nós, seres humanos, de qualquer raça, somos originários do Continente Africano."
Jávier Godinho
____
Fonte: Paradigma Espírita: Um Blog sobre a Doutrina Espírita e suas questões url:http://paradigmaespirita.blogspot.com.br/2012/05/o-racismo-na-visao-do-espiritismo.html (adaptação) - Autor: Jávier Godinho, para a "Revista Espírita Allan Kardec" (Goiás, 1997)

Nota sobre o autor: 


Jávier Godinho (27/11/1936 - 13/09/2018), foi um jornalista, radialista e espírita brasileiro. Trabalhou por várias décadas no "Grupo Jaime Câmara" e em outros veículos. Nascido na cidade de Goiás, ele se mudou para Goiânia em 1956. Formado em direito, nunca atuou na área. Na década de 1960, começou a trabalhar no jornal "O Popular", onde foi revisor, repórter e editor. 

Também escreveu programas para a "Rádio Anhanguera" e atuou como assessor de imprensa. Ficou bastante conhecido como autor de textos para a "Hora do Angelus", um momento de reflexão e fé exibido pela "TV Anhanguera" por mais de 50 anos, pontualmente às 18h. Jávier foi fundador da "Academia Goianiense de Letras" e conferencista Espírita de grade destaque no Brasil.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

O combate à tirania segundo Emmanuel: "Círculos Intercessórios"

627. Uma vez que Jesus ensinou as verdadeiras leis de Deus, qual a utilidade do ensino que os Espíritos dão? Terão que nos ensinar mais alguma coisa? ...A nossa missão consiste em abrir os olhos e os ouvidos a todos, confundindo os orgulhosos e desmascarando os hipócritas: os que vestem a capa da virtude e da religião, a fim de ocultarem suas torpezas...
“Ajudando-nos também vós com orações por nós, para que pela mercê, que por muitas pessoas nos foi feita, por muitas também sejam dadas graças a nosso respeito.”                  (II Coríntios, 1:11)

"O mal empreende o ataque, o bem organiza a defesa. O primeiro movimenta a agressão, estabelece o terror, espalha ruínas. O segundo mobiliza o direito, cria energias novas, eleva sentimentos e consciências.

Os povos pacíficos da atualidade encontram problemas de solução imediata, cuja equação requer ânimo sadio. Como interpretar o assédio da força? Como receber as novas modalidades de tirania?

O ataque do mal vem à sombra da noite, o golpe traiçoeiro não espera declarações diplomáticas, nem a invasão generalizada obedece a protocolos políticos.

Muitas nações mantiveram-se à margem dos grandes conflitos, guardando a neutralidade e as tradições do direito internacional. Nem por isso, todavia, tornaram-se respeitadas. A onda de barbarismo envolve países, coletividades, continentes.

É necessário que o bem organize a defesa.

Muita gente pergunta:- Combater por quê? Estamos com Jesus que ensinou o bem e a paz. Entretanto, é indispensável não esquecer que existem padrões de pacifismo e padrões de passividade.

O Mestre é o Príncipe da Paz. Contudo, é imprescindível raciocinar quanto ao que seria do cristianismo se Jesus houvesse entrado em acordo com os fariseus do templo… A batalha do Calvário iniciou o movimento de defesa do Evangelho. Continuaram, então, as batalhas cristãs, desde os circos romanos até aos campos sangrentos da atualidade.

Eis que o Brasil, generoso e pacífico, foi convocado às lutas da defesa. Nesta hora grave, recordemos a exortação confiante de Paulo: “Fundemos círculos intercessórios para a cooperação ativa junto às vanguardas vigilantes”.

Organizemos ligas de orações nos templos, nas instituições e nos lares, compadecendo, espiritualmente no esforço defensivo, auxiliando também nós, no valoroso combate do bem."
____
Fonte: Emmanuel, in "Alma e Luz", psicografia de Chico Xavier - Capítulo: 4 – "Círculos Intercessórios" / Versículo: II Coríntios, 1:11 - Imagem: Allan Kardec, in "O Livro dos Espíritos", trecho de resposta dos Espíritos à questão 627.

Questão 627 - "O Livro dos espíritos"


Parte Terceira - Das leis morais - Capítulo I - Da Lei Divina ou Natural - Origem e conhecimento da lei natural

627. Uma vez que Jesus ensinou as verdadeiras leis de Deus, qual a utilidade do ensino que os Espíritos dão? Terão que nos ensinar mais alguma coisa?

“Jesus empregava amiúde, na sua linguagem, alegorias e parábolas, porque falava de conformidade com os tempos e os lugares.

Faz-se mister agora que a verdade se torne inteligível para todo mundo.

Muito necessário é que aquelas leis sejam explicadas e desenvolvidas, tão poucos são os que as compreendem e ainda menos os que as praticam.

A nossa missão consiste em abrir os olhos e os ouvidos a todos, confundindo os orgulhosos e desmascarando os hipócritas: os que vestem a capa da virtude e da religião, a fim de ocultarem suas torpezas.

O ensino dos Espíritos tem que ser claro e sem equívocos, para que ninguém possa pretextar ignorância e para que todos o possam julgar e apreciar com a razão.

Estamos incumbidos de preparar o reino do bem que Jesus anunciou. Daí a necessidade de que a ninguém seja possível interpretar a lei de Deus ao sabor de suas paixões, nem falsear o sentido de uma lei toda de amor e de caridade.”

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Uma profunda reforma íntima em 20 lições, por Chico Xavier

20 exercícios para reforma íntima”, por Chico Xavier



1. Executar alegremente as próprias obrigações.
2. Silenciar diante da ofensa.
3. Esquecer o favor prestado.
4. Exonerar os amigos de qualquer gentileza para conosco.
5. Emudecer a nossa agressividade.
6. Não condenar as opiniões que divergem da nossa.
7. Abolir qualquer pergunta maliciosa ou desnecessária.
8. Repetir informações e ensinamentos sem qualquer azedume.
9. Treinar a paciência constante.
10. Ouvir fraternalmente as mágoas dos companheiros sem biografar nossas dores.
11. Buscar sem afetação o meio de ser mais útil.
12. Desculpar sem desculpar-se.
13. Não dizer mal de ninguém.
14. Buscar a melhor parte das pessoas que nos comungam a experiência.
15. Alegrar-se com a alegria dos outros.
16. Não aborrecer quem trabalha.
17. Ajudar espontaneamente.
18. Respeitar o serviço alheio.
19. Reduzir os problemas particulares.
20. Servir de boa mente quando a enfermidade nos fira.

Francisco Cândido Xavier, o nosso amado Chico Xavier


quarta-feira, 7 de março de 2018

Umbanda: "Falso ou verdadeiro"

Falso ou verdadeiro ¹


"É falso quando uma entidade diz que você tem que desenvolver a mediunidade, senão vai sofrer muito na vida.

É falso dizer que os médiuns e diretores de uma gira, por pertencerem e incorporarem entidades maravilhosas, sejam puros e isentos de pecados.

É verdadeiro separar a entidade do médium, e colher apenas suas mensagens, sabendo serem os médiuns tão sofredores e necessitados como qualquer um.

É falso exigir dos espíritos só a felicidade, sem imaginar que o sofrimento possa lhe atingir.

É verdadeiro pensar que o livre arbítrio e o carma fazem parte da essência de todos, não tendo os guias espirituais permissão para interferirem em nenhum deles.

É falso imaginar que na Umbanda os espíritos gostam de beber e fumar, como qualquer viciado encarnado.

É verdadeiro pensar que os espíritos bebem e fumam, obedecendo a lei da magia e, se realmente fossem viciados, ao invés de um sagrado terreiro de Umbanda, iriam incorporar nos alcoólicos anônimos frequentadores de bares que proliferam nas cidades.

É falso pensar que a Umbanda pratica o mal.

É verdadeiro saber que a Umbanda é uma religião nova, autenticamente brasileira, só pratica a caridade e prega o amor, e seus adeptos buscam, através dela, o retorno ao criador, tendo em Jesus Cristo sua figura máxima.

É falso pensar que o demônio, usa chifres e rabo pontudo, praticando a maldade ou espalhando doenças.

É verdadeiro saber que o Exu é o mensageiro dos Orixás, são bonitos e espíritos de luz e só praticam o bem, buscando, como todos, a sua evolução espiritual, o que só poderão conseguir seguindo as ordens divinas da amorosa Umbanda.

É falso dizer que as Pombas Giras são espíritos de prostitutas e são insinuantes com os homens.

É verdadeiro dizer que as Pombas Giras são espíritos femininos, trabalhando na Quimbanda, à serviço da Umbanda, e que tiveram todo tipo de encarnação, inclusive de prostitutas, hoje elevados, em busca de sua evolução espiritual.

É falso quando dizem que um Cigano ou Cigana o acompanha e querem trabalhar.

É verdadeiro quando dizem que você tem um Cigano ou Cigana ao teu lado, aguardando teu desenvolvimento, ocasião em que, com ordem das entidades mandantes da Umbanda; Caboclo e Preto Velho se manifestará no terreiro e nunca em casa ou outro lugar.

É falso quando o pai de santo ou mãe de santo não responde algumas perguntas afirmando serem mirongas de Congá.

É verdadeiro saber que o pai de santo ou mãe de santo nem sempre conhecem todos os segredos da Umbanda."

Texto¹ do Pai Fernando Guimarães, fundador do Terreiro Pai Maneco (CWB)

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Mensagens e Orações de Meimei (através de Chico Xavier)

Irma de Castro Rocha, a nossa amada irmã Meimei

"Irma de Castro Rocha, conhecida como Meimei por meio de psicografias, foi um espírito que se manifestava mediante as cartas do líder espírita Chico Xavier. Ela deixou grandes lições de benevolência com o próximo e sua história foi contada em diversas obras mediúnicas. São elas: “Pai Nosso”, “Amizade”, “Palavras do Coração”, “Cartilha do Bem”, “Evangelho em Casa”, “Deus Aguarda” e “Mãe”.

Meimei nasceu na cidade de Mateus Leme, em Minas Gerais, em 22 de outubro de 1922. Seu nome espiritual trata-se de uma expressão familiar adotada por ela e seu marido, Arnaldo Rocha, com quem se casou aos 22 anos.

O apelido surgiu a partir da leitura que o casal fez do livro “Momentos em Pequim”, do filósofo chinês Lyn Yutang. No glossário da obra, eles encontram o significado da palavra Meimei – que significa “a noiva bem amada”. A partir deste momento, Rocha chamava Irma pelo apelido, mas ninguém a conhecia por esse nome. Era o segredo daquele casal.

Seu marido dizia que qualquer criança que passasse por Meimei recebia o cumprimento: “Deus te abençoe”. Mesmo sendo católica, ela já demonstrava sinais de mediunidade. Ela tinha um filho imaginário. Quando chegava do trabalho, às vezes ela falava ao esposo: “meu bem, você está sentado em cima de meu princepezinho”. Na época ele pensava que suas visões se tratavam de disfunções psíquicas.

Segundo os relatos de sua vida passada, psicografados por Chico, esses fatos se tratavam dos compromissos na corte de Felipe II, ao lado do marido Fernando Álvares de Toledo – O Duque de Alba. Após dois anos em matrimônio, ela ficou doente por dois meses e desencarnou em Belo Horizonte, em 1º de outubro de 1946.

Após 50 dias do retorno da esposa à Pátria Espiritual, Arnaldo Rocha e seu irmão Orlando (que era espírita), estavam em Belo Horizonte quando encontraram o médium Francisco Cândido Xavier. Segundo Rocha, o que aconteceu o surpreendeu de forma nunca antes vista. “Chico olhou-me e disse: ‘ora gente, é o nosso Arnaldo, está triste, magro, cheio de saudades da querida Meimei…’”. O fato foi intrigante, pois ninguém sabia do apelido Meimei, até então mantido em sigilo.

Logo após abraçá-lo, o médium acrescentou: “Deixe-me ver, meu filho, o retrato de nossa Meimei que você guarda na carteira”. Ao olhar a foto, o líder espírita disse: “Nossa querida princesa Meimei quer muito lhe falar!”. Rocha ficou aturdido e curioso sobre o que sua mulher poderia lhe dizer sobre o mundo espiritual. Naquela mesma noite, o médium redigiu a primeira mensagem de Irma ao marido. Meimei ainda é homenageada por diversas casas espiritas até os dias de hoje."

  Mensagens de Meimei  

"Quando Jesus começou a prece dominical, satisfazendo ao pedido dos companheiros que desejavam aprender a orar, iniciou a rogativa, dizendo assim:

- Pai Nosso, que estás nos céus...

O Mestre queria dizer-nos que Deus, acima de tudo, é nosso Pai.

Criador dos homens, das estrelas e das flores.

Senhor dos céus e da Terra.

Para Ele, todos somos filhos abençoados.

Com essa afirmativa, Jesus igualmente nos explicou que somos no mundo uma só família e que, por isso, todos somos irmãos, com o dever de ajudar-nos uns aos outros.

Ele próprio, a fim de instruir-nos, viveu a fraternidade pura, auxiliando os homens felizes e infelizes, os necessitados e doentes, mostrando-nos o verdadeiro caminho da perfeição e da paz.

Na condição de aprendizes do nosso Divino Mestre, devemos seguir-lhe o exemplo.

Se sentirmos Deus como Nosso Pai, reconheceremos que os nossos irmãos se encontram em toda parte e estaremos dispostos a ajudá-los, a fim de sermos ajudados, mais cedo ou mais tarde. A vida só será realmente bela e gloriosa, na Terra, quando pudermos aceitar por nossa grande família a Humanidade inteira."

XAVIER, Francisco Cândido. Pai Nosso. Pelo Espírito Meimei. FEB.

 Oração Diante da Palavra 

"Senhor!

Deste-me a palavra por semente de luz.
Auxilia-me a cultivá-la.

Não me permitas envolvê-la na sombra que projeto.

Ensina-me a falar para que se faça o melhor.

Ajuda-me a lembrar o que deve ser dito e a lavar da memória tudo aquilo que a tua bondade espera se lance no esquecimento.

Onde a irritação me procure, induze-me ao silêncio, e, onde lavre o incêndio da incompreensão ou do ódio, dá que eu pronuncie a frase calmante que possa apagar o fogo da ira.

Em qualquer conversação, inspira-me o conceito certo que se ajuste à edificação do bem, no momento exato, e faze-me vigilante para que o mal não me use, em louvor da perturbação.

Não me deixes emudecer, diante da verdade, mas conserva-me em tua prudência, a fim de que eu saiba dosar a verdade em amor, para que a compaixão e a esperança não esmoreçam, junto de mim.

Traze-me o coração ao raciocínio, sincero sem aspereza, brando sem preguiça, fraterno sem exigência e deixa, Senhor, que a minha palavra te obedeça a vontade, hoje e sempre."


 A Bênção do Trabalho 

"É pela bênção do trabalho que podemos esquecer os pensamentos que nos perturbam, olvidar os assuntos amargos, servindo ao próximo, no enriquecimento de nós mesmos.

Com o trabalho, melhoramos nossa casa e engrandecemos o trecho de terra onde a Providência Divina nos situou.

Ocupando a mente, o coração e os braços nas tarefas do bem, exemplificamos a verdadeira fraternidade e adquirimos o tesouro da simpatia, com o qual angariaremos o respeito e a cooperação dos outros.

Quem não sabe ser ítil não correspondeà Bondade do Céu, não atende aos seus justos deveres para com a humanidade e nem retribui a dignidade da pátria amorosa que lhe serve de mãe.

O trabalho é uma instituição de Deus."

 Senda da Perfeição 

"Quem move as mãos no serviço,

Foge à treva e à tentação.

Trabalho de cada dia

É senda de perfeição."
.

 Luz em Ti 

"É um tesouro inigualável, teu somente.

Ninguém dispõe dele em teu lugar.

Nas horas mais difíceis, podes gastá-lo sem preocupação.

Quando alguém te fira, é capaz de revelar-te a grandeza da alma, no brilho do perdão.

No momento em que os seres mais queridos porventura te abandonem, será parte luminosa de tua bênção.

Ante os irmãos infelizes, é o teu cartão de paz e simpatia.

Nos empreendimentos que te digam respeito ao próprio interesse, converte-se em passaporte para a aquisição das vantagens que desejes usufruir.

No relacionamento comum, transforma-se na chave para a formação das amizades fiéis.

Na essência, é um investimento, a teu próprio favor, que realizas sem o menor prejuízo.

Esse tesouro é o teu sorriso, - luz de Deus em ti mesmo, - que nenhuma circunstância pode extinguir e que ninguém consegue arrebatar."

 Confia Sempre 

"Não percas a tua fé entre as sombras do mundo. 

Ainda que os teus pés estejam sangrando, segue para a frente, erguendo-a por luz celeste, acima de ti mesmo. 

Crê e trabalha. 

Esforça-te no bem e espera com paciência. 

Tudo passa e tudo se renova na terra, mas o que vem do céu permanecerá. 

De todos os infelizes os mais desditosos são os que perderam a confiança em Deus e em si mesmo, porque o maior infortúnio é sofrer a privação da fé e prosseguir vivendo. 

Eleva, pois, o teu olhar e caminha. 

Luta e serve. Aprende e adianta-te. 

Brilha a alvorada além da noite. 

Hoje, é possível que a tempestade te amarfanhe o coração e te atormente o ideal, aguilhoando-te com a aflição ou ameaçando-te com a morte... 

Não te esqueças, porém, de que amanhã será outro dia."





        

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