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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Origem e desenvolvimento histórico da Umbanda


"Em fins do Século XIX, existiam, no Rio de Janeiro, várias modalidades de cultos que denotavam, nitidamente, a origem africana, embora já bem distanciadas da crença trazida pelos escravos. A magia dos velhos africanos, transmitida oralmente, através de gerações, desvirtuara-se mesclada com as feitiçarias provindas de Portugal onde, existiram sempre os feitiços, as rezas e as superstições.

As “macumbas” – mistura de catolicismo, feiticismo  negro e crenças nativas – multiplicavam-se; tomou vulto a atividade remunerada do feiticeiro; o “trabalho feito” passou a ordem do dia, dando motivo a outro, para lhe destruir os efeitos maléficos; generalizaram-se os “despachos”, visando obter favores para uns e prejudicar terceiros; aves e animais eram sacrificados, com as mais diversas finalidades; exigiam-se objetos raros para homenagear entidades ou satisfazer elementos da baixo astral. Sempre porém, obedecendo aos objetivos primordiais: aumentar a renda do feiticeiro ou “derrubar” os que não se curvassem ante os seus poderes ou pretendessem fazer-lhe concorrência. 

Os Mentores do Astral Superior, porém, estavam atentos ao que se passava. Organizava-se um movimento destinado a combater a magia negativa que se propagava assustadoramente; cumpria atingir, de início, as classes humildes, mais sujeitas às influências do clima de superstições que reinava na época.
“Enquanto isto, no plano terreno surge, no ano de 1904, o livro Religiões do Rio, elaborado por "João do Rio", pseudônimo de Paulo Barreto, membro emérito da Academia Brasileira de Letras. No livro, o autor faz um estudo sério e inequívoco das religiões e seitas existentes no Rio de Janeiro, àquela época, capital federal e centro socio-político-cultural do Brasil. O escritor, no intuito de levar ao conhecimento da sociedade os vários segmentos de religiosidade que se desenvolviam no então Distrito Federal, percorreu igrejas, templos, terreiros de bruxaria, macumbas cariocas, sinagogas, entrevistando pessoas e testemunhando fatos. Não obstante tal obra ter sido pautada em profunda pesquisa, em nenhuma página desta respeitosa edição cita-se o vocábulo Umbanda, pois tal terminologia era desconhecida.”
Formaram-se então, as falanges de trabalhadores espirituais, que se apresentariam na forma de Caboclos e Pretos Velhos, para mais facilmente serem compreendidos  pelo povo. Nas sessões espíritas, porém, não foram aceitos: identificados sob essas formas, eram considerados espíritos atrasados e suas mensagens não mereciam nem mesmo uma análise. Acercaram-se também dos Candomblés e dos cultos então denominados “baixo espiritismo”, as macumbas. É provável que, nestes, como nos Batuques do Rio Grande do Sul, tenham encontrado acolhida, com a finalidade de serem aproveitados nos trabalhos de magia, como elementos novos no velho sistema de feitiçaria.

A situação permanecia inalterada, ao iniciar-se o ano de 1900...

As determinações do Plano Astral, porém, deveriam cumprir-se:

Em 15 de novembro de 1908, compareceu a uma sessão da Federação Espírita, em Niterói, então dirigida por José de Souza, um jovem de 17 anos de tradicional família fluminense. Chamava-se ZÉLIO FERNANDINO DE MORAES

Casa aonde foi fundada a Umbanda no Brasil, situada no número 30 da Rua Floriano Peixoto, em Neves, São Gonçalo. Demolida em 2011.

Restabelecera-se, no dia anterior, de moléstia cuja origem os médicos haviam tentado, em vão, identificar. Sua recuperação inesperada por um espírito causara enorme supressa. Nem os doutores que o assistiam nem os tios, sacerdotes católicos, haviam encontrado explicação plausível. A família atendeu, então, à sugestão de um amigo, que se ofereceu para acompanhar o jovem Zélio à Federação.

Zélio foi convidado a participar da Mesa. Zélio sentiu-se deslocado, constrangido, em meio àqueles senhores. E causou logo um pequeno tumulto. Sem saber por que, em dado momento, ele disse: “Falta uma flor nesta casa: vou buscá-la”. E, apesar da advertência de que não poderia afastar-se, levantou-se, foi ao jardim e voltou com uma flor que colocou no centro da mesa. Serenado o ambiente e iniciados os trabalhos, manifestaram-se espíritos que se diziam de índios e escravos. O dirigente advertiu-os para que se retirassem. 

Nesse momento, Zélio sentiu-se dominado por uma força estranha e ouviu sua própria voz indagar por que não eram aceitas as mensagens dos negros e dos índios e se eram eles considerados atrasados apenas pela cor e pela classe social que declinavam. Essa observação suscitou  quase um tumulto. Seguiu-se um diálogo acalorado, no qual os dirigentes dos trabalhos procuravam doutrinar o espírito desconhecido que se manifestava e mantinha argumentação segura. 

Afinal um dos videntes pediu que a entidade de identificasse, já que lhe aparecia envolta numa aura de luz. Se querem um nome – respondeu Zélio inteiramente mediunizado – que seja este: "eu sou o CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS, porque para min não haverá caminhos fechados."

E, prosseguindo, anunciou a missão que trazia: estabelecer as bases de um culto, no qual os espíritos de índios e escravos viriam cumprir as determinações do Astral. No dia seguinte, declarou ele, estaria na residência do médium, para fundar um templo, que simbolizasse a verdadeira igualdade que deve existir entre encarnados e desencarnados.

"Levarei daqui uma semente e vou plantá-la no bairro de Neves, onde ela se transformará em árvore frondosa." 

Centro Espírita Nossa Senhora da Piedade, em São Gonçalo, RJ. Local aonde foi fundada a Umbanda no Brasil, em 15 de novembro de 1908.

No dia seguinte, 16 de novembro de 1908, na residência da família do jovem médium, na Rua Floriano Peixoto, 30 em Neves, bairro de Niterói, a entidade manifestou-se pontualmente no horário previsto – 20 horas. Ali se encontravam quase todos os dirigentes da Federação Espírita, amigos da família, surpresos e incrédulos, e grande número de desconhecidos que ninguém poderia dizer como haviam tomado conhecimento do ocorrido. Alguns aleijados aproximaram-se da entidade, receberam passes e, ao final da reunião, estavam curados. Foi essa uma das primeira provas da presença de uma força superior.

Nessa reunião, o CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS estabeleceu as normas do culto, cuja prática seria denominada “sessão” e se realizaria à noite, das 20 às 22 horas, para atendimento público, totalmente gratuito, passes e recuperação de obsedados. O uniforme a ser usado pelos médiuns seria todo branco, de tecido simples. Não se permitiria retribuições financeiras pelo atendimento ou pelos trabalhos realizados. Os cânticos não seriam acompanhados de atabaques nem de palmas ritmadas.

A esse novo culto, que se alicerçava nessa noite, a entidade deu o nome de UMBANDA, e declarou fundado o primeiro templo para sua prática, com a denominação de tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, porque: “assim como Maria acolhe em seus braços o Filho, a Tenda acolheria os que a ela recorressem, nas horas de aflição”.

Através de Zélio manifestou-se, nessa mesma noite, um Preto Velho, Pai Antônio, para completar as curas de enfermos iniciadas pelo Caboclo. E foi ele quem ditou este ponto, hoje cantado no Brasil inteiro:

“Chegou, chegou, chegou com Deus,
Chegou, chegou, o Caboclo das sete Encruzilhadas”.

A partir desta data, a casa da família de Zélio tornou-se a meta enfermos, crentes, descrentes e curiosos. Os enfermos eram curados; os descrentes assistiam as provas irrefutáveis; os curiosos constatavam a presença de uma força superior; e os crentes aumentavam dia a dia.

Cinco anos mais tarde, manifestou-se o Orixá Malé, exclusivamente para a cura de obsedados e o combate aos trabalhos de magia negra.

Passados dez anos, o CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS anunciou a Segunda etapa de sua missão: a fundação de sete templos, que deveriam constituir o núcleo central para a difusão da UMBANDA.

A Tenda da Piedade trabalha ativamente, produzindo curas, principalmente a recuperação de obsedados, considerados loucos, na época. Já então se contavam às centenas as curas realizadas pela entidade, comentadas em todo o Estado e confirmadas pelos próprios médicos, que recorriam a Tenda, em busca da cura dos seus doentes. E o Caboclo indicava, nas relações que lhe apresentavam com nome dos enfermos, os que poderia curar: eram os obsedados, portadores de moléstias de origem psíquica; os outros, dizia ele, competia à medicina curá-los. 


Zélio, já então casado, por determinação da entidade, recolhia os enfermos mais necessitados em sua residência, até o término do tratamento astral. E muitas vezes, as filhas, Zélia e Zilmeia, crianças ainda, cediam o seu aposento e dormiam em esteiras, para que os doentes fixassem bem acomodados.


Nas reuniões de estudo que se realizavam às quintas-feiras, a entidade preparava os médiuns que seriam indicados, posteriormente, para dirigir os novos templos. Fundaram-se, as Tendas Nossa Senhora da Guia, Nossa Senhora da Conceição, Santa Bárbara, São Pedro, Oxalá, São Jorge e São Jerônimo.

Pouco depois, a UMBANDA começou a expandir-se pelos Estados. Em São Paulo, fundaram-se, na Capital, 23 tendas e 19 em Santos. E, a seguir, em Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Paraná. Em Belém, fundou-se a Tenda Mirim de São Benedito.

Confirmava-se a frase pronunciada na Federação Espírita: “Levarei daqui uma semente e vou plantá-la no bairro de Neves, onde ela se transformará em árvore frondosa”.

Em 1937, os templos fundados pelo CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS  reuniram-se, criando a Federação Espírita de Umbanda do Brasil, posteriormente denominada União Espiritualista de Umbanda do Brasil. E em 1947, surgiu o JORNAL DE UMBANDA que, durante mais de vinte anos, foi um órgão doutrinário de grande valor. Zélio de Moraes instalou federações umbandistas em São Paulo e Minas Gerais.

SEUS PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS:

- 15 de novembro de 1908 – Zélio de Moraes, então com dezessete anos, mediunizado com uma entidade que deu o nome de Caboclo das Sete Encruzilhadas, funda, em Neves, subúrbio de Niterói, o primeiro terreiro de Umbanda. Usa pelo primeira vez o vocábulo UMBANDA, e define o movimento religioso como: “Uma manifestação do espírito para a caridade”.

- Novembro de 1918 – O Caboclo das Sete Encruzilhadas dá início à fundação de sete Tendas de Umbanda. Todas as Tendas foram fundadas no Rio de Janeiro.

- Ano de 1920 – A Umbanda espalha-se pelos Estados de São Paulo, Pará e Minas Gerais. 

- Em 1926 chega ao Rio Grande do Sul e em 1932 em Porto Alegre.

- Ano de 1939 – Os Templos fundados pelo Caboclo das Sete encruzilhadas reuniram-se, criando a federação Espírita de Umbanda do Brasil, posteriormente denominada União Espiritualista de Umbanda do Brasil, incorporando dezenas de outros terreiros fundados por inspiração de “entidades” de Umbanda que trabalhavam ativamente no astral sob a orientação do fundador da Umbanda.

- Outubro de 1941 – Reúne-se o Primeiro Congresso de Espiritismo de Umbanda. Outros Congressos havido posteriormente retiraram acertadamente o nome espiritismo que, de fato, pertence aos espíritas brasileiros, os quais seguem a respeitável doutrina codificada por Alan Kardec. Em suma, o espírita pratica o espiritismo; na Umbanda pratica-se o Umbandismo.

- Dia 12 de setembro de 1971 – Criado na cidade do Rio de Janeiro o primeiro organismo de caráter nacional. Tomou nome de CONDU – Conselho Nacional Deliberativo de Umbanda – que contam-se atualmente mais de 46 Federações, de norte a sul do país, reunindo representantes de mais de 40.000 Terreiros de Umbanda.

- Novembro de 1978 – Surge o livro Fundamentos de Umbanda, Revelação Religiosa – portador de mensagens do astral, trazendo, por fim, após 70 anos de existência da Umbanda, as bases teológicas e norteadoras da doutrina umbandista, com fundamentos integrais da nova religião e sua verdadeira origem. O livro expõe a estrutura básica do movimento religioso, no sentido de elevar a Umbanda à justa posição de RELIGIÃO eminentemente brasileira.

- Decorridos setenta anos de existência da Umbanda no Brasil, compreendidos entre 1098 / 1978, passou este curto espaço de tempo, porém significativo, a ser conhecido entre os estudiosos da causa como Período - Propagação da única e genuína força de credo, nascido neste século, em terras brasileiras.

Certamente que Zélio de Moraes, famoso médium já desencarnado, não iria supor que passadas menos de seis décadas, aquela crença, nascida no modesto bairro de Neves, fosse classificada, entre as religiões existentes, como a Segunda do país, comportando mais de vinte milhões de seguidores, num crescendo espantoso de fiéis, apesar das perseguições policiais a que foi submetida, das intrigas da religião majoritária, além do completo descaso de todos os governos até a data atual, mesmo tratando-se de uma preferência natural, espontânea, de mais de um sexto da população. 

Hoje, o movimento mágico e religioso da Umbanda estende-se por todo o Brasil, professado como pobreza e humildade, sem proselitismo, sem explorações na magra bolsa do povo, sem  dízimo compulsórios, mistérios mistificantes e regular envio a “royalties da fé” para o exterior.

Embora a Umbanda se apresente, muitas vezes, uma tanto desfigurada, com nuanças religiosas, reconhecemos que isso decorre desse período-propagação, no afã de conquistar almas, ainda que respeitando ambientes regionais. E nunca deixou, através das verdadeiras guias, de oferecer amparo prático, ajuda, orientação e, sobretudo, de inspirar o desejo de reascendimento dos corações que dela se socorrem, apontando sempre a eterna chama da esperança de dias melhores, calcados, naturalmente, na ação correta de cada instante, na cordura, no companheirismo e na fraternidade.

Os mentores da Umbanda, sediados na Aruanda (cidade localizada no plano astral), já determinaram sabiamente o procedimento normativo, religioso para os setenta anos vindouros, 1979/2049, como sendo o período de Afirmação Doutrinária. Obviamente, a doutrina de Umbanda ficará como ponto essencial para a estabilidade e perpetuação desse movimento, na forma digna, ensejada pelo estudo constante, a par do esforço sincero de cada devoto, no sentido de conduzir a Umbanda, no plano físico, a um merecido status de religião organizada, a serviço da comunidade religiosa nacional.

No imenso campo místico da nossa terra, onde proliferam, abundantemente, conceituações religiosas diversas, algumas das quais exóticas, cheias de superstições, interpretações confusas e duvidosas, mercantilismo, fanatismo, mistificações, “curas divinas” e desonesto profissionalismo pastoral, a Umbanda, sobranceira, erguerá seu edifício religioso, tendo como obreiros da primeira e da undécima hora, devotos excepcionais, médiuns sinceros, babalorixás e ialorixás honestos que, há muito, já assumiram posição na hierarquia de responsabilidade e trabalho, côncios de que a quantidade será relegada a segundo plano, em proveito da qualidade, e convictos de que, em matéria doutrinária, não pode nem deve haver transigências oportunistas, confirmando-se, desse modo, que “Umbanda é coisa séria para gente séria".

Umbanda, sendo a única religião criada no Brasil, não pode ser dividida. Quem tiver esta pretensão cairá no ridículo. A nossa religião deve ser tratada com todo carinho, amor, serenidade e estudo, sobretudo com a renovação de caráter dos que a professam para que a mesma possa espelhar a grandeza de sua doutrina. A Umbanda se sente desmerecida com o tratamento que lhe dispensam boa parte de terreiros onde se vê mais animismo do que mediunismo; mais interesses cúpidos do que magias; mais deslealdades do que autenticidades; mais personalismo do que espiritismo.

O sacrifício de animais (oferenda de sangue) nunca foi, não é e nem será ritual de Umbanda. Não cobrar, não matar, usar o branco, evangelizar e utilizar as forças da natureza são rituais de Umbanda. Portanto, podemos afirmar que a Umbanda é produto da evolução espiritual ou religiosa. Suas origens estão contidas nas filosofias orientais, fonte inicial de todos os cultos do mundo civilizado, que implantada em nossa terra, reuniu-se as práticas dos conceitos e crenças do índio, branco e negro.

Cavalcante Bandeira reporta-se aos mestres do idioma africano, citando o vocábulo umbanda como: “Arte de curar”, “Magia”, “Faculdade de curar por meio da medicina natural ou sobrenatural”; ou ainda “Os sortilégios que, segundo se presume, estabelecem e determinam a ligação entre os espíritos e o mundo físico”. O vocábulo “Umbanda” só pode ser identificado dentro das qualificadas línguas mortas. Todavia, entre os angolenses existe o termo “Quimbanda”, que significa “sacerdote, invocador de espíritos”, firmado no radical  mbanda , conservado através de milênios, legado de tradição oral da raça africana, o qual é uma corruptela do original u-banda ou aum-bandhã.
“Toda essa complexa Mistura, que o leigo chama de macumba, baixo espiritismo, magia negra, envolvendo práticas fetichistas e barulhentas... era a situação existente, quando surgiu um vigoroso movimento de luz, ordenado pelo astral superior, feito pelos espíritos que se apresentavam como Caboclos, Pretos Velhos e Crianças. Surgiram práticas as mais confusas e desordenadas, envolvendo oferendas com sacrifício de animais, sangue, etc., e por isso tudo fez-se imprescindível um novo movimento dentro desses cultos ou de sua massa de adeptos, feito pelos espíritos carminantes afins a essa massa e pelos que, dentro de afinidades mais elevadas, se aplicam no amor e na renúncia em prol da evolução de seus semelhantes, o qual foi lançado através da mediunidade de uns e outros pelos Caboclos e Pretos Velhos, com o nome de Umbanda. O termo umbanda que eles implantaram no meio para servir de bandeira a essa poderosa corrente (ensinaram que) é um termo litúrgico, sagrado, vibrado, que significa, num sentido mais profundo, o conjunto das leis de Deus”.
A Umbanda é um “movimento mágico religioso”, genuinamente brasileiro, e a sua finalidade primordial como religião é a de despertar anseios de espiritualidade na criatura humana. Para que esse despertamento se faça, torna-se necessário um permanente estado de religiosidade, onde toda vivência é baseada na compreensão e plena sensibilidade (não sentimentalismo), para com tudo e todos que nos cercam e compõem a humanidade.

A Umbanda é uma doutrina espiritualista como o Espiritismo, o Catolicismo, o Esoterismo, etc... o que não impede de haver entre elas diferenças essenciais que lhe dão características próprias. É resultante natural da fusão espiritual das raças branca, índia e negra.

Sua lei principal é resumida numa só palavra: CARIDADE – no sentido do amor fraterno em benefício dos seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a condição social, não podendo haver ambicioso, vaidoso, mistificadores, pois estes, mais cedo ou mais tarde, são afastados da Umbanda pelos espíritos de luz.

Seu Mestre Supremo: JESUS (Filho de Deus)

Suas Normas: Sessões – Assim se chamariam os períodos de trabalhos espirituais;

Vestes – Os participantes estariam uniformizados de Branco

Sacrifícios – Os sacrifícios de aves e animais é totalmente alheio à Umbanda;

Fundamento básico – É a crença ou culto aos espíritos evoluídos;

Atendimento – GRATUITO

Origem da palavra "UMBANDA"


Oriunda do Sânscrito (a mais antiga língua da Terra-raiz mestra dos demais idiomas existentes no mundo), que se pode traduzir por “DEUS AO NOSSO LADO” ou “O LADO DE DEUS”.

ou

UM – Deus (único) – Deus, o supremo espírito.
BANDA – Povo da Terra – Grupo ou Facção."

Fonte:
Texto de Solano de Oxalá e Maria de Omolu; enviado a nós por Maria das Graças (Maria de Omolu) e todos os documentos relativos a este texto encontram-se na:
CASA BRANCA DE OXALÁ TEMPLO UMBANDISTA
Rua Barbacena, 35 – Lagoa Santa – Minas Gerais CEP 33400-000




sexta-feira, 10 de junho de 2011

Magia Negra - Faz parte da Umbanda?





Muito se fala de magia negra mas poucas pessoas sabe esclarecer sobre esse tema. Veja o esclarecimento que o Pai Guimarães dá... Umbanda é paz, amor, caridade e religiosidade.



Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=jnspaJU_CgY




sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Umbanda 2.0

Pai Fernando
Todo mês o Pai Fernando, do Terreiro do Pai Maneco, em Curitiba, PR, publica no site oficial do terreiro sua opinião. Desde 2007 ele discute vários assuntos de interesse geral, sempre ligando à nossa querida Umbanda, a religião 100% brasileira. Além das impressões pessoais do Pai Fernando, o site do Terreiro Pai Maneco disponibiliza também um conteúdo riquíssimo, com textos sobre a religião, espiritismo, pontos cantados para download, além de imagens dos belos rituais de Umbanda praticados no Paraná e eventos ligados ao terreiro. Pra quem não conhece vale uma visita: http://www.paimaneco.org.br/

O Fernando também mantém um blog, o Blog do Pai Maneco. No dia de São Jorge, em 23 de abril passado, o Pai Fernando havia suspendido as publicações, talvez pela grande demanda de comentários, que jamais ficaram sem a devida resposta. O blog tornou-se quase que uma Gira on-line, exigindo muito do Fernando blogueiro... e ele resolveu dar um tempo... Não é fácil dirigir um terreiro com sessões públicas diárias e ainda blogar todos os dias.

Mas estamos no raiar da Era da Informação, do Conhecimento, e o Fernando, ligado em tecnologia como é, não resistiu ficar off-line muito tempo. Exatamente 5 meses depois ele volta com a blogagem. Se você gosta de Umbanda, ou tem curiosidade sobre o tema, sendo ou não seguidor da religião, não deixe de seguir o Blog do Pai Maneco: http://paimaneco.blogspot.com/. Tenho certeza que será uma experiência deveras interessante, afinal o saber, como o espírito, não ocupa espaço.

Com um site maravilhoso, de conteúdo relevante, e um blog que preza pela interatividade com seus leitores, o Pai Fernando é um dos pioneiros de uma nova forma de fazer Umbanda; a Umbanda que nós ligados em tecnologia queremos, a Umbanda 2.0, democrática, acessível a todos. A seguir transcrevo a opinião do Fernando, de outubro de 2010 - um ensaio sobre a Umbanda 2.0 e seu papel dentro das Mídias Sociais - a qual gostei muito e compartilho com vocês:

Outubro 2010

O Presidente Lula ensinou que antigamente os políticos ganhavam uma eleição nos palanques dos comícios públicos, mas hoje eles ganham na internet. Essa é uma declaração de um homem publico e por isso deve ser analisada com carinho.

Já faz algum tempo que tenho batido na tecla que a Umbanda tem que mudar sua política para que ganhe o respeito do povo brasileiro. A importância das reclamações do preconceito contra nossa religião, os desfiles organizados e ações de repudio àqueles que nos marginalizam têm um peso importante na opinião publica, mas entendo que isso é muito pouco. O Presidente indicou sabiamente o caminho do sucesso: a internet.

Para quem já tem um bom período da Umbanda e acompanha seu desenvolvimento sabe que cada vez o preconceito diminui e procura pelos Terreiros é cada vez maior. Tenho noticias sólidas que em todo o Brasil o nosso espaço está cada vez maior e aqueles que nos agridem estão ganhando o repudio da população pacifica, mesmo daqueles que professam religiões diferentes.

Acho que os que não conhecem a Umbanda precisam saber quem somos e o que fazemos. Nada melhor que ouvir o que seus adeptos pensam. Como fazer isso? Volta a voz presidencial dizendo que a internet é o caminho. O twitter, facebook, orkut são as ferramentas escolhida pelos políticos. Nele as discussões e declarações são acaloradas e os veementes excitam seus leitores com palavreados inteligentes que agem como setas envenenadas àqueles que não rezam pelo seu partido político e como premio querem ganhar os votos nas eleições que lhes garantirão por um bom tempo polpudos salários.

O pior é que pessoas, mesmo não sendo políticas, usam dessas ferramentas para discutirem assuntos triviais e que podem levar irmãos ao desentendimento. Isso não é regra, mas mal usado acaba nesse caminho. Eu prefiro o blog, não só por ser mais reservado e com direito a comentário maldoso ser recusado. Isso faz do mediador um fiscal do bom senso e um defensor da harmonia.

Os Blogs não foram criados para servir aos briguentos e maus humorados. Ao contrário, dirigido com inteligência é um veiculo propagador da fé e do respeito. São mais pessoais do que um site, muito embora estes também sejam interessantes, pois é uma forma democrática de expor e divulgar um assunto com total independência. Tanto um blog como um site, para ter aceitação, deve ser limpo, inteligente, bem escrito e com matérias organizadas de tal forma que os leitores fiquem presos aos temas apresentados. É uma forma de mudar a defesa da Umbanda, pois ao contrário de dizer o que a Umbanda é está sendo revelado como os umbandistas são.

Essa é a Minha Opinião!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Pinga Fogo 1971 ::: Umbanda e Caboclos ::: Chico Xavier



"Nós respeitamos a religião de Umbanda como devemos respeitar todas as religiões..." 
Chico Xavier


segunda-feira, 12 de abril de 2010

Blog do Pai Maneco: CARTA ABERTA AO SEO ZÉ



Blog do Pai Maneco: CARTA ABERTA AO SEO ZÉ

Transcrição do original publicado em 09 de abril de 2010 no Blog do Pai Maneco:

"Saravá meu nego amado, querido amigo e protetor,

Sabido é que ando lhe devendo lá umas oferendas e uns agradecimentos. Mas aí me pergunto, meu pai, quem de nós não está? Sei que meu nego não se faz de rogado pela pequena demora não. Não o senhor, grande entendedor do mundo de antes e de agora. Entende das ervas, da costura, da dor dos escravos, da beleza da miscigenação das raças, da dificuldade dos homens nas cidades pequenas e grandes. E que entende também dos meus esquecimentos despropositados! 

Então, apesar do atraso dos meus agrados, não tenho vergonha de ainda lhe fazer mais um grande pedido. O senhor, conhecedor das dificuldades da civilização de hoje, podia muito bem nos dar mais uma força bruta nesse momento tão incauto. Não podia?

É, meu pai, por aqui a coisa anda feia. Muito feia. É terremoto pro lado, ventania pra baixo, uma tal de gripe suína voltando pra cima e um alagado do tamanho da vista aqui, pro nosso lado. Agora pra andar no Rio precisa até de pedalinho – o senhor não vê?

“- Uma ajudinha, pelamor, o senhor não manda não, doutor?
- O branco estraga e nego tem que trabalhar?
- É sim, senhor.”

Pois falta ainda muito pra gente aprender, meu pai. Reforça, aqui, então, essa lida da educação dos filhos. Ensina a gente a viver de novo, a amar, respeitar o próximo e a cuidar do planeta em que vive. A ter alegria na alegria do outro, a ter felicidade na felicidade de alguém. Ajuda a tirar as vistas da ganância e a colocar os olhos de ver com amor a obra de Zambi.

Vem e traz, nego querido, essa sua imensa falange, essa família de homens e mulheres de luta. E com eles traz a gente de volta pro trilho, traz a gente pro caminho certo – que de errado a gente já foi bem longe e fez até desvio. Mostra o retorno, meu pai. O senhor e toda essa família de Zés que é quase infinita em tamanho – e eterna em fundamento.

Ajuda a gente a enxergar e entender o que é honestidade e o que é malandragem. Vem mostrar de novo o que é o jeitinho brasileiro – que não engana, não mente, mas que é versátil em toda sua destreza e maestria. Porque malandragem é fazer o difícil com um sorriso na boca, como o senhor mesmo já ensinou.

Chega aqui, ajuda a virar essa mesa cheia de corrupção, violência e estupidez. Bora botar ordem na cozinha! Jogar fora esse rango insosso, botar a nossa feijuca no fogo, preparar o pandeiro do samba bom. Traz essa força e a sabedoria, meu pai, pra gente colocar fora tudo que não presta nessa vida. Desde o falso amigo até o político corrupto, o policial cruel. 

Que é pra tentar evitar, meu pai, que mais se matem ou morram assim, com tiro no peito, em deslizamento, num infarto de estresse, numa depressão ou overdose qualquer.

Vem mais perto pra tirar seu povo dessa condição de menor abandonado, desse sentimento de rejeição.

Eu sei que é pedir demais, mas abre esse seu sorriso e seus braços um pouquinho mais, meu pai! Porque a gente é criança e precisa, sim, de luz no caminho - e de um bom colo, pra deitar e sonhar um futuro melhor pra nossa gente.

Com todo o carinho e respeito do mundo.
Sua fia branquela, 

Caroline Lipca"
___
Fonte: web:http://paimaneco.blogspot.com/2010/04/carta-aberta-ao-seu-ze.html


sábado, 21 de novembro de 2009

A Umbanda: 11 a 14 - O que é Chakra, Linha Neutra, Boiadeiro e Ponto Riscado?




11. O que é Chakra?

São os locais de concentração de magnetismo no corpo, onde se aglomera os centros nervosos do corpo humano. Clique aqui e leia mais sobre os Chakras.

12. O que são as Linhas Neutras ou Auxiliares?

Como o nome diz, são os auxiliares dos guias, . Normalmente, são os espíritos que tiveram sua última reencarnação em período mais atual. Os marinheiros atuam na Linha das Águas, como ativos auxiliares nos tratamentos de purificação, tais como vícios de qualquer espécie. Os baianos são o elo de ligação dos guias à Terra. Os boiadeiros cuidam da harmonia entre os médiuns durante os trabalhos. A Linha dos Ciganos também é neutra, bem como a das Almas. Os Espíritos que trabalham nestas linhas não têm o direito de tomar para si a proteção das pessoas, muito menos exigirem exclusividade. Entidades dentro desta linha da Umbanda são respeitadoras, são apenas auxiliares das entidades maiores. Se uma entidade da linha Cigana, por exemplo, insistir em ficar ao lado de alguém, deve ser afastada porque não é entidade de luz, exceto se veio para abrir o caminho para as outras entidades.

13. O que são os Boiadeiros?

Entidades responsáveis pelo bom andamento dos trabalhos e por tornar o grupo mediúnico harmonizado entre si. São guardiões, vigilantes; Espíritos de Vaqueiros, Tropeiros e até Cangaceiros se manifestam nesta linha. A Linha dos Boiadeiros é uma Linha Neutra. Por ser uma linha neutra os boiadeiros tem acesso direto com os exus e trabalham assim com muita naturalidade mas sem perder a sua marcante identidade. Eles dizem que são filhos do sol, da lua, do vento, da chuva, dos trovões e da mata. A Natureza é quem os domina. São especialistas em cuidar de coisas da família, o que eles, tanto quanto os ciganos, tem um respeito muito grande, nesta esfera são grandes aliados dos Preto-velhos.

14. O que é um ponto riscado?

O ponto cantado auxilia na sintonia mental com a linha vibratória que estamos invocando. O ponto riscado, que são desenhos feitos pelas Entidades incorporadas em seus médiuns, identifica a origem da entidade, quais os seus domínios e a quem é subordinada. Dá firmeza aos trabalhos da entidade. Risca-se com a pemba. Possuem função mágica, podendo ter diversos significados diferentes. Cada Entidade porém, possui um ponto de identificação e vários outros pontos para suas magias e mirongas, o primeiro pode ser mostrado sem maiores restrições, como costumeiramente vemos nos nomes das casas de Umbanda e em livros, já outros são 'secretos' e só a entidade possue seus segredos.

domingo, 15 de novembro de 2009

A Umbanda: 1 - O quê é um Orixá?




São divindades africanas diretamente relacionadas as Forças da Natureza. Seriam as falanges específicas que trabalham especializadas em determinado meio, como mar, céus, plantas, etc.

Mantém-se na Umbanda o sincretismo religioso com o catolicismo e os seus Santos, assim como no antigo Candomblé dos escravos, por uma questão de tradição, pois antigamente fazia-se necessário como uma forma de tornar aceito o culto afro-brasileiro sem que fosse visto como algo estranho e desconhecido, e, portanto, perseguido e combatido.

Um Orixá é um regente de uma das forças do mundo material, sempre abaixo de Zambi (Olorum, Obatalá), o Deus Supremo. Na África, há em torno de 600 Orixás. No Candomblé, 16. Na Umbanda, Sete.

Há diferença nas cores votivas de cada Orixá, conforme o local do Brasil e a tradição seguida por seus seguidores. Da mesma forma quanto ao Santo sincretizado a cada Orixá.

Entretanto a correlação sincrética mais aceita e difundida é:

Oxalá - Jesus Cristo - Elemento: Ar, Espírito, Luz.
Yemanjá - Nossa Senhora (Maria, mãe de Jesus) - Elemento: Mar.
Ogum - São Jorge - Elemento: Ferro, fogo.
Oxum - Nossa Sra. da Conceição - Elemento: Água doce, metais preciosos.
Oxóssi - São Sebastião - Elemento: Vegetal, mates e florestas.
Yansã - Santa Bárbara - Elemento: Raios, ventos e tempestades.
Xangô - São Jerônimo - Elemento: Mineral, pedras e pedreiras.

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A Magia e suas vertentes



Magia Ascética

Magia de natureza ascética, enquadra todos os sistemas de pensamento místico e religioso que defendem a verdadeira prática esotérica como tendo fundamento única e exclusivamente a traves de processos espirituais. 

Estes sistemas advogam que o corpo é um mero invólucro sem qualquer valor, e que o corpo deve ser totalmente excluído do processo de evolução espiritual. Apenas pela abstinência, oração, meditação e privação física, é que um espírito pode pretender, seja produzir um efeito milagroso e magico neste mundo, seja ascender espiritualmente. 

O isolamento, a privação, o processo mental interior, são para estes magos e sacerdotes, a única forma de verdadeira produção espiritual. A magia ascética costuma encontrar escolas de pensamento com certo grau de equivalência teológica, na magia branca, assim como na magia relacionada com os anjos e entidades celestiais angélicas.

Magia Branca

Sistema de crenças religiosas e magicas, que professa a existência de entidades espirituais boas, (brancas), por oposição a entidades espirituais más, (negras), e que no decorrer desse principio teológico, advogam que apenas se devem contactar com as forças espirituais "brancas" para alcançar os fins desejados. 

Este sistema magico é profundamente influenciado pelas crenças das religiões Abraamicas, sendo que por outro lado, em muitos sistemas religiosos politeístas, as divindades não eram tidas como "brancas" nem "negras", não tão somente entidades espirituais. Nos sistemas de magia branca, podemos encontrar quatro grandes escolas:

  - Encohiana, fundada na mítica figura bíblica e apócrifa de Encoh;

  - Abramelim, dirigida ao contacto com os anjos;

  - Cabalista, a vertente mística do judaísmo;

  - Gnóstica, a vertente mística do cristianismo.


Magia do Caos

Muitos afirmam que a Magia do Caos é um ramo descendente das tradições místicas fundadas por Aleister Crowley. A Magia do Caos nasce dos trabalhos e textos originais de Austin Osman Spare , um antigo seguidor de Crowley. A Magia do Caos cruza-se fortemente com a magia Xamanica e a Magia Sexual. 

Alias, a magia do caos é caracterizada pelo seu princípio ecléctico, ou seja, pelo paradigma a que alguns chamam…da "pirataria". A magia do caos credita técnicas, conceitos e princípios a quaisquer fontes de conhecimento místico que sejam susceptíveis de produzir fortes resultados.

Magia Wicca

A magia Wicca descende fundamentalmente das ancestrais crenças religiosas da Europa. A crença na Grande Deusa, era professada em toda a latitude e longitude do espaço europeu pré-cristianizado, desde o norte da Europa á Península Ibérica. Os celtas foram talvez os mais reconhecidos praticantes da magia que mais tarde veio a ser conhecida por Wicca, mas na verdade tratava-se de uma crença amplamente difundida. 

Com o advento do Cristianismo, as crenças religiosas e magicas pagas foram fortemente reprimidas, e terá sido neste momento em que as praticas espirituais europeias foram forçadas a ser praticadas em segredo, (professar estas religiões e sistemas mágicos era ato passível de punição com tortura e morte na fogueira). 

A velha religião européia evoluiu assim para uma série de sistemas mágicos diferentes, alguns mantendo a pureza das tradições religiosas, acabaram fundando o sistema que séculos mais tarde seria conhecido por Wicca. Outros, incorporando as velhas crenças e conceitos do cristianismo, como o de anjos, demonios, Diabo, etc, evoluíram diferentemente e acabaram séculos mais tarde por formar o sistema religioso denominado simplesmente por Bruxaria.

A magia Wicca, possui uma forte componente de contacto com espíritos elementais, ou seja, tanto espíritos que incorporam nas forças da natureza, como entidades que são emanações das próprias forças da natureza. Igualmente na perspectiva das tradições esotéricas mais ancestrais que procuram a relação e o contacto com espíritos elementais, encontramos também a magia Celta.

Tanto a Magia Wicca com a Magia Celta, são sistemas mágicos sustentados numa crença religiosa politeísta, na qual se professa a fé em Deuses e Deusas, bem como visões mitológicas próprias. A Magia Celta, contudo, acabou por assumir contornos de druidismo, o que veio a enquadrá-la na classe dos sistemas mágicos xamanistas.


Magia Negra

Sistema de crenças magicas, que professa a existência de entidades espirituais terrenais; por oposição a entidades espirituais celestiais, e que no decorrer desse princípio teológico, advogam que o tratamento eficaz de assuntos relacionados com as nossas vidas terrenas, apenas pode encontrar resposta nas entidades espirituais terrenais. 

Algumas doutrinas de Magia Negra, defendem que os espíritos celestiais são espíritos iluminados e evoluídos, por isso ascendidos a esferas existenciais superiores, e em consequência excluídos de uma influência direta neste mundo. Estes seres de luz são fundamentais na nossa evolução espiritual, mas são considerados na Magia Negra pura espíritos "inúteis", quando se trata de abordar assuntos terrenos. 

Tratando-se de espíritos distantes e que não oferecem respostas aos assuntos práticos deste mundo terreno, em Magia Negra procura-se a comunicação com espíritos terrenais. Enquanto que a magia Wicca procura em grande parte um contacto com espíritos elementais, a Magia Negra procura grandemente um contacto com espíritos terrenais. 

Espíritos terrenais são espíritos desencarnados, e que vagueiam pelo nosso mundo. Desde espíritos de pessoas falecidas, a espíritos de antepassados, a espíritos ancestrais, a espíritos de anjos caídos e exilados neste mundo; a Magia Negra faz por alcançar todas estas forças e influências de forma vantajosa. Nessa perspectiva, a chamada Magia Negra dos nossos dias, é na verdade a ancestral necromancia, praticada a milhares de anos atrás. Normalmente, o conceito de Magia Negra engloba as praticas de:

  - Magia demoníaca (Goetia);

  - Satanismo;

  - Luciferianismo;

  - Necromancia.
 
Um dos sistemas religiosos e mágicos que procura o contacto com espíritos ancestrais, podendo usar esse processo espiritual para fins de Magia Branca ou Magia Negra, é o Vodu, e as religiões de matriz africana em geral. Contudo, não é licito catalogar tais praticas religiosas como típicas de Magia Negra, muito pelo contrário. A Magia Negra, na verdade é apenas mais um sistema de magia, e, ao contrário do que muitos crêem, pode inclusive ser usada para a prática do bem.

Magia Vermelha

Muitos defendem que a Magia Vermelha como um ramo independente da magia, ao passo que outros a situam no plano da Magia Negra. Por outro lado, alguns defendem tratar-se de uma forma de magia relacionada com o sangue, ao passo que outros afirmam tratar-se antes de uma pratica magica relacionada com assuntos de natureza sexual, erótica e amorosa. 

Nas religiões Afro-Brasileiras, algums estudiosos apontam que a Magia Vermelha é toda aquela que se encontra dirigida a entidades femininas e luxuriosas, com finalidades essencialmente afetivas ou sexuais. Nos exemplos mais conhecidos desta tese, podemos encontrar as entidades de essência feminina da Quimbanda, as Pomba-Giras. 

Outros exemplos desta relação com entidades espirituais relacionadas com a carnalidade, podemos encontrar com particular destaque na religião Vodu. Na religião Cristã, a Magia Vermelha é tida como um apelo a entidades demoníacas, ligadas á luxúria e ao sangue, e, por isso, uma mera vertente da Magia Negra.

Magia Natural

Sistema mágico que procura encontrar nas propriedades espirituais secretas de elementos naturais, a resposta para assuntos da nossa vida. A Magia Natural faz uso, por isso, de terapias mágicas que passam pela administração de banhos, o uso de incensos, óleos, essências, pedras, cristais, etc. 

Na sua grande maioria, todos os procedimentos ritualistas das demais praticas mágicas, acabam por incorporar alguns destes elementos e princípios nos seus processos místicos. A Magia Celta, a Magia Egípcia, a Magia Africana , a religião Vodu e a Magia Wicca, são alguns dos sistemas mágicos que incorporam fortemente esta componente de magia natural.

Magia Sexual

A magia que por oposição a Magia Ascética, defende que o corpo é uma parte fundamental do processo mágico e do caminho de evolução espiritual. O corpo como instrumento de produção de energias espirituais, é o postulado fundamental da Magia Sexual. A Magia Sexual não pode conceber a distinção compartimentada entre corpo e espírito, uma vez que professa que um corpo necessita de um espírito, tal como um espírito necessita de um corpo, da mesma forma que não haveria luz sem trevas, nem morte sem vida, nem positivo sem negativo. 

Este princípio dialéctico é fundamental á filosofia da Magia Sexual. Um corpo habita um espírito, um espírito vive num corpo. Por assim ser, o corpo se beneficia do espírito e o espírito usufrui do corpo, e ambos constituem uma essência. Por assim ser, tendencialmente a Magia Sexual tende a advogar o processo de reencarnação, ou seja, a crença em que o espírito procura o corpo, assim como um corpo não vive sem espírito, e todo este processo corresponde a um grande ciclo de migração de almas. 

Na antiguidade a Magia Sexual foi praticada no Egito, Babilónia, Grécia, Índia, etc… em grande parte pelos sacerdotes dos templos dedicados a divindades femininas, relacionadas com a fertilidade, guerra e prosperidade. Nos tempos modernos, a Magia Sexual foi amplamente divulgada por magos como Aleister Crowley. A Magia Sexual, através dos seus mais distintos sistemas, tem ao longo dos tempos procurado produzir pelos seus rituais, influencias espirituais poderosas sobre o nosso mundo.


Xamanismo

Muitos o designariam, apenas como a crença nas profundas e poderosas capacidades espirituais de um homem ou de uma mulher. No Xamanismo, é professada a crença em que o homem, usando de certos meios rituais, pode induzir-se a estados alterados de consciência que lhe permitem aceder ao mundo dos espíritos.  Assim o homem pode não só sintonizar-se em plena harmonia com o mundo espiritual, como com o mundo terreno. 

Ao fazê-lo, o homem pode também produzir efeitos benéficos, tanto no mundo terreno como no mundo espiritual. No Xamanismo, não existe a clássica distinção entre mundo físico e mundo espiritual, como se tratassem de duas realidades distintas e separadas. No Xamanismo ambos os mundos, físico e espiritual, são realidades paralelas que se entrecruzam permanentemente, são fios distintos contudo entrelaçados na mesma rede, formando o grande tecido cósmico. 

O Xaman, é tanto aquela mulher quanto aquele homem, que fazem a ligação entre estes dois mundo entrelaçados entre si. O Xaman, consegue descobrir a porta que ninguém consegue ver e que conduz ao mundo espiritual, entrando por ela e regressando. Muitas das religiões nativas do continente americano, bem como africano, e dos respectivos sistemas de crenças Afro-Brasileiros, dos Índios Americanos, etc, tem origem nos princípios Xamanistas. O Xamanismo na magia européia, assumiu forma na magia Druídica.

Magia Musical

Na Bíblia, são reconhecidos exemplos em que profetas usam a música para espantar demónios, ou mesmo ouvem música de forma a atingir estados proféticos. Pois esta crença persistiu desde os templos bíblicos aos dias de hoje, e Juanita Wescott foi sua maior estudiosa e defensora. 

Muitos defensores destes princípios, hoje em dia suportam as suas teses nas mais avançadas descobertas da física quântica, advogando que o Universo é constituído na sua essência por cordas energéticas que vibram em frequencias sub-atômicas. Assim sendo, a música, que é em si um conjunto de frequências harmonicamente compostas, seria uma das formas de abrir a porta ao mundo espiritual, influenciando a consciência de forma a que ela consiga penetrar nos tecidos mais íntimos da existência, e contactar com o mundo espiritual. 

Várias teses cabalistas foram também associadas a esta escola de pensamento místico. Segundo essas teses, defende-se que os nomes de Deus e de Anjos são tão secretamente conservados em segredo, pois enunciados eles emanam vibrações sonoras, musicais, que abrem a porta ao mundo espiritual, aos seus segredos e ao seu poder.

Magia Planetária

Remontando aos tempos babilônicos, a Magia Planetária, também conhecida por Magia Astrológica, é o sistema de magia que considera as influências astrológicas dos corpos celestes sobre as nossas vidas, outrora essas forças cósmicas foram designadas na forma de Deuses, e atua por via de processos místicos, de forma a usar dessas influências celestiais para fins vantajosos. Enquadrada no sistema de Magia Planetária, ou cósmica, pode encontrar sua mais forte expressão na Magia Lunar.

Umbanda e Quimbanda, a religião brasileira em relação as vertentes da Magia

No Brasil, as Religiões de Matriz Africana, por sua forte ligação sincrética com as crenças européias, ameríndias e orientais, acabou por englobar todas estas vertentes da Magia em seus ritos. Destaca-se a Umbanda, que praticada em equilíbrio com a Quimbanda, adentra em todas as práticas acima relacionadas. A manipulação de energias é algo bastante compexo, quanto mais ao passo em que se utiliza de várias e distintas formas de Magia numa única prática. 

A habilidade da Umbanda em lidar com tantos, e aparentemente diferentes poderes, concomitantemente, deve-se ao fato de que é criada uma 3ª energia, formada pela entidade espiritual ligada ao espírito do médium. Esta energia torna-se conhecedora das práticas mágicas terrenas; assimiladas por nossos espíritos em suas consecutivas encarnações, bem como pelos segredos da Magia ocultos no Plano Astral, estes de conhecimento das entidades espirituais que já não encarnam mais aqui na Terra.

Ao incorporar os Espíritos, os médiuns Umbandistas, adquirem o conhecimento e poder, nescessários para trabalhar com todas as vertentes da Magia ao mesmo tempo. Parece um poder demasiado grande, de responsabilidade extremada, para ser utilizado por uma distinta classe de Magos, entretanto não o é, isso deve-se ao fato que na Umbanda é obrigatória a prática da caridade. 

Um médium Umbandista que tenta manipular energias em benefício próprio, ou como elemento de Magia Negra, prejudicando a seu próximo, vai rapidamente perdendo seu poder; acaba se vendo em maus lençóis, ao passo que as Entidade de Luz não mais entram em sintonia com sujeito praticante de tamanho abuso.

O mago do mal se vê isolado dos Espíritos de Luz, e, vai gradativamente mergulhando no abismo de trevas por ele mesmo criado. A utilização de qualquer prática mágica deve respeitar o livre-arbítrio do indivíduo e levar em conta que a prática da caridade espiritual é o maior propósito da magia. 

Encerra-se aqui o primeiro e maior preceito a que um Mago ou inciado deve atentar, a prática do bem, que puramente resulta no bem recebido como paga. 

Óbviamente, qualque prática maléfica, terá como retorno energia igual. A prática do mal tem como moeda de paga mal igual ou até maior ao praticado. Afinal aqui na Terra existe um Lei da Física que deve ser levada sempre em conta na prática da Magia: "Toda ação provoca uma reação de igual intensidade e em sentido contrário". Ou seja, tudo o que você faz volta para você. É o princípio básico da Lei do Carma. कर्म. Saravá!

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domingo, 16 de agosto de 2009

Umbanda, semeando o bem - Caboclo das 7 Encruzilhadas



"A Umbanda tem progredido e vai progredir ainda mais. É preciso haver sinceridade, honestidade. Eu previno sempre aos companheiros de muitos anos: a vil moeda vai prejudicar a umbanda; médiuns irão se vender e serão expulsos mais tarde, como Jesus expulsou os vendilhões do templo.

O perigo do médium homem é a consulente mulher; do médium mulher, o consulente homem.

É preciso estar sempre de prevenção, porque os próprios obsessores que procuram atacar as nossas casas, fazem com que toque alguma coisa no coração da mulher que fala ao pai de terreiro, como no coração do homem que fala à mãe de terreiro. É preciso haver muita moral para que a umbanda progrida, seja forte e coesa. Umbanda é humildade, amor e caridade – essa é a nossa bandeira.

Neste momento, meus irmãos, me rodeiam diversos espíritos que trabalham na umbanda do Brasil: caboclos de Oxossi, de Ogum, de Xangô. Eu, porém, sou da falange de Oxossi, meu pai, e não vim por acaso, trouxe uma ordem, uma missão.

Meus irmãos, sede humildes, tende amor no coração, amor de irmão para irmão, porque vossas mediunidades ficarão mais puras, servindo aos espíritos superiores que venham trabalhar entre vós. É preciso que os aparelhos estejam sempre limpos, os instrumentos afinados com as virtudes que Jesus pregou na Terra, para que tenhamos boas comunicações e proteção para àqueles que vêm em busca de socorro nas casas de umbanda.

Meus irmãos, meu aparelho já está velho, com 80 anos a fazer, mas começou antes dos dezoito. Posso dizer que o ajudei a se casar, para que não estivesse a dar cabeçadas, para que fosse um médium aproveitável e que, pela sua mediunidade, eu pudesse implantar a nossa umbanda. A maior parte dos que trabalham na umbanda, se não passaram por esta Tenda, passaram pelas que saíram desta casa.

Tenho uma coisa a vos pedir: se Jesus veio ao planeta Terra na humildade de uma manjedoura, não foi por acaso; assim o Pai determinou. Podia ter procurado a casa de um potentado da época, mas foi escolher naquela que poderia ser sua mãe um espírito excelso, amoroso e abnegado. Que o nascimento de Jesus e a humildade que Ele demonstrou na Terra sirvam de exemplo a todos, iluminando os vossos espíritos, extraindo a maldade dos pensamentos ou das práticas. Que Deus perdoe as maldades que possam ter sido pensadas, para que a paz reine em vossos corações e nos vossos lares.

Fechai os olhos para a casa do vizinho; fechai a boca para não murmurar contra quem quer que seja; não julguei para não serdes julgado; acreditai em Deus e a paz entrará em vosso lar. É dos Evangelhos. Eu, meus irmãos, como o menor espírito que baixou a Terra, porém amigo de todos, numa comunhão perfeita com companheiros que me rodeiam neste momento, peço que eles observem a necessidade de cada um de vós e que, ao sairdes deste templo de caridade, encontreis os caminhos abertos, vossos enfermos curados, e a saúde para sempre em vossa matéria. Com um voto de paz, saúde e felicidade, com humildade, amor e caridade, sou e sempre serei o humilde Caboclo das Sete Encruzilhadas.”

Transcrição de gravação feita em 1971 pela Sra. Lilia Ribeiro, diretora da TULEF (Tenda de Umbanda Luz, Esperança, Fraternidade - RJ) de mensagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas, ditada através do médium Zélio de Moraes.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Discovery - Fator Desconhecido - Umbanda



O programa conta história da brasileira que com problemas na coluna, contraria os médicos e busca na Umbanda a cura. Gravado no Terreiro do Pai Maneco localizado na cidade de Curitiba/PR.


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Fonte: YouTube/(www.paimaneco.org.br)




sábado, 16 de maio de 2009

Pra Ver a Umbanda Passar





A Umbanda em Curitiba...

O documentário "Pra Ver a Umbanda Passar" foi realizado pelo Projeto Olho Vivo, com direção de Luciano Coelho e Marcelo Munhoz, com base na pesquisa feita pela socióloga Luciana de Morais. 

O filme mostra a diversidade da Umbanda praticada em Curitiba, no sul do Brasil. Neste trecho vemos o terreiro Pai Maneco, um dos maiores do Brasil.

Fonte: projetoolhovivo (YouTube)

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