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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Filosofia :: Buda e Cristo



"Buda e Cristo, sentados lado a lado, conversam sutil e profundamente. Nem todos são capazes de os ver assim amigos. Eu os vi assim. Eu os vejo assim.

Buda e Cristo são simples e bondosos, de mantos longos e gestos suaves, voz macia e segura, guiam todos os seres para o caminho do bem, da verdade, da salvação, da liberdade responsável.

Buda e Cristo falam por analogias e metáforas, compreendem os seres, amam incondicionalmente e através da sabedoria e compaixão superiores procuram conduzir as pessoas à verdadeira felicidade.

Buda e Cristo não se opõem, nem se completam.
Cada um é o que é, perfeito e completo como é.

Buda e Cristo representam culturas diferentes, etnias diferentes, ensinamentos que não se limitam a linguagem de uma época, mas que passam pelos milênios de geração a geração.
Buda e Cristo vivem agora.

Com mantos rasgados ou com mantos de seda, em carros blindados ou pelas calçadas. Vivem em cada momento que nossos pensamentos são sábios e ternos. Vivem em cada gesto de cooperação, compartilhamento, cuidado.

Vivem em cada palavra de amor e compaixão, de respeito e bondade. O Buda histórico viveu na Índia seis séculos antes de Jesus. Nos textos clássicos não mecionou a vinda de um Messias. Mas disse dos inúmeros seres iluminados que viram, vieram, vêm e virão. Indo, indo, tendo ido e tendo chegado.

O ponto de chegada é sempre o ponto de partida e não há nem ir e vir. Buda vive agora cada uma de suas seguidoras de seus seguidores verdadeiros.

Onde vive Cristo agora?
Cristo ressuscita. Buda Renasce. Cada ser que desperta para a verdade e o caminho e vive em coerência com os ensinamentos sagrados é manifestação do sagrado.
Como nos tornarmos Buda vivo? Como manifestar Cristo em nossas vidas?
Será que são a mesma pergunta ou não?
Definitivamente depende de qual grupo budista ou qual grupo cristão a que estejamos ligados.
Uns dirão que sim.
Outros dirão que não.


Será que Cristo e Buda discutem esse assunto ou se perguntam como minimizar o sofrimento do mundo? Um Buda, um ser iluminado, surge no mundo para salvar todos os seres? Por que Jesus surgiu no mundo? Para salvar todos os seres? E do que os seres devem ser salvos? Quem são os seres a serem salvos? Todos nós desde o passado e o futuro distantes até este momento presente, tão difícil de chegar? Do que nos libertamos? Despertamos e ao despertar todos os seres despertam.

Libertamo-nos das amarras da ignorância que nos separam da integridade da vida, da unidade da existência, dessa teia de inter-relacionamentos que chamamos existência. E todos os seres assim conosco se libertam.
Não somos mais o Ser.
Agora somos o Inter-Ser.

As instituições que se formaram, os "ismos" que se criaram, budismo, cristianismo, representam os ensinamentos, mantêm e preservam a tradição de seus fundadores originais?
Quantas e quantas ordens.
Quantas e quantas interpretações.
Quantas e quantas mentes.

E como um fio dourado a verdade vai passando e chega àquelas e àqueles que em pureza penetram a fonte pura e cristalina da verdade. Buda e Jesus pregam um mundo de seres livres e ao mesmo tempo responsáveis - co-responsáveis pela realidade em que estamos. Buda e Jesus pregam um mundo de amor, compartilhamento, ternura, cuidado.

Santos, Sábios, sagrados, seres puros, visionários, revolucionários, transformadores de realidade e de mentes, filhos do sagrado. Mas, não somos todos filhos e filhas da sagrada vida em eterna transformação?

O Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, um dos textos sagrados do budismo de grande veículo diz que há tantos budas quanto grãos de areia no Ganges.

Se cada grão de areia for outro rio Ganges e se cada grão de areia de todos esses rios formarem outros rios, a quantia de grãos de areia de todos esses rios seria a quantidade de budas no mundo. Infinitos. Cada ser que desperta para a verdade e vive a não-dualidade, pleno de compreensão superior e compaixão ilimitada (amor incondicional) é Buda.

E quantos Cristos há no mundo? Quem carrega a sua cruz? Quem se entrega e salva? Quem dá a outra face? Quem não vive em rancor e ódio? Quem vive hoje o amor?
Buda e Jesus.
Entendimento e respeito.
Com ternura se cumprimentam e sorriem ao nos ver passar
Mãos em prece."

Monja Coen

Monja Coen é missionária e primaz fundadora da comunidade zen-budista do Brasil

Fonte: Revista Grandes Religiões 1, Cristianismo da História viva.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Karma e Dharma


"Quando os indivíduos são confrontados com situações difíceis em suas vidas, nada é menos útil do que tentar racionalizar com eles a causa de sua dor com base em possíveis eventos que podem ter suas raízes ancoradas em uma situação de vida anterior. Este tipo de introspecção, longe de trazer alívio e cura, pode causar os aspectos negativos da raiva, ressentimento e negação, e pode facilmente intensificar a quantidade de dor de sua vida.

O Karma e Dharma, ao mesmo tempo a causa e a finalidade dos acontecimentos em nossas vidas, deve ser estudada com cuidado, e sempre com um estado estável da mente, quando a capacidade de analisar e compreender não são prejudicados pela dor e menor emoções. Eles são conceitos poderosos que podem trazer luz em situações e como eles tecem-se no tecido de nossas vidas.

Uma das melhores influências da sabedoria oriental para nossas mentes ocidentais é a noção de Karma como uma cadeia de eventos passados, pessoas e circunstâncias que ainda estão presentes em nossas vidas como desafios a serem enfrentados e superados.

A palavra Karma é agora uma palavra vernácula incorporado em todas as línguas e cultura da nossa civilização ocidental, mesmo para aqueles que não necessariamente aceitar o conceito como realidade filosófica do processo de pensamento oriental.

Esta visão unidimensional aceita o conceito como um jogo simplificado de proporções matemáticas, quando na verdade é muito mais do que simples adição e subtração: é um integrante complicado, com um conjunto de causas que interagem uns com os outros holograficamente, gerando um efeito.

O completo entendimento deste conceito é difícil, porque da forma como é atualmente divulgado como um conceito autônomo. Quando foi originalmente ensinado, Karma foi explicado em contexto com outros conceitos importantes, como os seus homólogos Dharma e Samshara.

Para o aluno iniciante, Dharma pode facilmente vir a ser um conceito muito mais complexo do Karma. Seu significado original pode ser considerado algo como conduta correta, finalidade, evolução, ensino, retidão moral, a espiritualidade e o propósito divino. Mas ainda depois de todas estas definições, o conceito de Dharma não é facilmente definível, porque todas as traduções são incompletas e parciais em suas descrições significativas.

Como principal complementar a noção de Karma, Dharma pode ser bem definido como uma tendência ou linha de conduta que temos de incorporar em nossas vidas como resultado do alinhamento com o nosso Karma, a direção, ou o caminho que devemos trilhar durante esta vida.

Na verdade, o nosso Karma é composto por muitos conflitos diferentes, procedimentos diversos e circunstâncias resultantes de alguma harmônica e algumas ações desarmônicas de nosso caminho reencarnatório. A tangente resultante desses vários pontos ações para uma determinada direção ou curso que está alinhado com a Ordem Universal Divina e nossas vidas. Este é Dharma.

O cristianismo diz respeito ao Dharma como o "plano divino de nossas vidas". No entanto, para alcançar o Dharma em nossas vidas, precisamos primeiro navegar nas águas tormentosas do Karma até que não haja mais a dissonância e o nosso mundo interno está alinhado com o nosso mundo exterior. Quando este alinhamento é conseguido, não há mais uma diferença entre o nosso Karma e nosso Dharma. Quanto mais trabalhamos no sentido de uma transmutação do Karma, mais manifestamos o nosso propósito Dharma na vida. Quando a força completa da alma se torna desperta na forma física, Karma e Dharma equilíbrio e se tornam a mesma coisa.

Mesmo nos momentos mais dolorosos de nossas vidas, estamos trabalhando simultaneamente o nosso Karma e Dharma nosso, porque, em última análise o nosso Dharma é todo o propósito que veio a se desdobrar nesta vida.

A compreensão desses dois conceitos complementares é a pedra angular para a construção de uma base sólida de conhecimento, o que facilitará a duradoura de situações difíceis em nossas existências. Ambos os agregados desconhecidos e invisíveis forças casuais, que tendem a moldar nosso destino, alterando a ação de escolha de ação, por opção, a visão geral de nossas vidas, tanto através agradável e menos de experiências agradáveis. Dor e sofrimento parece manifestar um efeito Dhármico, bem como o sistema de Karma ( causa e efeito) compensador.

Através do sofrimento humano estão as duras lições ou reorientação diretiva que semeia as sementes da tolerância, empatia, compaixão e paciência."


Fonte: humanityhealing.net | http://on.fb.me/1qRC9hs

sábado, 25 de julho de 2009

No quê acreditar?

"Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o."

Buda

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