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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Júlio César e Exu Sete Colinas

Um relato mediúnico sobre o imperador que reencontrou Roma depois da morte

 

Não sei dizer exatamente quando começou.

Há experiências que não chegam como sonhos, mas também não podem ser chamadas simplesmente de pensamentos. Elas vêm de outro lugar. Primeiro como uma sensação. Depois como uma imagem. Em seguida, como uma presença.

Foi assim que Júlio César chegou até mim.

Durante algum tempo, eu apenas o percebia.

Um homem de postura firme, vestido como alguém que ainda carregava sobre os ombros o peso de um império. Não era a figura dos livros de História. Havia nele algo diferente. Uma serenidade que não combinava com o homem que um dia atravessara o Rubicão, conquistara territórios e enfrentara o Senado romano.

Era como se, depois de tantos séculos, finalmente tivesse aprendido aquilo que os vivos quase nunca compreendem:

o poder passa.

O espírito permanece.

Foi então que ouvi sua voz.

— Eu fui Júlio César.

Não havia orgulho naquelas palavras.

Havia apenas constatação.

Perguntei onde estávamos.

Ele não respondeu.

Apenas caminhou.

E eu o acompanhei.

Diante de nós surgiu Roma.

Mas não era a Roma que conhecemos pelos livros.

Era uma Roma espiritual.

As antigas construções pareciam existir ao mesmo tempo em diferentes épocas. O Coliseu aparecia e desaparecia. As ruas antigas se misturavam às ruas modernas. Pessoas vestidas como romanos caminhavam ao lado de homens e mulheres dos nossos dias.

Foi quando percebi que naquele lugar o tempo não obedecia às mesmas leis da Terra.

Júlio César olhou para mim e disse:

— Para vocês, passaram quase dois mil anos. Para nós, o tempo não é assim.

Então ele parou.

Diante dele havia uma encruzilhada.

Sete caminhos.

Sete direções.

Sete possibilidades.

E uma presença surgiu no meio delas.

Senti primeiro o vento.

Depois, uma gargalhada.

Era uma gargalhada forte, viva, quase provocadora.

Mas não havia maldade nela.

Havia conhecimento.

Quando olhei, vi Exu.

Não o demônio que algumas pessoas imaginaram ao longo dos séculos.

Não uma figura do mal.

Vi uma força de movimento.

Um guardião.

Um senhor das passagens.

Aquele que conhece os caminhos que nós ainda não conseguimos enxergar.

Júlio César olhou para ele.

— Quem és?

Exu respondeu:

— Sou aquele que te pergunta quem tu és agora que não tens mais exército.

César ficou em silêncio.

— Não tens mais legiões — continuou Exu.

Silêncio.

— Não tens mais Senado.

Silêncio.

— Não tens mais palácio.

E então veio a pergunta:

— Quem és tu?

Foi naquele momento que compreendi que Júlio César estava diante de uma prova que nenhum campo de batalha poderia lhe oferecer.

Ele já havia vencido homens.

Agora precisava vencer o próprio orgulho.


Não sei quanto tempo se passou.

Ali não havia relógios.

Mas, quando voltei a perceber a presença de Júlio César, ele já não era o mesmo.

Aquele que um dia comandara Roma havia se transformado em outra coisa.

Durante aquilo que, para nós, seria aproximadamente um milênio, ele aprendera com Exu.

Aprendera sobre caminhos.

Sobre escolhas.

Sobre perdas.

Sobre recomeços.

Aprendera que nem sempre uma porta fechada é uma derrota.

Às vezes é apenas um desvio.

E aprendeu principalmente sobre os homens.

Sobre homens que chegam ao mundo espiritual carregando dores que nunca conseguiram confessar enquanto estavam vivos.

Homens que perderam o amor.

Homens que perderam dinheiro.

Homens que perderam a família.

Homens que perderam a coragem.

Homens que, de tanto ouvirem que não tinham valor, acabaram acreditando nisso.

Homens que já não sabiam dizer não.

Homens que confundiram amor com submissão.

Homens que passaram a aceitar humilhações dentro de seus próprios relacionamentos porque tinham medo de ficar sozinhos.

Júlio César começou a compreender aquela dor.

E então Exu lhe disse:

— Tu já foste imperador. Agora aprenderás a proteger aqueles que perderam o próprio reino interior.

Foi assim que nasceu Exu Sete Colinas.


A primeira vez que ouvi esse nome, senti um arrepio.

— Sete Colinas?

Júlio César respondeu:

— Roma nasceu sobre sete colinas. E cada colina representa um caminho.

Então compreendi.

Não se tratava mais de conquistar Roma.

Tratava-se de guardar seus caminhos.

E, segundo aquilo que me foi mostrado, Exu Sete Colinas passou a trabalhar espiritualmente junto daqueles que o procuram em momentos de dificuldade.

No amor, para quem perdeu a confiança.

Nos negócios, para quem precisa encontrar uma oportunidade.

Na vida, para quem está diante de uma decisão.

E até no jogo, para aqueles que pedem uma ajuda à sorte.

Mas ele sempre faz uma advertência:

— Eu abro caminho. Não caminho por ninguém.

Essa frase ficou gravada em mim.

Porque Exu Sete Colinas não aparece como alguém que simplesmente entrega aquilo que pedimos.

Ele mostra possibilidades.

Abre portas.

Afasta determinados obstáculos.

Coloca pessoas no caminho.

Mas a escolha continua sendo nossa.


Foi então que presenciei algo que me marcou profundamente.

Um homem apareceu diante dele.

Não era rico.

Não era poderoso.

Não tinha aparência de vencedor.

Estava abatido.

Contou que sua mulher o humilhava.

Disse que já não se sentia homem.

Disse que havia passado tanto tempo ouvindo que era inútil, fraco e incapaz que começara a acreditar.

Exu Sete Colinas ouviu tudo.

Não interrompeu.

Depois perguntou:

— E tu acreditas nisso?

O homem respondeu:

— Às vezes.

Exu aproximou-se.

— Então teu primeiro inimigo não está nela.

O homem levantou os olhos.

— Está dentro de ti.

E naquele instante ouvi uma coisa que nunca esqueci:

— Nenhum homem precisa diminuir uma mulher para recuperar sua dignidade. Mas nenhum homem precisa aceitar ser diminuído para provar que respeita uma mulher.

Aquelas palavras me fizeram compreender a missão daquele espírito.

Exu Sete Colinas não era contra as mulheres.

Era contra a humilhação.

Era contra a covardia.

Era contra qualquer relação em que uma pessoa precisasse destruir a outra para sentir-se superior.

E, principalmente, protegia aqueles que haviam esquecido o próprio valor.

— Levanta — disse ele ao homem.

— Para onde?

Exu apontou para os sete caminhos.

— Para qualquer lugar. Só não voltes para onde perdeste a ti mesmo.


Depois disso, Júlio César me mostrou Roma.

Caminhamos pelas suas ruas.

Passamos pelo Coliseu.

Pelo Fórum.

Pelas antigas colinas.

E eu tive a sensação de que ele estava reencontrando a própria história.

Então perguntei:

— Depois de tudo isso, ainda és Júlio César?

Ele sorriu.

— Júlio César morreu.

Fez uma pausa.

— Mas aquilo que aprendi continuou.

Olhou para mim.

— Hoje, quando me procuram, não procuram o imperador.

— E procuram quem?

Ele respondeu:

— Exu Sete Colinas.

Naquele momento, a paisagem começou a desaparecer.

O vento aumentou.

A presença de Exu ficou mais forte.

Júlio César se afastou em direção às sete colinas.

Antes de desaparecer, porém, virou-se.

E naquele instante eu não vi mais apenas o espírito de um antigo imperador.

Vi um guardião.

Vi alguém que atravessara a morte, o tempo e a própria vaidade para encontrar outra forma de servir.

Ele levantou a mão.

E falou:

— Quando me evocarem, não peçam apenas sorte.

— Peçam caminho.

Então sorriu.

E, pela primeira vez, vi novamente o Júlio César dos livros.

Aquele olhar determinado.

Aquele homem que atravessara o Rubicão sabendo que depois daquele passo nada seria como antes.

Ele olhou para mim e pronunciou as palavras que, segundo a mensagem que recebi, resumem sua nova existência:

— Vim.

Fez uma pausa.

— Vi.

Outra pausa.

E então sorriu como quem ainda carregava dentro de si o antigo general romano:

— E venci.

Depois acrescentou, com uma simplicidade quase humana:

— Vamos ver o que vai dar.

E desapareceu 

Júlio César e Exu Sete Colinas

Um relato mediúnico sobre o imperador que reencontrou Roma depois da morte

Não sei dizer exatamente quando começou.

Há experiências que não chegam como sonhos, mas também não podem ser chamadas simplesmente de pensamentos. Elas vêm de outro lugar. Primeiro como uma sensação. Depois como uma imagem. Em seguida, como uma presença.

Foi assim que Júlio César chegou até mim.

Durante algum tempo, eu apenas o percebia.

Um homem de postura firme, vestido como alguém que ainda carregava sobre os ombros o peso de um império. Não era a figura dos livros de História. Havia nele algo diferente. Uma serenidade que não combinava com o homem que um dia atravessara o Rubicão, conquistara territórios e enfrentara o Senado romano.

Era como se, depois de tantos séculos, finalmente tivesse aprendido aquilo que os vivos quase nunca compreendem:

o poder passa.

O espírito permanece.

Foi então que ouvi sua voz.

— Eu fui Júlio César.

Não havia orgulho naquelas palavras.

Havia apenas constatação.

Perguntei onde estávamos.

Ele não respondeu.

Apenas caminhou.

E eu o acompanhei.

Diante de nós surgiu Roma.

Mas não era a Roma que conhecemos pelos livros.

Era uma Roma espiritual.

As antigas construções pareciam existir ao mesmo tempo em diferentes épocas. O Coliseu aparecia e desaparecia. As ruas antigas se misturavam às ruas modernas. Pessoas vestidas como romanos caminhavam ao lado de homens e mulheres dos nossos dias.

Foi quando percebi que naquele lugar o tempo não obedecia às mesmas leis da Terra.

Júlio César olhou para mim e disse:

— Para vocês, passaram quase dois mil anos. Para nós, o tempo não é assim.

Então ele parou.

Diante dele havia uma encruzilhada.

Sete caminhos.

Sete direções.

Sete possibilidades.

E uma presença surgiu no meio delas.

Senti primeiro o vento.

Depois, uma gargalhada.

Era uma gargalhada forte, viva, quase provocadora.

Mas não havia maldade nela.

Havia conhecimento.

Quando olhei, vi Exu.

Não o demônio que algumas pessoas imaginaram ao longo dos séculos.

Não uma figura do mal.

Vi uma força de movimento.

Um guardião.

Um senhor das passagens.

Aquele que conhece os caminhos que nós ainda não conseguimos enxergar.

Júlio César olhou para ele.

— Quem és?

Exu respondeu:

— Sou aquele que te pergunta quem tu és agora que não tens mais exército.

César ficou em silêncio.

— Não tens mais legiões — continuou Exu.

Silêncio.

— Não tens mais Senado.

Silêncio.

— Não tens mais palácio.

E então veio a pergunta:

— Quem és tu?

Foi naquele momento que compreendi que Júlio César estava diante de uma prova que nenhum campo de batalha poderia lhe oferecer.

Ele já havia vencido homens.

Agora precisava vencer o próprio orgulho.


Não sei quanto tempo se passou.

Ali não havia relógios.

Mas, quando voltei a perceber a presença de Júlio César, ele já não era o mesmo.

Aquele que um dia comandara Roma havia se transformado em outra coisa.

Durante aquilo que, para nós, seria aproximadamente um milênio, ele aprendera com Exu.

Aprendera sobre caminhos.

Sobre escolhas.

Sobre perdas.

Sobre recomeços.

Aprendera que nem sempre uma porta fechada é uma derrota.

Às vezes é apenas um desvio.

E aprendeu principalmente sobre os homens.

Sobre homens que chegam ao mundo espiritual carregando dores que nunca conseguiram confessar enquanto estavam vivos.

Homens que perderam o amor.

Homens que perderam dinheiro.

Homens que perderam a família.

Homens que perderam a coragem.

Homens que, de tanto ouvirem que não tinham valor, acabaram acreditando nisso.

Homens que já não sabiam dizer não.

Homens que confundiram amor com submissão.

Homens que passaram a aceitar humilhações dentro de seus próprios relacionamentos porque tinham medo de ficar sozinhos.

Júlio César começou a compreender aquela dor.

E então Exu lhe disse:

— Tu já foste imperador. Agora aprenderás a proteger aqueles que perderam o próprio reino interior.

Foi assim que nasceu Exu Sete Colinas.


A primeira vez que ouvi esse nome, senti um arrepio.

— Sete Colinas?

Júlio César respondeu:

— Roma nasceu sobre sete colinas. E cada colina representa um caminho.

Então compreendi.

Não se tratava mais de conquistar Roma.

Tratava-se de guardar seus caminhos.

E, segundo aquilo que me foi mostrado, Exu Sete Colinas passou a trabalhar espiritualmente junto daqueles que o procuram em momentos de dificuldade.

No amor, para quem perdeu a confiança.

Nos negócios, para quem precisa encontrar uma oportunidade.

Na vida, para quem está diante de uma decisão.

E até no jogo, para aqueles que pedem uma ajuda à sorte.

Mas ele sempre faz uma advertência:

— Eu abro caminho. Não caminho por ninguém.

Essa frase ficou gravada em mim.

Porque Exu Sete Colinas não aparece como alguém que simplesmente entrega aquilo que pedimos.

Ele mostra possibilidades.

Abre portas.

Afasta determinados obstáculos.

Coloca pessoas no caminho.

Mas a escolha continua sendo nossa.


Foi então que presenciei algo que me marcou profundamente.

Um homem apareceu diante dele.

Não era rico.

Não era poderoso.

Não tinha aparência de vencedor.

Estava abatido.

Contou que sua mulher o humilhava.

Disse que já não se sentia homem.

Disse que havia passado tanto tempo ouvindo que era inútil, fraco e incapaz que começara a acreditar.

Exu Sete Colinas ouviu tudo.

Não interrompeu.

Depois perguntou:

— E tu acreditas nisso?

O homem respondeu:

— Às vezes.

Exu aproximou-se.

— Então teu primeiro inimigo não está nela.

O homem levantou os olhos.

— Está dentro de ti.

E naquele instante ouvi uma coisa que nunca esqueci:

— Nenhum homem precisa diminuir uma mulher para recuperar sua dignidade. Mas nenhum homem precisa aceitar ser diminuído para provar que respeita uma mulher.

Aquelas palavras me fizeram compreender a missão daquele espírito.

Exu Sete Colinas não era contra as mulheres.

Era contra a humilhação.

Era contra a covardia.

Era contra qualquer relação em que uma pessoa precisasse destruir a outra para sentir-se superior.

E, principalmente, protegia aqueles que haviam esquecido o próprio valor.

— Levanta — disse ele ao homem.

— Para onde?

Exu apontou para os sete caminhos.

— Para qualquer lugar. Só não voltes para onde perdeste a ti mesmo.


Depois disso, Júlio César me mostrou Roma.

Caminhamos pelas suas ruas.

Passamos pelo Coliseu.

Pelo Fórum.

Pelas antigas colinas.

E eu tive a sensação de que ele estava reencontrando a própria história.

Então perguntei:

— Depois de tudo isso, ainda és Júlio César?

Ele sorriu.

— Júlio César morreu.

Fez uma pausa.

— Mas aquilo que aprendi continuou.

Olhou para mim.

— Hoje, quando me procuram, não procuram o imperador.

— E procuram quem?

Ele respondeu:

— Exu Sete Colinas.

Naquele momento, a paisagem começou a desaparecer.

O vento aumentou.

A presença de Exu ficou mais forte.

Júlio César se afastou em direção às sete colinas.

Antes de desaparecer, porém, virou-se.

E naquele instante eu não vi mais apenas o espírito de um antigo imperador.

Vi um guardião.

Vi alguém que atravessara a morte, o tempo e a própria vaidade para encontrar outra forma de servir.

Ele levantou a mão.

E falou:

— Quando me evocarem, não peçam apenas sorte.

— Peçam caminho.

Então sorriu.

E, pela primeira vez, vi novamente o Júlio César dos livros.

Aquele olhar determinado.

Aquele homem que atravessara o Rubicão sabendo que depois daquele passo nada seria como antes.

Ele olhou para mim e pronunciou as palavras que, segundo a mensagem que recebi, resumem sua nova existência:

— Vim.

Fez uma pausa.

— Vi.

Outra pausa.

E então sorriu como quem ainda carregava dentro de si o antigo general romano:

— E venci.

Depois acrescentou, com uma simplicidade quase humana:

— Vamos ver o que vai dar.

E desapareceu 

entre as sete colinas de Roma.

Desde então, quando penso naquela noite, fico com uma certeza dentro de mim:

há caminhos que não terminam com a morte.

Alguns apenas mudam de direção.entre as sete colinas de Roma.

Desde então, quando penso naquela noite, fico com uma certeza dentro de mim:

há caminhos que não terminam com a morte.

Alguns apenas mudam de direção.

- Este é um conto de ficção, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

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