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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Meio Ambiente também é questão de Direitos Humanos


Meio Ambiente também é questão de Direitos Humanos
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"O Tibet não deve ser usado para produção de armas nucleares e despejo de lixo nuclear. 

Os tibetanos têm um grande respeito por todas as formas de vida. Este sentimento inerente é reforçado pela nossa fé budista, que proíbe fazer mal a qualquer ser senciente, seja humano ou animal. Antes da invasão chinesa, o Tibet era um santuário selvagem, belo, fresco e impoluto, em um meio ambiente natural único.

Infelizmente, durante as últimas poucas décadas, a vida selvagem do Tibet tem sido quase que totalmente destruída e, em muitos lugares, suas florestas sofreram danos irreparáveis. O efeito global sobre o delicado meio ambiente tibetano tem sido devastador — particularmente porque a altitude e aridez do país significam que o processo de restauração da vegetação demorará muito mais do que em regiões mais baixas e úmidas. Por este motivo, o pouco que restou deve ser protegido e esforços estão sendo feitos para reverter os efeitos da destruição perversa e temerária do meio ambiente tibetano pela China.

Ao fazer isto, a primeira prioridade será parar a produção de armamento nuclear e, ainda mais importante, evitar o despejo de lixo nuclear. Aparentemente, a China planeja não só despejar o seu próprio lixo nuclear, mas também importar lixo de outros países em troca de dinheiro. O perigo que isto representa é óbvio. Não só as gerações atuais, mas também as gerações futuras estão ameaçadas. Além disso, os problemas inevitáveis que isto traria para a região poderiam facilmente se transformar em uma catástrofe de proporções globais. Dar lixo para a China, que pode ter acesso a grandes áreas de terra pouco populosas, mas que só tem tecnologia bruta, poderia mostrar ser apenas uma solução de curto prazo para o problema.

Se eu fosse realmente votar em uma eleição, seria por um dos partidos ligados ao meio ambiente. Um dos desenvolvimentos mais positivos do mundo recentemente tem sido a crescente conscientização da importância da natureza. Não há nada de santo ou sagrado nisso. Cuidar de nosso planeta é como cuidar de nossas casas. Como nós, seres humanos, viemos da Natureza, não faz sentido irmos contra a Natureza, que é o motivo pelo qual digo que o meio ambiente não é uma questão de religião, ética, ou moralidade. 

Estes são luxos, já que podemos sobreviver sem eles. Mas não sobreviveremos se continuarmos agindo contra a natureza.

Precisamos aceitar isto. Se causarmos um desequilíbrio na Natureza, a humanidade sofrerá. Além disso, como pessoas vivas atualmente, precisamos levar em consideração as gerações futuras: um meio ambiente limpo é um direito humano como qualquer outro. É, portanto, parte de nossa responsabilidade para com os outros assegurar que o mundo que deixarmos para os outros seja tão saudável, se não mais saudável, quanto o que encontramos. Esta não é uma proposta tão difícil quanto parece. Pois, embora haja um limite ao que nós, como indivíduos, podemos fazer, não há limite para o que uma resposta universal possa alcançar. Depende de nós, como indivíduos, fazermos o que pudermos, por menor que seja. Só porque desligar a luz quando sairmos da sala pareça inconseqüente, isto não significa que não devemos fazê-lo.

É aqui que, como um monge budista, eu sinto que a crença no conceito do karma é bastante útil para a condução da vida cotidiana. Uma vez que você acredita na conexão entre a motivação e seus efeitos, você ficará mais alerta aos efeitos que as suas próprias ações têm sobre si mesmo e sobre os outros.

Assim, apesar da continuidade da tragédia do Tibet, eu vejo muito bem acontecendo no mundo. Fico especialmente encorajado de que a crença no consumismo como um fim em si parece estar cedendo a um reconhecimento de que nós humanos devemos conservar os recursos da terra. Isto é muito necessário. Os seres humanos são, em certo sentido, as crianças da terra. E, enquanto até agora a nossa Mãe em comum tolerou o comportamento de seus filhos, atualmente ela está nos mostrando que ela atingiu seu limite de tolerância.

"Rezo para que um dia eu conseguirei carregar esta mensagem de preocupação pelo meio ambiente e por outros para o povo da China. Já que o budismo não é estranho aos chineses, acredito que conseguirei servi-los de forma prática. O predecessor do último Panchen Lama certa vez realizou uma cerimônia de iniciação de Kalachakra em Pequim. Se eu fosse fazer o mesmo, seria sem precedentes.   Pois, como um monge budista, as minhas preocupações se estendem a todos os membros da família humana e, de fato, a todos os sofridos seres sencientes.  Acredito que este sofrimento seja causado pela ignorância, e que as pessoas infligem dor aos outros em busca de suas próprias felicidades ou satisfações. Mas, a verdadeira felicidade vem de um senso de paz interior e contentamento, que por sua vez devem ser alcançados cultivando-se o altruísmo, amor, compaixão, e pela eliminação da raiva, egoísmo e ganância." Dalai Lama

Rezo para que um dia eu conseguirei carregar esta mensagem de preocupação pelo meio ambiente e por outros para o povo da China. Já que o budismo não é estranho aos chineses, acredito que conseguirei servi-los de forma prática. O predecessor do último Panchen Lama certa vez realizou uma cerimônia de iniciação de Kalachakra em Pequim. Se eu fosse fazer o mesmo, seria sem precedentes. 

Pois, como um monge budista, as minhas preocupações se estendem a todos os membros da família humana e, de fato, a todos os sofridos seres sencientes.

Acredito que este sofrimento seja causado pela ignorância, e que as pessoas infligem dor aos outros em busca de suas próprias felicidades ou satisfações. Mas, a verdadeira felicidade vem de um senso de paz interior e contentamento, que por sua vez devem ser alcançados cultivando-se o altruísmo, amor, compaixão, e pela eliminação da raiva, egoísmo e ganância.

Para algumas pessoas isto pode parecer ingenuidade, mas eu os lembraria que, 'não importa de qual parte do mundo viemos, fundamentalmente somos todos os seres humanos iguais. Todos nós buscamos a felicidade e tentamos evitar o sofrimento. Temos as mesmas necessidades e preocupações básicas. Além disso, todos nós seres humanos queremos a liberdade e o direito de determinar o nosso próprio destino como indivíduos. Esta é a natureza humana. As grandes mudanças acontecendo em todas as partes do mundo, desde a Europa Oriental até à África, é uma clara indicação disto.

Ao mesmo tempo, os problemas que atualmente enfrentamos - conflitos violentos, destruição da natureza, pobreza, fome, e assim por diante - são principalmente problemas criados pelos humanos. Eles podem ser solucionados - mas unicamente através do esforço humano, compreensão, e o desenvolvimento de um senso de irmandade. Para isto, precisamos cultivar uma responsabilidade universal uns pelos outros e pelo planeta que compartilhamos, baseados em um bom coração e conscientização.

Agora, embora a minha própria religião budista tenha sido útil em gerar amor e compaixão, estou convencido que estas qualidades podem ser desenvolvidas por qualquer um, com ou sem religião. Acredito, ainda, que todas as religiões buscam as mesmas metas: as de cultivar a bondade e trazer felicidade a todos os seres humanos. Embora os meios possam parecer diferentes, os fins são os mesmos.

"Enquanto o espaço existir, E enquanto os seres viventes perdurarem, Possa eu também permanecer Para afastar as misérias do mundo." Dalai Lama

Com o sempre crescente impacto da ciência sobre nossas vidas, a religião e a espiritualidade têm um papel maior a desempenhar em nos lembrar da humanidade. Não há contradição entre as duas. Cada uma nos dá valorosos insights sobre a outra. 

Tanto a ciência quanto os ensinamentos do Buda nos falam da unidade fundamental de todas as coisas.

Finalmente, gostaria de compartilhar com meus leitores uma pequena prece, que me dá grande inspiração e determinação:

Enquanto o espaço existir,
E enquanto os seres viventes perdurarem,
Possa eu também permanecer
Para afastar as misérias do mundo."

____
Fonte:
Adaptação do capítulo 'Responsabilidade Universal e o Bom Coração', 
por Dalai Lama - Hodder and Stoughton. Reino Unido, 1990. Pág. 280-299


quinta-feira, 17 de junho de 2010

Harmonia Religiosa




por Sua Santidade o Dalai Lama

"Uma grande pergunta está subjacente em nossa experiência, quer pensemos nela conscientemente, ou não: Qual é o propósito da vida? Tenho estudado esta pergunta e, gostaria de compartilhar meus pensamentos na esperança de que possam ser de benefício prático e evidente àqueles que os lêem.

Acredito que o propósito da vida seja sermos felizes. Desde o momento do nascimento, todo ser humano quer a felicidade e não quer o sofrimento. Nem a condição social, nem a educação e nem tampouco a ideologia altera isso. Simplesmente desejamos o contentamento, a partir do mais profundo âmago de nosso ser.

Não sei se o Universo, com suas incontáveis Galáxias, Estrelas e Planetas, possui um significado mais profundo ou não, mas, no mínimo, está claro que nós humanos, que vivemos nesta terra, encaramos a tarefa de nos proporcionar uma vida feliz. É portanto importante descobrirmos o que produzirá o mais alto grau de felicidade."

Para saber mais acesse: http://www.dalailama.org.br

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Ecologia e sustentabilidade, também são lemas do Dalai Lama

THE DALAI LAMA - A POLICY OF KINDNESS

"A paz e a vida na Terra estão ameaçadas por atividades humanas não compromissadas com valores humanitários. A destruição da natureza e seus recursos é resultado da ignorância, da cobiça e da falta de respeito pelos seres vivos, incluindo nossos próprios descendentes. As gerações futuras herdarão um planeta extremamente degradado, caso a paz mundial não se efetive e a destruição da natureza continue nesse ritmo. Nossos ancestrais viam a Terra como rica e generosa, o que ela realmente é. Muita gente no passado também via a natureza como inexaurivelmente sustentável. Está comprovado que caso cuidemos bem da Terra, ela pode ser efetivamente uma fonte inesgotável de recursos.

Não é difícil perdoar a destruição causada à Terra no passado, fruto da ignorância. Hoje, contudo, temos fácil acesso a todo o tipo de informação e é essencial que examinemos eticamente o que herdamos, quais são nossas responsabilidades e o que passaremos para as gerações vindouras. Muitas dessas gerações poderão não conhecer habitats, animais, plantas, insetos e microorganismos da Terra. Temos a capacidade e a obrigação de agir e devemos fazê-lo antes que seja tarde demais. O mesmo cuidado que temos em cultivar relações pacíficas com nossos semelhantes, deve ser estendido ao meio ambiente.

E não apenas por uma questão moral ou ética, mas pela nossa própria sobrevivência. Para a geração presente e para as futuras, o meio ambiente é fundamental. Se o explorarmos exaustivamente, podemos receber algum benefício hoje, mas, a longo prazo, sofreremos as conseqüências. Quando o meio ambiente se altera, as condições climáticas também se alteram e, por conseguinte, nossa saúde está sendo muito afetada. Repetindo, a conservação não é meramente uma questão moral, mas sim da nossa própria sobrevivência.

Portanto, para conseguirmos proteção e conservação ambiental mais eficazes, é essencial que o ser humano desenvolva um equilíbrio interno. O desconhecimento em relação à importância da preservação do meio ambiente causou graves danos à humanidade. Precisamos agora ajudar as pessoas a compreenderem a necessidade urgente da proteção ambiental para a nossa sobrevivência. Se você quer ser egoísta, então seja sábio e não mesquinho em seu egoísmo. A chave está no nosso senso de responsabilidade universal.

Essa é a verdadeira fonte de luz, a verdadeira fonte de felicidade. Se esgotarmos tudo o que estiver disponível na Natureza, como árvores, água e sais minerais, e não fizermos um planejamento adequado para as próximas gerações, para o futuro, certamente estaremos em falta. Entretanto, se tivermos um verdadeiro senso de responsabilidade universal como força motriz, nossa relação com o meio ambiente e com nossos vizinhos serão bem mais equilibradas.

Por último, a decisão de salvar o meio ambiente deve brotar do coração do homem. Clamemos a todos para que desenvolvam um senso de responsabilidade universal fundamentado no amor, na compaixão e na clareza de consciência."

S.S. o Dalai Lama.

Fonte: Texto traduzido de: http://hhdl.dharmakara.net/hhdlspeech.html
Original: THE DALAI LAMA, A POLICY OF KINDNESS: An Anthology of Writings By and About the Dalai Lama by H.H. the Dalai Lama, comp. & ed. by Sidney Piburn, Fore. by Sen. Claiborne Pell.
Snow Lion Publications - PO Box 6483 - Ithaca, NY 14851 - USA
Phones: N. America: (800) 950-0313 - Worldwide: (607) 273-8519
Email: tibet@snowlionpub.com - Website : www.snowlionpub.com



quarta-feira, 16 de setembro de 2009

As Religiões e a Compaixão, por Sua Santidade o Dalai Lama

"Por causa das diferenças filosóficas entre as grandes religiões existem diferentes técnicas para desenvolver a compaixão e algumas diferenças da definição do que seja. Mas basicamente todas elas falam da necessidade de se cultivar a compaixão.

Portanto, sinto que mesmo neste século, as maiores tradições religiosas têm um papel importante no desenvolvimento dessas qualidades.

Vejo aqui pessoas de diferentes tradições religiosas, o que me faz sentir feliz, porque a tolerância religiosa é muito importante. E acredito que, independente de diferentes tradições religiosas, todos temos o potencial de ajudar a humanidade.

Vim do Oriente e sou um monge budista, assim, naturalmente, quando falo desses valores e do treinamento da mente, o faço da minha perspectiva de monge budista. Mas é claro que não quero influenciá-los. Vocês devem manter suas tradições religiosas, mudar de religião não é bom, pode gerar mais confusão do que benefício.

Portanto, mantenham e sigam sua fé. Cada uma das grandes religiões tem coisas únicas, mas também há muita coisa em comum entre elas. Assim, é sábio usar técnicas úteis de outras religiões, mesmo sem mudar de religião. Até para aplicá-las na própria religião. Com isso, as tradições religiosas diferentes desenvolvem respeito mútuo e compreensão. Isso é fundamental.

A compaixão e a bondade são indispensáveis. Sem esses valores não há felicidade. Mas muitos crêem que a prática de valores como a compaixão, o perdão e o amor são relevantes apenas para os que praticam uma religião. Isso não é verdadeiro. Podemos ver que no passado e presente existiram pessoas que mesmo sem nenhuma fé religiosa tinham esse sentimento de cometimento, de responsabilidade, de compaixão pelo próximo. Essas pessoas se tornaram mais felizes, mais úteis, mais benéficas para a sociedade."

S.S. Dalai Lama 

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Conhecendo as três formas de preguiça





"A preguiça interrompe o progresso de nossa prática espiritual. Podemos ser ludibriados por três formas de preguiça: a que se manifesta como indolencia, que é o desejo de adiar; a que se manifesta como sentimento de inferioridade, que é duvidar da própria capacidade; e a que se manifesta com a adoção de atitudes negativas, que é dedicar um esforço excessivo àquilo que não é virtude."
S.S. Dalai-Lama


segunda-feira, 18 de maio de 2009

O sentimento de culpa e o rancor subconsciente

"A culpa é um sentimento incompatível com nosso pensamento, pois acreditamos que somos parte de uma ação más não somos inteiramente responsável por ela. Somos apenas parte do fator que contribui para a ação. Entretanto, em alguns casos, devemos sentir arrependimento, deliberadamente assumir responsabilidades, lamentar o ocorrido e nunca cometer aquele erro outra vez."


***

"Se o rancor subconsciente tivesse um paralelo nos escritos budistas, teria a ver com o que é chamado de insatisfação ou infelicidade mental, o que é considerado como a fonte do ódio e da hostilidade. O rancor subcosciente pode ser explicado como uma falta de capacidade de percepção ou como uma interpretação errada da realidade."
Dalai-Lama

domingo, 3 de maio de 2009

Palavras de Sabedoria - S. S. Dalai Lama

"Ao suportar o sofrimento, não ceda aos sentimentos de vaidade e presunção. Cultivar a sabedoria ajuda-nos a evitar essas armadilhas. Mas é difícil generalizar, porque a coragem e a resistência de cada pessoa são únicas e exclusivas."

"Determinação, coragem e autoconfiança são fatores decisivos para o sucesso. Não importa quais sejam os obstáculos e as dificuldades. Se estamos possuídos de uma inabalável determinação, conseguiremos superá-los. Independentemente das circunstâncias, devemos ser sempre humildes, recatados e despidos de orgulho

"A mente pode e deve transformar-se para melhor. Pode livrar-se das impurezas que a contaminam e elevar-se ao nível mais elevado. Todos começamos com as mesmas aptidões, mas algumas pessoas as desenvolvem, outras não. Nós nos acostumamos com a facilidade à preguiça da mente, sobretudo porque muitas vezes essa preguiça se esconde sob a aparência de atividade: corremos de um lado para o outro, fazemos cálculos e damos telefonemas. No entanto tudo isso ocupa apenas os níveis mais toscos e elementares da mente. E oculta o que existe de essencial em nós."

DALAI-LAMA, 1935 - PALAVRAS DE SABEDORIA - SEXTANTE, 2001 - pgs. 22, 23 e 24

domingo, 1 de março de 2009

A espiritualidade e a liberdade de expressão


"Quando você se abrir espiritualmente, faça-o somente para alguém a quem confie do fundo do seu coração, alguém bem próximo de você. Esse tipo de abertura é um passo importante para a superação dos problemas espirituais."
Sua Santidade o Dalai-Lama

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Que as espadas virem relhas de arado

"A Bíblia diz que as espadas podem ser transformadas em relhas de arado. É uma linda imagem: uma arma transformada em ferramenta para servir às necessidades humanas fundamentais, representando uma atitude de desarmamento interior e exterior."  (Dalai-Lama - Palavras de Sabedoria - pg.73)

"A Bíblia diz que as espadas podem ser transformadas em relhas de arado. É uma linda imagem: uma arma transformada em ferramenta para servir às necessidades humanas fundamentais, representando uma atitude de desarmamento interior e exterior."



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