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quarta-feira, 20 de abril de 2022

Alejandro Jodorowsky: 'A ILUMINAÇÃO'

"Tendo lido muitos livros sobre o zen-budismo eu tinha entendido as palavras de Buda que dizia:  — Nós não temos um 'eu', o 'eu' é uma invenção, estamos vazios, há a vazio em nós e esse vazio tem que aparecer por baixo das palavras, em forma de silêncio.  Quando conheci o mestre zen japonês Ejo Takata, eu disse-lhe:   — Sinto-me muito feliz, fiz o vazio na minha mente e afastei as palavras, sinto-me vazio no meu coração e afastei os sentimentos.  Ele me respondeu:  — Idiotice! Mente vazia, coração cheio. A realização do Espírito é o vazio, a realização do coração é o amor.  Bateu-me no peito e disse-me:  — Faz crescer o teu coração de criança."

"Tendo lido muitos livros sobre o zen-budismo eu tinha entendido as palavras de Buda que dizia:

 Nós não temos um 'eu', o 'eu' é uma invenção, estamos vazios, há a vazio em nós e esse vazio tem que aparecer por baixo das palavras, em forma de silêncio.

Quando conheci o mestre zen japonês Ejo Takata, eu disse-lhe: 

— Sinto-me muito feliz, fiz o vazio na minha mente e afastei as palavras, sinto-me vazio no meu coração e afastei os sentimentos.

Ele me respondeu:

— Idiotice! Mente vazia, coração cheio. A realização do Espírito é o vazio, a realização do coração é o amor.

Bateu-me no peito e disse-me:

— Faz crescer o teu coração de criança."

 




terça-feira, 1 de março de 2022

Palavras de Buda para Reflexão

"O Eu é o senhor do eu, o Eu é o teu próprio refúgio; sabe, portanto, conduzir-te como o mercador controla o seu nobre corcel.  A Vigilância é o caminho da Imortalidade (Nirvana). A negligência é o caminho da morte. Os vigilantes não perecem; os negligentes já estão como mortos.  “Esses filhos são meus, estas riquezas são minhas”. Assim se atormenta o insensato. Verdadeiramente, nem nos pertencemos a nós mesmos, muito menos filhos e riquezas.  Mais glorioso não é quem vence em batalhas milhares de homens, mas sim  quem a si mesmo vence.  O Eu é o mestre do eu. Cada um é o seu próprio mestre e refúgio, quem outro poderia ser? O completo domínio de si mesmo é o único refúgio, difícil de alcançar.  Ananda! Faça de ti mesmo uma lâmpada e um refúgio! Faça do Dharma uma lâmpada e um refúgio!" - Sidharta Gautama
A imagem gigante de Buda, em Ibiraçu, ES, Brasil - Imagem: Divulgação/Governo do Espírito Santo
 

"O Eu é o senhor do eu, o Eu é o teu próprio refúgio; sabe, portanto, conduzir-te como o mercador controla o seu nobre corcel.

A Vigilância é o caminho da Imortalidade (Nirvana). A negligência é o caminho da morte. Os vigilantes não perecem; os negligentes já estão como mortos.

“Esses filhos são meus, estas riquezas são minhas”. Assim se atormenta o insensato. Verdadeiramente, nem nos pertencemos a nós mesmos, muito menos filhos e riquezas.

Mais glorioso não é quem vence em batalhas milhares de homens, mas sim  quem a si mesmo vence.

O Eu é o mestre do eu. Cada um é o seu próprio mestre e refúgio, quem outro poderia ser? O completo domínio de si mesmo é o único refúgio, difícil de alcançar.

Ananda! Faça de ti mesmo uma lâmpada e um refúgio! Faça do Dharma uma lâmpada e um refúgio!"


Sidharta Gautama, o Buda


A Essência dos ensinamentos de Buda: Transformando o sofrimento em paz, alegria e libertação


sábado, 1 de maio de 2021

'A Encruzilhada da Ciência', segundo o Dalai Lama

Este artigo é baseado em uma palestra proferida pelo Dalai Lama durante o encontro anual da Sociedade para a Neurociência em 12 de novembro de 2005, Washington, DC, EUA.




"As últimas décadas presenciaram significativos avanços na compreensão científica do cérebro e corpo humanos como um todo. E ainda mais, com o advento da moderna pesquisa genética, o conhecimento da Neurociência a respeito do funcionamento dos organismos biológicos foi levado ao nível mais sutil dos genes individuais.

Isto resultou em possibilidades tecnológicas imprevistas, chegando até mesmo à manipulação dos próprios códigos da vida, dando surgimento, a partir daí, a se vislumbrar a criação de realidades completamente novas para a humanidade. Hoje em dia, a questão do intercâmbio da ciência com o conjunto da humanidade não é mais um tópico de interesse acadêmico apenas; ela precisa assumir um senso de urgência para todos os que se preocupam com o destino do ser humano.

Penso, portanto, que um diálogo entre a neurociência e a sociedade poderia trazer importantes benefícios no que se refere ao aprofundamento da nossa compreensão básica daquilo que significa pertencer à espécie humana e quanto às nossas responsabilidades com o mundo natural, o qual compartilhamos com os demais seres sencientes.

 Eu estou feliz em ver que, como parte deste amplo intercâmbio, há um crescente interesse entre alguns neurocientistas em se empenhar em estreitar o diálogo com as disciplinas contemplativas budistas. Embora o meu próprio interesse pela ciência tenha começado na curiosidade de um menino irrequieto crescendo no Tibete, gradualmente, emergiu em mim a importância colossal da ciência e da tecnologia para a compreensão do mundo moderno.

Não apenas busquei captar idéias científicas específicas, também tentei explorar as implicações mais abrangentes da ciência. As áreas específicas que explorei com mais intensidade ao longo dos anos são a física subatômica, cosmologia, biologia e psicologia. Debito a minha limitada compreensão nestes campos, com gratidão, às generosas horas passadas junto com Carl Von Weizsacker e com o falecido David Böhm.

Eu os considero como meus professores em Mecânica Quântica, enquanto que, na biologia, especialmente, em neurociência, interagi mais com o falecido Robert Livingstone e com Francisco Varela. Também agradeço aos numerosos eminentes cientistas com os quais tive o privilégio de manter conversações sob os auspícios do Instituto Mind and Life, que patrocinou conferências desde 1987, em minha residência em Dharamsala, na Índia. Estes diálogos continuaram ao longo dos anos, sendo que o último foi concluído aqui em Washington, nesta mesma semana.

Alguns podem se perguntar "Por que um monge budista demonstraria um interesse tão profundo na ciência? Qual relação pode haver entre budismo, uma antiga tradição espiritual e filosófica da Índia, com a ciência moderna? Que possível benefício haveria para uma disciplina como a neurociência em se engajar em um diálogo com a tradição contemplativa budista?"

Embora a tradição contemplativa budista e a ciência moderna tenham evoluído a partir de raízes históricas, intelectuais e culturais diferentes, acredito que, no seu cerne, compartilham aspectos significativos, especialmente na perspectiva filosófica e na metodologia. Ao nível filosófico, tanto o budismo quanto a ciência moderna questionam qualquer noção de absoluto, quer conceitualizado como um ser transcendental, ou como um princípio imutável e eterno (alma), ou como um substrato fundamental da realidade.

Tanto o budismo como a ciência preferem explicar a evolução e a emergência do cosmos e da vida em termos de uma complexa inter-relação das leis naturais de causa e efeito. A partir da perspectiva metodológica, as duas tradições enfatizam o papel do empirismo.

Por exemplo, na tradição investigativa budista, entre as três fontes reconhecidas de conhecimento — experiência, razão e testemunho — a evidência proveniente da experimentação está em primeiro lugar, vindo, a seguir, a razão e, por último, o testemunho. Isso significa que, na investigação budista da realidade, ao menos em princípio, o que é empírico triunfa sobre a autoridade escritural, não importando quão venerada esta possa ser.

Mesmo no caso do conhecimento derivado da razão ou inferência, sua validade deriva, em última instância, de fatos empíricos, de observações. Por causa desta perspectiva metodológica, freqüentemente comento com meus colegas budistas que as teorias da moderna cosmologia e astronomia, comprovadas a partir da observação empírica, devem nos impelir agora a modificar e, em alguns casos, rejeitar muitos aspectos da cosmologia tradicional budista.

Considerando que o motivo primordial, subjacente à investigação budista da realidade, é a busca da superação do sofrimento e do aperfeiçoamento da condição humana, a orientação básica do budismo tem se voltado à compreensão da mente humana e de suas várias funções. Parte-se da suposição de que uma maior compreensão da psyche humana nos proporcionará encontrar maneiras de transformar nossos pensamentos, emoções e propensões subjacentes, possibilitando modos de ser mais integrados e satisfatórios.

É neste contexto que a tradição budista estabeleceu uma rica classificação de estados mentais, bem como de técnicas contemplativas para o refino de certas qualidades. Assim, uma genuína troca entre o conhecimento e a experiência acumulada do budismo e a ciência moderna, no que se refere aos quesitos mais abrangentes concernentes à mente humana, desde a cognição e emoção até a compreensão da capacidade de transformação inerente ao cérebro humano, pode ser muito interessante e potencialmente benéfica.

Baseado em minha própria experiência neste campo, posso afirmar que me enriqueceu profundamente manter conversações com neurocientistas e psicólogos sobre questões tais como: a natureza e o papel das emoções negativas e positivas; a atenção; as imagens mentais; bem como a plasticidade do cérebro. 

A evidência clara, vinda da neurociência e das ciências médicas, a respeito do papel crucial de um simples toque físico para o crescimento do cérebro de uma criança durante as primeiras semanas de sua existência, demonstra com vigor a conexão íntima entre compaixão e felicidade humana. Há muito tempo o budismo proclama o potencial fantástico para a transformação existente, de forma natural, na mente humana.

Com esse objetivo, a tradição desenvolveu uma ampla gama de técnicas contemplativas ou práticas meditativas, visando especificamente a dois objetivos principais: o cultivo de um coração compassivo e de profundos vislumbres dentro da natureza da realidade, que são referidos como a união da compaixão com a sabedoria.

No coração destas práticas meditativas, estão duas técnicas-chaves, o refino da atenção e sua aplicação sustentada, por um lado, e o controle e transformação das emoções, do outro lado. Em ambos os casos, penso que pode haver um grande potencial para uma pesquisa conjunta entre budismo e neurociência. Por exemplo, a moderna neurociência desenvolveu uma rica compreensão dos mecanismos cerebrais associados com a atenção e com a emoção.

A tradição contemplativa budista oferece, por outro lado, técnicas práticas para o refino da atenção e para o controle e transformação das emoções. O encontro destas duas correntes, portanto, poderia levar à possibilidade de estudar o impacto da atividade mental intencional sobre os circuitos cerebrais que foram identificados como críticos para processos mentais específicos.

No mínimo, um tal intercâmbio interdisciplinar poderia auxiliar na formulação de questões essenciais em muitas áreas-chaves. Por exemplo, os indivíduos possuem, de fato, uma capacidade fixa para controlar suas emoções e atenção, ou, como a tradição budista afirma, sua capacidade de controlar esses processos está sujeita à mudança, implicando um grau similar de dependência em relação aos sistemas mentais e comportamentais associados a essas funções?

Uma área na qual a tradição budista pode dar uma contribuição importante é quanto a técnicas efetivas desenvolvidas para o treinamento em compaixão. No que se refere ao treino mental, tanto em atenção quanto em controle emocional, é também crucial perguntar se qualquer técnica específica possui uma sensitividade temporal em termos de sua efetividade, de modo que novos métodos possam ser criados para se adequar a necessidades decorrentes de idade, condição de saúde e outros fatores. Cabe aqui, contudo, uma advertência.

É inevitável que, quando duas tradições investigativas radicalmente diferentes, como o budismo e a neurociência, juntam-se para um diálogo interdisciplinar, isto implicará problemas "fronteiriços" que normalmente costumam ocorrer nas trocas interculturais deste tipo. Por exemplo, quando falamos de "ciência da meditação", precisamos estar atentos ao que exatamente se quer dizer com isso. Por parte dos cientistas, penso ser crucial estar atento às diferentes conotações do importante termo "meditação" em seu contexto tradicional.

Neste último, a palavra para meditação é bhavana (sânscrito) ou gom (tibetano). Bhavana tem uma conotação de "cultivo", como de um "hábito" ou "modo de ser" em particular, enquanto que gom, a de cultivar "familiaridade". Assim, em resumo, meditação, no contexto tradicional budista, refere-se a uma atividade mental deliberada que envolve o cultivo da familiaridade seja com um objeto escolhido, um fato, um tema, um hábito, uma perspectiva, ou um modo de ser.

Em sentido amplo, há duas categorias de prática meditativa: uma focada em acalmar a mente, e outra, focada sobre os processos cognitivos da compreensão, referidas como "estabilização meditativa" e "meditação analítica". Em qualquer caso, a meditação pode assumir muitas formas diferentes, por exemplo, tomar a impermanência como um objeto para análise, ou cultivar um estado mental específico, tal como a compaixão.

Também pode-se lançar mão da imaginação, utilizando o potencial humano para gerar imagens mentais e aplicá-las para o cultivo do bem-estar interior. Assim, é fundamental estar ciente sobre quais formas de meditação estamos investigando ao efetuarmos pesquisas conjuntas, de modo que a complexidade das práticas meditativas tenha um paralelo na sofisticação do método científico.

Uma outra área em que uma perspectiva crítica é requerida por parte dos cientistas está na capacidade de distinguir entre os aspectos empíricos do pensamento e prática contemplativa budista e os pressupostos filosóficos e metafísicos associados com tais práticas. Em outras palavras, da mesma maneira como precisamos distinguir, dentro da abordagem científica, entre suposições teóricas, observações experimentais e interpretações subseqüentes, no budismo, precisamos distinguir entre vaticínios, estados mentais comprováveis experiencialmente e interpretações filosóficas subseqüentes. 

Desta maneira, os dois lados podem encontrar um terreno comum de fatos observáveis empiricamente a respeito da mente humana, sem cair na tentação de tentar limitar o escopo de uma disciplina ao contexto da outra. Embora os pressupostos filosóficos e as subseqüentes interpretações conceituais possam diferir no que tange a fatos empíricos, fatos precisam continuar fatos, não importando como são descritos. 

Qualquer que seja a verdade a respeito da natureza final da consciência, seja ela redutível ou não a processos meramente físicos, penso poder existir um campo comum de compreensão dos fatos derivados da experiência a respeito dos vários aspectos da nossas percepções, pensamentos e emoções. 

Após tais considerações cautelares, penso que uma cooperação íntima entre estas duas tradições investigativas pode verdadeiramente contribuir para a expansão da compreensão do complexo mundo interno da experiência subjetiva que chamamos de "mente".

Os benefícios deste esforço já estão começando a aparecer. De acordo com relatos preliminares, os efeitos do treino mental, como por exemplo, a prática regular da Mente Atenta, ou o cultivo deliberado da compaixão, produzem mudanças observáveis no cérebro humano correlatas aos estados mentais positivos.

Descobertas recentes na neurociência demonstraram a plasticidade inata do cérebro, tanto em termos das conexões sinápticas quanto ao nascimento de novos neurônios, como resultado da exposição a estímulos externos, tais como exercícios físicos voluntários, ou um ambiente mais rico. A tradição contemplativa budista pode ajudar a expandir este campo de pesquisa científica ao propor tipos de treinos mentais que possam ter, também, correlação com a plasticidade neural.

Se disso resultar, como a tradição budista afirma, um efeito observável ao nível físico, podemos imaginar implicações de longo alcance. As repercussões de uma tal pesquisa não ficarão confinadas simplesmente à expansão do nosso conhecimento do cérebro humano, mas, mais importante ainda, impactarão mais significativamente na nossa compreensão da educação e saúde mental.

De modo similar, se o cultivo deliberado da compaixão, como a tradição budista apregoa, pode levar a uma mudança radical na perspectiva individual, isto poderá ter implicações de longo alcance para a sociedade como um todo. Finalmente, creio que a colaboração entre a neurociência e a tradição budista pode lançar uma nova luz sobre a questão de vital importância relacionada à ética.

Seja qual for o conceito que possamos ter a respeito da relação entre ética e ciência, na prática efetiva, a ciência evoluiu primordialmente como uma disciplina empírica com uma posição moralmente neutra e isenta de valores. Ela é vista essencialmente como um modo de investigação que produz um conhecimento detalhado do mundo empírico e das leis naturais subjacentes.

Do mero ponto de vista científico, a criação de armas nucleares é uma realização verdadeiramente espantosa. Contudo, já que esta criação tem o potencial de gerar enorme sofrimento em termos de destruição e morte, nós a consideramos como sendo destrutiva. É a avaliação ética que deve determinar o que pode ser considerado positivo ou negativo.

Até recentemente, esta abordagem de segregar a ética da ciência, achando que a capacidade humana para o pensamento moral evolui junto com o conhecimento, parece ter prevalecido. Hoje em dia, penso que a humanidade está numa encruzilhada crítica. Os avanços radicais que ocorreram na neurociência e particularmente na genética, próximo do final do século vinte, levaram-nos para uma nova era na história humana.

Nosso conhecimento do cérebro e corpo humanos, ao nível celular e genético, com as conseqüentes possibilidades tecnológicas de manipulação genética, alcançaram um tal estágio que os desafios éticos destes avanços científicos são de grande porte. É mais do que evidente que nosso pensamento moral simplesmente não foi capaz de se manter passo a passo com um progresso tão rápido na nossa aquisição de conhecimento e poder.

Contudo, as ramificações destas novas descobertas e suas aplicações são de tão longo alcance, que se relacionam à própria concepção da natureza humana e à preservação da espécie. De modo que, não é mais adequado adotar a visão de que nossa responsabilidade como sociedade é simplesmente apoiar o avanço do conhecimento científico e ampliar o poder tecnológico, deixando a escolha do que fazer com tal conhecimento e poder nas mãos de indivíduos.

Precisamos encontrar maneiras de introduzir considerações humanitárias e éticas fundamentais na definição da direção do desenvolvimento científico, em especial nas ciências ligadas à vida. Ao invocar princípios éticos básicos, não estou defendendo a fusão da ética religiosa com a pesquisa científica. 

Estou, isto sim, falando do que chamo de "ética secular" que abarca os princípios éticos essenciais, tais como compaixão, tolerância, cuidado com os demais seres, consideração pelas necessidades dos outros e uso responsável do conhecimento e do poder, princípios estes que transcendem as fronteiras entre correntes religiosas e, também, de não-crentes.

Eu, pessoalmente, gosto de imaginar todas as atividades humanas, incluindo a ciência, como dedos individuais de uma mesma mão. Enquanto cada um destes dedos estiver conectado com a mão da empatia e do altruísmo básicos do ser humano, continuarão a servir ao bem-estar de todos. Nós verdadeiramente vivemos em um único mundo.

A moderna economia, os meios de comunicação eletrônicos, o turismo internacional, bem como os problemas ambientais, todos eles nos lembram, cada dia, da profunda interconexão existente no mundo inteiro atualmente. As comunidades científicas desempenham um importante e vital papel neste mundo interdependente.

Por razões históricas, sejam quais forem, os cientistas desfrutam de um grande respeito e confiança da sociedade, mais até do que disciplinas tradicionais como filosofia ou religião, terreno onde eu atuo. Apelo aos cientistas que introduzam no seu trabalho profissional os ditames dos princípios éticos básicos que todos nós compartilhamos como seres humanos."


Fonte: http://www.dalailama.org.br - Traduzido por Tamas Virag e Enio Burgos.


sábado, 11 de abril de 2020

OM MANI PADME HUM: Conheça o poder deste mantra


"A frase "Om mani padme hum" está escrita em sânscrito e literalmente significa "oh, a jóia do lótus". Estas quatro palavras formam um dos mantras mais conhecidos do budismo tibetano.

Na tradição do budismo tibetano, o mantra Om mani padme hum tem um significado simbólico e vai além de uma simples repetição de palavras. 

Com as seis sílabas que o formam expressa a idéia de unidade entre o corpo, a mente e a palavra.

Paralelamente, Om mani padme hum alude à idéia de sabedoria e altruísmo. Em outras palavras, trata-se de conquistar um domínio sobre o espírito do homem em sua totalidade.

O mantra expresso e a compaixão

Sentimos compaixão por alguém quando queremos que ela pare de sofrer. Este sentimento está diretamente relacionado à idéia de altruísmo e solidariedade.

Os estudiosos em budismo afirmam que o mantra Om mani padme hum tem relação direta com a compaixão humana. A compaixão deve ser entendida como a essência da vida espiritual e uma forma de amor destinada à verdadeira sabedoria.

De acordo com os pensamentos budistas, devemos sentir compaixão até mesmo dos nossos inimigos, pois desta maneira podemos transformar o rancor em amor. Se ao contrário, as pessoas deixassem invadir pela raiva e pelo ódio, o confronto aumentaria entre os homens. Na filosofia budista é preciso sentir compaixão pelas pessoas e não pelas ações que cometem.

A repetição do mantra Om mani padme hum permite intensificar o bem-estar interior e assim ativar o sentimento de compaixão.

A função dos mantras no budismo

Os mantras budistas são repetidos oralmente de maneira constante com o propósito de transformar nossas emoções internas. Desta forma, o mantra atua como um mecanismo interno para promover a tolerância, o autoconhecimento e o perdão. Deve-se ressaltar que Buda afirmou que cada homem deve ser o verdadeiro guia de sua existência e dominar suas paixões e emoções.

Pode-se dizer que os mantras budistas servem para melhorar nossa mente e a conexão entre o espírito e o corpo. Um aspecto importante nos mantras é a motivação para combater o sofrimento humano e assim alcançar a plenitude interior.

Os mantras budistas foram analisados a partir de uma perspectiva neurocientífica, assim se chegou à conclusão que esta forma de meditação aumenta as emoções positivas que são experimentadas no córtex pré-frontal esquerdo do cérebro humano.

Em outras tradições religiosas, especialmente nas religiões teístas, as orações também são recitadas repetidamente para louvar a Deus como criador. Tanto os mantras quanto as orações expressam a ideia de amor. Enfim, as mais variadas formas de rezar compartilham a mesma mensagem."
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Fonte: site:conceitos.com - Conceito » Religião » Om Mani Padme Hum (reprodução para finalidade de estudos) - Imagem: Mandala Om Mani Padme Hum (Adesivo De Parede - Olist)

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

O budismo e o sexo

Flores silvestres de Primavera (Foto: Ronald Stresser)

Ensinamentos budistas sobre o sexo

por Randy Rosenthal
(transcrição do blog yoga-ensinamentos, postado por Iaco)

"Certa ocasião, Buddha estava vivendo perto de Sumsumaragiri. Ali, seus seguidores leigos Nakulapita e sua esposa, Nakulamata, lhe perguntaram como poderiam estar juntos em vidas futuras. 

Buddha respondeu, “Se marido e mulher querem estar juntos enquanto durar esta vida e também  na vida futura, devem ter a mesma fé, a mesma disciplina moral, a mesma generosidade, a mesma sabedoria”.

A tradição budista que pratico – ensinada por S. N. Goenka – é uma tradição de famílias, com muitos professores sendo casados e tendo filhos. Fazemos um voto de celibato enquanto frequentamos um curso de meditação, mas na vida secular somos encorajados a seguir os cinco preceitos, e o terceiro deles é abster-se de má conduta sexual.

Na época de Buddha, má conduta sexual era “ir à esposa de outro homem.” Abster-se de má conduta sexual é um comportamento esperado de todo budista. Para frequentar um curso de vinte dias de duração na tradição Vipássana, a pessoa deve estar numa relação monogâmica por pelo menos um ano ou em celibato por pelo menos um ano (e isso também inclui a masturbação).

A ideia é que, à medida que se desenvolve o desapego, o desejo diminui e o sexo é abandonado, mesmo dentro do casamento. Como a monja Bhadda Kapilani, esposa de Mahakassapa, discípulo de Buddha, escreve: “Antes éramos marido e mulher, mas vendo o perigo no mundo, removemos nossas compulsões e nos tornamos livres”.

Certa vez Magandiya, um pai de família, ofereceu sua bela filha para ser esposa de Buddha. Em resposta, Buddha perguntou, “O que eu iria querer com esta pessoa, cheia de urina e excremento? Eu não iria querer tocá-la nem com meu pé”. Afinal, após seu despertar espiritual,  ele tinha visto as filhas de Mara – o descontentamento, o desejo e a paixão – não mais despertarem em si, então por que ele teria algum desejo pela filha de Magandiya?

Logicamente, muitos dos ensinamentos de Buddha são dirigidos especificamente a monges. Então como ficamos nós que não pretendemos nos fazer ordenar monges? Quando Buddha condena a atividade sexual, não está declarando, “Não deveis.” Mas sim declarando que o relacionamento sexual leva ao sofrimento.

A questão deve ser decidida pela disposição pessoal e o grau em que queremos remover o sofrimento de nossas vidas. Como pessoa comum que sou, que não está tentando ser iluminado nesta vida, aceito ter uma certa quantidade de sofrimento que resulta da atividade sexual natural e sem abusos.

Os monges celibatários, por outro lado, têm decidido que querem livrar-se inteiramente do sofrimento. Buddha nos desafia a examinar o que estamos buscando. O que está claro é que permanecer conscientes da natureza impermanente de nossos corpos nos levará cada vez mais próximos da iluminação."

terça-feira, 24 de julho de 2018

Os obstáculos da vida servem à nossa evolução


"Sem este mundo não podemos atingir a iluminação. Não haveria jornada. Então, em um certo sentido, todas as coisas ocorrendo ao redor do mundo, todas as irritações e todos os problemas, são cruciais. 

Em outras palavras, poderíamos dizer que se não houver ruído lá fora durante nossa prática sentada, não podemos desenvolver o estado desperto. Se não tivermos coceiras e dores em nosso corpo, não poderemos atingir o estado desperto; não poderemos realmente meditar. 

Se tudo fosse “perfeitinho”, não haveria nada com o que trabalhar. Sem os outros e os desafios que eles apresentam, não teríamos chance alguma para nos desenvolvermos além do ego. 

Então, a ideia aqui é sentir gratidão pelo fato de que os outros estão nos apresentando tremendos obstáculos. Sem eles, não poderíamos seguir o caminho de forma alguma."

Chögyam Trungpa (1939-1987)*
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*Trungpa Rinpoché foi um mestre de meditação da linhagem do Budismo Tibetano. Aos treze meses, foi reconhecido como a décima primeira reencarnação da linhagem dos Trungpa tulku. - Imagem: Buddhism Monk Enlightenment Buddhist Meditation/Max Pixel (CC0)


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Como desenvolver a paciência




Como desenvolver a paciência?


A Monja Jetsunma Tenzin Palmo, fala nesse vídeo sobre a paciência. E como devemos agradecer aos que fazem o "papel de maus" neste mundo, pois eles nos fazem aprender a desenvolver essa qualidade espiritual, sem a qual não podemos atingir a iluminação.



quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Buda e o Ego




Trecho do filme "O pequeno Buda" onde podemos ver dois momentos decisivos na vida de Siddhartha. 

O primeiro através da confrontação de Siddhartha com seu Ego que irá resultar no movimento de Anatta (pali) ou Anatman (sânscrito), que seria a negação da existência de uma essência pessoal imutável e independente, o não-eu. 

E o segundo momento onde através desse movimento de negação do Ego, Siddhartha alcançará a sua própria iluminação, através de sua visão de verdade sobre a vida.


sábado, 26 de fevereiro de 2011

OM MANI PÄDME HUM ॐ mantra de 6 sílabas do Bodisatva¹


Om fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino dos deuses. O sofrimento do reino dos deuses surge da previsão da própria queda do reino dos deuses (isto é, de morrerem e renascerem em reinos inferiores). Este sofrimento vem do orgulho.

Ma fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino dos deuses guerreiros (sânsc. asuras). O sofrimento dos asuras é a briga constante. Este sofrimento vem da inveja.

Ni fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino humano. O sofrimento dos humanos é o nascimento, a doença, a velhice e a morte. Este sofrimento vem do desejo.

Pad fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino animal. O sofrimento dos animais é o da estupidez, da rapina de um sobre o outro, de ser morto pelos homens para obterem carne, peles, etc; e de ser morto pelas feras por dever. Este sofrimento vem da ignorância.

Me fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino dos fantasmas famintos (sânsc. pretas). O sofrimento dos fantasmas famintos é o da fome e o da sede. Este sofrimento vem da ganância.

Hum fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino do inferno. O sofrimento dos infernos é o calor e o frio. Este sofrimento vem da raiva ou do ódio.



Om mani padme hum ¹ é um dos mantras do budismo; o mantra de seis sílabas do Bodisatva da compaixão: Avalokiteshvara. De origem indiana, de lá foi para o Tibete. O mantra é associado ao deus de 4 braços Shadakshari, uma das formas de Avalokiteshvara.

O Dalai Lama é tido como uma emanação de Chenrezig (Avalokiteshvara), por isso o mantra é especialmente entoado por seus devotos e é comumente esculpido em rochas e escrito em papéis que são inseridos em rodas de oração ("mani korlo" em tibetano) para potencializar seu efeito.

É o mantra mais entoado pelos budistas tibetanos.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

The religion of the future | A religião do futuro

The religion of the future will be a cosmic religion. It should transcend personal God and avoid dogma and theology. Covering both the natural and the spiritual, it should be based on a religious sense arising from the experience of all things natural and spiritual as a meaningful unity. Buddhism answers this description. If there is any religion that could cope with modern scientific needs it would be Buddhism.

A religião do futuro será uma religião cósmica. Deve transcender um Deus pessoal e evitar os dogmas e as teologias. Abrangendo ambos, o natural e o espiritual, ela deve estar baseada num senso religioso que surja da experiência de todas as coisas, naturais e espirituais, e uma unidade que tenha significância. O Budismo preenche essa descrição. Se houver alguma religião que esteja à altura das necessidades científicas modernas, essa religião é o Budismo.

~Albert Einstein

p.s.: This is it because at this time yet Einstein did not know about Umbanda, today I'm sure he knows.
         Isto é porque neste momento Einstein ainda não conhecia a Umbanda, hoje eu sei que ele conhece.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O Mahavatar Babaji, por Yogananda

Yogananda referiu-se ao Babaji como um 'Mahavatar', uma grande encarnação divina, e como o 'imortal Babaji'. Afirmou que, junto com o Cristo, Babaji está preparando o terreno para levar a humanidade a um novo estágio de consciência...

Revisão da História por Haidakhan Baba

"Yogananda referiu-se ao Babaji como um 'Mahavatar', uma grande encarnação divina, e como o 'imortal Babaji'. Afirmou que, junto com o Cristo, Babaji está preparando o terreno para levar a humanidade a um novo estágio de consciência.

O nome Babaji é um termo genérico de respeito usado quando nos referimos a mestres e professores espirituais. Desde tempos imemoriais, Babaji, como avatar de Shiva, tem sido uma figura familiar no mundo do Himalaia, ainda que seja conhecido por incontáveis nomes e títulos, tanto na literatura clássica quanto na 'tradição oral 3'. Manifestando-se em diferentes locais, sob vários disfarces, ainda assim sabe-se que ele é o mesmo Ser divino.

Babaji é geralmente conhecido como um ayonisambhava ou ser espiritual que não nasceu de uma mulher nem morre de morte física. Como um swayambhu, ou aquele que manifestou a si próprio, além de conservar a memória de todas as suas manifestações físicas anteriores e tendo todo o conhecimento, sua visão se estende além do tempo e do espaço, até mesmo além da origem da criação.

O 'Shiva Purana 35' contém um diálogo entre Brahma e Shiva que implica na existência de um princípio divino que encarna na forma humana através das eras:
"No vigésimo oitavo aeon, durante a dvapara yuga (a era que se segue à satya yoga ou idade da verdade), na época de Dvaypayana Vyasa, nascerá Krishna, o maior de todos os purushas (seres imortais)... então eu, Shiva, também nascerei pela minha ilusão provocada por ioga e surgirei no corpo de um brahmacharin (um adepto ascético, religioso), com a alma de um iogue, para grande espanto de todos. Buscarei um corpo que esteja deixado próximo a uma pira de cremação, nele entrarei pelas minhas artes da ioga e o libertarei de todos os males... Entrarei na caverna sagrada do Monte Meru e lá morarei com Brahma e com Vishnu... Enquanto a terra existir, esta encarnação e o centro do siddha (mestre) sagrado serão amplamente reconhecidos... (é) a encarnação do atman (do 'eu') universal como Yogeshwara (o rei dos Iogues), que realiza grandes feitos através dos aeons para o cumprimento do dhariiza."

Através das eras, têm sido feitas muitas tentativas de se entender, até certo ponto, este misterioso Ser ou, pelo menos, de se definir alguns de seus atributos.

...Através das eras, têm sido feitas muitas tentativas de se entender, até certo ponto, este misterioso Ser ou, pelo menos, de se definir alguns de seus atributos.  Ocasionalmente o Babaji aludiu a existências anteriores no Japão, no Nepal e no Tibete, há milhares de anos. Logo após sua reaparição em 1970, um santo clarividente do norte da índia, chamado Gangotri Baba e também conhecido como Swami Akhandananda, confirmou que Babaji foi reverenciado como 'Lama Baba' no Tibete, quinhentos anos antes e que muitos santos conhecidos estiveram entre seus discípulos, inclusive a família real tibetana e o Dalai Lama, que tem sido seu discípulo por muitas encarnações...Ocasionalmente o Babaji aludiu a existências anteriores no Japão, no Nepal e no Tibete, há milhares de anos. Logo após sua reaparição em 1970, um santo clarividente do norte da índia, chamado Gangotri Baba e também conhecido como Swami Akhandananda, confirmou que Babaji foi reverenciado como 'Lama Baba' no Tibete, quinhentos anos antes e que muitos santos conhecidos estiveram entre seus discípulos, inclusive a família real tibetana e o Dalai Lama, que tem sido seu discípulo por muitas encarnações.

Desde a virada do século dezenove Babaji tem sido venerado na região do Himalaia sob as identidades de Brahmachari Baba, Somvari Baba e Naga Baba, todos eles santos famosos do norte da Índia, e existem inúmeras histórias, passadas pelas tradições orais em particular, que contam muitos milagres. A identificação do Babaji com estes santos tem sido confirmada em parte por visões de seus discípulos, em parte ele mesmo confirmou verbalmente.

Ao redor do ano 1800, o Babaji apareceu como uma luz brilhante no topo do Kumaon Kailash. Ela foi vista por alguns habitantes dos vilarejos em varias ocasiões e, em cada uma delas, a luz desapareceu depois de um certo tempo. Em determinada ocasião, as pessoas decidiram subir até o local e rezar para o misterioso ser divino vir e revelar-se. Isto aconteceu. Um cintilante orbe de luz, um avadhut, começou a brilhar diante do grupo reunido e então, a partir do seu centro, emergiu uma criatura maravilhosa, com as feições de um jovem de mais ou menos vinte anos de idade.

Os moradores exaltaram a manifestação divina com cantos e preces e então, cheios de espanto e de humildade, rogaram que descesse com eles e ficasse em seu povoado. O ser radiante morou por algum tempo na casa do guarda florestal do local, Shri Dham Singh, que, antes de ir trabalhar, todos os dias trancava o quarto. Um dia, alguns moradores do local quiseram ver o avadhut; arrebentaram a fechadura e encontraram vazio o aposento. Dez anos se passaram sem que se encontrasse nenhum traço do misterioso ser.

Baba Haidakhan, como se tornou popularmente conhecido, com o nome do vilarejo, foi visto em muitos lugares diferentes nos anos seguintes e muitos contaram a respeito dos milagres que ele tinha realizado e da força do seu amor. Finalmente, em agosto de 1922, ele foi, com alguns de seus devotos, à confluência dos rios Kali e Gauri, na fronteira ao norte entre Índia e Nepal e, entrando nas águas, desmaterializou-se em luz enquanto os devotos contemplavam.

Ele se foi; entretanto, não se foi. Baba Haidakhan foi visto depois por muitas pessoas em diferentes lugares. Apareceu a seus devotos mais próximos em sonhos, visões ou em sua forma física em contato direto e lhes deu ajuda e bênçãos em períodos de dificuldade. Ele também não foi embora sem antes fazer uma promessa a seus devotos – a promessa de que retornaria.

Em junho de 1970, fiel a esta promessa, o Babaji manifestou-se novamente como Baba Haidakhan e foi encontrado na caverna no sopé do monte Kailash por um homem de um vilarejo próximo, a quem tinha sido dito em sonho que o avatar tinha voltado e que o homem fosse encontrá-lo naquele lugar. Este encontro marca o início do trabalho do Babaji, desempenhado pela primeira vez, falando relativamente, diante de uma grande multidão."

Referências:

sábado, 10 de abril de 2010

Amar ao próximo, respeitar sua fé e proteger a natureza




Seguindo os ricos ensinamentos do Dalai-Lama podemos aprender muito. Através da compreensão e respeito à individualidade e livre arbítrio de cada ser; da aceitação e diálogo inter-religioso, da tolerância e desenvolvimento sustentável, temos o poder de transformar o mundo! Este é o verdadeiro segredo que deve ser divulgado e propagado pelas pessoas de boa fé e guerreiros da luz.

Seguir o que é bom, abandonar o que não presta, ou não serve mais, este é o desafio da religiosidade na Era do Conhecimento e da Informação. O crescimento espiritual depende da expansão da percepção. Desprograme-se e leia os três ensinamentos do Lama que transcrevo a seguir. São fáceis de colocar em prática, encerram grande sabedoria e tem real poder de mudar as pessoas. Saravá, namastê!

"Hoje, enfrentamos muitos problemas. Alguns criados por nós em conseqüência de diferenças ideológicas, religiosas, raciais, econômicas. Entretanto, chegou o momento de pensarmos em um nível mais profundo, em nível humano, e a partir daí apreciar e respeitar essa mesma condição nos outros seres humanos. Devemos construir relacionamentos mais próximos, de confiança mútua, compreensão e ajuda. Todos queremos a felicidade e evitar o sofrimento. Todos temos o mesmo direito de ser felizes, e aí reside a nossa igualdade fundamental. Não é necessário seguir filosofias complicadas. Nosso próprio cérebro, nosso próprio coração é o nosso templo. A filosofia é a bondade."

"O cultivo do amor e da compaixão é a verdadeira essência de todas as crenças. O importante é que em sua vida diária você pratique as coisas essenciais e, nesse nível, quase não existe diferença entre budismo, cristianismo, judaísmo, islamismo ou qualquer outra fé. Todas elas focalizam o desenvolvimento, o aperfeiçoamento dos seres humanos, o sentimento de fraternidade e de solidariedade. Nesse sentido, as diferenças entre as religiões não são de maneira alguma essenciais."

"A humanidade é uma só e este pequeno planeta é nossa única casa. Se temos de proteger esta casa, cada um de nós precisa experienciar um sentimento vivo de altruísmo universal. Nosso planeta foi abençoado com vastos tesouros naturais. Se os usarmos adequadamente, todo ser humano poderá usufruir de uma vida rica e de bem-estar."

HHDL - Fonte: http://www.dalailama.org.br/ / imagens: Google Images

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Ecologia e sustentabilidade, também são lemas do Dalai Lama

THE DALAI LAMA - A POLICY OF KINDNESS

"A paz e a vida na Terra estão ameaçadas por atividades humanas não compromissadas com valores humanitários. A destruição da natureza e seus recursos é resultado da ignorância, da cobiça e da falta de respeito pelos seres vivos, incluindo nossos próprios descendentes. As gerações futuras herdarão um planeta extremamente degradado, caso a paz mundial não se efetive e a destruição da natureza continue nesse ritmo. Nossos ancestrais viam a Terra como rica e generosa, o que ela realmente é. Muita gente no passado também via a natureza como inexaurivelmente sustentável. Está comprovado que caso cuidemos bem da Terra, ela pode ser efetivamente uma fonte inesgotável de recursos.

Não é difícil perdoar a destruição causada à Terra no passado, fruto da ignorância. Hoje, contudo, temos fácil acesso a todo o tipo de informação e é essencial que examinemos eticamente o que herdamos, quais são nossas responsabilidades e o que passaremos para as gerações vindouras. Muitas dessas gerações poderão não conhecer habitats, animais, plantas, insetos e microorganismos da Terra. Temos a capacidade e a obrigação de agir e devemos fazê-lo antes que seja tarde demais. O mesmo cuidado que temos em cultivar relações pacíficas com nossos semelhantes, deve ser estendido ao meio ambiente.

E não apenas por uma questão moral ou ética, mas pela nossa própria sobrevivência. Para a geração presente e para as futuras, o meio ambiente é fundamental. Se o explorarmos exaustivamente, podemos receber algum benefício hoje, mas, a longo prazo, sofreremos as conseqüências. Quando o meio ambiente se altera, as condições climáticas também se alteram e, por conseguinte, nossa saúde está sendo muito afetada. Repetindo, a conservação não é meramente uma questão moral, mas sim da nossa própria sobrevivência.

Portanto, para conseguirmos proteção e conservação ambiental mais eficazes, é essencial que o ser humano desenvolva um equilíbrio interno. O desconhecimento em relação à importância da preservação do meio ambiente causou graves danos à humanidade. Precisamos agora ajudar as pessoas a compreenderem a necessidade urgente da proteção ambiental para a nossa sobrevivência. Se você quer ser egoísta, então seja sábio e não mesquinho em seu egoísmo. A chave está no nosso senso de responsabilidade universal.

Essa é a verdadeira fonte de luz, a verdadeira fonte de felicidade. Se esgotarmos tudo o que estiver disponível na Natureza, como árvores, água e sais minerais, e não fizermos um planejamento adequado para as próximas gerações, para o futuro, certamente estaremos em falta. Entretanto, se tivermos um verdadeiro senso de responsabilidade universal como força motriz, nossa relação com o meio ambiente e com nossos vizinhos serão bem mais equilibradas.

Por último, a decisão de salvar o meio ambiente deve brotar do coração do homem. Clamemos a todos para que desenvolvam um senso de responsabilidade universal fundamentado no amor, na compaixão e na clareza de consciência."

S.S. o Dalai Lama.

Fonte: Texto traduzido de: http://hhdl.dharmakara.net/hhdlspeech.html
Original: THE DALAI LAMA, A POLICY OF KINDNESS: An Anthology of Writings By and About the Dalai Lama by H.H. the Dalai Lama, comp. & ed. by Sidney Piburn, Fore. by Sen. Claiborne Pell.
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

As Quatro Nobres Verdades & O Nobre Caminho Óctuplo

Siddhartha Gautama, 

O Buda, 

O Iluminado, nasceu onde hoje é o Nepal. Ele viveu e propagou seus ensinamentos na região nordeste do subcontinente Indiano, alcançando a Iluminação suprema e ascendendo em corpo e alma aos Céus ao alcançar o estado de Nirvana, aproximadamente no ano 400a.C.

Ao contrário do pensamento comum, o Budismo não é uma religião, pois não existe um Deus criador, não existem dogmas e nem proselitismo, porém também não seria correto denominá-la apenas como uma filosofia, pois aborda muito mais do que uma mera absorção intelectual. O Budismo não tem uma definição, tendo aquela que qualquer praticante lhe queira atribuir, contudo poderemos denominá-la de caminho de crescimento espiritual, através dos ensinamentos dos Buddhas.

Os ensinamentos básicos do Budismo são: evitar o mal, fazer o bem e cultivar a própria mente. O objetivo é o fim do ciclo de sofrimento, samsara, despertando no praticante o entendimento da realidade última - o Nirvana.

Buda expôs as Quatro Nobres Verdades no Dhammacakkapavattana Sutta (Samyutta Nikaya LVI.11) da seguinte forma:

A primeira nobre verdade: "(...) esta é a nobre verdade do sofrimento: nascimento é sofrimento, envelhecimento é sofrimento, enfermidade é sofrimento, morte é sofrimento; tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero são sofrimento; a união com aquilo que é desprazeroso é sofrimento; a separação daquilo que é prazeroso é sofrimento; não obter o que queremos é sofrimento; em resumo, os cinco agregados influenciados pelo apego são sofrimento.(...)"

A segunda nobre verdade: "(...) esta é a nobre verdade da origem do sofrimento: é este desejo que conduz a uma renovada existência, acompanhado pela cobiça e pelo prazer, buscando o prazer aqui e ali; isto é, o desejo pelos prazeres sensuais, o desejo por ser/existir, o desejo por não ser/existir.(...)"

A terceira nobre verdade: "(...) esta é a nobre verdade da cessação do sofrimento: é o desaparecimento e cessação, sem deixar vestígios, daquele mesmo desejo, o abandono e renúncia a ele, a libertação dele, a independência dele.(...)"

A quarta nobre verdade: "(...) esta é a nobre verdade do caminho que conduz à cessação do sofrimento: é este Nobre Caminho Óctuplo: entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, meditação correta, concentração correta.(...)"

Tem sido sugerido que a forma de exposição da doutrina das "Quatro Nobres Verdades" segue um padrão que se assemelha ao do diagnóstico de uma doença: depois de ter apontado as origens do mal, o Buda mostrou um remédio que leva à cessação desse mal. Esse "remédio" é conhecido como o "Nobre Caminho Óctuplo", em sânscrito: Astingika-Marga. Consiste, de acordo com o Magga-vibhanga Sutta (Samyutta Nikaya XLV.8), em:

Visão ou Entendimento correto: "(...)E o que é o entendimento correto? Compreensão do sofrimento, compreensão da origem do sofrimento, compreensão da cessação do sofrimento, compreensão do caminho da prática que conduz à cessação do sofrimento. A isto se chama entendimento correto.(...)"

Intenção ou Pensamento correto: "(...)E o que é pensamento correto? O pensamento de renúncia, o pensamento de não má vontade, o pensamento de não crueldade. A isto se chama pensamento correto.(...)"

Palavra ou Linguagem correta: "(...)E o que é a linguagem correta? Abster-se da linguagem mentirosa, da linguagem maliciosa, da linguagem grosseira e da linguagem frívola. A isto se chama linguagem correta.(...)"

Atividade ou Ação correta: "(...)E o que é ação correta? Abster-se de destruir a vida, abster-se de tomar aquilo que não for dado, abster-se da conduta sexual imprópria. A isto se chama de ação correta.(...)"

Modo de vida correto: "(...)E o que é modo de vida correto? Aqui um nobre discípulo, tendo abandonado o modo de vida incorreto, obtém o seu sustento através do modo de vida correto. A isto se chama modo de vida correto.(...)"

Esforço correto: "(...)E o que é esforço correto? Aqui, bhikkhus (monges budistas), um bhikkhu gera desejo para que não surjam estados ruins e prejudiciais que ainda não surgiram e ele se aplica, estimula a sua energia, empenha a sua mente e se esforça. Ele gera desejo em abandonar estados ruins e prejudiciais que já surgiram e ele se aplica, estimula a sua energia, empenha a sua mente e se esforça. Ele gera desejo para que surjam estados benéficos que ainda não surgiram e ele se aplica, estimula a sua energia, empenha a sua mente e se esforça. Ele gera desejo para a continuidade, o não desaparecimento, o fortalecimento, o incremento e a realização através do desenvolvimento de estados benéficos que já surgiram e ele se aplica, estimula a sua energia, empenha a sua mente e se esforça. A isto se denomina esforço correto.(...)"

Atenção correta: "(...)E o que é atenção plena correta? Aqui, bhikkhus, um bhikkhu permanece focado no corpo como um corpo - ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo. Ele permanece focado nas sensações como sensações – ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo. Ele permanece focado na mente como mente - ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo. Ele permanece focado nos objetos mentais como objetos mentais - ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo. A isto se denomina atenção plena correta.(...)"

Concentração correta: "(...)E o que é concentração correta? Aqui, bhikkhus, um bhikkhu afastado dos prazeres sensuais, afastado das qualidades não hábeis, entra e permanece no primeiro jhana, que é caracterizado pelo pensamento aplicado e sustentado, com o êxtase e felicidade nascidos do afastamento. Abandonando o pensamento aplicado e sustentado, um bhikkhu entra e permanece no segundo jhana, que é caracterizado pela segurança interna e perfeita unicidade da mente, sem o pensamento aplicado e sustentado, com o êxtase e felicidade nascidos da concentração. Abandonando o êxtase, um bhikkhu entra e permanece no terceiro jhana que é caracterizado pela felicidade sem o êxtase, acompanhada pela atenção plena, plena consciência e equanimidade, acerca do qual os nobres declaram: ‘Ele permanece numa estada feliz, equânime e plenamente atento.’ Com o completo desaparecimento da felicidade, um bhikkhu entra e permanece no quarto jhana, que possui nem felicidade nem sofrimento, com a atenção plena e a equanimidade purificadas. A isto se denomina concentração correta..."

Namastê! नमस्ते
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Imagem: Estatueta de Buda no Templo Mahabodhi, Gaya Boddh, Bihar - foto: Ilya Mauter - fonte: wikipédia/wikimwdia commons

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