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terça-feira, 3 de abril de 2018

O Feitiço da Lua – Mês de Abril




O livro "O Feitiço da Lua", é um relato da jornada mística da bruxa e escritora brasileira Márcia Frazão, através do seu depoimento de encontros e desencontros vividos. 

Partindo da filosofia de suas ancestrais, em especial sua avó Vitalina e sua bisavó Luíza, Márcia nos mostra os segredos da "Grande Senhora" e apresenta as 12 Luas - dos antepassados, da busca do conhecimento, do olho interior, das vozes do mundo, do contar histórias, dos labirintos, das sereias, da loba, da risada de Afrodite, da cura, dos sonhos, de contar as bênçãos e da serpente.

Na obra, cada mês é acompanhado de um calendário para se reverenciar as grandes deusas da Magia e da Sabedoria. A seguir reproduzo informações contidas no livro referentes ao mês de abril e sua respectiva Lua.

Também conhecida como: Lua da Colheita, Lua do Derramamento, Winterfylleth  Aproximação do Inverno), Windermanob (Mês da Vindima), Mês da Folha Caída, Mês dos Dez Frios, Lua da Mudança de Estação.

Espírito da Natureza: fadas das nevascas e das plantas.

Ervas: madressilva, acrimônia, Hissopo.

Cores: prata, cinza-azulado.

Flores: lótus, jasmim, nenúfar.

Essências: lírio florentino, olíbano.

Pedras: pérola, selenita, ágata branca.

Árvore: carvalho, acácia, freixo.

Animais: besouro, tartaruga, golfinho, baleia.

Aves: íbis, estorninho, andorinha.

Deidades: Khepe, Atena, Juno, Hel, Holda, Cerridwen, Néftis, Vênus.

Fluxo de Poder: energia relaxada; preparação, sucesso. Trabalho de sonhos adivinhação, meditação sobre objetivos e planos, especialmente espirituais.

Dia
Mês
Celebração
01
04
- Dia em que em Roma se iniciava o mês dedicado à adoração de Vênus: deusa da beleza, amor e sexualidade.
- Dia em que os árabes celebravam Al-Lat: deusa lunar mãe de todos os deuses.
- Dia em que os gauleses celebravam Blodewedd: deusa protetora dos amantes.
02
04
- Dia em que os antigos portugueses realizaram a festa em celebração de A-Ma: deusa lunar, protetora dos mares e pescados.
- Dia em que os esquimós celebram a deusa sedna: protetora dos mares e senhora dos mistérios da vida e da morte.
03
04
- Dia em que a Cereália, festa das sementes e da abundância, dedicada à deusa Flora: senhora da vegetação.
04
04
- Dia em que os antigos romanos celebravam a Magalésia de Cibele, deusa das cavernas e da terra.
- Dia em que os apaches celebravam a Mulher das Transformações: deusa que representa a Grande Mãe Terra. 
05
04
- Dia em que os antigos romanos celebravam a deusa Fortuna: senhora da abundância e do destino.
06
04
- Dia em que na China se celebra o Ching-Ming, dedicado a Kwan-Yin: deusa protetora dos homens.
07
04
- Dia em que os romanos celebravam a festa de Blajini, quando oferendas são feitas para o espírito das águas do mundo dos mortos.
08
04
- Dia em que os antigos gregos celebravam a Mounichia, festival dedicado à deusa Ártemis.
09
04
- Dia em que os antigos romanos celebravam Bellona, deusa da diplomacia e da guerra.
10
04
- Dia em que os antigos babilônios celebravam a deusa Bau:protetora da noite.
- Neste dia também celebramos a Ops: antiga deusa romana, que dá aos homens a opulência e frutos da terra.
11
04
- Dia em que os antigos habitantes da Armênia celebravam Anahit: deusa da lua, do amor e do nascimento.
- Na tradição dos antigos persas, este dia pertencia a deusa Kista: doadora do conhecimento espiritual. 
12
04
- Dia em que Taiwan celebra a deusa Chu-Si-Niu-Niu, mãe de todos os seres e aquela que da proteção as mulheres na hora do parto.
- Neste dia, os antigos gregos honravam Ilítia: deusa protetora dos partos.
13
04
- Dia em que no Japão celebra-se Kamo-Tama-Yori-Hime, festa comemora o casamento sagrado entre deus O-yama-kui-no-kami e a deusa Kamo-tama-yori-hime.
Desta união resulta o nascimento de Kami: a criança divina.
14
04
- Dia em que na Índia se celebra o início do festival de Maryamma: deusa senhora
de todos os mares.
- Dia em que os antigos deuses honravam Marah: deusa protetora das águas salgadas.
15
04
- Dia em que os antigos romanos celebravam a Fordicália, festival dedicado a Telleus Mater: a Grande Mãe Terra.
16
04
- Dia em que os antigos astecas honravam a deusa Coatlicue: criadora de todos os seres e senhora dos mistérios da morte.
- É também o dia em que os antigos caldeus honravam Levanah: deusa lunar, protetora do princípio feminino e senhora das águas.
17
04
- Dia em que os aborígines da Austrália honravam Wonambi: deusa-serpente do arco-íris.
18
04
- Dia em que na Índia celebrava-se Rava-Navami, festival consagrado aos deus Rama e à deusa Sita. 
19
04
- Dia em que Bali celebra o princípio feminino, ornamentando os templos com frutas e flores.
- Neste dia, os antigos povos tutônicos celebravam Freya: deusa da fertilidade e do amor.
20
04
- Dia em que se inicia o signo astrológico de Touro dedicado ao divino casal Hathor e Ísis.
- Dia em que os antigos gregos honravam Selenem a deusa da Lua.
21
04
- Dia em que os antigos romanos celebravam a Parília. festadedicada à deusa Pales: senhora das florestas e dos campos.
22
04
- Dia em que os egípcios honravam a deusa Neith, uma das mais antigas divindades egípcias, essência da comunidade tribal, protetorados trabalhos manuais e da indústria.
23
04
- Dia em que na Síria celebrava Pire, festival da deusa Astarte: doadora a fertilidade e senhora dos mistérios do amor.
24
04
- Neste dia, os antigos mexicanos celebravam Mayahuel: deusa senhora da Terra e da noite.
- Dia em que os antigos romanos celebravam Vinalia riorade Vênus, festa do vinho consagrado a deusa do amor e da beleza.
25
04
- Dia em que os antigos romanos festejavam a Robigália, festa consagrada a Robigo: deusa do milho e da colheita.
26
04
- Dia em que em Serra Leo se comemora o ano-novo, onde são honradas todas as deusas das águas e da fertilidade. 
- Neste dia, os antigos finlandeses honravam a Ilmatar, mãe das águas, deusa da criação, filha do deus do ar Ilma. 

Fonte: Retirado do livro "O feitiço da lua", da Márcia Frazão


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Carna :: 1º de Julho




Carna é uma divindade romana cuja identidade se confunde com Cardea. Na Roma Antiga sua festa era celebrada em 1º de julho. Carna, Cardea ou Carda, é uma das ninfas da mitologia romana, deusa romana da dobradiça (do latim cardo, cardinis), das portas romanas que usavam dobradiças com pivô. 

O poeta Ovídio Augusto associou-a à outra deusa arcaica chamada Carna, cujo festival era celebrado durante as Calendas de Junho, ele também lhe deu os nomes alternativos de Cranê ou Cranea, uma ninfa. A fusão que Ovídio fez das deusas provavelmente tenha sido apenas uma invenção poética sua¹, entretanto também tem se discutido se o nome Carna poderia ser uma forma contraída de Cardina², observou-se que no mínimo, em Ovídio, suas tradições eram congruentes³.

Representação alegórica dos quatro estações (Horae) e figuras menores atendente que ladeiam uma porta dupla romana, que representa a entrada para a vida após a morte. A arte decora um sarcófago de meados do século 3 d.C.

Cardea e portas

Na polêmica cristã dos Padres da Igreja, Cardea está associada a duas divindades de outra forma desconhecidos que presidem portas: Forculus, de Fores, "porta", plural em forma, porque portas duplas eram comuns em edifícios públicos e residências da elite (domus) e Limentinus, de limen, Liminis, "limiar".

Santo Agostinho ridiculariza a trivialidade aparente desses "pequenos deuses" em um de seus "ataques contra a multidão de deuses," observou que, enquanto um porteiro é adequado para uma família humana, os deuses romanos exigiam três: "...evidentemente Forculus não pode assistir a dobradiça eo limiar ao mesmo tempo...". 

Estudos modernos apontam para que este conjunto particular de divindades pertence a rituais de marcação fora do espaço sagrado e fixar os limites, os desenvolvimentos religiosos hipoteticamente ter ocorrido durante a transição da pecuária para uma sociedade agrária. Entre as divindades romanas deste tipo, Terminus era o mais importante. 


Stefan Weinstock conjecturou que estas três divindades da entrada tinha um lugar na cosmologia como os Terrestres Ianitores, "porteiros da terra", guardando a passagem para a esfera terrestre. No esquema apresentado por Marciano Capella, os Terrestres Ianitores são colocados na região de 16 entre as divindades dos níveis mais baixos, enquanto Janus, por excelência divina porteiro, é colocado na região 1.

Este acordo pode representar o coeli ianuae (as portas do paraíso), as duas portas dos céus identificadas com os solstícios. Isidoro de Sevilha (560-636), disse que há duas ianuae coeli, uma no nascente (ou seja, no oriente) e outra no poente (ocidente) : "O avanço do Sol vem a partir do portão um, por outro lado, ele recua." A definição de Isidoro é imediatamente seguida por uma explicação dos cardiais (plural de cardo), os pivôs norte-sul do eixo em que a esfera do mundo gira. Estes são análogos aos das dobradiças superior e de fundo de rotação de uma porta romana. 


Além do significado de "dobradiça de porta", o cardo foi também encontra conceito fundamental no levantamento e planejamento da cidade romana. O cardo era a rua principal norte-sul da cidade, o levantamento do qual participaram os procedimentos augural que o espaço alinhado terrestre e celeste. O cardo foi também um princípio no layout do acampamento do exército romano de marcha, os portões eram alinhados com os pontos cardeais, demarcando o terreno do mesmo.

Carna, a carne e o feijão-calendas

As calendas, no antigo calendário romano, eram o primeiro dia de cada mês quando ocorria a Lua nova. Macróbio (séc V) diz que o nome de Carna foi derivado de caro, carnis, "carne, carne de alimentos", ("carnal" e "carnívora"), e que ela era a guardiã do coração e das partes vitais do corpo humano. O poder de evitar energias vampíricas, que Ovídio atribuía à Cardea-Carna, provavelmente pertencia a Carna, enquanto os encantos fixados nos batentes das casas são justamente de Cardea. Carna era reverenciada com um dia de festa, marcado no calendário como nefastus, ou seja, era um feriado quando não havia assembléia ou corte convocada para a data. 

Puré de feijão e banha de porco - um prato que talvez possa ser comparado hoje com feijão frito ou hoppinjohn - era oferecido a ela como res divinae e, assim, o dia foi conhecido como o Kalendae fabariae, o feijão-calendas, pois neste momento a colheita do feijão estava amadurecida. Os feijões ttinham reconhecidas propriedades mágico-religiosos na Grécia e na Roma antiga, além de sua importância como alimento.

William Warde Fowler levou Carna a ser uma deusa ancestral, cujo culto não foi revivido na inovação ou reforma religiosa e, portanto, havia caído no esquecimento até o final da República Romana. Auguste Bouché-Leclercq considerou Carna uma deusa da saúde. Sua natureza ilusória é indicada pelas conjecturas acadêmicas radicalmente divergentes que a mencionam: "ela era considerada uma divindade ctônica por Wissowa, uma deusa lunar por Pettazzoni, um feijão-deusa por Latte, e padroeira da digestão por Dumézil".

Carna e a magia, por Ovídeo

O mito das origens explica o que diz Ovídio: por que um ramo ou galho é usado para repelir tristezas... noxas, "danos maléficos", das portas (Fores). Por isso é necessário? Porque há gananciosas criaturas aladas prontas para voar para dentro e sugar o sangue de crianças jovens que ainda dormem, tomando apenas leite materno.

Ovídio descreve essas criaturas (6,131-142) como tendo uma cabeça grande, olhos proeminentes, e bicos adaptados para arrebatar e carregar; suas asas são brancas, e suas garras são como ganchos. A elas era dado o nome de striges, ou strix, como uma coruja ou ave de mau agouro, com denominação provavelmente derivada do verbo strideo, stridere, "grito". 

Ao mesmo tempo, Ovídio diz que eles são as criaturas aladas que o atormentam quando só, roubando a comida de sua mesa - isto é, as Harpias. Eles são um "composto desconcertante" que lembra as imagens desenhadas em certos comprimidos de maldição, um dos quais mostra um "coração de Hécate em festa", que corresponde a descrição de Ovídio. 

O próprio poeta enfatiza que é difícil dizer o que elas realmente são, se eles nasceram como aves, ou se tinha sido transformadas por um encantamento (carmen, foi a palavra que Ovídio acabou usado para descrevê-la por sua própria conta). Ele, então, glosa carmen como: "uma canção anciã de Marsi" (neniaque … Marsa …anūs)

Referências:
1- Carole E. Newlands, Playing with Time: Ovid and the Fasti (Cornell University Press, 1995) p. 14; William Warde Fowler, The Roman Festivals of the Period of the Republic (London, 1908) p. 131.
2- Thomas Keightley, Ovid's Fasti (London, 1848, 2nd edition), p. 210.
3- Christopher Michael McDonough, "Carna, Proca, and the Strix on the Kalends of June," Transactions of the American Philological Association 127 (1997), p. 330.
Wikipédia em língua inglesa

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

26 de Janeiro: Deuses Lares


Que são os deuses Lares? Em Latim, lar significa "lareira", "lar", "casa". Seriam eles, assim, deuses domésticos, de casa, que protegem a habitação e a família. Sua origem está vinculada ao nascimento de Júpiter.

Segundo Hyginus, quando Júpiter nasceu, Juno pediu a Opis (Rhea) que lhe desse o bebê sob sua guarda uma vez que Saturno já havia confinado Orco ao Érebo e Netuno sob as águas do mar e prometera devorar o recém-nascido. 

Comovida, Opis deu-lho a ela que o escondeu em Creta, na gruta de Dicte. Amaltea tomou-lhe guarda e alimentou-o, já que Juno era apenas uma bela e formosa menina. 

Saturno, revoltado, saiu em perseguição ao filho por todo o mundo. Quando o Deus menino chorava, Amaltea chamava jovens que batiam com as espadas nos seus escudos de bronze, fazendo tanto barulho que Saturno não conseguia ouvi-lo. Ora bem, na Grécia esses jovens chamavam-se Curetes, em Roma, Lares.

Portanto, da mesma forma que os Lares protegeram a Júpiter, protegem também a nossas habitações e famílias.

Hyginus, Fabulae 139

Simpatia

No dia 26 de janeiro, dia de deuses Lares, você pode fazer uma simpatia muito simples aos espíritos guardiães da tradição romana, que protegem nossas casas, e dos quais se origina a palavra "lar". Escolha um cantinho da sua casa para ser a morada dos deuses Lares e acenda uma vela verde e um incenso de ervas, agradecendo a eles pela proteção e alegria que proporcionam.

Diga: "Espíritos Guardiães, eu os convido a participar desta cerimônia. Agradeço, por sua presença e proteção, e por aquecerem este lar com seu doce manto de alegria."



segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Felicitas, deusa romana da sorte e da fortuna



Felicitas e seus 7 filhos,
p/ Hartmann Schedel (1440-1514)
Na mitologia romana, Felicitas (que significa "boa sorte" ou "fortuna") era a deusa ou personificação de boa sorte e sucesso. Ela desempenhou um papel importante na religião de Roma, durante o império, e era frequentemente retratada em moedas. Ela se tornou um símbolo importante da riqueza e prosperidade do império romano.

Felicitas era desconhecida antes de meados do século II a.C., quando um templo foi dedicado a ela no Velabrum, no Campo de Marte, por Lucius Licinius Lucullus, usando o saque de sua campanha na Espanha (151-150 a.C.). O templo foi destruído por um incêndio durante o reinado de Claudius e nunca foi reconstruído.

Outro templo, dedicado a deusa Felicitas, foi planejado por Júlio César e erguido por Marcus Emílio Lépido, na Cúria Hostília, em Roma, após sua morte. O templo havia sido restaurado por Lucius Cornelius Sulla, mas demolido por César em 44 a.C. Este templo já não existia na época de Adriano, e sua localização, provavelmente, está sob a igreja de Igreja de Santi Luca e Martina.

A palavra felicitas "sorte", é também a origem da palavra e do nome "felicidade", feliz, afortunado.¹ Em um sentido  mais amplo seria a ausência de todo o mal, e vivência plena do bem. Em geral, "felicitas" seria  um estado humano de satisfação devido à própria situação do mundo, relacionando-se a este  significado assuntos profissionais, financeiros, familiares, sociais, de saúde, entre outros. 


Por essa relação com a situação, a noção de felicidade "felicitas" se difere do significado de  "beatitude", outra palavra também originária do latim, que seria o ideal da felicidade  independente da relação do homem com o mundo e, por isso, limitada à esfera contemplativa,  divina, religiosa ou espiritual. Assim o arquétipo da deusa Felicitas está diretamente ligado ao estado de felicidade humana.

Moeda Romana (Valeriano)
com a Efígie de Felicitas
Um dos pontos mais importantes que dominava os debates de Sócrates (470-399 a.C.), bem  como o desenvolvimento das filosofias de Platão (427-347 a.C.) e Aristóteles (384-322 a.C.),  ainda na antiga Grécia, foi o questionamento de "como viver bem?" ou, em outras palavras, a  busca de respostas para a questão "como ser feliz?". 

Desde os primórdios da filosofia  ocidental até a atualidade tais questões estão intrinsecamente presentes na vida cotidiana de  todos os indivíduos e de todas as sociedades e, por esta fundamental razão, é a característica  ou vocação comum que une toda a humanidade. Alma Felicitas!² Lembre-se sempre que a verdadeira felicidade parte de dentro para fora, ela só pode ser achada dentro de cada um de nós. Por mais que se busque a felicidade na matéria, a felicidade não é material, é um estado de espírito.

A felicidade está muitas vezes bem mais próxima de nós do que imaginamos! Diga em voz alta três vezes: "Chamo até mim a grandiosa Felicitas, Deusa da felicidade! Estenda suas bençãos sobre este lar e sobre aqueles que aqui moram. Gratidão!"

Diz a tradição que para atrair os favores e simpatia da deusa Felicitas para dentro de seu lar, pode-se acender uma vela azul próxima a janela, evocando a felicidade. Se dinheiro não traz a felicidade, a felicidade pode trazer dinheiro. Lembre-se sempre que a verdadeira felicidade parte de dentro para fora, ela só pode ser achada dentro de cada um de nós. Por mais que se busque a felicidade na matéria, a felicidade não é material, é um estado de espírito.

Fonte/Referências: 
1- Tradução livre de: http://en.wikipedia.org/wiki/Felicitas
2- Felicitas | Descrição: http://www.felicitas.com.br/felicitas_descricao.html

domingo, 15 de janeiro de 2012

Carmentália :: O dia em que os Oráculos não podem mentir



O Festival da Carmentália é uma festividade que remonta o antigo Império Romano realizada em honra de Carmenta, a ninfa das profecias. Segundo Plutarco, esta festa foi instituída quando houve a fusão da cultura dos romanos com os sabinos.¹

Segundo alguns autores, Carmenta era uma das Parcas, associada ao nascimento humano, e era, por isso, adorada pelas mães, porém, segundo outros, ela era Nicostrata, a esposa de Evandro da Arcádia, e, por ser uma profetisa e declamar oráculos em versos, foi chamada de Carmenta, pois carmina é a palavra romana para versos.² 

Outra interpretação é que Carmenta signifique ruim da cabeça, por causa do estado de êxtase durante a inspiração, formada por carere (falta de) e mens (mente).²

De acordo com Ovídio, Carmentis era a mãe de Evandro.³

É realizado tradicionalmente no dia 15 de janeiro ³ que é um dia excelente para consultar qualquer tipo de oráculo, pois dizem que neste dia eles não podem mentir.

Referências
1. Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Rômulo, 21.1
2. a b Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Rômulo, 21.2
3. a b Ovídio, Fasti, 15 de Janeiro, (Kal. Feb. 15)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre:  Festival da Carmentália
O dia 15 de Janeiro também é o 'Dia da Wikipédia', que foi fundada em 15 de Janeiro de 2001

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Vulcano, o Ferreiro dos Deuses



Agô Pai Ogum! Ogunhê! Saravá os Grandes Mestres Alquimistas!

Der Parnaß - detalhe - de Andrea Mantegna
No inventário do Museu do Louvre
Vulcano - Hefesto na mitologia grega - do latin: Vulcanus - era o deus romano do fogo, filho de Júpiter e de Juno ou ainda, segundo alguns mitólogos, somente de Juno com o auxílio do Vento.

Foi lançado aos mares devido à vergonha de sua mãe pela sua disformidade, foi, porém, recolhido por Tetis e Eurínome, filhas do Oceanus. Noutras versões, a sua fealdade era tal mesmo recém-nascido, que Júpiter o teria lançado do Monte olimpo abaixo. A esse facto de deveria a sua deformidade, pois Vulcano era coxo.

Sua figura era representada como um ferreiro. Era ele quem forjava os raios, atributo de Júpiter. Este deus, o mais feio de todos, era o marido de Vénus - a Afrodite grega -, a deusa da beleza e do amor, que, aliás, lhe era tremendamente infiel.

No entanto, Vulcano forjou armas especiais para Eneias, filho de Vénus de Anquises de Tróia e para Aquiles quando este havia emprestado para Pátroclo,que por sua vez a perdeu para Heitor.

Em certa altura, Vulcano preparou uma rede com que armadilhou a cama onde Vénus e Marte mantinham uma relação adúltera. Deste modo o deus ferreiro conseguiu demonstrar a infidelidade da sua esposa, que no entanto foi perdoada por Júpiter.

O deus pertence à fase mais antiga da religião romana: Varro citou-o no "Maximi Annales", lembrando que o rei Tito Tácio havia dedicado altares para uma série de divindades, entre as quais Vulcano é mencionado.

Vulcanália

O festival de Vulcano, a Vulcanalia, era comemorado na Roma antiga em 23 de agosto de cada ano, quando o calor do verão aumentava o risco de incêndios nas culturas e celeiros. Durante o festival eram feitas fogueiras em honra do deus, nas quais peixes vivos ou pequenos animais eram lançados como um sacrifício, segundo a crença da época, para serem consumidos por Vulcano no lugar dos seres humanos.

Está registrado que durante a Vulcanalia o povo romano costumava pendurar suas roupas e tecidos sob o sol. Este hábito refletiria uma conexão teológica entre Vulcano e o Sol divinizado.
Outro costume observado neste dia exigia que a pessoa deveria começar a trabalhar à luz de uma vela, provavelmente para propiciar um uso benéfico de fogo pelo deus.

Vulcano para os Alquimistas

A Forja de Vulcano, de Diego Velázquez
Museu do Prado
Vulcano dos Alquimistas é o patrono da Alquimia, também conhecido por ser um símbolo da arte hermética. Além de ser importante na religião egípcia, grega e romana, foi introduzido pelo médico e alquimista Paracelso - nascido Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim - na Alquimia.

Para Paracelso, Vulcano era sinônimo tanto do alquimista/médico, quanto da manipulação do fogo; aquecimento e destilação de propriedades da natureza para a medicina, bem como o poder transformador e potencial criativo bloqueado dentro do ser, o maior homem invisível ou anthropos, o adormecido dentro.

A Alquimia é uma arte e Vulcano - o governador de fogo - é o artista dentro dela. Paracelso escreveu que:

"Aquele que é Vulcano tem o poder da arte... Todas as coisas foram criadas em estado inacabado, nada está acabado, mas Vulcano deve trazer todas as coisas para a sua conclusão. Tudo está em primeiro criado na sua materia prima, seu material original; Vulcano vem sobre este, e desenvolve-o em sua substância final... 

Deus criou o ferro, mas não o que pode ser feito dele. Ele ordenou o incêndio, e Vulcano, que é o senhor do fogo, para fazer o resto... Disto se segue que o ferro deve ser limpo de suas impurezas antes que possa ser forjado. Este processo é Alquimia, seu fundador é o Vulcano. O que é conseguido através do fogo é a Alquimia, inclusive no forno ou no fogão da cozinha. E aquele que governa o fogo é Vulcano, mesmo que seja um cozinheiro ou um homem que cuida do fogão."


Paracelso também escreveu:

"Nada foi criado como ultima materia - em seu estado final. Tudo está em primeiro criado na sua prima materia, seu material original; sobre o qual Vulcano vem, e pela arte da Alquimia desenvolve-o em sua substância final. A Alquimia é uma arte, necessária e indispensável... É uma arte, e Vulcano é seu artista. Ele, que é um Vulcano domina esta arte, quem não é uma Vulcano nada pode fazer ou avançar nela."

O alquimista elisabetano, Sir Francis Bacon, no entanto, era cético quanto ao alistamento na alquimia da divindade romana como símbolo alquimista verdadeiro, como afirmou em "The Advancement of Learning", de 1605:

Abandonando a Minerva e sabedoria, eles jogam o tribunal para o ferreiro coberto de fuligem Vulcano, seus potes e panelas,

Paracelso
No entanto, os alquimistas da escola de Paracelso, como Gerard Dorn, Batista Jan van Helmont e Arthur Dee, cada um reconheceu o deus romano da forja e forno, como simbologia da arte. Van Helmont, especificamente, descreveu alquimia como arte de Vulcano, enquanto Arthur Dee, em seu "Arca Arcarnum" escreveu:

Embora eu seja constrangido a morrer e ser enterrado, no entanto, Vulcano cuidadosamente me dá o nascimento.

O deus romano e Paracelso - que associou a divindade à alquimia - foram citados nada menos que três vezes, por Sir Thomas Browne em "The Garden of Cyrus", de 1658. Ele escreveu, primeramente, em suas linhas de abertura:

Vulcano, que deu flechas até a Apolo e Diana, de acordo com a teologia dos gentios na obra do quarto dia, não pode passar por nenhuma apreensão cega da criação do Sol e da Lua

Em segundo lugar, no contexto da mitologia grega clássica, em que Vulcano constrói e lança uma rede invisível, a fim de seduzir Vênus, sua esposa em flagrante com o amante Marte. Browne, com humor, afirma:

Aquela famosa rede de Vulcano, que pegou Marte e Vênus, provocou risos inextinguíveis nos céus, já que os próprios deuses não podiam percebê-la, não devemos nos intrometer nela.

O mito clássico de Vênus e Marte, presos pela invenção de Vulcano, é também um exemplo menos conhecido da "fixação" e da união dos opostos na opus alquímica.

E, finalmente, há a apoteose, da opus alquímica literária, na qual são entregues seu três fatores, para determinar a verdade, ou seja, a razão, autoridade e experiência; Vulcano aqui representa o demiurgo ou "homem superior" que, não muito diferente dos gnósticos, "Homens de Luz", usa o seu artesanato e habilidades para ajudar, iluminar e libertar o Homem Espiritual interior.

Verdades planas e flexíveis são vencidas por cada martelada, mas Vulcano e seu suor o forjam por inteiro, para trabalhar fora de sua armadura de Aquiles.

Nos tempos modernos, o psicólogo suíço Carl Jung, interpretou Vulcano como aquele que:

"...acende a roda de fogo da essência na alma quando ela se quebra "da parte de Deus, de onde vem o desejo e o pecado, que são a ira de Deus" CW 12 215.

O tesouro dos tesouros
aos alquimistas de Paracelso
A adoção pelos alquimistas, da figura mítica de Vulcano, pode ser interpretada em vários níveis. Na menor escala de interpretação, Vulcano representa o demiurgo da esperteza amoral, que cegamente ganha poder sobre a Natureza, sem integridade; este nível mundano antecipa o nascimento da Revolução Industrial do século 18. 

As atividades de extração de carvão das minas para abastecer fornos colossais, para a fabricação de aço e ferro em larga escala, e para o desenvolvimento da ferrovia e dos trens a vapor, em toda a Europa e América do Norte, são decididamente atividades ligadas a Vulcano, e de muitas maneiras, o "negócio" geral da ética protestante do trabalho e da sociedade ocidental industrializada, é fortemente refletida nesta figura arquetípica. A um nível superior de interpretação, Vulcano é transformado para se tornar um apóstolo inspirado, o visionário capaz de liberar a humanidade das amarras das trevas e da ignorância.

O poder transformador da Vulcano, o "Homem Superior", e a figura antroposófica dos alquimistas, é hoje transferida para os aspectos negativos de uma figura demiurga; ninguém menos que o homem moderno, tecnológico, que, divorciado de Deus forja seu próprio destino, independente de religião, Amor Divino ou considerações teológicas, para um admirável mundo novo ou utopia.

Fonte/Referência bibliográfica:
Jolande Jacobi ed. Paracelsus Selected Writings, 1951, Princeton - http://www.reference.com/

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