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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Vidência :: Clarividência




Clarividência, segundo a Parapsicologia, é a capacidade de obter conhecimento de evento, ser ou objeto, sem a utilização de quaisquer canais sensoriais humanos conhecidos e sem a utilização de Telepatia.

O termo "Clarividência" também é aplicado, em certas escolas de espiritualismo e ocultismo, à chamada "visão espiritual", que permite enxergar planos espirituais ou pelo menos algo pertencente a tais planos. No espiritismo, entende-se clarividência a faculdade por meio da qual o médium, sem empregar os sentidos, toma conhecimento do mundo exterior.

Clarividência e Espiritismo

O termo clarividência surge pela primeira vez com seu sentido próprio na parte de O Livro dos Espíritos que trata da emancipação da alma. Na questão 402, Allan Kardec trata de uma "espécie de clarividência" que acontece durante os sonhos, onde a alma tem a faculdade de perceber eventos que acontecem em outros lugares. 

Neste ponto, portanto, ele emprega o termo como uma faculdade de ver à distância sem o emprego dos olhos. Os sonâmbulos seriam capazes deste fenômeno devido à faculdade de afastamento da alma de seu respectivo corpo seguida da possibilidade de locomoção da mesma.(q. 432)



Clarividência Premonitória e Livre-arbítrio

Na questão 428, ele indaga aos espíritos sobre a "clarividência sonambúlica". Ele certamente se refere à faculdade já bastante descrita na literatura que trata do sonambulismo magnético, que, na questão 426, os espíritos consideraram equivalente ao sonambulismo natural, com a diferença de ter sido provocado. Os espíritos lhe respondem que as duas faculdades possuem uma mesma causa: a percepção visual é realizada diretamente pela alma do clarividente. 

Logo a seguir, Kardec pergunta sobre os outros fenômenos da clarividência sonambúlica (q. 429) como a visão através dos corpos opacos e a transposição dos sentidos. Os espíritos reafirmam que os clarividentes vêem afastados de seus corpos, e que a impressão que afirmam de estarem "vendo" por alguma parte do corpo, reside na crença que possuem que precisam deste para perceberem os objetos. A existência da faculdade sonambúlica não assegura a veracidade de todas as informações obtidas neste estado, com o que concordam os espíritos (q. 430).


fonte: wikipédia

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Vulcano, o Ferreiro dos Deuses



Agô Pai Ogum! Ogunhê! Saravá os Grandes Mestres Alquimistas!

Der Parnaß - detalhe - de Andrea Mantegna
No inventário do Museu do Louvre
Vulcano - Hefesto na mitologia grega - do latin: Vulcanus - era o deus romano do fogo, filho de Júpiter e de Juno ou ainda, segundo alguns mitólogos, somente de Juno com o auxílio do Vento.

Foi lançado aos mares devido à vergonha de sua mãe pela sua disformidade, foi, porém, recolhido por Tetis e Eurínome, filhas do Oceanus. Noutras versões, a sua fealdade era tal mesmo recém-nascido, que Júpiter o teria lançado do Monte olimpo abaixo. A esse facto de deveria a sua deformidade, pois Vulcano era coxo.

Sua figura era representada como um ferreiro. Era ele quem forjava os raios, atributo de Júpiter. Este deus, o mais feio de todos, era o marido de Vénus - a Afrodite grega -, a deusa da beleza e do amor, que, aliás, lhe era tremendamente infiel.

No entanto, Vulcano forjou armas especiais para Eneias, filho de Vénus de Anquises de Tróia e para Aquiles quando este havia emprestado para Pátroclo,que por sua vez a perdeu para Heitor.

Em certa altura, Vulcano preparou uma rede com que armadilhou a cama onde Vénus e Marte mantinham uma relação adúltera. Deste modo o deus ferreiro conseguiu demonstrar a infidelidade da sua esposa, que no entanto foi perdoada por Júpiter.

O deus pertence à fase mais antiga da religião romana: Varro citou-o no "Maximi Annales", lembrando que o rei Tito Tácio havia dedicado altares para uma série de divindades, entre as quais Vulcano é mencionado.

Vulcanália

O festival de Vulcano, a Vulcanalia, era comemorado na Roma antiga em 23 de agosto de cada ano, quando o calor do verão aumentava o risco de incêndios nas culturas e celeiros. Durante o festival eram feitas fogueiras em honra do deus, nas quais peixes vivos ou pequenos animais eram lançados como um sacrifício, segundo a crença da época, para serem consumidos por Vulcano no lugar dos seres humanos.

Está registrado que durante a Vulcanalia o povo romano costumava pendurar suas roupas e tecidos sob o sol. Este hábito refletiria uma conexão teológica entre Vulcano e o Sol divinizado.
Outro costume observado neste dia exigia que a pessoa deveria começar a trabalhar à luz de uma vela, provavelmente para propiciar um uso benéfico de fogo pelo deus.

Vulcano para os Alquimistas

A Forja de Vulcano, de Diego Velázquez
Museu do Prado
Vulcano dos Alquimistas é o patrono da Alquimia, também conhecido por ser um símbolo da arte hermética. Além de ser importante na religião egípcia, grega e romana, foi introduzido pelo médico e alquimista Paracelso - nascido Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim - na Alquimia.

Para Paracelso, Vulcano era sinônimo tanto do alquimista/médico, quanto da manipulação do fogo; aquecimento e destilação de propriedades da natureza para a medicina, bem como o poder transformador e potencial criativo bloqueado dentro do ser, o maior homem invisível ou anthropos, o adormecido dentro.

A Alquimia é uma arte e Vulcano - o governador de fogo - é o artista dentro dela. Paracelso escreveu que:

"Aquele que é Vulcano tem o poder da arte... Todas as coisas foram criadas em estado inacabado, nada está acabado, mas Vulcano deve trazer todas as coisas para a sua conclusão. Tudo está em primeiro criado na sua materia prima, seu material original; Vulcano vem sobre este, e desenvolve-o em sua substância final... 

Deus criou o ferro, mas não o que pode ser feito dele. Ele ordenou o incêndio, e Vulcano, que é o senhor do fogo, para fazer o resto... Disto se segue que o ferro deve ser limpo de suas impurezas antes que possa ser forjado. Este processo é Alquimia, seu fundador é o Vulcano. O que é conseguido através do fogo é a Alquimia, inclusive no forno ou no fogão da cozinha. E aquele que governa o fogo é Vulcano, mesmo que seja um cozinheiro ou um homem que cuida do fogão."


Paracelso também escreveu:

"Nada foi criado como ultima materia - em seu estado final. Tudo está em primeiro criado na sua prima materia, seu material original; sobre o qual Vulcano vem, e pela arte da Alquimia desenvolve-o em sua substância final. A Alquimia é uma arte, necessária e indispensável... É uma arte, e Vulcano é seu artista. Ele, que é um Vulcano domina esta arte, quem não é uma Vulcano nada pode fazer ou avançar nela."

O alquimista elisabetano, Sir Francis Bacon, no entanto, era cético quanto ao alistamento na alquimia da divindade romana como símbolo alquimista verdadeiro, como afirmou em "The Advancement of Learning", de 1605:

Abandonando a Minerva e sabedoria, eles jogam o tribunal para o ferreiro coberto de fuligem Vulcano, seus potes e panelas,

Paracelso
No entanto, os alquimistas da escola de Paracelso, como Gerard Dorn, Batista Jan van Helmont e Arthur Dee, cada um reconheceu o deus romano da forja e forno, como simbologia da arte. Van Helmont, especificamente, descreveu alquimia como arte de Vulcano, enquanto Arthur Dee, em seu "Arca Arcarnum" escreveu:

Embora eu seja constrangido a morrer e ser enterrado, no entanto, Vulcano cuidadosamente me dá o nascimento.

O deus romano e Paracelso - que associou a divindade à alquimia - foram citados nada menos que três vezes, por Sir Thomas Browne em "The Garden of Cyrus", de 1658. Ele escreveu, primeramente, em suas linhas de abertura:

Vulcano, que deu flechas até a Apolo e Diana, de acordo com a teologia dos gentios na obra do quarto dia, não pode passar por nenhuma apreensão cega da criação do Sol e da Lua

Em segundo lugar, no contexto da mitologia grega clássica, em que Vulcano constrói e lança uma rede invisível, a fim de seduzir Vênus, sua esposa em flagrante com o amante Marte. Browne, com humor, afirma:

Aquela famosa rede de Vulcano, que pegou Marte e Vênus, provocou risos inextinguíveis nos céus, já que os próprios deuses não podiam percebê-la, não devemos nos intrometer nela.

O mito clássico de Vênus e Marte, presos pela invenção de Vulcano, é também um exemplo menos conhecido da "fixação" e da união dos opostos na opus alquímica.

E, finalmente, há a apoteose, da opus alquímica literária, na qual são entregues seu três fatores, para determinar a verdade, ou seja, a razão, autoridade e experiência; Vulcano aqui representa o demiurgo ou "homem superior" que, não muito diferente dos gnósticos, "Homens de Luz", usa o seu artesanato e habilidades para ajudar, iluminar e libertar o Homem Espiritual interior.

Verdades planas e flexíveis são vencidas por cada martelada, mas Vulcano e seu suor o forjam por inteiro, para trabalhar fora de sua armadura de Aquiles.

Nos tempos modernos, o psicólogo suíço Carl Jung, interpretou Vulcano como aquele que:

"...acende a roda de fogo da essência na alma quando ela se quebra "da parte de Deus, de onde vem o desejo e o pecado, que são a ira de Deus" CW 12 215.

O tesouro dos tesouros
aos alquimistas de Paracelso
A adoção pelos alquimistas, da figura mítica de Vulcano, pode ser interpretada em vários níveis. Na menor escala de interpretação, Vulcano representa o demiurgo da esperteza amoral, que cegamente ganha poder sobre a Natureza, sem integridade; este nível mundano antecipa o nascimento da Revolução Industrial do século 18. 

As atividades de extração de carvão das minas para abastecer fornos colossais, para a fabricação de aço e ferro em larga escala, e para o desenvolvimento da ferrovia e dos trens a vapor, em toda a Europa e América do Norte, são decididamente atividades ligadas a Vulcano, e de muitas maneiras, o "negócio" geral da ética protestante do trabalho e da sociedade ocidental industrializada, é fortemente refletida nesta figura arquetípica. A um nível superior de interpretação, Vulcano é transformado para se tornar um apóstolo inspirado, o visionário capaz de liberar a humanidade das amarras das trevas e da ignorância.

O poder transformador da Vulcano, o "Homem Superior", e a figura antroposófica dos alquimistas, é hoje transferida para os aspectos negativos de uma figura demiurga; ninguém menos que o homem moderno, tecnológico, que, divorciado de Deus forja seu próprio destino, independente de religião, Amor Divino ou considerações teológicas, para um admirável mundo novo ou utopia.

Fonte/Referência bibliográfica:
Jolande Jacobi ed. Paracelsus Selected Writings, 1951, Princeton - http://www.reference.com/

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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A Odisseia dos Crânios de Cristal




O Crânio de Cristal encontrado por Mitchell Hedges
Em algumas ocasiões, os Antigos refletiam sobre a natureza cristalina de nosso corpo e espírito, pois eles imitavam a forma humana e seus padrões de energia, entalhando em cristal sólido. A mais famosa e enigmática peça de cristal antigo descoberta até agora, é o Crânio de Cristal de Mitchell Hedges. Um dia, em 1927 o explorador F.A. Mitchell Hedges estava limpando o entulho do topo de um templo em ruínas na cidade maia de Lubaantum, nas Honduras britânicas, hoje Belize, quando sua filha Ana, de 17 anos viu algo brilhando na poeira abaixo. 

Ana encontrou um crânio finamente entalhado e polido, feito de cristal de rocha, em que faltava a parte da mandíbula. Três meses depois, ela localizou a mandíbula numa escavação a 25 pés do primeiro local.

Ele corresponde aproximadamente em tamanho ao crânio humano, com detalhes quase perfeitos, mesmo restaurando o crânio com as proeminências globulares, que são características de uma mulher.

Em 1970, o conservador e restaurador de arte Frank Dorland teve permissão para submeter o crânio de cristal a testes conduzidos nos Laboratórios Hewlet Packard em Santa Clara, Califórnia. Destes testes e de estudos cuidadosos feitos pelo próprio Dorland, o crânio revelou muitas anomalias. 

Quando submerso em álcool benzílico, com um feixe de luz passando através, tanto o crânio como a mandíbula vieram do mesmo bloco de quartzo. O que impressionou muito as pessoas envolvidas no teste é que eles perceberam que o crânio havia sido entalhado com total desrespeito ao eixo natural do cristal no quartzo.

Na cristalografia moderna, o primeiro procedimento é sempre determinar o eixo, para prevenir fraturas e quebras durante o processo subsequente de moldar a forma. Então, parece que quem fez o crânio empregou métodos pelos quais essas preocupações não são necessárias. O artista desconhecido também não usou instrumentos metálicos. Dorland não conseguiu encontrar sinais de qualquer metal que deixasse marcas no cristal quando o analisou com um microscópio muito potente. 

Na verdade, a maioria dos metais não teria sido efetiva, pois o cristal tem uma gravidade específica de 2.65 e um fator de dureza Mhos de 7. Em outras palavras, mesmo um canivete moderno não pode fazer uma marca nele.

A partir de minúsculos padrões no quartzo próximos das superfícies esculpidas, Dorland determinou que o crânio foi primeiramente cinzelado em uma forma rudimentar, provavelmente com o uso de diamantes. O aperfeiçoamento da forma final, a lapidação e o polimento, conforme acredita Dorland, foi feito por inúmeras aplicações de soluções de água e areia de cristal de silicone. 

O grande problema está em que, se este fosse o processo usado, isso significaria que haveria necessidade de um total de 300 anos terrestres de trabalho contínuo para a confecção do crânio. Devemos aceitar este fato praticamente inimaginável ou admitir o uso de alguma forma de tecnologia perdida na criação do crânio e de que atualmente não há nenhuma tecnologia equivalente.
O enigma do crânio, entretanto, não termina aqui. Os arcos zigomáticos (o arco ósseo que se estende ao longo dos lados e parte frontal do crânio) são precisamente separados da peça do crânio e agem como tubos de luz, usando princípios similares aos da óptica moderna, para canalizar luz da base do crânio para os orifícios oculares. 

Estes, por sua vez, são pequenas lentes côncavas que também transferem luz de uma fonte abaixo, para a parte superior do crânio. Finalmente, no interior do crânio, está um prisma e minúsculos túneis de luz, pelos quais os objetos que são colocados abaixo do crânio são ampliados e aumentam o brilho.

Richard Garvin, autor de um livro sobre os crânios de cristal, acredita que o crânio foi desenhado para ser colocado sobre um feixe de luz voltado para cima. O resultado, com as várias transferências de luz e efeitos prismáticos, iluminaria todo o crânio e faria com que os orifícios se tornassem olhos brilhantes. Dorland realizou experimentos usando esta técnica e relatou que o crânio “se acende” como se estivesse pegando fogo.

Um outro achado sobre o crânio de cristal revela conhecimento de pesos e pontos de fulcro. A peça da mandíbula se encaixa precisamente no crânio por dois orifícios polidos, que permitem que a mandíbula se mova para cima e para baixo. O próprio crânio pode ser balanceado exatamente onde dois pequenos orifícios são trespassados de cada lado de sua base, que provavelmente antes continham suportes de suspensão.

O equilíbrio nestes pontos é tão perfeito que a menor brisa faz com que o crânio balance para a frente e para traz, com a mandíbula abrindo e fechando como contra-peso. O efeito visual é o de um crânio vivo, falando e articulando.

A questão, é claro, é - para que propósito isto serve? Ele foi apenas desenhado pelo seu artista como um brinquedo inteligente ou peça de conversação ou ainda, como acredita Dorland, ele seria usado como um instrumento oracular, através dos estranhos fenômenos associados ao crânio de cristal, que desafiam explicações lógicas.

Observadores relataram que, por razões desconhecidas, o crânio mudará de cor. As vezes, a parte frontal do crânio fica enevoada, parecendo algodão branco. Outras vezes ele se torna perfeitamente claro, como se o espaço interior desaparecesse num vácuo. Num período de 5 a 6 minutos, um ponto escuro frequentemente começa a se formar no lado direito e lentamente escurece todo o crânio, depois vai desaparecendo, tão misteriosamente como chegou.

Outros observadores viram cenas estranhas refletidas nos orifícios dos olhos, cenas de edifícios e outros objetos, mesmo quando o crânio está apoiado sobre um fundo preto. 

Outros ainda ouviram ruídos emanando de dentro e, ao menos em uma ocasião, um brilho distinto rodeou o crânio como uma aura por mais de seis minutos, sem que houvesse qualquer fonte de luz conhecida. A soma total do crânio parece alterar todos os 5 sentidos físicos do cérebro.

Há mudanças de cor e de luz, ele emite odores, cria sons, proporciona sensações de calor e de frio para aqueles que o tocam, mesmo quando o cristal havia permanecido a um temperatura física de 21°C sob todas as condições e produziu até sensações de sede e as vezes de gosto em poucos casos. 

Dorland é de opinião que o que está ocorrendo em todos estes fenômenos é que o “cristal estimula uma parte desconhecida do cérebro, abrindo uma porta psíquica para o absoluto”. 

Ele observa: “os cristais emitem continuamente ondas de rádio. Desde que o cérebro faz a mesma coisa, eles interagem naturalmente”. Ele percebeu também que ocorrências periódicas no crânio de cristal são devidas as posições do Sol, da Lua e dos planetas no céu.

Os Oito Crânios de Cristal, dos treze que provavelmente existem, encontrados até hoje

A pesquisadora Marianne Zezelic concorda que o crânio foi usado primariamente para estimular e amplificar as capacidades psíquicas nos que o manuseavam. Ela observa: 
“O cristal serve como um acumulador de magnetismo terrestre. Quando se olha fixamente o cristal, os olhos entram numa relação harmônica, estimulando o magnetismo coletado naquela porção do cérebro conhecida como cerebelo. O cerebelo portanto se torna um reservatório de magnetismo que influencia a qualidade do fluxo magnético através dos olhos, originando assim um fluxo contínuo de magnetismo entre o observador e o cristal. A quantidade de energia que entra no crânio eventualmente aumenta numa tal proporção que afeta os polos do cérebro, uma região que se estende logo acima dos olhos, contribuindo para o fenômeno psíquico”.
Indo além, Tom Bearden, um especialista no campo de estudos psicotrônicos, acredita que, em mãos de um mediador qualificado e focalizador mental, o crânio de cristal também serviu, não somente como veículo para transformar o campo de energia vital em energia eletromagnética e noutros efeitos físicos, mas também auxiliou na cura, pela alteração de sua ressonância cristalina para combinar com as freqüências da mente e do corpo do paciente, e afetando as energias curadoras no crânio, que então se manifestaria no campo áurico do paciente. 

O crânio seria usado portanto como um amplificador e um transmissor de forças de energia psíquicas e da terra.


Observando a soma total de habilidades e conhecimento incorporados a respeito do crânio Mitchell-Hedges, a ciência moderna tropeça na maneira de explicar isto. O autor Richard Garvin sumarizou os achados com estas palavras: “É virtualmente impossível hoje – num tempo em que os homens escalaram montanhas na lua – duplicar este achado. 

Somente as lentes, os tubos de luz e os prismas apresentam uma competência tecnológica que a raça humana adquiriu apenas recentemente. Na verdade, não há ninguém no globo atualmente que poderia tentar duplicar a escultura. Não seria uma questão de aptidão, paciência e tempo. Simplesmente seria impossível. Como um cristalógrafo da Hewlett-Packard disse: “Essa coisa simplesmente não poderia existir”.

Mas existe e enquanto não podemos explicá-los em termos de qualquer forma de tecnologia conhecida, podemos explicá-los somente como produto de uma tecnologia muito mais adiantada que a nossa, mas que desapareceu e foi esquecida há muito tempo – a tecnologia de uma Idade de Ouro.


Fonte: http://www.caminhosdeluz.org/A-103C.htm acessado em 06 de agosto de 2010 / YouTube / Google images

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A Cabala em 10 Lições

O Sigillum Dei Aemeth
por Eliphas Levi

1ª Lição :: Exposição preliminar dos princípíos gerais

"Senhor e Irmão:

Posso conferir-vos este título posto que buscais a verdade, na sinceridade de vosso coração, e que para a encontrar não tem medido sacrifícios. A verdade, sendo a essência do que é, não é difícil de encontrar: ela está em nós e nós estamos nela.

Ela é como a luz e os cegos não a vêem. A idéia exata do Ser é a verdade, seu conhecimento é a ciência; sua expressão ideal é a razão; sua atividade é a criação e a justiça.

Se você deseja ter fé, para isto basta saber e amar a verdade. Pois a verdadeira fé é a ligação do espírito às deduções necessárias da ciência no infinito conjetural, afinal existe sim coprovação plausível para tudo que é verdadeiro. As ciências ocultas dão certeza, porque elas tomam por base as realidades e não os sonhos. Distinguem em cada símbolo religioso a verdade da mentira. A verdade é a mesma em toda parte e a mentira (a "roupagem" da verdade) varia segundo os lugares, as épocas e as pessoas.

Estas ciências são em número de três: a Cabala, a Magia e o Hermetismo.

A Cabala, ou ciência tradicional dos Hebreus poderia ser chamada de matemática do pensamento humano. É a álgebra da fé. Resolve, com suas equações, todos os problemas da alma como se fossem incógnitas, desvendadas por suas fórmulas matemáticas. O objetivo na Cabala é isolar estas incógnitas, emprestando às idéias a nitidez e a rigorosa exatidão dos números; seus resultados são, para a mente, a infalibilidade, sempre relativa na esfera dos conhecimentos humanos, e a paz profunda para o coração.

A Magia, ou ciência dos magos teve como representantes na antiguidade os discípulos, e talvez os mestres de Zoroastro. É o conhecimento das leis secretas e particulares da Natureza que produzem as forças ocultas, os ímãs, quer naturais ou artificiais, que podem existir mesmo fora do reino dos metais. Em uma palavra, para empregar uma expressão moderna, é a ciência do magnetismo universal.

O Hermetismo é a ciência da natureza oculta nos hieróglifos e símbolos do mundo antigo. É a procura do princípio da vida pelo sonho da realização da grande obra, a reprodução pelo homem do fogo natural e divino que cria e regenera os seres.

O círculo é imenso, porém seus princípios são muito simples e estão contidos nos números e nas letras do alfabeto. "É um trabalho de Hércules, que parece uma brincadeira de crianças", dizem os mestres da Cabala. As disposições necessárias ao êxito neste estudo compreendem uma grande retidão de julgamento e uma grande liberdade mental. É preciso, em primeiro lugar, se desfazer de todos os preconceitos e idéias preconcebidas. É por isso que Cristo dizia: "Se não tiverdes a simplicidade de uma criança, não entrareis em Malkuth, isto é, no reino da ciência". Começamos na Cabala, onde existem 4 divisões: Bereschit, Mercavah, Gematria e Temurah. Vosso na sagrada ciência.

Segunda Lição :: A Cabala Objeto e Método

Senhor e Irmão:

A proposta que deves fazer a ti, ao estudar a Cabala, é chegar à paz profunda, através da tranqüilidade do espírito e tranquilidade do coração. A paz de espírito é uma consequencia da certeza; a paz do coração vem da paciência e da fé. Sem a fé, a ciência conduz à dúvida; sem a ciência, a fé conduz à superstição. As duas unidas produzem a certeza e, para uni-las é necessário jamais confundí-las. O objeto da fé é a hipótese e chega a converter-se em certeza, quando a hipótese exige a evidência ou as demonstrações da ciência.

A ciência é comprovada com fatos. As leis são deduzidas da repetição dos fatos. A generalidade dos fatos, em presença de tal ou qual força, demonstra a existência das leis. As leis inteligentes são necessariamente desejadas e dirigidas pela inteligência. A unidade das leis faz supor a unidade da capacidade mental legisladora. A esta inteligência, que estamos obrigados a supor segundo os fatos, mas que não é possível definir, é que chamamos Deus.

A minha carta chegou a vossas mãos; eis aqui um fato evidente; a minha escrita foi reconhecida, bem como meu pensamento, e deduzistes disso que fui eu quem vos escreveu. É uma hipótese razoável, porém a hipótese necessária é a de que alguém escreveu a carta. Poderia ser apócrifa, porém não tendes razão para supô-lo. Se pretendêsseis que a carta tivesse caído do céu, estaríeis beirando o absurdo, estabelecendo uma hipótese absurda.

Eis, portanto, segundo o método cabalístico, como se forma a certeza:








Seguindo este método, o espírito adquire uma verdadeira infalibilidade, posto que afirma o que sabe, crê naquilo que necessariamente deve supor, admite as suposições razoáveis, examina as suposições duvidosas e afasta as suposições absurdas.

Toda a Cabala está contida no que os mestres chamaram as trinta e duas vias e as cinqüenta portas. As trinta e duas vias são trinta e duas idéias absolutas e reais ligadas aos signos dos dez números da aritmética e às vinte e duas letras do alfabeto hebraico.

Eis aqui estas idéias:

Números (Sephiroth):

1.  Potência suprema (Kether)

2.  Sabedoria absoluta (Hochmah)

3.  Inteligência infinita (Binah)

4.  Bondade (Chesed)

5.  Justiça ou rigor (Gueburah)

6.  Beleza (Tiphereth)

7.  Vitória (Netzah)

8.  Eternidade (Hod)

9.  Fecundidade (Yesod)

10.Realidade. (Malkuth)

Letras:

Vosso na sagrada ciência.


Terceira Lição :: Uso do Método

Senhor e Irmão:

Na lição anterior falei tão-somente das trinta e duas vias; falarei depois das cinqüenta portas.

As idéias expressas pelos números e pelas letras são realidades incontestáveis. Tais idéias encadeiam-se e se combinam como os números. Procede-se logicamente de um ao outro. O homem é o filho da mulher, porém a mulher procede do homem como o número da unidade. A mulher explica a natureza; a natureza revela a autoridade, cria a religião que serve de base à liberdade e que faz o homem dono de si mesmo e do universo, etc. (Procurai um Tarô; creio, porém que tendes um.) Disponde em duas séries de dez cartas alegóricas, numeradas de um a vinte e um. Vereis então todas as figuras que explicam as letras. Quanto aos números, do um ao dez, encontrareis neles a explicação repetida quatro vezes, com os símbolos de paus ou cetro do pai; copas ou delícias da mãe, espadas ou combate do amor e ouros ou fecundidade. O Tarô se encontra no livro hieroglífico das trinta e duas vias e a explicação sumária dele encontra-se no livro atribuído ao patriarca Abraão, que se chama Sepher-Yetzirah.

O sábio Court de Gebelin foi o primeiro que adivinhou a importância do Tarô, a grande chave dos hieróglifos hieráticos. Encontraram-se os símbolos e os números nas profecias de Ezequiel e de São João. A Bíblia é um livro inspirado, porém o Tarô é o livro inspirador, Também foi chamado de roda, rota, de onde se deduziram as formas tarô e torá. Os antigos rosacruzes conheciam-no e o marquês de Suchet fala dele em seu livro acerca dos iluminados.

Deste livro é que surgiram nossos jogos de cartas. As cartas espanholas ainda possuem os principais signos do Tarô primitivo e são utilizados para jogar o jogo do hombre, ou do homem, reminiscência vaga do uso primitivo de um livro misterioso que contém as sentenças reguladoras de todas as divindades humanas.

Os Tarôs antigos eram medalhas, de onde se originaram mais tarde os talismãs. As clavículas ou pequenas chaves de Salomão eram compostas de trinta e seis talismãs contendo setenta e duas estampas análogas às figuras hieroglíficas do Tarô. Essas figuras, alteradas pelos copistas, encontram-se ainda nas antigas clavículas manuscritas que se encontram nas bibliotecas. Existe um desses manuscritos na Biblioteca Nacional de Paris e um outro na Biblioteca do Arsenal. Os únicos manuscritos autênticos delas são os que mostram a série dos trinta e seis talismãs com os setenta e dois nomes misteriosos; os demais, por mais antigos que sejam, pertencem aos delírios da magia negra e contém apenas mistificações.

Vede, para a explicação do Tarô, o meu Dogma e Ritual da Alta Magia.

Vosso na sagrada ciência.


Quarta Lição :: A Cabala

Senhor e Irmão:

Bereschith quer dizer "gênese"; Merkavah significa "carro" em alusão às rodas e aos animais misteriosos de Ezequiel.

Bereschith e Merkavah resumem a ciência de Deus e do Mundo.

Digo "ciência de Deus" e, portanto, Deus não é infinitamente desconhecido. Sua natureza escapa completamente a nossas investigações. Princípio absoluto do ser e dos seres, não pode ser confundido com os efeitos que produz e pode-se dizer, afirmando completamente sua existência, que não é nem o não-ser, nem o ser. Fato que confunde a razão sem extraviá-la e nos afasta definitivamente da idolatria.

Deus é o único postulatum absoluto de toda ciência, a hipótese absolutamente necessária que serve de base a toda certeza. Eis aqui como nossos antigos mestres estabeleceram cientificamente esta hipótese correta da fé: o Ser é. No Ser está a vida. A vida manifesta-se pelo movimento. O movimento perpetua-se pelo equilíbrio das forças. A harmonia resulta da analogia dos contrários.

Existe, na natureza, lei imutável e progresso indefinido, mudança perpétua nas formas, indestrutibilidade da substância; e isto é o que se encontra estudando o mundo físico.

A metafísica apresenta leis e fatos análogos, na ordem intelectual ou na moral, o verdadeiro, imutável, de um lado; do outro, a fantasia e a ficção. De um lado, o bem que é o verdadeiro; de outro, o mal que é o falso, e destes conflitos aparentes surgem o julgamento e a virtude. A virtude compõe-se de bondade e justiça. Quando boa, a virtude é indulgente; quando justa, é rigorosa. Ela é boa porque é justa e justa porque é boa; ela se mostra bela.

Esta grande harmonia do mundo físico e do mundo moral, não podendo ter uma causa superior a si própria, revela-nos a existência de uma sabedoria imutável, princípios e leis eternas e de uma inteligência infinitamente criativa. Sobre esta sabedoria e sobre esta inteligência, inseparáveis uma da outra, repousa esta potência suprema que os hebreus chamam a coroa. A coroa e não o rei, porque a idéia de um rei implicaria a de um ídolo. A potência suprema é, para os cabalistas, a coroa do universo, e a criação inteira é o reino da coroa ou, se o senhor preferir, o domínio da coroa.

Ninguém pode dar aquilo que não tem, e nós podemos admitir virtualmente na causa o que se manifesta nos efeitos.

Deus é, portanto, a potência ou coroa suprema (Kether), que repousa sobre a sabedoria imutável (Chochmah) e a inteligência criadora (Binah); nele estão a bondade (Chesed) e a justiça (Gueburah), que são o ideal da beleza (Tiphereth). Nele estão o movimento sempre vitorioso (Netzah) e o grande repouso eterno (Hod). Sua vontade é uma criação contínua (Yesod) e seu reino (Malkuth) é a imensidade que povoa a universo.

Detenhamo-nos aqui: conhecemos Deus!

Vosso na sagrada ciência.


Quinta Lição :: A Cabala II

Senhor e Irmão:

Este conhecimento racional da divindade, escalonado nas dez cifras que compõem os números, vos oferece o método completo da filosofia cabalística. O método compõe-se de trinta e dois meios ou instrumentos de conhecimento que se denominam as trinta e duas vias, e de cinqüenta objetos, aos quais pode-se aplicar a ciência, e que se chamam as cinqüenta portas.

A ciência sintética universal considera-se como um templo com trinta e duas vias de acesso e cinqüenta portas.

Este sistema numérico, que também poderia ser chamado decimal, porque sua base é dez, estabelece, pelas analogias, uma classificação exata de todos os conhecimentos humanos. Nada é mais engenhoso, e também nada é mais lógico nem mais exato.

Esse número dez aplicado às noções absolutas do ser na ordem divina, metafísica e natural, repete-se três vezes, o que dá trinta para os meios de análise; acrescentai a silepse e a síntese, a unidade que começa por se propor à mente e aquela do resumo universal, e o senhor terá as trinta e duas vias.

As cinqüenta portas constituem uma classificação dos seres em cinco séries de dez, que abarca todos os conhecimentos possíveis e reina sobre todos os ramos do saber humano.

Mas não é suficiente ter encontrado um método matemático exato. Para ser perfeito é necessário que esse método seja progressivamente revelador, isto é, que ele nos dê o meio de tirar exatamente todas as deduções possíveis para obter os conhecimentos novos e de desenvolver o espírito, sem deixar nada ao capricho da imaginação.

Isto é o que se obtém pela Gematria e pela Temurah que são as matemáticas das idéias. A Cabala tem sua geometria ideal, sua álgebra filosófica e sua trigonometria analógica. É dessa forma que obriga a natureza, de certo modo, a revelar seus segredos.

Adquiridos estes altos conhecimentos, passa-se às últimas revelações da Cabala transcendental e estuda-se no Shemhamphorash, a origem e a razão de todos os dogmas.

Eis aí, senhor e amigo, o que devemos aprender. Veja se isso não vos assusta; minhas cartas são curtas, mas são resumos bastante concisos e que dizem muito em poucas palavras. Deixei um espaço bastante longo entre as minhas cinco primeiras lições para vos dar tempo de refletir; posso escrever-lhe com maior freqüência, se desejar.

Acredite, senhor, em meu ardente desejo de lhe ser útil.

Vosso, de todo coração, na sagrada ciência.


Sexta Lição :: A Cabala III

Senhor e Irmão:

A Bíblia deu ao homem dois nomes. O primeiro é Adão, que significa saído da terra ou homem de terra; o segundo é Enos ou Enoque, que significa homem divino ou elevado até Deus. Segundo a Gênese, é este Enos quem primeiro fez homenagens públicas ao princípio dos seres, e este Enos, o mesmo que Enoque, foi, segundo dizem, elevado vivo ao céu após ter gravado sobre duas pedras, que se chamam as colunas de Enoque, os elementos primitivos da religião e da ciência universal.

Este Enoque não é um personagem, mas uma personificação da humanidade, elevada ao sentimento da imortalidade, pela religião e pela ciência. Na época designado pelo nome de Enos ou de Enoque, o culto de Deus apareceu sobre a terra e o sacerdócio começou. Na mesma época começa a civilização com a escritura e os monumentos hieráticos.

O gênio civilizador que os hebreus personificam em Enoque os egípcios chamaram Trismegisto e os gregos Kadmos ou Cadmus, aquele que, sob os acordes da lira de Anfion, viu as pedras vivas de Tebas erguerem-se e alinharem-se por si mesmas.

O livro sagrado primitivo, o livro que Postel chamou a Gênese de Enoque, é a fonte primeira da Cabala ou tradição ao mesmo tempo divina, humana e religiosa. Aí nos aparece, em toda sua simplicidade, a revelação da inteligência suprema à razão e ao amor do homem, a lei eterna regulando a expansão infinita, os números na imensidade e a imensidade nos números, a poesia na matemática e a matemática na poesia.

Quem acreditaria que o livro inspirador de todas as teorias e de todos os símbolos religiosos seria conservado até nossos dias sob a forma de um jogo composto por cartas bizarras? Nada é mais evidente entretanto; e Court de Gebelin, seguido depois por todos aqueles que estudaram seriamente o simbolismo dessas cartas, foi no século passado o primeiro a descobri-lo.

O alfabeto e os dez signos dos números, eis certamente, o que há de mais elementar nas ciências. Reuni a isso os sinais dos quatro pontos cardeais do céu ou das quatro estações, e terá o livro de Enoque inteiro. Porém, cada signo representa uma idéia absoluta ou, se o senhor preferir, essencial.

A forma de cada algarismo e de cada letra tem sua razão matemática e sua significação hieroglífica.

As idéias, inseparáveis dos números, seguem, adicionando-se, dividindo-se ou multiplicando-se, etc., o movimento dos números e adquirem sua exatidão. O livro de Enoque é, enfim, a aritmética do pensamento.

Vosso na santa ciência.


Sétima Lição :: A Cabala IV

Senhor e Irmão:

Court de Gebelin vislumbrou, nas vinte e duas chaves do Tarô, a representação dos mistérios egípcios e atribuiu sua invenção a Hermes ou Mercúrio Trismegistos, que era também conhecido por Thaut ou Toth. É certo que os hieróglifos do Tarô se encontram nos antigos monumentos do Egito; é certo que os signos deste livro, traçados em conjuntos sinóticos sobre monolitos ou sobre tábuas metálicas semelhantes à tábua isíaca de Bembo (N. dos T. - Estas inscrições eram feitas em lâminas de cobre e representavam os mistérios de Ísis e da maior parte das divindades egípcias), eram reproduzidos separadamente sobre pedras gravadas ou em medalhas, que originaram mais tarde os amuletos e os talismãs. Separavam-se, assim, as páginas do livro, infinito em suas diversas combinações para se reunir, transpor e dispor de uma maneira sempre nova, para se obterem os oráculos inesgotáveis da verdade.

Possuo um destes antigos talismãs, trazido do Egito por um viajante amigo. Representa o binário dos Ciclos ou, vulgarmente, o "dois de ouros". É a expressão figurada da grande lei da polarização e do equilíbrio, produzindo a harmonia pela analogia dos contrários; eis como esse símbolo é figurado no Tarô que possuímos, e que ainda encontramos à venda:


A medalha que tenho está um pouco desgastada pelo tempo; é do tamanho de uma moeda de cinco francos, mas um pouco mais grossa. Os dois ciclos polares estão representados exatamente como no nosso Tarô italiano, com uma flor de lótus e uma auréola ou nimbo.

A corrente astral, que separa e atrai ao mesmo tempo os dois focos polares, está representada, em nosso talismã egípcio, pelo bode de Mendes, colocado entre duas víboras análogas às serpentes do caduceu. No reverso da medalha, vê-se um adepto ou um sacerdote egípcio que, substituindo o bode de Mendes entre os dois ciclos do equilíbrio universal, conduz por uma estrada margeada de árvores o bode tornado manso como um simples animal, sob a bengala do homem que imita Deus.

Os dez signos dos números, as vinte e duas letras do alfabeto hebraico e os quatro signos astronômicos das estações constituem o sumário e o resumo de toda a Cabala.

Vinte e duas letras e dez números dão as trinta e duas vias do Sepher Yetzirah, quatro origina a Mercavah e o Shemamphorash.

É simples como um brinquedo de crianças e complicado como os mais árduos problemas de matemática pura.

É ingênuo e profundo como a verdade e como a natureza.

Esses quatro signos elementares e astronômicos são as quatro formas da esfinge e os quatro animais de Ezequiel e de São João.

Vosso na sagrada ciência.


Oitava Lição :: A Cabala V

Senhor e Irmão:

A ciência da Cabala torna impossível a dúvida em matéria de religião, por ser ela a única que concilia a razão com a fé, mostrando que o dogma universal formulado de maneiras diversas, porém no fundo sempre o mesmo, é a expressão mais pura das aspirações do espírito humano esclarecido por uma fé necessária. Ela faz compreender a utilidade das práticas religiosas que, fixando a atenção, e fortificam a vontade, lançando igualmente uma luz superior sobre todos os cultos. Prova que o mais eficaz de todos os cultos é aquele que por sinais adequados aproxima, por assim dizer, a divindade do homem, fazendo com que ele a veja, toque e, de certa forma, incorpore. Basta dizer que se trata da religião católica.

Esta religião, tal como se apresenta ao vulgo, é a mais absurda de todas, porque é a mais revelada. Emprego esta palavra no seu verdadeiro sentido: revelare; re-velar, velar de novo. O senhor sabe que no Evangelho é dito que por ocasião da morte de Cristo o véu do Templo se rasgou por completo e todo trabalho dogmático da Igreja através dos tempos tem sido o de tecer e bordar um novo véu.

É verdade que os próprios guardiões do santuário, por haverem desejado ser príncipes, perderam há muito tempo as chaves da alta iniciação. Isto não impede que a letra do dogma seja sagrada e os sacramentos eficazes. Disse em meus livros que o culto cristão católico é a alta magia regulada e organizada pelo simbolismo e a hierarquia. É uma combinação de auxílios oferecidos à debilidade humana para afirmar sua vontade no bem.

Nada foi esquecido, nem o templo misterioso e sombrio nem o incenso que tranqüiliza e exalta ao mesmo tempo, nem os cantos prolongados e monótonos que colocam o cérebro em um semi-sonambulismo. O dogma, cujas formas obscuras parecem o desespero da razão, serve de barreira às petulâncias de um crítico inexperiente e indiscreto. Parecem insondáveis, a fim de melhor representarem o infinito. Os próprios ofícios, celebrados numa língua que a massa popular não entende, preenchem o pensamento daquele que ora e o deixam encontrar na oração tudo o que está em relação com as necessidades do espírito e do coração. Eis aí por que a religião católica se assemelha à ave fênix da fábula, que se sucede de século em século e renasce continuamente de suas cinzas. Este grande mistério da fé é simplesmente um mistério da natureza.

Pareceria um enorme paradoxo dizermos que a religião católica é a única que pode ser justamente chamada de natural; e, contudo, isso é verdade; pois só ela satisfaz plenamente essa necessidade natural do homem, que é o sentimento religioso.

Vosso na santa ciência.


Nona Lição :: A Cabala VI

Senhor e Irmão:

Se o dogma cristão-católico é completamente cabalístico, deve-se dizer o mesmo dos grandes santuários do mundo antigo. A lenda de Krishna, tal como a relata o Bhagavadam, é um verdadeiro Evangelho, similar ao nosso, porém mais ingênuo e brilhante. As encarnações de Vishnu são dez, como os Sefiroths da Cabala e formam uma revelação, de certo modo mais completa que a nossa. Osíris, morto por Tífon, depois ressuscitado por Ísis, é o Cristo renegado pelos judeus, depois glorificado na pessoa de sua mãe. A Tebaida é a grande epopéia religiosa que deve ser colocada ao lado do grande símbolo de Prometeu. Antígona é o tipo de mulher divina, tão pura quanto Maria. Em todas as partes o bem triunfa pelo sacrifício voluntário, após ter sofrido por algum tempo os assaltos desiguais da força fatal. Os próprios ritos são simbólicos e se transmitem de religião para religião.

As tiaras, as mitras, as sobrepelizes figuram em todas as grandes religiões. Depois se deduziu que todas eram falsas, quando, em verdade, falsa é a conclusão. A verdade é que a religião é una como a própria humanidade, progressiva como ela e permanecendo sempre a mesma, transformando-se continuamente. Se, para os egípcios, Jesus Cristo se denomina Osíris, para os escandinavos Osíris é Balder, morto pelo lobo Jeuris, mas Voda ou Odin lhe devolve a vida e as Valkírias servem-lhe hidromel no Valhala. Menestréis, druidas, bardos, cantavam a morte e a ressurreição de Tarenis ou Tetenus, distribuíam a seus fiéis o agárico sagrado, como nós fazemos com o buxo bendito nas festas do solstício de estio, e rendiam culto à virgindade, inspirado nas sacerdotisas da ilha do Sena.

Podemos, portanto, em plena consciência e com inteira razão, cumprir os deveres que nos impõe nossa religião materna. As práticas são atos coletivos e repetidos com intenção direta e perseverante. Semelhantes atos são sempre benéficos e fortificam a vontade, espécie de ginástica que nos conduz ao fim espiritual que queiramos alcançar. As práticas mágicas e os passes magnéticos não têm outro objetivo e dão resultados análogos aos das práticas religiosas, ainda que sejam mais imperfeitos.

Quantos homens não têm a energia para fazer o que desejam ou devem fazer? Há mulheres que se consagram sem desânimo a trabalhos tão repugnantes e penosos como os das enfermeiras e educadoras. De onde tiram a força? Das pequenas práticas repetidas. Rezam todos os dias o seu ofício e seu terço e fazem de joelhos a oração e o exame particular.

Vosso na santa ciência.


Décima Lição :: A Cabala VII

Senhor e Irmão:

A religião não é uma servidão imposta ao homem, é um auxílio que se lhe oferece. As castas sacerdotais trataram, o tempo todo, de explorar, vender e transformar este auxílio em jugo insuportável; a obra evangélica de Jesus tinha por objeto separar a religião do sacerdote ou pelo menos colocar o sacerdote na posição de ministro ou servidor da religião, dando à consciência do homem toda a liberdade e razão. Vede a parábola do bom samaritano e estes preciosos textos: "A lei se fez para o homem e não o homem para a lei. Desgraçados aqueles que prendem e impõem, sobre as espáduas dos outros, fardos que gostariam de tocar apenas com as pontas dos dedos, etc., etc." A Igreja oficial declara-se infalível no Apocalipse, a chave cabalística dos evangelhos, e há no cristianismo, sempre, uma igreja oculta ou Joanita que, respeitando totalmente a necessidade da Igreja oficial, conserva do dogma uma interpretação diferente da que lhe dá o vulgo.

Os templários, os rosacruzes, os Franco-Maçons de alto grau pertenceram todos, antes da revolução francesa, à Igreja, da qual Martinez Pasqually, Saint-Martin e até Mme, de Krudemer foram os apóstolos no século XVIII.

O caráter distintivo desta escola é evitar a publicidade e não se constituir, nunca, em seita dissidente. O conde José de Maistre, esse católico tão radical, era, ainda que não se acredite, simpático à sociedade dos Martinistas e anunciava uma regeneração próxima do dogma por luzes que emanavam dos santuários do ocultismo. Existem todavia sacerdotes fervorosos que estão iniciados nas doutrinas antigas, e um bispo, entre outros, falecido recentemente, pediu-me que lhe ensinasse cabala. Os discípulos de Saint-Martin tomaram o pseudônimo de filósofos desconhecidos, e os discípulos de um mestre moderno muito conhecido não tiveram necessidade de tomar nome algum, pois o mundo não suspeitava da existência deles. Jesus disse que a levedura deve ocultar-se no fundo da vasilha que contém a massa para trabalhar dia e noite em silêncio até que a fermentação invada lentamente toda a massa que deve formar o pão.

Um iniciado pode, com simplicidade e sinceridade, praticar a religião em que haja nascido, porque todos os ritos representam diversamente um único e mesmo dogma; porém não deve abrir o fundo de sua consciência mais que a Deus e ninguém deve saber suas crenças mais íntimas. O sacerdote não pode julgar o que o próprio Papa não compreende. Os signos exteriores do iniciado são a ciência modesta, a filantropia sem ostentação, a uniformidade de caráter e a mais inalterável bondade.

Vosso na santa ciência. Éliphas Lévi Zahed (tradução hebraica de Alphonse Louis Constant) - (1810 - 1875)

Estas cartas de Éliphas Lévi foram fornecidas por um dos seus discípulos, o Sr. Montaut. Foram publicadas pela primeira vez na revista L'Initiation em 1891."

Fonte: Obra retirada de site de livros de domínio público, e disponível gratuitamente na internet.



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