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quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Emmanuel: 'Aplicação do Espiritismo' (Psicografia de Chico Xavier)

 A primeira comemoração do livro espírita no mundo

"Depois da concentração, saímos a passear: eu¹, Chico e Ismael Gomes Braga. Fomos até o riacho, que denominávamos de Aube. Noite estrelada, amena, lua fulgurante. Ismael, sentado com Chico numa pedra, que batizei de “pedra pão”, dado o formato, recitava trechos de “A Divina Comédia”, em italiano, e dava, a seguir, a respectiva tradução, tecendo comentários. Fiquei de pé, à frente deles, ouvindo. Quando a palestra ia encerrar-se, tirei do bolso papel, que levara, e disse a Chico que naquele dia era o aniversário de publicação de “O Livro dos Espíritos”² e devíamos esperar algo de Emmanuel..."

Chico psicografou, então, sobre a perna, a excelente mensagem:


Aplicação do Espiritismo


"Irmãos, lembremo-nos sempre de que o Espiritismo     Visto, pode ser somente fenômeno;     Ouvido, pode ser apenas consolação;     Vitorioso, pode ser somente festividade;     Estudado, pode ser apenas escola;     Discutido, pode ser somente sectarismo;     Interpretado, pode ser apenas teoria;     Propagado, pode ser somente movimentação;     Sistematizado, pode ser apenas filosofia;     Observado, pode ser somente ciência;     Meditado, pode ser apenas doutrina;     Sentido, pode ser somente crença.  Não nos esqueçamos, porém, de que Espiritismo aplicado, é Vida Eterna com Eterna Libertação.  A codificação trouxe ao mundo uma chave gloriosa, cuja utilidade se adapta a numerosas portas. Escolhamos com o Apóstolo, que hoje recordamos, o caminho da aplicação: Trabalho, Solidariedade, Tolerância.  De coração elevado a Jesus, não temos por agora divisa mais nobre a recordar. Vivei-a na fé consoladora. Espiritismo é sol. Brilhai na sua luz." - Chico Xavier e Emmanuel

"Irmãos, lembremo-nos sempre de que o Espiritismo

   Visto, pode ser somente fenômeno;

   Ouvido, pode ser apenas consolação;

   Vitorioso, pode ser somente festividade;

   Estudado, pode ser apenas escola;

   Discutido, pode ser somente sectarismo;

   Interpretado, pode ser apenas teoria;

   Propagado, pode ser somente movimentação;

   Sistematizado, pode ser apenas filosofia;

   Observado, pode ser somente ciência;

   Meditado, pode ser apenas doutrina;

   Sentido, pode ser somente crença.

Não nos esqueçamos, porém, de que Espiritismo aplicado, é Vida Eterna com Eterna Libertação.

A codificação trouxe ao mundo uma chave gloriosa, cuja utilidade se adapta a numerosas portas. Escolhamos com o Apóstolo, que hoje recordamos, o caminho da aplicação: Trabalho, Solidariedade, Tolerância.

De coração elevado a Jesus, não temos por agora divisa mais nobre a recordar. Vivei-a na fé consoladora. Espiritismo é sol. Brilhai na sua luz."


Francisco Cândido Xavier e Emmanuel,
do livro 'Chico Xavier - Mandato de Amor', 1ª Parte, capítulo 5


1- Geraldo Lemos Neto (Organizador do livro 'Chico Xavier Mandato de Amor')
2- Data de publicação do 'Livro dos Espíritos', de Allan Kardec: 18 de abril de 1857







segunda-feira, 11 de maio de 2020

O combate à tirania segundo Emmanuel: "Círculos Intercessórios"

627. Uma vez que Jesus ensinou as verdadeiras leis de Deus, qual a utilidade do ensino que os Espíritos dão? Terão que nos ensinar mais alguma coisa? ...A nossa missão consiste em abrir os olhos e os ouvidos a todos, confundindo os orgulhosos e desmascarando os hipócritas: os que vestem a capa da virtude e da religião, a fim de ocultarem suas torpezas...
“Ajudando-nos também vós com orações por nós, para que pela mercê, que por muitas pessoas nos foi feita, por muitas também sejam dadas graças a nosso respeito.”                  (II Coríntios, 1:11)

"O mal empreende o ataque, o bem organiza a defesa. O primeiro movimenta a agressão, estabelece o terror, espalha ruínas. O segundo mobiliza o direito, cria energias novas, eleva sentimentos e consciências.

Os povos pacíficos da atualidade encontram problemas de solução imediata, cuja equação requer ânimo sadio. Como interpretar o assédio da força? Como receber as novas modalidades de tirania?

O ataque do mal vem à sombra da noite, o golpe traiçoeiro não espera declarações diplomáticas, nem a invasão generalizada obedece a protocolos políticos.

Muitas nações mantiveram-se à margem dos grandes conflitos, guardando a neutralidade e as tradições do direito internacional. Nem por isso, todavia, tornaram-se respeitadas. A onda de barbarismo envolve países, coletividades, continentes.

É necessário que o bem organize a defesa.

Muita gente pergunta:- Combater por quê? Estamos com Jesus que ensinou o bem e a paz. Entretanto, é indispensável não esquecer que existem padrões de pacifismo e padrões de passividade.

O Mestre é o Príncipe da Paz. Contudo, é imprescindível raciocinar quanto ao que seria do cristianismo se Jesus houvesse entrado em acordo com os fariseus do templo… A batalha do Calvário iniciou o movimento de defesa do Evangelho. Continuaram, então, as batalhas cristãs, desde os circos romanos até aos campos sangrentos da atualidade.

Eis que o Brasil, generoso e pacífico, foi convocado às lutas da defesa. Nesta hora grave, recordemos a exortação confiante de Paulo: “Fundemos círculos intercessórios para a cooperação ativa junto às vanguardas vigilantes”.

Organizemos ligas de orações nos templos, nas instituições e nos lares, compadecendo, espiritualmente no esforço defensivo, auxiliando também nós, no valoroso combate do bem."
____
Fonte: Emmanuel, in "Alma e Luz", psicografia de Chico Xavier - Capítulo: 4 – "Círculos Intercessórios" / Versículo: II Coríntios, 1:11 - Imagem: Allan Kardec, in "O Livro dos Espíritos", trecho de resposta dos Espíritos à questão 627.

Questão 627 - "O Livro dos espíritos"


Parte Terceira - Das leis morais - Capítulo I - Da Lei Divina ou Natural - Origem e conhecimento da lei natural

627. Uma vez que Jesus ensinou as verdadeiras leis de Deus, qual a utilidade do ensino que os Espíritos dão? Terão que nos ensinar mais alguma coisa?

“Jesus empregava amiúde, na sua linguagem, alegorias e parábolas, porque falava de conformidade com os tempos e os lugares.

Faz-se mister agora que a verdade se torne inteligível para todo mundo.

Muito necessário é que aquelas leis sejam explicadas e desenvolvidas, tão poucos são os que as compreendem e ainda menos os que as praticam.

A nossa missão consiste em abrir os olhos e os ouvidos a todos, confundindo os orgulhosos e desmascarando os hipócritas: os que vestem a capa da virtude e da religião, a fim de ocultarem suas torpezas.

O ensino dos Espíritos tem que ser claro e sem equívocos, para que ninguém possa pretextar ignorância e para que todos o possam julgar e apreciar com a razão.

Estamos incumbidos de preparar o reino do bem que Jesus anunciou. Daí a necessidade de que a ninguém seja possível interpretar a lei de Deus ao sabor de suas paixões, nem falsear o sentido de uma lei toda de amor e de caridade.”

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Sobre o limite do trabalho e o repouso, in "O Livro dos Espíritos"

Limite do Trabalho. Repouso. (Perguntas 682 a 685-a) – O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec


Um arado oxidado velho da exploração agrícola da mão que senta-se na grama verde com uma lagoa da exploração agrícola e as árvores no fundo, na luz do fim da tarde.  Crédito: Sheila Brown usando uma Canon EOS Rebel T6i 1/400s, f 5.6, ISO 400, 140 mm

O LIVRO DOS ESPÍRITOS - CAP. 3 - LEI DO TRABALHO


II – Limite do Trabalho. Repouso. (Perguntas 682 a 685-a)

682. Sendo o repouso uma necessidade após o trabalho, não é uma lei da Natureza?

— Sem dúvida, o repouso serve para reparar as forças do corpo. É também necessário para deixar um pouco mais de liberdade à inteligência que deve elevar-se acima da matéria.

683. Qual é o limite do trabalho?

— O limite das forças; não obstante, Deus dá liberdade ao homem.

684. Que pensar dos que abusam da autoridade para impor aos seus inferiores um excesso de trabalho?

— É uma das piores ações. Todo homem que tem o poder de dirigir é responsável pelo excesso de trabalho que impõe aos seus inferiores, porque transgride a lei de Deus. (Ver item 273*).

685. O homem tem direito ao repouso na sua velhice?

— Sim, pois não está obrigado a nada, senão na proporção de suas forças.

685-a. Mas o que fará o velho que precisa trabalhar para viver e não pode?

— O forte deve trabalhar para o fraco; na falta da família, a sociedade deve ampará-lo: é a lei da caridade.

Comentário de Kardec: Não basta dizer ao homem que ele deve trabalhar, é necessário também que o que vive do seu trabalho encontre ocupação, e isso nem sempre acontece. 

Quando a falta de trabalho se generaliza, toma as proporções de um flagelo, como a escassez. A ciência econômica procura o remédio no equilíbrio entre a produção e o consumo, mas esse equilíbrio, supondo-se que seja possível, sofrerá sempre intermitências e durante essas fases o trabalhador tem necessidade de viver.

Há um elemento que não se ponderou bastante, e sem o qual a ciência econômica não passa de teoria: a educação. Não a educação intelectual, mas a moral, e nem ainda a educação moral pelos livros, mas a que consiste na arte de formar os caracteres, aquela que cria os hábitos, porque educação é conjunto de hábitos adquiridos.

Quando se pensa na massa de indivíduos diariamente lançados na corrente da população, sem princípios, sem freios, entregues aos próprios instintos, deve-se admirar das consequências desastrosas desse fato?

Quando essa arte for conhecida, compreendida e praticada, o homem seguirá no mundo os hábitos de ordem e previdência para si mesmo e para os seus, de respeito pelo que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar de maneira menos penosa os maus dias inevitáveis.

A desordem e a imprevidência são duas chagas que somente uma educação bem compreendida pode curar. Nisso está o ponto de partida, o elemento real do bem-estar, a garantia da segurança de todos.

*NOTA: V – Escolha das Provas

273. Um homem pertencente a uma raça civilizada poderia, por expiação, reencarnar-se numa raça selvagem?

— Sim, mas isso depende do gênero da expiação. Um senhor que tenha sido duro para os seus escravos poderá tornar-se escravo e sofrer os maus tratos que infligiu a outros. 

Aquele que mandou numa época, pode, em outra existência, obedecer aos que se curvaram ante a sua vontade. É uma expiação, se ele abusou do poder e Deus pode determiná-la. Um bom Espírito pode, para os fazer avançar, escolher uma vida de influência entre esses povos. Então se trata de uma missão.
____
Fonte: "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec - Imagem: Arado de mão de moda antiga, por Sheila Brown (CC0)

quinta-feira, 2 de abril de 2020

O Livro dos Espíritos: A "Cepa Espírita", "Ramo da Videira Espírita"

O Livro dos Espíritos

Prolegômenos


1 Fenômenos alheios às leis da ciência humana se dão por toda parte, revelando na causa que os produz a ação de uma vontade livre e inteligente.

2 A razão diz que um efeito inteligente há de ter como causa uma força inteligente e os fatos hão provado que essa força é capaz de entrar em comunicação com os homens por meio de sinais materiais.

3 Interrogada acerca da sua natureza, essa força declarou pertencer ao mundo dos seres espirituais que se despojaram do invólucro corporal do homem. Assim é que foi revelada a Doutrina dos Espíritos.

4 As comunicações entre o mundo espírita e o mundo corpóreo estão na ordem natural das coisas e não constituem fato sobrenatural, tanto que de tais comunicações se acham vestígios entre todos os povos e em todas as épocas. Hoje se generalizaram e tornaram patentes a todos.

5 Os Espíritos anunciam que chegaram os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal e que, sendo eles os ministros de Deus e os agentes de sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.

6 Este livro é o repositório de seus ensinos; 

7 foi escrito por ordem e mediante ditado de Espíritos superiores, para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, isenta dos preconceitos do espírito de sistema; 

8 nada contém que não seja a expressão do pensamento deles e que não tenha sido por eles examinado. 

9 Só a ordem e a distribuição metódica das matérias, assim como as notas e a forma de algumas partes da redação constituem obra daquele que recebeu a missão de os publicar.

10 Em o número dos Espíritos que concorreram para a execução desta obra, muitos se contam que viveram, em épocas diversas, na Terra, onde pregaram e praticaram a virtude e a sabedoria; 

11 outros, pelos seus nomes, não pertencem a nenhuma personagem, cuja lembrança a História guarde, mas cuja elevação é atestada pela pureza de seus ensinamentos e pela união em que se acham com os que usam de nomes venerados.

12 Eis em que termos nos deram, por escrito e por muitos médiuns, a missão de escrever este livro:

13 Ocupa-te, cheio de zelo e perseverança, do trabalho que empreendeste com o nosso concurso, pois esse trabalho é nosso. 

14 Nele pusemos as bases de um novo edifício que se eleva e que um dia há de reunir todos os homens num mesmo sentimento de amor e caridade; 

15 mas, antes de o divulgares, revê-lo-emos juntos, a fim de lhe verificarmos todas as minúcias.

16 Estaremos contigo sempre que o pedires, para te ajudarmos nos teus trabalhos, porquanto esta é apenas uma parte da missão que te está confiada e que já um de nós te revelou.

17 Entre os ensinos que te são dados, alguns há que deves guardar para ti somente, até nova ordem. Quando chegar o momento de os publicares, nós to diremos. Enquanto esperas, medita sobre eles, a fim de estares pronto quando te dissermos.

18 Porás no cabeçalho do livro a cepa que te desenhamos, [1]  porque é o emblema do trabalho do Criador; 

19 aí se acham reunidos todos os princípios materiais que melhor podem representar o corpo e o espírito. 

20 O corpo é a cepa; o Espírito é o licor; a alma ou Espírito ligado à matéria é o bago. 

21 O homem quintessência o espírito pelo trabalho e tu sabes que só mediante o trabalho do corpo o espírito adquire conhecimentos.

22 Não te deixes desanimar pela crítica. 

23 Encontrarás contraditores encarniçados, sobretudo entre os que têm interesse nos abusos. 

24 Encontrá-los-ás mesmo entre os Espíritos, por isso que os que ainda não estão completamente desmaterializados procuram frequentemente semear a dúvida por malícia ou ignorância; 

25 prossegue sempre; crê em Deus e caminha com confiança: aqui estaremos para te amparar e vem próximo o tempo em que a verdade brilhará de todos os lados.

26 A vaidade de certos homens, que julgam saber tudo e tudo querem explicar a seu modo, dará nascimento a opiniões dissidentes; 

27 mas, todos os que tiverem em vista o grande princípio de Jesus se confundirão num só sentimento: o do amor do bem e se unirão por um laço fraterno, que prenderá o mundo inteiro; 

28 estes deixarão de lado as miseráveis questões de palavras, para só se ocuparem com o que é essencial, 

29 e a doutrina será sempre a mesma, quanto ao fundo, para todos os que receberem comunicações de Espíritos superiores.

30 Com a perseverança é que chegarás a colher os frutos de teus trabalhos. 

31 O prazer que experimentarás, vendo a doutrina propagar-se e bem compreendida, será uma recompensa, cujo valor integral conhecerás, talvez mais no futuro do que no presente. 

32 Não te inquietes, pois, com os espinhos e as pedras que os incrédulos ou os maus acumularão no teu caminho. 

33 Conserva a confiança: com ela chegarás ao fim e merecerás ser sempre ajudado.

34 Lembra-te de que os Bons Espíritos só dispensam assistência aos que servem a Deus com humildade e desinteresse e que repudiam a todo aquele que busca na senda do Céu um degrau para conquistar as coisas da Terra; 

35 que se afastam do orgulhoso e do ambicioso. O orgulho e a ambição serão sempre uma barreira erguida entre o homem e Deus; 

36 são um véu lançado sobre as claridades celestes, e Deus não pode servir-se do cego para fazer perceptível a luz.

(São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luís, O Espírito de Verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, Swedenborg, Etc., Etc.)

NOTA — Os princípios contidos neste livro resultam das respostas dadas pelos Espíritos às questões diretas que lhes foram propostas em diversas ocasiões, por meio de grande número de médiuns, bem como das instruções que deram espontaneamente, a nós ou a outras pessoas, sobre as matérias que encerra. O material foi organizado de maneira a apresentar um conjunto regular e metódico, e não foi entregue à publicidade senão depois de ter sido revisto cuidadosamente, várias vezes seguidas, e corrigido pelos próprios Espíritos. Esta segunda edição também mereceu, da parte deles, novo e meticuloso exame.

O que vem entre aspas, em seguida às perguntas, é a resposta textual dada pelos Espíritos. O que está assinalado em letras menores, ou designado de modo especial para esse fim compreende as notas e explicações aditadas pelo autor, e que também sofreram o controle dos Espíritos.

[1] A cepa que se vê no cabeçalho é o fac-símile da que os Espíritos desenharam.



terça-feira, 31 de março de 2020

O Livro dos Espíritos: Das esperanças e consolações

O Livro dos Espíritos:

Parte Quarta - Das esperanças e consolações » Conclusão » V


Capa da obra 'O Livro dos Espíritos', de Allan Kardec (FEB Editora): Parte Quarta - Das esperanças e consolações » Conclusão » V
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"Os que dizem que as crenças espíritas ameaçam invadir o mundo, proclamam, ipso facto, a força do Espiritismo, porque jamais poderia tornar-se universal uma idéia sem fundamento e destituída de lógica. Assim, se o Espiritismo se implanta por toda parte, se, principalmente nas classes cultas, recruta adeptos, como todos facilmente reconhecerão, é que tem um fundo de verdade. Baldados, contra essa tendência, serão todos os esforços dos seus detratores, e a prova é que o próprio ridículo, de que procuram cobri-lo, longe de lhe amortecer o ímpeto, parece ter-lhe dado novo vigor, resultado que plenamente justifica o que repetidas vezes os Espíritos têm dito:

“Não vos inquieteis com a oposição; tudo o que contra vós fizerem se tornará a vosso favor e os vossos maiores adversários, sem o quererem, servirão à vossa causa. Contra a vontade de Deus não poderá prevalecer a má-vontade dos homens.”

Por meio do Espiritismo, a Humanidade tem que entrar numa nova fase, a do progresso moral que lhe é conseqüência inevitável. Não mais, pois, vos espanteis da rapidez com que as idéias espíritas se propagam. A causa dessa celeridade reside na satisfação que trazem a todos os que as aprofundam e que nelas vêem alguma coisa mais do que fútil passatempo. Ora, como o que cada um quer é, acima de tudo, a sua felicidade, nada há de surpreendente em que se apegue a uma idéia que faz ditosos os que a esposam.

Três períodos distintos apresenta o desenvolvimento dessas idéias: primeiro, o da curiosidade, que a singularidade dos fenômenos produzidos desperta; segundo, o do raciocínio e da filosofia; terceiro, o da aplicação e das conseqüências. O período da curiosidade passou; a curiosidade dura pouco. Uma vez satisfeita, muda de objeto. O mesmo não acontece com aquilo que se dirige à razão e evoca reflexões sérias. Começou o segundo período, o terceiro virá inevitavelmente.

O Espiritismo progrediu principalmente depois que foi sendo mais bem compreendido na sua essência íntima, depois que lhe perceberam o alcance, porque tange a corda mais sensível do homem: a da sua felicidade, mesmo neste mundo. Aí a causa da sua propagação, o segredo da força que o fará triunfar. Vai tornando felizes os que o compreendem, enquanto aguarda que a sua influência atinja as massas.

Mesmo quem não testemunhou nenhum fenômeno material relativo às manifestações dos Espíritos diz para si próprio: à parte esses fenômenos, há a filosofia, que me explica o que nenhuma outra havia explicado. Nela encontro, por meio unicamente do raciocínio, uma solução racional para os problemas que no mais alto grau interessam ao meu futuro. Ela me dá calma, segurança, confiança; livra-me do tormento da incerteza. Em comparação com tudo isso, secundária se torna a questão dos fatos materiais.

Quereis, vós todos que o atacais, um meio de combatê-lo com êxito? Aqui o tendes. Substituí-o por alguma coisa melhor; indicai solução mais filosófica para todas as questões que ele resolveu; dai ao homem outra certeza que o faça mais feliz; porém compreendei bem o alcance da palavra certeza, porquanto o homem não aceita como certo senão o que lhe parece lógico. Não vos contenteis com dizer: isto não é assim; demasiado fácil é semelhante afirmativa. 

Provai, não por negação, mas por fatos, que isto não é real, nunca o foi e não pode ser. Se não é, dizei o que o é, em seu lugar. Provai, finalmente, que as conseqüências do Espiritismo não são tornar melhor o homem e, portanto, mais feliz, pela prática da mais pura moral evangélica, moral a que se tecem muitos louvores, mas que muito pouco se pratica. Quando houverdes feito isso, tereis o direito de o atacar.

O Espiritismo é forte porque assenta sobre as próprias bases da religião: Deus, a alma, as penas e as recompensas futuras; sobretudo, porque mostra que essas penas e recompensas são corolários naturais da vida terrestre e, ainda, porque, no quadro que apresenta do futuro, nada há que a razão mais exigente possa recusar. Que compensação ofereceis aos sofrimentos deste mundo, vós cuja doutrina consiste unicamente na negação do futuro? 

Enquanto vos apoiais na incredulidade, ele se apóia na confiança em Deus; ao passo que convida os homens à felicidade, à esperança, à verdadeira fraternidade, vós lhes ofereceis o nada por perspectiva e o egoísmo por consolação. Ele tudo explica, vós nada explicais. Ele prova pelos fatos, vós nada provais. Como quereis que se hesite entre as duas doutrinas?"

Allan Kardec, in "O Livro dos Espíritos"


segunda-feira, 23 de março de 2020

Perdoe não sete vezes, mas até setenta vezes sete!

O perdão dos pecados na visão Espírita


"Em resposta a Pedro, o velho pescador galileu, informa o Divino Amigo que devemos perdoar não sete vezes, mas até setenta vezes sete.

Em outra oportunidade, aconselha conciliação com o adversário “enquanto estivermos a caminho com ele”, isto é, enquanto estivermos reencarnados. O perdão, no conceito das religiões não-reencarnacionistas, significa “apagar faltas”.

Limpar a alma do pecado, ou seja, do mal praticado.

Eximir de responsabilidade.

Nos termos do perdão teológico, aquele que ofendeu alguém e recebe absolvições humanas, fica com a estrada livre para novos desatinos.

Há, como se vê, nesse tipo de perdão, visível estímulo a novos erros, novos enganos, novas ilusões.

O homem sente-se, inevitavelmente, estimulado a novas quedas, novas reincidências, com fatais prejuízos ao processo evolutivo, que se retarda, no tempo.

A conceituação doutrinária do Espiritismo, em torno do tema “perdão”, é bem outra.

Muito diversa, menos fácil, porém, inegavelmente, mais sensata, mais lógica.

O perdão, segundo a Doutrina Espírita, não alarga as portas do erro; pelo contrário, restringe-as, sobremaneira, por apontar responsabilidades para quem estima a leviandade e a injúria, a crueldade e o desapreço à integridade, moral ou física, dos companheiros de luta, na paisagem terrestre.

De acordo com os preceitos espíritas, não há perdão sem reparação consequente, embora os próprios Instrutores de Mais Alto lembrem a palavra evangélica, que nos incentiva à integração com o Bem, no apostolado da fraternidade, através do ensinamento “o amor cobre a multidão dos pecados”, que representa a única força “que anula as exigências da Lei de Talião, dentro do Universo Infinito”"

Emmanuel

"O perdão que o Espiritismo e os amigos espirituais preconizam em verdade não é de fácil execução.

Requer muito boa-vontade.

Demanda esforço — esforço continuado, persistente.

Reclama perseverança.

Pede tenacidade.

É bem diferente do perdão teológico, que deve ter tido, em algum tempo, sua utilidade.

Não se veste de roupagem fantasiosa, não se emoldura de expressões simplesmente verbais.

Os postulados espíritas indicam-no por concessão de nova ou novas oportunidades de resgate e reparação dos erros praticados e dos males que deles resultaram.

Elevados Mensageiros do Pai, respondendo ao Mestre lionês, afirmaram que “o arrependimento concorre para a melhoria do Espírito, mas ele tem que expiar o seu passado”.

Emmanuel assevera, desenvolvendo a tese doutrinária, que “a concessão paternal de Deus, no que se refere à reencarnação para a sagrada oportunidade de uma nova experiência, já significa, em si, o perdão ou a magnanimidade da Lei” (“O Consolador”).

André Luiz esclarece que Deus “não castiga e nem perdoa, mas o ser consciente profere para si as sentenças de absolvição ou culpa ante as Leis Divinas” (“O Espírito da Verdade”).

Para a alma realmente interessada no perdão que não seja, apenas, um enunciado verbal, sem repercussões íntimas nas fontes augustas do sentimento, o ato de perdoar significa alguma coisa de grandioso e sublime, por isso mesmo difícil de executar.

Não se constitui da vã afirmativa: “eu perdoo”, permanecendo o coração fechado a qualquer entendimento conciliador e a mente cristalizada nas vibrações menos fraternas.

Não há perdão real, legítimo, definitivo, evangélico, doutrinário, quando o ofendido não se inclina a ajudar o ofensor, a servi-lo cristãmente, a socorrê-lo nas necessidades de qualquer natureza, se preciso.

As verdadeiras características do perdão com Jesus, apregoadas pelo Espiritismo, são, realmente, singulares e difíceis:

— esquecimento do mal recebido,

— não nos regozijarmos com os insucessos do ofensor,

— auxiliarmos, discretamente, sempre que possível, ao adversário,

— usarmos a delicadeza sincera, no trato com os que nos magoaram o coração ou feriram a sensibilidade, — vibrarmos, fraternalmente, em favor dos que nos desestimam.

Como se observa, perdoar, segundo o Espiritismo, não é problema a resolver por meio de afirmativas apressadas, sem vivência interior.

O maior beneficiário do perdão não é, como parece, aquele que o recebe, mas o que o concede.

O que é perdoado, se reconforta, se reanima.

O que perdoa, sinceramente, recolhe, dos Céus, as mais profusas bênçãos — bênçãos que nenhum tesouro do mundo pode substituir ou suplantar, tais como,

— conservação da paz interior,

— preservação da saúde,

— alegria de transformar o adversário em amigo, pelo reconhecimento que o perdão desperta e suscita,

— exercitação, cultivo dos mais belos sentimentos da alma humana, tais sejam, por exemplo, a humildade, o altruísmo, a nobreza moral.

Quem não perdoa, permanece ligado ao adversário, encarnado ou desencarnado, pelas faixas escuras do pensamento hostil.

Quem não perdoa, insistindo na mágoa raivosa, permite se estabeleça, entre a sua e a mente do adversário, uma ponte magnética, através da qual circulam, em regime de vaivém, de idas-e-voltas consecutivas, as vibrações do ódio e da vingança.

Quem perdoa, liberta o coração para as mais sublimes manifestações do amor que eleva e santifica.

“A alma que não perdoa, retendo o mal consigo, assemelha-se a um vaso cheio de lama e fel.”

“Jesus aconselhava-nos a perdoar infinitamente, para que o Amor seja em nosso Espírito como Sol brilhando em casa limpa.”

Maravilhosos conceitos, extraídos das obras de André Luiz!

Aquele que perdoa dissolve, ainda hoje, e aqui mesmo, os antagonismos, nas águas puras e doces da compreensão.

Quem não perdoa transfere para amanhã, noutras existências, em qualquer parte do Universo Ilimitado, os dolorosos reajustes, que bem se poderiam extinguir na presente reencarnação.

Aquele que perdoa, transpõe os pórticos da Espiritualidade, na morte do corpo físico, com a paz na consciência, a luz no Espírito, o consolo no coração.

Quem não perdoa, carrega consigo, no mundo extra- corpóreo, a sombra e o remorso."

José Martins Peralva, in "O Pensamento de Emmanuel"

QUESTÃO 661 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS


A Prece

661. Poderemos utilmente pedir a Deus que perdoe as nossas faltas?

“Deus sabe discernir o bem do mal; a prece não esconde as faltas. Aquele que a Deus pede perdão de suas faltas só o obtém mudando de proceder. As boas ações são a melhor prece, por isso que os atos valem mais que as palavras.”

- - - - - - -

"A concessão paternal de Deus, no que se refere à reencarnação para a sagrada oportunidade de uma nova experiência, já significa, em si, o perdão ou a magnanimidade da Lei."
Emmanuel


terça-feira, 9 de outubro de 2018

Os Bons Espíritos





"Jamais os bons Espíritos foram instigadores do mal; jamais aconselharam ou legitimaram o assassínio e a violência; jamais excitaram o ódio dos partidos, nem a sede de riquezas e honrarias, nem a avidez dos bens terrenos. 

Somente os que são bons, humanos e benevolentes para com todos, são os seus preferidos, como são também os preferidos de Jesus, porque seguem a rota indicada para levar a Ele."


(Santo Agostinho, último parágrafo da conclusão de "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec)

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