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segunda-feira, 23 de maio de 2022

Como foi a iniciação de Allan Kardec no Espiritismo

Minha primeira iniciação no Espiritismo foi em 1854 que ouvi falar, pela primeira vez, das mesas girantes. Um dia, encontrei o Sr. Fortier, o magnetizador, que conhecia há muito tempo; ele me disse:  Sabeis a singular propriedade que se acaba de descobrir no magnetismo?  Parece que não são somente os indivíduos que se magnetizam, mas as mesas que se fazem girar e caminhar à vontade...
Allan Kardec / Imagem de Ronald Sanson Stresser Junior por Pixabay


"Minha primeira iniciação no Espiritismo foi em 1854 que ouvi falar, pela primeira vez, das mesas girantes. Um dia, encontrei o Sr. Fortier, o magnetizador, que conhecia há muito tempo; ele me disse:

Sabeis a singular propriedade que se acaba de descobrir no magnetismo?

Parece que não são somente os indivíduos que se magnetizam, mas as mesas que se fazem girar e caminhar à vontade.

"É muito singular, com efeito, respondi; mas, a rigor, isso não me parece radicalmente impossível. O fluido magnético, que é uma espécie de eletricidade, pode muito bem agir sobre os corpos inertes e fazê-los mover." Os relatos, que os jornais publicaram, de experiências feitas em Nantes e Marselha, e em algumas outras cidades, não podiam deixar dúvida sobre a realidade do fenômeno.

Algum tempo depois revi o Sr. Fortier, e ele me disse:

"Eis que é muito mais extraordinário; não só se faz a mesa girar magnetizando-a, mas a faz falar; interrogada ela responde.

Isto, repliquei, é uma outra questão; crerei nisso quando o vir, e quando se me tiver provado que uma mesa tem um cérebro para pensar, nervos para sentir, e que possa se tornar sonâmbula; até lá, permiti-me nisso não ver senão uma história de fazer dormir."

Este raciocínio era lógico; eu concebia a possibilidade do movimento por uma força mecânica, mas, ignorando a causa e a lei do fenômeno, parecia-me absurdo atribuir inteligência a uma coisa puramente material. Estava na posição dos incrédulos de nossos dias que negam porque não vêem senão um fato do qual não se dão conta. Há 50 anos, se se tivesse dito, pura e simplesmente, a alguém que se podia transmitir um despacho a 500 léguas, e receber-lhe a resposta em uma hora, se vos riria na cara, não teriam faltado excelentes razões científicas para provar que a coisa era materialmente impossível. Hoje, quando a lei da eletricidade é conhecida, isto não espanta ninguém, mesmo os camponeses. Ocorre o mesmo com todos os fenômenos espíritas; para quem não conhece as leis que o regem, parecem sobrenaturais, maravilhosos, e, por conseqüência, impossíveis e ridículos; uma vez conhecida a lei, o maravilhoso desaparece; a coisa nada mais tem que repugne à razão, porque se lhe compreende a possibilidade.

Disso estava, pois, no período de um fato inexplicado, em aparência contrário às leis da Natureza, e que a minha razão repelia. Ainda nada tinha visto, nem nada observado; as experiências, feitas na presença de pessoas honradas e dignas de fé, me confirmaram na possibilidade do efeito puramente material, mas a idéia de uma mesa falante não entrava ainda no meu cérebro.

No ano seguinte, era no começo de 1855, encontrei o Sr. Carlotti, um amigo de vinte e cinco anos, que me entreteve com esses fenômenos durante quase uma hora, com o entusiasmo que punha em todas as idéias novas. O Sr. Carlotti era Corso, de uma natureza ardente e enérgica; sempre estimara nele as qualidades que distinguem uma grande e bela alma, mas desconfiava de sua exaltação. Foi primeiro que me falou da intervenção dos Espíritos, e me contou tantas coisas surpreendentes que, longe de me convencer, aumentou as minhas dúvidas. Sereis um dia dos nossos, disse-me. Não digo não, respondi-lhe; veremos isso mais tarde.

Algum tempo depois, pelo mês de maio de 1855, me encontrei na casa da sonâmbula, Sra. Roger, com o Sr. Fortier, seu magnetizador; encontrei o Sr. Pâtier e a Sra. de Plainemaison que me falaram desses fenômenos no mesmo sentido do Sr. Carlotti, mas num outro tom. o Sr. Pâtier era um funcionário público, de uma certa idade, homem muito instruído, de um caráter sério, frio e calmo; sua linguagem firme, isenta de todo entusiasmo, fez sobre mim uma viva impressão, e, quando me ofereceu para assistir às experiências, que ocorriam na casa da Sra. de Plainemaison, rua Grange-Batelière, nº18, aceitei prontamente. O encontro foi marcado para a terça-feira, mas, às oito horas da noite.

Foi lá, pela primeira vez, que fui testemunha do fenômeno das mesas girantes, e isso em condições tais que não me era mais possível a dúvida. Vi também algumas tentativas, muito imperfeitas, de escrita medianímica, sobre uma ardósia, com a ajuda de uma cesta. As minhas idéias estavam longe de ser detidas, mas havia ali um fato que deveria ter uma causa. Entrevi, sob essas futilidades aparentes e a espécie de jogo que se fazia desses fenômenos, alguma coisa de séria, e como a revelação de uma nova lei, que me prometia aprofundar.

Logo se ofereceu a ocasião de observar mais atentamente do que não o havia feito ainda. Num dos saraus da Sra. de Plainemaison, conheci a família Baudin, que morava então na rua Rochechouart. o Sr. Baudin ofereceu-me para assistir às sessões semanais que ocorriam em sua casa, e para as quais fui, desde esse momento, muito assíduo.

Essas reuniões eram bastante numerosas; além dos habituais, ali se admitia, sem dificuldade, a quem pedisse. As duas médiuns eram as Srtas. Baudin, que escreviam sobre uma ardósiacom a ajuda de uma cesta, dita pião, descrita em O Livro dos Médiuns. Esse modo, que exige o concurso de duas pessoas, excluía toda possibilidade de participação das idéias do médium. Ali, vi comunicações seguidas, e respostas dadas às perguntas propostas, algumas vezes mesmo a perguntas mentais que acusavam, de maneira evidente, a intervenção de uma inteligência estranha.

Os assuntos tratados eram geralmente frívolos; ocupava-se ali sobretudo de todas as coisas ligadas à vida material, ao futuro, em uma palavra, a nada de verdadeiramente sério; a curiosidade e o divertimento eram os principais móveis dos assistentes. O Espírito que se manifestava habitualmente, tomava o nome de Zéfiro, nome perfeitamente em relação com o seu caráter e o da reunião; todavia, era muito bom, e se declarara o protetor da família; freqüentemente, se ele tinha a palavra para rir, sabia também, em caso de necessidade, dar sábios conselhos, e manejar, sendo o caso, o epigrama mordaz e espirituoso. Logo travamos conhecimento, e ele me deu, constantemente, provas de uma grande simpatia. Não era um Espírito muito avançado, mas, mais tarde, assistido pelos Espírito superiores, me ajudou nos meus primeiros trabalhos. Disse depois que deveria se reencarnar, e dele não ouvi mais falar.

Foi lá que fiz os meus primeiros estudos sérios em Espiritismo, menos ainda pela revelação do que pela observação. Apliquei a essa nova ciência, como o fizera até então, o método da experimentação; jamais ocasionei teorias preconcebidas: observava atentamente, comparava, deduzia as conseqüências; dos efeitos procurava remontar às causas, pela dedução e o encadeamento lógico dos fatos, não admitindo uma explicação como válida senão quando podia resolver todas as dificuldades da questão. Foi assim que sempre procedi em meus trabalhos anteriores, desde a idade de 15 a 16 anos. Compreendi, desde logo, a seriedade da exploração que iria empreender; entrevi, nesses fenômenos, a chave do problema, tão obscuro e tão controverso, do passado e do futuro da Humanidade, a solução do que havia procurado em toda a minha vida; era, em uma palavra, toda uma revelação nas idéias e nas crenças; seria preciso, pois, agir com circunspeção, e não levianamente; ser positivo e não idealista, para não se deixar iludir.

Um dos primeiros resultados de minhas observações foi que os Espíritos, não sendo outros senão as almas dos homens, não tinham a soberana sabedoria, nem a soberana ciência; que o seu saber estava limitado ao grau de seu adiantamento, e que a sua opinião não tinha senão o valor de uma opinião pessoal. essa verdade, reconhecida desde o princípio, me preservou do grande escolho de crer em sua infalibilidade, e me impediu de formular teorias prematuras sobre o dizer de um só ou de alguns.

Só o fato da comunicação com os Espíritos, seja o que for que se possa dizer, provava a existência do mundo invisível ambiente; era já um ponto capital, um campo imenso aberto à nossa exploração, a chave de uma multidão de fenômenos inesplicados; o segundo ponto, não menos importante, era o de conhecer o estado desse mundo, seus costumes, podendo se assim se exprimir; vi logo que, cada Espírito, em razão de sua posição pessoal e de seus conhecimentos, dele me desvendava uma fase, absolutamente como se chega a conhecer o estado de um país interrogando os habitantes de todas as classes e de todas as condições, cada um podendo nos ensinar alguma coisa, e nenhum, individualmente, não podendo nos ensinar tudo; cabe ao observador formar o conjunto com a ajuda de documentos recolhidos de diferentes lados, colecionados, coordenados e controlados uns pelos outros. Agi, pois, com os Espíritos, como o teria feito com os homens; foram para mim, desde o menor ao maior, meios de me informar, e não reveladores predestinados.

Tais foram as disposições com as quais empreendi, e sempre persegui os meus estudos espíritas; observar, comparar e julgar, tal foi a regra constante que segui.

Até as sessões na casa do Sr. Baudin, não tivera nenhum objetivo determinado; comecei ali a procurar resolver os problemas que me interessavam do ponto de vista da filosofia, da psicologia e da natureza do mundo invisível; chegava a cada sessão com uma série de perguntas preparadas, e metodicamente arrumadas; elas eram sempre respondidas com precisão, profundidade, e de maneira lógica. Desde esse momento as reuniões tiveram um outro caráter; entre os assistentes se encontravam pessoas sérias que por elas tomaram um vivo interesse, e se me ocorria de ali faltar, estava-se como inativo; as perguntas fúteis perderam seu atrativo para a maioria. De início, não tivera em vista senão a minha própria instrução; mais tarde, quando vi que isso formava um conjunto e tomava as proporções de uma doutrina, tive o pensamento de publicá-las para a instrução de todo o mundo. Foram as mesmas perguntas que, sucessivamente desenvolvidas e completadas, fizeram a base de O Livro dos Espíritos.

No ano seguinte, em 1856, segui ao mesmo tempo as reuniões espíritas que se tinham na rua Tiquetone, na casa do Sr. Roustan e Srta. Japhet, sonâmbula. Essas reuniões eram sérias e mantidas com ordem. As comunicações ocorriam por intermédio da Srta. Japhet, médium, com a ajuda de uma cesta de bico .

Meu trabalho estava em grande parte terminado, e tomava as proporções de um livro, mas pretendia fazê-lo controlado por outros Espíritos, com a ajuda de diferentes médiuns. Tive o pensamento de fazê-lo um motivo de estudos para as reuniões do Sr. Roustan; ao cabo de algumas sessões, os Espíritos disseram que preferiam revê-lo na intimidade, e me assinalaram, para esse efeito, certos dias para trabalhar, em particular, com a Srta. Japhet, a fim de fazê-lo com mais calma e também para evitar as indiscrições e os comentários prematuros do público.

Não me contentava com essa verificação; os Espíritos dela me fizeram a recomendação. As circunstâncias, tendo me colocado em relação com outros médiuns, cada vez que a ocasião se apresentava, disso aproveitava para propor algumas das questões que me pareciam as mais espinhosas. Foi assim que mais de dez médiuns prestaram a sua assistência para esse trabalho. Foi da comparação e da fusão de todas essas respostas coordenadas, classificadas, e muitas vezes refundidas no silêncio da meditação, que formei a primeira edição de O Livro dos Espíritos, que apareceu a 18 de abril de 1857.

Até o fim desse mesmo ano, as duas senhoritas Baudin se casaram; as reuniões não mais ocorreram, e a família se dispersou. Mas, então, as minhas relações começaram a se estender, e os Espíritos multiplicaram, para mim, os meios de instrução para os meus trabalhos ulteriores."

 

Allan Kardec
[Obras Póstumas - 15 - Segunda Parte]


terça-feira, 7 de setembro de 2021

Os precursores da Doutrina Espírita (Material para Estudo)

É, porém, em anos mais recentes que podemos situar melhor a fase precursora do Espiritismo, o Consolador prometido por Jesus. A diferença entre os fatos desta última fase e os fenômenos de antiguidade está em que, como bem acentua Arthur Conan Doyle, estes eram esporádicos, não obedeciam a uma sequência metódica, enquanto os fenômenos da era moderna "têm as características de uma invasão organizada" (História do Espiritismo, pág. 33) - Outros fenômenos dignos de registro ocorreram com Andrew Jackson Davis, magnífico sensitivo que viveu entre 1826 e 1910, nos Estados Unidos, e foi considerado por Arthur Conan Doyle como o profeta da Nova Revelação. Os poderes psíquicos de Davis começaram na sua infância, quando ele ouvia vozes de Espíritos que lhe davam conselhos. À clarividência seguiu-se a clariaudiência. Certa vez, em 6 de março de 1844, Davis foi tomado por uma força que o fez voar da pequena cidade onde residia e fazer uma viagem até as Montanhas de Catskill, distante 40 milhas de sua casa - O surgimento do Espiritismo foi predito por Davis em seu livro "Princípios da Natureza", de 1847. Conan Doyle assevera que, para nós, "o que é importante é o papel representado por Davis no começo da revelação espírita. Ele começou a preparar o terreno, antes que se iniciasse a revelação. Estava claramente fadado a associar-se intimamente com ela, de vez que conhecia a demonstração de Hydesville, desde o dia que ocorreu" - Fonte: FEB / 'O Consolador'
Sir Arthur Conan Doyle (Wikimedia Commons - Jeremias Reinoso - CC BY-SA 4.0)

"... Se o leitor utilizar este programa¹ para estudo em grupo, sugerimos que as questões propostas sejam debatidas livremente antes da leitura do texto que a elas se segue. Se destinado somente a uso por parte do leitor, pedimos que o interessado tente inicialmente responder às questões e só depois leia o texto referido. As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final da lição.


Questões para debate (Lição 1)


1. O Espiritismo sempre existiu?

2. Há notícias de ideias espíritas antes de Kardec?

3. Mencione dois fenômenos citados na Bíblia que se refiram a comunicações dos mortos.

4. Que disseram Paulo de Tarso e João Evangelista a respeito das manifestações espíritas?

5. Na era moderna, quais são os sensitivos considerados precursores do Espiritismo?


Texto para leitura


1. Os fenômenos cujos estudos resultaram na estruturação da Doutrina Espírita não eclodiram apenas numa data determinada. As interferências das forças exteriores inteligentes têm ocorrido desde os tempos imemoriais, durante todo o curso da História até o advento da 3a Revelação no Ocidente, com Kardec. Um fato, porém, que merece destaque, como um marco precursor, são os fenômenos ocorridos com sensitivos como o grande vidente Emmanuel Swedenborg e Andrew Jackson Davis.

2. Os fatos atinentes às revelações dos Espíritos ou fenômenos mediúnicos remontam à mais remota antiguidade, sendo tão velhos quanto o nosso mundo, e sempre ocorreram em todos os tempos e entre todos os povos. A História, a esse respeito, está pontilhada de fenômenos de intercomunicação espiritual. A Bíblia mesma nos mostra Saul conversando com o Espírito de Samuel e Jesus recepcionando as visitas dos Espíritos de Elias e Moisés materializados.

3. As evocações dos Espíritos não se situaram apenas entre os povos do Ocidente, ocorrendo com larga frequência no Oriente, como se observa dos relatos do Código dos Vedas e do Código de Manu. Esclarece-nos Louis   que, em épocas bastante recuadas no tempo, os padres iniciados nos mosteiros preparavam os faquires para evocação dos mortos, com a obtenção dos mais notáveis fenômenos. O missionário Huc refere-se a grande número de experiências de comunicações com os mortos registradas na China.

4. O apóstolo Paulo, em suas cartas, reconhecia a prática dessas manifestações entre os cristãos primitivos, como podemos ver nos textos seguintes: "Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar. Porque o que fala em outra língua não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala de mistérios. Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação". (I Coríntios, 14:1 a 3); "Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem." (I Tessalonicenses, 5:19 a 21)

5. João evangelista também se referia às manifestações espirituais e alertava quanto ao exame dessas comunicações: "Amados, não creais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo" (I João, 4:1 e 2)

6. Na Idade Média destaca-se a figura admirável de Joana d'Arc, a grande médium, que se recusou a renegar as vozes espirituais e por isso foi supliciada e levada à fogueira.

7. É, porém, em anos mais recentes que podemos situar melhor a fase precursora do Espiritismo, o Consolador prometido por Jesus. A diferença entre os fatos desta última fase e os fenômenos de antiguidade está em que, como bem acentua Arthur Conan Doyle, estes eram esporádicos, não obedeciam a uma sequência metódica, enquanto os fenômenos da era moderna "têm as características de uma invasão organizada" (História do Espiritismo, pág. 33)

8. É nessa fase que vamos encontrar na Suécia o sensitivo Emmanuel Swedenborg, engenheiro militar, autoridade em Física e em Astronomia, zoologista e anatomista, financista e político, além de insigne teólogo, dotado de largo potencial de forças psíquicas.

9. Já na sua infância tiveram início suas visões, numa continuidade que se prolongou até a morte, mas suas faculdades eclodiram com mais intensidade a partir de abril de 1744, em Londres. Desde então -- afirma Swedenborg -- "o Senhor abria os olhos de meu Espírito para ver, perfeitamente desperto, o que se passava no outro mundo e para conversar, em plena consciência, com anjos e Espíritos".

10. Outro notável precursor, digno de menção, foi Franz Anton Mesmer, médico, descobridor do magnetismo curador. Em 1775, Mesmer reconheceu o poder da cura mediante a aplicação das mãos. Acreditava ele que por nossos corpos transitam fluidos curadores, preparando o caminho para o Hipnotismo de Marquês de Puységur.

11. Outros fenômenos dignos de registro ocorreram com Andrew Jackson Davis, magnífico sensitivo que viveu entre 1826 e 1910, nos Estados Unidos, e foi considerado por Arthur Conan Doyle como o profeta da Nova Revelação. Os poderes psíquicos de Davis começaram na sua infância, quando ele ouvia vozes de Espíritos que lhe davam conselhos. À clarividência seguiu-se a clariaudiência. Certa vez, em 6 de março de 1844, Davis foi tomado por uma força que o fez voar da pequena cidade onde residia e fazer uma viagem até as Montanhas de Catskill, distante 40 milhas de sua casa.

12. O surgimento do Espiritismo foi predito por Davis em seu livro "Princípios da Natureza", de 1847. Conan Doyle assevera que, para nós, "o que é importante é o papel representado por Davis no começo da revelação espírita. Ele começou a preparar o terreno, antes que se iniciasse a revelação. Estava claramente fadado a associar-se intimamente com ela, de vez que conhecia a demonstração de Hydesville, desde o dia que ocorreu".


Respostas às questões propostas


1. O Espiritismo sempre existiu?

Os fenômenos cujos estudos resultaram na estruturação da Doutrina Espírita não eclodiram apenas numa data determinada. As interferências das forças exteriores inteligentes têm ocorrido desde os tempos imemoriais, durante todo o curso da História até o advento da 3a Revelação no Ocidente, com Kardec. Podemos, então, dizer que o Espiritismo sempre existiu, embora como doutrina tenha surgido com a publicação d’O Livro dos Espíritos, em 18-4-1857.


2. Há notícias de ideias espíritas antes de Kardec?

Sim. O Antigo e o Novo Testamento são pródigos em fenômenos e em ideias espíritas, como a possibilidade de evocação dos mortos e a necessidade de se examinar o conteúdo das comunicações espíritas proposta por João Evangelista. Mais próximos da codificação kardequiana, mas anteriormente a Kardec, a história registra os livros produzidos por dois grandes sensitivos: Swedenborg, na Europa, e Andrew Jackson Davis, nos Estados Unidos.


3. Mencione dois fenômenos citados na Bíblia que se refiram a comunicações dos mortos.

No Antigo Testamento, o diálogo entre o rei Saul e o Espírito de Samuel, narrado no Livro de Reis. No Novo Testamento, a visita feita a Jesus pelos Espíritos de Elias e Moisés materializados.


4. Que disseram Paulo de Tarso e João Evangelista a respeito das manifestações espíritas?

Paulo escreveu: "Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar. Porque o que fala em outra língua não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala de mistérios. Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação" (I Coríntios, 14:1 a 3). João Evangelista recomendou: "Amados, não creais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo" (I João, 4:1 e 2)


5. Na era moderna, quais são os sensitivos considerados precursores do Espiritismo?

Emmanuel Swedenborg, Franz Anton Mesmer e Andrew Jackson Davis."


Bibliografia:

"O Fenômeno Espírita", de Gabriel Delanne



"História do Espiritismo", de Arthur Conan Doyle



Fonte: 1 - revista 'O Consolador': Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita: 147 Lições publicadas na revista 'O Consolador' no período de 18/4/2007 a 28/2/2010 - Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais - Para ler o estudo na íntegra, clique aqui ...

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