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domingo, 19 de junho de 2022

O espiritismo é progressista por natureza

Progressismo refere-se a um conjunto de doutrinas filosóficas, sociais e econômicas baseado na ideia de que o progresso, entendido como avanço científico, tecnológico, econômico e comunitário, é vital para o aperfeiçoamento da condição humana.

"O termo progressista, é apropriado e oportuno, na carta de apresentação do Espiritismo ao nosso tempo, para figurar como proposta que satisfaz a exigência de combinar o progresso moral e o progresso material, com o cultivo de sentimentos e a educação do pensamento, a fim de promover uma espiritualidade livre e aberta combinada com uma racionalidade criativa e sem preconceitos.

Nestes primeiros anos do século XXI constata-se que em certos setores do movimento espírita internacional o termo “progressista” tem sido usado com notável frequência, adicionando este adjetivo ao Espiritismo. E registramos isso com especial complacência porque essa disposição sempre nos acompanhou em nossa forma de entender o perfil filosófico, sociológico e ético da doutrina kardecista.

Não há dúvida de que a noção de progresso, tanto na ordem espiritual quanto na material, permeia a totalidade dos textos básicos que deram origem ao Espiritismo, seja nos conceitos expressos por Allan Kardec ou nas mensagens transmitidas pelos Espíritos. A compreensão de Deus e do Universo, do Espírito e da matéria, da evolução geral, da vida e do ser humano, da formação das sociedades, bem como a confiança no progresso incessante, é o que dá sentido e significado à existência e à própria evolução, e ao inevitável impulso de alcançar estágios mais adiantados na conquista dos passos sucessivos e superiores, no caminho infinito de aperfeiçoamento.

A Lei do Progresso foi apresentada por Kardec em “O livro dos Espíritos”, como uma das referências essenciais dentro do reino da evolução universal. Aplicado especificamente ao homem, afirma que ele progride sem cessar, sem qualquer possibilidade de retrocesso, e que a crença de que pode haver regressão é aparente, um erro de perspectiva, uma vez que observando-se o todo, sempre se constatam os avanços.

No desenvolvimento deste importante tema, Kardec considera essencial fazer a distinção entre o progresso intelectual e o progresso moral, reconhecendo que ambos dão apoio um ao outro, embora nem sempre marchem juntos, o que deve ser sempre levado em conta na avaliação das diversas formas adotadas pelos comportamentos dos indivíduos e das sociedades. Para o fundador do Espiritismo não havia nenhuma dúvida: sem negligenciar o elemento intelectual, o que dá o tom dos verdadeiros avanços é o componente moral, tanto que é ele que condiciona o escopo do progresso social da humanidade como um todo.

Não poderia, pois, um sistema de pensamento como o Espiritismo, que tem o progresso como uma de suas coordenadas determinantes, deixar de se identificar como uma opção progressista, uma qualificação construída etimologicamente a partir do termo progresso, que lhe serve como raiz e que denota, em um sentido geral, tudo o que avança ou que favorece o progresso.

Falar de Espiritismo progressista equivale dizer que o kardecismo se assume como uma concepção dinâmica, atual, avançada, aberta aos adiantamentos do conhecimento geral, disposta ao diálogo intercultural, sensível às necessidades materiais e espirituais dos seres humanos, e jamais como uma concepção estática, conservadora, imóvel, fatalista, mística, fechada na crença de ser ele o depositário de verdades completas ou definitivas, alienadas, portanto, da própria noção de progresso eterno.

Assim, o termo progressista, é apropriado e oportuno, na carta de apresentação do Espiritismo ao nosso tempo, para figurar como proposta que satisfaz a exigência de combinar o progresso moral e o progresso material, com o cultivo de sentimentos e a educação do pensamento, a fim de promover uma espiritualidade livre e aberta combinada com uma racionalidade criativa e sem preconceitos.

Um aviso, no entanto, é essencial. É conveniente dissociar o uso do vocábulo progressivo aplicado ao Espiritismo, de qualquer viés de natureza ideológica que possa gerar confusão, especialmente com o uso dado ao termo por certas correntes políticas ou partidárias contemporâneas, e que resulta comumente em manipulações sectárias e distorcidas. E isso deve ser muito claro. Em sua autêntica visão filosófica, sociológica e ética, o Espiritismo é progressivo porque sua razão de ser é alimentada por uma disposição natural para promover o progresso moral e intelectual dos indivíduos e da sociedade como um todo, animado pela convicção esperançosa e otimista de que o caminho evolutivo da espécie humana, impulsionado pela força transcendente do Espírito, aponta inexoravelmente para um mundo melhor, mais livre, justo, igualitário, fraterno e amoroso.

Um Espiritismo progressista corresponde plenamente ao que Kardec certa feita chamou de Espiritismo humanitário; ou ao Espiritismo dialético que Manuel Porteiro tanto defendeu; ele, igualmente, está em perfeita harmonia com a caracterização do laico, livre pensador, racional, humanista, plural, progressivo, – sem nunca esquecer de seu caráter genuinamente kardecista – que identifica parcelas amplas e variadas do movimento espírita contemporâneo, que podemos abrigar sob o guarda-chuva comum de um Espiritismo avançado ou Espiritismo de vanguarda."


quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Emmanuel: 'Aplicação do Espiritismo' (Psicografia de Chico Xavier)

 A primeira comemoração do livro espírita no mundo

"Depois da concentração, saímos a passear: eu¹, Chico e Ismael Gomes Braga. Fomos até o riacho, que denominávamos de Aube. Noite estrelada, amena, lua fulgurante. Ismael, sentado com Chico numa pedra, que batizei de “pedra pão”, dado o formato, recitava trechos de “A Divina Comédia”, em italiano, e dava, a seguir, a respectiva tradução, tecendo comentários. Fiquei de pé, à frente deles, ouvindo. Quando a palestra ia encerrar-se, tirei do bolso papel, que levara, e disse a Chico que naquele dia era o aniversário de publicação de “O Livro dos Espíritos”² e devíamos esperar algo de Emmanuel..."

Chico psicografou, então, sobre a perna, a excelente mensagem:


Aplicação do Espiritismo


"Irmãos, lembremo-nos sempre de que o Espiritismo     Visto, pode ser somente fenômeno;     Ouvido, pode ser apenas consolação;     Vitorioso, pode ser somente festividade;     Estudado, pode ser apenas escola;     Discutido, pode ser somente sectarismo;     Interpretado, pode ser apenas teoria;     Propagado, pode ser somente movimentação;     Sistematizado, pode ser apenas filosofia;     Observado, pode ser somente ciência;     Meditado, pode ser apenas doutrina;     Sentido, pode ser somente crença.  Não nos esqueçamos, porém, de que Espiritismo aplicado, é Vida Eterna com Eterna Libertação.  A codificação trouxe ao mundo uma chave gloriosa, cuja utilidade se adapta a numerosas portas. Escolhamos com o Apóstolo, que hoje recordamos, o caminho da aplicação: Trabalho, Solidariedade, Tolerância.  De coração elevado a Jesus, não temos por agora divisa mais nobre a recordar. Vivei-a na fé consoladora. Espiritismo é sol. Brilhai na sua luz." - Chico Xavier e Emmanuel

"Irmãos, lembremo-nos sempre de que o Espiritismo

   Visto, pode ser somente fenômeno;

   Ouvido, pode ser apenas consolação;

   Vitorioso, pode ser somente festividade;

   Estudado, pode ser apenas escola;

   Discutido, pode ser somente sectarismo;

   Interpretado, pode ser apenas teoria;

   Propagado, pode ser somente movimentação;

   Sistematizado, pode ser apenas filosofia;

   Observado, pode ser somente ciência;

   Meditado, pode ser apenas doutrina;

   Sentido, pode ser somente crença.

Não nos esqueçamos, porém, de que Espiritismo aplicado, é Vida Eterna com Eterna Libertação.

A codificação trouxe ao mundo uma chave gloriosa, cuja utilidade se adapta a numerosas portas. Escolhamos com o Apóstolo, que hoje recordamos, o caminho da aplicação: Trabalho, Solidariedade, Tolerância.

De coração elevado a Jesus, não temos por agora divisa mais nobre a recordar. Vivei-a na fé consoladora. Espiritismo é sol. Brilhai na sua luz."


Francisco Cândido Xavier e Emmanuel,
do livro 'Chico Xavier - Mandato de Amor', 1ª Parte, capítulo 5


1- Geraldo Lemos Neto (Organizador do livro 'Chico Xavier Mandato de Amor')
2- Data de publicação do 'Livro dos Espíritos', de Allan Kardec: 18 de abril de 1857







domingo, 21 de novembro de 2021

O quê é Espiritismo? Os Nove Pontos Fundamentais do Espiritismo



O pensamento filosófico e religioso de Allan Kardec — que hoje em dia é um dos pilares fundamentais de imensos movimentos religiosos de natureza Espírita — é imensamente complexo, contudo podemos afirmar que consiste em nove pontos fundamentais:

 

1. O ser humano é constituído por um corpo material aliado a um espírito.

2. O corpo físico é mortal, contudo o espírito é imortal

3. O fenômeno da vida, seja ela física ou espiritual, não é exclusivo do planeta Terra, sendo que ocorre por todo o Universo e é parte da grande Criação de Deus.

4. Jesus, era um ser espiritual imensamente evoluído, que atingiu as metas da virtude e da bondade, emanando luz e iluminação para o mundo. Jesus foi por isso, o "Espírito mais perfeito que Deus ofereceu aos homens para servir-lhes de modelo e guia".

5. O corpo físico é um receptáculo do espírito, que através de um processo de reencarnações, vem a este mundo a fim de realizar um aprendizagem espiritual.

6. O objetivo deste processo de reencarnações, é a evolução espiritual até que seja alcançada a plenitude do ser espiritual. O ciclo de reencarnações e aperfeiçoamento visa atingir a virtude e o bem, um estado celestial de luz e iluminação.

7. A alma, é o espírito enquanto ligado a um corpo físico.

8. O espírito encontra-se ligado ao corpo físico na forma de um invólucro denominado perispírito, sendo que esse é muitas vezes observado e chamado de "fantasma".

9. Os Espíritos desencarnados, - comumente conhecidos por "Espíritos dos mortos" -, e os Espíritos encarnados, - vulgarmente conhecidos pelos "vivos" -,  podem comunicar-se através do processo denominado "channeling", ou em português: "mediunidade".


Curiosidade: "Fora da Caridade não há salvação" é um retruque de Kardec à sentença dos católicos: "Fora da Igreja não há salvação". De fato, a Doutrina Católica Romana prega a necessidade dos sacramentos ministrados pela sua Igreja para a salvação da alma, diante do Juízo Final (desencarne). O Espiritismo Cristão prega apenas a prática do Amor, na livre expressão da Caridade Cristã.


Leia "O Evangelho segundo o Espiritismo" e faça dele seu livro de cabeceira!





domingo, 14 de novembro de 2021

O quê acontece com o nosso espírito enquanto dormimos?

"Todos os encarnados são também espíritos. A diferença é que, enquanto alguns estão livres da matéria, mesmo que de forma temporária, outros estão a ela ligados, através do cárcere de carne, de forma igualmente temporária.  Porém, é possível a todos os encarnados realizar o intercâmbio com os desencarnados, mesmo sem atuações mediúnicas. Isto se dá no momento do sono, do descanso do corpo físico.  Ao dormir, os encarnados estão temporariamente libertos da matéria, porém mantêm com ela um vínculo através do conhecido como cordão de prata. E assim os espíritos são diferenciados. Aqueles que possuem cordão de prata, estão encarnados. E aqueles que não o possuem, estão desencarnados.  Mesmo que não se recordem de suas experiências depois, ao acordar, e isto é o padrão, os espíritos encarnados vivem experiências das mais variadas no mundo espiritual, enquanto seus corpos físicos repousam desfrutando o sono.  E é no recolhimento do sono que os encarnados podem escolher melhorar-se nas suas atuações do dia-a-dia ou, de forma livre, podem optar por adentrar em regiões tenebrosas e se afundar em charcos fluídicos pesados e contrair tendências de atuação para suas vidas na matéria.  Muitos encarnados se perguntam os motivos que os levam a praticar determinadas ações. E não entendem como não podem ter forças para vencer tendências degenerativas. E a resposta pode estar no recolhimento do sono. Suas escolhas neste momento podem lançar luz a atitudes na carne.  Portanto, é de extrema importância o momento de preparação para o sono, antes do recolhimento do corpo físico ao descanso. Boas leituras e orações. Pedidos ao Pai que estejam em boas companhias, de preferência sob orientação de seu guia espiritual."  Ermance Dufaux

"Todos os encarnados são também espíritos. A diferença é que, enquanto alguns estão livres da matéria, mesmo que de forma temporária, outros estão a ela ligados, através do cárcere de carne, de forma igualmente temporária.

Porém, é possível a todos os encarnados realizar o intercâmbio com os desencarnados, mesmo sem atuações mediúnicas. Isto se dá no momento do sono, do descanso do corpo físico.

Ao dormir, os encarnados estão temporariamente libertos da matéria, porém mantêm com ela um vínculo através do conhecido como cordão de prata. E assim os espíritos são diferenciados. Aqueles que possuem cordão de prata, estão encarnados. E aqueles que não o possuem, estão desencarnados.

Mesmo que não se recordem de suas experiências depois, ao acordar, e isto é o padrão, os espíritos encarnados vivem experiências das mais variadas no mundo espiritual, enquanto seus corpos físicos repousam desfrutando o sono.

E é no recolhimento do sono que os encarnados podem escolher melhorar-se nas suas atuações do dia-a-dia ou, de forma livre, podem optar por adentrar em regiões tenebrosas e se afundar em charcos fluídicos pesados e contrair tendências de atuação para suas vidas na matéria.

Muitos encarnados se perguntam os motivos que os levam a praticar determinadas ações. E não entendem como não podem ter forças para vencer tendências degenerativas. E a resposta pode estar no recolhimento do sono. Suas escolhas neste momento podem lançar luz a atitudes na carne.

Portanto, é de extrema importância o momento de preparação para o sono, antes do recolhimento do corpo físico ao descanso. Boas leituras e orações. Pedidos ao Pai que estejam em boas companhias, de preferência sob orientação de seu guia espiritual."

Ermance Dufaux








sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Chico Xavier e Emmanuel: 'Mediunidade' (Plantão de Respostas)

""1. Pergunta: Quais são os principais sintomas, tanto físicos quanto psicológicos, que a pessoa apresenta para que diagnostique-se mediunidade acentuada?  Resposta: Os sintomas podem ser variados, de acordo com o tipo de mediunidade. Irritabilidade, sonolência sem motivo, dores sem diagnóstico definido, mau humor e choro inexplicável podem indicar necessidade de esclarecimento e estudo.    2. Pergunta: Certa vez, ouvi um umbandista falar que no futuro, não vai haver mais manifestações de Espíritos na Umbanda. Lá, haverá somente estudos científicos e passes. O que vocês podem explicar a este respeito? Por que a mudança?  Resposta: A Espiritualidade nos avisa, já há algum tempo, que as manifestações de efeitos físicos (como a materialização), a escrita e a voz direta, as transfigurações, etc.) foram comuns durante o século passado e o início deste, pois era necessário chamar a atenção para a existência do Mundo Espiritual.  Este gênero de manifestações exige um gasto bem maior de energia do médium e, não raro, demanda o concurso de Espíritos menos evoluídos (mais materializados) que se prestam a manifestações mais ruidosas e mecânicas. À medida que o espírita aprimora seus conhecimentos da Doutrina e procura realizar sua reforma íntima, a tendência é que se torne mais sensível à comunicação direta com Espíritos de um maior nível evolutivo. A este respeito, a Espiritualidade nos afirma que a mediunidade do futuro será a INTUITIVA ..." - Francisco Cândido Xavier e Emmanuel, em 'Plantão de Respostas'
Foto: Ronald Sanson Stresser Junior (Pixabay) 
 

"1. Pergunta: Quais são os principais sintomas, tanto físicos quanto psicológicos, que a pessoa apresenta para que diagnostique-se mediunidade acentuada?

Resposta: Os sintomas podem ser variados, de acordo com o tipo de mediunidade. Irritabilidade, sonolência sem motivo, dores sem diagnóstico definido, mau humor e choro inexplicável podem indicar necessidade de esclarecimento e estudo.


2. Pergunta: Certa vez, ouvi um umbandista falar que no futuro, não vai haver mais manifestações de Espíritos na Umbanda. Lá, haverá somente estudos científicos e passes. O que vocês podem explicar a este respeito? Por que a mudança?

Resposta: A Espiritualidade nos avisa, já há algum tempo, que as manifestações de efeitos físicos (como a materialização), a escrita e a voz direta, as transfigurações, etc.) foram comuns durante o século passado e o início deste, pois era necessário chamar a atenção para a existência do Mundo Espiritual.

Este gênero de manifestações exige um gasto bem maior de energia do médium e, não raro, demanda o concurso de Espíritos menos evoluídos (mais materializados) que se prestam a manifestações mais ruidosas e mecânicas. À medida que o espírita aprimora seus conhecimentos da Doutrina e procura realizar sua reforma íntima, a tendência é que se torne mais sensível à comunicação direta com Espíritos de um maior nível evolutivo. A este respeito, a Espiritualidade nos afirma que a mediunidade do futuro será a INTUITIVA.


3. Pergunta: Meu irmão aos 35 anos começou a ouvir vozes. Indicaram-me o Vale do Amanhecer¹ e, como sou leiga no assunto, levei-o até lá e, para minha surpresa, ele incorporou. No dia seguinte, ele saiu correndo como louco, tivemos que interná-lo no Sanatório Espírita². Será que ele voltará ao normal?

Resposta: Seu irmão demonstra ter uma mediunidade espontânea, latente, que já deveria ter sido trabalhada. Assim, entendemos que sua internação no Sanatório Espírita é o melhor em seu tratamento e, se for de seu merecimento, seu irmão há de se curar. Entretanto, necessitará sempre de muito amor, carinho, compreensão e muita prece. [v. 2ª questão do cap. 33]


4. Pergunta: Existe relação entre música e cor? Como o médium artista (no caso, pianista) pode atingir a capacidade para saber o nome da música e do compositor que enviou uma determinada melodia ou canção?

Resposta: Partindo-se do princípio que tanto o som quanto a luz emitem ondas, umas mecânicas e outras eletromagnéticas, existe aí uma relação. A música emite sons harmônicos, segundo uma equação matemática quanto à frequência e comprimento, podendo proporcionar ao ouvinte uma sensação de calma ou de excitação. As cores, da mesma forma, podem ser calmantes como o azul, ou excitantes como o vermelho. Por essas características, ambas são utilizadas em tratamento de saúde.

O trabalho mediúnico em geral, para que seja efetivo, necessita que os médiuns participantes tenham pleno conhecimento do fenômeno. Esse conhecimento só pode ser alcançado com estudo e a prática mediúnica; a partir daí, o médium tem condições de mediar as comunicações de forma plena.


5. Pergunta: Como saber distinguir efeitos mediúnicos de doença física? Por exemplo: as dores de cabeça e de estômago.

Resposta: A segurança em distinguir efeitos da mediunidade de sintomas de doenças físicas, só pode ser alcançada com a educação da própria mediunidade.

O ideal é que inicialmente se procure um médico para certificar-se que o mal não é físico e, uma vez confirmada a inexistência de doença, deve-se procurar a orientação espiritual.


Francisco Cândido Xavier (encarnado) e Emmanuel (Espírito)


Notas:
1- Instituição espiritualista fundada pela irmã Neiva, em Brasília, D.F.
2- Sanatório Espírita de Anápolis, Goiás.

Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.


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terça-feira, 7 de setembro de 2021

Os precursores da Doutrina Espírita (Material para Estudo)

É, porém, em anos mais recentes que podemos situar melhor a fase precursora do Espiritismo, o Consolador prometido por Jesus. A diferença entre os fatos desta última fase e os fenômenos de antiguidade está em que, como bem acentua Arthur Conan Doyle, estes eram esporádicos, não obedeciam a uma sequência metódica, enquanto os fenômenos da era moderna "têm as características de uma invasão organizada" (História do Espiritismo, pág. 33) - Outros fenômenos dignos de registro ocorreram com Andrew Jackson Davis, magnífico sensitivo que viveu entre 1826 e 1910, nos Estados Unidos, e foi considerado por Arthur Conan Doyle como o profeta da Nova Revelação. Os poderes psíquicos de Davis começaram na sua infância, quando ele ouvia vozes de Espíritos que lhe davam conselhos. À clarividência seguiu-se a clariaudiência. Certa vez, em 6 de março de 1844, Davis foi tomado por uma força que o fez voar da pequena cidade onde residia e fazer uma viagem até as Montanhas de Catskill, distante 40 milhas de sua casa - O surgimento do Espiritismo foi predito por Davis em seu livro "Princípios da Natureza", de 1847. Conan Doyle assevera que, para nós, "o que é importante é o papel representado por Davis no começo da revelação espírita. Ele começou a preparar o terreno, antes que se iniciasse a revelação. Estava claramente fadado a associar-se intimamente com ela, de vez que conhecia a demonstração de Hydesville, desde o dia que ocorreu" - Fonte: FEB / 'O Consolador'
Sir Arthur Conan Doyle (Wikimedia Commons - Jeremias Reinoso - CC BY-SA 4.0)

"... Se o leitor utilizar este programa¹ para estudo em grupo, sugerimos que as questões propostas sejam debatidas livremente antes da leitura do texto que a elas se segue. Se destinado somente a uso por parte do leitor, pedimos que o interessado tente inicialmente responder às questões e só depois leia o texto referido. As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final da lição.


Questões para debate (Lição 1)


1. O Espiritismo sempre existiu?

2. Há notícias de ideias espíritas antes de Kardec?

3. Mencione dois fenômenos citados na Bíblia que se refiram a comunicações dos mortos.

4. Que disseram Paulo de Tarso e João Evangelista a respeito das manifestações espíritas?

5. Na era moderna, quais são os sensitivos considerados precursores do Espiritismo?


Texto para leitura


1. Os fenômenos cujos estudos resultaram na estruturação da Doutrina Espírita não eclodiram apenas numa data determinada. As interferências das forças exteriores inteligentes têm ocorrido desde os tempos imemoriais, durante todo o curso da História até o advento da 3a Revelação no Ocidente, com Kardec. Um fato, porém, que merece destaque, como um marco precursor, são os fenômenos ocorridos com sensitivos como o grande vidente Emmanuel Swedenborg e Andrew Jackson Davis.

2. Os fatos atinentes às revelações dos Espíritos ou fenômenos mediúnicos remontam à mais remota antiguidade, sendo tão velhos quanto o nosso mundo, e sempre ocorreram em todos os tempos e entre todos os povos. A História, a esse respeito, está pontilhada de fenômenos de intercomunicação espiritual. A Bíblia mesma nos mostra Saul conversando com o Espírito de Samuel e Jesus recepcionando as visitas dos Espíritos de Elias e Moisés materializados.

3. As evocações dos Espíritos não se situaram apenas entre os povos do Ocidente, ocorrendo com larga frequência no Oriente, como se observa dos relatos do Código dos Vedas e do Código de Manu. Esclarece-nos Louis   que, em épocas bastante recuadas no tempo, os padres iniciados nos mosteiros preparavam os faquires para evocação dos mortos, com a obtenção dos mais notáveis fenômenos. O missionário Huc refere-se a grande número de experiências de comunicações com os mortos registradas na China.

4. O apóstolo Paulo, em suas cartas, reconhecia a prática dessas manifestações entre os cristãos primitivos, como podemos ver nos textos seguintes: "Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar. Porque o que fala em outra língua não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala de mistérios. Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação". (I Coríntios, 14:1 a 3); "Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem." (I Tessalonicenses, 5:19 a 21)

5. João evangelista também se referia às manifestações espirituais e alertava quanto ao exame dessas comunicações: "Amados, não creais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo" (I João, 4:1 e 2)

6. Na Idade Média destaca-se a figura admirável de Joana d'Arc, a grande médium, que se recusou a renegar as vozes espirituais e por isso foi supliciada e levada à fogueira.

7. É, porém, em anos mais recentes que podemos situar melhor a fase precursora do Espiritismo, o Consolador prometido por Jesus. A diferença entre os fatos desta última fase e os fenômenos de antiguidade está em que, como bem acentua Arthur Conan Doyle, estes eram esporádicos, não obedeciam a uma sequência metódica, enquanto os fenômenos da era moderna "têm as características de uma invasão organizada" (História do Espiritismo, pág. 33)

8. É nessa fase que vamos encontrar na Suécia o sensitivo Emmanuel Swedenborg, engenheiro militar, autoridade em Física e em Astronomia, zoologista e anatomista, financista e político, além de insigne teólogo, dotado de largo potencial de forças psíquicas.

9. Já na sua infância tiveram início suas visões, numa continuidade que se prolongou até a morte, mas suas faculdades eclodiram com mais intensidade a partir de abril de 1744, em Londres. Desde então -- afirma Swedenborg -- "o Senhor abria os olhos de meu Espírito para ver, perfeitamente desperto, o que se passava no outro mundo e para conversar, em plena consciência, com anjos e Espíritos".

10. Outro notável precursor, digno de menção, foi Franz Anton Mesmer, médico, descobridor do magnetismo curador. Em 1775, Mesmer reconheceu o poder da cura mediante a aplicação das mãos. Acreditava ele que por nossos corpos transitam fluidos curadores, preparando o caminho para o Hipnotismo de Marquês de Puységur.

11. Outros fenômenos dignos de registro ocorreram com Andrew Jackson Davis, magnífico sensitivo que viveu entre 1826 e 1910, nos Estados Unidos, e foi considerado por Arthur Conan Doyle como o profeta da Nova Revelação. Os poderes psíquicos de Davis começaram na sua infância, quando ele ouvia vozes de Espíritos que lhe davam conselhos. À clarividência seguiu-se a clariaudiência. Certa vez, em 6 de março de 1844, Davis foi tomado por uma força que o fez voar da pequena cidade onde residia e fazer uma viagem até as Montanhas de Catskill, distante 40 milhas de sua casa.

12. O surgimento do Espiritismo foi predito por Davis em seu livro "Princípios da Natureza", de 1847. Conan Doyle assevera que, para nós, "o que é importante é o papel representado por Davis no começo da revelação espírita. Ele começou a preparar o terreno, antes que se iniciasse a revelação. Estava claramente fadado a associar-se intimamente com ela, de vez que conhecia a demonstração de Hydesville, desde o dia que ocorreu".


Respostas às questões propostas


1. O Espiritismo sempre existiu?

Os fenômenos cujos estudos resultaram na estruturação da Doutrina Espírita não eclodiram apenas numa data determinada. As interferências das forças exteriores inteligentes têm ocorrido desde os tempos imemoriais, durante todo o curso da História até o advento da 3a Revelação no Ocidente, com Kardec. Podemos, então, dizer que o Espiritismo sempre existiu, embora como doutrina tenha surgido com a publicação d’O Livro dos Espíritos, em 18-4-1857.


2. Há notícias de ideias espíritas antes de Kardec?

Sim. O Antigo e o Novo Testamento são pródigos em fenômenos e em ideias espíritas, como a possibilidade de evocação dos mortos e a necessidade de se examinar o conteúdo das comunicações espíritas proposta por João Evangelista. Mais próximos da codificação kardequiana, mas anteriormente a Kardec, a história registra os livros produzidos por dois grandes sensitivos: Swedenborg, na Europa, e Andrew Jackson Davis, nos Estados Unidos.


3. Mencione dois fenômenos citados na Bíblia que se refiram a comunicações dos mortos.

No Antigo Testamento, o diálogo entre o rei Saul e o Espírito de Samuel, narrado no Livro de Reis. No Novo Testamento, a visita feita a Jesus pelos Espíritos de Elias e Moisés materializados.


4. Que disseram Paulo de Tarso e João Evangelista a respeito das manifestações espíritas?

Paulo escreveu: "Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar. Porque o que fala em outra língua não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala de mistérios. Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação" (I Coríntios, 14:1 a 3). João Evangelista recomendou: "Amados, não creais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo" (I João, 4:1 e 2)


5. Na era moderna, quais são os sensitivos considerados precursores do Espiritismo?

Emmanuel Swedenborg, Franz Anton Mesmer e Andrew Jackson Davis."


Bibliografia:

"O Fenômeno Espírita", de Gabriel Delanne



"História do Espiritismo", de Arthur Conan Doyle



Fonte: 1 - revista 'O Consolador': Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita: 147 Lições publicadas na revista 'O Consolador' no período de 18/4/2007 a 28/2/2010 - Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais - Para ler o estudo na íntegra, clique aqui ...

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quarta-feira, 7 de abril de 2021

Jesus, Espírito de pureza perfeita e imaculada (por J. B. Roustaing)


"Jesus, Espírito de pureza perfeita e imaculada, cuja perfeição se perde na noite das eternidades, protetor e governador do vosso planeta, a cuja formação presidiu, é estranho e anterior às gerações humanas que o tem sucessivamente habitado.

Apareceu na terra (já o sabeis, desde que vos revelamos a sua origem espírita) com um corpo fluídico, de natureza perispirítica, visível e tangível sob a aparência da corporeidade humana, por efeito de incorporação segundo as leis dos mundos superiores, apropriadas aos fluidos ambientes que servem para a formação dos seres terrenos. 

Esse segredo de além-túmulo (também o sabeis) não devia ser revelado, conhecido, antes do tempo determinado pelo Senhor, antes da época atual, em que se inicia a era nova do Espiritismo e em que os progressos realizados vos tornaram capazes de receber essa revelação.

Não vos preocupeis com o ter Jesus de Nazaré contado, aos olhos dos Hebreus, aos olhos dos homens, este ou aquele patriarca entre os seus antepassados carnais. Percorrei-lhe a genealogia espiritual e remontareis a Deus, criador, imediato e único, de tudo que é puro e perfeito.

Demais, nenhuma atenção merece essa genealogia humana atribuída a Jesus por exigências da época. Destituída de interesse, ela em nada influi nos fatos constitutivos da missão messiânica, nem na obra de regeneração da vossa humanidade, executada pelo desempenho dessa missão.


Qual então a razão de ser da genealogia humana atribuída a Jesus?


Compreendei bem a necessidade que há de se materializarem os fatos para os tornar acessíveis à matéria. Preciso era, naquela época, que se usasse para com os homens de uma linguagem que pudesse ser compreendida e sobre tudo escutada, em um meio que fora preparado desde muitos séculos.

Segundo as tradições hebraicas e as interpretações dadas às profecias da lei antiga, o libertador prometido, o Cristo, havia de nascer em Belém, tendo por pai um descendente de David, sendo, pois, ele próprio, pela descendência, um filho de David.

A grande obra da redenção estava preparada desde a origem tradicional dos tempos, sem que o homem o percebesse, nas condições sucessivamente apropriadas às épocas e às inteligências. 

Para a execução dessa grande obra, Maria e José, Espíritos perfeitos, este, porém, menos elevado do que aquele, nenhum dos dois puro desde o início, ambos inferiores, portanto, a Jesus, Maria e José, dizíamos, encarnaram, cada um num meio depurado, com o encargo de auxiliarem o Messias na sua missão terrena. A pureza de Maria e de José não podia compadecer-se com um meio impuro. Cada um, por isso, escolheu uma família que lhe fora de antemão preparada, composta igualmente de Espíritos superiores, se bem que menos elevados do que os deles."


Jean Baptiste Roustaing, em "Os Quatro Evangelhos" (Tomo I, Item 55)

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domingo, 27 de setembro de 2020

O Espírito de São Vicente de Paulo e a Caridade

Essa instrução de São Vicente de Paulo, com algumas modificações que a reduziram, foi inserida por Allan Kardec em O Evangelho segundo o Espiritismo. Corresponde, na edição definitiva de 1866, ao capítulo XIII, item 12.

N. do T.: Essa instrução de São Vicente de Paulo, com algumas modificações que a reduziram, foi inserida por Allan Kardec em O Evangelho segundo o Espiritismo. Corresponde, na edição definitiva de 1866, ao capítulo XIII, item 12.

"Sede bons e caridosos, eis a chave dos céus que tendes em vossas mãos; toda a felicidade eterna está encerrada nessa máxima: amai-vos uns aos outros.

A alma não pode se elevar às regiões espirituais senão pelo devotamento ao próximo; não encontra felicidade e consolação senão no impulso da caridade; sede bons, sustentai vossos irmãos, deixai de lado essa horrível chaga do egoísmo; esse dever cumprido deve vos abrir o caminho da felicidade eterna.

De resto, dentre vós, quem não sentiu seu coração pulsar, sua alegria interior dilatar pela ação de uma obra caridosa? Não deveríeis pensar senão nessa espécie de volúpia, que uma boa ação proporciona, e permaneceríeis, sempre, no caminho do progresso espiritual. Os exemplos não faltam; não há senão a boa vontade, que é rara. Vede a multidão de homens de bem, dos quais vossa historia vos evoca a piedosa lembrança. Eu vo-los citaria aos milhares aqueles cuja moral não tinha por objetivo senão melhorar vosso globo.

O Cristo não vos disse tudo o que concerne a essas virtudes de caridade e de amor? Por que deixar de lado esses divinos ensinamentos? Por que fechar os ouvidos às suas divinas palavras; o coração a todas essas doces máximas? Gostaria que as leituras evangélicas fossem feitas com mais interesse pessoal; abandona-se esse livro, dele se faz uma palavra oca.

Uma carta fechada; deixa-se esse código admirável no esquecimento: vossos males não provêm senão do abandono voluntário em que deixais esse resumo das leis divinas. Lede, pois, essas páginas ardentes do devotamento de Jesus, e meditai-as. Estou envergonhado comigo mesmo, de ousar vos prometer um trabalho sobre a caridade, quando penso que nesse livro encontrareis todos os ensinamentos que devem vos conduzir, pela mão, às regiões celestes.

Homens fortes, cingi-vos; homens fracos, fazei vós armas de vossa doçura, de vossa fé; tende mais persuasão, mais constância na propagação de vossa nova doutrina; não é senão um encorajamento que viemos vos dar; senão para estimular vosso zelo e vossas virtudes que Deus nos permite nos manifestar a vós; mas, querendo, não se teria necessidade senão da ajuda de Deus e de sua própria vontade: as manifestações espíritas não são feitas senão para os de olhos fechados e os corações indóceis.

Há, entre vós, homens que têm a cumprir missões de amor e de caridade; escutai-os, elevai sua voz; fazei resplandecer seus méritos, e vos exaltareis a vós mesmos pelo desinteresse e pela fé viva com a qual vos penetrarão.

As advertências detalhadas seriam muito longas para dar, sobre a necessidade de alargar o círculo da caridade, e dela fazer participar todos os infelizes, cujas misérias são ignoradas, todas as dores que devem ser procuradas, em seus redutos para consolá-los em nome desta virtude divina: a caridade.

Vejo com felicidade quantos homens eminentes e poderosos ajudam esse progresso que deve ligar, entre elas, todas as classes humanas: os felizes e os infelizes. Os infelizes, coisa estranha! se dão todos a mão e sustentam suas misérias, uns pelos outros. Por que os felizes são mais retardatários para escutarem a voz dos infelizes? Por que é preciso que seja mão possante e terrestre que dê o impulso às missões caridosas? Por que não se responde com mais ardor a esses chamados? Por que deixar as misérias mancharem, como por prazer, o quadro da Humanidade?

A caridade é a virtude fundamental, que deve sustentar todo o edifício das virtudes terrestres; sem ela, as outras não existem: sem caridade, não há fé nem esperança; porque, sem a caridade, não há esperança em uma sorte melhor, nenhum interesse moral que nos guie. Sem a caridade, não há fé, porque a fé não é senão um raio puro que faz brilhar uma alma caridosa; é a sua conseqüência decisiva.

Quando deixar o coração se abrir ao pedido do primeiro infeliz que vos estende a mão; quando lhe der, sem perguntar se sua miséria não é fingida, ou se o mal num vício lhe é causa; quando deixar toda justiça nas mãos divinas; quando deixar o castigo das misérias mentirosas ao Criador; enfim, quando fizer a caridade tão-só pela felicidade que ela proporciona, e sem procurar a sua utilidade, então, sereis os filhos que Deus amará e que ele chamará para si.

A caridade é a âncora eterna da salvação em todos os globos: é a mais pura emanação do próprio Criador; é sua a própria virtude, que ele dá à criatura. Como desejaríeis desconhecer essa suprema bondade? Qual seria, com esse pensamento, o coração bastante perverso para pisotear e enxotar esse sentimento todo divino? Qual seria o filho bastante mau para se revoltar contra essa doce carícia: a caridade?

Não ouso falar daquilo que fiz, porque os Espíritos também têm o pudor das suas obras; mas creio que a obra que comecei, é uma daquelas que devem mais contribuir para o alívio de vossos semelhantes.

Vejo, freqüentemente, Espíritos pedirem, por missão, para continuarem a minha obra; eu as vejo, minhas doces e caras irmãs, em seu piedoso e divino ministério; vejo-as praticar as virtudes, que vos recomendo, com toda a alegria que proporciona essa existência de devotamento e de sacrifício; é uma grande felicidade, para mim, ver quanto o seu caráter é honroso, quanto sua missão é amada e docemente protegida Homens de bem, de boa e forte vontade, uni-vos para continuar, grandemente, a obra de propagação de caridade; encontrareis a recompensa dessa virtude pelo seu próprio exercício; não há alegria espiritual que ela não dê desde a vida presente. Sede unidos; amai-vos uns aos outros, segundo os preceitos do Cristo. Assim seja."


-o-o-o-

Revista Espírita, agosto de 1858 - Sociedade de estudos espíritas, 8 de junho de 1858:

"Agradecemos a São Vicente de Paulo pela bela e boa comunicação que consentiu nos dar - Gostaria que fosse proveitosa a todos.
Poderíeis nos permitir algumas perguntas complementares, a respeito do que acabais de nos dizer?

- Eu o desejo muito; meu objetivo é vos esclarecer; perguntai o que quiserdes.

1. A caridade pode entender-se de dois modos: a esmola propriamente dita, e o amor aos semelhantes. Quando nos dissestes que é preciso deixar seu coração abrir ao pedido do infeliz que nos estende a mão, sem perguntar se sua miséria não é fingida, não quisestes falar da caridade do ponto de vista da esmola?

- R. Sim, unicamente nesse parágrafo.

2. Dissestes que é preciso deixar à justiça de Deus a apreciação da miséria fingida; parece-nos, entretanto, que dar sem discernimento às pessoas que não têm necessidade, ou que poderiam ganhar sua vida por um trabalho honroso, é encorajar o vício e a preguiça. Se os preguiçosos encontrassem, muito facilmente, a bolsa dos outros aberta, eles se multiplicariam ao infinito, em prejuízo dos verdadeiros infelizes. 

- R. Podeis discernir aqueles que podem trabalhar, e então a caridade vos obriga tudo fazer para lhes proporcionar trabalho; mas há, também, pobres mentirosos que sabem simular o jeito das misérias que não têm; é para estes que é preciso deixar a Deus toda a justiça.

3. Aquele que não pode dar senão cinco francos, e deve escolher entre dois infelizes que lhe pedem, não tem razão em perguntar, quem tem, realmente, maior necessidade, ou deve dar sem exame ao primeiro que chega?

- R. Deve dar àquele que pareça ser o mais sofredor.

4. Não se pode considerar, também, como fazendo parte da caridade, a maneira de praticá-la?

- R. É, sobretudo, na maneira pela qual se presta o serviço, que a caridade é verdadeiramente meritória; a bondade é, sempre, o indício de uma alma bela.

5. Que gênero de mérito concedeis àqueles que chamam benfeitores ásperos?

- R. Não fazem o bem senão pela metade. Recebem seus benefícios, mas eles não comovem.

6. Jesus disse: "Que vossa mão direita não saiba o que dá a vossa mão esquerda." Aqueles que dão por ostentação têm alguma espécie de mérito?

- R. Não têm senão o mérito do orgulho, pelo qual serão punidos.

7. A caridade cristã, em sua mais larga acepção, não compreende também a doçura, a benevolência e a indulgência pelas fraquezas alheias?

- R. Imitai Jesus; Ele vos disse tudo isso; escutai-o mais do que nunca.

8. A caridade é bem intencionada quando feita exclusivamente entre as pessoas de uma mesma seita, ou de um mesmo partido?

- R. Não; é sobretudo esse Espírito de seita e de partido que é preciso abolir, porque todos os homens são irmãos. É sobre essa questão que concentramos nossos esforços.

9. Suponho um indivíduo que vê dois homens em perigo; deles não pode salvar senão um, mas um é seu amigo e o outro seu inimigo; a quem deve salvar?

- R. Deve salvar seu amigo, porque esse amigo podia reclamar daquele que crê amá-lo; quanto ao outro, Deus se encarregará dele."

Fonte: http://www.oconsolador.com.br/linkfixo/bibliotecavirtual/revista-espirita-1858.pdf

terça-feira, 14 de abril de 2020

A Ciência e o Espiritismo

Materialização da médium Eva Carriére (1912) ²

Com a multiplicação dos fenômenos mediúnicos, surgiu a necessidade do estudo científico para comprovar a veracidade da doutrina Espírita

Por Edvaldo Kulcheski - Postado originalmente em Editora Vivência ¹

"Nas edições anteriores, trouxemos a mediunidade na antiguidade, mostrando que os fenômenos mediúnicos existem desde que o homem surgiu na Terra, e a mediunidade na Idade Moderna, com a história de médiuns famosos da época. Vamos abordar agora a contribuição que a ciência deu para a comprovação dos fenômenos ligados à doutrina espírita.

Se os fenômenos espíritas se limitassem ao círculo de seus seguidores, a opinião geral poderia ver neles simples artigos de fé, sem maiores conseqüências de interesse geral. Mas a verdade é que esses fenômenos se multiplicaram, em uma sucessão sempre audaz e desafiadora.

O expediente de proibições e excomunhões se tornava ineficaz, desacreditado e ingênuo diante da avalanche de fenômenos variados, como vozes misteriosas, contato de mãos invisíveis, materializações de espíritos, escritas diretas, aparições de espíritos familiares, revelações de uma vida superior e mais bela etc., atestando a inquestionável sobrevivência da alma.

Era natural que, em face do volume de tantos fatos, a sociedade requisitasse o exame consciencioso de seus sábios e cientistas. Estes então, acossados por todos os lados, descruzaram os braços e se puseram a campo para uma investigação rigorosa e fria. A ciência, representada por um grupo de personalidades sérias e refratárias a imposições religiosas, foi chamada a depor e o fez de tal forma que o Espiritismo foi, por assim dizer, devidamente fotografado, pesado e medido.

A PALAVRA DOS CIENTISTAS

Coube a Willian Crookes, o célebre físico inglês, chamar a atenção de toda a Europa racionalista para a realidade dos fatos espíritas. Muitos esperavam que, de suas investigações, viesse uma condenação irrevogável e humilhante, mas o veredicto do eminente sábio foi favorável.

A cética Inglaterra se assustou com as certezas obtidas dentro do mais severo método científico e cercadas de extrema prudência, afinal, era preciso aceitá-las, uma vez que Crookes pesquisou com frieza, observou pacientemente, fotografou, provou, contraprovou e se rendeu.

Russel Wallace, físico naturalista considerado rival de Charles Darwin, confessou que "era um materialista tão convicto que não admitia absolutamente a existência do mundo espiritual". Disse ainda: "Os fatos, porém, são coisas pertinazes, eles me obrigam a aceitá-los como fatos".

Cromwell Varley, engenheiro descobridor do condensador elétrico, disse: "O ridículo que os espíritas têm sofrido não parte senão daqueles que não têm o interesse científico e a coragem de fazer algumas investigações antes de atacarem aquilo que ignoram".

Para Oliver Lodge, físico e membro da Academia Real, os cientistas não vieram "anunciar uma verdade extraordinária, nenhum novo meio de comunicação, apenas uma coleção de provas de identidade cuidadosamente colhidas".

Lodge explica ainda o porquê de afirmar que as provas foram cuidadosamente colhidas, dizendo que "todos os estratagemas empregados para sua obtenção foram postas em prática e não fiquei com nenhuma dúvida da existência e sobrevivência da personalidade após a morte".

O professor de física William Barrett afirmou que a existência de um mundo espiritual, a sobrevivência após a morte e a comunicação dos que morreram são evidentes. "Dos que ridicularizavam o Espiritismo, ninguém lhe concedeu, que eu saiba, atenção refletida e paciente. Afirmo que toda pessoa de senso que consagrar o seu estudo prudente e imparcial tantos dias ou mesmo tantas horas, como muitos de nós têm consagrado anos, será constrangido a mudar de opinião", disse.

Frederic Myers, da Sociedade Real de Londres, disse: "Pelas minhas experiências, convenci-me de que os pretendidos mortos podem se comunicar conosco e penso que, para o futuro, eles poderão fazê-lo de modo mais completo".

Já o italiano Ernesto Bonanno, que se dedicou por mais de 30 anos aos estudos psíquicos, afirmou, sem temer estar equivocado, "que fora da hipótese espírita, não existe nenhuma outra capaz de explicar os casos análogos ao que acabo de expor".

UMA NOVA CIÊNCIA

Houve até quem fundasse uma nova ciência, com o objetivo exclusivo de verificar a autenticidade dos fatos supranormais. Um desses homens foi Charles Richet, o criador da metapsíquica.

Para ele, ao ler, estudar e analisar os escritos sobre os fenômenos espíritas, pode-se declarar inverossímel e até impossível que homens ilustres e probos tenham se deixado enganar por fraudadores. "Eles não poderiam ser todos e sempre bastante cegos para não se aperceberem de fraudes que deveriam ser grosseiras, bastante imprudentes para concluir quando nenhuma conclusão era legítima, bastante inábeis para nunca, nem uns nem outros, fazerem uma só experiência irreprovável. A priori, suas experiências merecem ser meditadas seriamente", afirmou Richet.

Gustavo Geley, diretor do Instituto Metapsíquico de Paris, um cientista exigente e de poderosa inteligência, disse ser preciso confessar que "os espiritistas dispõem de argumentos formidáveis. O Espiritismo só admite fatos experimentais com as deduções que eles comportam".

Segundo ele, "os fenômenos espíritas estão solidamente estabelecidos pelo testemunho concordante de milhares e milhares de pesquisadores. Foram fiscalizados, com todo o rigor dos métodos experimentais, por sábios ilustres de todos os países. Sua negação pura e simples equivale hoje a uma declaração de falência".

Como um estudioso honesto, Geley dá este admirável testemunho: "Notemos imediatamente que não há exemplo de um sábio que tenha negado a realidade dos fenômenos depois de estudo um tanto aprofundado. Ao contrário, numerosos são aqueles que, partindo de completo ceticismo, chegam à afirmação entusiástica".

Camille Flamarion, grande astrônomo, autor de tantas obras notáveis e respeitado como uma das maiores inteligências da França no século XIX, trouxe igualmente um depoimento insuspeito sobre os fenômenos espíritas. Para ele, "a negação dos céticos nada prova senão que os negadores não observaram os fenômenos".

O ESPIRITISMO

O fenômeno mediúnico é uma ocorrência tão antiga quanto o homem. Por ser a mediunidade uma faculdade inerente ao ser humano, ela tem se manifestado em todas as épocas, ocasionando espanto, respeito e manifestações religiosas.

Porém, foi somente a partir do século XIX, com estudos sérios realizados pelo professor Hippolyte Léon Denizard Rivail (que posteriormente adotaria o nome de Allan Kardec), que os fenômenos de efeitos físicos e inteligentes foram observados em detalhes e as conclusões necessárias foram tiradas, formando-se então um corpo de doutrina, o Espiritismo. Esta é uma doutrina nascida da observação e fruto da revelação dos espíritos superiores, tendo sido codificada entre 1857 e 1868.

O Espiritismo divide os fenômenos medi únicos em efeitos físicos ou objetivos e efeitos intelectuais ou subjetivos. Como efeitos físicos ou objetivos, temos a materialização, a transfiguração, a levitação, o transporte, a bilocação, a voz direta, a escrita direta, a tiptologia e a sematologia. Como efeitos intelectuais ou subjetivos, temos a inspiração, a intuição, a vidência, a audiência, a psicometria, o desdobramento, a psicografia, a psicofonia e os curadores.

O ESPIRITISMO E A METAPSÍQUICA

A ciência oficial não admitiu de pronto as verdades reveladas pelos espíritos. Formaram-se inúmeras associações, sociedades e comissões com o ideal de desmascará-las, porém, quanto mais se estudava, mais aumentava o número de adeptos.

Muitos homens de ciência se convenceram a respeito da autenticidade dos fenômenos, entre eles o fisiologista francês Charles Richet. Em conjunto com o dr. Geley e o prof. Fredrich Myers, Richet fundou o Instituto Metapsíquico Internacional em Paris, sendo designado como presidente da entidade.

A metapsíquica trata do estudo dos fenômenos psíquicos anormais, como a telepatia, a clarividência, a dupla visão, materializações etc. Em 1922, Charles Richet apresentou à Academia de Ciências o "Tratado de Metapsíquica".

Os fenômenos metapsíquicos se dividem em objetivos e subjetivos. A metapsíquica objetiva trata de fenômenos materiais que a mecânica conhecida não explica, uma realidade tangível e acessível aos nossos sentidos.

Divide-se em telecinesia, que é uma ação mecânica sem atuação e sem contato sobre objetos ou pessoas (raps, levitação, movimentação de mesas, escrita direta, transporte de objetos, casas assombradas etc.), e ectoplasmia, que é a formação de objetos diversos, que parecem sair do corpo humano, tomam aparência material e são tangíveis (materializações de objetos e seres com aparência dos que já viveram na Terra).

Já a metapsíquica subjetiva trata de fenômenos mentais, sensibilidades ocultas e percepções desconhecidas, como telepatia, clarividência, clariaudiência, xenoglossia, escrita automática etc. Nela, temos a criptestesia, que é o estudo da faculdade de conhecimento diferente das faculdades sensoriais normais.

O ESPIRITISMO E A PARAPSICOLOGIA

Nos EUA, em 1930, Joseph Banks Rhine iniciou os estudos que desembocaram na estruturação de um novo ramo da ciência preocupado em estudar os fenômenos chamados "inabituais", a parapsicologia. Enquanto o método da metapsíquica se baseava no aspecto qualitativo dos fenômenos e no testemunho pessoal dos que presenciavam os mesmos, a parapsicologia introduziu o método quantitativo.

Este método procura estabelecer um meio de fazer com que os fenômenos se reproduzam sob determinadas condições e busca seguir os padrões utilizados na metodologia científica. Esta se serve de métodos que possam ser testados, repetidos e confirmados e, por ela, devem ser descobertas a causa e a lei que rege o objeto da investigação.

Temos os fenômenos normais e paranormais. O fenômeno normal é o que se enquadra no conjunto das leis conhecidas e aceitas que governam os processos naturais. O fenômeno para normal é inabitual, no qual não se sabe e não se domina as leis que o regem.

Todos os fenômenos paranormais são denominados como PSI, embora nem todo fenômeno paranormal seja psíquico, podendo ocorrer sobre objetos e coisas que independem do psiquismo das pessoas envolvidas na ocorrência.

Os fenômenos PSI se dividem em PSI-Gama, PSI-Kapa e PSI- Theta. Os PSI-Gama são fenômenos subjetivos que ocorrem na área intelectual do dotado e se subdividem em telepatia (comunicação direta de uma mente com outra), clarividência (percepção dos fatos do mundo físico independentemente do uso dos sentidos fisiológicos normais) e pós e pré-cognição (conhecimento imediato de fatos já acontecidos ou por acontecer, sem nenhuma informação prévia, direta ou indireta).

Os PSI-Kapa são fenômenos objetivos, materiais e de psiconesia. Por fim, alguns pesquisadores tendem a admitir uma terceira.categoria de fenômenos PSI, os PSI-Theta, oriundos de mentes de seres incorpóreos.

A PARAPSICOLOGIA E SUAS CORRENTES

A parapsicologia está dividida em três correntes: a russa, a norte-americana e a francesa. A corrente russa é eminentemente materialista, onde todos os fenômenos são explicados pela matéria. O conceito espiritual é inteiramente colocado de lado e o conceito metafísico é negado.

A corrente norte-americana admite que certos fenômenos são produzidos por agentes especiais que vivem em dimensões diferentes da nossa, depois de terem vivido aqui. Já a corrente francesa mistura conceitos sobrenaturais com milagres. É a corrente católica da parapsicologia e surgiu sem o interesse da investigação, apenas para confundir e atacar o Espiritismo.

A parapsicologia já está sendo substituída por outras ciências que dão uma visão mais abrangente, como a psicobiofísica e a psicotrônica. Hoje, a ciência descreve assim a materialização de um espírito (conceito metafísico): 'Forma assumida pelo bioplasma sob a ação de campos estéreo bioenergéticos oriundos de um domínio informacional remanescente de uma pessoa já falecida'."
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Fonte: 1- Postagem reproduzida, com finalidade de estudos, a partir do site do IPPB – Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas (Wagner Borges) - Imagem: 2 - Foto por Albert von Schrenck-Notzing, médico e parapsicólogo alemão (1862 – 1929), de Materialização realizada pela médium Eva Carriére, em 1912 (CC0) - Links adicionados ao texto direcionando às obras dos autores citados.


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