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terça-feira, 14 de abril de 2020

A Ciência e o Espiritismo

Materialização da médium Eva Carriére (1912) ²

Com a multiplicação dos fenômenos mediúnicos, surgiu a necessidade do estudo científico para comprovar a veracidade da doutrina Espírita

Por Edvaldo Kulcheski - Postado originalmente em Editora Vivência ¹

"Nas edições anteriores, trouxemos a mediunidade na antiguidade, mostrando que os fenômenos mediúnicos existem desde que o homem surgiu na Terra, e a mediunidade na Idade Moderna, com a história de médiuns famosos da época. Vamos abordar agora a contribuição que a ciência deu para a comprovação dos fenômenos ligados à doutrina espírita.

Se os fenômenos espíritas se limitassem ao círculo de seus seguidores, a opinião geral poderia ver neles simples artigos de fé, sem maiores conseqüências de interesse geral. Mas a verdade é que esses fenômenos se multiplicaram, em uma sucessão sempre audaz e desafiadora.

O expediente de proibições e excomunhões se tornava ineficaz, desacreditado e ingênuo diante da avalanche de fenômenos variados, como vozes misteriosas, contato de mãos invisíveis, materializações de espíritos, escritas diretas, aparições de espíritos familiares, revelações de uma vida superior e mais bela etc., atestando a inquestionável sobrevivência da alma.

Era natural que, em face do volume de tantos fatos, a sociedade requisitasse o exame consciencioso de seus sábios e cientistas. Estes então, acossados por todos os lados, descruzaram os braços e se puseram a campo para uma investigação rigorosa e fria. A ciência, representada por um grupo de personalidades sérias e refratárias a imposições religiosas, foi chamada a depor e o fez de tal forma que o Espiritismo foi, por assim dizer, devidamente fotografado, pesado e medido.

A PALAVRA DOS CIENTISTAS

Coube a Willian Crookes, o célebre físico inglês, chamar a atenção de toda a Europa racionalista para a realidade dos fatos espíritas. Muitos esperavam que, de suas investigações, viesse uma condenação irrevogável e humilhante, mas o veredicto do eminente sábio foi favorável.

A cética Inglaterra se assustou com as certezas obtidas dentro do mais severo método científico e cercadas de extrema prudência, afinal, era preciso aceitá-las, uma vez que Crookes pesquisou com frieza, observou pacientemente, fotografou, provou, contraprovou e se rendeu.

Russel Wallace, físico naturalista considerado rival de Charles Darwin, confessou que "era um materialista tão convicto que não admitia absolutamente a existência do mundo espiritual". Disse ainda: "Os fatos, porém, são coisas pertinazes, eles me obrigam a aceitá-los como fatos".

Já Cromwell Varley, engenheiro descobridor do condensador elétrico, disse: "O ridículo que os espíritas têm sofrido não parte senão daqueles que não têm o interesse científico e a coragem de fazer algumas investigações antes de atacarem aquilo que ignoram".

Para Oliver Lodge, físico e membro da Academia Real, os cientistas não vieram "anunciar uma verdade extraordinária, nenhum novo meio de comunicação, apenas uma coleção de provas de identidade cuidadosamente colhidas".

Lodge explica ainda o porquê de afirmar que as provas foram cuidadosamente colhidas, dizendo que "todos os estratagemas empregados para sua obtenção foram postas em prática e não fiquei com nenhuma dúvida da existência e sobrevivência da personalidade após a morte".

O professor de física William Barrett afirmou que a existência de um mundo espiritual, a sobrevivência após a morte e a comunicação dos que morreram são evidentes. "Dos que ridicularizavam o Espiritismo, ninguém lhe concedeu, que eu saiba, atenção refletida e paciente. Afirmo que toda pessoa de senso que consagrar o seu estudo prudente e imparcial tantos dias ou mesmo tantas horas, como muitos de nós têm consagrado anos, será constrangido a mudar de opinião", disse.

Frederic Myers, da Sociedade Real de Londres, disse: "Pelas minhas experiências, convenci-me de que os pretendidos mortos podem se comunicar conosco e penso que, para o futuro, eles poderão fazê-lo de modo mais completo".

Já o italiano Ernesto Bonanno, que se dedicou por mais de 30 anos aos estudos psíquicos, afirmou, sem temer estar equivocado, "que fora da hipótese espírita, não existe nenhuma outra capaz de explicar os casos análogos ao que acabo de expor".

UMA NOVA CIÊNCIA

Houve até quem fundasse uma nova ciência, com o objetivo exclusivo de verificar a autenticidade dos fatos supranormais. Um desses homens foi Charles Richet, o criador da metapsíquica.

Para ele, ao ler, estudar e analisar os escritos sobre os fenômenos espíritas, pode-se declarar inverossímel e até impossível que homens ilustres e probos tenham se deixado enganar por fraudadores. "Eles não poderiam ser todos e sempre bastante cegos para não se aperceberem de fraudes que deveriam ser grosseiras, bastante imprudentes para concluir quando nenhuma conclusão era legítima, bastante inábeis para nunca, nem uns nem outros, fazerem uma só experiência irreprovável. A priori, suas experiências merecem ser meditadas seriamente", afirmou Richet.

Já Gustavo Geley, diretor do Instituto Metapsíquico de Paris, um cientista exigente e de poderosa inteligência, disse ser preciso confessar que "os espiritistas dispõem de argumentos formidáveis. O Espiritismo só admite fatos experimentais com as deduções que eles comportam".

Segundo ele, "os fenômenos espíritas estão solidamente estabelecidos pelo testemunho concordante de milhares e milhares de pesquisadores. Foram fiscalizados, com todo o rigor dos métodos experimentais, por sábios ilustres de todos os países. Sua negação pura e simples equivale hoje a uma declaração de falência".

Como um estudioso honesto, Geley dá este admirável testemunho: "Notemos imediatamente que não há exemplo de um sábio que tenha negado a realidade dos fenômenos depois de estudo um tanto aprofundado. Ao contrário, numerosos são aqueles que, partindo de completo ceticismo, chegam à afirmação entusiástica".

Camille Flamarion, grande astrônomo, autor de tantas obras notáveis e respeitado como uma das maiores inteligências da França no século XIX, trouxe igualmente um depoimento insuspeito sobre os fenômenos espíritas. Para ele, "a negação dos céticos nada prova senão que os negadores não observaram os fenômenos".

O ESPIRITISMO

O fenômeno mediúnico é uma ocorrência tão antiga quanto o homem. Por ser a mediunidade uma faculdade inerente ao ser humano, ela tem se manifestado em todas as épocas, ocasionando espanto, respeito e manifestações religiosas.

Porém, foi somente a partir do século XIX, com estudos sérios realizados pelo professor Hippolyte Léon Denizard Rivail (que posteriormente adotaria o nome de Allan Kardec), que os fenômenos de efeitos físicos e inteligentes foram observados em detalhes e as conclusões necessárias foram tiradas, formando-se então um corpo de doutrina, o Espiritismo. Esta é uma doutrina nascida da observação e fruto da revelação dos espíritos superiores, tendo sido codificada entre 1857 e 1868.

O Espiritismo divide os fenômenos medi únicos em efeitos físicos ou objetivos e efeitos intelectuais ou subjetivos. Como efeitos físicos ou objetivos, temos a materialização, a transfiguração, a levitação, o transporte, a bilocação, a voz direta, a escrita direta, a tiptologia e a sematologia. Como efeitos intelectuais ou subjetivos, temos a inspiração, a intuição, a vidência, a audiência, a psicometria, o desdobramento, a psicografia, a psicofonia e os curadores.

O ESPIRITISMO E A METAPSÍQUICA

A ciência oficial não admitiu de pronto as verdades reveladas pelos espíritos. Formaram-se inúmeras associações, sociedades e comissões com o ideal de desmascará-las, porém, quanto mais se estudava, mais aumentava o número de adeptos.

Muitos homens de ciência se convenceram a respeito da autenticidade dos fenômenos, entre eles o fisiologista francês Charles Richet. Em conjunto com o dr. Geley e o prof. Fredrich Myers, Richet fundou o Instituto Metapsíquico Internacional em Paris, sendo designado como presidente da entidade.

A metapsíquica trata do estudo dos fenômenos psíquicos anormais, como a telepatia, a clarividência, a dupla visão, materializações etc. Em 1922, Charles Richet apresentou à Academia de Ciências o "Tratado de Metapsíquica".

Os fenômenos metapsíquicos se dividem em objetivos e subjetivos. A metapsíquica objetiva trata de fenômenos materiais que a mecânica conhecida não explica, uma realidade tangível e acessível aos nossos sentidos.

Divide-se em telecinesia, que é uma ação mecânica sem atuação e sem contato sobre objetos ou pessoas (raps, levitação, movimentação de mesas, escrita direta, transporte de objetos, casas assombradas etc.), e ectoplasmia, que é a formação de objetos diversos, que parecem sair do corpo humano, tomam aparência material e são tangíveis (materializações de objetos e seres com aparência dos que já viveram na Terra).

Já a metapsíquica subjetiva trata de fenômenos mentais, sensibilidades ocultas e percepções desconhecidas, como telepatia, clarividência, clariaudiência, xenoglossia, escrita automática etc. Nela, temos a criptestesia, que é o estudo da faculdade de conhecimento diferente das faculdades sensoriais normais.

O ESPIRITISMO E A PARAPSICOLOGIA

Nos EUA, em 1930, Joseph Banks Rhine iniciou os estudos que desembocaram na estruturação de um novo ramo da ciência preocupado em estudar os fenômenos chamados "inabituais", a parapsicologia. Enquanto o método da metapsíquica se baseava no aspecto qualitativo dos fenômenos e no testemunho pessoal dos que presenciavam os mesmos, a parapsicologia introduziu o método quantitativo.

Este método procura estabelecer um meio de fazer com que os fenômenos se reproduzam sob determinadas condições e busca seguir os padrões utilizados na metodologia científica. Esta se serve de métodos que possam ser testados, repetidos e confirmados e, por ela, devem ser descobertas a causa e a lei que rege o objeto da investigação.

Temos os fenômenos normais e paranormais. O fenômeno normal é o que se enquadra no conjunto das leis conhecidas e aceitas que governam os processos naturais. O fenômeno para normal é inabitual, no qual não se sabe e não se domina as leis que o regem.

Todos os fenômenos paranormais são denominados como PSI, embora nem todo fenômeno paranormal seja psíquico, podendo ocorrer sobre objetos e coisas que independem do psiquismo das pessoas envolvidas na ocorrência.

Os fenômenos PSI se dividem em PSI-Gama, PSI-Kapa e PSI- Theta. Os PSI-Gama são fenômenos subjetivos que ocorrem na área intelectual do dotado e se subdividem em telepatia (comunicação direta de uma mente com outra), clarividência (percepção dos fatos do mundo físico independentemente do uso dos sentidos fisiológicos normais) e pós e pré-cognição (conhecimento imediato de fatos já acontecidos ou por acontecer, sem nenhuma informação prévia, direta ou indireta).

Os PSI-Kapa são fenômenos objetivos, materiais e de psiconesia. Por fim, alguns pesquisadores tendem a admitir uma terceira.categoria de fenômenos PSI, os PSI-Theta, oriundos de mentes de seres incorpóreos.

A PARAPSICOLOGIA E SUAS CORRENTES

A parapsicologia está dividida em três correntes: a russa, a norte-americana e a francesa. A corrente russa é eminentemente materialista, onde todos os fenômenos são explicados pela matéria. O conceito espiritual é inteiramente colocado de lado e o conceito metafísico é negado.

A corrente norte-americana admite que certos fenômenos são produzidos por agentes especiais que vivem em dimensões diferentes da nossa, depois de terem vivido aqui. Já a corrente francesa mistura conceitos sobrenaturais com milagres. É a corrente católica da parapsicologia e surgiu sem o interesse da investigação, apenas para confundir e atacar o Espiritismo.

A parapsicologia já está sendo substituída por outras ciências que dão uma visão mais abrangente, como a psicobiofísica e a psicotrônica. Hoje, a ciência descreve assim a materialização de um espírito (conceito metafísico): 'Forma assumida pelo bioplasma sob a ação de campos estéreo bioenergéticos oriundos de um domínio informacional remanescente de uma pessoa já falecida'."
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Fonte: 1- Postagem reproduzida, com finalidade de estudos, a partir do site do IPPB – Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas (Wagner Borges) - Imagem: 2 - Foto por Albert von Schrenck-Notzing, médico e parapsicólogo alemão (1862 – 1929), de Materialização realizada pela médium Eva Carriére, em 1912 (CC0) - Links adicionados ao texto direcionando às obras dos autores citados.


sábado, 11 de abril de 2020

OM MANI PADME HUM: Conheça o poder deste mantra


"A frase "Om mani padme hum" está escrita em sânscrito e literalmente significa "oh, a jóia do lótus". Estas quatro palavras formam um dos mantras mais conhecidos do budismo tibetano.

Na tradição do budismo tibetano, o mantra Om mani padme hum tem um significado simbólico e vai além de uma simples repetição de palavras. 

Com as seis sílabas que o formam expressa a idéia de unidade entre o corpo, a mente e a palavra.

Paralelamente, Om mani padme hum alude à idéia de sabedoria e altruísmo. Em outras palavras, trata-se de conquistar um domínio sobre o espírito do homem em sua totalidade.

O mantra expresso e a compaixão

Sentimos compaixão por alguém quando queremos que ela pare de sofrer. Este sentimento está diretamente relacionado à idéia de altruísmo e solidariedade.

Os estudiosos em budismo afirmam que o mantra Om mani padme hum tem relação direta com a compaixão humana. A compaixão deve ser entendida como a essência da vida espiritual e uma forma de amor destinada à verdadeira sabedoria.

De acordo com os pensamentos budistas, devemos sentir compaixão até mesmo dos nossos inimigos, pois desta maneira podemos transformar o rancor em amor. Se ao contrário, as pessoas deixassem invadir pela raiva e pelo ódio, o confronto aumentaria entre os homens. Na filosofia budista é preciso sentir compaixão pelas pessoas e não pelas ações que cometem.

A repetição do mantra Om mani padme hum permite intensificar o bem-estar interior e assim ativar o sentimento de compaixão.

A função dos mantras no budismo

Os mantras budistas são repetidos oralmente de maneira constante com o propósito de transformar nossas emoções internas. Desta forma, o mantra atua como um mecanismo interno para promover a tolerância, o autoconhecimento e o perdão. Deve-se ressaltar que Buda afirmou que cada homem deve ser o verdadeiro guia de sua existência e dominar suas paixões e emoções.

Pode-se dizer que os mantras budistas servem para melhorar nossa mente e a conexão entre o espírito e o corpo. Um aspecto importante nos mantras é a motivação para combater o sofrimento humano e assim alcançar a plenitude interior.

Os mantras budistas foram analisados a partir de uma perspectiva neurocientífica, assim se chegou à conclusão que esta forma de meditação aumenta as emoções positivas que são experimentadas no córtex pré-frontal esquerdo do cérebro humano.

Em outras tradições religiosas, especialmente nas religiões teístas, as orações também são recitadas repetidamente para louvar a Deus como criador. Tanto os mantras quanto as orações expressam a ideia de amor. Enfim, as mais variadas formas de rezar compartilham a mesma mensagem."
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Fonte: site:conceitos.com - Conceito » Religião » Om Mani Padme Hum (reprodução para finalidade de estudos) - Imagem: Mandala Om Mani Padme Hum (Adesivo De Parede - Olist)

quinta-feira, 9 de abril de 2020

'A Paciência', por Um Espírito Amigo (Havre, 1862)

Instruções dos Espíritos: II – A Paciência



"7. A dor é uma benção que Deus envia aos seus eleitos. Não vos aflijais, portanto, quando sofrerdes, mas, pelo contrário, bendizei a Deus todo poderoso, que vos marcou com a dor neste mundo, para a glória no céu.

Sede paciente, pois a paciência é também caridade, e deveis praticar a lei de caridade, ensinada pelo Cristo, enviado de Deus. 

A caridade que consiste em dar esmolas aos pobres é a mais fácil de todas. Mas há uma bem mais penosa, e conseqüentemente bem mais meritória, que é a de perdoar os que Deus colocou em nosso caminho para serem os instrumentos de nossos sofrimentos e submeterem à prova a nossa paciência.

A vida é difícil, bem o sei, constituindo-se de mil bagatelas que são como alfinetadas e acabam por nos ferir. Mas é necessário olhar para os deveres que nos são impostos, e para as consolações e compensações que obtemos, pois então veremos que as bênçãos são mais numerosas que as dores.

O fardo parece mais leve quando olhamos para o alto, do que quando curvamos a fronte para a terra.

Coragem, amigos: o Cristo é o vosso modelo. Sofreu mais que qualquer um de vós, e nada tinham de que se acusar, enquanto tendes a expiar o vosso passado e de fortalecer-vos para o futuro. Sede, pois, paciente, sede cristãos: esta palavra resume tudo."

UM ESPÍRITO AMIGO (Havre, 1862)
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Fonte: "O Evangelho Segundo o Espiritismo", por Allan Kardec -  Capítulo 9: Bem-Aventurados os Mansos e Pacíficos » Instruções dos Espíritos: A Paciência 7 - tradução de José Herculano Pires - Imagem: PH/PxHere: imagem liberada livre de copyrights sob Creative Commons CC0, com sobreposição de texto da postagem.





terça-feira, 7 de abril de 2020

Prece a Jesus (Prece de Ismael)

"Jesus, bom e amado mestre.

Sustentai nossos humildes irmãos pecadores nas lutas deste mundo. Anjo bendito do Senhor, abre sobre nós tuas brancas asas e abriga-nos do mal.

Levanta nossos Espíritos à majestade do teu reino. Infundi em todos os nossos sentimentos a luz do teu imenso amor.

Jesus, pela tua sagrada paixão, pelos teus martírios da cruz, dai a esses que se acham ligados ao pesado fardo da matéria, orientação segura no caminho da virtude, único pelo qual te podemos encontrar. Jesus, paz para eles, misericórdia aos nossos inimigos.

Recebe no teu seio bendito a prece dos últimos dos teus servos.

Amiga Estrela, farol das imortais falanges, purifica-nos com teus raios divinos. Lava-nos de todas as culpas. Atraí-nos para junto do teu seio, santuário bendito de todos os amores.

Se o mundo com todos os seus erros, paixões e ódios, alastra um caminho de espinhos, escurecendo nossos horizontes com as trevas do pecado, rebrilhe mais com tua misericórdia Pai, para que seguros e apoiados no santo evangelho, possamos vencer as escabrosidades do carreio e chegar às moradas do teu reino. 

Amiga Estrela, farol dos pecadores e dos justos, abre o teu divino seio e recebe a nossa súplica. Que assim seja!"
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Fonte: A prece acima, também é conhecida - em semelhante versão - como "Prece de Ismael", e consta na 57ª edição de PRECES ESPÍRITAS, de Caibar Schutel. A versão acima foi publicada no livro "Eu e a Umbanda", de Edmundo Rodrigues Ferro, pág. 115, e aqui transcrita - Imagem: "O Cristo Ressuscitado" - Reprodução / Internet

sábado, 4 de abril de 2020

"Pacificar", por André Luiz e Chico Xavier

"Não perturbe. Tranqüilize.

Não grite. Converse. 

Não critique. Auxilie.

Não acuse. Ampare. 

Não se irrite. Sorria.

Não fira. Balsamize.

Não se queixe. Compreenda.

Não condene. Abençoe.

Não exija. Sirva.

Não destrua. Edifique.

Recorde: a Humanidade é uma coleção de grupos e a paz do grupo de corações a que pertencemos começa de nós."

Autor: André Luiz / Médium: Chico Xavier / Livro: "Respostas da Vida" - Capítulo 27 / Imagem: Pinterest

quinta-feira, 2 de abril de 2020

O Livro dos Espíritos: A "Cepa Espírita", "Ramo da Videira Espírita"

O Livro dos Espíritos

Prolegômenos †


1 Fenômenos alheios às leis da ciência humana se dão por toda parte, revelando na causa que os produz a ação de uma vontade livre e inteligente.

2 A razão diz que um efeito inteligente há de ter como causa uma força inteligente e os fatos hão provado que essa força é capaz de entrar em comunicação com os homens por meio de sinais materiais.

3 Interrogada acerca da sua natureza, essa força declarou pertencer ao mundo dos seres espirituais que se despojaram do invólucro corporal do homem. Assim é que foi revelada a Doutrina dos Espíritos.

4 As comunicações entre o mundo espírita e o mundo corpóreo estão na ordem natural das coisas e não constituem fato sobrenatural, tanto que de tais comunicações se acham vestígios entre todos os povos e em todas as épocas. Hoje se generalizaram e tornaram patentes a todos.

5 Os Espíritos anunciam que chegaram os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal e que, sendo eles os ministros de Deus e os agentes de sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.

6 Este livro é o repositório de seus ensinos; 

7 foi escrito por ordem e mediante ditado de Espíritos superiores, para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, isenta dos preconceitos do espírito de sistema; 

8 nada contém que não seja a expressão do pensamento deles e que não tenha sido por eles examinado. 

9 Só a ordem e a distribuição metódica das matérias, assim como as notas e a forma de algumas partes da redação constituem obra daquele que recebeu a missão de os publicar.

10 Em o número dos Espíritos que concorreram para a execução desta obra, muitos se contam que viveram, em épocas diversas, na Terra, onde pregaram e praticaram a virtude e a sabedoria; 

11 outros, pelos seus nomes, não pertencem a nenhuma personagem, cuja lembrança a História guarde, mas cuja elevação é atestada pela pureza de seus ensinamentos e pela união em que se acham com os que usam de nomes venerados.

12 Eis em que termos nos deram, por escrito e por muitos médiuns, a missão de escrever este livro:

13 Ocupa-te, cheio de zelo e perseverança, do trabalho que empreendeste com o nosso concurso, pois esse trabalho é nosso. 

14 Nele pusemos as bases de um novo edifício que se eleva e que um dia há de reunir todos os homens num mesmo sentimento de amor e caridade; 

15 mas, antes de o divulgares, revê-lo-emos juntos, a fim de lhe verificarmos todas as minúcias.

16 Estaremos contigo sempre que o pedires, para te ajudarmos nos teus trabalhos, porquanto esta é apenas uma parte da missão que te está confiada e que já um de nós te revelou.

17 Entre os ensinos que te são dados, alguns há que deves guardar para ti somente, até nova ordem. Quando chegar o momento de os publicares, nós to diremos. Enquanto esperas, medita sobre eles, a fim de estares pronto quando te dissermos.

18 Porás no cabeçalho do livro a cepa que te desenhamos, [1]  porque é o emblema do trabalho do Criador; 

19 aí se acham reunidos todos os princípios materiais que melhor podem representar o corpo e o espírito. 

20 O corpo é a cepa; o Espírito é o licor; a alma ou Espírito ligado à matéria é o bago. 

21 O homem quintessência o espírito pelo trabalho e tu sabes que só mediante o trabalho do corpo o espírito adquire conhecimentos.

22 Não te deixes desanimar pela crítica. 

23 Encontrarás contraditores encarniçados, sobretudo entre os que têm interesse nos abusos. 

24 Encontrá-los-ás mesmo entre os Espíritos, por isso que os que ainda não estão completamente desmaterializados procuram frequentemente semear a dúvida por malícia ou ignorância; 

25 prossegue sempre; crê em Deus e caminha com confiança: aqui estaremos para te amparar e vem próximo o tempo em que a verdade brilhará de todos os lados.

26 A vaidade de certos homens, que julgam saber tudo e tudo querem explicar a seu modo, dará nascimento a opiniões dissidentes; 

27 mas, todos os que tiverem em vista o grande princípio de Jesus se confundirão num só sentimento: o do amor do bem e se unirão por um laço fraterno, que prenderá o mundo inteiro; 

28 estes deixarão de lado as miseráveis questões de palavras, para só se ocuparem com o que é essencial, 

29 e a doutrina será sempre a mesma, quanto ao fundo, para todos os que receberem comunicações de Espíritos superiores.

30 Com a perseverança é que chegarás a colher os frutos de teus trabalhos. 

31 O prazer que experimentarás, vendo a doutrina propagar-se e bem compreendida, será uma recompensa, cujo valor integral conhecerás, talvez mais no futuro do que no presente. 

32 Não te inquietes, pois, com os espinhos e as pedras que os incrédulos ou os maus acumularão no teu caminho. 

33 Conserva a confiança: com ela chegarás ao fim e merecerás ser sempre ajudado.

34 Lembra-te de que os Bons Espíritos só dispensam assistência aos que servem a Deus com humildade e desinteresse e que repudiam a todo aquele que busca na senda do Céu um degrau para conquistar as coisas da Terra; 

35 que se afastam do orgulhoso e do ambicioso. O orgulho e a ambição serão sempre uma barreira erguida entre o homem e Deus; 

36 são um véu lançado sobre as claridades celestes, e Deus não pode servir-se do cego para fazer perceptível a luz.

(São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luís, O Espírito de Verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, Swedenborg, Etc., Etc.)

NOTA — Os princípios contidos neste livro resultam das respostas dadas pelos Espíritos às questões diretas que lhes foram propostas em diversas ocasiões, por meio de grande número de médiuns, bem como das instruções que deram espontaneamente, a nós ou a outras pessoas, sobre as matérias que encerra. O material foi organizado de maneira a apresentar um conjunto regular e metódico, e não foi entregue à publicidade senão depois de ter sido revisto cuidadosamente, várias vezes seguidas, e corrigido pelos próprios Espíritos. Esta segunda edição também mereceu, da parte deles, novo e meticuloso exame.

O que vem entre aspas, em seguida às perguntas, é a resposta textual dada pelos Espíritos. O que está assinalado em letras menores, ou designado de modo especial para esse fim compreende as notas e explicações aditadas pelo autor, e que também sofreram o controle dos Espíritos.

[1] A cepa que se vê no cabeçalho é o fac-símile da que os Espíritos desenharam.



terça-feira, 31 de março de 2020

O Livro dos Espíritos: Das esperanças e consolações

O Livro dos Espíritos:

Parte Quarta - Das esperanças e consolações » Conclusão » V


Capa da obra 'O Livro dos Espíritos', de Allan Kardec (FEB Editora): Parte Quarta - Das esperanças e consolações » Conclusão » V
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"Os que dizem que as crenças espíritas ameaçam invadir o mundo, proclamam, ipso facto, a força do Espiritismo, porque jamais poderia tornar-se universal uma idéia sem fundamento e destituída de lógica. Assim, se o Espiritismo se implanta por toda parte, se, principalmente nas classes cultas, recruta adeptos, como todos facilmente reconhecerão, é que tem um fundo de verdade. Baldados, contra essa tendência, serão todos os esforços dos seus detratores, e a prova é que o próprio ridículo, de que procuram cobri-lo, longe de lhe amortecer o ímpeto, parece ter-lhe dado novo vigor, resultado que plenamente justifica o que repetidas vezes os Espíritos têm dito:

“Não vos inquieteis com a oposição; tudo o que contra vós fizerem se tornará a vosso favor e os vossos maiores adversários, sem o quererem, servirão à vossa causa. Contra a vontade de Deus não poderá prevalecer a má-vontade dos homens.”

Por meio do Espiritismo, a Humanidade tem que entrar numa nova fase, a do progresso moral que lhe é conseqüência inevitável. Não mais, pois, vos espanteis da rapidez com que as idéias espíritas se propagam. A causa dessa celeridade reside na satisfação que trazem a todos os que as aprofundam e que nelas vêem alguma coisa mais do que fútil passatempo. Ora, como o que cada um quer é, acima de tudo, a sua felicidade, nada há de surpreendente em que se apegue a uma idéia que faz ditosos os que a esposam.

Três períodos distintos apresenta o desenvolvimento dessas idéias: primeiro, o da curiosidade, que a singularidade dos fenômenos produzidos desperta; segundo, o do raciocínio e da filosofia; terceiro, o da aplicação e das conseqüências. O período da curiosidade passou; a curiosidade dura pouco. Uma vez satisfeita, muda de objeto. O mesmo não acontece com aquilo que se dirige à razão e evoca reflexões sérias. Começou o segundo período, o terceiro virá inevitavelmente.

O Espiritismo progrediu principalmente depois que foi sendo mais bem compreendido na sua essência íntima, depois que lhe perceberam o alcance, porque tange a corda mais sensível do homem: a da sua felicidade, mesmo neste mundo. Aí a causa da sua propagação, o segredo da força que o fará triunfar. Vai tornando felizes os que o compreendem, enquanto aguarda que a sua influência atinja as massas.

Mesmo quem não testemunhou nenhum fenômeno material relativo às manifestações dos Espíritos diz para si próprio: à parte esses fenômenos, há a filosofia, que me explica o que nenhuma outra havia explicado. Nela encontro, por meio unicamente do raciocínio, uma solução racional para os problemas que no mais alto grau interessam ao meu futuro. Ela me dá calma, segurança, confiança; livra-me do tormento da incerteza. Em comparação com tudo isso, secundária se torna a questão dos fatos materiais.

Quereis, vós todos que o atacais, um meio de combatê-lo com êxito? Aqui o tendes. Substituí-o por alguma coisa melhor; indicai solução mais filosófica para todas as questões que ele resolveu; dai ao homem outra certeza que o faça mais feliz; porém compreendei bem o alcance da palavra certeza, porquanto o homem não aceita como certo senão o que lhe parece lógico. Não vos contenteis com dizer: isto não é assim; demasiado fácil é semelhante afirmativa. 

Provai, não por negação, mas por fatos, que isto não é real, nunca o foi e não pode ser. Se não é, dizei o que o é, em seu lugar. Provai, finalmente, que as conseqüências do Espiritismo não são tornar melhor o homem e, portanto, mais feliz, pela prática da mais pura moral evangélica, moral a que se tecem muitos louvores, mas que muito pouco se pratica. Quando houverdes feito isso, tereis o direito de o atacar.

O Espiritismo é forte porque assenta sobre as próprias bases da religião: Deus, a alma, as penas e as recompensas futuras; sobretudo, porque mostra que essas penas e recompensas são corolários naturais da vida terrestre e, ainda, porque, no quadro que apresenta do futuro, nada há que a razão mais exigente possa recusar. Que compensação ofereceis aos sofrimentos deste mundo, vós cuja doutrina consiste unicamente na negação do futuro? 

Enquanto vos apoiais na incredulidade, ele se apóia na confiança em Deus; ao passo que convida os homens à felicidade, à esperança, à verdadeira fraternidade, vós lhes ofereceis o nada por perspectiva e o egoísmo por consolação. Ele tudo explica, vós nada explicais. Ele prova pelos fatos, vós nada provais. Como quereis que se hesite entre as duas doutrinas?"

Allan Kardec, in "O Livro dos Espíritos"


quinta-feira, 26 de março de 2020

Mensagem Espírita: "Perante a Enfermidade"


"Sustentar inalteráveis a fé e a confiança, sem temor, queixa ou revolta, sempre que enfermidades conhecidas ou inesperadas lhe visitem o corpo ou lhe assediem o lar.
Cada prova tem uma razão de ser.
Com o necessário discernimento, abster-se do uso exagerado de medicamentos capazes de intoxicar a vida orgânica.
Para o serviço da cura, todo medicamento exige dosagem.
Desfazer ideias de temor ante as moléstias contagiosas ou mutilantes, usando a disciplina mental e os recursos da prece.
A força poderosa do pensamento tanto elabora quanto extingue muitos distúrbios orgânicos e psíquicos.
Sabendo que todo sofrimento orgânico é uma prova espiritual, dentro das leis cármicas, jamais recear a dor, mas aceitá-la e compreendê-la com desassombro e conformação.
A intensidade do sofrimento varia segundo a confiança na Lei Divina.
Aceitar o auxílio dos missionários e obreiros da medicina terrena, não exigindo proteção e responsabilidade exclusivas dos médicos desencarnados.
A Eterna Sabedoria tudo dispõe em nosso proveito.
Afirmar-se mentalmente em segurança, acima das enfermidades insidiosas que lhe possam assaltar o organismo, repelindo os pensamentos e as palavras de desespero ou cansaço, na fortaleza de sua fé.
A doença pertinaz leva à purificação mais profunda.
Aproveitar a moléstia como período de lições, sobretudo como tempo de aplicação dos valores alusivos à convicção religiosa. A enfermidade pode ser considerada por termômetro da fé."

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” — Jesus, em Mateus, 11:28
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Fonte: Espírito André Luiz – psicografia de Chico Xavier (Conduta Espírita – cap. 35) - Imagem: do filme 'Nosso Lar'



segunda-feira, 23 de março de 2020

Perdoe não sete vezes, mas até setenta vezes sete!

O perdão dos pecados na visão Espírita


"Em resposta a Pedro, o velho pescador galileu, informa o Divino Amigo que devemos perdoar não sete vezes, mas até setenta vezes sete.

Em outra oportunidade, aconselha conciliação com o adversário “enquanto estivermos a caminho com ele”, isto é, enquanto estivermos reencarnados. O perdão, no conceito das religiões não-reencarnacionistas, significa “apagar faltas”.

Limpar a alma do pecado, ou seja, do mal praticado.

Eximir de responsabilidade.

Nos termos do perdão teológico, aquele que ofendeu alguém e recebe absolvições humanas, fica com a estrada livre para novos desatinos.

Há, como se vê, nesse tipo de perdão, visível estímulo a novos erros, novos enganos, novas ilusões.

O homem sente-se, inevitavelmente, estimulado a novas quedas, novas reincidências, com fatais prejuízos ao processo evolutivo, que se retarda, no tempo.

A conceituação doutrinária do Espiritismo, em torno do tema “perdão”, é bem outra.

Muito diversa, menos fácil, porém, inegavelmente, mais sensata, mais lógica.

O perdão, segundo a Doutrina Espírita, não alarga as portas do erro; pelo contrário, restringe-as, sobremaneira, por apontar responsabilidades para quem estima a leviandade e a injúria, a crueldade e o desapreço à integridade, moral ou física, dos companheiros de luta, na paisagem terrestre.

De acordo com os preceitos espíritas, não há perdão sem reparação consequente, embora os próprios Instrutores de Mais Alto lembrem a palavra evangélica, que nos incentiva à integração com o Bem, no apostolado da fraternidade, através do ensinamento “o amor cobre a multidão dos pecados”, que representa a única força “que anula as exigências da Lei de Talião, dentro do Universo Infinito”"

Emmanuel

"O perdão que o Espiritismo e os amigos espirituais preconizam em verdade não é de fácil execução.

Requer muito boa-vontade.

Demanda esforço — esforço continuado, persistente.

Reclama perseverança.

Pede tenacidade.

É bem diferente do perdão teológico, que deve ter tido, em algum tempo, sua utilidade.

Não se veste de roupagem fantasiosa, não se emoldura de expressões simplesmente verbais.

Os postulados espíritas indicam-no por concessão de nova ou novas oportunidades de resgate e reparação dos erros praticados e dos males que deles resultaram.

Elevados Mensageiros do Pai, respondendo ao Mestre lionês, afirmaram que “o arrependimento concorre para a melhoria do Espírito, mas ele tem que expiar o seu passado”.

Emmanuel assevera, desenvolvendo a tese doutrinária, que “a concessão paternal de Deus, no que se refere à reencarnação para a sagrada oportunidade de uma nova experiência, já significa, em si, o perdão ou a magnanimidade da Lei” (“O Consolador”).

André Luiz esclarece que Deus “não castiga e nem perdoa, mas o ser consciente profere para si as sentenças de absolvição ou culpa ante as Leis Divinas” (“O Espírito da Verdade”).

Para a alma realmente interessada no perdão que não seja, apenas, um enunciado verbal, sem repercussões íntimas nas fontes augustas do sentimento, o ato de perdoar significa alguma coisa de grandioso e sublime, por isso mesmo difícil de executar.

Não se constitui da vã afirmativa: “eu perdoo”, permanecendo o coração fechado a qualquer entendimento conciliador e a mente cristalizada nas vibrações menos fraternas.

Não há perdão real, legítimo, definitivo, evangélico, doutrinário, quando o ofendido não se inclina a ajudar o ofensor, a servi-lo cristãmente, a socorrê-lo nas necessidades de qualquer natureza, se preciso.

As verdadeiras características do perdão com Jesus, apregoadas pelo Espiritismo, são, realmente, singulares e difíceis:

— esquecimento do mal recebido,

— não nos regozijarmos com os insucessos do ofensor,

— auxiliarmos, discretamente, sempre que possível, ao adversário,

— usarmos a delicadeza sincera, no trato com os que nos magoaram o coração ou feriram a sensibilidade, — vibrarmos, fraternalmente, em favor dos que nos desestimam.

Como se observa, perdoar, segundo o Espiritismo, não é problema a resolver por meio de afirmativas apressadas, sem vivência interior.

O maior beneficiário do perdão não é, como parece, aquele que o recebe, mas o que o concede.

O que é perdoado, se reconforta, se reanima.

O que perdoa, sinceramente, recolhe, dos Céus, as mais profusas bênçãos — bênçãos que nenhum tesouro do mundo pode substituir ou suplantar, tais como,

— conservação da paz interior,

— preservação da saúde,

— alegria de transformar o adversário em amigo, pelo reconhecimento que o perdão desperta e suscita,

— exercitação, cultivo dos mais belos sentimentos da alma humana, tais sejam, por exemplo, a humildade, o altruísmo, a nobreza moral.

Quem não perdoa, permanece ligado ao adversário, encarnado ou desencarnado, pelas faixas escuras do pensamento hostil.

Quem não perdoa, insistindo na mágoa raivosa, permite se estabeleça, entre a sua e a mente do adversário, uma ponte magnética, através da qual circulam, em regime de vaivém, de idas-e-voltas consecutivas, as vibrações do ódio e da vingança.

Quem perdoa, liberta o coração para as mais sublimes manifestações do amor que eleva e santifica.

“A alma que não perdoa, retendo o mal consigo, assemelha-se a um vaso cheio de lama e fel.”

“Jesus aconselhava-nos a perdoar infinitamente, para que o Amor seja em nosso Espírito como Sol brilhando em casa limpa.”

Maravilhosos conceitos, extraídos das obras de André Luiz!

Aquele que perdoa dissolve, ainda hoje, e aqui mesmo, os antagonismos, nas águas puras e doces da compreensão.

Quem não perdoa transfere para amanhã, noutras existências, em qualquer parte do Universo Ilimitado, os dolorosos reajustes, que bem se poderiam extinguir na presente reencarnação.

Aquele que perdoa, transpõe os pórticos da Espiritualidade, na morte do corpo físico, com a paz na consciência, a luz no Espírito, o consolo no coração.

Quem não perdoa, carrega consigo, no mundo extra- corpóreo, a sombra e o remorso."

José Martins Peralva, in "O Pensamento de Emmanuel"

QUESTÃO 661 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS


A Prece

661. Poderemos utilmente pedir a Deus que perdoe as nossas faltas?

“Deus sabe discernir o bem do mal; a prece não esconde as faltas. Aquele que a Deus pede perdão de suas faltas só o obtém mudando de proceder. As boas ações são a melhor prece, por isso que os atos valem mais que as palavras.”

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"A concessão paternal de Deus, no que se refere à reencarnação para a sagrada oportunidade de uma nova experiência, já significa, em si, o perdão ou a magnanimidade da Lei."
Emmanuel


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