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quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Emmanuel: 'Vontade e Destino' - 1ª lição do livro 'Trevo de Ideias'

"Tudo está matematicamente dosado nas formações da natureza, entretanto, as leis divinas estabelecem que a vontade consciente da criatura tome os ingredientes do mundo, com a possibilidade constante de tudo alterar, modificar, fazer e refazer, construir e reconstruir nas trilhas da existência.  Nitroglicerina e matéria silicosa constituem a dinamite, capaz de efetuar depredações e arrasamentos, mas, se o homem lhe controla as explosões, nela encontra valioso auxiliar de serviço.  Ferro e carbono, habilmente conjugados, compõem o aço comum que tanto satisfaz na prática belicista, como atende na base da indústria ou na garantia da construção.  Lama e detrito criam o charco; no entanto, se alguém lhe aplica drenagem conveniente, ei-lo que se converte em celeiro de pão.  A laranjeira rústica estende pomos azedos, contudo, se recebe enxertia adequada, esparze larga cópia de frutos suculentos.  Assim também o destino. Culpa e resgate somam dificuldade e dor, mas se empregamos fé viva em nossa capacidade de realizar o melhor, aceitando o sofrimento por recurso de correção e aprimoramento, ainda mesmo na sombra do extremo infortúnio, podemos traçar o caminho da paz e acender a chama da elevação." - Chico Xavier e Emmanuel
Imagem: escultura 'Knotted Gun', de Carl F. Reuterswärd, na frente da sede da ONU em Nova Iorque

"Tudo está matematicamente dosado nas formações da natureza, entretanto, as leis divinas estabelecem que a vontade consciente da criatura tome os ingredientes do mundo, com a possibilidade constante de tudo alterar, modificar, fazer e refazer, construir e reconstruir nas trilhas da existência.

Nitroglicerina e matéria silicosa constituem a dinamite, capaz de efetuar depredações e arrasamentos, mas, se o homem lhe controla as explosões, nela encontra valioso auxiliar de serviço.

Ferro e carbono, habilmente conjugados, compõem o aço comum que tanto satisfaz na prática belicista, como atende na base da indústria ou na garantia da construção.

Lama e detrito criam o charco; no entanto, se alguém lhe aplica drenagem conveniente, ei-lo que se converte em celeiro de pão.

A laranjeira rústica estende pomos azedos, contudo, se recebe enxertia adequada, esparze larga cópia de frutos suculentos.

Assim também o destino. Culpa e resgate somam dificuldade e dor, mas se empregamos fé viva em nossa capacidade de realizar o melhor, aceitando o sofrimento por recurso de correção e aprimoramento, ainda mesmo na sombra do extremo infortúnio, podemos traçar o caminho da paz e acender a chama da elevação."


Chico Xavier e Emmanuel
Livro: 'Trevo de Ideias'
Lição 1: 'Vontade e Destino'


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quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Emmanuel: 'A Gênese Planetária'




"1. A Comunidade dos Espíritos Puros


1 Rezam as tradições do mundo espiritual que na direção de todos os fenômenos, do nosso sistema, existe uma Comunidade de Espíritos Puros e Eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias.

2 Essa Comunidade de seres angélicos e perfeitos, da qual é Jesus um dos membros divinos, ao que nos foi dado saber, apenas já se reuniu, nas proximidades da Terra, para a solução de problemas decisivos da organização e da direção do nosso planeta, por duas vezes no curso dos milênios conhecidos.

3 A primeira, verificou-se quando o orbe terrestre se desprendia da nebulosa solar, a fim de que se lançassem, no Tempo e no Espaço, as balizas do nosso sistema cosmogônico e os pródromos da vida na matéria em ignição, do planeta, 

4 e a segunda, quando se decidia a vinda do Senhor à face da Terra, trazendo à família humana a lição imortal do seu Evangelho de amor e redenção.


2. A Ciência de todos os tempos


1 Não é nosso propósito trazer à consideração dos estudiosos uma nova teoria da formação do mundo. A Ciência de todos os séculos está cheia de apóstolos e missionários. Todos eles foram inspirados ao seu tempo, refletindo a claridade das Alturas, que as experiências do Infinito lhes imprimiram na memória espiritual, e exteriorizando os defeitos e concepções da época em que viveram, na feição humana de sua personalidade.

2 Na sua condição de operários do progresso universal, foram portadores de revelações gradativas, no domínio dos conhecimentos superiores da Humanidade. Inspirados de Deus nos penosos esforços da verdadeira civilização, as suas ideias e trabalhos merecem o respeito de todas as gerações da Terra, ainda que as novas expressões evolutivas do plano cultural das sociedades mundanas tenham sido obrigadas a proscrever as suas teorias e antigas fórmulas.

3 Lembrando-nos, porém, mais detidamente, de quantos souberam receber a intuição da realidade nas perquirições do Infinito, busquemos recordar o globo terráqueo nos seus primeiros dias.


3. Os primeiros tempos do orbe terrestre


1 Que força sobre-humana pôde manter o equilíbrio da nebulosa terrestre, destacada do núcleo central do sistema, conferindo-lhe um conjunto de leis matemáticas, dentro das quais se iam manifestar todos os fenômenos inteligentes e harmônicos de sua vida, por milênios de milênios? 

2 Distando do Sol cerca de 149.600.000 quilômetros e deslocando-se no espaço com a velocidade diária de 2.500.000 quilômetros, em torno do grande astro do dia, imaginemos a sua composição nos primeiros tempos de existência, como planeta.

3 Laboratório de matérias ignescentes, o conflito das forças telúricas e das energias físico-químicas opera as grandiosas construções do teatro da vida, no imenso cadinho onde a temperatura se eleva, por vezes, a 2.000 graus de calor, como se a matéria colocada num forno, incandescente, estivesse sendo submetida aos mais diversos ensaios, para examinar-se a sua qualidade e possibilidades na edificação da nova escola dos seres. 

4 As descargas elétricas, em proporções jamais vistas da Humanidade, despertam estranhas comoções no grande organismo planetário, cuja formação se processa nas oficinas do Infinito.


4. A criação da Lua


1 Nessa computação de valores cósmicos em que laboram os operários da espiritualidade sob a orientação misericordiosa do Cristo, delibera-se a formação do satélite terrestre.

2 O programa de trabalhos a realizar-se no mundo requeria o concurso da Lua, nos seus mais íntimos detalhes. 

3 Ela seria a âncora do equilíbrio terrestre nos movimentos de translação que o globo efetuaria em torno da sede do sistema; 

4 o manancial de forças ordenadoras da estabilidade planetária e, sobretudo, 

5 o orbe nascente necessitaria da sua luz polarizada, cujo suave magnetismo atuaria decisivamente no drama infinito da criação e da reprodução de todas as espécies, nos variados reinos da Natureza.


5. A solidificação da matéria


1 Na grande oficina surge, então, a diferenciação da matéria ponderável, dando origem ao hidrogênio.

2 As vastidões atmosféricas são amplo repositório de energias elétricas e de vapores que trabalham as substâncias torturadas no orbe terrestre. 

3 O frio dos espaços atua, porém, sobre esse laboratório de energias incandescentes e a condensação dos metais verifica-se com a leve formação da crosta solidificada.

4 É o primeiro descanso das tumultuosas comoções geológicas do globo. 

5 Formam-se os primitivos oceanos, onde a água tépida sofre pressão difícil de descrever-se.

6 A atmosfera está carregada de vapores aquosos e as grandes tempestades varrem, em todas as direções, a superfície do planeta, mas sobre a Terra o caos fica dominado como por encanto.

7 As paisagens aclaram-se, fixando a luz solar que se projeta nesse novo teatro de evolução e vida.

8 As mãos de Jesus haviam descansado, após o longo período de confusão dos elementos físicos da organização planetária.


6. O Divino Escultor


1 Sim, Ele havia vencido todos os pavores das energias desencadeadas; com as suas legiões de trabalhadores divinos, lançou o escopro da sua misericórdia sobre o bloco de matéria informe, que a Sabedoria do Pai deslocara do Sol para as suas mãos augustas e compassivas. 

2 Operou a escultura geológica do orbe terreno, talhando a escola abençoada e grandiosa, na qual o seu coração haveria de expandir-se em amor, claridade e justiça. 

3 Com os seus exércitos de trabalhadores devotados, estatuiu os regulamentos dos fenômenos físicos da Terra, organizando-lhes o equilíbrio futuro na base dos corpos simples de matéria, cuja unidade substancial os espectroscópios terrenos puderam identificar por toda a parte no universo galáxico. 

4 Organizou o cenário da vida, criando, sob as vistas de Deus, o indispensável à existência dos seres do porvir. 

5 Fez a pressão atmosférica adequada ao homem, antecipando-se ao seu nascimento no mundo, no curso dos milênios; 

6 estabeleceu os grandes centros de força da ionosfera e da estratosfera, onde se harmonizam os fenômenos elétricos da existência planetária, 

7 e edificou as usinas de ozone a 40 e 60 quilômetros de altitude, para que filtrassem convenientemente os raios solares, manipulando-lhes a composição precisa à manutenção da vida organizada no orbe. 

8 Definiu todas as linhas de progresso da humanidade futura, engendrando a harmonia de todas as forças físicas que presidem ao ciclo das atividades planetárias.


7. O Verbo na criação terrestre


1 A ciência do mundo não lhe viu as mãos augustas e sábias na intimidade das energias que vitalizam o organismo do Globo. 

2 Substituíram-lhe a providência com a palavra “natureza”, em todos os seus estudos e análises da existência, mas o seu amor foi o Verbo da criação do princípio, como é e será a coroa gloriosa dos seres terrestres na imortalidade sem-fim. 

3 E quando serenaram os elementos do mundo nascente, quando a luz do Sol beijava, em silêncio, a beleza melancólica dos continentes e dos mares primitivos, Jesus reuniu nas Alturas os intérpretes divinos do seu pensamento. 

4 Viu-se, então, descer sobre a Terra, das amplidões dos espaços ilimitados, uma nuvem de forças cósmicas, que envolveu o imenso laboratório planetário em repouso.

5 Daí a algum tempo, na crosta solidificada do planeta, como no fundo dos oceanos, podia-se observar a existência de um elemento viscoso que cobria toda a Terra.

6 Estavam dados os primeiros passos no caminho da vida organizada. Com essa massa gelatinosa, nascia no orbe o protoplasma e, com ele, lançara Jesus à superfície do mundo o germe sagrado dos primeiros homens."


Chico Xavier e Emmanuel


Fonte: 1º Capítulo do livro "A Caminho da Luz"¹, de Francisco Cândido Xavier, ditado por Emmanuel (Espírito): "A Gênese Planetária" (texto dividido em versículos para melhor estudo e compreensão) - citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais - Imagem: Pixabay License, imagem grátis para uso com atribuição não requerida (CC0)

A respeito da obra: 1- Objetivando orientar o homem de acordo com os desígnios da Misericórdia divina, apresentando reflexões sobre as situações cotidianas à guisa dos ensinamentos e bondade celestes, ''A caminho da luz'' é obra merecedora de leitura e estudo para os que buscam compreender nosso mundo. Nesta obra, o Espírito Emmanuel narra a história da humanidade sob a luz do Espiritismo, apresentando-nos acontecimentos e experiências que vão desde a gênese planetária até as perspectivas para o futuro da humanidade, elucidando-nos a posição e a importância do Evangelho do Cristo diante da ciência, das religiões e das filosofias terrenas.



quinta-feira, 27 de abril de 2017

A verdadeira revolução está em nós

Fonte: Revista UMA/ed.112




Para o filósofo hindu Jiddu Krishnamurti, a revolução humana ocorrerá através de uma mudança na mente de cada indivíduo. Nascido na cidade de Madanapalle (Índia), ele foi educado pela sociedade teosófica e, aos 13 anos de idade, já era considerado um dos grandes mestres mundiais. 

Durante sua vida, ele viajou pelo mundo para falar com as pessoas. Escreveu diversos livros e fundou escolas em muitos países. Seu principal intuito era o de trazer a reflexão sobre a sociedade em que vivemos, para que possamos alcançar uma maior compreensão sobre os conflitos que nos permeiam.

Ele faleceu em 1986, aos 90 anos de idade. Apesar de ser visto por muitos como um líder espiritual, ele sempre fugiu desse rótulo, pois acreditava que cada um de nós deve ser responsável pela própria mudança, longe de religiões, mestres, gurus ou líderes. 

Em 1929, em uma de suas palestras, Krishnamurti afirmou: “A verdade é uma terra sem caminho”. Ou seja, não se pode chegar a ela através de uma instituição religiosa, do estudo da Psicologia ou de um ritual espiritual, mas, sim, pelo espelho das relações humanas, da compreensão da mente e do autoconhecimento.

Ele falava constantemente sobre a necessidade urgente de uma transformação na sociedade e que essa mudança está na consciência individual do ser humano. Em suas falas, o indiano, que levava sempre um ar de serenidade no rosto, questionava sobre o comportamento humano na sociedade agressiva e competitiva em que vivemos (em crise, que já não pode mais viver com base nas velhas tradições, e que precisa de mudança).

Ele afirmava: “Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente”. Se a nossa sociedade está doente, então a cura está dentro de cada um de nós. Essa cura começa quando passamos a entender quais são os problemas que nos afetam. Para o  filósofo, a meditação é de extrema importância para o autoconhecimento e a limpeza de nossas mentes: 

Nossas mentes estão distorcidas, foram moldadas pela cultura em que vivemos, pelas estruturas religiosas e econômicas, pela comida que comemos etc. Nós damos à mente uma determinada estrutura e, ao condicioná-la, este condicionamento vira uma distorção. Unicamente quando não existe distorção, a mente pode ver com clareza, pureza, inocência e de maneira completa. O primeiro passo é ter a capacidade de olhar sem nenhuma distorção e a arte de escutar, o que significa que a mente deve estar em absoluta quietude, sem nenhum movimento.

“Estamos tentando, como toda essa discussão é retórica, ver se podemos fazer com que aconteça uma transformação radical da mente. Não aceitar as coisas como elas são, entendê-las, mergulhar nelas, examiná-las. Use o seu coração, a sua mente e tudo o que você tem para descobrir um jeito diferente de viver. Mas isso depende de você e mais ninguém. Porque, para isso, não há professor, aluno, líder, guru, mestre ou salvador que lhe ajude. Você mesmo é o professor, o aluno, o mestre, o guru, o líder etc. VOCÊ É TUDO! E... Entender é transformar o que há.”

Compartilhado de: http://www.mulher.com.br/uncategorized/jiddu-krishnamurti-a-revolucao-esta-em-voce



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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Vulcano, o Ferreiro dos Deuses



Agô Pai Ogum! Ogunhê! Saravá os Grandes Mestres Alquimistas!

Der Parnaß - detalhe - de Andrea Mantegna
No inventário do Museu do Louvre
Vulcano - Hefesto na mitologia grega - do latin: Vulcanus - era o deus romano do fogo, filho de Júpiter e de Juno ou ainda, segundo alguns mitólogos, somente de Juno com o auxílio do Vento.

Foi lançado aos mares devido à vergonha de sua mãe pela sua disformidade, foi, porém, recolhido por Tetis e Eurínome, filhas do Oceanus. Noutras versões, a sua fealdade era tal mesmo recém-nascido, que Júpiter o teria lançado do Monte olimpo abaixo. A esse facto de deveria a sua deformidade, pois Vulcano era coxo.

Sua figura era representada como um ferreiro. Era ele quem forjava os raios, atributo de Júpiter. Este deus, o mais feio de todos, era o marido de Vénus - a Afrodite grega -, a deusa da beleza e do amor, que, aliás, lhe era tremendamente infiel.

No entanto, Vulcano forjou armas especiais para Eneias, filho de Vénus de Anquises de Tróia e para Aquiles quando este havia emprestado para Pátroclo,que por sua vez a perdeu para Heitor.

Em certa altura, Vulcano preparou uma rede com que armadilhou a cama onde Vénus e Marte mantinham uma relação adúltera. Deste modo o deus ferreiro conseguiu demonstrar a infidelidade da sua esposa, que no entanto foi perdoada por Júpiter.

O deus pertence à fase mais antiga da religião romana: Varro citou-o no "Maximi Annales", lembrando que o rei Tito Tácio havia dedicado altares para uma série de divindades, entre as quais Vulcano é mencionado.

Vulcanália

O festival de Vulcano, a Vulcanalia, era comemorado na Roma antiga em 23 de agosto de cada ano, quando o calor do verão aumentava o risco de incêndios nas culturas e celeiros. Durante o festival eram feitas fogueiras em honra do deus, nas quais peixes vivos ou pequenos animais eram lançados como um sacrifício, segundo a crença da época, para serem consumidos por Vulcano no lugar dos seres humanos.

Está registrado que durante a Vulcanalia o povo romano costumava pendurar suas roupas e tecidos sob o sol. Este hábito refletiria uma conexão teológica entre Vulcano e o Sol divinizado.
Outro costume observado neste dia exigia que a pessoa deveria começar a trabalhar à luz de uma vela, provavelmente para propiciar um uso benéfico de fogo pelo deus.

Vulcano para os Alquimistas

A Forja de Vulcano, de Diego Velázquez
Museu do Prado
Vulcano dos Alquimistas é o patrono da Alquimia, também conhecido por ser um símbolo da arte hermética. Além de ser importante na religião egípcia, grega e romana, foi introduzido pelo médico e alquimista Paracelso - nascido Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim - na Alquimia.

Para Paracelso, Vulcano era sinônimo tanto do alquimista/médico, quanto da manipulação do fogo; aquecimento e destilação de propriedades da natureza para a medicina, bem como o poder transformador e potencial criativo bloqueado dentro do ser, o maior homem invisível ou anthropos, o adormecido dentro.

A Alquimia é uma arte e Vulcano - o governador de fogo - é o artista dentro dela. Paracelso escreveu que:

"Aquele que é Vulcano tem o poder da arte... Todas as coisas foram criadas em estado inacabado, nada está acabado, mas Vulcano deve trazer todas as coisas para a sua conclusão. Tudo está em primeiro criado na sua materia prima, seu material original; Vulcano vem sobre este, e desenvolve-o em sua substância final... 

Deus criou o ferro, mas não o que pode ser feito dele. Ele ordenou o incêndio, e Vulcano, que é o senhor do fogo, para fazer o resto... Disto se segue que o ferro deve ser limpo de suas impurezas antes que possa ser forjado. Este processo é Alquimia, seu fundador é o Vulcano. O que é conseguido através do fogo é a Alquimia, inclusive no forno ou no fogão da cozinha. E aquele que governa o fogo é Vulcano, mesmo que seja um cozinheiro ou um homem que cuida do fogão."


Paracelso também escreveu:

"Nada foi criado como ultima materia - em seu estado final. Tudo está em primeiro criado na sua prima materia, seu material original; sobre o qual Vulcano vem, e pela arte da Alquimia desenvolve-o em sua substância final. A Alquimia é uma arte, necessária e indispensável... É uma arte, e Vulcano é seu artista. Ele, que é um Vulcano domina esta arte, quem não é uma Vulcano nada pode fazer ou avançar nela."

O alquimista elisabetano, Sir Francis Bacon, no entanto, era cético quanto ao alistamento na alquimia da divindade romana como símbolo alquimista verdadeiro, como afirmou em "The Advancement of Learning", de 1605:

Abandonando a Minerva e sabedoria, eles jogam o tribunal para o ferreiro coberto de fuligem Vulcano, seus potes e panelas,

Paracelso
No entanto, os alquimistas da escola de Paracelso, como Gerard Dorn, Batista Jan van Helmont e Arthur Dee, cada um reconheceu o deus romano da forja e forno, como simbologia da arte. Van Helmont, especificamente, descreveu alquimia como arte de Vulcano, enquanto Arthur Dee, em seu "Arca Arcarnum" escreveu:

Embora eu seja constrangido a morrer e ser enterrado, no entanto, Vulcano cuidadosamente me dá o nascimento.

O deus romano e Paracelso - que associou a divindade à alquimia - foram citados nada menos que três vezes, por Sir Thomas Browne em "The Garden of Cyrus", de 1658. Ele escreveu, primeramente, em suas linhas de abertura:

Vulcano, que deu flechas até a Apolo e Diana, de acordo com a teologia dos gentios na obra do quarto dia, não pode passar por nenhuma apreensão cega da criação do Sol e da Lua

Em segundo lugar, no contexto da mitologia grega clássica, em que Vulcano constrói e lança uma rede invisível, a fim de seduzir Vênus, sua esposa em flagrante com o amante Marte. Browne, com humor, afirma:

Aquela famosa rede de Vulcano, que pegou Marte e Vênus, provocou risos inextinguíveis nos céus, já que os próprios deuses não podiam percebê-la, não devemos nos intrometer nela.

O mito clássico de Vênus e Marte, presos pela invenção de Vulcano, é também um exemplo menos conhecido da "fixação" e da união dos opostos na opus alquímica.

E, finalmente, há a apoteose, da opus alquímica literária, na qual são entregues seu três fatores, para determinar a verdade, ou seja, a razão, autoridade e experiência; Vulcano aqui representa o demiurgo ou "homem superior" que, não muito diferente dos gnósticos, "Homens de Luz", usa o seu artesanato e habilidades para ajudar, iluminar e libertar o Homem Espiritual interior.

Verdades planas e flexíveis são vencidas por cada martelada, mas Vulcano e seu suor o forjam por inteiro, para trabalhar fora de sua armadura de Aquiles.

Nos tempos modernos, o psicólogo suíço Carl Jung, interpretou Vulcano como aquele que:

"...acende a roda de fogo da essência na alma quando ela se quebra "da parte de Deus, de onde vem o desejo e o pecado, que são a ira de Deus" CW 12 215.

O tesouro dos tesouros
aos alquimistas de Paracelso
A adoção pelos alquimistas, da figura mítica de Vulcano, pode ser interpretada em vários níveis. Na menor escala de interpretação, Vulcano representa o demiurgo da esperteza amoral, que cegamente ganha poder sobre a Natureza, sem integridade; este nível mundano antecipa o nascimento da Revolução Industrial do século 18. 

As atividades de extração de carvão das minas para abastecer fornos colossais, para a fabricação de aço e ferro em larga escala, e para o desenvolvimento da ferrovia e dos trens a vapor, em toda a Europa e América do Norte, são decididamente atividades ligadas a Vulcano, e de muitas maneiras, o "negócio" geral da ética protestante do trabalho e da sociedade ocidental industrializada, é fortemente refletida nesta figura arquetípica. A um nível superior de interpretação, Vulcano é transformado para se tornar um apóstolo inspirado, o visionário capaz de liberar a humanidade das amarras das trevas e da ignorância.

O poder transformador da Vulcano, o "Homem Superior", e a figura antroposófica dos alquimistas, é hoje transferida para os aspectos negativos de uma figura demiurga; ninguém menos que o homem moderno, tecnológico, que, divorciado de Deus forja seu próprio destino, independente de religião, Amor Divino ou considerações teológicas, para um admirável mundo novo ou utopia.

Fonte/Referência bibliográfica:
Jolande Jacobi ed. Paracelsus Selected Writings, 1951, Princeton - http://www.reference.com/

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