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sábado, 1 de maio de 2021

'A Encruzilhada da Ciência', segundo o Dalai Lama

Este artigo é baseado em uma palestra proferida pelo Dalai Lama durante o encontro anual da Sociedade para a Neurociência em 12 de novembro de 2005, Washington, DC, EUA.




"As últimas décadas presenciaram significativos avanços na compreensão científica do cérebro e corpo humanos como um todo. E ainda mais, com o advento da moderna pesquisa genética, o conhecimento da Neurociência a respeito do funcionamento dos organismos biológicos foi levado ao nível mais sutil dos genes individuais.

Isto resultou em possibilidades tecnológicas imprevistas, chegando até mesmo à manipulação dos próprios códigos da vida, dando surgimento, a partir daí, a se vislumbrar a criação de realidades completamente novas para a humanidade. Hoje em dia, a questão do intercâmbio da ciência com o conjunto da humanidade não é mais um tópico de interesse acadêmico apenas; ela precisa assumir um senso de urgência para todos os que se preocupam com o destino do ser humano.

Penso, portanto, que um diálogo entre a neurociência e a sociedade poderia trazer importantes benefícios no que se refere ao aprofundamento da nossa compreensão básica daquilo que significa pertencer à espécie humana e quanto às nossas responsabilidades com o mundo natural, o qual compartilhamos com os demais seres sencientes.

 Eu estou feliz em ver que, como parte deste amplo intercâmbio, há um crescente interesse entre alguns neurocientistas em se empenhar em estreitar o diálogo com as disciplinas contemplativas budistas. Embora o meu próprio interesse pela ciência tenha começado na curiosidade de um menino irrequieto crescendo no Tibete, gradualmente, emergiu em mim a importância colossal da ciência e da tecnologia para a compreensão do mundo moderno.

Não apenas busquei captar idéias científicas específicas, também tentei explorar as implicações mais abrangentes da ciência. As áreas específicas que explorei com mais intensidade ao longo dos anos são a física subatômica, cosmologia, biologia e psicologia. Debito a minha limitada compreensão nestes campos, com gratidão, às generosas horas passadas junto com Carl Von Weizsacker e com o falecido David Böhm.

Eu os considero como meus professores em Mecânica Quântica, enquanto que, na biologia, especialmente, em neurociência, interagi mais com o falecido Robert Livingstone e com Francisco Varela. Também agradeço aos numerosos eminentes cientistas com os quais tive o privilégio de manter conversações sob os auspícios do Instituto Mind and Life, que patrocinou conferências desde 1987, em minha residência em Dharamsala, na Índia. Estes diálogos continuaram ao longo dos anos, sendo que o último foi concluído aqui em Washington, nesta mesma semana.

Alguns podem se perguntar "Por que um monge budista demonstraria um interesse tão profundo na ciência? Qual relação pode haver entre budismo, uma antiga tradição espiritual e filosófica da Índia, com a ciência moderna? Que possível benefício haveria para uma disciplina como a neurociência em se engajar em um diálogo com a tradição contemplativa budista?"

Embora a tradição contemplativa budista e a ciência moderna tenham evoluído a partir de raízes históricas, intelectuais e culturais diferentes, acredito que, no seu cerne, compartilham aspectos significativos, especialmente na perspectiva filosófica e na metodologia. Ao nível filosófico, tanto o budismo quanto a ciência moderna questionam qualquer noção de absoluto, quer conceitualizado como um ser transcendental, ou como um princípio imutável e eterno (alma), ou como um substrato fundamental da realidade.

Tanto o budismo como a ciência preferem explicar a evolução e a emergência do cosmos e da vida em termos de uma complexa inter-relação das leis naturais de causa e efeito. A partir da perspectiva metodológica, as duas tradições enfatizam o papel do empirismo.

Por exemplo, na tradição investigativa budista, entre as três fontes reconhecidas de conhecimento — experiência, razão e testemunho — a evidência proveniente da experimentação está em primeiro lugar, vindo, a seguir, a razão e, por último, o testemunho. Isso significa que, na investigação budista da realidade, ao menos em princípio, o que é empírico triunfa sobre a autoridade escritural, não importando quão venerada esta possa ser.

Mesmo no caso do conhecimento derivado da razão ou inferência, sua validade deriva, em última instância, de fatos empíricos, de observações. Por causa desta perspectiva metodológica, freqüentemente comento com meus colegas budistas que as teorias da moderna cosmologia e astronomia, comprovadas a partir da observação empírica, devem nos impelir agora a modificar e, em alguns casos, rejeitar muitos aspectos da cosmologia tradicional budista.

Considerando que o motivo primordial, subjacente à investigação budista da realidade, é a busca da superação do sofrimento e do aperfeiçoamento da condição humana, a orientação básica do budismo tem se voltado à compreensão da mente humana e de suas várias funções. Parte-se da suposição de que uma maior compreensão da psyche humana nos proporcionará encontrar maneiras de transformar nossos pensamentos, emoções e propensões subjacentes, possibilitando modos de ser mais integrados e satisfatórios.

É neste contexto que a tradição budista estabeleceu uma rica classificação de estados mentais, bem como de técnicas contemplativas para o refino de certas qualidades. Assim, uma genuína troca entre o conhecimento e a experiência acumulada do budismo e a ciência moderna, no que se refere aos quesitos mais abrangentes concernentes à mente humana, desde a cognição e emoção até a compreensão da capacidade de transformação inerente ao cérebro humano, pode ser muito interessante e potencialmente benéfica.

Baseado em minha própria experiência neste campo, posso afirmar que me enriqueceu profundamente manter conversações com neurocientistas e psicólogos sobre questões tais como: a natureza e o papel das emoções negativas e positivas; a atenção; as imagens mentais; bem como a plasticidade do cérebro. 

A evidência clara, vinda da neurociência e das ciências médicas, a respeito do papel crucial de um simples toque físico para o crescimento do cérebro de uma criança durante as primeiras semanas de sua existência, demonstra com vigor a conexão íntima entre compaixão e felicidade humana. Há muito tempo o budismo proclama o potencial fantástico para a transformação existente, de forma natural, na mente humana.

Com esse objetivo, a tradição desenvolveu uma ampla gama de técnicas contemplativas ou práticas meditativas, visando especificamente a dois objetivos principais: o cultivo de um coração compassivo e de profundos vislumbres dentro da natureza da realidade, que são referidos como a união da compaixão com a sabedoria.

No coração destas práticas meditativas, estão duas técnicas-chaves, o refino da atenção e sua aplicação sustentada, por um lado, e o controle e transformação das emoções, do outro lado. Em ambos os casos, penso que pode haver um grande potencial para uma pesquisa conjunta entre budismo e neurociência. Por exemplo, a moderna neurociência desenvolveu uma rica compreensão dos mecanismos cerebrais associados com a atenção e com a emoção.

A tradição contemplativa budista oferece, por outro lado, técnicas práticas para o refino da atenção e para o controle e transformação das emoções. O encontro destas duas correntes, portanto, poderia levar à possibilidade de estudar o impacto da atividade mental intencional sobre os circuitos cerebrais que foram identificados como críticos para processos mentais específicos.

No mínimo, um tal intercâmbio interdisciplinar poderia auxiliar na formulação de questões essenciais em muitas áreas-chaves. Por exemplo, os indivíduos possuem, de fato, uma capacidade fixa para controlar suas emoções e atenção, ou, como a tradição budista afirma, sua capacidade de controlar esses processos está sujeita à mudança, implicando um grau similar de dependência em relação aos sistemas mentais e comportamentais associados a essas funções?

Uma área na qual a tradição budista pode dar uma contribuição importante é quanto a técnicas efetivas desenvolvidas para o treinamento em compaixão. No que se refere ao treino mental, tanto em atenção quanto em controle emocional, é também crucial perguntar se qualquer técnica específica possui uma sensitividade temporal em termos de sua efetividade, de modo que novos métodos possam ser criados para se adequar a necessidades decorrentes de idade, condição de saúde e outros fatores. Cabe aqui, contudo, uma advertência.

É inevitável que, quando duas tradições investigativas radicalmente diferentes, como o budismo e a neurociência, juntam-se para um diálogo interdisciplinar, isto implicará problemas "fronteiriços" que normalmente costumam ocorrer nas trocas interculturais deste tipo. Por exemplo, quando falamos de "ciência da meditação", precisamos estar atentos ao que exatamente se quer dizer com isso. Por parte dos cientistas, penso ser crucial estar atento às diferentes conotações do importante termo "meditação" em seu contexto tradicional.

Neste último, a palavra para meditação é bhavana (sânscrito) ou gom (tibetano). Bhavana tem uma conotação de "cultivo", como de um "hábito" ou "modo de ser" em particular, enquanto que gom, a de cultivar "familiaridade". Assim, em resumo, meditação, no contexto tradicional budista, refere-se a uma atividade mental deliberada que envolve o cultivo da familiaridade seja com um objeto escolhido, um fato, um tema, um hábito, uma perspectiva, ou um modo de ser.

Em sentido amplo, há duas categorias de prática meditativa: uma focada em acalmar a mente, e outra, focada sobre os processos cognitivos da compreensão, referidas como "estabilização meditativa" e "meditação analítica". Em qualquer caso, a meditação pode assumir muitas formas diferentes, por exemplo, tomar a impermanência como um objeto para análise, ou cultivar um estado mental específico, tal como a compaixão.

Também pode-se lançar mão da imaginação, utilizando o potencial humano para gerar imagens mentais e aplicá-las para o cultivo do bem-estar interior. Assim, é fundamental estar ciente sobre quais formas de meditação estamos investigando ao efetuarmos pesquisas conjuntas, de modo que a complexidade das práticas meditativas tenha um paralelo na sofisticação do método científico.

Uma outra área em que uma perspectiva crítica é requerida por parte dos cientistas está na capacidade de distinguir entre os aspectos empíricos do pensamento e prática contemplativa budista e os pressupostos filosóficos e metafísicos associados com tais práticas. Em outras palavras, da mesma maneira como precisamos distinguir, dentro da abordagem científica, entre suposições teóricas, observações experimentais e interpretações subseqüentes, no budismo, precisamos distinguir entre vaticínios, estados mentais comprováveis experiencialmente e interpretações filosóficas subseqüentes. 

Desta maneira, os dois lados podem encontrar um terreno comum de fatos observáveis empiricamente a respeito da mente humana, sem cair na tentação de tentar limitar o escopo de uma disciplina ao contexto da outra. Embora os pressupostos filosóficos e as subseqüentes interpretações conceituais possam diferir no que tange a fatos empíricos, fatos precisam continuar fatos, não importando como são descritos. 

Qualquer que seja a verdade a respeito da natureza final da consciência, seja ela redutível ou não a processos meramente físicos, penso poder existir um campo comum de compreensão dos fatos derivados da experiência a respeito dos vários aspectos da nossas percepções, pensamentos e emoções. 

Após tais considerações cautelares, penso que uma cooperação íntima entre estas duas tradições investigativas pode verdadeiramente contribuir para a expansão da compreensão do complexo mundo interno da experiência subjetiva que chamamos de "mente".

Os benefícios deste esforço já estão começando a aparecer. De acordo com relatos preliminares, os efeitos do treino mental, como por exemplo, a prática regular da Mente Atenta, ou o cultivo deliberado da compaixão, produzem mudanças observáveis no cérebro humano correlatas aos estados mentais positivos.

Descobertas recentes na neurociência demonstraram a plasticidade inata do cérebro, tanto em termos das conexões sinápticas quanto ao nascimento de novos neurônios, como resultado da exposição a estímulos externos, tais como exercícios físicos voluntários, ou um ambiente mais rico. A tradição contemplativa budista pode ajudar a expandir este campo de pesquisa científica ao propor tipos de treinos mentais que possam ter, também, correlação com a plasticidade neural.

Se disso resultar, como a tradição budista afirma, um efeito observável ao nível físico, podemos imaginar implicações de longo alcance. As repercussões de uma tal pesquisa não ficarão confinadas simplesmente à expansão do nosso conhecimento do cérebro humano, mas, mais importante ainda, impactarão mais significativamente na nossa compreensão da educação e saúde mental.

De modo similar, se o cultivo deliberado da compaixão, como a tradição budista apregoa, pode levar a uma mudança radical na perspectiva individual, isto poderá ter implicações de longo alcance para a sociedade como um todo. Finalmente, creio que a colaboração entre a neurociência e a tradição budista pode lançar uma nova luz sobre a questão de vital importância relacionada à ética.

Seja qual for o conceito que possamos ter a respeito da relação entre ética e ciência, na prática efetiva, a ciência evoluiu primordialmente como uma disciplina empírica com uma posição moralmente neutra e isenta de valores. Ela é vista essencialmente como um modo de investigação que produz um conhecimento detalhado do mundo empírico e das leis naturais subjacentes.

Do mero ponto de vista científico, a criação de armas nucleares é uma realização verdadeiramente espantosa. Contudo, já que esta criação tem o potencial de gerar enorme sofrimento em termos de destruição e morte, nós a consideramos como sendo destrutiva. É a avaliação ética que deve determinar o que pode ser considerado positivo ou negativo.

Até recentemente, esta abordagem de segregar a ética da ciência, achando que a capacidade humana para o pensamento moral evolui junto com o conhecimento, parece ter prevalecido. Hoje em dia, penso que a humanidade está numa encruzilhada crítica. Os avanços radicais que ocorreram na neurociência e particularmente na genética, próximo do final do século vinte, levaram-nos para uma nova era na história humana.

Nosso conhecimento do cérebro e corpo humanos, ao nível celular e genético, com as conseqüentes possibilidades tecnológicas de manipulação genética, alcançaram um tal estágio que os desafios éticos destes avanços científicos são de grande porte. É mais do que evidente que nosso pensamento moral simplesmente não foi capaz de se manter passo a passo com um progresso tão rápido na nossa aquisição de conhecimento e poder.

Contudo, as ramificações destas novas descobertas e suas aplicações são de tão longo alcance, que se relacionam à própria concepção da natureza humana e à preservação da espécie. De modo que, não é mais adequado adotar a visão de que nossa responsabilidade como sociedade é simplesmente apoiar o avanço do conhecimento científico e ampliar o poder tecnológico, deixando a escolha do que fazer com tal conhecimento e poder nas mãos de indivíduos.

Precisamos encontrar maneiras de introduzir considerações humanitárias e éticas fundamentais na definição da direção do desenvolvimento científico, em especial nas ciências ligadas à vida. Ao invocar princípios éticos básicos, não estou defendendo a fusão da ética religiosa com a pesquisa científica. 

Estou, isto sim, falando do que chamo de "ética secular" que abarca os princípios éticos essenciais, tais como compaixão, tolerância, cuidado com os demais seres, consideração pelas necessidades dos outros e uso responsável do conhecimento e do poder, princípios estes que transcendem as fronteiras entre correntes religiosas e, também, de não-crentes.

Eu, pessoalmente, gosto de imaginar todas as atividades humanas, incluindo a ciência, como dedos individuais de uma mesma mão. Enquanto cada um destes dedos estiver conectado com a mão da empatia e do altruísmo básicos do ser humano, continuarão a servir ao bem-estar de todos. Nós verdadeiramente vivemos em um único mundo.

A moderna economia, os meios de comunicação eletrônicos, o turismo internacional, bem como os problemas ambientais, todos eles nos lembram, cada dia, da profunda interconexão existente no mundo inteiro atualmente. As comunidades científicas desempenham um importante e vital papel neste mundo interdependente.

Por razões históricas, sejam quais forem, os cientistas desfrutam de um grande respeito e confiança da sociedade, mais até do que disciplinas tradicionais como filosofia ou religião, terreno onde eu atuo. Apelo aos cientistas que introduzam no seu trabalho profissional os ditames dos princípios éticos básicos que todos nós compartilhamos como seres humanos."


Fonte: http://www.dalailama.org.br - Traduzido por Tamas Virag e Enio Burgos.


terça-feira, 14 de abril de 2020

A Ciência e o Espiritismo

Materialização da médium Eva Carriére (1912) ²

Com a multiplicação dos fenômenos mediúnicos, surgiu a necessidade do estudo científico para comprovar a veracidade da doutrina Espírita

Por Edvaldo Kulcheski - Postado originalmente em Editora Vivência ¹

"Nas edições anteriores, trouxemos a mediunidade na antiguidade, mostrando que os fenômenos mediúnicos existem desde que o homem surgiu na Terra, e a mediunidade na Idade Moderna, com a história de médiuns famosos da época. Vamos abordar agora a contribuição que a ciência deu para a comprovação dos fenômenos ligados à doutrina espírita.

Se os fenômenos espíritas se limitassem ao círculo de seus seguidores, a opinião geral poderia ver neles simples artigos de fé, sem maiores conseqüências de interesse geral. Mas a verdade é que esses fenômenos se multiplicaram, em uma sucessão sempre audaz e desafiadora.

O expediente de proibições e excomunhões se tornava ineficaz, desacreditado e ingênuo diante da avalanche de fenômenos variados, como vozes misteriosas, contato de mãos invisíveis, materializações de espíritos, escritas diretas, aparições de espíritos familiares, revelações de uma vida superior e mais bela etc., atestando a inquestionável sobrevivência da alma.

Era natural que, em face do volume de tantos fatos, a sociedade requisitasse o exame consciencioso de seus sábios e cientistas. Estes então, acossados por todos os lados, descruzaram os braços e se puseram a campo para uma investigação rigorosa e fria. A ciência, representada por um grupo de personalidades sérias e refratárias a imposições religiosas, foi chamada a depor e o fez de tal forma que o Espiritismo foi, por assim dizer, devidamente fotografado, pesado e medido.

A PALAVRA DOS CIENTISTAS

Coube a Willian Crookes, o célebre físico inglês, chamar a atenção de toda a Europa racionalista para a realidade dos fatos espíritas. Muitos esperavam que, de suas investigações, viesse uma condenação irrevogável e humilhante, mas o veredicto do eminente sábio foi favorável.

A cética Inglaterra se assustou com as certezas obtidas dentro do mais severo método científico e cercadas de extrema prudência, afinal, era preciso aceitá-las, uma vez que Crookes pesquisou com frieza, observou pacientemente, fotografou, provou, contraprovou e se rendeu.

Russel Wallace, físico naturalista considerado rival de Charles Darwin, confessou que "era um materialista tão convicto que não admitia absolutamente a existência do mundo espiritual". Disse ainda: "Os fatos, porém, são coisas pertinazes, eles me obrigam a aceitá-los como fatos".

Cromwell Varley, engenheiro descobridor do condensador elétrico, disse: "O ridículo que os espíritas têm sofrido não parte senão daqueles que não têm o interesse científico e a coragem de fazer algumas investigações antes de atacarem aquilo que ignoram".

Para Oliver Lodge, físico e membro da Academia Real, os cientistas não vieram "anunciar uma verdade extraordinária, nenhum novo meio de comunicação, apenas uma coleção de provas de identidade cuidadosamente colhidas".

Lodge explica ainda o porquê de afirmar que as provas foram cuidadosamente colhidas, dizendo que "todos os estratagemas empregados para sua obtenção foram postas em prática e não fiquei com nenhuma dúvida da existência e sobrevivência da personalidade após a morte".

O professor de física William Barrett afirmou que a existência de um mundo espiritual, a sobrevivência após a morte e a comunicação dos que morreram são evidentes. "Dos que ridicularizavam o Espiritismo, ninguém lhe concedeu, que eu saiba, atenção refletida e paciente. Afirmo que toda pessoa de senso que consagrar o seu estudo prudente e imparcial tantos dias ou mesmo tantas horas, como muitos de nós têm consagrado anos, será constrangido a mudar de opinião", disse.

Frederic Myers, da Sociedade Real de Londres, disse: "Pelas minhas experiências, convenci-me de que os pretendidos mortos podem se comunicar conosco e penso que, para o futuro, eles poderão fazê-lo de modo mais completo".

Já o italiano Ernesto Bonanno, que se dedicou por mais de 30 anos aos estudos psíquicos, afirmou, sem temer estar equivocado, "que fora da hipótese espírita, não existe nenhuma outra capaz de explicar os casos análogos ao que acabo de expor".

UMA NOVA CIÊNCIA

Houve até quem fundasse uma nova ciência, com o objetivo exclusivo de verificar a autenticidade dos fatos supranormais. Um desses homens foi Charles Richet, o criador da metapsíquica.

Para ele, ao ler, estudar e analisar os escritos sobre os fenômenos espíritas, pode-se declarar inverossímel e até impossível que homens ilustres e probos tenham se deixado enganar por fraudadores. "Eles não poderiam ser todos e sempre bastante cegos para não se aperceberem de fraudes que deveriam ser grosseiras, bastante imprudentes para concluir quando nenhuma conclusão era legítima, bastante inábeis para nunca, nem uns nem outros, fazerem uma só experiência irreprovável. A priori, suas experiências merecem ser meditadas seriamente", afirmou Richet.

Gustavo Geley, diretor do Instituto Metapsíquico de Paris, um cientista exigente e de poderosa inteligência, disse ser preciso confessar que "os espiritistas dispõem de argumentos formidáveis. O Espiritismo só admite fatos experimentais com as deduções que eles comportam".

Segundo ele, "os fenômenos espíritas estão solidamente estabelecidos pelo testemunho concordante de milhares e milhares de pesquisadores. Foram fiscalizados, com todo o rigor dos métodos experimentais, por sábios ilustres de todos os países. Sua negação pura e simples equivale hoje a uma declaração de falência".

Como um estudioso honesto, Geley dá este admirável testemunho: "Notemos imediatamente que não há exemplo de um sábio que tenha negado a realidade dos fenômenos depois de estudo um tanto aprofundado. Ao contrário, numerosos são aqueles que, partindo de completo ceticismo, chegam à afirmação entusiástica".

Camille Flamarion, grande astrônomo, autor de tantas obras notáveis e respeitado como uma das maiores inteligências da França no século XIX, trouxe igualmente um depoimento insuspeito sobre os fenômenos espíritas. Para ele, "a negação dos céticos nada prova senão que os negadores não observaram os fenômenos".

O ESPIRITISMO

O fenômeno mediúnico é uma ocorrência tão antiga quanto o homem. Por ser a mediunidade uma faculdade inerente ao ser humano, ela tem se manifestado em todas as épocas, ocasionando espanto, respeito e manifestações religiosas.

Porém, foi somente a partir do século XIX, com estudos sérios realizados pelo professor Hippolyte Léon Denizard Rivail (que posteriormente adotaria o nome de Allan Kardec), que os fenômenos de efeitos físicos e inteligentes foram observados em detalhes e as conclusões necessárias foram tiradas, formando-se então um corpo de doutrina, o Espiritismo. Esta é uma doutrina nascida da observação e fruto da revelação dos espíritos superiores, tendo sido codificada entre 1857 e 1868.

O Espiritismo divide os fenômenos medi únicos em efeitos físicos ou objetivos e efeitos intelectuais ou subjetivos. Como efeitos físicos ou objetivos, temos a materialização, a transfiguração, a levitação, o transporte, a bilocação, a voz direta, a escrita direta, a tiptologia e a sematologia. Como efeitos intelectuais ou subjetivos, temos a inspiração, a intuição, a vidência, a audiência, a psicometria, o desdobramento, a psicografia, a psicofonia e os curadores.

O ESPIRITISMO E A METAPSÍQUICA

A ciência oficial não admitiu de pronto as verdades reveladas pelos espíritos. Formaram-se inúmeras associações, sociedades e comissões com o ideal de desmascará-las, porém, quanto mais se estudava, mais aumentava o número de adeptos.

Muitos homens de ciência se convenceram a respeito da autenticidade dos fenômenos, entre eles o fisiologista francês Charles Richet. Em conjunto com o dr. Geley e o prof. Fredrich Myers, Richet fundou o Instituto Metapsíquico Internacional em Paris, sendo designado como presidente da entidade.

A metapsíquica trata do estudo dos fenômenos psíquicos anormais, como a telepatia, a clarividência, a dupla visão, materializações etc. Em 1922, Charles Richet apresentou à Academia de Ciências o "Tratado de Metapsíquica".

Os fenômenos metapsíquicos se dividem em objetivos e subjetivos. A metapsíquica objetiva trata de fenômenos materiais que a mecânica conhecida não explica, uma realidade tangível e acessível aos nossos sentidos.

Divide-se em telecinesia, que é uma ação mecânica sem atuação e sem contato sobre objetos ou pessoas (raps, levitação, movimentação de mesas, escrita direta, transporte de objetos, casas assombradas etc.), e ectoplasmia, que é a formação de objetos diversos, que parecem sair do corpo humano, tomam aparência material e são tangíveis (materializações de objetos e seres com aparência dos que já viveram na Terra).

Já a metapsíquica subjetiva trata de fenômenos mentais, sensibilidades ocultas e percepções desconhecidas, como telepatia, clarividência, clariaudiência, xenoglossia, escrita automática etc. Nela, temos a criptestesia, que é o estudo da faculdade de conhecimento diferente das faculdades sensoriais normais.

O ESPIRITISMO E A PARAPSICOLOGIA

Nos EUA, em 1930, Joseph Banks Rhine iniciou os estudos que desembocaram na estruturação de um novo ramo da ciência preocupado em estudar os fenômenos chamados "inabituais", a parapsicologia. Enquanto o método da metapsíquica se baseava no aspecto qualitativo dos fenômenos e no testemunho pessoal dos que presenciavam os mesmos, a parapsicologia introduziu o método quantitativo.

Este método procura estabelecer um meio de fazer com que os fenômenos se reproduzam sob determinadas condições e busca seguir os padrões utilizados na metodologia científica. Esta se serve de métodos que possam ser testados, repetidos e confirmados e, por ela, devem ser descobertas a causa e a lei que rege o objeto da investigação.

Temos os fenômenos normais e paranormais. O fenômeno normal é o que se enquadra no conjunto das leis conhecidas e aceitas que governam os processos naturais. O fenômeno para normal é inabitual, no qual não se sabe e não se domina as leis que o regem.

Todos os fenômenos paranormais são denominados como PSI, embora nem todo fenômeno paranormal seja psíquico, podendo ocorrer sobre objetos e coisas que independem do psiquismo das pessoas envolvidas na ocorrência.

Os fenômenos PSI se dividem em PSI-Gama, PSI-Kapa e PSI- Theta. Os PSI-Gama são fenômenos subjetivos que ocorrem na área intelectual do dotado e se subdividem em telepatia (comunicação direta de uma mente com outra), clarividência (percepção dos fatos do mundo físico independentemente do uso dos sentidos fisiológicos normais) e pós e pré-cognição (conhecimento imediato de fatos já acontecidos ou por acontecer, sem nenhuma informação prévia, direta ou indireta).

Os PSI-Kapa são fenômenos objetivos, materiais e de psiconesia. Por fim, alguns pesquisadores tendem a admitir uma terceira.categoria de fenômenos PSI, os PSI-Theta, oriundos de mentes de seres incorpóreos.

A PARAPSICOLOGIA E SUAS CORRENTES

A parapsicologia está dividida em três correntes: a russa, a norte-americana e a francesa. A corrente russa é eminentemente materialista, onde todos os fenômenos são explicados pela matéria. O conceito espiritual é inteiramente colocado de lado e o conceito metafísico é negado.

A corrente norte-americana admite que certos fenômenos são produzidos por agentes especiais que vivem em dimensões diferentes da nossa, depois de terem vivido aqui. Já a corrente francesa mistura conceitos sobrenaturais com milagres. É a corrente católica da parapsicologia e surgiu sem o interesse da investigação, apenas para confundir e atacar o Espiritismo.

A parapsicologia já está sendo substituída por outras ciências que dão uma visão mais abrangente, como a psicobiofísica e a psicotrônica. Hoje, a ciência descreve assim a materialização de um espírito (conceito metafísico): 'Forma assumida pelo bioplasma sob a ação de campos estéreo bioenergéticos oriundos de um domínio informacional remanescente de uma pessoa já falecida'."
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Fonte: 1- Postagem reproduzida, com finalidade de estudos, a partir do site do IPPB – Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas (Wagner Borges) - Imagem: 2 - Foto por Albert von Schrenck-Notzing, médico e parapsicólogo alemão (1862 – 1929), de Materialização realizada pela médium Eva Carriére, em 1912 (CC0) - Links adicionados ao texto direcionando às obras dos autores citados.


sábado, 12 de setembro de 2015

O fragmento bíblico mais antigo do mundo




Um pergaminho descoberto há mais de quarenta anos em Israel foi finalmente decifrado, revelando fragmentos em hebreu do livro bíblico do Levítico, o terceiro do Antigo Testamento. Ele se destaca como o mais antigo do qual se tem notícia, desde os manuscritos do Mar Morto, achados em 1947. 

Sua decodificação foi possível graças ao apoio da Autoridade de Antiguidades de Israel (AAI), e à análise com carbono-14 à qual foram submetidos os fragmentos carbonizados do pergaminho. A equipe de arqueólogos e conservadores conseguiu determinar que se trata de um manuscrito do século VI, o mais antigo dos cinco livros da Torá, encontrados no litoral do Mar Morto. 

O pergaminho foi descoberto pelo Dr. Sefi Porath, quando, em 1970, ele liderou as escavações arqueológicas na sinagoga de Ein Gedi. De acordo com o especialista, decifrar essa importante relíquia não é apenas emocionante pela antiguidade que representa, mas também por ser o único dos livros da Bíblia judaica encontrado em uma sinagoga, dentro de uma arca sagrada. Enquanto isso, Pnina Shor, funcionária da AAI, destaca que a descoberta é, certamente, a mais importante do século XXI para a cultura ocidental. 

Fonte: RT  

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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Garotinho diz como foi sua morte em vida passada

Menino de 3 anos diz que foi assassinado em vida passada :: Caso surpreendeu moradores da região das colinas de Golã, perto da fronteira entre a Síria e Israel


Um menino de 3 anos, que vive na região das colinas de Golã, perto da fronteira entre a Síria e Israel, surpreendeu os moradores de sua comunidade ao afirmar que foi assassinado com um machado em sua vida passada e mostrar o local onde o assassino enterrou seu corpo. Através de escavações, alguns homens da aldeia encontraram o esqueleto de um homem no local onde o menino indicou. O garoto também indicou onde a arma do crime estava enterrada e, após escavações, os homens da aldeia encontraram um machado. O artigo foi publicado pela revista americana Epoch Times.

O menino de 3 anos contou que foi assassinado em sua vida passada com um golpe de machado

O menino nasceu com uma marca vermelha e longa na cabeça que, segundo a etnia drusa na qual ele pertence, está relacionada com a morte na vida passada. Quando a criança tinha idade suficiente para falar, ele havia contado à família que havia sido assassinado com um golpe de machado na cabeça. Na etnia drusa, é comum que os adultos levem as crianças com 3 anos para a casa de sua vida anterior, caso a criança lembre do local.

No caso deste menino, ele sabia em qual aldeia ele havia morado e qual era o nome dele na vida passada. Ao chegarem no vilarejo, os moradores disseram que o homem que o menino dizia ser a sua reencarnação tinha sido dado como desaparecido quatro anos antes. Amigos e parentes do homem que morreu pensavam que ele poderia ter se perdido no territótio das proximidades.

Quando confrontado com as perguntas, o menino lembrou do nome completo do seu assassino e disse que poderia levar os adultos ao local onde o corpo foi enterrado. Lá, os adultos da comunidade encontraram o esqueleto de um homem que tinha um ferimento na cabeça, que era semelhante a marca de nascença da criança. Também encontraram o machado, a arma do crime. Diante das evidências, o assassino admitiu o crime.

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