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sexta-feira, 23 de outubro de 2020

André Luiz: 'E a vida continua…'

Prefácio de Emmanuel, em  'E a vida continua…' 
Livro de Chico Xavier, pelo Espírito André Luiz


O ator Renato Prieto, interpretando o Espírito André Luiz, em 'Nosso Lar, o filme (Brasil/2010)


"1 Leitor amigo:

E a vida continua...

Nada te escrevemos, aqui, no intuito de apresentar ou recomendar André Luiz, o amigo que se fez credor de nossa simpatia e reconhecimento pelas páginas consoladoras e construtivas que vem formulando do Mundo Espiritual para o Mundo Físico.

2 Entretanto, é razoável se te diga que neste volume, em matéria de vida “post-mortem”, ele expõe notícias diferentes daquelas que ele próprio colheu em “Nosso Lar” ¹, estância a que aportou depois da desencarnação.

3 Conquanto as personagens da história aqui relacionadas — todas elas figuras autênticas, cujos nomes foram naturalmente modificados para não ferir corações amigos na Terra — tenham tido, como já dissemos, experiências muito diversas daquelas que caracterizam as trilhas do próprio André Luiz, em seus primeiros tempos na Espiritualidade, é justo considerar que os graus de conhecimento e responsabilidade variam ao infinito.

4 Assim é que os Planos de vivência para os habitantes do Além se personalizam de múltiplos modos, e a vida para cada um se especifica invariavelmente, segundo a condição mental em que se coloque.

5 Compreensível que assim seja. Quanto maior a cultura de um Espírito encarnado, mais dolorosos se lhe mostrarão os resultados da perda de tempo. Quanto mais rebelde a criatura perante a Verdade, mais aflitivas se lhe revelarão as consequências da própria teimosia.

6 Além disso, temos a observar que a sociedade, para lá da morte, carrega consigo os reflexos dos hábitos a que se afeiçoava no mundo.

7 Os desencarnados de uma cidade asiática não encontram, de imediato, os costumes e edificações de uma cidade ocidental e vice-versa.

8 Nenhuma construção digna se efetua sem a cooperação do serviço e do tempo, de vez que a precipitação ou a violência não constam dos Planos Divinos que supervisionam o Universo.

9 Para não nos alongarmos em apontamentos dispensáveis, reafirmamos tão somente que, ainda aqui, encontraremos, depois da grande renovação, o retrato espiritual de nós mesmos com as situações que forjamos, a premiar-nos pelo bem que produzam ou a exigir-nos corrigenda pelo mal que estabeleçam.

10 Leiamos, assim, o novo livro de André Luiz, na certeza de que surpreenderemos em suas páginas muitos pedaços de nossa própria história, no tempo e no espaço, a solicitar-nos meditação e autoexame, aprendendo que a vida continua plena de esperança e trabalho, progresso e realização, em todos os distritos da Vida Cósmica, ajustada às leis de Deus."


Chico Xavier e Emmanuel 

(Uberaba, 18 de abril de 1968)


Nota: 1- André Luiz. — Nota de Emmanuel

Fonte: prefácio do Espírito Emmanuel no livro 'E a vida continua…', de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito André Luiz - citação parcial para estudo, divulgação do Espiritismo e da obra de Chico Xavier, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais - Imagem: reprodução da Internet de cena do filme 'Nosso Lar', Renato Prieto interpretando André Luiz - Para adquirir o livro, clique aqui... - Para o filme 'Nosso Lar', clique aqui...


terça-feira, 22 de setembro de 2020

André Luiz: 'Luz nas sombras' - Capítulo 1 do livro 'Ação e Reação'

'Luz nas Sombras', cap. 1 de 'Ação e Reação', de Chico Xavier, pelo Espírito André Luiz


Sumário:
1. Em palestra com o Instrutor Druso, diretor da Mansão Paz.
  O que é a Mansão Paz.
  Presenciando uma violenta tempestade em região umbralina, arrastando consigo, multidões de Espíritos sofredores:
  Não seria possível abrigá-los todos na instituição socorrista dirigida por Druso?
  Tais infelizes guardam consciência do que lhes sucede?
  Conservam-se interminavelmente nesse terrível desajuste?
2. Bastará, porventura, a romagem de purgação do Espírito depois da morte, nos lugares de treva e padecimento, para que os débitos da consciência sejam ressarcidos?
3. Que aconteceria se as almas encarnadas pudessem morrer no corpo, alguns dias por ano, não à maneira do sono físico em que se refazem, mas com plena consciência da vida que as espera?
4. Quem são os Espíritos desencarnados que vivem nas regiões trevosas do Umbral? São delinquentes comuns ou criminosos acusados de grandes faltas? Encontraríamos por aí, seres primitivos como os nossos selvagens por exemplo?
  Como o Instrutor Druso chegou à condição de Diretor da Mansão Paz.

"1 — Sim — afirmava-nos o Instrutor Druso, sabiamente —, o estudo da situação espiritual da criatura humana, após a morte do corpo, não pode ser relegado a plano secundário. Todas as civilizações que antecederam a glória ocidental nos tempos modernos consagraram especial atenção aos problemas de além-túmulo.

O Egito mantinha incessante intercâmbio com os trespassados e ensinava que os mortos sofriam rigoroso julgamento entre Anúbis, o gênio com cabeça de chacal, e Horus, o gênio com cabeça de gavião, diante de Maât, a deusa da justiça, decidindo se as almas deveriam ascender ao esplendor solar ou se deveriam voltar aos labirintos da provação, na própria Terra, em corpos deformados e vis; os hindus admitiam que os desencarnados, conforme as resoluções do Juiz dos Mortos, subiriam ao Paraíso ou desceriam aos precipícios do reino de Varuna, o gênio das águas, para serem insulados em câmaras de tortura, amarrados uns aos outros por serpentes infernais; hebreus, gregos, gauleses e romanos sustentavam crenças mais ou menos semelhantes, convictos de que a elevação celeste se reservava aos Espíritos retos e bons, puros e nobres, guardando-se os tormentos do inferno para quantos se rebaixavam na perversidade e no crime, nas regiões de suplício, fora do mundo ou no próprio mundo, através da reencarnação em formas envilecidas pela expiação e pelo sofrimento.

A conversação fascinava-nos.

Hilário e eu visitávamos a “Mansão Paz”, notável escola de reajuste de que Druso era o diretor abnegado e amigo.

O estabelecimento, situado nas regiões inferiores, era bem uma espécie de “mosteiro São Bernardo”, em zona castigada por natureza hostil, com a diferença de que a neve, quase constante em torno do célebre convento encravado nos desfiladeiros entre a Suíça e a Itália, era ali substituída pela sombra espessa, que, naquela hora, se adensava, movimentada e terrível, ao redor da instituição, como se tocada por ventania incessante.

O pouso acolhedor, que permanece sob a jurisdição de “Nosso Lar” ¹, está fundado há mais de três séculos, dedicando-se a receber Espíritos infelizes ou enfermos, decididos a trabalhar pela própria regeneração, criaturas essas que se elevam a colônias de aprimoramento na Vida Superior ou que retornam à esfera dos homens para a reencarnação retificadora.

Em razão disso, o casario enorme, semelhante a vasta cidadela instalada com todos os recursos de segurança e defesa, mantém setores de assistência e cursos de instrução, nos quais médicos e sacerdotes, enfermeiros e professores encontram, depois da morte terrestre, aprendizados e quefazeres da mais elevada, importância.

Pretendíamos efetuar algumas observações, com referência às leis de causa e efeito — o carma dos hindus e, convenientemente recomendados pelo Ministério do Auxílio, achávamo-nos ali, encantados com a palavra do orientador, que prosseguia, atencioso, após longa pausa:

— Acresce notar que a Terra é vista sob os mais variados ângulos. Para o astrônomo, é um planeta a gravitar em torno do sol; para o guerreiro é um campo de luta em que a geografia se modifica a ponta de baionetas; para o sociólogo é amplo reduto em que se acomodam raças diversas; mas, para nós, é valiosa arena de serviço espiritual, assim como um filtro em que a alma se purifica, pouco a pouco, no curso dos milênios, acendrando qualidades divinas para a ascensão à glória celeste. Por isso, há que sustentar a luz do amor e do conhecimento, no seio das trevas, como é necessário manter o remédio no foco da enfermidade.

Enquanto nos entendíamos, reparávamos lá fora, através do material transparente de larga janela, a convulsão da Natureza.

Ventania ululante, carreando consigo uma substância escura, semelhante à lama aeriforme, remoinhava com violência, em torvelinho estranho, à maneira de treva encachoeirada…

E do corpo monstruoso do turbilhão terrível rostos humanos surdiam em esgares de horror, vociferando maldições e gemidos.

Apareciam de relance, jungidos uns aos outros como vastas correntes de criaturas agarradas entre si, em hora de perigo, na ânsia instintiva de dominar e sobreviver.

Druso, tanto quanto nós, contemplou o triste quadro com visível piedade a marcar-lhe o semblante.

Fixou-nas em silêncio como a chamar-nos para a reflexão. Parecia dizer-nos quanto lhe doía o trabalho naquela paragem de sofrimento, quando Hilário interrogou:

— Por que não descerrar as portas aos que gritam lá fora? Não é este um posto de salvação?

— Sim — respondeu o Instrutor, sensibilizado —, mas a salvação só é realmente importante para aqueles que desejam salvar-se.

E, depois de pequeno intervalo, continuou:

— Para cá do túmulo, a surpresa para mim mais dolorosa foi essa, o encontro com feras humanas, que habitavam o templo da carne, à feição de pessoas comuns. Se acolhidas aqui, sem a necessária preparação, atacar-nos-iam de pronto, arrasando-nos o instituto de assistência pacífica. E não podemos esquecer que a ordem é a base da caridade.

Apesar da explicação firme e serena, concentrava-se Druso no painel exterior, tal a compaixão a desenhar-se-lhe na face.

Logo após, recompondo a expressão fisionômica, o Instrutor aduziu:

— Somos hoje defrontados por grande tempestade magnética, e muitos caminheiros das regiões inferiores são arrebatados pelo furacão como folhas secas no vendaval.

— E guardam consciência disso? — indagou Hilário, perplexo.

— Raros deles. As criaturas que se mantêm assim desabrigadas, depois do túmulo, são aquelas que não se acomodam com o refúgio moral de qualquer princípio nobre. Trazem o íntimo turbilhonado e tenebroso, qual a própria tormenta, em razão dos pensamentos desgovernados e cruéis de que se nutrem. Odeiam e aniquilam, mordem e ferem. Alojá-los, de imediato, nos santuários de socorro aqui estabelecidos, será o mesmo que asilar tigres desarvorados entre fiéis que oram num templo.

— Mas conservam-se, interminavelmente, nesse terrível desajuste? — insistiu meu companheiro agoniado.

O orientador tentou sorrir e respondeu:

— Isso não. Semelhante fase de inconsciência e desvario passa também como a tempestade, embora a crise, por vezes, persevere por muitos anos. Batida pelo temporal das provações que lhe impõem a dor de fora para dentro, refunde-se a alma, pouco a pouco, tranquilizando-se para abraçar, por fim, as responsabilidades que criou para si mesma.

2 — Quer dizer, então — disse por minha vez —, que não basta a romagem de purgação do Espírito depois da morte, nos lugares de treva e padecimento, para que os débitos da consciência sejam ressarcidos…

— Perfeitamente — aclarou o amigo, atalhando-me a consideração reticenciosa —, o desespero vale por demência a que as almas se atiram nas explosões de incontinência e revolta. Não serve como pagamento nos tribunais divinos. Não é razoável que o devedor solucione com gritos e impropérios os compromissos que contraiu mobilizando a própria vontade.

Aliás, dos desmandos de ordem mental a que nos entregamos, desprevenidos, emergimos sempre mais infelizes, por mais endividados. Cessada a febre de loucura e rebelião, o Espírito culpado volve ao remorso e à penitência. Acalma-se como a terra que torna à serenidade e à paciência, depois de insultada pelo terremoto, não obstante amarfanhada e ferida. Então, como o solo que regressa ao serviço da plantação proveitosa, submete-se de novo à sementeira renovadora dos seus destinos.

3 Atormentada expectação baixara sobre nós, quando Hilário considerou:

— Ah! se as almas encarnadas pudessem morrer no corpo, alguns dias por ano, não à maneira do sono físico em que se refazem, mas com plena consciência da vida que as espera!…

— Sim — ajuntou o orientador —, isso realmente modificaria a face moral do mundo; entretanto, a existência humana, por mais longa, é simples aprendizado em que o Espírito reclama benéficas restrições para restaurar o seu caminho. Usando nova máquina fisiológica entre os semelhantes, deve atender à renovação que lhe diz respeito e isso exige a centralização de suas forças mentais na experiência terrena a que transitoriamente se afeiçoa.

4 A palavra fluente e sábia do Instrutor era para nós motivo de singular encantamento, e, porque me supunha no dever de aproveitar os minutos, ponderava em silêncio, de mim para comigo, quanto à qualidade das almas desencarnadas que sofriam a pressão da tormenta exterior.

Druso percebeu-me a indagação mental e sorriu, como a esperar por minha pergunta clara e positiva.

Instado pela força de seu olhar, observei, respeitoso:

— Diante do espetáculo penoso a que nos é dado assistir, somos naturalmente constrangidos a pensar na procedência dos que experimentam o mergulho nesse torvelinho de horror… São delinquentes comuns ou criminosos acusados de grandes faltas? Encontraríamos por aí seres primitivos como os nossos indígenas por exemplo?

A resposta do amigo não se fez esperar.

— Tais inquirições — disse ele —, quando de minha vinda para cá, me assomaram igualmente à cabeça. Há cinquenta anos sucessivos estou neste refúgio de socorro, oração e esperança. Penetrei os umbrais desta casa como enfermo grave, após o desligamento do corpo terrestre. Encontrei aqui um hospital e uma escola. Amparado, passei a estudar minha nova situação, anelando servir. Fui padioleiro, cooperador da limpeza, enfermeiro, professor, magnetizador, até que, de alguns anos para cá, recebi jubilosamente o encargo de orientar a instituição, sob o comando positivo dos instrutores que nos dirigem.

Obrigado a pacientes e laboriosas investigações, por força de meus deveres, posso adiantar-lhes que às densas trevas em torno somente aportam as consciências que se entenebreceram nos crimes deliberados, apagando a luz do equilíbrio em si mesmas. Nestas regiões inferiores não transitam as almas simples, em qualquer aflição purgativa, situadas que se encontram nos erros naturais das experiências primárias. 

Cada ser está jungido, por impositivos da atração magnética, ao círculo de evolução que lhe é próprio. Os selvagens, em grande maioria, até que se lhes desenvolva o mundo mental, vivem quase sempre confinados a floresta que lhes resume os interesses e os sonhos, retirando-se vagarosamente do seu campo tribal, sob a direção dos Espíritos benevolentes e sábios que os assistem; e as almas notoriamente primitivas, em grande parte, caminham ao influxo dos gênios beneméritos que as sustentam e inspiram, laborando com sacrifício nas bases da instituição social e aproveitando os erros, filhos das boas intenções, à maneira de ensinamentos preciosos que garantem a educação dessas almas.

Asseguro-lhes, assim, que, nas zonas infernais propriamente ditas, apenas residem aquelas mentes que, conhecendo as responsabilidades morais que lhes competiam, delas se ausentaram, deliberadamente, com o louco propósito de ludibriarem o próprio Deus.

O inferno, a rigor, pode ser, desse modo, definido como vasto campo de desequilíbrio, estabelecido pela maldade calculada, nascido da cegueira voluntária e da perversidade completa. Aí vivem domiciliados, às vezes por séculos, Espíritos que se bestializaram, fixos que se acham na crueldade e no egocentrismo. Constituindo, porém, larga província vibratória, em conexão com a Humanidade terrestre, de vez que todos os padecimentos infernais são criações dela mesma, estes lugares tristes funcionam como crivos necessários para todos os Espíritos que escorregam nas deserções de ordem geral, menosprezando as responsabilidades que o Senhor lhes outorga.

Dessa forma, todas as almas já investidas no conhecimento da verdade e da justiça e por isso mesmo responsáveis pela edificação do bem, e que, na Terra, resvalam nesse ou naquele delito, desatentas para com o dever nobilitante que o mundo lhes assinala, depois da morte do corpo estagiam nestes sítios por dias, meses ou anos, reconsiderando as suas atitudes, antes da reencarnação que lhes compete abraçar, para o reajustamento tão breve quanto possível.

— Desse modo…

Dispunha-se Hilário a ensaiar conclusões, mas Druso, apreendendo-lhe a ideia, atalhou, sintetizando:

— Desse modo, os gênios infernais que supõem governar esta região, com poder infalível, aqui vivem por tempo indeterminado. As criaturas perversas que com eles se afinam, embora lhes padeçam a dominação, aqui se deixam prender por largos anos. E as almas transviadas na delinquência e no vício, com possibilidades de próxima recuperação, aqui permanecem em estágios ligeiros ou regulares, aprendendo que o preço das paixões é demasiado terrível.

Para as criaturas desencarnadas desse último tipo, que passam a sofrer o arrependimento e o remorso, a dilaceração o a dor, apesar de não totalmente livres das complexidades escuras com que se arrojaram às trevas, as casas de fraternidade e assistência como esta funcionam, ativas e diligentes, acolhendo-as quanto possível e habilitando-as para o retorno às experiências de natureza expiatória na carne.

Lembrava-me do tempo em que perlustrara, por minha vez, semiconsciente e conturbado, os trilhos da sombra, quando de meu desligamento do veículo físico, confrontando meus próprios estados mentais do passado e do presente, quando o orientador prosseguiu:

— Segundo é fácil reconhecer, se a treva é a moldura que imprime destaque à luz, o inferno, como região de sofrimento e desarmonia, é perfeitamente cabível, representando um estabelecimento justo de filtragem do Espírito, a caminho da Vida Superior. Todos os lugares infernais surgem, vivem e desaparecem com a aprovação do Senhor, que tolera semelhantes criações das almas humanas, como um pai que suporta as chagas adquiridas pelos seus filhos e que se vale delas para ajudá-los a valorizar a saúde.

As Inteligências consagradas à rebeldia e à criminalidade, em razão disso, não obstante admitirem que trabalham para si, permanecem a serviço do Senhor, que corrige o mal com o próprio mal. Por esse motivo, tudo na vida é movimentação para a vitória do bem supremo.

Druso ia prosseguir, mas invisível campainha vibrou no ar e, mostrando-se alertado pela imposição das horas, levantou-se e disse-nos simplesmente:

— Amigos, chegou o instante de nossa conversação com os internados que já se revelam pacificados e lúcidos. Dedicamos algumas horas, duas vezes por semana, a semelhante mister.

Erguemo-nos sem divergir e acompanhamo-lo, prestamente."
Nota: 1- Cidade espiritual na Esfera Superior "Nosso Lar". — (Nota do Autor espiritual.)
Fonte: transcrição do Capítulo 1 do livro "Ação e Reação", obra mediúnica escrita por Chico Xavier e ditada pelo Espírito André Luiz (FEB Editora) - Citação parcial para estudo, divulgação do livro, da obra de Chico Xavier e do Espiritismo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais - Imagem: representação artística da cidade espiritual "Nosso Lar" (reprodução/internet) - Para mais informações sobre a obra completa veja o adendo...

Ação e Reação (A Vida no Mundo Espiritual)


"Durante três anos, o Espírito André Luiz permaneceu na Mansão Paz, instituição sob jurisdição da colônia Nosso Lar que atende espíritos sofredores de regiões próximas à Terra.

Acompanhado do amigo Hilário, o autor espiritual conhece diversos casos relacionados à lei de causa e efeito que confirmam como a atual existência terrena do ser é vinculada à vida passada, assim como as ações do hoje condicionarão a realidade futura.

Com psicografia de Francisco Cândido Xavier, 'Ação e Reação' descreve regiões inferiores da esfera espiritual e o sofrimento que atinge uma consciência culpada, após a morte do corpo físico, além de apresentar orientações sobre o débito aliviado, os preparativos para a reencarnação, os resgates coletivos e o valor benéfico da oração." Clique aqui para adquirir seu eBook 'Kindle' ou livro físico...

terça-feira, 9 de junho de 2020

"O psicógrafo": André Luiz, in "Missionários da Luz" (Chico Xavier)

"1 Encerrada a conversação, referente aos problemas de intercâmbio com os habitantes da Esfera carnal, o Instrutor Alexandre, que desempenha elevadas funções em nosso Plano, dirigiu-me a palavra, gentilmente:

— Compreendo seu desejo. Se quiser, poderá acompanhar-me ao nosso núcleo, em momento oportuno.

— Sim — respondi, encantado —, a questão mediúnica é fascinante.

O interlocutor sorriu benevolentemente e concordou:

— De fato, para quem lhe examine os ascendentes morais.

Marcou-se, mais tarde, a noite de minha visita e esperei os ensinamentos práticos, alimentando indisfarçável interesse.

Surgida a oportunidade, vali-me da prestigiosa influência para ingressar no espaçoso e velho salão, onde Alexandre desempenha atribuições na chefia.

Dentre as dezenas de cadeiras, dispostas em filas, somente dezoito permaneciam ocupadas por pessoas terrestres, autênticas. As demais atendiam à massa invisível aos olhos comuns do Plano físico.

Grande assembleia de almas sofredoras. Público extenso e necessitado.

Reparei que fios luminosos dividiam os assistentes da região espiritual em turmas diferentes. Cada grupo exibia características próprias. Em torno das zonas de acesso, postavam-se corpos de guarda, e compreendi, pelo vozerio do exterior, que, também ali, a entrada dos desencarnados obedecia a controle significativo. As entidades necessitadas, admitidas ao interior, mantinham discrição e silêncio.


2 Entrei cauteloso, sem despertar atenção na assembleia que ouvia, emocionadamente, a palavra generosa e edificante de operoso instrutor da casa.

Grande número de cooperadores velavam, atentos. E, enquanto o devotado mentor falava com o coração nas palavras, os dezoito companheiros encarnados demoravam-se em rigorosa concentração do pensamento, elevado a objetivos altos e puros. Era belo sentir-lhes a vibração particular. Cada qual emitia raios luminosos, muito diferentes entre si, na intensidade e na cor. Esses raios confundiam-se à distância aproximada de sessenta centímetros dos corpos físicos e estabeleciam uma corrente de força, bastante diversa das energias de nossa Esfera. Essa corrente não se limitava ao círculo movimentado. Em certo ponto, despejava elementos vitais, à maneira de fonte miraculosa; com origem nos corações e nos cérebros humanos que aí se reuniam. As energias dos encarnados casavam-se aos fluidos vigorosos dos trabalhadores de nosso Plano de ação, congregados em vasto número, formando precioso armazém de benefícios para os infelizes, extremamente apegados ainda às sensações fisiológicas.

Semelhantes forças mentais não são ilusórias, como pode parecer ao raciocínio terrestre, menos esclarecido quanto às reservas infinitas de possibilidades além da matéria mais grosseira.


3 Detinha-me na observação dos valores novos de meu aprendizado, quando o meu amigo, terminada a dissertação consoladora, me solicitou a presença nos serviços mediúnicos.

Demonstrando-se interessado no aproveitamento integral do tempo, foi muito comedido nas saudações.

— Não podemos perder os minutos — informou.

E, designando reduzido grupo de seis entidades próximas, esclareceu:

— Esperam, ali, os amigos autorizados.

— À comunicação? — indaguei.

O instrutor fez um sinal afirmativo e acrescentou:

— Nem todos, porém, conseguem o intuito à mesma hora. Alguns são obrigados a esperar semanas, meses, anos…

— Não supunha tão difícil a tarefa — aduzi, espantado.

— Verá — falou Alexandre, gentil.

E dirigindo-se para um rapaz que se mantinha em profunda concentração, cercado de auxiliares de nosso Plano, explicou, atencioso:

— Temos seis comunicantes prováveis, mas, na presente reunião, apenas compareceu um médium em condições de atender. Desde já, portanto, somos obrigados a considerar que o grupo de aprendizes e obreiros terrestres somente receberá o que se relacione com o interesse coletivo. Não há possibilidade para qualquer serviço extraordinário.

— Julguei que o médium fosse a máquina, acima de tudo — ponderei.

— A máquina também gasta — observou o instrutor — e estamos diante de maquinismo demasiadamente delicado.

Fixando-me a expressão espantadiça, Alexandre continuou:

— Preliminarmente, devemos reconhecer que, nos serviços mediúnicos, preponderam os fatores morais. Neste momento, o médium, para ser fiel ao mandato superior, necessita clareza e serenidade, como o espelho cristalino dum lago. De outro modo, as ondas de inquietude perturbariam a projeção de nossa espiritualidade sobre a materialidade terrena, como as águas revoltas não refletem as imagens sublimes do céu e da natureza ambiente.


4 Indicando o médium, prosseguiu o orientador, com voz firme:

— Este irmão não é um simples aparelho. É um Espírito que deve ser tão livre quanto o nosso e que, a fim de se prestar ao intercâmbio desejado, precisa renunciar a si mesmo, com abnegação e humildade, primeiros fatores na obtenção de acesso à permuta com as regiões mais elevadas. Necessita calar, para que outros falem; dar de si próprio, para que outros recebam. Em suma, deve servir de ponte, onde se encontrem interesses diferentes. Sem essa compreensão consciente do espírito de serviço, não poderia atender aos propósitos edificantes. Naturalmente, ele é responsável pela manutenção dos recursos interiores, tais como a tolerância, a humildade, a disposição fraterna, a paciência e o amor cristão; todavia, precisamos cooperar no sentido de manter-lhe os estímulos de natureza exterior, porque se o companheiro não tem pão, nem paz relativa, se lhe falta assistência nas aquisições mais simples, não poderemos exigir-lhe a colaboração, redundante em sacrifício. Nossas responsabilidades, portanto, estão conjugadas nos mínimos detalhes da tarefa a cumprir.

Raiando-me a ideia de que o médium deveria esperar, satisfeito, a compensação divina, Alexandre ponderou:

— Consideremos, contudo, meu amigo, que ainda nos encontramos em trabalho incompleto. A questão de salário virá depois…


5 Nesse ponto da conversação, convidou-me à aproximação do aparelho mediúnico e, colocando-lhe a destra sobre a fronte, exclamou:

— Observe. Estamos diante do psicógrafo comum. Antes do trabalho a que se submete, neste momento, nossos auxiliares já lhe prepararam as possibilidades para que não se lhe perturbe a saúde física. A transmissão da mensagem não será simplesmente “tomar a mão”. Há processos intrincados, complexos.

E, ante minha profunda curiosidade científica, o orientador ofereceu-me o auxílio magnético de sua personalidade vigorosa e passei a observar, no corpo do intermediário, grande laboratório de forças vibrantes. Meu poder de apreensão visual superara os raios X, com características muito mais aperfeiçoadas. As glândulas do rapaz transformaram-se em núcleos luminosos, à guisa de perfeitas oficinas elétricas. Detive-me, porém, na contemplação do cérebro, em particular. Os condutores medulares formavam extenso pavio, sustentando a luz mental, como chama generosa de uma vela de enormes proporções. Os centros metabólicos infundiam-me surpresas. O cérebro mostrava fulgurações nos desenhos caprichosos. Os lobos cerebrais lembravam correntes dinâmicas. As células corticais e as fibras nervosas, com suas tênues ramificações, constituíam elementos delicadíssimos de condução das energias recônditas e imponderáveis. Nesse concerto, sob a luz mental indefinível, a epífise emitia raios azulados e intensos.


6 — Observação perfeita?… — indagou o instrutor, interrompendo-me o assombro. — Transmitir mensagens de uma Esfera para outra, no serviço de edificação humana — continuou —, demanda esforço, boa vontade, cooperação e propósito consistente. É natural que o treinamento e a colaboração espontânea do médium facilitem o trabalho; entretanto, de qualquer modo, o serviço não é automático… Requer muita compreensão, oportunidade e consciência.

Estava admirado.

— Acredita que o intermediário — perguntou — possa improvisar o estado receptivo? De nenhum modo. A sua preparação espiritual deve ser incessante. Qualquer incidente pode perturbar-lhe o aparelhamento sensível, como a pedrada que interrompe o trabalho da válvula receptora. Além disso, a nossa cooperação magnética é fundamental para a execução da tarefa. Examine atentamente. Estamos notando as singularidades do corpo perispiritual. Pode reconhecer, agora, que todo centro glandular é uma potência elétrica. No exercício mediúnico de qualquer modalidade, a epífise desempenha o papel mais importante. Através de suas forças equilibradas, a mente humana intensifica o poder de emissão e recepção de raios peculiares à nossa Esfera. É nela, na epífise, que reside o sentido novo dos homens; entretanto, na grande maioria deles, a potência divina dorme embrionária.

Reconheci que, de fato, a glândula pineal do intermediário expedia luminosidade cada vez mais intensa.


7 Deslocando, porém, a sua atenção do cérebro para a máquina corpórea em geral, o orientador prosseguiu:

— A operação da mensagem não é nada simples, embora os trabalhadores encarnados não tenham consciência de seu mecanismo intrínseco, assim como as crianças, em se fartando no ambiente doméstico, não conhecem o custo da vida ao sacrifício dos pais. Muito antes da reunião que se efetua, o servidor já foi objeto de nossa atenção especial, para que os pensamentos grosseiros não lhe pesem no campo íntimo. Foi convenientemente ambientado e, ao sentar-se aqui, foi assistido por vários operadores de nosso Plano. Antes de tudo, as células nervosas receberam novo coeficiente magnético, para que não haja perdas lamentáveis do tigróide, (corpúsculos de Nissl), necessário aos processos da inteligência. O sistema nervoso simpático, mormente o campo autônomo do coração, recebeu auxílios enérgicos e o sistema nervoso central foi convenientemente atendido, para que não se comprometa a saúde do trabalhador de boa vontade. O vago foi defendido por nossa influenciação contra qualquer choque das vísceras. As glândulas supra-renais receberam acréscimo de energia, para que se verifique acelerada produção de adrenalina, de que precisamos para atender ao dispêndio eventual das reservas nervosas.

Nesse instante, vi que o médium parecia quase desencarnado. Suas expressões grosseiras, de carne, haviam desaparecido ao meu olhar, tamanha a intensidade da luz que o cercava, oriunda de seus centros perispirituais.

Após longo intervalo, Alexandre continuou:

— Sob nossa apreciação, não temos o arcabouço de cal, revestido de carboidratos e proteínas, mas outra expressão mais significativa do homem imortal, filho do Deus Eterno. Repare, nesta a anatomia nova, a glória de cada unidade minúscula do corpo. Cada célula é um motor elétrico que necessita de combustível para funcionar, viver e servir.


8 Despreocupado de meu assombro, o instrutor mudou de atitude e considerou:

— Interrompamos as observações. É necessário agir.

Acenou para um dos seis comunicantes. O mensageiro aproximou-se contente.

— Calixto — falou Alexandre, em tom grave —, temos seis amigos para o intercâmbio; todavia, as possibilidades são reduzidas. Escreverá apenas você. Tome seu lugar. Recorde sua missão consoladora e nada de particularismos pessoais. A oportunidade é limitadíssima e devemos considerar o interesse de todos.

Depois de cumprimentar-nos ligeiramente, Calixto postou-se ao lado do médium, que o recebeu com evidente sinal de alegria. Enlaçou-o com o braço esquerdo e, alçando a mão até ao cérebro do rapaz, tocava-lhe o centro da memória com a ponta dos dedos, como a recolher o material de lembranças do companheiro. Pouco a pouco, vi que a luz mental do comunicante se misturava às irradiações do trabalhador encarnado. A zona motora do médium adquiriu outra cor e outra luminosidade. Alexandre aproximou-se da dupla em serviço e colocou a destra sobre o lobo frontal do colaborador humano, como a controlar as fibras inibidoras, evitando, quanto possível, as interferências do aparelho mediúnico.

Calixto mostrava enorme alegria no semblante feliz de servo que se regozija com as bênçãos do trabalho, e, dando sinais de profunda gratidão ao Senhor, começou a escrever, apossando-se do braço do companheiro e iniciando o serviço com as belas palavras:

— A paz de Jesus seja convosco!"

"Missionários da Luz" é um livro ditado pelo Espírito de André Luiz¹
Obra mediúnica psicografada por Chico Xavier

(Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.)

Notas: Sumário:

"1. André Luiz visita um grupo de trabalhos mediúnicos sob a direção do Instrutor Alexandre.

  • Preparativos na Esfera invisível ao olhar humano antecipando a realização de uma sessão mediúnica:
  • Divisão por fios luminosos dos diversos grupos de sofredores admitidos à reunião;
  • Serviço de vigilância espiritual para a manutenção da ordem no recinto.

2. A “fonte”, ou “cachoeira” de energias vitais, resultante da corrente mental formada por efeito da concentração entre os tarefeiros encarnados da reunião mediúnica.

3. Programação antecipada dos trabalhos mediúnicos:

  • Espíritos comunicantes autorizados ao intercâmbio;
  • Necessidade do comunicante autorizado esperar às vezes por semanas, meses e até anos, antes de conseguir seu intento,
  • Desgaste mediúnico.
  • A necessidade de clareza e serenidade da parte do médium para que ele seja fiel ao mandato superior.

4. Fatores essenciais que o médium precisa apresentar, para a realização do intercâmbio com os servidores do bem:

  • Renunciar a si mesmo;
  • Abnegação e humildade;
  • Necessita calar, para que outros falem;
  • Dar de si próprio, para que outros recebam;
  • Deve servir de ponte, onde se encontrem interesses diferentes.
  • Cooperação dos Benfeitores espirituais na manutenção da paz relativa do medianeiro.
  • Conjugação das responsabilidades entre Médium e Assistentes Espirituais em um mandato mediúnico.

5. Observação, com penetração visual, do cérebro de um médium psicógrafo:
  Visualização da luz mental.

6. Receptividade mediúnica: Conquista e manutenção pelo médium, de seus estados receptivos durante as reuniões de intercâmbio espiritual.

  • A epífise: sua importância em qualquer expressão mediúnica.
  • Epífise: o órgão do sexto sentido humano.
7. Cuidados despendidos com o médium pelos assistentes espirituais, para a manutenção do seu equilíbrio mental e fisiológico.

8. Observando o início de um processo de recepção mediúnica na psicografia."

(No intuito de divulgação da Doutrina Espírita, agradecimentos fraternos à FEB: Federação Espírita Brasileira)

-o-o-o-


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1- Missionários da luz


Com psicografia de Francisco Cândido Xavier, os 20 capítulos que compõem Missionários da luz apresentam os mistérios da reencarnação e todo o trabalho dos encarregados de conduzir o processo do renascimento. É a continuidade do aprendizado na vida espiritual e da certeza de que a morte física é apenas o início de uma nova jornada. A partir das palavras do Espírito André Luiz, conhecemos a importância do esforço na busca pelo autoaperfeiçoamento, a participação do perispírito como organização que molda as células do corpo e as diversas formas possíveis para manifestações mediúnicas e contatos entre os planos terrestre e espiritual.

Terceiro volume da coleção A vida no mundo espiritual, Missionários da luz ensina que a Providência divina sempre concede ao homem novos campos de trabalho, por meio da renovação incessante da vida pela reencarnação.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

'Novo Amigo', prefácio de Emmanuel para obra Espírita 'Nosso Lar'


Prefácio da Obra Espírita 'Nosso Lar', psicografada por Francisco Cândido Xavier e atribuída ao espírito André Luiz:

"Os prefácios, em geral, apresentam autores, exaltando-lhes o mérito e comentando-lhes a personalidade.

Aqui, porém, a situação é diferente.

Em vão os companheiros encarnados procurariam o médico André Luiz nos catálogos da convenção. Por vezes, o anonimato é filho do legítimo entendimento e do verdadeiro amor. Para redimirmos o passado escabroso, modificam-se tabelas da nomenclatura usual na reencarnação.

Funciona o esquecimento temporário como bênção da Divina Misericórdia.

André precisou, igualmente, cerrar a cortina sobre si mesmo.

É por isso que não podemos apresentar o médico terrestre e autor humano, mas sim o novo amigo e irmão na eternidade.

Por trazer valiosas impressões aos companheiros do mundo, necessitou despojar-se de todas as convenções, inclusive a do próprio nome, para não ferir corações amados, envolvidos ainda nos velhos mantos da ilusão. Os que colhem as espigas maduras, não devem ofender os que plantam a distância, nem perturbar a lavoura verde, ainda em flor.

Reconhecemos que este livro não é único. Outras entidads já comentaram as condições da vida, além-túmulo...

Entretanto, de há muito desejamos trazer ao nosso círculo espiritual alguém que possa transmitir a outrem o valor da experiência própria, com todos os detalhes possíveis à legítima compreensão da ordem que preside o esforço dos desencarnados laboriosos e bem-intencionados, nas esferas invisíveis ao olhar humano, embora intimamente ligadas ao planeta.

Certamente que numerosos amigos sorrirão ao contato de determinadas passagens das narrativas. O inabitual, entretanto, causa surpresa em todos os tempos. Quem não sorriria, na Terra, anos atrás, quando se lhe falasse da aviação, da eletricidade, da radiofonia?

A surpresa, a perplexidade e a dúvida são de todos os aprendizes que ainda não passaram pela lição. É mais que natural, é justíssimo. Não comentaríamos, desse modo, qualquer impressão alheia. Todo leitor precisa analisar o que lê.

Reportamo-nos, pois, tão-somente ao objetivo essencial do trabalho.

O Espiritismo ganha expressão numérica. Milhares de criaturas interessam-se pelos seus trabalhos, modalidades, experiências. Nesse campo imenso de novidades, todavia, não deve o homem descurar de si mesmo.

Não basta investigar fenômenos, aderir verbalmente, melhorar a estatística, doutrinar consciências alheias, fazer proselitismo e conquistar favores da opinião, por mais respeitável que seja, no plano físico. É indispensável cogitar do conhecimento de nossos infinitos potenciais, aplicando-os, por nossa vez, nos serviços do bem.

O homem terrestre não é um deserdado. É filho de Deus, em trabalho construtivo, envergando a roupagem da carne; aluno de escola benemérita, onde precisa aprender a elevar-se. A luta humana é a sua oportunidade, a sua ferramenta, o seu livro.

O intercâmbio com o invisível é um movimento sagrado, em função restauradora do Cristianismo puro; que ninguém, todavia, se descuide das necessidades próprias, no lugar que ocupa pela vontade do Senhor.

André Luiz vem contar a você, leitor amigo, que a maior surpresa da morte carnal é a de nos colocar face a face com a própria consciência, onde edificamos o céu, estacionamos no purgatório ou nos precipitamos no abismo infernal; vem lembrar que a Terra é oficina sagrada, e que ninguém a menosprezará, sem conhecer o preço do terrível engano a que submeteu o próprio coração.

Guarde a experiência dele no livro d'alma. Ela diz bem alto que não basta à criatura apegar-se à existência humana, mas precisa saber aproveitá-la dignamente; que os passos do cristão, em qualquer escola religiosa, devem dirigir-se verdadeiramente ao Cristo, e que, em nosso campo doutrinário, precisamos, em verdade, do ESPIRITISMO e do ESPIRITUALISMO, mas, muito mais, de ESPIRITUALIDADE."

EMMANUEL e Chico Xavier (Pedro Leopoldo, 3 de outubro de 1943)







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