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sábado, 21 de fevereiro de 2015

Martinho Lutero e a Religião Católica



A gravura do século XVI mostra sacerdotes (a cavalo)
e agentes de banqueiros (sentado à mesa),
na antiga Alemanha, vendendo cartas de indulgências. 
Martinho Lutero nasceu em 1483 em Eisleben, na Alemanha.  Apesar de pertencer a uma família pobre seus pais fizeram questão que estudasse. Aos 18 anos conseguiu entrar na Universidade de Erfurt para cursar direito. 

Como se interessava mais pelo estudo da Bíblia trocou este curso pelo de Teologia e ingressou em um convento agostiniano. Lá jejuava, orava e lia a Bíblia. Aos 29 anos tornou-se doutor em Teologia.

A valorização do indivíduo com o movimento cultural do Renascimento propôs uma nova visão sobre a Igreja e a religião criando um clima favorável a mudanças.  Foi neste ambiente em que emergiu Martinho Lutero. Martinho Lutero provocou uma grande mudança na história do catolicismo. Rompeu com a Igreja Católica e lançou as bases da Reforma Protestante. 

Desde o século XIV a Igreja católica vinha perdendo autoridade e prestígio. Práticas não condizentes com sua doutrina como a venda de indulgências, de cargos eclesiásticos e a inadequação do alto clero que se comportava de maneira mundana e luxuosa abalaram a crença de muitos fiéis na instituição. Martinho Lutero provocou mudanças profundas ao denunciar esta situação no século XVI.

As 95 teses de Lutero deram origem a um movimento de ruptura que levou à criação de uma nova religião cristã, o luteranismo, identificado como um movimento protestante em relação ao catolicismo. Veja neste post da professora Carla Regina da Silva todos os detalhes da História da Reforma Protestante. Cai nos vestibulares, no Enem, e no Encceja também.

Vamos ver porque um grande número de pessoas, grupos sociais e líderes políticos e religiosos estavam insatisfeitos com a Igreja?
  • A insatisfação de reis e príncipes: o papa passou a ser visto como um impedimento ao poder real e a saída de dinheiro (taxas e tributos pagos pelos fiéis à Igreja) dos domínios reais para Roma, a sede do papado, criou um clima de insatisfação na realeza.
  • O descontentamento da burguesia: a Igreja defendia a teoria do preço justo (a venda de um produto não deveria incluir o lucro) e proibia o empréstimo de dinheiro a juros.
  • Os abusos de membros da Igreja: venda de cargos eclesiásticos, comércio de artigos religiosos (relíquias), de indulgências (venda do perdão dos pecados) e comportamento inadequado ao clero (vida luxuosa e mundana que se contrastava com a espiritualidade de cristãos e da própria doutrina defendida pela Igreja).

Lutero posicionou-se fortemente contra a prática da venda de indulgências em suas 95 teses. O que Martinho Lutero fez, na prática, com a humildade de um membro da Igreja Católica,  foi questionar se a Igreja estava, em essência, cumprindo a essência do Cristianismo. Indiretamente era uma denúncia contra a forma como o Alto Clero se comportava e dirigia a instituição. O feito foi de um tsunami que já dura cinco séculos.

Fonte: RODRIGUEZ, Joelza Ester Domingues. História em documento: imagem e texto, 7º. ano. Ed. renovada. São Paulo: FTD, 2009. p. 207.


Veja aqui algumas das 95 teses de Lutero:

Tese 6: O papa não pode perdoar dívida, senão declarar e confirmar aquilo que já foi perdoado por Deus, ou então o faz nos casos que lhe foram reservados. Nestes casos, se desprezados, a dívida em absoluto deixaria de ser anulada ou perdoada. (…)

Tese 27: Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório. (…)

Tese 86: Por que o papa, cuja fortuna é maior do que a dos ricos Crassos, não constrói com seu próprio dinheiro a Basílica de São Pedro, em vez de fazê-lo com o dinheiro dos pobres fiéis?

Você já imaginou nas mudanças que estas teses provocaram na época de Lutero? Essas ideias foram publicadas e se espalharam pela Alemanha ganhando adeptos entre ricos e pobres.

O caso radicalizou-se.  Por causa das 95 teses Martinho Lutero foi excomungado e expulso da Igreja pelo papa Leão X que teve apoio de Carlos V, imperador alemão. O príncipe da Saxônia, Frederico, protegeu Lutero. Ali, ele fundou uma nova religião: o Luteranismo. Traduziu a Bíblia para o alemão e tornou o texto sagrado acessível ao povo.

A doutrina luterana baseava-se na frase de São Pedro “Pela fé sereis salvo”:

1. Somente a fé em Deus salva as pessoas.

2. A Bílbia, por meio da qual Deus se revela, é a única fonte realmente confiável.

3. O Batismo e a eucaristia são os dois únicos sacramentos.

4. O culto aos santos e a infalibilidade do papa não têm fundamentos.

5. Qualquer membro da Igreja pode se casar.

Por que o nome Protestante?

Um grupo de nobres que apoiavam Martinho Lutero protestou contra a decisão do imperador católico Carlos V de expulsá-lo do império e contra a proibição do culto luterano nos principados católicos. Daí o nome Protestante para designar os seguidores de Lutero e das igrejas surgidas a partir da Reforma.

A Contrarreforma – Veja a reação da Igreja Católica contra o Protestantismo:

A Contrarreforma, ou Reforma Católica (século XVI), surgiu no interior da própria Igreja católica com o objetivo de conter o avanço do Protestantismo.


sábado, 7 de janeiro de 2012

Salmo XXXV: “Deus restaura a honra do inocente”

O Salmo 35 é um Salmo de Lamentação e Súplica, que se caracteriza pela lamentação acompanhada de oração sobre o tema do perigo de vida, a opressão do inimigo, ou de outra circunstância aflitiva pessoal. O Salmo 35 é bastante eficaz para alcançar a cura de males corporais, mentais e/ou espirituais, para vencer inimigos e dissipar energias negativas. Leia este Salmo para obter justiça e proteção divina contra inimigos visíveis e invisíveis; para proteger os animais contra o extermínio, os cativeiros, os maus-tratos e a extinção.




1. Contende, Senhor, com aqueles que contendem comigo; combate contra os que me combatem.

2. Pega do escudo e do pavês, e levanta-te em meu socorro.

3. Tira da lança e do dardo contra os que me perseguem. Dize à minha alma: Eu sou a tua salvação.

4. Sejam envergonhados e confundidos os que buscam a minha vida; voltem atrás e se confundam os que contra mim intentam o mal.

5. Sejam como a moinha diante do vento, e o anjo do Senhor os faça fugir.

6. Seja o seu caminho tenebroso e escorregadio, e o anjo do Senhor os persiga.

7. Pois sem causa me armaram ocultamente um laço; sem razão cavaram uma cova para a minha vida.

8. Sobrevenha-lhes inesperadamente a destruição, e prenda-os o laço que ocultaram; caiam eles nessa mesma destruição.

9. Então minha alma se regozijará no Senhor; exultará na sua salvação.

10. Todos os meus ossos dirão: ó Senhor, quem é como tu, que livras o fraco daquele que é mais forte do que ele? sim, o pobre e o necessitado, daquele que o rouba.

11. Levantam-se testemunhas maliciosas; interrogam-me sobre coisas que eu ignoro.

12. Tornam-me o mal pelo bem, causando-me luto na alma.

13. Mas, quanto a mim, estando eles enfermos, vestia-me de cilício, humilhava-me com o jejum, e orava de cabeça sobre o peito.

14. Portava-me como o faria por meu amigo ou meu irmão; eu andava encurvado e lamentando-me, como quem chora por sua mãe.

15. Mas, quando eu tropeçava, eles se alegravam e se congregavam; congregavam-se contra mim, homens miseráveis que eu não conhecia; difamavam-me sem cessar.

16. Como hipócritas zombadores nas festas, rangiam os dentes contra mim.

17. Ó Senhor, até quando contemplarás isto? Livra-me das suas violências; salva a minha vida dos leões!

18. Então te darei graças na grande assembléia; entre muitíssimo povo te louvarei.

19. Não se alegrem sobre mim os que são meus inimigos sem razão, nem pisquem os olhos aqueles que me odeiam sem causa.

20. Pois não falaram de paz, antes inventam contra os quietos da terra palavras enganosas.

21. Escancararam contra mim a sua boca, e dizem: Ah! Ah! Os nossos olhos o viram.

22. Tu, Senhor, o viste, não te cales; Senhor, não te alongues de mim.

23. Acorda e desperta para o meu julgamento, para a minha causa, Deus meu, e Senhor meu.

24. Justifica-me segundo a tua justiça, Senhor Deus meu, e não se regozijem eles sobre mim.

25. Não digam em seu coração: Eia! cumpriu-se o nosso desejo! Não digam: Nós o havemos devorado.

26. Envergonhem-se e confundam-se à uma os que se alegram com o meu mal; vistam-se de vergonha e de confusão os que se engrandecem contra mim.

27. Bradem de júbilo e se alegrem os que desejam a minha justificação, e digam a minha justificação, e digam continuamente: Seja engrandecido o Senhor, que se deleita na prosperidade do seu servo.

28. Então a minha língua falará da tua justiça e do teu louvor o dia todo.



Palavras da salvação, graças a Deus!

Fonte: Bíblia Sagrada 
 Livro: Salmos - Salmo 35 - Imagem: Google Images, editada, Salmo 35:26 - Vídeo: You Tube, via: 05alberico

sábado, 26 de setembro de 2009

Bhagavad-Gita: Canto III - Yoga da Ação

Arjuna disse:

1. Por que queres me engajar nesta terrível batalha, se achas que a compreensão é superior ao trabalho, ó Keshava, ó Jnardana?

2. Minha mente está confusa com Tuas palavras dúbias; dize-me, pois, com clareza o que é melhor para mim.

O Supremo Senhor disse:

3. Eu acabei de explicar que há dois tipos de pessoas tentando entender o Eu. Umas através da mente, outras por servir a Deus.

4. Não se é livre do dever porque se deixa de agir nem se atinge a perfeição somente pela renúncia.

5. Todo mundo tem que agir de acordo com o seu carma. Nem mesmo por um momento pode alguém deixar de agir.

6. Quem reprime os seus sentidos mas não livra sua mente dos objetos do desejo está enganando a si mesmo e não passa de um farsante.

7. Mas aquele que usa a mente no controle dos sentidos praticando a devoção e agindo com desapego, é digno de ser louvado.

8. Execute o seu trabalho pois esse procedimento é melhor que a inação. Sem trabalhar não se pode sequer manter-se o corpo.

9. Deve ser feito o trabalho como um sacrifício a Deus. Pois se é feito de outro modo, ele leva ao cativeiro do mundo material. Por isso ó filho de Kunti, execute o seu trabalho para a satisfação d'Ele, e assim você será livre.

10. No início da criação o Pai de todos os seres enviou muitas gerações de homens e semideuses com o fim de executar sacrifícios para Vishnu e abençoou-os dizendo: "Que vós sejais bem felizes; através dos sacrifícios tereis o que desejardes.

11. Agradando aos semideuses eles vos serão propícios. E assim - os deuses e os homens cooperando mutuamente - haverá muita fartura".

12. Os semideuses contentes com os vossos sacrifícios saciarão vossos desejos. Mas quem desfruta das dádivas sem ofertá-las aos deuses é certamente um ladrão.

13. Os devotos do Senhor estão livres do pecado porque comem alimento ofertado em sacrifício. Os que preparam a comida para o gozo dos sentidos apenas comem pecado.

14. Nossos corpos materiais são nutridos pelos grãos produzidos pelas chuvas. As chuvas são produzidas por força dos sacrifícios, os quais são provenientes das obrigações prescritas.

15. Todas as obrigações estão prescritas nos Vedas, e os Vedas se manifestam diretamente de Deus. Por isso o Brahman Supremo é presente eternamente no rito de sacrifício.

16. Quem não adota a seqüência de sacrifícios prescritos pelas escrituras védicas decerto vive em pecado. Vive em vão quem vive apenas como um servo dos sentidos, ó descendente de Pritha.

17. Mas para aquele que encontra contentamento no Eu, e se ilumina no Eu, já não há obrigação.

18. Ele já não tem razão para cumprir dever algum. Nem tampouco tem razão para não fazer o que deve. Ele também não precisa depender mais de ninguém.

19. Por isso deve-se agir sem apego a resultados, mas apenas por dever, pois agindo sem apego, o homem atinge o Supremo.

20. Mesmo os reis como Janaka chegaram à perfeição por cumprirem seus deveres. Do mesmo modo você deve fazer seu trabalho para ensinar pelo exemplo.

21. Qualquer ação praticada por um homem superior é tomada como exemplo por toda a comunidade como se fosse um padrão que todos querem seguir.

22. Ó descendente de Pritha, não há dever que me obrigue em qualquer um dos três mundos. Não sinto falta de nada nem necessito de nada, mas mesmo assim Eu Me ocupo em cumprir o que é prescrito.

23. Se alguma vez Eu deixasse de ocupar-Me com cuidado da execução dos deveres decerto todos os homens seguiriam o Meu exemplo.

24. Se Eu deixasse de cumprir os Meus deveres prescritos arruinaria os três mundos criando prole indesejada, destruindo assim a paz de todos os seres vivos.

25. Assim como os ignorantes executam seus deveres com apego aos resultados, igualmente os que são sábios também cumprem seu dever, sem desejar nada em troca, apenas com o propósito de conduzir as pessoas para o caminho correto.

26. Que o sábio não confunda a mente dos ignorantes que trabalham pelo ganho, procurando encorajá-los a abster-se de trabalhar. Ele só deve ensiná-los a servir com devoção.

27. A alma estando confundida pelo mundo material coloca-se como autora do que na verdade é feito pela ação da natureza.

28. Quem possui conhecimento da Realidade Absoluta, Arjuna de braços fortes, não se ocupa na procura dos prazeres dos sentidos, pois bem sabe a diferença entre agir por devoção ou apegado aos resultados.

29. Por estarem confundidos pelas três qualidades da matéria, os ignorantes se ocupam com os assuntos mundanos, ficando muito apegados. Não deve, no entanto, o sábio por causa disso agitá-los. Eles agem desse modo por falta de entendimento.

30. Por esse motivo, Arjuna, com a mente fixa em Mim, sem desejar nada em troca, e ofertando-Me os teus atos, lute sem desanimar!

31. Quem executa os deveres conforme os Meus preceitos, quem segue Minhas lições com muita fé e devoção, sem se levar pela inveja, fica livre da prisão do trabalho interesseiro.

32. Mas os que, devido à inveja, não praticam Meus preceitos, privam-se completamente de todo o conhecimento, malogrando seus esforços de atingir a perfeição.

33. Até mesmo os eruditos não podem deixar de agir de acordo com os ditames de sua própria natureza. Que adianta se reprimir?

34. Todo mundo experimenta atração ou repugnância pelos objetos sensíveis; mas ninguém deve servir ao império dos sentidos que são pedras no caminho que leva à libertação.

35. É muito melhor cumprir, embora imperfeitamente, as próprias obrigações do que cumprir as dos outros da maneira mais perfeita. Morrer cumprindo o dever é correr menos perigo do que perder seu caminho.

Arjuna disse:

36. Ó descendente de Vrishni, o que faz o homem pecar, embora contra a vontade, como se fosse forçado?

O Supremo Senhor fala:

37. É tão-somente a luxúria gerada pela paixão que mais tarde se transforma em ira, a grande inimiga pecaminosa e voraz devoradora de tudo.

38. Como o fumo cobre o fogo, a poeira cobre o espelho e o útero cobre o feto, de maneira similar o ser vivo está coberto por camadas de luxúria.

39. Desse modo a consciência é coberta de luxúria, que é sua eterna inimiga, pois nunca se satisfaz e arde tanto como o fogo.

40. A mente e os cinco sentidos, assim como a inteligência, são moradas da luxúria, que cobrindo a consciência do ser vivo, o desnorteia.

41. Sendo assim, filho de Bhárata, subjugue desde o princípio o causador do pecado controlando os seus sentidos, e aniquile o matador da alma e do conhecimento.

42. Os sentidos se situam acima dos seus objetos. Mais acima dos sentidos está situada a mente. Em posição superior se situa a inteligência e, acima desta, está a alma.

43. Sabendo então que transcende, tanto aos sentidos e à mente, assim como à inteligência, deve por isso a Pessoa, Arjuna de braços fortes, domar o eu inferior e, com a força do espírito, vencer de vez a luxúria, esse inimigo terrível.

Fonte: Bhagavad-Gita, o texto faz parte da epopéia Mahâbhârata, que compõe as Escrituras Sagradas da milenar cultura indiana.

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