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domingo, 21 de fevereiro de 2021

Bhagavad-gītā: Capítulo 7: 'O Conhecimento Acerca do Absoluto'

 Os 30 Versos do Capítulo 7 do Bhagavad-gītā: 'O Conhecimento Acerca do Absoluto'


Nebulosa do Véu/Telescópio Hubble/NASA


"1: A Suprema Personalidade de Deus disse: Agora preste atenção, ó filho de Pṛthā, enquanto lhe explico como é que, praticando yoga com plena consciência de Mim, e com a mente apegada a Mim, você poderá livrar-se das dúvidas e conhecer-Me por completo.

2: Agora, vou declarar na íntegra este conhecimento, tanto fenomenal quanto numenal. Conhecendo isto, não restará nada mais para você saber.

3: Dentre muitos milhares de homens, talvez haja um que se esforce para obter a perfeição, e dentre aqueles que alcançaram a perfeição, é difícil encontrar um que Me conheça de verdade.

4: Terra, água, fogo, ar, éter, mente, inteligência e falso ego — juntos, todos estes oito elementos formam Minhas energias materiais separadas.

5: Além dessas, ó Arjuna de braços poderosos, existe uma outra energia, a Minha energia superior, que consiste das entidades vivas que exploram os recursos desta natureza material inferior.

6: Todos os seres criados têm sua fonte nestas duas naturezas. Fique sabendo com toda a certeza, que Eu sou a origem e a dissolução de tudo o que é material e de tudo o que é espiritual neste mundo.

7: Ó conquistador de riquezas, não há verdade superior a Mim. Tudo repousa em Mim, como pérolas num cordão.

8: Ó filho de Kuntī, Eu sou o sabor da água, a luz do Sol e da Lua, a sílaba OM nos mantras védicos; Eu sou o som no éter e a habilidade no homem.

9: Eu sou a fragrância original da terra e sou o calor no fogo. Eu sou a vida de tudo o que vive e sou as penitências de todos os ascetas.

10: Ó filho de Pṛthā, fique sabendo que Eu sou a semente da qual se originam todas as existências, sou a inteligência dos inteligentes e o poder de todos os poderosos

11: Eu sou a força dos fortes, desprovida de paixão e desejo. Eu sou a vida sexual que não é contrária aos princípios religiosos, ó senhor dos Bhāratas (Arjuna).

12: Fique sabendo que todos os estados de existência — sejam eles em bondade, paixão ou ignorância — manifestam-se por Minha energia. Num certo sentido, Eu sou tudo, mas Eu sou independente. Eu não estou sob a influência dos modos da natureza material, mas eles, ao contrário, estão dentro de Mim.

13: Iludido pelos três modos [bondade, paixão e ignorância], o mundo inteiro não conhece a Mim, que estou acima dos modos e sou inesgotável.

14: Esta Minha energia divina, que consiste dos três modos da natureza material, é difícil de ser suplantada. Mas aqueles que se renderam a Mim podem facilmente transpô-la.

15: Os descrentes que são grosseiramente tolos, que são os mais baixos da humanidade, cujo conhecimento é roubado pela ilusão e que compartilham da natureza ateísta dos demônios, não se rendem a Mim.

16: Ó melhor entre os Bhāratas, quatro classes de homens piedosos passam a Me prestar serviço devocional — o aflito, o que deseja riquezas, o inquisitivo e o que busca conhecer o Absoluto.

17: Destes, aquele que tem conhecimento pleno e está sempre ocupado em serviço devocional puro é o melhor. Pois Eu lhe sou muito querido, e ele é querido por Mim.

18: Todos esses devotos são sem dúvida almas magnânimas, mas aquele que cultiva o conhecimento acerca de Mim, Eu o considero como sendo tal qual Eu mesmo. Ocupando-se em Me prestar serviço transcendental, ele com certeza Me alcançará, e esta é a meta mais elevada e perfeita.

19: Após muitos nascimentos e mortes, aquele que tem verdadeiro conhecimento rende-se a Mim, sabendo que sou a causa de todas as causas e de tudo o que existe. É muito raro encontrar semelhante grande alma.

20: Aqueles cuja inteligência foi roubada pelos desejos materiais rendem-se aos semideuses e prestam adoração através de determinadas regras e regulações que se coadunam com suas próprias naturezas.

21: Eu estou nos corações de todos como a Superalma. E logo que alguém deseje adorar a um semideus, Eu fortifico a sua fé para que ele possa se devotar a essa deidade específica.

22: Munido com esta fé, ele se empenha em adorar um semideus específico e realiza seus desejos. Mas na verdade, estes benefícios são concedidos apenas por Mim.

23: Homens de pouca inteligência adoram os semideuses, e seus frutos são limitados e temporários. Aqueles que adoram os semideuses vão para os planetas dos semideuses, mas Meus devotos acabam alcançando Meu planeta supremo.

24: Homens sem inteligência, que não Me conhecem perfeitamente, pensam que Eu, a Suprema Personalidade de Deus, Kṛṣṇa, antes era impessoal e que agora assumi esta personalidade. Devido a seu conhecimento limitado, eles não conhecem Minha natureza superior, que é imperecível e suprema.

25: Eu nunca Me manifesto aos tolos e aos não-inteligentes. Para eles, Eu estou coberto por Minha potência interna, e portanto eles não sabem que Eu sou não nascido e infalível.

26: Ó Arjuna, como a Suprema Personalidade de Deus, sei tudo o que aconteceu no passado, tudo o que está acontecendo no presente e tudo o que ainda vai acontecer. Conheço também todas as entidades vivas; mas a Mim ninguém conhece.

27: Ó descendente de Bharata, ó vencedor do inimigo, todas as entidades vivas nascem em ilusão, confundidas pelas dualidades surgidas do desejo e do ódio.

28: Aqueles que agiram piedosamente tanto nesta vida quanto em vidas passadas, e cujas ações pecaminosas se erradicaram por completo, livram-se da ilusão manifesta sob a forma das dualidades, e se ocupam em servir-Me com determinação.

29: Os homens inteligentes que buscam libertar-se da velhice e da morte refugiam-se em Mim, prestando serviço devocional. Eles de fato são Brahman porque conhecem inteiramente tudo sobre as atividades transcendentais.

30: Aqueles que estão em plena consciência de Mim, que sabem que Eu, o Senhor Supremo, sou o princípio governante da manifestação material, dos semideuses e de todos os métodos de sacrifício, podem, mesmo na hora da morte, compreender e conhecer a Mim, a Suprema Personalidade de Deus."

Bhagavad-gītā (Capítulo 7)


Imagem: Esta imagem do Telescópio Espacial Hubble mostra uma pequena área da Nebulosa do Véu, também conhecida como Nebulosa da Vassoura de Bruxa. Esta imagem mostra o gás aquecido e ionizado e a poeira cósmica da região. É também o resultado de uma supernova que explodiu na região entre 3.000 a 6.000 a.C. (Crédito: NASA)



terça-feira, 21 de abril de 2020

Frases de Śri Sathya Sai Baba para reflexão

Śri Sathya Sai Baba, nome de nascimento Sathyanarayana Raju, ascendo para multidão de fiéis no templo em Puttaparth, Índia
SRI SATHYA SAI BABA - OM SAI RAM

Śri Sathya Sai Baba, nome de nascimento Sathyanarayana Raju (23 de novembro de 1926 – 24 de abril de 2011, nasceu em uma pequena aldeia localizada no Sul da Índia. Era um guru, líder espiritual, místico, filantropo e educador, considerado por muitos como um avatar (encarnação na forma humana de um ser divino).

Ele próprio dizia ser a reencarnação de Shirdi Sai Baba, um religioso eclético indiano do século XIX venerado tanto por hindus quanto por muçulmanos. Também dizia que, futuramente, seria Prema Sai Baba, quando o planeta Terra viveria em um mundo de paz.

Na metade final do século XX, alcançou tremenda popularidade ao redor do mundo e se transformou num ícone espiritual. Sua compaixão, sabedoria e generosidade produziam profundas mudanças de caráter e conduta naqueles que o seguiam. (Resumido e adaptado da Wikipédia)

Frases de Śri Sathya Sai Baba


"A ansiedade é removida pela fé no Senhor; a fé que lhes diz que qualquer coisa que lhes aconteça é para o seu bem e que a vontade do Senhor seja feita. A aceitação silenciosa é a melhor armadura contra a ansiedade; não a aceitação heróica  O pesar surge do egoísmo, o sentimento de que você não merece ser tratado tão mal, que foi deixado desamparado. Quando o egoísmo se vai, o pesar desaparece."

"A atividade pode salvar, bem como matar. É como o gato que morde; ele morde o filhote para carregá-lo na boca até um lugar seguro; mas morde o rato para matar e comer. Tornem-se um gatinho, e o trabalho os salvará como uma mãe amorosa; tornem-se um rato, e vocês estarão perdidos."

"A devoção e a atitude de entrega incondicional, que é o seu fruto final, lhes darão grande coragem para enfrentar qualquer emergência; tal coragem é chamada de renúncia."

"A devoção, por si mesma, não é essencial. É o amor, a verdade, a virtude, a ânsia de progredir, de servir, de expandir seu coração, de envolver toda a humanidade em seu amor, de ver a todos como formas da Consciência Divina."

"A disciplina espiritual é primordialmente exigida para o controle da mente e dos desejos, atrás dos quais ela corre. Se vocês acharem que não têm condições de vencer, não desistam da prática espiritual, mas façam-na ainda mais vigorosamente, pois é a matéria em que vocês não conseguiram nota suficiente para passarem que exige um estudo especial, não é? Disciplina espiritual significa limpeza interna, tanto quanto externa. Vocês não se sentem refrescados quando usam roupas sujas após o banho, não é? E tampouco se sentem refrescados se usarem roupas limpas, sem tomar banho. Ambos são necessários, o externo e o interno."

"A entrega total, que deixa tudo à Vontade d’Ele, é a mais elevada forma de devoção."

"A fé em Deus e na disciplina espiritual tem declinado devido à falta de entusiasmo nestes assuntos entre os mais velhos. É de responsabilidade de todos os homens devotos demonstrarem ao longo de suas vidas que devoção não é fraqueza, mas força; que isso abre um vasto manancial de força e que uma pessoa com fé em Deus pode superar obstáculos mais facilmente do que aquele que não a tem."

"A Graça do Senhor é como o oceano: vasto, sem limites. Através da sua prática espiritual, da repetição do nome de Deus, da meditação e do cultivo sistemático da virtude, esta Graça é convertida em nuvens de verdade e se derramam sobre a humanidade como chuvas de amor divino, que depois voltam a se reunir para fluir como a corrente de bem-aventurança, de volta para o oceano – o oceano da Graça do Senhor. Quando o amor divino envolve a humanidade, nós o chamamos compaixão, a qualidade não da pena, mas da compreensão; compreensão que faz a pessoa sentir-se feliz quando os outros estão felizes e triste quando os outros estão infelizes."

"A situação atual no mundo é como um tufão, causando intranquilidade e confusão. Ninguém tem quietude mental; o medo e a ansiedade grassam por todo lado; o pânico reina enquanto se anuncia a conquista do espaço e a localização de novos planetas. Mesmo neste país, vivemos um tempo de crise e nenhum instante deve ser perdido para se corrigir as coisas, de modo que os homens possam desfrutar de paz mais do que qualquer outra coisa; pois sem paz, a vida é um pesadelo."

"A vida divina é o próprio alento de todos os seres; ela consiste de verdade, amor e não-violência."

"Acima de tudo, comecem a cultivar as virtudes; isso é mais importante e benéfico que o mero aprendizado livresco. Isso gera verdadeira bem-aventurança; essa é a essência de todo o conhecimento, a culminância de todo aprendizado."

"Apenas a atmosfera de amor pode garantir uma cooperação alegre e a concórdia. Acima de tudo, sejam bons, honestos e bem comportados."

"Assim como fornecem ao corpo alimento e bebida em intervalos regulares, vocês também devem cuidar das necessidades do corpo espiritual interior com a repetição do nome de Deus e a meditação, e do cultivo das virtudes. Boa companhia, atitude correta e pensamentos sagrados são essenciais para o crescimento e para a saúde da personalidade interior. O corpo é a mansão do Senhor do Mundo. Na medida em que vocês são exigentes quanto a tomar café ou chá em intervalos regulares, sejam também exigentes com relação à pratica da meditação e da repetição do nome de Deus em intervalos regulares para a saúde e vivacidade do espírito."

"Coloquem o Senhor em seus corações e ofereçam a Ele os frutos das suas ações e as flores de seus pensamentos e sentimentos íntimos."

"Com este Avatar, os perversos não serão destruídos; eles serão corrigidos, reformados, educados e conduzidos de volta ao ponto onde eles se extraviaram. Desta vez, a árvore infestada de cupins não será cortada; ela será salva."

"Como as forças gravitacionais que arrastam todas as coisas para baixo, a força da indolência os puxará para baixo sem cessar; assim, vocês devem estar sempre vigilantes, sempre ativos."

"Conserve o nome de Deus tão constante quanto a respiração. Para isto, a prática é essencial."

"Cultivar o discernimento é a principal meta da educação; a promoção de hábitos virtuosos, o fortalecimento do Dharma, a estes se deve dispensar atenção; não à aquisição de polidez e cavalheirismo ou ao armazenamento de informação genérica e à prática de habilidades comuns."

"Dediquem algum tempo regularmente a cada dia para manterem sua Consciência Interna em bom estado. Dediquem uma hora pela manhã, outra à noite e uma terceira nas primeiras horas da madrugada, no período chamado de Brahmamuhurtha, para praticarem a repetição do Nome de Deus e meditar sobre o Senhor. Sentirão uma grande paz descendo sobre vocês e novas e grandes fontes de vigor jorrando do interior à medida que progridem nesta prática espiritual. Depois de algum tempo, a mente se fixará no Nome, não importa onde estejam ou em que estejam envolvidos; então, a paz e a alegria serão seus companheiros inseparáveis."

"Deus atrai o indivíduo para Si. É da natureza de ambos ter esta afinidade, pois eles são o mesmo. Eles são como o ferro e o ímã. Porém, se o ferro estiver enferrujado, coberto de camadas de sujeira, o imã não conseguirá atraí-lo. Removam os impedimentos; isto é tudo o que vocês devem fazer. Deixem brilhar sua verdadeira natureza e o Senhor os atrairá para o Seu seio. Desafios e tribulações são os meios pelos quais esta limpeza é feita."

"Devoção e Atividade - estas duas coisas devem andar sempre juntas."

"Devoção não é apenas uma pose; é uma série de pequenos atos, guiados pela atitude de reverência pela divindade em todos os seres. Fiquem atentos para a mentira que se esconde na língua, a violência que se esconde no pulso, o ego que se oculta por trás da ação. Refreiem-nos antes que se tornem um hábito e se fixem em seu caráter para desvirtuar seu destino."

"É a mente que faz ou desfaz o homem. Se estiver imersa nas coisas do mundo, ela conduzirá ao cativeiro; se, no entanto, considerar o mundo como temporário, então ela se tornará livre e leve por esse desapego. Treinem a mente para não se sentir apegada às coisas que mudam, para melhor ou para pior. Não segurem diante dela os ouropéis da fama e da riqueza mundana. Atraiam-na para a alegria perene que brota de nascentes dentro de vocês. Isso lhes trará grandes recompensas. A mente, ela própria, se tornará então o Guru, pois ela os guiará cada vez mais, uma vez que tenha experimentado a doçura de ouvir, refletir e meditar perseverantemente. É a mente que preenche, com a Divindade que o devoto vê, a imagem feita pelo ceramista; é ela que preenche o oráculo com a fragrância da sacralidade."

"É muito perigoso encher o cérebro com coisas supérfluas e sem valor. Quando tiverem algum tempo livre, leiam e assimilem os livros que promovem uma apreciação inteligente do mundo e de seus mistérios. Para viver uma vida feliz, em paz e cheia de contentamento, é necessária uma boa educação; uma educação que seja baseada na ação correta."

"É o Divino que inspira, ativa, conduz e preenche a vida de cada ser, não importa quão simples ou complexa possa ser sua estrutura física. Do átomo ao universo, cada uma das entidades está se movendo em direção ao estuário aonde irá se fundir com o oceano da bem-aventurança."

"É só quando o apego aumenta que vocês sofrem dor e pesar."

"Em verdade, Karma (ação) torna-se Yoga (união) quando é feito sem nenhum apego; um renunciante não deveria sequer se lembrar do que faz, ele não deveria fazer nenhum karma antecipando qualquer resultado. Essa é a ação sem desejo (Nishkarma) ideal em seu apogeu. O melhor karma é aquele que é feito pelo chamamento do dever; porque ele deve ser feito, não porque há vantagem em fazê-lo."

"Enquanto estão caminhando ao longo de uma estrada, vocês podem observar sua sombra passando sobre a lama ou a sujeira, por altos e baixos, por espinhos ou areia, trechos de terra encharcados ou secos. Vocês não são afetados pela sina de sua sombra, não é verdade? Tampouco sua sombra tornase suja por isto. Não importa nem ao mínimo onde ela caia ou o que atravesse. Nós sabemos que a sombra e suas experiências não são eternas ou verdadeiras. Da mesma forma, é preciso que se convençam de que “vocês” são apenas a sombra do Absoluto e de que não são essencialmente “vocês”, mas o próprio Absoluto. Esse é o remédio para a tristeza, a agonia e a dor."

"Enquanto estiverem estudando outras coisas, vocês devem aprender o segredo da paz. Esta oportunidade não deve ser perdida, pois essa é a sabedoria que irá salvá-los. O sistema atual de educação visa torná-los aptos a ganharem o seu sustento e tornarem-se cidadãos; mas não lhes dá o segredo de uma vida feliz; ou seja, o discernimento entre o real e o irreal - que é o verdadeiro treinamento de que precisam."

"Envolvam-se em boas ações, boas companhias e bons pensamentos. Fixem sua atenção na meta. Vocês ainda não se aperceberam do segredo deste Advento. Vocês em verdade têm sorte, mais do que muitos outros."

"Estudem as Upanishads, de modo que possam agir em conformidade com os seus preceitos e que possam colocar os ensinamentos em prática. Estudar um mapa ou folhear um guia turístico não lhes trará o mesmo entusiasmo de uma visita genuína, nem lhes dará sequer uma fração da alegria ou do conhecimento que uma viagem pelo país lhes proporcionaria. As Upanishads e a Gita são apenas mapas e guias, lembrem-se."

"Eu lhes peço que leiam bons livros; reverenciem seus professores e amem a todos. Não desonrem os mais velhos; cultivem o espírito de serviço e aprendam como servir aos doentes e aos necessitados, aproveitando toda oportunidade de ajudar aos demais. Ou pelo menos desistam de causar-lhes dor."

"Eu não vim a vocês para dar uma palestra, uma vez que não acredito no valor de meras palavras, não importa quão eruditas, pomposas ou profusas. Vim apenas para compartilhar com vocês o Meu amor e receber em contrapartida parte do seu amor. É isso o que Eu mais valorizo. Esse é o verdadeiro ganho."

"Eu os aconselho a se tornarem a Murali (flauta de Krishna), pois o Senhor virá até vocês, os pegará, colocará em Seus lábios e soprará através de vocês e do vazio de seus corações, devido à completa ausência de egoísmo que desenvolveram, Ele criará músicas inebriantes para que toda a Criação se deleite. Sejam retos, sem qualquer desejo pessoal, fundam sua vontade com a vontade de Deus. Inalem apenas o alento de Deus. Essa é a vida divina que Eu quero que todos vocês alcancem."

"Examinem tudo e acreditem apenas no que lhes parece correto."

"Há quatro tipos de pessoas: os “mortos”, que negam o Senhor e declaram que só eles existem, independentes, livres, se auto-regulando e autodirecionando; os “doentes”, que clamam pelo Senhor apenas quando alguma calamidade lhes ocorre ou quando se sentem temporariamente privados das fontes usuais de ajuda; os “lerdos”, que sabem que Deus é o eterno companheiro e vigia, mas que só se recordam disso às vezes, quando a ideia é potente e vigorosa; e finalmente, os “sãos”, que já têm fé estável no Senhor e que vivem sempre em Sua Presença criativa e reconfortante."

"Há três tipos de devoção: o método vihanga, em que, como um pássaro mergulhando em direção a uma fruta madura numa árvore, o devoto é demasiadamente impaciente e, por isso, perde a fruta, que cai de seu bico; o método markata, em que, como um macaco que pega para si uma fruta atrás da outra e pela total inconstância não consegue decidir qual delas quer, o devoto também hesita e muda seu objetivo muito frequentemente e, portanto, perde toda chance de sucesso; e o método pepilika, em que, como uma formiga que caminha devagar, mas sem parar, em direção à doçura, o devoto também se move em linha reta, com atenção fixa, para o Senhor e ganha Sua Graça!"

"Hoje, o tufão do ódio e da falsidade está dissipando as nuvens da retidão, justiça e verdade para os cantos mais distantes do céu e as pessoas sentem que a Eterna Religião Universal (Sanathana Dharma) está em perigo de extinção. Mas isso só pode ocorrer pela vontade do Senhor e Ele, que estabeleceu o Dharma, não permitirá que o mesmo seja destruído."

"Ler apenas não é o suficiente; vocês podem dominar todos os comentários sobre as Escrituras e podem estar aptos a argumentar e discutir com grandes eruditos sobre estes textos; mas sem colocar em prática o que eles ensinam, isto é uma perda de tempo."

"Muitas pessoas não tiveram qualquer experiência que as pudesse mudar, de modo que não podem ser censuradas por sua falta de fé."

Direitos Autorais Reservados
Pesquisa, seleção, adaptação, revisão, edição e digitação por Euro Oscar.


Para ver mais frases de Sai Baba, na postagem original, clique aqui.
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Fonte: web/reprodução:https://www.eurooscar.com/Frases1/frases-de-sai-baba1.htm - Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais - Imagem: Foto de Śri Sathya Sai Baba (divulgação)

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Cristo e Krishna, avatares divinos semelhantes

JESUS E KRISHNA | CONHEÇA SUAS SEMELHANÇAS



...Jesus e Krishna são os expoentes máximos do Cristianismo e do Hinduísmo, respectivamente. Além de serem cosiderados por seus devotos grande avatares – que vieram à Terra apenas para auxiliar no processo de desenvolvimento e iluminar o caminho das pessoas – as suas trajetórias também possuem semelhanças. Muito embora nascidos em países, períodos e culturas distintos, as suas vidas contém algo muito próximo. Vamos refletir sobre isso a partir de um trecho extraído do livro “A Yoga do Bhagavad Gita” de Yogananda?...

"Foi em 1920 que o mestre iogue indiano Paramahansa Yogananda deu início ao projeto de sua vida: apresentar, ao Ocidente, a essência da ciência espiritual de seu país. 

Em discurso proferido na cidade norte-americana de Boston, para líderes religiosos do mundo inteiro, além de tratar de yoga, ele apontou a mensagem comum contida tanto no Bhagavad Gita, escritura sagrada da Índia, como nos evangelhos cristãos. Seu mestre, Sri Yukteswar, era um notório estudioso das religiões do Oriente e do Ocidente e no livro “A Ciência Sagrada” já havia elencado tais semelhanças.

Deste primeiro discurso proferido por Yogananda na América, surgiu um livro intitulado “A Ciência da Religião” que aborda, de forma profunda, o tema “religião”, sobretudo a verdade expressa de diferentes formas por meio dela.

Jesus e Krishna são os expoentes máximos do Cristianismo e do Hinduísmo, respectivamente. Além de serem cosiderados por seus devotos grande avatares – que vieram à Terra apenas para auxiliar no processo de desenvolvimento e iluminar o caminho das pessoas – as suas trajetórias também possuem semelhanças. Muito embora nascidos em países, períodos e culturas distintos, as suas vidas contém algo muito próximo. Vamos refletir sobre isso a partir de um trecho extraído do livro “A Yoga do Bhagavad Gita” de Yogananda?


SEMELHANÇAS ENTRE JESUS E KRISHNA

*Trecho extraído do livro “A Yoga do Bhagavad Gita

É claro que a figura fundamental do Bhagavad Gita é Bhagavan Krishna. O Krishna histórico está velado pelo mistério das metáforas das escrituras e da mitologia.   As semelhanças entre os títulos “Krishna” e “Cristo” e as narrativas dos nascimentos miraculosos e dos primeiros anos de Krishna e de Jesus levaram algumas mentes analíticas a sugerir que eles fossem, certamente, uma e a mesma pessoa. Essa concepção pode ser plenamente rejeitada, com base mesmo em indícios históricos superficiais encontrados nos países em que se originaram... Yogananda costumava dizer que: “Saber que os avatares divinos, para se tornarem perfeitos, já tiveram de passar pelos mesmos tipos de provas e experiências humanas por que passamos nos dá esperança em nossa própria luta.”...

"É claro que a figura fundamental do Bhagavad Gita é Bhagavan Krishna. O Krishna histórico está velado pelo mistério das metáforas das escrituras e da mitologia. 

As semelhanças entre os títulos “Krishna” e “Cristo” e as narrativas dos nascimentos miraculosos e dos primeiros anos de Krishna e de Jesus levaram algumas mentes analíticas a sugerir que eles fossem, certamente, uma e a mesma pessoa. Essa concepção pode ser plenamente rejeitada, com base mesmo em indícios históricos superficiais encontrados nos países em que se originaram.


Não obstante, há algumas semelhanças. Ambos foram concebidos divinamente e os nascimentos deles e as missões para as quais Deus lhes ordenou foram preditas. Jesus nasceu em uma humilde manjedoura; Krishna, em uma prisão (onde seus pais Vasudeva e Devaki eram mantidos prisioneiros pelo perverso irmão de Devaki, Kansa, que havia usurpado o trono do pai). 

Tanto Jesus quanto Krishna escapuliram com êxito e foram postos em segurança quando um decreto que condenava à morte todas as crianças do sexo masculino foi proclamado para que eles fossem procurados e destruídos logo após o nascimento. Jesus foi chamado o bom pastor; Krishna, em seus primeiros anos, foi um vaqueiro. Jesus foi tentado e ameaçado por Satã; a força maligna perseguiu Krishna em formas demoníacas, buscando sem êxito assassiná-lo.


“Cristo” e “Krishna” são títulos que têm a mesma conotação espiritual: Jesus, o Cristo, e Yadava, o Krishna (Yadava, nome de família de Krishna, significa sua descendência de Yadu, originador da dinastia Vrishni). Esses títulos identificam o estado de consciência manifestado por esses dois seres iluminados, a unidade deles, estando encarnados, com a consciência de Deus onipresente na criação. 

A Consciência Crística Universal, ou Kutastha Chaitanya, a Consciência Universal de Krishna, é o “filho unigênito” ou único reflexo sem distorções de Deus, que permeia todos os átomos e todos os pontos do espaço no cosmos manifestado. A totalidade da consciência de Deus está manifestada naqueles que têm a plena percepção da Consciência de Cristo ou de Krishna. Como a consciência deles é universal, a luz que deles emana é derramada pelo mundo inteiro.

Um siddha é um ser aperfeiçoado que alcançou completa libertação no Espírito; ele se torna um paramukta, “supremamente livre”, e pode então voltar à terra como avatara – como o fizeram Krishna, Jesus e muitos outros salvadores da humanidade ao longo das eras. Sempre que a virtude declina, uma alma iluminada por Deus vem à terra para, novamente, impulsionar a virtude para diante (Gita IV:7-8). 

Um avatar, ou encarnação divina, tem dois propósitos na terra: um quantitativo e outro qualitativo. Do ponto de vista quantitativo, ele eleva o povo em geral por meio de seus nobres ensinamentos a respeito do bem contra o mal. Mas o principal propósito de um avatar é qualitativo: criar outras almas de realização divina, ajudando a tantos quanto seja possível a alcançarem a libertação.

UMA HISTÓRIA INSPIRADORA


Em 2011, o Brother Santoshananda (da ordem monástica da Self-Realization Fellowship) esteve no Brasil e contou:

“Havia uma menina que tinha  ganho da mãe um mapa mundi. Ela olhava, encantada, para a quantidade de países, cidades, rios, mares, dispostos à sua frente no papel brilhante e colorido.  O irmão mais velho, no entanto, pra acabar com a brincadeira, logo pegou o mapa e o rasgou em muitas partes, devolvendo à garotinha apenas os pedaços.

A menina foi se queixar com a mãe, que prometeu trazer um novo presente ainda naquele dia. Quando isso aconteceu, no entanto, a criança já tinha resolvido o problema. Percebendo que o verso do mapa apresentava a imagem de um homem, baseou-se nisso para colar as partes rasgadas que deram forma – novamente – ao seu mapa. O que aprender com essa história? O segredo da transformação planetária, que resultará em paz e harmonia entre todos, começa na transformação de cada ser humano.”

Yogananda costumava dizer que: “Saber que os avatares divinos, para se tornarem perfeitos, já tiveram de passar pelos mesmos tipos de provas e experiências humanas por que passamos nos dá esperança em nossa própria luta.”

Que Jesus e Krishna continuem nos abençoando com os seus exemplos e nós possamos, individualmente, trabalhar pelo nosso desenvolvimento tendo ciência de que – alinhados com o Pai – ele naturalmente acontecerá."



quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Mitologia Hindu: Brahma, Devas, Shiva, Trimurti, Varuna e Vishnu

A mitologia hindu é provavelmente uma das mais antigas do mundo. Seus primeiros mitos remontam a talvez 8000 anos e nasceram numa região conhecida como Vale do Indo (atual Paquistão)


Brahma é o primeiro deus da Trimurti, a trindade hindu mas não recebe tanta importância como os outros dois: Vishnu e Shiva. Brahma é considerado pelos hindus a representação da força criadora ativa no universo.  A visão de universo pelos hindus e cíclica. Depois que um universo é destruído por Shiva, Vishnu se encontra dormindo e flutuando no oceano primordial. Quando o próximo universo está para ser criado, Brahma aparece montado num Lótus, que brotou do umbigo de Vishnu e recria todo o universo.    Devas são Espíritos intimamente ligados e integrados à natureza, trabalhando nela sem questionar. Não são bons nem maus, mas podem ser manipulados pelos humanos para finalidades boas ou ruins.  Em um certo ponto de evolução, eles se individualizam, e podem ser confundidos com anjos, ou fadas. Em um certo estado de consciência, algumas pessoas podem vê-los. Podem se apresentar como gnomos, duendes, fadas, sereias, sílfides e outros.    Shiva é um deus (“Deva”) hindu, o Destruidor (ou o Transformador), participante da Trimurti juntamente com Brahma, o Criador, e Vishnu, o Preservador. Uma das duas principais linhas gerais do Hinduísmo é chamada de Shivaísmo em referência a Shiva.    Trimurti é a trindade divina do Hinduísmo, é composta pelos três principais deuses: Brahma, Vishnu e Shiva. Sendo Brahma a força criadora, Vishnu a força conservadora e Shiva a força destruidora.  O conceito de Trimurti tomou maturidade na época do chamado período Purânico. A Trimurti significa o caminho cíclico do tempo Hindu. Embora Vishnu e Shiva atraiam fortes cultos e adorações, o Senhor Brahma tende a arrastar-se para um plano secundário, como um deus criador. Frequentemente, a Trimurti é retratada como uma figura de três cabeças, devido a uma encarnação dela em Datattreya.    Varuna é um deus indiano da criação. Possivelmente é a mais augusta divindade do panteão védico. Varuna era um deus arquiteto e ferreiro, devido a isso possuía um conhecimento infinito. Organizou os ciclos do Sol, colocou cada rio em seu caminho, ordenou as fases da Lua, estruturou o relevo da Terra e se encarregou de nunca deixar o oceano cheio demais.  Por tudo isso ele tornou-se o rei dos deuses e assim pôde dominar também sobre o destino dos homens; sustentado a vida e a protegendo do mal. Porém um grande monstro desafiou os deuses e também Varuna. E uma profecia revelou que Varuna não poderia vencê-lo. O único capaz de vencer o monstro seria Indra, que ainda nasceria, e após vencer, tomaria o lugar de Varuna.  Varuna tentou impedir o nascimento de Indra, mas foi impossível, o jovem deus nasceu e tendo poder sobre os raios e tempestades venceu o monstro e se tornou o novo rei dos deuses. Varuna então se tornou o rei dos oceanos e senhor da Noite, dividindo o céu com Surya, o deus do Dia.     Na mitologia hindu, Vishnu (em hindi, विष्‍ण, da raiz sans. vishva = tudo), juntamente com Shiva e Brahma formam a Trimurti, a trindade divina hindú, sendo Vishnu o deus responsável pela manutenção do universo…  Segundo o hinduísmo, Vishnu vem ao mundo de diversas formas, chamadas avatares, que podem ser humanas, animais ou uma combinação dos dois. Todos esses avatares aparecem ao mundo, quando um grande mal ameaça a Terra, no total, existem dez avatares de Vishnu, das quais nove já se manifestaram no nosso mundo - sendo Rama e Krishna os mais conhecidos - e outra ainda está por vir.

Brahma é o primeiro deus da Trimurti, a trindade hindu mas não recebe tanta importância como os outros dois: Vishnu e Shiva. Brahma é considerado pelos hindus a representação da força criadora ativa no universo.

A visão de universo pelos hindus e cíclica. Depois que um universo é destruído por Shiva, Vishnu se encontra dormindo e flutuando no oceano primordial. Quando o próximo universo está para ser criado, Brahma aparece montado num Lótus, que brotou do umbigo de Vishnu e recria todo o universo.


Devas são Espíritos intimamente ligados e integrados à natureza, trabalhando nela sem questionar. Não são bons nem maus, mas podem ser manipulados pelos humanos para finalidades boas ou ruins.

Em um certo ponto de evolução, eles se individualizam, e podem ser confundidos com anjos, ou fadas. Em um certo estado de consciência, algumas pessoas podem vê-los. Podem se apresentar como gnomos, duendes, fadas, sereias, sílfides e outros.


Shiva é um deus (“Deva”) hindu, o Destruidor (ou o Transformador), participante da Trimurti juntamente com Brahma, o Criador, e Vishnu, o Preservador. Uma das duas principais linhas gerais do Hinduísmo é chamada de Shivaísmo em referência a Shiva.


Trimurti é a trindade divina do Hinduísmo, é composta pelos três principais deuses: Brahma, Vishnu e Shiva. Sendo Brahma a força criadora, Vishnu a força conservadora e Shiva a força destruidora.

O conceito de Trimurti tomou maturidade na época do chamado período Purânico. A Trimurti significa o caminho cíclico do tempo Hindu. Embora Vishnu e Shiva atraiam fortes cultos e adorações, o Senhor Brahma tende a arrastar-se para um plano secundário, como um deus criador. Frequentemente, a Trimurti é retratada como uma figura de três cabeças, devido a uma encarnação dela em Datattreya.


Varuna é um deus indiano da criação. Possivelmente é a mais augusta divindade do panteão védico. Varuna era um deus arquiteto e ferreiro, devido a isso possuía um conhecimento infinito. Organizou os ciclos do Sol, colocou cada rio em seu caminho, ordenou as fases da Lua, estruturou o relevo da Terra e se encarregou de nunca deixar o oceano cheio demais.

Por tudo isso ele tornou-se o rei dos deuses e assim pôde dominar também sobre o destino dos homens; sustentado a vida e a protegendo do mal. Porém um grande monstro desafiou os deuses e também Varuna. E uma profecia revelou que Varuna não poderia vencê-lo. O único capaz de vencer o monstro seria Indra, que ainda nasceria, e após vencer, tomaria o lugar de Varuna.

Varuna tentou impedir o nascimento de Indra, mas foi impossível, o jovem deus nasceu e tendo poder sobre os raios e tempestades venceu o monstro e se tornou o novo rei dos deuses. Varuna então se tornou o rei dos oceanos e senhor da Noite, dividindo o céu com Surya, o deus do Dia. 


Na mitologia hindu, Vishnu (em hindi, विष्‍ण, da raiz sans. vishva = tudo), juntamente com Shiva e Brahma formam a Trimurti, a trindade divina hindú, sendo Vishnu o deus responsável pela manutenção do universo…

Segundo o hinduísmo, Vishnu vem ao mundo de diversas formas, chamadas avatares, que podem ser humanas, animais ou uma combinação dos dois. Todos esses avatares aparecem ao mundo, quando um grande mal ameaça a Terra, no total, existem dez avatares de Vishnu, das quais nove já se manifestaram no nosso mundo - sendo Rama e Krishna os mais conhecidos - e outra ainda está por vir.


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sábado, 26 de setembro de 2009

Bhagavad-Gita: Canto III - Yoga da Ação

Arjuna disse:

1. Por que queres me engajar nesta terrível batalha, se achas que a compreensão é superior ao trabalho, ó Keshava, ó Jnardana?

2. Minha mente está confusa com Tuas palavras dúbias; dize-me, pois, com clareza o que é melhor para mim.

O Supremo Senhor disse:

3. Eu acabei de explicar que há dois tipos de pessoas tentando entender o Eu. Umas através da mente, outras por servir a Deus.

4. Não se é livre do dever porque se deixa de agir nem se atinge a perfeição somente pela renúncia.

5. Todo mundo tem que agir de acordo com o seu carma. Nem mesmo por um momento pode alguém deixar de agir.

6. Quem reprime os seus sentidos mas não livra sua mente dos objetos do desejo está enganando a si mesmo e não passa de um farsante.

7. Mas aquele que usa a mente no controle dos sentidos praticando a devoção e agindo com desapego, é digno de ser louvado.

8. Execute o seu trabalho pois esse procedimento é melhor que a inação. Sem trabalhar não se pode sequer manter-se o corpo.

9. Deve ser feito o trabalho como um sacrifício a Deus. Pois se é feito de outro modo, ele leva ao cativeiro do mundo material. Por isso ó filho de Kunti, execute o seu trabalho para a satisfação d'Ele, e assim você será livre.

10. No início da criação o Pai de todos os seres enviou muitas gerações de homens e semideuses com o fim de executar sacrifícios para Vishnu e abençoou-os dizendo: "Que vós sejais bem felizes; através dos sacrifícios tereis o que desejardes.

11. Agradando aos semideuses eles vos serão propícios. E assim - os deuses e os homens cooperando mutuamente - haverá muita fartura".

12. Os semideuses contentes com os vossos sacrifícios saciarão vossos desejos. Mas quem desfruta das dádivas sem ofertá-las aos deuses é certamente um ladrão.

13. Os devotos do Senhor estão livres do pecado porque comem alimento ofertado em sacrifício. Os que preparam a comida para o gozo dos sentidos apenas comem pecado.

14. Nossos corpos materiais são nutridos pelos grãos produzidos pelas chuvas. As chuvas são produzidas por força dos sacrifícios, os quais são provenientes das obrigações prescritas.

15. Todas as obrigações estão prescritas nos Vedas, e os Vedas se manifestam diretamente de Deus. Por isso o Brahman Supremo é presente eternamente no rito de sacrifício.

16. Quem não adota a seqüência de sacrifícios prescritos pelas escrituras védicas decerto vive em pecado. Vive em vão quem vive apenas como um servo dos sentidos, ó descendente de Pritha.

17. Mas para aquele que encontra contentamento no Eu, e se ilumina no Eu, já não há obrigação.

18. Ele já não tem razão para cumprir dever algum. Nem tampouco tem razão para não fazer o que deve. Ele também não precisa depender mais de ninguém.

19. Por isso deve-se agir sem apego a resultados, mas apenas por dever, pois agindo sem apego, o homem atinge o Supremo.

20. Mesmo os reis como Janaka chegaram à perfeição por cumprirem seus deveres. Do mesmo modo você deve fazer seu trabalho para ensinar pelo exemplo.

21. Qualquer ação praticada por um homem superior é tomada como exemplo por toda a comunidade como se fosse um padrão que todos querem seguir.

22. Ó descendente de Pritha, não há dever que me obrigue em qualquer um dos três mundos. Não sinto falta de nada nem necessito de nada, mas mesmo assim Eu Me ocupo em cumprir o que é prescrito.

23. Se alguma vez Eu deixasse de ocupar-Me com cuidado da execução dos deveres decerto todos os homens seguiriam o Meu exemplo.

24. Se Eu deixasse de cumprir os Meus deveres prescritos arruinaria os três mundos criando prole indesejada, destruindo assim a paz de todos os seres vivos.

25. Assim como os ignorantes executam seus deveres com apego aos resultados, igualmente os que são sábios também cumprem seu dever, sem desejar nada em troca, apenas com o propósito de conduzir as pessoas para o caminho correto.

26. Que o sábio não confunda a mente dos ignorantes que trabalham pelo ganho, procurando encorajá-los a abster-se de trabalhar. Ele só deve ensiná-los a servir com devoção.

27. A alma estando confundida pelo mundo material coloca-se como autora do que na verdade é feito pela ação da natureza.

28. Quem possui conhecimento da Realidade Absoluta, Arjuna de braços fortes, não se ocupa na procura dos prazeres dos sentidos, pois bem sabe a diferença entre agir por devoção ou apegado aos resultados.

29. Por estarem confundidos pelas três qualidades da matéria, os ignorantes se ocupam com os assuntos mundanos, ficando muito apegados. Não deve, no entanto, o sábio por causa disso agitá-los. Eles agem desse modo por falta de entendimento.

30. Por esse motivo, Arjuna, com a mente fixa em Mim, sem desejar nada em troca, e ofertando-Me os teus atos, lute sem desanimar!

31. Quem executa os deveres conforme os Meus preceitos, quem segue Minhas lições com muita fé e devoção, sem se levar pela inveja, fica livre da prisão do trabalho interesseiro.

32. Mas os que, devido à inveja, não praticam Meus preceitos, privam-se completamente de todo o conhecimento, malogrando seus esforços de atingir a perfeição.

33. Até mesmo os eruditos não podem deixar de agir de acordo com os ditames de sua própria natureza. Que adianta se reprimir?

34. Todo mundo experimenta atração ou repugnância pelos objetos sensíveis; mas ninguém deve servir ao império dos sentidos que são pedras no caminho que leva à libertação.

35. É muito melhor cumprir, embora imperfeitamente, as próprias obrigações do que cumprir as dos outros da maneira mais perfeita. Morrer cumprindo o dever é correr menos perigo do que perder seu caminho.

Arjuna disse:

36. Ó descendente de Vrishni, o que faz o homem pecar, embora contra a vontade, como se fosse forçado?

O Supremo Senhor fala:

37. É tão-somente a luxúria gerada pela paixão que mais tarde se transforma em ira, a grande inimiga pecaminosa e voraz devoradora de tudo.

38. Como o fumo cobre o fogo, a poeira cobre o espelho e o útero cobre o feto, de maneira similar o ser vivo está coberto por camadas de luxúria.

39. Desse modo a consciência é coberta de luxúria, que é sua eterna inimiga, pois nunca se satisfaz e arde tanto como o fogo.

40. A mente e os cinco sentidos, assim como a inteligência, são moradas da luxúria, que cobrindo a consciência do ser vivo, o desnorteia.

41. Sendo assim, filho de Bhárata, subjugue desde o princípio o causador do pecado controlando os seus sentidos, e aniquile o matador da alma e do conhecimento.

42. Os sentidos se situam acima dos seus objetos. Mais acima dos sentidos está situada a mente. Em posição superior se situa a inteligência e, acima desta, está a alma.

43. Sabendo então que transcende, tanto aos sentidos e à mente, assim como à inteligência, deve por isso a Pessoa, Arjuna de braços fortes, domar o eu inferior e, com a força do espírito, vencer de vez a luxúria, esse inimigo terrível.

Fonte: Bhagavad-Gita, o texto faz parte da epopéia Mahâbhârata, que compõe as Escrituras Sagradas da milenar cultura indiana.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

QUARENTA VERSOS DO GITA

(Para leitura diária e contemplação)

"Eu ofereço minhas respeitosas reverências ao Senhor Krishna, o mestre universal, que é filho de Vasudeva; o removedor de todos os obstáculos; a suprema bem-aventurança de Sua mãe Devaki, e cuja graça faz o mudo falar, e o aleijado cruzar as montanhas.

O rei inquiriu: Sanjaya, por favor, agora diga-me, em detalhes, o que fizeram os meus (os Kauravas) e os Pandavas no campo de batalha antes da guerra começar? (1.01)

Sanjaya disse: O Senhor Krishna falou as seguintes palavras para o abatido Arjuna, cujos olhos estavam lacrimosos, e que estava sob a compaixão e o desespero. (2.01)

O Senhor Krishna disse: dizendo sábias palavras, “Seu lamento por aqueles não merece o seu pesar. O sábio nunca se lamenta nem pelos vivos e nem pelos mortos”. (2.11)

Da mesma forma que a alma adquire um corpo na infância, um corpo na juventude, e um corpo na velhice, durante a sua vida, similarmente, a alma adquire outro corpo após a morte. Isso não deveria iludir um sábio ( 2.13).

Assim como uma pessoa coloca uma nova roupa após desfazer-se das velhas, similarmente, a entidade viva, ou a alma individual, adquire um novo corpo após jogar fora o velho corpo. (2.22)

Engaje-se da mesma forma, no manejo da luta, no prazer ou na dor, ganho ou perda, vitória e derrota, no seu dever. Por fazer sua obrigação deste jeito você não irá incorrer em pecado. (2.38)

Você tem o controle sobre os feitos apenas da sua responsabilidade, mas não controle ou reclamação sobre os resultados. Os frutos do trabalho não devem ser seu motivo, e você nunca deverá ser inativo. (2.47)

Um Karmayogi, ou uma pessoa desapegada, torna-se livre tanto da virtude como do vício em sua vida. Portanto, esforce-se por serviço desapegado. Trabalhar o melhor das suas habilidades, sem apegar-se egoisticamente pelos frutos do trabalho, chama-se Karmayoga ou Seva. (2.50)

A mente, quando controlada pelo vaguear dos sentidos, rouba o intelecto, do mesmo modo que uma tempestade desvia um barco no mar do seu destino - a praia espiritual da paz e da felicidade. (2.67)

As forças da natureza fazem todo o trabalho, mas devido a ilusão uma pessoa ignorante supõem-se a si mesma como executora (3.27).

Assim, conhecendo o Ser como o mais alto, e controlando a mente pela inteligência, que é purificada pela prática espiritual, deve-se matar este poderoso inimigo, luxúria, Ó Arjuna, com a espada do conhecimento verdadeiro do Ser. (3.43)

Toda a vez que há um declínio do Dharma (reto-agir; Justiça) e a predominância de Adharma (injustiça), Ó Arjuna, Eu Me manifesto. Eu apareço de tempos em tempos para proteger os bons, para mudar os malvados, e restabelecer a ordem no mundo (Dharma). (4.07-08)

Eu criei as quatro divisões da sociedade humana baseado na aptidão e na vocação. De qualquer forma, Eu sou o autor deste sistema de divisão do trabalho; deve-se saber que Eu não faço nada diretamente, e que Eu sou eterno (4.13).

Aquele que vê a inação na ação e a ação na inação, é uma pessoa sábia. Tal pessoa é um yogi e possui tudo por completo (4.18).

O divino espírito é a causa transformadora de tudo. A Divindade (Brahman, o Ser, o Espírito) será realizada por aqueles que consideram tudo como uma manifestação (ou um ato) do Divino (4.24).

Verdadeiramente, não há nada mais puro neste mundo do que o conhecimento do Ser Supremo. Aquele que descobre este conhecimento interiormente, de forma natural, no curso do tempo, quando suas mentes estão limpas e livres do egoísmo pelo KarmaYoga (veja, também, 4.31; 5.06 e 18.768) (4.38).

Mas a verdadeira renúncia (a renúncia da possessão e do fazer com vistas aos resultados), Ó Arjuna, é difícil de alcançar sem o Karmayoga. Um sábio equipado com o karmayoga, rapidamente alcança o Nirvana (5.06).

Aquele que faz todo o trabalho como uma oferenda para Deus – abandonando o apego egoísta aos resultados – fica intocado pelas reações kármicas, ou pecados, exatamente como uma flor de lótus jamais é molhada pela água (5.10)

Aquele que Me vê em Tudo, e vê tudo em Mim, não se desliga de Mim, e Eu não me desligo dele (6.30).

Quatro tipo de pessoas virtuosas adoram-Me ou Me procuram, Ó Arjuna; são elas: o aflito; o que busca por auto-conhecimento; o que procura riqueza, e o iluminado que experimentou o Ser Supremo (7.16).

Após muitos nascimentos o devoto esclarecido recorre a Mim, entendendo que todas as coisas são, na realidade, Minha manifestação. Semelhante alma é muito rara (7.19).

O ignorante – incapaz de entender Minha forma imutável, incomparável, incompreensível e transcendental – supõe que Eu, o Ser Supremo, Sou sem forma, e pego uma forma ou encarnação (7.24).

Remembering whatever object one leaves the body at the end of life, one attains that object. Thought of whatever object prevails during one's lifetime, one remembers only that object at the end of life and achieves it. (8.06)

Portanto, sempre lembre-se de Mim, e faça a suas obrigações. Com certeza, você irá alcançar-Me, se a sua mente, e o seu intelecto, estiverem sempre focados em Mim (8.07).

Eu sou facilmente alcançado, Ó Arjuna, por aquele que é sempre leal, devotado, e que sempre pensa em Mim, e cuja mente não vai para outro lugar (8.14).

Eu, pessoalmente, tomo conta tanto do bem-estar material como do espiritual dos devotos sempre leais, que sempre se lembram e Me adoram com contemplação sincera (9.22).

Ofereça-Me uma folha, uma flor, um fruto ou água com devoção, Eu aceitarei e provarei a oferenda da devoção pelo coração puro (9.26).

Pense sempre em Mim; seja devotado a Mim; adore-Me, e faça reverências para Mim. Assim, unindo o seu ser Comigo, colocando-Me como meta suprema e único refúgio, você certamente chegará até a Mim (9.34).

Eu sou a origem de tudo. Tudo emana de Mim. O sábio que entende isto, Me adora com amor e devoção (10.08).

Aquele que dedica todos seus trabalhos para Mim, e para quem Eu sou a meta suprema; que é meu devoto; que não possui apegos ou desejos egoístas; que está livre da maldade para com todas as criaturas, alcança-Me, Ó Arjuna (veja, também, 8.22) (11.55).

Portanto, focalize a sua mente em Mim e deixe a sua inteligência residir apenas em Mim, através da meditação e da contemplação. Desde então, você certamente Me alcançará. (12.08)

Aquele que vê o mesmo e eterno Senhor Supremo, residindo como Espírito, igualmente em todos os seres mortais, de fato vê (13.27).

Aquele que serve a Mim com amor, e com devoção inabaláveis, transcende os três modos da natureza material e adequa-se ao Nirvana (ver 7.14 e 15.19) (14.26).

E Eu estou sentado na psique interior de todos os seres. Memória, auto-conhecimento, remoção das dúvidas, e das falsas noções sobre Deus, vêm de Mim. Eu sou, na verdade, o que é para ser conhecido pelo estudo de todos os Vedas. Eu sou, realmente, o autor bem como o estudante dos Vedas (Veja, também, 6.39) (15.15).

Luxúria, ira e avareza são os três portões do inferno, que conduzem o indivíduo para a queda (ou cativeiro). Então, aprenda como abandoná-los (16.21).

O discurso que não é ofensivo, verdadeiro, agradável, benéfico, e é usado para a leitura regular em voz alta das escrituras é chamado de austeridade da palavra (17.15).

Pela devoção uma pessoa entende, verdadeiramente, o que, e quem, Eu sou em essência. Tendo Me conhecido em essência, imediatamente, a pessoa liga-se a Mim (veja, também, 5.19) (18.55).

O Senhor Supremo – como o controlador habitante na psique interior de todos os seres – motiva-os para trabalhar nos seus Karmas, como um fantoche (do karma criado pelo livre arbítrio), montados numa máquina (18.61).

Ponha de lado todas os feitos meritórios e rituais religiosos, e simplesmente renda-se por completo a Mim, com fé firme, amor e devoção. Eu irei libertar você de todos os pecados, as amarrados do Karma. Não sofra (18.66).

Aquele que propagar esta filosofia secreta – o transcendental conhecimento do Gita – entre Meus devotos, realizará o mais elevado serviço devocional para Mim, e certamente virá até a Mim, e não haverá ninguém sobre a Terra que seja mais querido por Mim (18.68-69).

Em todo o lugar que estejam, tanto Krishna, o Senhor do Yoga (ou Dharma na forma das escrituras), e Arjuna, com o arco da obrigação, e proteção, ali haverá prosperidade,vitória, felicidade, e moralidade. Esta é a Minha convicção (18.78).

Que o Senhor abençoe a todos com Bondade, Prosperidade e Paz."

Bhagavad Gita por Ramananda Prasad © Tradução de Sriman Ojasvi dasa vyasa - Direitos autorais de tradução para língua portuguesa reservados ao tradutor - Nenhuma parte desta obra pode ser copiada sem referências ao autor e ao tradutor. http://www.gita-society.com/language/brazil_intro.htm

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