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terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Qual é a melhor postura corporal para praticar a meditação?

É essencial estar confortável para esquecer o corpo. Qualquer posição que a pessoa se sente capaz de sentar-se imóvel e confortável é boa à meditação.
Na ilustração acima, as posições mais comumente usadas à prática da meditação

"Qual é a melhor postura do corpo para praticar a meditação? A resposta depende do tipo particular de exercício a ser feito, do seu objetivo, da experiência prévia, ou falta dela, e do próprio meditador. Mas acima de tudo depende do que a pessoa acha mais fácil e confortável. De qualquer modo é melhor sentar-se reto do que reclinado ou desleixado.

Poder, paz, verdade e assim por diante – cada um desses objetivos é diferente e requer uma postura diferente.

A postura sentada sobre uma cadeira com encosto reto, mais baixa que o normal, é comumente a melhor para a meditação dos ocidentais, com os pés descansando sobre o chão. Se mesmo nessa posição a pessoa encontra dificuldade para meditar, ela pode reclinar-se numa cadeira longa e profunda. O que é essencial é estar confortável para esquecer o corpo. Qualquer posição em que a pessoa se sente capaz de sentar-se imóvel e confortável é uma boa posição.

A postura da meditação é importante apenas no caso dos exercícios cujo objetivo é despertar o Espírito-Energia, e carece de importância na maior parte dos outros casos.

O yogue indiano senta-se com suas pernas cruzadas para dentro, o monge zen japonês senta-se sobre suas pernas recolhidas, mas o filósofo senta-se o mais confortável que puder.

A posição em que a pessoa pode permanecer confortável pelo tempo mais longo é a mais adequada para a meditação. Se algum ponto do corpo estiver desconfortável, atrairá a atenção para aquele ponto.

Os jainas indianos e os hassidim hebreus praticam a meditação em pé. Alguns chegam a ficar imóveis por um período de duas horas ou mais durante suas profundas contemplações. A posição deitada deve ser evitada porque tende a provocar sono no meditador.

Em primeiro lugar, deve-se prestar atenção aos ombros, porque qualquer tensão é refletida neles. Relaxe os músculos dos ombros e depois balance a nuca algumas vezes para livrá-la de tensões.

As mãos não devem ser esquecidas. Livre-as de tensões, deixe-as descansar levemente sobre os joelhos. Relaxando as mãos, ficará mais fácil relaxar os pensamentos.

Sentar-se imóvel não é a única posição para a meditação. Existem outros meios de alcançar um nível mais elevado de consciência. Balançar o corpo, ir para frente e para trás ou girar, são outros meios. Uma dança sagrada, rítmica, silenciosa é ainda outro.

Não é necessário contrair os músculos da testa ou enrijecer as sobrancelhas. Essa é uma maneira errada e exaustiva de concentrar a atenção.

São João da Cruz costumava meditar deitando-se sobre o chão embaixo de uma oliveira no jardim, com os braços abertos formando uma cruz.

Sente-se como uma estátua egípcia, com as mãos repousando sobre os joelhos, o corpo todo mantido em concentrado poder. Mantenha a cabeça, tronco e quadris em linha reta, colocando ereta a espinha.

Para aqueles que não conseguem sentar com as pernas cruzadas, é suficiente que tragam uma perna em direção ao corpo e mantenham a outra estendida, podendo encostar-se numa parede para dar firmeza.

Os místicos cristãos ortodoxos da Rússia recomendam sentar-se sobre um banquinho para a prática de seu mantra: 'Senhor Jesus Cristo, filho de Deus, tem piedade de mim, um pecador.'"


Considerações físicas favoráveis à prática da meditação


"O fracasso ao meditar pode também ser devido a causas físicas. Quando o meditador se senta com o corpo cheio de produtos tóxicos, seus intestinos entupidos com alimentos fermentados e mal digeridos, e sua energia esgotada no trabalho causado pela superalimentação, o cansaço da mente e sua inabilidade para concentrar-se não são surpresa. Uma mudança da dieta e limitação da quantidade são indicadas.

Você não consegue ter paz mental se seus músculos, nervos e tendões estão tensos. Relaxe primeiro o corpo, e em seguida os pensamentos e sentimentos. Examine os membros, braços, pernas e mãos para ver se estão tensos ou apertados. Deixe-os todos confortáveis. Faça isso antes da meditação: deite-se de costas sobre uma superfície plana e relaxe o corpo todo (veja aqui tapetes apropriados para yoga).

Por causa do magnetismo inferior da aura de outras pessoas recebido durante o dia, lavar as mãos e os pés é recomendável antes da meditação.

É possível livrar-se das distrações que vem de ruídos usando cera ou plugues de algodão no ouvido (hoje existem plugues auriculares mais apropriados), e livrar-se de distrações visuais usando uma venda nos olhos feita de seda ou algodão (ou ainda uma máscara para dormir).

É útil no começo da meditação mover o corpo um pouco de um lado para o outro, até que esse fique numa postura confortável."


Paul Brunton







quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Agna Chacra, Bindu, Glândula Pineal, o Êxtase Vindo do Sadhana

Um aspecto da fisiologia yoguica que está totalmente ausente nas ciências médicas modernas é algo que eu constantemente mantenho 'ligado' dentro de mim, chamado bindu. Bindu significa um pequeno ponto. É um ponto particular da glândula pineal rodeado de certa secreção. Se você toca o bindu, ele libera secreções que fazem seu corpo ficar confortável e sua mente ficar extática. Muitas culturas em todo o mundo reconheceram isso, e existe uma compreensão de que esse ponto deve ser protegido e ativado.
Chacras ligados às glândulas do corpo humano


“À medida que os cientistas exploram a natureza da mente humana e encontramos melhores instrumentos para observar a natureza do cérebro humano, uma coisa se torna muito clara para os modernos psicólogos e neurocientistas: há muito mais para se conhecer sobre a mente humana do que já é conhecido.  

Assim como existe uma fisiologia médica, existe também toda uma fisiologia yoguica. Um aspecto da fisiologia yoguica que se alinha de algum modo com as neurociências modernas é aquele associado com a glândula pineal. Essa glândula sempre foi reconhecida como estando associada a agna chakra. Atualmente os neurocientistas dizem as secreções da glândula pineal controlam e moderam o estado de espírito e as experiências da pessoa. Se você tem uma secreção pineal suficiente e estável, terá também um estado de espírito agradável dentro de si.  

Tanto a ciência médica quanto as drogas vendidas nas ruas atestam que as substâncias químicas podem criar experiências agradáveis ou desagradáveis dentro de você, que são muito reais para si. A única diferença é a experiência causada com ou sem ajuda externa. Se você entrar em êxtase agora, estará provocando isso a si mesmo sem ajuda externa. Se a experiência for causada através de estímulo externo, ela poderá ser agradável, mas no final poderá danificar o sistema. Além disso, tal experiência não resultará em nenhum tipo de consciência. E experiências inconscientes não têm significado para a evolução, crescimento ou transformação da pessoa. 

Um aspecto da fisiologia yoguica que está totalmente ausente nas ciências médicas modernas é algo que eu constantemente mantenho 'ligado' dentro de mim, chamado bindu. Bindu significa um pequeno ponto. É um ponto particular da glândula pineal rodeado de certa secreção. Se você toca o bindu, ele libera secreções que fazem seu corpo ficar confortável e sua mente ficar extática. Muitas culturas em todo o mundo reconheceram isso, e existe uma compreensão de que esse ponto deve ser protegido e ativado. 

No hinduísmo, quando um garoto brahmin é iniciado na prática espiritual, raspam o cabelo de sua cabeça e deixam um tufo nesse ponto. Em muitas partes do mundo, as pessoas que têm uma vida espiritualizada querem cobrir esse ponto, e começam a usar uma cobertura, como o quipá dos judeus ou dos bispos católicos. 

Se você prestar atenção em seu sistema, notará que ele está sempre lá.  

Quando as pessoas estão realizando certas práticas espirituais, elas ficam completamente dominadas pelo êxtase porque o 'copo de néctar' de seu interior inclinou-se um pouco. Elas ainda não aprenderam a bebê-lo em pequenos goles. Se você dá um copo cheio de água para uma criancinha ela vai derramá-la toda enquanto bebe. Mas se fizerem as práticas necessárias, após algum tempo, poderão beber em pequenos tragos, conscientemente. Desse modo, cada célula do seu corpo e cada momento de sua vida estarão em êxtase.  

Mas o bindu também tem dois lados. Ele também secreta outro hormônio, mas este é venenoso. Se você beber do lado errado do copo, o veneno vai se espalhar pelo sistema e deixar sua vida miserável. Muitas pessoas têm feito isso a si mesmas e ficam deprimidas. Você se sente miserável porque inclinou o lado errado do copo fazendo coisas impróprias na vida.  

Não importa o que você busca na vida – dinheiro, riqueza, poder, Deus ou iluminação. Na essência você está procurando a doçura que existe dentro de si. Ou você a encontra acidentalmente ou conscientemente – esta é uma escolha sua. 

Antes de desfrutar desse néctar que existe em todo cérebro humano, é necessário construir a fundação, a base, para não ficar louco. No yoga, as fases iniciais do Sadhana devem ser realizadas a fim de se ganhar estabilidade. Se o êxtase vier antes da estabilidade, você está caminhando para o desastre. Se o êxtase vier depois da estabilidade, então será algo fantástico. Por isso no yoga primeiro se fazem as práticas para ter estabilidade, firmeza e capacidade de suportar o êxtase. 

Nunca deseje algo que ainda não esteja em sua percepção, porque você vai desejar as coisas erradas. Simplesmente faça seu Sadhana (prática espiritual). Não fique imaginando coisas erradas e buscando-as. Não se preocupe com o êxtase que virá em estágios posteriores. Apenas faça sua prática diária. Ela produzirá resultados. É por isso eu usualmente não falo sobre essas coisas, porque não podem ser obtidas através da lógica.”

Sadhguru








sexta-feira, 12 de novembro de 2021

'Como entrar em contato com um santo', por Swami Shraddhananda

"Uma das maneiras de entrar em contato com um santo (espírito superior) é manter a atenção em Kutastha (seu olho espiritual, ou terceiro olho), visualizá-lo e pensar em suas qualidades. À medida que se faz isso, você recebe as bênçãos do santo que visualiza em Kutastha.   Você receberá suas bênçãos, mesmo que não o sinta. Talvez as bênçãos não sejam algo fenomenal e extraordinário, mas algo que muda você interiormente, que transforma sua vida. Devemos nos interessar apenas pela transformação espiritual.  Experiências podem ser criadas pela mente consciente e frequentemente não são reais. Podem ser imaginárias. Não nos transformam. As verdadeiras experiências são transformadoras e estão além de nossa mente consciente."    Swami Shraddhananda

"Uma das maneiras de entrar em contato com um santo (espírito superior) é manter a atenção em Kutastha (seu olho espiritual, ou terceiro olho), visualizá-lo e pensar em suas qualidades. À medida que se faz isso, você recebe as bênçãos do santo que visualiza em Kutastha. 

Você receberá suas bênçãos, mesmo que não o sinta. Talvez as bênçãos não sejam algo fenomenal e extraordinário, mas algo que muda você interiormente, que transforma sua vida. Devemos nos interessar apenas pela transformação espiritual.

Experiências podem ser criadas pela mente consciente e frequentemente não são reais. Podem ser imaginárias. Não nos transformam. As verdadeiras experiências são transformadoras e estão além de nossa mente consciente."


Swami Shraddhananda







sexta-feira, 23 de julho de 2021

Swami Shivapadananda: 'Alerta aos Místicos e Iogues'

"Algumas pessoas ficam agitadas quando seu sistema esquenta por fazer muito pranaiama¹. Então elas começam a fazer ainda mais pranaiama para remover o calor. Elas pensam que é como homeopatia – toda a doença está saindo do corpo. Então elas fazem mais pranaiama e ficam ainda mais quentes. E em pouco tempo se queimam...  Elas podem pensar que isto não é importante ou não é perigoso. É muito perigoso. É como mexer com eletricidade sem compreensão correta, você pode levar um tremendo choque.  Se você destruir seus nervos, isso pode arruinar toda sua vida. Você pode destruí-los com pranaiama, se não tiver cuidado. Meu guru certa vez avisou as pessoas para que não usassem drogas para se divertirem pela mesma razão. É como colocar uma alta voltagem (1.000 volts) através de fios sem capacidade para carregar esta força (110 volts): eles vão ser queimados...  É por isso que muitos sadhakas (aspirantes espirituais) danificam ou queimam seu sistema nervoso e sua saúde. Eles pensam: 'Oh, espiritualidade e Sadhana (disciplina espiritual) são coisas maravilhosas!', e ficam mentalmente doentes.  Por quê? Porque juntamente com suas práticas, você deve observar como o corpo está reagindo a elas. Quando o corpo reage excessivamente, então vá mais devagar. Depois que o corpo e os nervos se fortalecerem, então continue (isto é, deve-se dar descanso de um ou mais dias aos nervos, e só continuar quando recuperarem seu equilíbrio e frescor)...  Por último, é necessário também fazer um alerta sobre a repetição de mantras. Sabe-se que o mantra é uma palavra de poder, que desperta regiões desconhecidas dentro do ser humano, e atinge não só o superconsciente, como o subconsciente. Principalmente mantras relacionados a Shiva, que é a divindade da destruição no panteão hindu.  Esses mantras relacionados a Shiva podem, a fim de promover uma evolução mais rápida da consciência humana, mexer com o carma do praticante, limpando certos obstáculos, e com isso provocando situações bem desagradáveis. Embora o resultado final seja de evolução, nem todos estão preparados para encarar um carma mais complicado do que o que foi programado antes da reencarnação.  Portanto a palavra-chave é auto-observação a cada momento da prática. Se a pessoa sentir que algo vai errado, é aconselhável cessar aquela prática espiritual. É preferível avançar mais devagar sem correr graves riscos, pelo menos para a maioria dos praticantes, e eu mesmo me incluo neste grupo.  Existe o grupo dos heróis espirituais que vão em frente sem se importar com as consequências, que estão dispostos a sacrificar toda a vida material em favor da vida espiritual. Se a pessoa pertence a este grupo psicológico, ela pode escolher continuar apesar de tudo que possa acontecer. Mas do contrário, avancemos com cuidado e segurança." - Sri Swami Shivapadananda
Imagem de adiyogi por Pixabay - Legendas: Ronald Sanson

"Algumas pessoas ficam agitadas quando seu sistema esquenta por fazer muito pranaiama¹. Então elas começam a fazer ainda mais pranaiama para remover o calor. Elas pensam que é como homeopatia – toda a doença está saindo do corpo. Então elas fazem mais pranaiama e ficam ainda mais quentes. E em pouco tempo se queimam...

Elas podem pensar que isto não é importante ou não é perigoso. É muito perigoso. É como mexer com eletricidade sem compreensão correta, você pode levar um tremendo choque.

Se você destruir seus nervos, isso pode arruinar toda sua vida. Você pode destruí-los com pranaiama, se não tiver cuidado. Meu guru certa vez avisou as pessoas para que não usassem drogas para se divertirem pela mesma razão. É como colocar uma alta voltagem (1.000 volts) através de fios sem capacidade para carregar esta força (110 volts): eles vão ser queimados...

É por isso que muitos sadhakas (aspirantes espirituais) danificam ou queimam seu sistema nervoso e sua saúde. Eles pensam: 'Oh, espiritualidade e Sadhana (disciplina espiritual) são coisas maravilhosas!', e ficam mentalmente doentes.

Por quê? Porque juntamente com suas práticas, você deve observar como o corpo está reagindo a elas. Quando o corpo reage excessivamente, então vá mais devagar. Depois que o corpo e os nervos se fortalecerem, então continue (isto é, deve-se dar descanso de um ou mais dias aos nervos, e só continuar quando recuperarem seu equilíbrio e frescor)...

Por último, é necessário também fazer um alerta sobre a repetição de mantras. Sabe-se que o mantra é uma palavra de poder, que desperta regiões desconhecidas dentro do ser humano, e atinge não só o superconsciente, como o subconsciente. Principalmente mantras relacionados a Shiva, que é a divindade da destruição no panteão hindu.

Esses mantras relacionados a Shiva podem, a fim de promover uma evolução mais rápida da consciência humana, mexer com o carma do praticante, limpando certos obstáculos, e com isso provocando situações bem desagradáveis. Embora o resultado final seja de evolução, nem todos estão preparados para encarar um carma mais complicado do que o que foi programado antes da reencarnação.

Portanto a palavra-chave é auto-observação a cada momento da prática. Se a pessoa sentir que algo vai errado, é aconselhável cessar aquela prática espiritual. É preferível avançar mais devagar sem correr graves riscos, pelo menos para a maioria dos praticantes, e eu mesmo me incluo neste grupo.

Existe o grupo dos heróis espirituais que vão em frente sem se importar com as consequências, que estão dispostos a sacrificar toda a vida material em favor da vida espiritual. Se a pessoa pertence a este grupo psicológico, ela pode escolher continuar apesar de tudo que possa acontecer. Mas do contrário, avancemos com cuidado e segurança."


Sri Swami Shivapadananda


1- Pranaiama é o quarto ramo do Raja-ioga exposto nos Ioga Sutras de Patânjali. Prāṇa é a fonte de energia. O prāṇa é substrato universal. Pranaiama é o conhecimento e controle do Prana. Para o ioga antigo, é a expansão da bioenergia no corpo humano através de movimentos respiratórios conscientes e estruturados.


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quinta-feira, 18 de março de 2021

O Despertar da Kundaliní, por Gopi Krishna

'Minha Experiência com A Kundaliní' , por Gopi Krishna


'Minha Experiência com A Kundaliní': por Gopi Krishna (1903/1984), foi um iogue; místico; professor; reformador social; e escritor. Ele nasceu em uma pequena vila nos arredores de Srinagar, nos estados de Jammu e Caxemira, no norte da Índia. Ele passou seus primeiros anos lá, e depois viveu em Lahore, no Punjab da Índia britânic
Imagem: Pixabay

"Certa manhã durante dezembro de 1937, sentei-me de pernas cruzadas num pequeno cômodo de uma casa onde eu morava em Jamnu, Índia. Estava meditando com minha face virada para o leste e o dia estava amanhecendo.

Pela prática de muitos anos, tinha-me acostumado a ficar sentado durante horas sem o menor desconforto. Sentava-me ali respirando devagar e ritmicamente, minha atenção voltada para o topo de minha cabeça, contemplando um lótus imaginário totalmente aberto, irradiando luz.

Sentava-me firme e ereto, meus pensamentos concentrados no lótus cheio de luz, tentando manter minha concentração e trazendo-a de volta quando se afastava em outra direção.

A intensidade da concentração interrompia minha respiração; gradualmente ela diminuía até ficar quase imperceptível. Todo meu ser se concentrava na contemplação do lótus, de tal modo que me esquecia do corpo e de onde estava. Durante estes momentos sentia-me como se estivesse suspenso no ar, sem a sensação do corpo. O único objeto do qual ficava consciente era um lótus de cor brilhante, emitindo raios de luz.

Essa experiência tem acontecido a muitas pessoas que praticam meditação por um tempo suficiente, mas o que aconteceu naquela manhã para mim mudou todo o curso de minha vida e poucos já experimentaram.

Durante aquela concentração, de repente senti uma estranha sensação sob a base de minha espinha, tão extraordinária e agradável que minha atenção foi arrastada para ela. Mas no momento em que minha atenção foi dirigida àquela experiência, a sensação cessou.

Achando que estava imaginando coisas, deixei de pensar naquilo e levei a atenção de volta ao ponto no topo da cabeça. Novamente me concentrei sobre o lótus e a imagem apareceu clara e distinta. Então a sensação da base da espinha reapareceu.

Dessa vez tentei me concentrar na base da espinha e consegui por alguns segundos,  e então a sensação subiu tão intensa pela minha espinha e era tão extraordinária que não se assemelhava a nada que já havia experimentado antes, e novamente se extinguiu.

Eu estava agora convencido que algo incomum havia acontecido, pela qual minha prática diária de concentração era responsável.

Eu já havia lido relatos de grandes yogues sobre os grandes benefícios que resultam da concentração e sobre os poderes miraculosos que eles adquirem desse modo. Meu coração começou a bater descontroladamente, e ficou difícil novamente fixar minha atenção na meditação.

Após um momento me acalmei e novamente entrei em meditação. Quando estava completamente imerso nela, novamente veio aquela sensação, mas dessa vez, em vez de deixar minha mente se distrair da concentração no ponto onde a tinha fixado, mantive-a onde estava.

A sensação novamente se dirigiu para cima, em crescente intensidade, e me senti flutuando, mas com grande esforço mantive minha concentração fixa no lótus. De repente, com um grande rugido como de uma cachoeira, senti uma corrente de luz líquida entrando em meu cérebro através da espinha.

Totalmente despreparado para a experiência, fiquei sem saber o que fazer, mas retomando rápido meu autocontrole, continuei sentado na mesma posição, mantendo a mente concentrada em seu objeto. A iluminação ficou mais e mais brilhante, o rugido aumentou ainda mais, e experimentei uma sensação de estar saindo do corpo, inteiramente envolvido num halo de luz.

É impossível descrever a experiência corretamente. Senti o ponto de consciência que eu era expandindo-se mais e mais enquanto o corpo parecia se distanciar, até eu ficar inteiramente inconsciente dele. Eu era agora todo consciência, sem forma, sem corpo, sem qualquer sentimento ou sensação vinda dos sentidos, imerso num mar de luz, simultaneamente desperto e consciente em cada ponto dele, expandindo em todas as direções sem qualquer barreira ou obstrução material.

Não era mais eu mesmo, ou para ser mais preciso, não mais me reconhecia como sendo um pequeno ponto de consciência confinado num corpo, mas em vez disso um vasto círculo de consciência no qual o corpo era apenas um ponto, banhado em luz e num estado de exaltação e felicidade impossível de descrever.

Após algum tempo, cuja duração não posso precisar, o círculo começou a se estreitar; senti que estava contraindo, me tornando cada vez menor, até que novamente me senti consciente do corpo e voltei à minha velha condição. Tornei-me consciente dos barulhos da rua, novamente senti meus braços e pernas e mais uma vez me tornei meu estreito eu, em contato com o corpo e seu meio.

Quando abri os olhos e olhei ao redor, me senti um pouco atordoado e confuso, como se tivesse voltado de um país estranho e completamente desconhecido para mim. O sol tinha nascido e já brilhava forte. Tentei levantar minhas mãos mas não consegui. Com esforço levantei e estiquei os braços, tentando restabelecer a circulação livre do sangue. Em seguida tentei retirar minhas pernas da posição de meditação na qual eu estava, mas não pude; estavam pesadas e rígidas. Com a ajuda das mãos, puxei as pernas e as estiquei, em seguida me encostei na parede para ficar mais confortável.

O que tinha me acontecido? Teria sido vítima de uma alucinação? Ou teria experimentado o estado transcendental? Teria tido sucesso onde milhões tinham falhado? Haveria, então, realmente alguma verdade nas declarações dos sábios e ascetas da Índia, feitas durante milhares de anos, de que era possível apreender a Realidade nesta vida, se a pessoa seguisse certas regras de conduta e praticasse a meditação corretamente?

Eu estava estupefato. Dificilmente podia acreditar que tive aquela experiência divina. Tinha experimentado uma expansão de meu ser, de minha consciência, e a transformação que a corrente vital trouxera tinha começado da base da espinha e encontrado seu caminho para o cérebro através da espinha.

Lembrei que tinha lido há muito tempo em livros de yoga sobre um certo mecanismo vital chamado Kundaliní, conectado com o final da espinha, que se torna ativo através de certos exercícios, e uma vez desperto leva a limitada consciência humana para as alturas transcendentais, capacitando o indivíduo com incríveis poderes psíquicos e mentais.

Teria sido sortudo o suficiente para encontrar a chave desse maravilhoso mecanismo, sobre o qual as pessoas falavam sem tê-lo visto em ação em si mesmas? Tentei novamente repetir a experiência, mas estava tão fraco e estupefato que não pude concentrar meus pensamentos o suficiente para conseguir a concentração.

Olhei para o sol. Será que em minha condição de extrema concentração eu teria confundido a luz solar com o brilhante halo que me rodeou no estado superconsciente?

Fechei meus olhos novamente, permitindo que os raios solares pousassem sobre minha face. Não, o brilho que percebi vindo do sol era completamente diferente. A luz que eu experimentara foi interior, uma parte integral de uma consciência expandida, uma parte de meu ser."


Gopi Krishna


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Nota: Kundaliní vem do sânscrito e significa "fogo enroscado", a energia universal que alimenta a vida. É chamada no Ocidente de energia telúrica ou geoenergia. Entre os praticantes do Yoga é denominada Shakti e definida como a força divina que jaz aninhada na base da coluna humana. O despertar da energia Kundaliní tem caráter essencialmente espiritual, influenciando diretamente o equilíbrio do fluxo energético da vida.

Gopi Krishna (1903/1984), foi um iogue; místico; professor; reformador social; e escritor. Ele nasceu em uma pequena vila nos arredores de Srinagar, nos estados de Jammu e Caxemira, no norte da Índia. Ele passou seus primeiros anos lá, e depois viveu em Lahore, no Punjab da Índia britânica.


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domingo, 21 de fevereiro de 2021

Bhagavad-gītā: Capítulo 7: 'O Conhecimento Acerca do Absoluto'

 Os 30 Versos do Capítulo 7 do Bhagavad-gītā: 'O Conhecimento Acerca do Absoluto'


Nebulosa do Véu/Telescópio Hubble/NASA


"1: A Suprema Personalidade de Deus disse: Agora preste atenção, ó filho de Pṛthā, enquanto lhe explico como é que, praticando yoga com plena consciência de Mim, e com a mente apegada a Mim, você poderá livrar-se das dúvidas e conhecer-Me por completo.

2: Agora, vou declarar na íntegra este conhecimento, tanto fenomenal quanto numenal. Conhecendo isto, não restará nada mais para você saber.

3: Dentre muitos milhares de homens, talvez haja um que se esforce para obter a perfeição, e dentre aqueles que alcançaram a perfeição, é difícil encontrar um que Me conheça de verdade.

4: Terra, água, fogo, ar, éter, mente, inteligência e falso ego — juntos, todos estes oito elementos formam Minhas energias materiais separadas.

5: Além dessas, ó Arjuna de braços poderosos, existe uma outra energia, a Minha energia superior, que consiste das entidades vivas que exploram os recursos desta natureza material inferior.

6: Todos os seres criados têm sua fonte nestas duas naturezas. Fique sabendo com toda a certeza, que Eu sou a origem e a dissolução de tudo o que é material e de tudo o que é espiritual neste mundo.

7: Ó conquistador de riquezas, não há verdade superior a Mim. Tudo repousa em Mim, como pérolas num cordão.

8: Ó filho de Kuntī, Eu sou o sabor da água, a luz do Sol e da Lua, a sílaba OM nos mantras védicos; Eu sou o som no éter e a habilidade no homem.

9: Eu sou a fragrância original da terra e sou o calor no fogo. Eu sou a vida de tudo o que vive e sou as penitências de todos os ascetas.

10: Ó filho de Pṛthā, fique sabendo que Eu sou a semente da qual se originam todas as existências, sou a inteligência dos inteligentes e o poder de todos os poderosos

11: Eu sou a força dos fortes, desprovida de paixão e desejo. Eu sou a vida sexual que não é contrária aos princípios religiosos, ó senhor dos Bhāratas (Arjuna).

12: Fique sabendo que todos os estados de existência — sejam eles em bondade, paixão ou ignorância — manifestam-se por Minha energia. Num certo sentido, Eu sou tudo, mas Eu sou independente. Eu não estou sob a influência dos modos da natureza material, mas eles, ao contrário, estão dentro de Mim.

13: Iludido pelos três modos [bondade, paixão e ignorância], o mundo inteiro não conhece a Mim, que estou acima dos modos e sou inesgotável.

14: Esta Minha energia divina, que consiste dos três modos da natureza material, é difícil de ser suplantada. Mas aqueles que se renderam a Mim podem facilmente transpô-la.

15: Os descrentes que são grosseiramente tolos, que são os mais baixos da humanidade, cujo conhecimento é roubado pela ilusão e que compartilham da natureza ateísta dos demônios, não se rendem a Mim.

16: Ó melhor entre os Bhāratas, quatro classes de homens piedosos passam a Me prestar serviço devocional — o aflito, o que deseja riquezas, o inquisitivo e o que busca conhecer o Absoluto.

17: Destes, aquele que tem conhecimento pleno e está sempre ocupado em serviço devocional puro é o melhor. Pois Eu lhe sou muito querido, e ele é querido por Mim.

18: Todos esses devotos são sem dúvida almas magnânimas, mas aquele que cultiva o conhecimento acerca de Mim, Eu o considero como sendo tal qual Eu mesmo. Ocupando-se em Me prestar serviço transcendental, ele com certeza Me alcançará, e esta é a meta mais elevada e perfeita.

19: Após muitos nascimentos e mortes, aquele que tem verdadeiro conhecimento rende-se a Mim, sabendo que sou a causa de todas as causas e de tudo o que existe. É muito raro encontrar semelhante grande alma.

20: Aqueles cuja inteligência foi roubada pelos desejos materiais rendem-se aos semideuses e prestam adoração através de determinadas regras e regulações que se coadunam com suas próprias naturezas.

21: Eu estou nos corações de todos como a Superalma. E logo que alguém deseje adorar a um semideus, Eu fortifico a sua fé para que ele possa se devotar a essa deidade específica.

22: Munido com esta fé, ele se empenha em adorar um semideus específico e realiza seus desejos. Mas na verdade, estes benefícios são concedidos apenas por Mim.

23: Homens de pouca inteligência adoram os semideuses, e seus frutos são limitados e temporários. Aqueles que adoram os semideuses vão para os planetas dos semideuses, mas Meus devotos acabam alcançando Meu planeta supremo.

24: Homens sem inteligência, que não Me conhecem perfeitamente, pensam que Eu, a Suprema Personalidade de Deus, Kṛṣṇa, antes era impessoal e que agora assumi esta personalidade. Devido a seu conhecimento limitado, eles não conhecem Minha natureza superior, que é imperecível e suprema.

25: Eu nunca Me manifesto aos tolos e aos não-inteligentes. Para eles, Eu estou coberto por Minha potência interna, e portanto eles não sabem que Eu sou não nascido e infalível.

26: Ó Arjuna, como a Suprema Personalidade de Deus, sei tudo o que aconteceu no passado, tudo o que está acontecendo no presente e tudo o que ainda vai acontecer. Conheço também todas as entidades vivas; mas a Mim ninguém conhece.

27: Ó descendente de Bharata, ó vencedor do inimigo, todas as entidades vivas nascem em ilusão, confundidas pelas dualidades surgidas do desejo e do ódio.

28: Aqueles que agiram piedosamente tanto nesta vida quanto em vidas passadas, e cujas ações pecaminosas se erradicaram por completo, livram-se da ilusão manifesta sob a forma das dualidades, e se ocupam em servir-Me com determinação.

29: Os homens inteligentes que buscam libertar-se da velhice e da morte refugiam-se em Mim, prestando serviço devocional. Eles de fato são Brahman porque conhecem inteiramente tudo sobre as atividades transcendentais.

30: Aqueles que estão em plena consciência de Mim, que sabem que Eu, o Senhor Supremo, sou o princípio governante da manifestação material, dos semideuses e de todos os métodos de sacrifício, podem, mesmo na hora da morte, compreender e conhecer a Mim, a Suprema Personalidade de Deus."

Bhagavad-gītā (Capítulo 7)


Imagem: Esta imagem do Telescópio Espacial Hubble mostra uma pequena área da Nebulosa do Véu, também conhecida como Nebulosa da Vassoura de Bruxa. Esta imagem mostra o gás aquecido e ionizado e a poeira cósmica da região. É também o resultado de uma supernova que explodiu na região entre 3.000 a 6.000 a.C. (Crédito: NASA)



terça-feira, 16 de junho de 2020

Sadhguru, sobre Krishnamurti

Jiddu Krishnamurti

"Jiddu Krishnamurti nasceu numa vila chamada Madanapale. Eu estive na casa onde ele nasceu e viveu. Um belo lugar. A casa é mantida hoje como um monumento dedicado a ele. No fim do século 19 e começo do século 20, a teosofia espalhou-se por todo o mundo. Esse movimento foi iniciado por Madame Blavatsky, que era uma mulher muito culta e mística.

Nessa época muitos britânicos e outros europeus, buscadores do misticismo, viajavam à Índia para explorar a vida mística, entre eles estava Max Muller, Paul Brunton e outros. Naquela época era uma aventura, você tinha que viajar a cavalo, tinha que pedir informações a pessoas, encontrar o guru adequado etc.

Madame Blavatsky foi ao Tibete, depois veio à Índia e finalmente estabeleceu a sede mundial da teosofia no Sul do país, em Adyar, e ali o sonho dos teósofos era produzir o ser perfeito. Os teósofos na Índia conseguiram organizar a mais fantástica biblioteca do mundo, onde juntaram todo tipo de livro sobre o ocultismo.

Teósofos como Annie Besant e Leadbeater possuíam um brilhante intelecto, sem dúvida, no entanto não tinham realização interior. Então começaram a procurar um corpo apropriado que seria usado pelo Instrutor do Mundo (Maitreya), e puseram Krishnamurti num treinamento severo para prepara-lo, inclusive com técnicas de meditação, e ele se tornou um fantástico ser humano.

Quando Krishnamurti tinha 27 ou 28 anos, a Sociedade Teosófica decidiu anunciar ao mundo que nele se manifestaria o Instrutor Mundial, que o instrutor perfeito tinha chegado. As pessoas ficaram muito interessadas em Krishnamurti.

Krishnamurti então lhes disse: “Eu não sou o Instrutor do Mundo.” E com isso toda a Sociedade Teosófica desmoronou. Ele teve a coragem, o bom-senso e a sabedoria de dizer: “Eu não sou”. A grande maioria das pessoas diria: “Sou a reencarnação de Buddha, Jesus” e tudo o mais. Mas ele teve o bom-senso de dizer: “Não sou isso que estão tentando me tornar”.

Em seguida abandonou o movimento teosófico e começou a dar palestras, era um brilhante orador. Quando falava, encantava as pessoas. Falava de um modo completamente mágico.
Quando eu tinha 18 anos, alguém me convidou para assistir a algumas de suas palestras em vídeo. Era um grupo de estudos. As pessoas diziam: “Você tem que ler Krishnamurti”. Nos círculos intelectuais da Índia, se você não lesse Krishnamurti, Kirkegaard e Dostoievsky, era considerado uma pessoa sem cérebro. Era a moda.

Às segundas-feiras passavam vídeos de Krishnamurti, liam seus livros. Alguns amigos me convidaram e eu fui. Quando o vi, percebi imediatamente sua integridade, que era notável.

Não li seus livros, apenas assisti aos vídeos. Na verdade eu não tinha tempo de ler as palavras de ninguém. A vida me chamava o tempo todo. Por isso não tinha tempo de ouvir meus pais, meus professores ou Krishnamurti. Então deixei o círculo de estudos e segui minha vida.

Frequentei esse grupo durante cinco segundas-feiras, durante uma hora e meia cada. Depois do vídeo, começavam a discutir seus ensinamentos, e tudo acabava numa grande confusão, porque ninguém entendia o que ele dizia. Ele se recusava a usar qualquer método, qualquer exemplo, qualquer parábola ou história, nada. Apenas análise, dissecação. Isto é chamado Jnana Marga, o caminho do intelecto.

Dos sete bilhões de pessoas desse planeta, se você encontrar dez mil pessoas que têm esse tipo de intelecto cortante e analítico, que pode seguir analisando cada coisa... eu creio que você não vai encontrar dez mil pessoas assim. Talvez você encontre mil pessoas, e essas mil talvez não estejam interessadas no processo espiritual, talvez estejam interessadas em usar seu intelecto em coisas materiais.

Ao redor de Krishnamurti todos podiam sentir que aquele homem era especial, mas ninguém entendia o que ele falava, porque ele se recusava a fazer o papel de guru, ele se recusava a iniciar alguém, se recusava a usar qualquer tipo de método, qualquer tipo de processo.

Ele disse: “De qualquer maneira a iluminação acontecerá”. É verdade. Ela acontecerá, mas talvez após um milhão de vidas. Então, se você tiver pressa, deve ter aquele tipo de intelecto, que é raro. Ou então deve usar seus outros instrumentos, que são o corpo, a energia, as emoções, todas essas coisas. Krishnamurti podia com seu intelecto chegar àquelas verdades, mas ninguém mais podia.

Ele era um fantástico ser humano. Enquanto estava nesse mundo, podia-se sentir a fragrância. Quando se foi, só ficaram os livros, porque não havia um processo vivo.

Um amigo meu disse sobre Krishnamurti: “Quando entrei na sala onde estava dando uma palestra, senti que adentrei um muro de amor. Esse sentimento bateu em minha face”.

As pessoas nunca associam Krishnamurti ao amor. Ele não era um homem que demonstrava seus sentimentos. Era rígido, sério, definitivamente não parecia amoroso, mas era amoroso, absolutamente compassivo. Suas palavras eram como facas: analisavam, dissecavam.

O próprio Krishnamurti não queria que as pessoas se apoiassem nele. Dizia que se se apoiassem ficariam presas. Se houvesse no mundo um milhão de mentes puramente racionais, esse método seria fabuloso para se seguir. Mas nesse mundo as pessoas ainda não estão preparadas para isso. É um belo processo espiritual, mas...

Krishnamurti era como uma flor. Sua fragrância foi sentida enquanto estava neste mundo. Suas palavras são boas se você quiser usa-las como um tipo de exercício intelectual. Se puder entender algo, elas são uteis, brilhantes."
Sadhguru

Jiddu Krishnamurti (11/05/1895 - 17/02/1986), foi um filósofo, escritor, orador e educador indiano. Proferiu discursos que envolveram temas como revolução psicológica, meditação, conhecimento, liberdade, relações humanas, a natureza da mente, a origem do pensamento e a realização de mudanças positivas na sociedade global.

Jaggi Vasudev, o Sadhguru

Sadhguru (03/09/1957), é um iogue, místico e escritor indiano. Fundou a Fundação Isha, uma organização sem fins lucrativos que oferece programas de yoga ao redor do mundo. e envolve-se ativamente em divulgação, educação e iniciativas em prol do meio ambiente e da filosofia de vida iogue.

sábado, 16 de maio de 2020

Tantra tem a ver com sexo?

De acordo com o iogue, escritor e místico indiano, Sadhguru, Tantra nada tem a ver com sexo!


Agástya Muni, um dos sete sábios que foram os primeiros discípulos de Shiva

"Tantra significa extrema disciplina. Não é promiscuidade desenfreada. É aprender a usar seu corpo e sua mente assim como usa algum outro instrumento externo. Esta foi a tremenda dádiva trazida por Agastya Muni, ele estabeleceu um processo tântrico baseado cem por cento no corpo, nada vindo do exterior.

A palavra Tantra significa técnica ou tecnologia. Mas porque o Tantra que todos conhecem foi escrito por autores ocidentais, as pessoas têm uma ideia errada do Tantra. Do mesmo modo que você aprende a usar um computador, também aprende a usar seu corpo e sua mente.

Os livros tântricos se referem ao corpo, e para a sociedade moderna, se você diz corpo, as pessoas pensam nos órgãos sexuais e nada além disso. Elas se esquecem do cérebro.

O Tantra indica como aprender a usar o corpo, que é um mecanismo fantástico. Se você não sabe como usá-lo, o que fará neste mundo? Você não causará impacto em coisa alguma. Portanto, isso é Tantra. Tantra significa essa capacidade.

Não existe guru sem Tantra, sem tecnologia.

Um guru sem Tantra apenas pode ser um santo que posa abençoando as pessoas. Esse tipo de santo não é para as pessoas que buscam a iluminação. É apenas para as pessoas que buscam pequenas melhorias em suas vidas, como uma roupa nova ou um carro novo. Mas se você quer crescimento espiritual, quer conhecer sua natureza interior, o guru precisa ter a capacidade de proporcionar isso.

Existem duas dimensões no Tantra. Numa você usa materiais externos, é uma dimensão ritualística. Na outra, o Tantra ióguico, você usa apenas seu corpo físico e o sistema de energia do corpo. Não precisa de mais nada. Essas duas dimensões têm sido classificadas como Caminho da Mão Esquerda e Caminho da Mão Direita.

O Caminho da Mão Esquerda usa materiais externos e o Caminho da Mão Direita apenas usa o corpo, que é o Tantra ióguico, que foi a dádiva que Agastya ofereceu à humanidade."

*Jaggi Vasudev, comumente referido como Sadhguru é um iogue, místico e escritor indiano. Fundou a Fundação Isha, uma organização sem fins lucrativos que oferece programas de Ioga ao redor do mundo. e envolve-se ativamente em divulgação, educação e iniciativas em prol do meio ambiente e da filosofia de vida iogue - Imagem: Agástya Muni, um dos sete sábios que foram os primeiros discípulos de Shiva (Internet/Divulgação)

terça-feira, 21 de abril de 2020

Frases de Śri Sathya Sai Baba para reflexão

Śri Sathya Sai Baba, nome de nascimento Sathyanarayana Raju, ascendo para multidão de fiéis no templo em Puttaparth, Índia
SRI SATHYA SAI BABA - OM SAI RAM

Śri Sathya Sai Baba, nome de nascimento Sathyanarayana Raju (23 de novembro de 1926 – 24 de abril de 2011, nasceu em uma pequena aldeia localizada no Sul da Índia. Era um guru, líder espiritual, místico, filantropo e educador, considerado por muitos como um avatar (encarnação na forma humana de um ser divino).

Ele próprio dizia ser a reencarnação de Shirdi Sai Baba, um religioso eclético indiano do século XIX venerado tanto por hindus quanto por muçulmanos. Também dizia que, futuramente, seria Prema Sai Baba, quando o planeta Terra viveria em um mundo de paz.

Na metade final do século XX, alcançou tremenda popularidade ao redor do mundo e se transformou num ícone espiritual. Sua compaixão, sabedoria e generosidade produziam profundas mudanças de caráter e conduta naqueles que o seguiam. (Resumido e adaptado da Wikipédia)

Frases de Śri Sathya Sai Baba


"A ansiedade é removida pela fé no Senhor; a fé que lhes diz que qualquer coisa que lhes aconteça é para o seu bem e que a vontade do Senhor seja feita. A aceitação silenciosa é a melhor armadura contra a ansiedade; não a aceitação heróica  O pesar surge do egoísmo, o sentimento de que você não merece ser tratado tão mal, que foi deixado desamparado. Quando o egoísmo se vai, o pesar desaparece."

"A atividade pode salvar, bem como matar. É como o gato que morde; ele morde o filhote para carregá-lo na boca até um lugar seguro; mas morde o rato para matar e comer. Tornem-se um gatinho, e o trabalho os salvará como uma mãe amorosa; tornem-se um rato, e vocês estarão perdidos."

"A devoção e a atitude de entrega incondicional, que é o seu fruto final, lhes darão grande coragem para enfrentar qualquer emergência; tal coragem é chamada de renúncia."

"A devoção, por si mesma, não é essencial. É o amor, a verdade, a virtude, a ânsia de progredir, de servir, de expandir seu coração, de envolver toda a humanidade em seu amor, de ver a todos como formas da Consciência Divina."

"A disciplina espiritual é primordialmente exigida para o controle da mente e dos desejos, atrás dos quais ela corre. Se vocês acharem que não têm condições de vencer, não desistam da prática espiritual, mas façam-na ainda mais vigorosamente, pois é a matéria em que vocês não conseguiram nota suficiente para passarem que exige um estudo especial, não é? Disciplina espiritual significa limpeza interna, tanto quanto externa. Vocês não se sentem refrescados quando usam roupas sujas após o banho, não é? E tampouco se sentem refrescados se usarem roupas limpas, sem tomar banho. Ambos são necessários, o externo e o interno."

"A entrega total, que deixa tudo à Vontade d’Ele, é a mais elevada forma de devoção."

"A fé em Deus e na disciplina espiritual tem declinado devido à falta de entusiasmo nestes assuntos entre os mais velhos. É de responsabilidade de todos os homens devotos demonstrarem ao longo de suas vidas que devoção não é fraqueza, mas força; que isso abre um vasto manancial de força e que uma pessoa com fé em Deus pode superar obstáculos mais facilmente do que aquele que não a tem."

"A Graça do Senhor é como o oceano: vasto, sem limites. Através da sua prática espiritual, da repetição do nome de Deus, da meditação e do cultivo sistemático da virtude, esta Graça é convertida em nuvens de verdade e se derramam sobre a humanidade como chuvas de amor divino, que depois voltam a se reunir para fluir como a corrente de bem-aventurança, de volta para o oceano – o oceano da Graça do Senhor. Quando o amor divino envolve a humanidade, nós o chamamos compaixão, a qualidade não da pena, mas da compreensão; compreensão que faz a pessoa sentir-se feliz quando os outros estão felizes e triste quando os outros estão infelizes."

"A situação atual no mundo é como um tufão, causando intranquilidade e confusão. Ninguém tem quietude mental; o medo e a ansiedade grassam por todo lado; o pânico reina enquanto se anuncia a conquista do espaço e a localização de novos planetas. Mesmo neste país, vivemos um tempo de crise e nenhum instante deve ser perdido para se corrigir as coisas, de modo que os homens possam desfrutar de paz mais do que qualquer outra coisa; pois sem paz, a vida é um pesadelo."

"A vida divina é o próprio alento de todos os seres; ela consiste de verdade, amor e não-violência."

"Acima de tudo, comecem a cultivar as virtudes; isso é mais importante e benéfico que o mero aprendizado livresco. Isso gera verdadeira bem-aventurança; essa é a essência de todo o conhecimento, a culminância de todo aprendizado."

"Apenas a atmosfera de amor pode garantir uma cooperação alegre e a concórdia. Acima de tudo, sejam bons, honestos e bem comportados."

"Assim como fornecem ao corpo alimento e bebida em intervalos regulares, vocês também devem cuidar das necessidades do corpo espiritual interior com a repetição do nome de Deus e a meditação, e do cultivo das virtudes. Boa companhia, atitude correta e pensamentos sagrados são essenciais para o crescimento e para a saúde da personalidade interior. O corpo é a mansão do Senhor do Mundo. Na medida em que vocês são exigentes quanto a tomar café ou chá em intervalos regulares, sejam também exigentes com relação à pratica da meditação e da repetição do nome de Deus em intervalos regulares para a saúde e vivacidade do espírito."

"Coloquem o Senhor em seus corações e ofereçam a Ele os frutos das suas ações e as flores de seus pensamentos e sentimentos íntimos."

"Com este Avatar, os perversos não serão destruídos; eles serão corrigidos, reformados, educados e conduzidos de volta ao ponto onde eles se extraviaram. Desta vez, a árvore infestada de cupins não será cortada; ela será salva."

"Como as forças gravitacionais que arrastam todas as coisas para baixo, a força da indolência os puxará para baixo sem cessar; assim, vocês devem estar sempre vigilantes, sempre ativos."

"Conserve o nome de Deus tão constante quanto a respiração. Para isto, a prática é essencial."

"Cultivar o discernimento é a principal meta da educação; a promoção de hábitos virtuosos, o fortalecimento do Dharma, a estes se deve dispensar atenção; não à aquisição de polidez e cavalheirismo ou ao armazenamento de informação genérica e à prática de habilidades comuns."

"Dediquem algum tempo regularmente a cada dia para manterem sua Consciência Interna em bom estado. Dediquem uma hora pela manhã, outra à noite e uma terceira nas primeiras horas da madrugada, no período chamado de Brahmamuhurtha, para praticarem a repetição do Nome de Deus e meditar sobre o Senhor. Sentirão uma grande paz descendo sobre vocês e novas e grandes fontes de vigor jorrando do interior à medida que progridem nesta prática espiritual. Depois de algum tempo, a mente se fixará no Nome, não importa onde estejam ou em que estejam envolvidos; então, a paz e a alegria serão seus companheiros inseparáveis."

"Deus atrai o indivíduo para Si. É da natureza de ambos ter esta afinidade, pois eles são o mesmo. Eles são como o ferro e o ímã. Porém, se o ferro estiver enferrujado, coberto de camadas de sujeira, o imã não conseguirá atraí-lo. Removam os impedimentos; isto é tudo o que vocês devem fazer. Deixem brilhar sua verdadeira natureza e o Senhor os atrairá para o Seu seio. Desafios e tribulações são os meios pelos quais esta limpeza é feita."

"Devoção e Atividade - estas duas coisas devem andar sempre juntas."

"Devoção não é apenas uma pose; é uma série de pequenos atos, guiados pela atitude de reverência pela divindade em todos os seres. Fiquem atentos para a mentira que se esconde na língua, a violência que se esconde no pulso, o ego que se oculta por trás da ação. Refreiem-nos antes que se tornem um hábito e se fixem em seu caráter para desvirtuar seu destino."

"É a mente que faz ou desfaz o homem. Se estiver imersa nas coisas do mundo, ela conduzirá ao cativeiro; se, no entanto, considerar o mundo como temporário, então ela se tornará livre e leve por esse desapego. Treinem a mente para não se sentir apegada às coisas que mudam, para melhor ou para pior. Não segurem diante dela os ouropéis da fama e da riqueza mundana. Atraiam-na para a alegria perene que brota de nascentes dentro de vocês. Isso lhes trará grandes recompensas. A mente, ela própria, se tornará então o Guru, pois ela os guiará cada vez mais, uma vez que tenha experimentado a doçura de ouvir, refletir e meditar perseverantemente. É a mente que preenche, com a Divindade que o devoto vê, a imagem feita pelo ceramista; é ela que preenche o oráculo com a fragrância da sacralidade."

"É muito perigoso encher o cérebro com coisas supérfluas e sem valor. Quando tiverem algum tempo livre, leiam e assimilem os livros que promovem uma apreciação inteligente do mundo e de seus mistérios. Para viver uma vida feliz, em paz e cheia de contentamento, é necessária uma boa educação; uma educação que seja baseada na ação correta."

"É o Divino que inspira, ativa, conduz e preenche a vida de cada ser, não importa quão simples ou complexa possa ser sua estrutura física. Do átomo ao universo, cada uma das entidades está se movendo em direção ao estuário aonde irá se fundir com o oceano da bem-aventurança."

"É só quando o apego aumenta que vocês sofrem dor e pesar."

"Em verdade, Karma (ação) torna-se Yoga (união) quando é feito sem nenhum apego; um renunciante não deveria sequer se lembrar do que faz, ele não deveria fazer nenhum karma antecipando qualquer resultado. Essa é a ação sem desejo (Nishkarma) ideal em seu apogeu. O melhor karma é aquele que é feito pelo chamamento do dever; porque ele deve ser feito, não porque há vantagem em fazê-lo."

"Enquanto estão caminhando ao longo de uma estrada, vocês podem observar sua sombra passando sobre a lama ou a sujeira, por altos e baixos, por espinhos ou areia, trechos de terra encharcados ou secos. Vocês não são afetados pela sina de sua sombra, não é verdade? Tampouco sua sombra tornase suja por isto. Não importa nem ao mínimo onde ela caia ou o que atravesse. Nós sabemos que a sombra e suas experiências não são eternas ou verdadeiras. Da mesma forma, é preciso que se convençam de que “vocês” são apenas a sombra do Absoluto e de que não são essencialmente “vocês”, mas o próprio Absoluto. Esse é o remédio para a tristeza, a agonia e a dor."

"Enquanto estiverem estudando outras coisas, vocês devem aprender o segredo da paz. Esta oportunidade não deve ser perdida, pois essa é a sabedoria que irá salvá-los. O sistema atual de educação visa torná-los aptos a ganharem o seu sustento e tornarem-se cidadãos; mas não lhes dá o segredo de uma vida feliz; ou seja, o discernimento entre o real e o irreal - que é o verdadeiro treinamento de que precisam."

"Envolvam-se em boas ações, boas companhias e bons pensamentos. Fixem sua atenção na meta. Vocês ainda não se aperceberam do segredo deste Advento. Vocês em verdade têm sorte, mais do que muitos outros."

"Estudem as Upanishads, de modo que possam agir em conformidade com os seus preceitos e que possam colocar os ensinamentos em prática. Estudar um mapa ou folhear um guia turístico não lhes trará o mesmo entusiasmo de uma visita genuína, nem lhes dará sequer uma fração da alegria ou do conhecimento que uma viagem pelo país lhes proporcionaria. As Upanishads e a Gita são apenas mapas e guias, lembrem-se."

"Eu lhes peço que leiam bons livros; reverenciem seus professores e amem a todos. Não desonrem os mais velhos; cultivem o espírito de serviço e aprendam como servir aos doentes e aos necessitados, aproveitando toda oportunidade de ajudar aos demais. Ou pelo menos desistam de causar-lhes dor."

"Eu não vim a vocês para dar uma palestra, uma vez que não acredito no valor de meras palavras, não importa quão eruditas, pomposas ou profusas. Vim apenas para compartilhar com vocês o Meu amor e receber em contrapartida parte do seu amor. É isso o que Eu mais valorizo. Esse é o verdadeiro ganho."

"Eu os aconselho a se tornarem a Murali (flauta de Krishna), pois o Senhor virá até vocês, os pegará, colocará em Seus lábios e soprará através de vocês e do vazio de seus corações, devido à completa ausência de egoísmo que desenvolveram, Ele criará músicas inebriantes para que toda a Criação se deleite. Sejam retos, sem qualquer desejo pessoal, fundam sua vontade com a vontade de Deus. Inalem apenas o alento de Deus. Essa é a vida divina que Eu quero que todos vocês alcancem."

"Examinem tudo e acreditem apenas no que lhes parece correto."

"Há quatro tipos de pessoas: os “mortos”, que negam o Senhor e declaram que só eles existem, independentes, livres, se auto-regulando e autodirecionando; os “doentes”, que clamam pelo Senhor apenas quando alguma calamidade lhes ocorre ou quando se sentem temporariamente privados das fontes usuais de ajuda; os “lerdos”, que sabem que Deus é o eterno companheiro e vigia, mas que só se recordam disso às vezes, quando a ideia é potente e vigorosa; e finalmente, os “sãos”, que já têm fé estável no Senhor e que vivem sempre em Sua Presença criativa e reconfortante."

"Há três tipos de devoção: o método vihanga, em que, como um pássaro mergulhando em direção a uma fruta madura numa árvore, o devoto é demasiadamente impaciente e, por isso, perde a fruta, que cai de seu bico; o método markata, em que, como um macaco que pega para si uma fruta atrás da outra e pela total inconstância não consegue decidir qual delas quer, o devoto também hesita e muda seu objetivo muito frequentemente e, portanto, perde toda chance de sucesso; e o método pepilika, em que, como uma formiga que caminha devagar, mas sem parar, em direção à doçura, o devoto também se move em linha reta, com atenção fixa, para o Senhor e ganha Sua Graça!"

"Hoje, o tufão do ódio e da falsidade está dissipando as nuvens da retidão, justiça e verdade para os cantos mais distantes do céu e as pessoas sentem que a Eterna Religião Universal (Sanathana Dharma) está em perigo de extinção. Mas isso só pode ocorrer pela vontade do Senhor e Ele, que estabeleceu o Dharma, não permitirá que o mesmo seja destruído."

"Ler apenas não é o suficiente; vocês podem dominar todos os comentários sobre as Escrituras e podem estar aptos a argumentar e discutir com grandes eruditos sobre estes textos; mas sem colocar em prática o que eles ensinam, isto é uma perda de tempo."

"Muitas pessoas não tiveram qualquer experiência que as pudesse mudar, de modo que não podem ser censuradas por sua falta de fé."

Direitos Autorais Reservados
Pesquisa, seleção, adaptação, revisão, edição e digitação por Euro Oscar.


Para ver mais frases de Sai Baba, na postagem original, clique aqui.
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Fonte: web/reprodução:https://www.eurooscar.com/Frases1/frases-de-sai-baba1.htm - Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais - Imagem: Foto de Śri Sathya Sai Baba (divulgação)

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Como praticar a Meditação Zen


"Quando alguém pergunta a um monge Zen “o que você faz na meditação”, ele responde, “Não faço nada. Apenas me sento vazio e isso é tudo.” Muitos mestres disseram sobre a meditação: “Apenas fique tranquilo e saiba”. A meditação Zen é o método dos monges Zen que apenas ficam tranquilos e conscientes. Se você se senta tranquilo e vazio, estará fazendo meditação Zen. O principal é estar tranquilo e vazio interiormente.

A meditação Zen é a técnica que gradualmente nos leva ao estado de absoluta tranquilidade e vazio. Leva algum tempo para aprender isso, embora seja uma das técnicas de meditação mais fáceis e efetivas.

Antes de começar a meditação Zen, é essencial entender algumas coisas importantes sobre o cérebro. Nosso cérebro consiste de duas partes: o lado esquerdo e o direito. O lado esquerdo cuida da lógica, teologia, filosofia, matemática e ciência. Todo o processo do pensamento acontece nesse cérebro esquerdo.

O cérebro direito faz nascer a música, a arte, a pintura, o amor e outras emoções. O cérebro direito facilita muito o processo de meditação. O cérebro direito não pensa. Ele está profundamente relacionado à fonte da infinita criatividade. Aqui os pensamentos não surgem como um processo pensante, mas sim algo acontece como uma luz instantânea de criatividade. Essa parte não pensa, ela sente.

Na meditação Zen, usamos nosso cérebro direito para tornar nossa mente livre de pensamentos.

Sente-se de pernas cruzadas com a espinha ereta. Coloque suas mãos em seu colo, uma sobre a outra. Agora olhe sua mão esquerda. Apenas olhe. Consciente da parte esquerda de seu corpo, olhe sua mão esquerda, sem pensar em nada. Tente sentir o lado esquerdo de seu corpo. Sinta o lado esquerdo. Sinta...

Esse processo vai ativar seu cérebro direito. Quando o cérebro direito fica ativado, os pensamentos desaparecem. Seus pensamentos vão começar a desaparecer. Com a prática você será capaz de conseguir em pouco tempo esse estado de desaparecimento dos pensamentos.

Agora inale profundo... conte um. Em seguida exale profundo... conte dois. Inale profundo novamente... conte três. Exale profundo novamente... conte quatro. Continue esta respiração profunda até contar dez.

Em seguida continue inalando e exalando, contando 10... 11... 12... mas respirando normalmente. Se se perder na contagem, comece de novo. Faça isso por meia hora. Para finalizar, inale e exale profundamente mais uma vez, e sua meditação está completa. Faça essa meditação por uma semana.

Depois de uma semana, modifique sua meditação. Ao invés de contar a inalação e a exalação, conte apenas a inalação. Faça isso também por uma semana.

Na semana seguinte, continue essa meditação de meia hora por dia. Mas agora pare de contar. Apenas inale e exale. Apenas esteja consciente da inalação e exalação. Faça isso por uma semana.

Na semana seguinte, apenas fique sentado. Não conte nem se preocupe com a respiração. Esteja apenas consciente do momento. Esteja calmo. Você estará no estado Zen, o estado de calma."
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Reprodução de postagem originalmente publicada no blog "yoga - ensinamentos: A Meditação Zen – Eklavya", por Iaco, em 12 de fevereiro de 2019 - Imagem: Monge budista meditando na Tailândia / Imagem gratuita pxhere (CC0)




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