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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Bate-papo com Carlos Castañeda




– Dom Juan dizia que para pensar bem é preciso deixar de pensar.

– Sim, é preciso deixar o mundo do pensamento habitual, que são só reafirmações sobre você mesmo. O mestre yaqui dizia que a descida do espírito acontece quando este corta o nosso diálogo interno, e lamentava que ninguém quisesse ser livre.

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– Se existem outros aspectos da realidade, tem que ser um indivíduo muito especial para captá-los?

– As pessoas têm um profundo sentido do mágico, mas o fato de ser racional constitui uma desvantagem.

– Por quê?

– O mundo cotidiano é tão extraordinariamente poderoso que não nos permite saídas. Ensina-nos desde muito cedo a obsessão pela pessoa; não pelo ser total, mas só pela pessoa social; a obsessão não nos deixa sair.

– É assim para todos?

– Os anos que transcorrem nesse tipo de prática erradicam a magia, e então só existem o eu pessoal e as tolices.

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– Por que Dom Juan dizia que se tem que ensinar ao homem, agora mais do que nunca, a conectar-se com seu ser interior? É porque alcançou um maior nível de desenvolvimento intelectual?

– Qual o que! (exclama). É porque agora sim estamos na bancarrota; estamos (continua irritado) em meio a uma luta entre duas superpotências que vão acabar com a humanidade. Já abriram um buraco na camada de ozônio. Você acredita que vão tapar? Vão diminuir seus enormes gastos com a defesa para consertar a Terra? Mais que nunca (conclui em tom de firmeza) o homem precisa da ajuda da magia.

Fonte: "Conversando com Carlos Castañeda" de Fort, Carmina - Editora Record, 1991. (RESENHA DO LIVRO)

Conheça o livro "A Erva do Diabo", e outros, de Carlos Castañeda

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