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quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Emmanuel: 'A Vida e Nós'


"Criando as criaturas para a glória da vida, na condição de Espíritos eternos, destinados a lhe herdarem as qualidades divinas, o Criador criou.

Um reino — o Universo.

Uma organização comunitária — os mundos da vastidão cósmica.

Um lar — a Natureza.

Uma família — a Humanidade universal.

Um ambiente — a paz.

Um envoltório — a matéria.

Um sistema de controle — a afinidade com a gravitação.

Uma religião — o amor.

Uma lei — a justiça.

Um tribunal — a consciência.

Uma doutrina de compensação — a cada um por suas obras.

Uma riqueza igual para todos — o tempo.

Uma força — o bem.

Um princípio — a liberdade.

Um direito — o apoio ao dever cumprido.

Uma regra para o dever — a disciplina.

Um regime para as criaturas — o equilíbrio.

Uma ordem — o progresso.

Uma tabela de responsabilidade — o conhecimento em vários graus.

Um metro — a lógica.

Um código de trânsito espiritual — a fraternidade com o respeito mútuo.

Uma escola — a reencarnação.

Um processo de aprendizagem — a experiência.

Uma instituição crediária — o serviço ao próximo.

Um instrumento para cada criatura — o trabalho.

Uma oficina — o burilamento.

Um objetivo — a perfeição.

À face de semelhantes realidades todos os atritos, conflitos, provações, aflições, dificuldades e embaraços são criações nossas na Criação de Deus e que, tão só na escola das vidas sucessivas com criteriosa aplicação dos tesouros do tempo, conseguiremos nós extinguir."


Chico Xavier e Emmanuel

(Anuário Espírita, 1969)


Fonte: "A Vida e Nós" (1), trecho do livro "Passos da Vida", por Francisco Cândido Xavier e Autores Espirituais diversos - Imagem: NASA - Telescópio Espacial Hubble - A nebulosa de Hélix, apelidada “Olho de Deus” (CC0)



sábado, 14 de março de 2020

André Luiz: "Apontamentos cristãos"


O Espírito André Luiz, autor da obra Nosso lar, escreveu uma mensagem intitulada "Apontamentos cristãos", e nos adverte:

"Não te encolerizes.

O punhal da nossa ira alcança-nos a própria saúde, impondo-nos o vírus da enfermidade.

Não critiques.

A lâmina de nossa reprovação volta-se, invariavelmente, contra nós, expondo-nos as próprias deficiências.

Não comentes o mal do próximo.

O lodo da maledicência vai se derramar sobre os nossos passos, enodoando-nos o caminho.

Não apedrejes.

Os calhaus da nossa violência de hoje tomarão amanhã, por alvo, a nossa própria cabeça.

Não desesperes.

O raio de nossa inconformação aniquilará a sementeira de nossos melhores sonhos.

Não perturbes.

O ruído de nossa dissensão irá desorientar nosso próprio raciocínio.

Não escarneças.

O fel de nosso sarcasmo azedará o vinho da alegria no vaso de nosso coração, envenenando-nos a existência.

Não escravizes.

As algemas do nosso egoísmo irá nos aprisionar no cárcere da loucura.

Não odeies.

A labareda de nosso ódio irá incendiar nosso próprio destino.

Não firas.

O golpe da nossa crueldade, brandido na direção dos outros, retornará a nós mesmos, inevitavelmente, fazendo chagas de dor e aflição no corpo de nossa vida.

*   *   *

A Lei de Causa e Efeito rege o Universo todo.

Tanto o mundo material como o espiritual estão sujeitos ao seu funcionamento perfeito e constante.

Sabendo disso, o homem inteligente descobre a possibilidade de gerar causas positivas, através de escolhas, de ações e de pensamentos.

Todas elas, inevitavelmente, irão gerar consequências ou efeitos, igualmente felizes.

O Universo, por ser bom em sua essência, possui esses mecanismos de incentivo ao bem, trazendo sempre uma porção de felicidade a quem semeia felicidade.

Por isso, possui mecanismos de alerta e correção. Quando um caminho infeliz é escolhido, reconduz, de outra forma, cada um de nós, à trilha mais segura e mais certa.

Aquele que descobre o quanto faz bem semear o amor, a fraternidade, dificilmente volta a escolher caminhos desacertados.

Aquele que consegue ouvir a voz da consciência a dizer: Muito bem! É este o caminho! Jamais esquece esta alegria, jamais se sente o mesmo.

Semear amor para colher felicidade. É esta a semeadura da nova era. Eis como a Lei de Causa e Efeito ajudará na conquista de nossa ventura maior.

Experimente isso em sua vida agora, e perceba os resultados valorosos imediatamente."

____
Fonte: Reprodução de redação do site Momento Espírita com base no cap. 34, do livro "Vozes do grande Além", por diversos Espíritos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb. (Em 12.04.2011) - Imagem: PH/Pxhere (Domínio Público com atribuição não requerida/CC0)

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

"A reencarnação de um político", por J. Raul Teixeira


O médium J. Raul Teixeira conta que certo dia ia a uma conferência numa cidade importante do Brasil, e ao dirigir-se para almoçar num restaurante, com os seus anfitriões, enquanto esperavam que o semáforo abrisse para atravessarem larga avenida, ele via uma mulher andrajosa ali ao lado, no caixote do lixo a procurar comida e a separar o lixo mais limpo do mais sujo. Tal cena causou-lhe tamanha impressão, que perdeu a vontade de almoçar, embora a necessidade de o fazer.

Enquanto tentava se recompor mentalmente, já no restaurante, pensando naquele ser que nada tinha, e ele ali num restaurante com os seus amigos, apareceu-lhe, através do fenômeno da vidência espiritual, um espírito amigo que o acompanha na sua tarefa doutrinária, que o acalmou, referindo que mesmo que fosse dar comida àquela senhora ela recusaria. 

E o Espírito, em breves pinceladas contou a história daquela mulher, que nesta vida era a reencarnação de um famoso político brasileiro, ainda hoje muito conceituado, e que por ter prejudicado tanto o povo, tinha reencarnado numa condição miserável, devido ao mecanismo do complexo de culpa que fez, após a morte do corpo de carne, no mundo espiritual (onde não conseguimos esconder nada, nem de nós, nem dos outros), voltando numa condição miserável para aprender a valorizar aquilo que ele tanto desprezara na vida anterior: as dificuldades financeiras do próximo.

Curiosamente, o nome desse famoso político estava afixado nesse local, dando nome à avenida, e essa mulher, por um mecanismo de fixação inconsciente, não largava aquele local onde outrora lhe prestaram grandes homenagens. Não era um castigo divino, mas sim uma decorrência da Lei de Causa e Efeito, onde cada um colhe de acordo com os seus atos, pensamentos e sentimentos.

"A SEMEADURA É LIVRE MAS A COLHEITA OBRIGATÓRIA"

"Devemos orar pelos políticos, pelos administradores da vida pública. A tentação do poder é muito grande. Eu não gostaria de estar no lugar de nenhum deles. A omissão de quem pode e não auxilia o povo é comparável a um crime que se pratica contra a comunidade inteira. Tenho visto muitos espíritos dos que foram homens públicos na Terra em lastimável situação na Vida Espiritual..."



terça-feira, 5 de agosto de 2014

Karma e Dharma


"Quando os indivíduos são confrontados com situações difíceis em suas vidas, nada é menos útil do que tentar racionalizar com eles a causa de sua dor com base em possíveis eventos que podem ter suas raízes ancoradas em uma situação de vida anterior. Este tipo de introspecção, longe de trazer alívio e cura, pode causar os aspectos negativos da raiva, ressentimento e negação, e pode facilmente intensificar a quantidade de dor de sua vida.

O Karma e Dharma, ao mesmo tempo a causa e a finalidade dos acontecimentos em nossas vidas, deve ser estudada com cuidado, e sempre com um estado estável da mente, quando a capacidade de analisar e compreender não são prejudicados pela dor e menor emoções. Eles são conceitos poderosos que podem trazer luz em situações e como eles tecem-se no tecido de nossas vidas.

Uma das melhores influências da sabedoria oriental para nossas mentes ocidentais é a noção de Karma como uma cadeia de eventos passados, pessoas e circunstâncias que ainda estão presentes em nossas vidas como desafios a serem enfrentados e superados.

A palavra Karma é agora uma palavra vernácula incorporado em todas as línguas e cultura da nossa civilização ocidental, mesmo para aqueles que não necessariamente aceitar o conceito como realidade filosófica do processo de pensamento oriental.

Esta visão unidimensional aceita o conceito como um jogo simplificado de proporções matemáticas, quando na verdade é muito mais do que simples adição e subtração: é um integrante complicado, com um conjunto de causas que interagem uns com os outros holograficamente, gerando um efeito.

O completo entendimento deste conceito é difícil, porque da forma como é atualmente divulgado como um conceito autônomo. Quando foi originalmente ensinado, Karma foi explicado em contexto com outros conceitos importantes, como os seus homólogos Dharma e Samshara.

Para o aluno iniciante, Dharma pode facilmente vir a ser um conceito muito mais complexo do Karma. Seu significado original pode ser considerado algo como conduta correta, finalidade, evolução, ensino, retidão moral, a espiritualidade e o propósito divino. Mas ainda depois de todas estas definições, o conceito de Dharma não é facilmente definível, porque todas as traduções são incompletas e parciais em suas descrições significativas.

Como principal complementar a noção de Karma, Dharma pode ser bem definido como uma tendência ou linha de conduta que temos de incorporar em nossas vidas como resultado do alinhamento com o nosso Karma, a direção, ou o caminho que devemos trilhar durante esta vida.

Na verdade, o nosso Karma é composto por muitos conflitos diferentes, procedimentos diversos e circunstâncias resultantes de alguma harmônica e algumas ações desarmônicas de nosso caminho reencarnatório. A tangente resultante desses vários pontos ações para uma determinada direção ou curso que está alinhado com a Ordem Universal Divina e nossas vidas. Este é Dharma.

O cristianismo diz respeito ao Dharma como o "plano divino de nossas vidas". No entanto, para alcançar o Dharma em nossas vidas, precisamos primeiro navegar nas águas tormentosas do Karma até que não haja mais a dissonância e o nosso mundo interno está alinhado com o nosso mundo exterior. Quando este alinhamento é conseguido, não há mais uma diferença entre o nosso Karma e nosso Dharma. Quanto mais trabalhamos no sentido de uma transmutação do Karma, mais manifestamos o nosso propósito Dharma na vida. Quando a força completa da alma se torna desperta na forma física, Karma e Dharma equilíbrio e se tornam a mesma coisa.

Mesmo nos momentos mais dolorosos de nossas vidas, estamos trabalhando simultaneamente o nosso Karma e Dharma nosso, porque, em última análise o nosso Dharma é todo o propósito que veio a se desdobrar nesta vida.

A compreensão desses dois conceitos complementares é a pedra angular para a construção de uma base sólida de conhecimento, o que facilitará a duradoura de situações difíceis em nossas existências. Ambos os agregados desconhecidos e invisíveis forças casuais, que tendem a moldar nosso destino, alterando a ação de escolha de ação, por opção, a visão geral de nossas vidas, tanto através agradável e menos de experiências agradáveis. Dor e sofrimento parece manifestar um efeito Dhármico, bem como o sistema de Karma ( causa e efeito) compensador.

Através do sofrimento humano estão as duras lições ou reorientação diretiva que semeia as sementes da tolerância, empatia, compaixão e paciência."


Fonte: humanityhealing.net | http://on.fb.me/1qRC9hs

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Bíblia confirma existência da Reencarnação

Por Laylla Toledo


"As escrituras deixam claro que o conceito de reencarnação era ensinado ao povo, apesar das diversas traduções terem deturpado os tentos.


Elias foi um dos profetas referidos no Velho Testamento que viveu no século IX a.C. Não há livro na Bíblia escrito por ele, mas existem referências a seu respeito em diversos autores como Terceiro Livro dos Reis (Cap. 17) e Quarto Livro dos Reis (Cap. 1), Juizes e Malaquias.

Ele viveu ao tempo do Rei Acab e da rainha Jezabel, com quem esteve em constante oposição, por causa do culto que era promovido ao deus pagão Baal.

É considerado servo intrépide do Javismo (termo que vem de Javé ou Jeová, Deus segundo os hebreus), apesar do excessivo rigor e das atrocidades que ele praticou. Dentre essas, destaca-se aquela que fez descer fogo do céu e queimar um capitão juntamente com seus cinqüenta comandados, quando este foi buscá-lo por ordem do rei Acab.

O mesmo fato se repetiu com uma segunda brigada (um capitão e mais os seus cinqüenta soldados), assim como a mortandade dos 450 sacerdotes de Baal, que os fez passar pelo fio da espada, junto ao ribeiro de Quison (3° Reis, 18:40). Tem-se no total um saldo de 552 mortos.

A volta do Profeta Elias foi prevista por Malaquias: “Eis que vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o dia grande e terrível do Senhor” (4:5).

A Vida de João Batista

João Batista era primo de Jesus, filho de Isabel e Zacarias. Levou uma vida muito austera. Abstendo-se de bens e prazeres, vivendo unicamente para o ministério do bem, convocando o povo ao arrependimento dos pecados e a se prepararem para receber o Redentor.

Chamado de “O Precursor”, vestia-se de peles e alimentava-se de mel e animais silvestres e verberava intimoratamente os atos de degradação humana, fosse em que nível fosse. Por esta razão, caiu na antipatia de Herodíades, acusada por ele pela sua união ilícita com o cunhado, o rei Herodes, irmão de Filipe (Marcos 6:17).

A Reencarnação na Bíblia


A identificação dos dois personagens como sendo o mesmo espírito está bem claro nas escrituras. O retorno de Elias foi anunciado pelo anjo Gabriel: “[...] o anjo disse-lhe: Não temas, Zacarias, porque foi ouvida a tua oração; e tua mulher Isabel te dará a luz um filho, e por-lhe-ás o nome de João. E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus; e irá adiante dele com o espírito e a virtude de Elias, a fim de reconduzir os corações dos pais para os filhos” (Lucas 1:13).

Outra passagem que assinala a identificação do profeta como sendo o próprio João Batista é quando os apóstolos Pedro, Tiago e João perguntaram a Jesus, após a Transfiguração, sobre a volta de Elias: “Por que, pois, os escribas dizem que é preciso que Elias venha antes? Mas Jesus lhes respondeu: é verdade que Elias deve vir e restabelecer todas as coisas; mas eu vos declaro que Elias já veio, e não o conheceram, mas trataram como lhes aprouve. É assim que eles farão sofrer o Filho do Homem. Então seus discípulos compreenderam que era de João Batista que lhes havia falado”. (Mateus 17:10)

Aqui se trata da reencarnação de Elias na figura de João, explicação esta vista pelos apóstolos com muita naturalidade, justamente por estarem familiarizados com a realidade da reencarnação e esta fazer parte de sua crença religiosa, o judaísmo.

As palavras de Jesus confirmam tal fato em Mateus, referindo-se a João como o próprio Elias (espírito): “E, desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus adquire-se à força, e os violentos arrebatam-no. Porque todos os profetas e a lei, até João, profetizaram. E, se vós o quereis compreender, ele mesmo é o Elias que há de vir. O que tem ouvidos para ouvir, ouça” (11:12).

A violência da lei mosaica ordenava o extermínio dos infiéis para ganhar a terra prometida – Paraíso dos Hebreus, por isso a citação “o reino dos céus adquire-se à força”. No período de Jesus, a nova lei estabelecia que, para se ganhar o reino dos céus o trajeto deveria ser outro – o da caridade e da doçura.

Elias Volta como João Batista


Quando Jesus disse que Elias já teria vindo e que ninguém o reconheceu, muitos interpretam que João era inspirado por Elias e não que era o próprio profeta. Mas essa identificação dos dois personagens sendo a mesma pessoa mostra também um outro aspecto, a Lei de Causa e Efeito. Na figura de Elias, mesmo falando em nome de Deus, ele cometeu alguns excessos e violências em sua época. Posteriormente, o seu espírito veio na figura de João Batista para preparar o povo para receber as palavras do Messias. Entretanto, pelo fato de ter cometido os excessos em sua vida anterior, veio resgatar parte de seus débitos sofrendo a decapitação por ordem de Herodes, a pedido de Salomé, que o agradou numa apresentação de dança, manobrada ardilosamente pela sua mãe, Herodíades.

Note-se a analogia das circunstâncias: na ocasião em que era conhecido como Elias, enfrentou a rainha Jezabel, tendo-a vencido pelos poderes, matando os sacerdotes e suprimindo o culto ao deus Baal. Na segunda ocasião, já como João Batista, ele é morto por maquinação também de uma rainha.

O Mestre fala sobre reencarnação a Nicodemos

O conceito de reencarnação fazia parte das crenças judaicas. Esse conhecimento dos judeus só foi ampliado no momento em que Jesus trouxe-lhes mais informações sobre o processo reencarnatório. No diálogo entre Nicodemos e o Mestre podemos observar a atenção dada ao assunto: "Mestre, sabemos que vieste da parte de Deus para nos instruir como um doutor; porque ninguém poderia fazer os milagres que fazeis, se Deus não estivesse com ele."

Jesus lhe respondeu: Em verdade, em verdade vos digo:
Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo. 


Nicodemos lhe disse: Como pode nascer um homem que já está velho? Pode ele entrar no ventre de sua mãe, para nascer uma segunda vez? 
Jesus lhe respondeu: Em verdade, em verdade vos digo: Se um homem não renascer de água e de Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é Espírito. Não vos espanteis do que eu vos disse, que é preciso que nasçais de novo. O Espírito sopra onde quer, e ouvis sua voz, mas não sabeis de onde ele vem e para onde ele vai. Ocorre o mesmo com todo o homem que é nascido do Espírito.

Nicodemos lhe respondeu: Como isso pode se dar? 
Jesus lhe disse: Que! Sois mestre em Israel e ignorais essas coisas? Em verdade, em verdade vos digo que não dizemos senão o que sabemos, e que não testemunhamos senão, o que vimos; e, entretanto, vós não recebeis nosso testemunho. Mas se não me credes quando vos falo das coisas da Terra, como me crereis quando vos falar das coisas do céu?” (João 3:2-12).
Como nota de esclarecimento, é preciso identificar o significado da palavra água no texto. O renascimento “de água” e “de espírito” é nada mais do que a retomada da experiência física, cuja constituição é eminentemente líquida. Portanto, o renascer de água é reencarnar e o renascer de espírito é evoluir, progredir moralmente.

Erros de Tradução: Negligência

O prof. Carlos Juliano Torres Pastorino (1910/1980), Docente do Colégio Pedro II e catedrático da Universidade Federal de Brasília, diplomado em Teologia e Filosofia pelo Colégio Internacional Santo Antônio Maria Zaccaria, em Roma, era um exímio latinista, helenista e poliglota. De acordo com os conhecimentos do Prof. Pastorino, freqüentemente são traduzidos por “ressuscitar” os verbos gregos egeírô (estar acordado, despertar) e anístêmi (tornar a ficar de pé, regressar), e que este último, encerra um sentido em geral negligenciado pelos tradutores: o de reencarnar. As Escrituras não falam em “ressurreição dos corpos” ou “da carne”, mas em anástasis ek ton nekrõn, ou seja, “ressurreição dos mortos”. De posse destes esclarecimentos oferecidos por uma autoridade lingüística, torna-se relativamente fácil identificarmos os sentidos negligenciados propositadamente pelos tradutores modernos. A ressurreição ocorre com os mortos e não com os corpos.

Na Epístola aos Hebreus (11:35), onde se lê: “Mulheres receberam os seus mortos pela ressurreição”, vemos que são as “mulheres” e não os homens, pois elas é que podem gerar em seus ventres os corpos destinados à reencarnação, ao ressurgimento dos espíritos “mortos” no mundo físico.

Os gregos acreditavam na existência do Hades (lugar dos mortos), de onde as almas retornavam para a vida, denominando este fenômeno como “palingênese” (palinggenesia: novo nascimento). Assim como os gregos, os hebreus também acreditavam que as almas dos mortos voltavam à vida, que do Sheot elas retornavam ao mundo da matéria, conhecido como “anástasis” (do verbo anístêmi, composto de ana: ´para cima´, ´de novo´ ou ´para trás´; e ístêmr. ´estar de pé´. Ou seja: tornar a ficar de pé, regressar), expressão traduzida por “ressurreição”. Está escrito: “O Senhor é o que tira a vida e a dá: faz descer ao sheol e faz tornar a subir dele.” (1 Sm 2:6). Apesar de tentarem alterar o significado do texto, traduzindo inúmeras vezes “Sheol” por “sepultura”, para os mais atentos, se buscarmos a origem das palavras, veremos que a mensagem é clara quanto a afirmação: regressar do Sheol, regressar do mundo dos mortos.

A palavra Sheol é hebraica, e designa o lugar para onde iam todos após a morte: tanto os justos como os injustos, havendo, no entanto, nessa região dos mortos, uma divisão para os justos, e outra para os injustos, separados por um “abismo intransponível” (Lc 16.26). O lugar dos justos era de felicidade, prazer e segurança. Já o lugar dos ímpios era medonho, ignífero (onde há fogo), cheio de dores, sofrimentos, estando todos perfeitamente conscientes.

Em muitas das passagens bíblicas, as inúmeras referências ao Sheol possuem imperfeições na sua tradução. Certas versões em português traduzem a designação hebraica por sepultura e outros termos afins, como inferno (Dt 32.22; 2 Sm 22.6; Jó 11.8; 26.6; 5116.10), o que traz confusão. (Gn 37.35; Nm 16.30,33; Já 17.16;11.8; SI 30.3; 86.13;139.8; Pv 9.18; 15.24; Is 14.9; 38.18-32; Ez 31.15,17; Am 9.12).

A expressão grega “palinggenesia” (palingênese), segundo o Prof. Pastorino, era o termo técnico da reencarnação entre os gregos. No entanto, São Jerônimo, geralmente, o traduzia por regeneração.

Já a palavra “ressurreição” é a tradução da expressão grega “anastasis” originária do verbo “anistemi”, que significa tornar a ficar de pé, mas também “regressar”.

A palavra “reencarnação” não se encontra nas escrituras, mas na cultura judaico-cristã. Entre eles havia o conceito de ressurreição, que é justamente o que chamamos hoje de “reencarnação”.

O conceito reencarnacionista foi dissimulado nos textos bíblicos ao longo dos séculos, alterando-se com isso, o seu conteúdo. Referências do século II d.C., onde Orígenes, um dos pais da Igreja, comenta que: “Presentemente, é manifesto que grandes foram os desvios sofridos pelas cópias, quer pelo descuido de certos escribas, quer pela audácia perversa de diversos corretores, quer pelas adições ou supressões arbitrárias.” Portanto, a intenção de distorcer o conteúdo bíblico já vem de longa data.

Se nos dedicarmos ao estudo profundo dos fatos, veremos que tudo é uma questão de resgate do verdadeiro sentido das palavras, que assumiram significados diversos no decorrer do tempo. Através da pesquisa etmológica, sem dúvida, chegaremos à verdade original dos textos.

O Retorno do Cristianismo Puro


O início do Cristianismo, conhecido como Cristianismo primitivo, trazia em si uma pureza doutrinária, sendo recente a passagem do Cristo pela região. Mas o Cristianismo sofreu uma transformação no momento em que se tornou a religião oficial do Império Romano (Constantino). A mistura de costumes politeístas (crença de vários deuses) com o Cristianismo puro inaugurou o Catolicismo. Este evento modificou os costumes cristãos e introduziu hábitos de cultura politeísta, surgindo rituais que não existiam até então.

O conceito de reencarnação, como meio pela qual a alma se redime por si só, significava a falência do poder político e religioso da Igreja. Por este motivo, começou a considerar-se todos os seguidores da idéia da reencarnação como criminosos passíveis de pena de morte a partir do ano de 553 d. C., no Concílio de Constantinopla.

Assim, a tradução dos textos evangélicos primitivos e a confecção do Novo Testamento (Vulgata Latina) buscaram eliminar qualquer informação que se reportasse ao conceito de sobrevivência de alma e o seu retorno a um novo corpo, para uma nova existência.

Por se tratar de um obstáculo aos interesses de alguns, este importante ensinamento deixou de fazer parte das celebrações cristãs e dos cultos da Igreja. Mas o assunto em foco reapareceu muito tempo depois, com toda a sua força e transparência através dos fenômenos das Irmãs Fox em 1848, e com a publicação da obra O Livro dos Espíritos, em 1857.

Portanto, a idéia da reencarnação sempre esteve presente no cristianismo primitivo dos tempos apostólicos, e algum tempo depois, na pureza dos ensinos cristãos contidos nas comunicações reveladas pelo espiritismo. Os elementos básicos como a caridade, o amor ao próximo e a reencarnação são semelhanças facilmente observáveis entre os dois. Sendo este o principal motivo que identifica o espiritismo como sendo o Cristianismo Redivivo.

A reencarnação é fato, e negá-la não é suficiente para justificar e manter o atual sistema religioso. Até a Ciência, recentemente, dá provas de que a vida não termina com a morte do corpo, mas que continua em outra dimensão. A divulgação da verdade depende de nós – os caminheiros redivivos."

Fonte: Revista Cristã de Espiritismo, nº 24, páginas 48 a 52.

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