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domingo, 1 de maio de 2022

As Leis Básicas da Teosofia

A Teosofia impõe-se a todo o espírito investigador porque não tendo dogmas, mas sim verdades cientificas perfeitamente demonstráveis, ela desvenda um magnífico cenário formado pelos mundos, levando o homem de uma condição inferior, à contemplação do grande espetáculo da vida universal divina.  Duas leis servem-lhe de base: a lei do ritmo ou da periodicidade, segundo a qual, a planta, o animal, o homem, os universos, sucedem-se ora criados, ora destruídos, tudo observando a ciclos de atividade e de repouso alternados, perfeitamente definidos. É uma lei universal, da qual a reencarnação humana é simples corolário.  A segunda lei fundamental, já citada, é a casualidade, segundo a qual todo fenômeno, todo acontecimento, não surge isoladamente, mas é o efeito de uma causa anterior, e, causa de um efeito posterior. A lei de causa e efeito é também universal.  Há em todo o universo uma continuidade, uma sequência de ações e reações que se sucedem indefinidamente. Não há o domínio do acaso, como não há o domínio do arbítrio divino; há apenas o império da lei divina, expressão de uma Providência que não distribui a graça cegamente. Tudo acontece em obediência a uma lei de amor e harmonia.

A Teosofia impõe-se a todo o espírito investigador porque não tendo dogmas, mas sim verdades cientificas perfeitamente demonstráveis, ela desvenda um magnífico cenário formado pelos mundos, levando o homem de uma condição inferior, à contemplação do grande espetáculo da vida universal divina.

Duas leis servem-lhe de base: a lei do ritmo ou da periodicidade, segundo a qual, a planta, o animal, o homem, os universos, sucedem-se ora criados, ora destruídos, tudo observando a ciclos de atividade e de repouso alternados, perfeitamente definidos. É uma lei universal, da qual a reencarnação humana é simples corolário.

A segunda lei fundamental, já citada, é a casualidade, segundo a qual todo fenômeno, todo acontecimento, não surge isoladamente, mas é o efeito de uma causa anterior, e, causa de um efeito posterior. A lei de causa e efeito é também universal.

Há em todo o universo uma continuidade, uma sequência de ações e reações que se sucedem indefinidamente. Não há o domínio do acaso, como não há o domínio do arbítrio divino; há apenas o império da lei divina, expressão de uma Providência que não distribui a graça cegamente. Tudo acontece em obediência a uma lei de amor e harmonia.

Para terminar, vamos citar este precioso trecho de Max Muller, o mais completo orientalista que estudou a índia:

"Certas doutrinas são comuns a Buda e a Kapila, fundador da filosofia SANKHTA, assim como a todas as filosofias hindús, sem exceção. O dogma da metempsicose (reencarnação), a crença de que os efeitos de nossas boas ou más ações não terminam com a vida em que essas ações são feitas (KARMA), mas se transmitem à toda série de existências ulteriores; certa maneira de encarar a vida considerando-a quer como um sonho, ou pesado fardo; finalmente; a convicção que todas as observâncias religiosas tornam-se inúteis para quem já atingiu a inteligência suprema, tudo isso pertence ao que se pode chamar a filosofia nacional da India. Encontramos essas ideias por toda parte, entre os hindús, na sua poesia, nos seus sistemas filosóficos e religiosos. Elas não são apenas apanágio exclusivo de nenhuma escola, de nenhum sistema particular."

Eis aí a Teosofia. As verdades teosóficas estão em todos os credos religiosos da antiguidade; porque são o substrato e a base de todas as filosofias do mundo.

 

E. Nicoll (1933), adaptação e revisão R. Stresser, Jr (2022)



sábado, 23 de abril de 2022

O homem superior e o homem inferior


Contam que Epiteto, o 'escravo filósofo', recebeu a visita de um orador afamado que foi a Roma, aprender filosofia com o célebre estoico.

Epiteto recebeu o visitante com frieza, sem querer acreditar na sua sinceridade. "O senhor quer apenas criticar o meu estilo, mas realmente nenhum interesse tem em aprender princípios - disse o filósofo.

— E de que me servem esses princípios, se só com eles nunca passarei da triste circunstância em que te encontro, sem dinheiro e sem bens?

— Nada disso me faz falta - respondeu Epiteto - e entretanto o senhor é mais pobre do que eu. Não ambiciono o poder que o senhor tanto anseia. Pouco se me dá o que César pense de mim; não lisonjeio ninguém, e é nisso que constitui a minha riqueza. O senhor tem baixelas de prata, porém razões, princípios e apetites de barro. O meu espírito vale para mim um reino, e proporciona-me abundante e feliz ocupação, em vez de sua inquieta ociosidade. Toda a sua fortuna ainda lhe parece pouca, a minha me basta. O seu desejo é insaciável, o meu está satisfeito".

O homem puro, de sentimentos nobres, é uma alma isenta de paixões e ambições. Trabalha como todos trabalham, mas sem ambição. O seu exemplo vale mais que a sua palavra porque "quem vive bem, calado prega".

O homem que atingiu a essa perfeição resolveu o problema da felicidade, e, no maior infortúnio, é como Sócrates, feliz è invejado. O problema da

felicidade tem a sua única solução no íntimo da alma, na saciedade dos apetites baixos, na serenidade diante do inevitável.

Disse um pensador que "quando chegamos ao fim dos nossos desejos temos chegado ao principio da paz." Mas, para isso, indispensável é aprender a discernir o permanente do transitório, o contingente do necessário, o falso do verdadeiro. Quanta coisa fica, e quão pouco levamos com a morte?

Buda, o Senhor do Oriente, diz que a vida do homem está cheia de sofrimento. "O homem sé esforça por atingir o que não possui, e sofre quando não o consegue, ou teme perder o que já conseguiu. O homem sofre porque perde aqueles que ama; sofre porque deseja a afeição que lhe não é retribuída. Sofre com o temor da morte, ou por si ou por aqueles a quem ama. Assim a vida humana é mais ou menos cheia de preocupações e sofrimentos."

Buda, analisando a causa do sofrimento, conclui que o desejo inferior, a torpe ambição, produz todas as dores humanas.

Se um homem não deseja nem riquezas nem glórias, permanece sereno e impassível quer essas coisas lhe alcancem ou quer venha a perdê-las. Quantas vezes, na velhice, o homem lamenta a perda das faculdades físicas?!... No entanto, soubesse ele distinguir a alma, que jamais se altera, da matéria perecível, nada teria a sofrer quando o seu veiculo terrestre se enfraquece e gasta.

E, a única maneira de fazer cessar o sofrimento é compreender a vida, afastando-se dos desejos inferiores.

Buda explica como, fixando o pensamento no que há de mais elevado, aprendendo a dominar a natureza inferior, o homem deixa de sofrer e se torna calmo e sereno.

A maioria da humanidade, cativa dos objetos dos sentidos, fascinada pelo gozo material e pelo ouro, não pode ter outro ideal senão a matéria.

O homem vulgar procura apenas alimentar o corpo, mas não sabe qual é o alimento para a alma. E a época de sofrimento e perturbação, que hoje atravessamos, devemos à espessa crosta de materialidade que envolve o homem e toda a humanidade.


E. Nicoll (1933)



sexta-feira, 29 de novembro de 2019

O budismo e o sexo

Flores silvestres de Primavera (Foto: Ronald Stresser)

Ensinamentos budistas sobre o sexo

por Randy Rosenthal
(transcrição do blog yoga-ensinamentos, postado por Iaco)

"Certa ocasião, Buddha estava vivendo perto de Sumsumaragiri. Ali, seus seguidores leigos Nakulapita e sua esposa, Nakulamata, lhe perguntaram como poderiam estar juntos em vidas futuras. 

Buddha respondeu, “Se marido e mulher querem estar juntos enquanto durar esta vida e também  na vida futura, devem ter a mesma fé, a mesma disciplina moral, a mesma generosidade, a mesma sabedoria”.

A tradição budista que pratico – ensinada por S. N. Goenka – é uma tradição de famílias, com muitos professores sendo casados e tendo filhos. Fazemos um voto de celibato enquanto frequentamos um curso de meditação, mas na vida secular somos encorajados a seguir os cinco preceitos, e o terceiro deles é abster-se de má conduta sexual.

Na época de Buddha, má conduta sexual era “ir à esposa de outro homem.” Abster-se de má conduta sexual é um comportamento esperado de todo budista. Para frequentar um curso de vinte dias de duração na tradição Vipássana, a pessoa deve estar numa relação monogâmica por pelo menos um ano ou em celibato por pelo menos um ano (e isso também inclui a masturbação).

A ideia é que, à medida que se desenvolve o desapego, o desejo diminui e o sexo é abandonado, mesmo dentro do casamento. Como a monja Bhadda Kapilani, esposa de Mahakassapa, discípulo de Buddha, escreve: “Antes éramos marido e mulher, mas vendo o perigo no mundo, removemos nossas compulsões e nos tornamos livres”.

Certa vez Magandiya, um pai de família, ofereceu sua bela filha para ser esposa de Buddha. Em resposta, Buddha perguntou, “O que eu iria querer com esta pessoa, cheia de urina e excremento? Eu não iria querer tocá-la nem com meu pé”. Afinal, após seu despertar espiritual,  ele tinha visto as filhas de Mara – o descontentamento, o desejo e a paixão – não mais despertarem em si, então por que ele teria algum desejo pela filha de Magandiya?

Logicamente, muitos dos ensinamentos de Buddha são dirigidos especificamente a monges. Então como ficamos nós que não pretendemos nos fazer ordenar monges? Quando Buddha condena a atividade sexual, não está declarando, “Não deveis.” Mas sim declarando que o relacionamento sexual leva ao sofrimento.

A questão deve ser decidida pela disposição pessoal e o grau em que queremos remover o sofrimento de nossas vidas. Como pessoa comum que sou, que não está tentando ser iluminado nesta vida, aceito ter uma certa quantidade de sofrimento que resulta da atividade sexual natural e sem abusos.

Os monges celibatários, por outro lado, têm decidido que querem livrar-se inteiramente do sofrimento. Buddha nos desafia a examinar o que estamos buscando. O que está claro é que permanecer conscientes da natureza impermanente de nossos corpos nos levará cada vez mais próximos da iluminação."

terça-feira, 24 de julho de 2018

Os obstáculos da vida servem à nossa evolução


"Sem este mundo não podemos atingir a iluminação. Não haveria jornada. Então, em um certo sentido, todas as coisas ocorrendo ao redor do mundo, todas as irritações e todos os problemas, são cruciais. 

Em outras palavras, poderíamos dizer que se não houver ruído lá fora durante nossa prática sentada, não podemos desenvolver o estado desperto. Se não tivermos coceiras e dores em nosso corpo, não poderemos atingir o estado desperto; não poderemos realmente meditar. 

Se tudo fosse “perfeitinho”, não haveria nada com o que trabalhar. Sem os outros e os desafios que eles apresentam, não teríamos chance alguma para nos desenvolvermos além do ego. 

Então, a ideia aqui é sentir gratidão pelo fato de que os outros estão nos apresentando tremendos obstáculos. Sem eles, não poderíamos seguir o caminho de forma alguma."

Chögyam Trungpa (1939-1987)*
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*Trungpa Rinpoché foi um mestre de meditação da linhagem do Budismo Tibetano. Aos treze meses, foi reconhecido como a décima primeira reencarnação da linhagem dos Trungpa tulku. - Imagem: Buddhism Monk Enlightenment Buddhist Meditation/Max Pixel (CC0)


quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Ensinamento Budista: "A Onda"

O ensinamento budista sobre o movimento inconstante da mente condicionada – seus altos e baixos de apegos e aversões traduzidos em pensamentos, palavras e atos egoístas – é frequentemente comparado a ondas em um oceano...


Ensinamento Budista: "A Onda"

Essa brilhante metáfora é muito mais significativa do que podemos perceber.

"Poucas pessoas sabem que o fenômeno das ondas constantes que surgem a beira-mar ocorre (em geral) por pura transferência da energia dos ventos, absorvida pela superfície fluida do oceano.

O volume das suas águas, na verdade, nunca se movimenta com as ondas; é apenas a energia que navega as vastas distancias, transferindo seu movimento de um ponto a outro por meio da física dos fluidos até despejar sua força acumulada contra a barreira da costa terrestre.

Quando belas ondas se quebram na praia, elas não se compõem de volumes de água que viajaram centenas ou milhares de quilômetros para morrer ali. O que estoura em força nas areias é a energia em movimento que atinge a porção de água já próxima da terra.

Da mesma forma, as ondulações de emoções na mente -- estes altos e baixos de expectativas, lembranças e anseios que nos tornam tão insatisfeitos -- são apenas o resultado do acúmulo de ondas de energia criadas pelas paixões egoístas a explodir em frustração nas margens da consciência, à medida que inexoravelmente se chocam com as realidades relativas da existência.

É a mente condicionada – a energia tensionada de um "eu" encouraçado – que se move. A mente verdadeira permanece una. Toda inconstância em nossas mentes, portanto, não passa de uma ilusão de concretude dos nossos problemas.

Não é o mundo que nos frustra; é a nossa mente obscurecida que se deixa enganar.

Este jorro de energia distorcida pode ser feito de muitas coisas: ciúmes, medos, rancores, vaidades, orgulhos, e tantos mais. Todos são frutos dos três venenos da mente: o ódio, a delusão e a avidez.

Como a água do oceano, a natureza essencial de nossa mente não se perturba pelas distorções em sua superfície. Ela está além da mera identidade pessoal, é incondicional e plena. Ela permanece constante, una, serena.

Quando deixamos de criar a energia da ignorância egoísta em nossa consciência, as ondas de insatisfação não terão mais condições de nos levar de roldão através do teatro humano de ilusões e desesperos.

Não se esqueça deste belo ensinamento: como as ondas do oceano são pura energia dos ventos, as ondas de nossa mente são mera energia do egoísmo.

Pratique meios saudáveis para reconhecer, compreender, transformar e curar as raízes das suas ignorâncias.

A paz não se busca fora de nós mesmos. Ela já se encontra em nossa verdadeira natureza, aguardando para ser redescoberta quando nossa consciência finalmente despertar de seu sono inconstante, e estabelecer a plena harmonia.

Para isso, precisamos dissipar as energias insalubres de nossas mentes. Acalmar o movimento angustiante das ondas de frustração em nossa percepção.

Além das tormentas do desconhecimento de si mesmo, a dádiva da liberdade espera.

Pratique uma vida contemplativa. Aprenda a despertar para a verdadeira substância de sua natureza.

Acalme sua mente, e seja feliz."
Monge Kōmyō, fevereiro de 2015



Recomendado para você: livros sobre a filosofia budista...



quarta-feira, 22 de novembro de 2017

O pequeno livro do Budismo ॐ Dalai-Lama

Sua Santidade o Dalai-Lama: Palavras de Sabedoria

“Somos os criadores de nossa própria felicidade e de nosso sofrimento, pois todas as coisas têm origem na mente. Sendo assim, precisamos assumir a responsabilidade por tudo aquilo de bom ou de ruim que experimentamos. Este livro contém a essência do budismo e oferece conselhos para a pratica da sabedoria em nossas vidas diárias nas palavras de Sua Santidade, o Dalai-Lama.

Seus pensamentos inspiradores ajudam a melhorar nosso estado de espírito e a descobrir uma profunda paz interior.”
Renuka Singh, a Editora
خ

Seus pensamentos inspiradores ajudam a melhorar nosso estado de espírito e a descobrir uma profunda paz interior“Minha esperança é que você, leitor, se sensibilizar com o que está escrito aqui, vai procurar sem compromisso em seu dia a dia e, movido pela noção de responsabilidade pelos outros, fará o possível para ajudá-los. Mesmo com pequenos gestos. De acordo com seus próprios recursos e reconhecendo as limitações de suas circunstâncias, você fará o que puder. E se em alguns dias suas ações forem mais compassivas do que em outros, aceite este fato como normal”.
Sua Santidade, o Dalai-Lama ©
خ

“A essência de toda vida espiritual é a emoção que existe dentro de você, é sua atitude para com os outros. Se a sua motivação é pura e sincera, todo o resto vem por si. Você pode desenvolver essa atitude correta para com seus semelhantes baseando-se na bondade, no amor, no respeito e sobretudo na clara percepção da singularidade de cada ser humano.”
خ

“O poder de cura do espírito segue naturalmente o caminho do espírito. Não reside entre as paredes dos prédios luxuosos, nem no ouro que cobre as imagens, nem na seda com que se modelam as roupas, nem mesmo no papel dos documentos sagrados, mas vive na inefável substância da mente e no coração dos homens. Devemos sublimar os instintos de nosso coração e purificar nossos pensamentos.”

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“Se a pessoa tem uma base espiritual estável, não se deixará dominar pela sedução da tecnologia ou pela insanidade que é o desejo desenfreado de adquirir bens materiais. Essa pessoa saberá encontrar o equilíbrio sem querer demais e sabendo valorizar o que já tem. O perigo constante é abrir a porta para a ganância, um de nossos inimigos mais incansáveis. É ai que se deve por em prática o verdadeiro trabalho da mente.”
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“Quando conseguirmos criar um ambiente espiritual através de rituais e obediência a certas regras, estes procedimentos tem um poderoso efeito sobre nossas vidas. Se nos falta a dimensão interior necessária para a desejada experiência espiritual, então os ritos tornam-se meras formalidades, artifícios externos. Perdem o sentido e transformam-se em hábitos dispensáveis, servindo apenas como passatempo.”
خ

“Como um aprendiz espiritual, você deve estar preparado para enfrentar as dificuldades que estão associadas a toda busca espiritual genuína e estar determinado a persistir em seus esforços e sua vontade. Você deve tentar prever os obstáculos que forçosamente encontrará ao longo do caminho e compreender que a chave para a prática bem-sucedida é nunca abandonar sua determinação.”
خ

“As pessoas deveriam praticar a espiritualidade com a mesma motivação da criança que está absorta brincando. Ela está tão encantada e envolvida com o que está fazendo que nunca fica satisfeita ou cansada. Essa deve ser sua atitude mental quando estiver praticando o darma.”
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“O beneficio mais importante da paciência consiste em sua ação como um antídoto poderoso ao mal da raiva, a maior ameaça a nossa paz interior e, conseqüentemente, à nossa felicidade. A paciência é o melhor de que dispomos para nos defendermos inteiramente dos efeitos destrutivos da raiva. Pense bem: a riqueza não protege ninguém da raiva. Nem a educação por mais talentosa e inteligente que a pessoa seja. A lei, muito menos, pode ser de qualquer ajuda. E a fama é inútil. Só a proteção interior do autocontrole paciente evita que experimentemos o tumulto das emoções e pensamentos negativos.”
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“A mente pode e deve transformar-se para melhor. Pode livrar-se das impurezas que a contaminam e levar-se ao nível mais elevado. Todos começamos com as mesmas aptidões, mas algumas pessoas as desenvolvem, outras não. Nós nos acostumamos com facilidade à preguiça da mente, sobretudo porque muitas vezes esta preguiça se esconde sob a aparência de atividade: corremos de um lado para outro, fazemos cálculos e damos telefonemas. No entanto, tudo isso ocupa apenas os níveis mais toscos e elementares da mente. E oculta o que existe de essencial em nós.”
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“A culpa é um sentimento incompatível com nosso pensamento, pois acreditamos que somos parte de uma ação, mas não somos inteiramente responsáveis por ela. Somos apenas parte do fator que contribuiu para a ação. Entretanto, em alguns casos, devemos sentir arrependimento, deliberadamente assumir responsabilidades, lamentar o ocorrido e nunca cometer aquele erro outra vez.”
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“Nossas vidas são condicionadas pelo karma e são caracterizadas por sucessivos ciclos de problemas. Um problema começa, termina e logo tem início um outro problema.”
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“Karma é uma palavra sânscrita que significa “ação”. Designa uma força ativa, significando que o resultado dos acontecimentos futuros pode ser influenciado por nossas ações. Supor que karma é uma espécie de energia independente que predestina o curso de toda a nossa vida é incorreto. Quem cria o karma? Nós mesmos. O que pensamos, dizemos, fazemos, desejamos e omitimos cria o karma. Não podemos, portanto, sacudir os ombros sempre que nos defrontamos com o sofrimento inevitável. Dizer que todo o infortúnio é mero resultado do karma equivale a dizer que somos totalmente impotentes diante da vida. Se isso fosse verdade, não haveria motivo para ter qualquer esperança”.
خ

Ori! Saravá o povo do Oriente!
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Bibliografia:

Somos os criadores de nossa própria felicidade e de nosso sofrimento, pois todas as coisas têm origem na mente. Sendo assim, precisamos assumir a responsabilidade por tudo aquilo de bom ou de ruim que experimentamos. Este livro contém a essência do budismo e oferece conselhos para a pratica da sabedoria em nossas vidas diárias nas palavras de Sua Santidade, o Dalai-lama.  Seus pensamentos inspiradores ajudam a melhorar nosso estado de espírito e a descobrir uma profunda paz interior.” Renuka Singh, a Editora
Palavras de Sabedoria, Por Dalai-Lama

Este pequeno livro contém ensinamentos essenciais sobre o budismo, e foi escrito pelo Dalai-Lama, um dos maiores líderes espirituais de nosso tempo.

Estas lições associam a sabedoria antiga à compreensão dos problemas da vida moderna e nos estimulam a refletir sobre a importância do amor, da compaixão e da necessidade da responsabilidade individual. 

Compre agora por um preço que cabe no seu bolso!

Copyright © Sua Santidade, o Dalai-Lama 1999.
Copyright da tradução © Sua Santidade o Dalai-Lama 2001
Todos os direitos reservados, no Brasil, por Editora Sextante (GMT Editores Ltda.)

domingo, 2 de abril de 2017

Os 8 versos que Transformam a Mente


Também conhecido como Lojong – Os 8 Versos para o Treinamento da Mente

Sua Santidade o Dalai Lama deu ensinamentos sobre os 8 versos em maio de 2006, em São Paulo. Sua Santidade diz:

“Este texto foi composto por Geshe Langri Tangpa (1054-1123), um bodisatva bastante incomum. Eu próprio o leio todos os dias, tendo recebido a transmissão do comentário de Kyabje Trijang Rinpoche.” 

Leia abaixo ou leia o texto com comentários no site Dalai Lama Brasil. Leia mais sobre algumas formas de meditação budista. 

1. Com a determinação de alcançar
O bem supremo em benefício de todos os seres sencientes,
Mais preciosos do que uma jóia mágica que realiza desejos,
Vou aprender a prezá-los e estimá-los no mais alto grau.

2. Sempre que estiver na companhia de outras pessoas, vou aprender
A pensar em minha pessoa como a mais insignificante dentre elas,
E, com todo respeito, considerá-las supremas,
Do fundo do meu coração.

3. Em todos os meus atos, vou aprender a examinar a minha mente
E, sempre que surgir uma emoção negativa,
Pondo em risco a mim mesmo e aos outros,
Vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.

4. Vou prezar os seres que têm natureza perversa
E aqueles sobre os quais pesam fortes negatividades e sofrimentos,
Como se eu tivesse encontrado um tesouro precioso,
Muito difícil de achar.

5. Quando os outros, por inveja, maltratarem a minha pessoa,
Ou a insultarem e caluniarem,
Vou aprender a aceitar a derrota,
E a eles oferecer a vitória.

6. Quando alguém a quem ajudei com grande esperança
Magoar ou ferir a minha pessoa, mesmo sem motivo,
Vou aprender a ver essa outra pessoa
Como um excelente guia espiritual.

7. Em suma, vou aprender a oferecer a todos, sem exceção,
Toda a ajuda e felicidade, por meios diretos e indiretos,
E a tomar sobre mim, em sigilo,
Todos os males e sofrimentos daqueles que foram minhas mães.

8. Vou aprender a manter estas práticas
Isentas das máculas das oito preocupações mundanas,
E, ao compreender todos os fenômenos como ilusórios,
Serei libertado da escravidão do apego.

As 8 preocupações mundanas são:

1. Querer ser elogiado – 2. Não querer ser criticado
3. Querer prazer- 4. Não querer dor
5. Querer ganhar – 6. Não querer perder
7. Querer ser reconhecido – 8. Não querer ser ignorado

domingo, 17 de abril de 2016

25 Lições de Vida de Buda


“Se pudéssemos ver o milagre de uma única flor claramente, toda a nossa vida mudaria.” ~ Buda
Há tantas lições bonitas, poderosas e de mudança de vida que se aprende ao estudar o Budismo e da leitura de muitas das citações de Buda. E hoje vamos compartilhar 25 destas belas lições.
Aqui estão 25 Lições de Buda:

1. O amor cura todas as coisas.
“O ódio não cessa pelo ódio, mas somente pelo amor; esta é a regra eterna.”

2. Não é o que diz, mas o que faz que o define.
“Um homem sábio não é chamado porque ele fala e fala de novo; mas se ele é calmo, amoroso e destemido, então ele é na verdade chamado sábio.”

“Um cão não é considerado um bom cão porque ladra bem. Um homem não é considerado um bom homem, porque é um bom conversador.”
3. O segredo da boa saúde é viver plenamente no agora.
“Não resida no passado, não sonha do futuro, concentra a mente no momento presente.”

“O segredo da saúde para a mente e o corpo não é lamentar o passado, nem se preocupar com o futuro, mas viver o momento presente sabiamente e seriamente.”
4. Quem olha para dentro desperta.
“A maneira não está no céu. A maneira está no coração.”

5. As palavras têm o poder de ferir e curar.
“As palavras têm o poder de destruir e curar. Quando as palavras são verdadeiras e amáveis, podem mudar o nosso mundo.”

6. Deixe-o ir e ele será seu para sempre.
“Você só perde ao que se agarrar.”

7. Ninguém pode caminhar o seu caminho por si.
“Ninguém nos salva sem ser a nós próprios. Ninguém pode e ninguém pode. Nós mesmos devemos trilhar o caminho.”

8. A felicidade nunca diminui sendo partilhada.
“Milhares de velas podem ser iluminadas de uma única vela, e a vida da vela não será encurtada. A felicidade nunca diminui sendo partilhada.”

9. Seja gentil com todos.
“Ser atencioso para com os jovens, ter compaixão pelos idosos, simpático com o esforço quem faz por isso e tolerante com os fracos. Em algum momento da sua vida, terá sido tudo isso.”

“Tenha compaixão por todos os seres, ricos e pobres; cada um tem o seu sofrimento. Alguns sofrem demais, outros muito pouco.”
“Ensine esta verdade tripla a tudo: Um coração generoso, um discurso amável, e uma vida de serviço e compaixão são as coisas que renovam a humanidade.”
10. Não acredite em tudo que é dito para acreditar.
“Não acredite em algo simplesmente porque já ouviu isso. Não acredite em algo simplesmente porque é falado e rumores por muitos. Não acredite em algo simplesmente porque é achado escrito em livros religiosos. Não acredite em qualquer coisa meramente na autoridade dos seus professores e anciãos. Não acredite em tradições porque foram proferidas por muitas gerações. Mas depois de observação e análise, quando achar que qualquer coisa concorda com a razão e é propício para o bom e benefício de todos e cada um, em seguida, aceitá-lo e viver de acordo com ele.”

11. Como pensas, assim serás.
“Tudo o que somos é o resultado do que nós pensamos: é fundada sobre os nossos pensamentos e composta de nossos pensamentos. Se um homem fala ou age com um pensamento maldoso, o sofrimento segue-o como a roda segue o casco do animal que atrai a carroça …. Se um homem fala ou age com um pensamento bom, felicidade o segue como uma sombra que nunca o abandonara.”

12. Deixe de lado o medo.
“Todo o segredo da existência é não ter medo. Nunca tema o que vai ser de si, dependa de ninguém. Apenas no momento em que rejeita toda a ajuda é que está livre.”

13. A verdade tem uma maneira de surgir sempre.
“Três coisas não podem escondidas por muito tempo: o sol, a lua, e a verdade.”

14. Controle a sua mente ou ele vai controlá-lo.
“Para gozar de boa saúde, para trazer a verdadeira felicidade para a família, para trazer a paz a todos, é preciso, antes de tudo de disciplinar e controlar a própria mente. Se um homem pode controlar a sua mente, ele pode encontrar o caminho para a iluminação, e toda a sabedoria e virtude virão naturalmente para ele.”

“É a própria mente de um homem, não seu inimigo ou inimigo, que atrai-lo para maus caminhos.”
15. Dúvida separa. Confiança une.
“Não há nada mais terrível do que o hábito de dúvida. Dúvida separa as pessoas. É um veneno que desintegra amizades e rompe relações agradáveis. É um espinho que irrita e dói; é uma espada que mata.”

16. Ninguém é mais merecedor do seu amor do que a sua própria pessoa.
“Pode procurar em todo o universo inteiro por alguém que é mais merecedor de seu amor e carinho do que a sua própria pessoa, e essa pessoa não é para ser encontrada em qualquer lugar. Você, você mesmo, tanto quanto qualquer um em todo o universo, merece o seu amor e carinho.”

17. Conhecer os outros é sabedoria, conhecer-se a si mesmo é iluminação.
“É melhor para conquistar a si mesmo do que ganhar mil batalhas. Em seguida, a vitória é sua. Ela não pode ser tirado de si, nem por anjos ou por demónios, céu ou inferno.”

18. A espiritualidade não é um luxo, é uma necessidade.
“Assim como uma vela não pode queimar sem fogo, os homens não podem viver sem uma vida espiritual.”

19. Substituir o ciúme pela admiração.
“Não seja ciumento de boas qualidades dos outros, mas por admiração, podes adotar essas qualidades para ti mesmo.”

20. Olhe para a paz dentro de si mesmo.
“A paz vem de dentro. Não a procures no exterior.”

21. Abandonar o apego.
“Para viver uma vida altruísta pura, é preciso não contabilizar nada para nós mesmo, ainda que estejamos no meio da abundância.”

22. Escolha seus amigos sabiamente.
“Um amigo desonesto e mau é mais temível que um animal selvagem; uma fera pode ferir o seu corpo, mas um mau amigo irá ferir a sua mente.”

23. Não há um caminho certo para a felicidade.
“Não há caminho para a felicidade: a felicidade é o caminho.”

24. Desista de viver com rótulos ou atribuí-los. 
“No céu, não há distinção de leste e oeste; pessoas criam distinções fora das suas próprias mentes e acreditam-nas então para ser verdade.”

25. Ame. Viva. Solte.
“No final, essas coisas são mais importantes: Quão bem amou? Quão completo viveu a vida? Quão profundamente deixou ir o que não faz falta?”

Fonte: https://portaldobudismo.org/2015/05/18/25-licoes-de-vida-de-buda/ (reprodução Pt-BR)
Imagem: Pexels (Foto para reuso gratuito)




terça-feira, 5 de agosto de 2014

Karma e Dharma


"Quando os indivíduos são confrontados com situações difíceis em suas vidas, nada é menos útil do que tentar racionalizar com eles a causa de sua dor com base em possíveis eventos que podem ter suas raízes ancoradas em uma situação de vida anterior. Este tipo de introspecção, longe de trazer alívio e cura, pode causar os aspectos negativos da raiva, ressentimento e negação, e pode facilmente intensificar a quantidade de dor de sua vida.

O Karma e Dharma, ao mesmo tempo a causa e a finalidade dos acontecimentos em nossas vidas, deve ser estudada com cuidado, e sempre com um estado estável da mente, quando a capacidade de analisar e compreender não são prejudicados pela dor e menor emoções. Eles são conceitos poderosos que podem trazer luz em situações e como eles tecem-se no tecido de nossas vidas.

Uma das melhores influências da sabedoria oriental para nossas mentes ocidentais é a noção de Karma como uma cadeia de eventos passados, pessoas e circunstâncias que ainda estão presentes em nossas vidas como desafios a serem enfrentados e superados.

A palavra Karma é agora uma palavra vernácula incorporado em todas as línguas e cultura da nossa civilização ocidental, mesmo para aqueles que não necessariamente aceitar o conceito como realidade filosófica do processo de pensamento oriental.

Esta visão unidimensional aceita o conceito como um jogo simplificado de proporções matemáticas, quando na verdade é muito mais do que simples adição e subtração: é um integrante complicado, com um conjunto de causas que interagem uns com os outros holograficamente, gerando um efeito.

O completo entendimento deste conceito é difícil, porque da forma como é atualmente divulgado como um conceito autônomo. Quando foi originalmente ensinado, Karma foi explicado em contexto com outros conceitos importantes, como os seus homólogos Dharma e Samshara.

Para o aluno iniciante, Dharma pode facilmente vir a ser um conceito muito mais complexo do Karma. Seu significado original pode ser considerado algo como conduta correta, finalidade, evolução, ensino, retidão moral, a espiritualidade e o propósito divino. Mas ainda depois de todas estas definições, o conceito de Dharma não é facilmente definível, porque todas as traduções são incompletas e parciais em suas descrições significativas.

Como principal complementar a noção de Karma, Dharma pode ser bem definido como uma tendência ou linha de conduta que temos de incorporar em nossas vidas como resultado do alinhamento com o nosso Karma, a direção, ou o caminho que devemos trilhar durante esta vida.

Na verdade, o nosso Karma é composto por muitos conflitos diferentes, procedimentos diversos e circunstâncias resultantes de alguma harmônica e algumas ações desarmônicas de nosso caminho reencarnatório. A tangente resultante desses vários pontos ações para uma determinada direção ou curso que está alinhado com a Ordem Universal Divina e nossas vidas. Este é Dharma.

O cristianismo diz respeito ao Dharma como o "plano divino de nossas vidas". No entanto, para alcançar o Dharma em nossas vidas, precisamos primeiro navegar nas águas tormentosas do Karma até que não haja mais a dissonância e o nosso mundo interno está alinhado com o nosso mundo exterior. Quando este alinhamento é conseguido, não há mais uma diferença entre o nosso Karma e nosso Dharma. Quanto mais trabalhamos no sentido de uma transmutação do Karma, mais manifestamos o nosso propósito Dharma na vida. Quando a força completa da alma se torna desperta na forma física, Karma e Dharma equilíbrio e se tornam a mesma coisa.

Mesmo nos momentos mais dolorosos de nossas vidas, estamos trabalhando simultaneamente o nosso Karma e Dharma nosso, porque, em última análise o nosso Dharma é todo o propósito que veio a se desdobrar nesta vida.

A compreensão desses dois conceitos complementares é a pedra angular para a construção de uma base sólida de conhecimento, o que facilitará a duradoura de situações difíceis em nossas existências. Ambos os agregados desconhecidos e invisíveis forças casuais, que tendem a moldar nosso destino, alterando a ação de escolha de ação, por opção, a visão geral de nossas vidas, tanto através agradável e menos de experiências agradáveis. Dor e sofrimento parece manifestar um efeito Dhármico, bem como o sistema de Karma ( causa e efeito) compensador.

Através do sofrimento humano estão as duras lições ou reorientação diretiva que semeia as sementes da tolerância, empatia, compaixão e paciência."


Fonte: humanityhealing.net | http://on.fb.me/1qRC9hs

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

As Quatro Nobres Verdades & O Nobre Caminho Óctuplo

Siddhartha Gautama, 

O Buda, 

O Iluminado, nasceu onde hoje é o Nepal. Ele viveu e propagou seus ensinamentos na região nordeste do subcontinente Indiano, alcançando a Iluminação suprema e ascendendo em corpo e alma aos Céus ao alcançar o estado de Nirvana, aproximadamente no ano 400a.C.

Ao contrário do pensamento comum, o Budismo não é uma religião, pois não existe um Deus criador, não existem dogmas e nem proselitismo, porém também não seria correto denominá-la apenas como uma filosofia, pois aborda muito mais do que uma mera absorção intelectual. O Budismo não tem uma definição, tendo aquela que qualquer praticante lhe queira atribuir, contudo poderemos denominá-la de caminho de crescimento espiritual, através dos ensinamentos dos Buddhas.

Os ensinamentos básicos do Budismo são: evitar o mal, fazer o bem e cultivar a própria mente. O objetivo é o fim do ciclo de sofrimento, samsara, despertando no praticante o entendimento da realidade última - o Nirvana.

Buda expôs as Quatro Nobres Verdades no Dhammacakkapavattana Sutta (Samyutta Nikaya LVI.11) da seguinte forma:

A primeira nobre verdade: "(...) esta é a nobre verdade do sofrimento: nascimento é sofrimento, envelhecimento é sofrimento, enfermidade é sofrimento, morte é sofrimento; tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero são sofrimento; a união com aquilo que é desprazeroso é sofrimento; a separação daquilo que é prazeroso é sofrimento; não obter o que queremos é sofrimento; em resumo, os cinco agregados influenciados pelo apego são sofrimento.(...)"

A segunda nobre verdade: "(...) esta é a nobre verdade da origem do sofrimento: é este desejo que conduz a uma renovada existência, acompanhado pela cobiça e pelo prazer, buscando o prazer aqui e ali; isto é, o desejo pelos prazeres sensuais, o desejo por ser/existir, o desejo por não ser/existir.(...)"

A terceira nobre verdade: "(...) esta é a nobre verdade da cessação do sofrimento: é o desaparecimento e cessação, sem deixar vestígios, daquele mesmo desejo, o abandono e renúncia a ele, a libertação dele, a independência dele.(...)"

A quarta nobre verdade: "(...) esta é a nobre verdade do caminho que conduz à cessação do sofrimento: é este Nobre Caminho Óctuplo: entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, meditação correta, concentração correta.(...)"

Tem sido sugerido que a forma de exposição da doutrina das "Quatro Nobres Verdades" segue um padrão que se assemelha ao do diagnóstico de uma doença: depois de ter apontado as origens do mal, o Buda mostrou um remédio que leva à cessação desse mal. Esse "remédio" é conhecido como o "Nobre Caminho Óctuplo", em sânscrito: Astingika-Marga. Consiste, de acordo com o Magga-vibhanga Sutta (Samyutta Nikaya XLV.8), em:

Visão ou Entendimento correto: "(...)E o que é o entendimento correto? Compreensão do sofrimento, compreensão da origem do sofrimento, compreensão da cessação do sofrimento, compreensão do caminho da prática que conduz à cessação do sofrimento. A isto se chama entendimento correto.(...)"

Intenção ou Pensamento correto: "(...)E o que é pensamento correto? O pensamento de renúncia, o pensamento de não má vontade, o pensamento de não crueldade. A isto se chama pensamento correto.(...)"

Palavra ou Linguagem correta: "(...)E o que é a linguagem correta? Abster-se da linguagem mentirosa, da linguagem maliciosa, da linguagem grosseira e da linguagem frívola. A isto se chama linguagem correta.(...)"

Atividade ou Ação correta: "(...)E o que é ação correta? Abster-se de destruir a vida, abster-se de tomar aquilo que não for dado, abster-se da conduta sexual imprópria. A isto se chama de ação correta.(...)"

Modo de vida correto: "(...)E o que é modo de vida correto? Aqui um nobre discípulo, tendo abandonado o modo de vida incorreto, obtém o seu sustento através do modo de vida correto. A isto se chama modo de vida correto.(...)"

Esforço correto: "(...)E o que é esforço correto? Aqui, bhikkhus (monges budistas), um bhikkhu gera desejo para que não surjam estados ruins e prejudiciais que ainda não surgiram e ele se aplica, estimula a sua energia, empenha a sua mente e se esforça. Ele gera desejo em abandonar estados ruins e prejudiciais que já surgiram e ele se aplica, estimula a sua energia, empenha a sua mente e se esforça. Ele gera desejo para que surjam estados benéficos que ainda não surgiram e ele se aplica, estimula a sua energia, empenha a sua mente e se esforça. Ele gera desejo para a continuidade, o não desaparecimento, o fortalecimento, o incremento e a realização através do desenvolvimento de estados benéficos que já surgiram e ele se aplica, estimula a sua energia, empenha a sua mente e se esforça. A isto se denomina esforço correto.(...)"

Atenção correta: "(...)E o que é atenção plena correta? Aqui, bhikkhus, um bhikkhu permanece focado no corpo como um corpo - ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo. Ele permanece focado nas sensações como sensações – ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo. Ele permanece focado na mente como mente - ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo. Ele permanece focado nos objetos mentais como objetos mentais - ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo. A isto se denomina atenção plena correta.(...)"

Concentração correta: "(...)E o que é concentração correta? Aqui, bhikkhus, um bhikkhu afastado dos prazeres sensuais, afastado das qualidades não hábeis, entra e permanece no primeiro jhana, que é caracterizado pelo pensamento aplicado e sustentado, com o êxtase e felicidade nascidos do afastamento. Abandonando o pensamento aplicado e sustentado, um bhikkhu entra e permanece no segundo jhana, que é caracterizado pela segurança interna e perfeita unicidade da mente, sem o pensamento aplicado e sustentado, com o êxtase e felicidade nascidos da concentração. Abandonando o êxtase, um bhikkhu entra e permanece no terceiro jhana que é caracterizado pela felicidade sem o êxtase, acompanhada pela atenção plena, plena consciência e equanimidade, acerca do qual os nobres declaram: ‘Ele permanece numa estada feliz, equânime e plenamente atento.’ Com o completo desaparecimento da felicidade, um bhikkhu entra e permanece no quarto jhana, que possui nem felicidade nem sofrimento, com a atenção plena e a equanimidade purificadas. A isto se denomina concentração correta..."

Namastê! नमस्ते
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Imagem: Estatueta de Buda no Templo Mahabodhi, Gaya Boddh, Bihar - foto: Ilya Mauter - fonte: wikipédia/wikimwdia commons

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