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sexta-feira, 3 de junho de 2022

Conhece-te a ti mesmo

O meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal, um sábio da antigüidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo.

"Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma. Aquele que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticara durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvera feito, rogando a Deus e ao seu anjo de guarda que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria. Dirigi, pois, a vós mesmos perguntas, interrogai-vos sobre o que tendes feito e com que objetivo procedestes em tal ou tal circunstância, sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem, censuraríeis, sobre se obrastes alguma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai ainda mais: "Se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, teria que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo no mundo dos Espíritos, onde nada pode ser ocultado?  Examinai o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos. As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado.  O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual. Mas, direis, como há de alguém julgar-se a si mesmo? Não está aí a ilusão do amor-próprio para atenuar as faltas e torná-las desculpáveis? ..."

"Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma. Aquele que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticara durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvera feito, rogando a Deus e ao seu anjo de guarda que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria. Dirigi, pois, a vós mesmos perguntas, interrogai-vos sobre o que tendes feito e com que objetivo procedestes em tal ou tal circunstância, sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem, censuraríeis, sobre se obrastes alguma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai ainda mais: "Se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, teria que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo no mundo dos Espíritos, onde nada pode ser ocultado?

Examinai o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos. As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado.

O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual. Mas, direis, como há de alguém julgar-se a si mesmo? Não está aí a ilusão do amor-próprio para atenuar as faltas e torná-las desculpáveis? O avarento se considera apenas econômico e previdente; o orgulhosos julga que em si só há dignidade. Isto é muito real, mas tendes um meio de verificação que não pode iludir-vos. Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se a censurais noutrem, não na poderia ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de Sua justiça. Procurai também saber o que dela pensam os vossos semelhantes e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, porquanto esses nenhum interesse têm em mascarar a verdade e Deus muitas vezes os coloca ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo. Perscrute, conseguintemente, a sua consciência aquele que se sinta possuído do desejo sério de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus pendores, como do seu jardim arranca as ervas daninhas; dê balanço no seu dia moral para, a exemplo do comerciante, avaliar suas perdas e seus lucros e eu vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a daquelas. Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida.

Formulai, pois, de vós para convosco, questões nítidas e precisas e não temais multiplicá-las. Justo é que se gastem alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna.

Não trabalhais todos os dias com o fito de juntar haveres que vos garantam repouso na velhice? Não constitui esse repouso o objeto de todos os vossos desejos, o fim que vos faz suportar fadigas e privações temporárias? Pois bem! Que é esse descanso de alguns dias, turbado sempre pelas enfermidades do corpo, em comparação com o que espera o homem de bem? Não valerá este outro a pena de alguns esforços? Sei haver muitos que dizem ser positivo o presente e incerto o futuro. Ora, esta exatamente a ideia que estamos encarregados de eliminar do vosso íntimo, visto desejarmos fazer que compreendais esse futuro, de modo a não restar nenhuma dúvida em vossa alma. Por isso foi que primeiro chamamos a vossa atenção por meio de fenômenos capazes de ferir-vos os sentidos e que agora vos damos instruções, que cada um de vós se acha encarregado de espalhar. Com este objetivo é que ditamos O Livro dos Espíritos."

Santo Agostinho


quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Santos católicos do mês de Agosto


1. Santo Afonso Maria de Ligório (+ Itália, 1787)

Nobre napolitano, doutorou-se em Direito com 16 anos e iniciou uma carreira brilhante. Poucos anos depois, um insucesso profissional fez com que se desiludisse das glórias mundanas e passasse a aspirar somente à perfeição cristã. Foi ordenado sacerdote e fundou a Congregação do Santíssimo Redentor, de padres dedicados a pregar missões populares entre os próprios católicos. Aos 60 anos viu-se forçado a aceitar a sagração episcopal. 

Sua obra intelectual é vastíssima, compondo-se de mais de 100 livros de assuntos muito variados: escreveu tratados e compêndios de Teologia Moral -- matéria em que sua autoridade é máxima, na Igreja -- obras de Ascética, Espiritualidade, Mariologia etc. Fez e cumpriu um voto tão heróico que ele mesmo não o recomendava a ninguém: o de jamais perder um minuto na vida. Teve que padecer incompreensões por parte dos religiosos da Congregação que fundara, chegando a ser injustamente expulso dela. Faleceu aos 91 anos de idade.

2. São Pedro Julião Eymard (+ França, 1868)

Grande santo do século XIX, foi inicialmente sacerdote secular zelosíssimo, a ponto de ser comparado ao Santo Cura d'Ars. Tão fervorosa era sua paróquia que, certo ano, conseguiu que cumprissem a obrigação pascal todos os seus fiéis que estavam em idade de a cumprir, sem nenhuma exceção. Passou, a seguir, 17 anos como religioso na Sociedade de Maria, chegando a ocupar cargos dos mais altos nessa família religiosa. Somente depois recebeu de Maria Santíssima a missão de fundar uma obra dedicada à adoração perpétua da Eucaristia. Efetivamente fundou a Congregação dos Padres do Santíssimo Sacramento.

3. São Pedro de Anagni, Bispo (+ Itália, 1105)

Provinha da nobre família dos príncipes de Salerno e era monge beneditino em Anagni, quando o Papa Alexandre II, que ali se encontrava exilado, nomeou-o bispo da mesma cidade. Esteve em Constantinopla, a mandado de Alexandre II, como embaixador junto ao imperador. Participou da primeira Cruzada e retornou à sua diocese. Foi canonizado apenas cinco anos decorridos do seu falecimento. 

4. São João Maria Vianney (+ Ars, 1859)

Ars era uma aldeiazinha de 230 habitantes, mas ficou famosa no mundo inteiro graças ao seu pároco. João Maria Vianney, oriundo de uma família modesta, somente pôde aprender a ler aos 18 anos de idade. Sentiu-se chamado para o sacerdócio, mas não foi capaz de seguir o curso normal de seminário, porque não conseguiu dominar o latim e a filosofia. Afinal, considerando a virtude notória do candidato e a falta de padres na diocese, o bispo resolveu ordená-lo, embora achando que ele nunca teria discernimento suficiente para atender confissões. Foi exatamente o contrário que se deu. 

O Padre Vianney revelou-se extraordinário apóstolo do confessionário, com luzes sobrenaturais que o faziam ler as consciências, converter os pecadores, reconciliá-los com Deus. Começaram a acorrer de toda a França, e até do estrangeiro, peregrinos desejosos de se confessar com ele ou de lhe pedir orientação. Desde 1830 até sua morte, acorriam anualmente 100 mil peregrinos a Ars, o que perfazia uma média de mais de 270 por dia. Para atender a tanta gente o zeloso pároco precisava passar no confessionário de 12 a 18 horas diárias. Levava, ademais, uma vida muito austera e sacrificada, e durante 35 anos Deus permitiu que o demônio o atormentasse com contínuos ataques. Foi canonizado em 1925 e é venerado como padroeiro dos párocos.

5. Santa Afra, Mártir (+ Alemanha, 304)

Era prostituta e vivia com grande luxo quando recebeu a graça de se converter ao Cristianismo e mudou radicalmente de vida. A notícia espalhou-se logo pela cidade de Augsburg, onde ela vivia e era muito conhecida. Chamada pelas autoridades pagãs, deram-lhe ordem de sacrificar aos deuses, mas ela recusou dizendo que não queria acrescentar mais um pecado aos muitos que já havia cometido. Foi queimada viva por amor a Nosso Senhor Jesus Cristo.

6. Transfiguração de Cristo

Neste dia a Igreja celebra, conforme as palavras do Martirológio Romano-Monástico: 

"...o mistério pelo qual Cristo manifestou sua glória divina, atestada pela voz do Pai e pela presença de Moisés e de Elias, para preparar seus discípulos para a provação da Cruz..."

7. São Caetano de Tiene (+ Nápoles, 1547)


Fundou, juntamente com Mons. Pedro Caraffa, bispo de Chieti e futuro Papa Paulo IV, a Ordem dos Clérigos Regulares, conhecidos como teatinos, os quais praticavam heroicamente a virtude da confiança em Deus, vivendo só de esmolas e, por paradoxo, nunca podendo pedi-las. Em outras palavras, deviam esperar que Deus inspirasse aos benfeitores o desejo de ajudá-los. Foi muito grande o papel dos teatinos na obra de reforma do Clero italiano ameaçado pelos avanços do protestantismo.

8. São Domingos de Gusmão (+ Bolonha, 1221)

Nascido na cidade espanhola de Burgos, foi filho da Beata Joana de Aza e do nobre Félix de Gusmão. Compreendendo todo o mal que a heresia dos albigenses produzia no sul da França, decidiu fundar uma Ordem mendicante com a finalidade de defender a ortodoxia católica e pregar contra as heresias. Nasceu assim a Ordem dos Pregadores, ou Dominicanos, que, entre muitos outros luminares, teve a glória de dar à Igreja o grande São Tomás de Aquino. 

9. São Juliano, Mariano e 8  Companheiros (+ Constantinopla, séc. VIII)

Padeceram muitos tormentos e afinal foram mortos pela espada, porque defenderam a veneração às santas imagens, contra os adeptos da heresia iconoclasta.

10. São Lourenço, Mártir (+ Roma, 258)

Era o principal dos diáconos de Roma e, entre outras funções, administrava os bens da Igreja e distribuía entre os pobres as esmolas colhidas entre os fiéis. Durante a perseguição de Valeriano, os pagãos exigiram que revelasse onde estava escondido o tesouro dos cristãos. O Santo prometeu fazê-lo e compareceu diante das autoridades levando consigo um grande número de viúvas, órfãos, doentes e desamparados dizendo que aquele era o tesouro da Igreja. Colocado vivo sobre uma grelha em brasa, morreu assado lentamente. Foi um dos santos mais celebrados em Roma. Seu nome passou a ser diariamente lembrado no Cânon da Santa Missa.

11. Santa Clara de Assis (+ 1253)

Pertencia a uma família nobre e tinha grande beleza. Enfrentando a oposição da família, que pretendia arranjar-lhe um casamento vantajoso, seguiu a São Francisco de Assis e fundou o ramo feminino da Ordem franciscana, também conhecidas como Damas Pobres ou Clarissas. Viveu na prática e no amor da mais estrita pobreza. Certa ocasião, quando seu convento estava sendo invadido por maometanos, enfrentou-os corajosamente, portando nas mãos o Santíssimo Sacramento. Os agressores, tomados de repente por inexplicável pânico, fugiram. Sua irmã mais jovem, Santa Inês de Assis, acompanhou-a na vida de desprendimento e renúncia.

12. Santo Euplúsio, Mártir (+ Sicília, séc. IV)

Obedecendo a um impulso excepcional da graça divina, apresentou-se voluntariamente ao tribunal de Catânia, na Sicília, e professou sua fé em Jesus Cristo. Quando o governador pagão lhe ordenou que sacrificasse aos deuses, respondeu que de boa vontade oferecia ao único Deus verdadeiro o sacrifício de sua própria vida. Sofreu vários tormentos e foi, afinal, decapitado. Segundo alguns autores, era diácono. 

13. São João Berchmans (+ Roma, 1621)

Natural da Bélgica, ingressou na Companhia de Jesus procurando em tudo ser um perfeito religioso. " * Antes mil vezes morrer do que cometer o mais leve pecado ou transgredir uma regra da Orde" era seu propósito. Destacou-se pela pureza e pela inocência de vida. Foi aluno brilhante e esforçado, modelar de todos os pontos de vista. Faleceu aos 22 anos. 

14. São Maximiliano Kolbe (+ Auschwitz, 1941)

Sacerdote franciscano natural da Polônia, fundou a Milícia da Imaculada, associação destinada ao apostolado católico e mariano. Instalou uma tipografia católica e editou uma revista marial que alcançou a tiragem de um milhão de exemplares. Chegou a instalar uma emissora de rádio e a estender suas atividades apostólicas até o Japão. 

Foi aprisionado pelos nazistas, que temiam sua influência na Polônia. Estava no campo de concentração de Auschwitz, em agosto de 1941, quando dez prisioneiros foram sorteados e condenados a morrer de fome e sede. O Padre Kolbe, que tinha então 47 anos, ofereceu-se para substituir um dos infelizes, que se lamentava em alta voz, dizendo que tinha mulher e filhos. Na realidade, o Padre Kolbe aceitava o martírio para praticar heroicamente seu múnus sacerdotal, dando assistência religiosa e ajudando a morrer virtuosamente aqueles pobres condenados.

15. Nossa Senhora da Assunção

É uma das mais antigas festas marianas. Em Portugal, chamava-se Festa de Santa Maria de Agosto. Foi na " ...vespora de Sancta Maria de Agosto..." do ano de 1385 que se travou a decisiva Batalha de Aljubarrota, na qual o Beato Nuno Álvares Pereira, Condestável de Portugal, triunfou sobre o exército do rei de Castela, adepto do anti-Papa de Avinhão. Em 1950, Pio XII proclamou solenemente como dogma que 

"...a Imaculada Mãe de Deus, a Sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial..."

16. Santo Estevão da Hungria (+ 1038)

Rei da Hungria, foi convertido por Santo Adalberto, Bispo de Praga, e dedicou a vida a fazer de seu reino, tanto quanto possível, uma imagem do Reino dos Céus. Foi casado com a Beata Gisela, irmã do imperador Santo Henrique. Deixou por escrito normas de governo para seu filho e herdeiro, Santo Américo, o qual não chegou a reinar pois faleceu antes do pai. A coroa real de Santo Estevão, oferecida pelo Papa Silvestre II, até hoje é venerada como relíquia e como símbolo da nacionalidade.

☞ No Brasil e na Itália, bem como nos 4 cantos do mundo, é celebrada também, no dia 16 de abril, a festa de São Roque. Roque de Montpellier (c.1295/1327) é um santo da Igreja Católica Romana, protetor contra a peste e padroeiro dos inválidos e cirurgiões. É também considerado por algumas comunidades católicas como protetor do gado contra doenças contagiosas. 

17. São Jacinto (+ Polônia, 1257)

Nascido perto de Cracóvia, foi recebido na Ordem dos Pregadores pelo seu próprio fundador, São Domingos de Gusmão. Formou a província polonesa da Ordem dominicana e pregou na Rússia e na Prússia. É considerado o Apóstolo da Polônia.

18. Santa Helena (+ Nicomédia, 330)

Era de modesta origem, tendo sido criada numa pensão. Um oficial romano, de nome Constâncio Cloro, atraído por sua beleza e sua elevação de alma, tomou-a à maneira de esposa morganática. Dessa união nasceu Constantino, o primeiro imperador cristão. Muito piedosa, Santa Helena partiu em peregrinação para a Terra Santa, onde teve a graça de encontrar a verdadeira Cruz do Salvador.

19. São João Eudes (+ Caen, França, 1680)

Foi inicialmente membro da Congregação do Oratório, e durante anos se dedicou a pregar missões no interior da França. Depois sentiu-se chamado por Deus a deixar seu instituto religioso e fundar outro, dedicado não só às missões mas também à reforma do Clero. Foi assim que nasceu a Congregação de Jesus e Maria, dos Padres Eudistas. Fundou também a Congregação de Nossa Senhora da Caridade, com o objetivo, entre outros, de regenerar mulheres perdidas. Foi grande propagandista da devoção aos Sagrados Corações de Jesus e Maria e combateu arduamente os erros do jansenismo.

20. São Bernardo de Claraval (+ 1153)

O "Doutor Melífluo" foi, sem dúvida, o monge mais afamado e de maior influência religiosa, cultural e política de seu século. Nasceu na Borgonha, de uma família nobre aparentada com os duques da Borgonha. Quando, ainda jovem, ingressou na recém fundada Abadia de Cister, que contava somente 20 monges, arrastou atrás de si, com seu exemplo e entusiasmo, um tio, quatro irmãos e 25 amigos, todos da nobreza. Dois anos depois foi mandado, por seu superior, para a fundação de um novo mosteiro, em Claraval. Em breve esse novo mosteiro já contava com 500 monges e se tinha tornado famoso em toda a Europa. 

Nos 38 anos que São Bernardo dirigiu, de Claraval, a Ordem cisterciense, esta cresceu até atingir 165 mosteiros, dentre os quais 68 fundados pessoalmente por ele. Pregou, por ordem do Papa Eugênio IV, a segunda Cruzada. Escreveu a regra para a Ordem dos Cavaleiros Templários. Era conselheiro espiritual de Papas, soberanos e prelados. Foi por conselho seu que D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, prestou vassalagem a São Pedro. É imensa sua obra intelectual, que lhe valeu o título de Doutor da Igreja. Muito devoto da Santíssima Virgem, deu grande desenvolvimento à Mariologia.

21. São Pio X (+ Roma, 1914)

Nascido numa humilde família do norte da Itália, foi com grande sacrifício que Giuseppe Sarto conseguiu estudar e ordenar-se sacerdote. De grande inteligência e ainda maior piedade, fez uma carreira eclesiástica brilhante, sendo sucessivamente coadjutor de paróquia rural, pároco, cônego da Catedral de Treviso, bispo de Mântua, cardeal-patriarca de Veneza e, por fim, Papa. Seu lema, "Tudo restaurar em Cristo", acompanhou-o desde a humilde aldeiazinha em que começou a trabalhar até o sólio de São Pedro.

Seu Pontificado foi dos mais fecundos da História da Igreja. Foi chamado o "Papa da Eucaristia", pois incentivou a prática da Comunhão freqüente e permitiu a Primeira Comunhão a crianças pequenas, tão logo atingissem o uso da razão. Restaurou o canto gregoriano, ordenou a codificação do Direito Canônico, reformou a Cúria Romana e o Breviário, defendeu os direitos da Igreja lesados por governos anticatólicos e, sobretudo, foi o Papa que fulminou a grande heresia de nosso século, o modernismo, chamado por ele "a síntese de todas as heresias". Foi canonizado em 1954.

22. Nossa Senhora Rainha

Neste dia se celebra a Festa de Nossa Senhora enquanto Rainha do Céu e da Terra. Antigamente, era a 31 de maio que se celebrava a Realeza de Maria, mas a última reforma do Calendário litúrgico transferiu essa celebração para a oitava da Assunção, no mesmo dia anteriormente consagrado ao Imaculado Coração de Maria.

23. Santa Rosa de Lima (+ Lima, 1617)

O Peru constituiu, no século XVII, um verdadeiro viveiro de santos. Santa Rosa de Lima, Padroeira oficial da América Latina e das Filipinas, embora sem ingressar num convento, viveu de acordo com a mais estrita perfeição religiosa, em oração e em penitências contínuas. Recebeu graças místicas extraordinárias. Foi perseguida pelo demônio mas, em contrapartida, tinha freqüentes conversações com Nossa Senhora e com seu Anjo da Guarda. Pertenceu à Ordem Terceira de São Domingos e faleceu aos 31 anos de idade. 

24. São Bartolomeu (+ séc. I)

Também chamado Natanael, recebeu de Nosso Senhor Jesus Cristo um elogio magnífico: "Eis um verdadeiro israelita no qual não há fraude" (São João, 1,47). Já na ocasião em que o Apóstolo São Filipe o apresentava ao Mestre, São Bartolomeu reconheceu a realeza e a divindade de Jesus Cristo: "Mestre, tu és o Filho de Deus, és o Rei de Israel" (id., 1,49). Segundo a Tradição, São Bartolomeu foi martirizado no Oriente, para onde levou o Evangelho.

25. São Luís IX, Rei da França (+ Tunísia, 1270)

Embora o calendário litúrgico registre considerável número de monarcas santos, talvez nenhum deles tenha realizado de modo tão completo a imagem ideal de Rei cristão quanto São Luís IX. Herdou a coroa com 12 anos, assumindo a regência sua mãe D. Branca de Castela, dama de excepcionais virtudes. Dizia ela ao filho que preferia mil vezes vê-lo morto a vê-lo manchado por um pecado mortal. Fiel aos ensinamentos maternos, São Luís foi sempre homem de muita oração e piedade. Era modelo de governante, de guerreiro e de legislador. 

Considerava um dos principais deveres do monarca fazer justiça aos súditos, e por isso costumava sentar-se todos os dias à sombra de um carvalho, e ali atendia a todos os queixosos que se apresentassem, qualquer que fosse a condição social deles. Realizou duas Cruzadas para libertar a Terra Santa da opressão maometana, e morreu durante a segunda delas, vitimado pela peste. 

Tão grande era seu prestígio moral que, tendo caído prisioneiro dos maometanos, estes o tomavam como juiz para resolver pendências que tinham entre si. Mandou construir em Paris a Sainte Chapelle, um dos mais belos monumentos da arquitetura medieval, para guardar a Coroa de espinhos de Nosso Senhor. Foi casado com Margarida da Provença, da qual teve onze filhos. 

Em 1864, o Príncipe Gastão de Orléans, Conde d'Eu, que trazia em suas veias o sangue de seu antepassado São Luís, casou com a Princesa Isabel, filha do Imperador D. Pedro II e herdeira do trono do Brasil. Em conseqüência desse casamento, a Família Imperial do Brasil tem a glória de descender, por linha direta, varonil e legítima, do grande rei cruzado.

26. Micaela do Santo Sacramento (+ Valência, Esp., 1865)

Nascida em Madri, possuía o título de Viscondessa de Jorbalán e empregou toda a sua fortuna em obras de misericórdia. Fundou a Congregação das Senhoras Adoradoras e Escravas do Santíssimo Sacramento, destinada a acolher pecadoras públicas arrependidas. Estendeu sua obra a várias cidades espanholas. Morreu vitimada pela cólera, a que se expusera voluntariamente para ir assistir em Valência a suas filhas espirituais atingidas pela epidemia.

27. Santa Mônica (+ Óstia, Itália, 387)

Foi modelo de esposa e de mãe. Conseguiu, com suas orações e seu bom exemplo, converter o marido pagão, que lhe era infiel e tinha gênio muito difícil. Conseguiu também converter o filho, que foi adepto da heresia maniquéia e teve vida devassa, mas transformou-se depois no grande Santo Agostinho, bispo de Hipona e Doutor da Igreja. 

28. Santo Agostinho (+ Hipona, 430)

Nascido na cidade africana de Tagaste, depois de uma juventude viciosa e cheia de desvios doutrinários, converteu-se por influência de Santo Ambrósio, bispo de Milão, e sobretudo graças às orações e lágrimas de sua mãe Santa Mônica. Ordenado sacerdote, foi durante 34 anos bispo de Hipona, no norte da África. Além de pastor dedicado e zeloso, foi intelectual brilhantíssimo, dos maiores gênios já produzidos em dois mil anos de História da Igreja. Escreveu numerosas obras de Filosofia, Teologia e Espiritualidade, que exerceram e ainda exercem enorme influência. Combateu vigorosamente as heresias de seu tempo. De Santo Agostinho, disse o Papa Leão XIII: "É um gênio vigoroso que, dominando todas as ciências humanas e divinas, combateu todos os erros de seu tempo".  

29. Martírio de São João Batista (séc. I) 

Neste dia a Igreja celebra a morte santa de São João Batista, o Precursor de Nosso Senhor Jesus Cristo, que fora santificado ainda no seio materno por ocasião da Visitação de Nossa Senhora a sua prima Santa Isabel. São João Batista, inflexível ao condenar a vida escandalosa de Herodes com sua cunhada Herodíades, foi por isso degolado.

30. São Félix e Santo Adauto (+ início séc. IV)

Segundo uma antiga narrativa, durante o reinado de Diocleciano São Félix era sacerdote e foi condenado à morte por ser cristão. Quando estava sendo conduzido para a execução, um homem desconhecido se aproximou da escolta militar que o cercava e declarou ser também cristão. Foram, por isso, degolados os dois juntos. Como era desconhecido o nome do segundo mártir, os fiéis lhe deram o nome de Adauto, que significa adicionado.


31. São Raimundo Nonato (+ Cardona, 1240)

Ingressou, com 24 anos, na Ordem dos Mercedários, destinada ao resgate de cativos. Ofereceu-se voluntariamente para ficar escravo entre os mouros, a fim de permitir a libertação de um católico que estava periclitando na fé. Visava também exercer seu ministério entre os demais pobres cativos e, mais ainda, pregar a Religião católica aos próprios maometanos. Para impedi-lo de pregar, os mouros lhe furaram os lábios com um ferro quente, e mantinham sua boca fechada com um cadeado. Passou oito meses prisioneiro, sofrendo atrozmente. Depois de libertado, foi nomeado cardeal, em reconhecimento pelos seus méritos. Faleceu com apenas 36 anos. Recebeu o nome de Nonato (do latim non natus, isto é, não nascido) porque sua mãe morreu antes de dá-lo à luz e ele precisou ser extraído do corpo já inerte da mãe. É por isso invocado como padroeiro das parturientes e das parteiras.




sábado, 21 de julho de 2018

Oração contra feitiço


✝︎ "Por Emanuel que é o nome de Deus Pai Todo Poderoso, (fulano - dizer o nome da pessoa sob efeito de feitiço), se te puseram alguma feitiçaria nos cabelos da cabeça, ou roupa do seu corpo, ou sua própria figura, ou roda do corpo, ou seda, ou lã, ou algodão, ou casas feitas de cera, ou parede de cal, ou em sapo, ou sapa, ou osso de criatura humana, ou de herege, ou salamantega, ou outras coisas que se possa fazer feitiço, ou em comida, ou em bebida, ou terra do pé esquerdo ou direito, outras coisas que se possa fazer feitiço, isso seja desfeito e desligado do corpo do (fulano).

Santos e santas, santo Agostinho e nome, que faça as bruxas, servas do demônio, que tudo seja desfeito e desligado do corpo de (fulano).

Santos e santas, santo Agostinho, que tirei com as bruxas que sirva do demônio, que tudo seja desfeito e desligado do corpo de (fulano).

Por Emanuel que é o nome de Deus Pai Todo Poderoso, nascido por obra e graça do Divino Espírito Santo e todos os santos da corte do céu, e da terra que me valha pelo amor de Deus.

Amém!"

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Fonte: “Oração contra feitiço”. Comércio de Franca. Franca, 01 de dezembro de 1960

Ao deitar-se, reze ✝︎

"Com Deus eu deito,
Com Deus eu me levanto,
Com a graça de Deus e do Espírito Santo
Jesus filho da Virgem Maria me acompanha esta noite e todo dia.
Vós me olha e me guia
Meu anjo da guarda me ampara e me guia.
Qual é a maior luz? Jesus.
Qual é a maior guia? Maria.
Qual é o maior patrão? José.
Assim como esta verdade é, valei-me meu Jesus, Maria José."


quarta-feira, 15 de julho de 2015

Se o santo não é onisciente, como ouve nossas orações?




Em tempos de crise financeira, aumenta – e muito – o trabalho celestial de Santa Edwiges, a padroeira dos endividados! Neste exato momento, não é difícil imaginar a santa recebendo orações de várias cidades do país, e tudo ao mesmo tempo. Mas como uma simples serva de Deus, que não é onisciente, pode escutar todas essas súplicas?

Os santos no Céu podem ouvir nossas súplicas porque Deus permite e o quer. Deus basta a Si mesmo, e não precisa de criatura alguma para nada, mas ELE QUER PRECISAR. Assim, é bastante razoável que os membros do Corpo de Cristo participem de Seus divinos dons, especialmente aqueles membros que alcançaram elevado grau de santidade, e por isso estão mais perfeitamente unidos a Deus.

Jesus mesmo garantiu isso:
“Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas…” (João 14,12)
Só Deus é onisciente. Portanto, os santos falecidos não possuem o conhecimento pleno sobre todas as coisas do Universo, nem ouvem tudo o que as pessoas pensam ou falam. Mas, conforme a vontade e os planos de Deus, aos santos é dada a permissão de ouvir o clamor dos fiéis que invocam seus nomes, seja este clamor elevado com a voz ou com o simples pensamento.
“Convenhamos que os mortos ignoram o que acontece na terra, pelo menos no momento em que ocorrem. (…) Certamente, não ficam sabendo de tudo, mas apenas aquilo que lhe for autorizado saber e que têm necessidade de saber. (…) 
“As almas dos mortos também podem conhecer alguns acontecimentos aqui da terra por revelação do Espírito Santo, acontecimentos estes cujo conhecimento seja necessário. E isto não se restringe somente a fatos passados ou presentes, mas também futuros. É assim que os homens – não todos, mas apenas os profetas – conheceram durante sua vida mortal, não todas as coisas, mas apenas aquelas que a Providência Divina julgava bom lhes revelar.” 
- Santo Agostinho, “O cuidado devido aos mortos”
Esse dom, é bom lembrar, não é exclusivo dos santos falecidos: até mesmo na terra alguns cristãos tiveram o dom da visão dado por Deus, o dom de ver a necessidade de outras pessoas, mesmo pessoas desconhecidas e que estavam em lugares muito distantes. Por exemplo: a visão que Paulo teve do macedônio pedindo ajuda, suplicando o anúncio do Evangelho em sua terra (Atos 16).

Viver a devoção aos santos de forma verdadeiramente católica, sem superstições perniciosas, é importantíssimo em nossa caminhada de santidade. É a vivência do grande mistério da comunhão dos fiéis com Deus e uns com os outros! Por meio dessa intercessão fraterna, todos os membros do Corpo de Cristo participam da mediação do único mediador, Jesus Cristo.

Fonte: Aleteia / O Catequista

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domingo, 28 de agosto de 2011

Santo Agostinho ☧ 28 de Agosto

Oração de Santo Agostinho  "Tarde vos amei, ó beleza tão antiga e tão nova, Tarde vos amei! Eis que habitáveis dentro de mim, e eu lá fora procurando-vos! Disforme, lançava-me sobre estas formosuras que criastes. Estáveis comigo, e eu não estava convosco!  Retinha-me longe de Vós aquilo que não existia se não existisse em Vós. Porém, chamastes-me com uma voz tão forte que rompestes a minha surdez!  Brilhastes, cintilantes, e logo afugentastes a minha cegueira!  Exalastes perfume: Respirei-o suspirando por Vós. Tocastes-me e ardi no desejo de Vossa paz!  Só na grandeza de Vossa misericórdia coloco toda a minha esperança. Dai-me o que me ordenais, e ordenai-me o que quiserdes.  Que assim seja!"

Aurélio Agostinho, nasceu, no dia 13 de Novembro de 354, na cidade de Tagaste, hoje região da Argélia, na África. Fez sua passagem para o mundo espiritual em Hipona, no dia 28 de agosto de 430. 

Foi o primogênito de Patrício, um pequeno proprietário de terras, pagão. Sua mãe, ao contrário, era uma devota cristã, que agora celebramos como Santa Mônica, no dia 27 de Agosto. Mônica procurou criar o filho no seguimento de Cristo. Não foi uma tarefa fácil. Aliás, ela até adiou o seu batismo, receando que ele o profanasse. 

Mas a exemplo do provérbio que diz que "a luz não pode ficar oculta", ela entendeu que Agostinho era essa luz.

Aos dezesseis anos de idade, na exuberância da adolescência, foi estudar fora de casa. Na oportunidade, envolveu-se com a heresia maniqueísta e também passou a conviver com uma moça cartaginense, que lhe deu, em 372, um filho, Adeodato. Assim era Agostinho, um rapaz inquieto, sempre envolvido em paixões e atitudes contrárias aos ensinamentos da mãe e dos cristãos. 

Possuidor de uma inteligência rara, depois da fase de desmandos da juventude centrou-se nos estudos e formou-se, brilhantemente, em retórica. Excelente escritor dedicou-se à poesia e à filosofia.

Procurando maior sucesso, Agostinho foi para Roma, onde abriu uma escola de retórica. Foi convidado para ser professor dessa matéria e de gramática em Milão. O motivo que o levou a aceitar o trabalho em Milão era poder estar perto do agora santo bispo Ambrósio, poeta e orador, por quem Agostinho tinha enorme admiração. Assim, passou a assistir aos seus sermões. 

Primeiro, seu interesse era só pelo conteúdo literário da pregação; depois, pelo conteúdo filosófico e doutrinário. Aos poucos, a pregação de Ambrósio tocou seu coração e ele se converteu, passando a combater a heresia maniqueísta e outras que surgiram. Foi batizado, junto com o filho Adeodato, pelo próprio bispo Ambrósio, na Páscoa do ano de 387. Portanto, com trinta e três e quinze anos de idade, respectivamente.

Nessa época, Agostinho passou por uma grande provação: seu filho morreu. Era um menino muito inteligente, a quem dedicava muita atenção e afeto. Decidiu, pois, voltar com a mãe para sua terra natal, a África, mas Mônica também veio a falecer, no porto de Óstia, não muito distante de Roma. 

Depois do sepultamento da mãe, Agostinho prosseguiu a viagem, chegando a Tagaste em 388. Lá, decidiu-se pela vida religiosa e, ao lado de alguns amigos, fundou uma comunidade monástica, cujas Regras escritas por ele deram, depois, origem a várias Ordens, femininas e masculinas.

Porém o então bispo de Hipona decidiu que "a luz não devia ficar oculta" e convidou Agostinho para acompanhá-lo em suas pregações, pois já estava velho e doente. Para tanto ele consagrou Agostinho sacerdote e, logo após a sua morte, em 397, Agostinho foi aclamado pelo povo como novo bispo de Hipona.

Por trinta e quatro anos Agostinho foi bispo daquela diocese, considerado o pai dos pobres, um homem de alta espiritualidade e um grande defensor da doutrina de Cristo. Na verdade, foi definido como o mais profundo e importante filósofo e teólogo do seu tempo. Sua obra iluminou quase todos os pensadores dos séculos seguintes. Escreveu livros importantíssimos, entre eles sua autobiografia, "Confissões", e "Cidade de Deus".

Agostinho é uma das figuras mais importantes no desenvolvimento do cristianismo no Ocidente. Em seus primeiros anos, Agostinho foi fortemente influenciado pelo maniqueísmo e pelo neoplatonismo de Plotino, mas depois de tornar-se cristão (387), ele desenvolveu a sua própria abordagem sobre filosofia e teologia e uma variedade de métodos e perspectivas diferentes. 

Ele aprofundou o conceito de pecado original dos padres anteriores e, quando o Império Romano do Ocidente começou a se desintegrar, desenvolveu o conceito de Igreja como a cidade espiritual de Deus (em um livro de mesmo nome), distinta da cidade material do homem. Seu pensamento influenciou profundamente a visão do homem medieval. A Igreja se identificou com o conceito de "Cidade de Deus" de Agostinho, e também a comunidade que era devota de Deus.

Depois de uma grave enfermidade, morreu amargurado, aos setenta e seis anos de idade, em 28 de Agosto de 430, pois os bárbaros haviam invadido sua cidade episcopal. Em 725, o seu corpo foi transladado para Pavia, Itália, sendo guardado na igreja São Pedro do Céu de Ouro, próximo do local de sua conversão. Santo Agostinho recebeu o honroso título de doutor da Igreja e é celebrado no dia de sua passagem para o plano espiritual.



Oração de Santo Agostinho

"Tarde vos amei, ó beleza tão antiga e tão nova, Tarde vos amei!
Eis que habitáveis dentro de mim, e eu lá fora procurando-vos!
Disforme, lançava-me sobre estas formosuras que criastes. Estáveis comigo, e eu não estava convosco!

Retinha-me longe de Vós aquilo que não existia se não existisse em Vós. Porém, chamastes-me com uma voz tão forte que rompestes a minha surdez!

Brilhastes, cintilantes, e logo afugentastes a minha cegueira!

Exalastes perfume: Respirei-o suspirando por Vós. Tocastes-me e ardi no desejo de Vossa paz!

Só na grandeza de Vossa misericórdia coloco toda a minha esperança. Dai-me o que me ordenais, e ordenai-me o que quiserdes.

Que assim seja!"

Oração de Santo Agostinho II

"Diante de Vós, Senhor, apresentamos o fardo dos nossos crimes e simultaneamente as feridas que por causa deles recebemos.

Se pensarmos no mal que fizemos, é bem pouco o mal que sofremos e muito maior o que merecemos. Foi grave o que ousamos cometer e leve o que agora sofremos. Sentimos que é dura a pena do pecado e no entanto não nos decidimos deixar a ocasião dele. 

A nossa fraqueza geme esmagada sob o peso dos castigos com que nos punis justamente, e a nossa maldade não quer se desfazer dos seus caprichos. O espírito anda atormentado, mas a cerviz não se verga.

A nossa vida suspira no meio das dores e não nos corrigimos.

Se contemporizardes conosco, não nos emendamos, e se tirais de nós vingança, gritamos que não podemos. Se nos castigais, sabemos declarar que somos réus, mas se afastais por um pouco a Vossa ira, esquecemos logo o que deploramos.

Se levantardes a mão, logo prometemos a emenda, se retirais a espada, já nos esquecemos da promessa. Se nos feris, gritamos que nos perdoeis, se nos perdoais logo entramos de Vos provocar. Tendes-nos aqui, Senhor, diante de Vós, confessamos os nossos pecados; se Vos não amerceais de nós, aniquilar-nos-á a Vossa justiça.

Concedei-nos Pai onipotente, o que sem merecimento algum de nossa parte Vos pedimos, Vós que nos tirastes do nada. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Amém."

Fonte: Apostolado Sociedade Católica: Oração de Santo Agostinho: http://www.sociedadecatolica.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=151


Algumas Frases e Pensamentos atribuídos a Santo Agostinho

"Se dois amigos pedirem para você julgar uma disputa, não aceite, pois você irá perder um amigo. Porém, se dois estranhos pedirem a mesma coisa, aceite, pois você irá ganhar um amigo."

"Milagres não são contrários à natureza, mas apenas contrários ao que entendemos sobre a natureza."

"Certamente estamos na mesma categoria das bestas; toda ação da vida animal diz respeito a buscar o prazer e evitar a dor."

"Se você acredita no que lhe agrada nos evangelhos e rejeita o que não gosta, não é nos evangelhos que você crê, mas em você."

"Ter fé é acreditar nas coisas que você não vê; a recompensa por essa fé é ver aquilo em que você acredita."

"A pessoa que tem caridade no coração tem sempre qualquer coisa para dar."

"A confissão das más ações é o passo inicial para a prática de boas ações."

"A verdadeira medida do amor é não ter medida."

"Orgulho não é grandeza, mas inchaço. E o que está inchado parece grande, mas não é sadio."

"O orgulho é a fonte de todas as fraquezas, por que é a fonte de todos os vícios."

"O supérfluo dos ricos é propriedade dos pobres."

"Ter fé é assinar uma folha em branco e deixar que Deus nela escreva o que quiser."

"Há pessoas que desejam saber só por saber, e isso é curiosidade; outras, para alcançarem fama, e isso é vaidade; outras, para enriquecerem com a sua ciência, e isso é um negócio torpe; outras, para serem edificadas, e isso é prudência; outras, para edificarem os outros, e isso é caridade."

"Ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos."

"Nem o futuro nem o presente existem. Nem se pode dizer que o tempos são três  passado, presente e futuro. Talvez fosse melhor dizer que os tempos são: o presente do passado; o presente do presente; o presente do futuro. E estes estão na alma; não os vejo alhures. O presente do passado é a memória, o presente do presente é a percepção, o presente do futuro é a expectativa."

"Um Sábio da Antigüidade vos disse: Conhece-te a ti mesmo!"
E VIVA SANTO AGOSTINHO, O APÓSTOLO DA INTELIGÊNCIA!!!

Oração de Santo Agostinho para as almas

"Dulcíssimo Jesus meu, que para redimir ao mundo quisestes nascer, ser circuncidado, desprezado pelos judeus, entregado com o beijo de Judas, atado com cordas, levado ao suplício, como inocente cordeiro; apresentado ante Anás, Caifás, Pilatos e Herodes; cuspido e acusado com falsos testemunhos; esbofeteado, carregado de opróbrios, despedaçado com açoites, coroado de espinhos, golpeado com a cana, coberto o rosto com uma púrpura por zombaria; desnudado afrontosamente, cravado na cruz e levantado nela, posto entre ladrões, como um deles, dando-vos a beber fel e vinagre e ferido o Coração com a lança. 

Livrai, Senhor, por tantas e tantas acerbadíssimas dores que haveis padecido por nós, as almas do purgatório das penas em que estão; levando-as a descansar na vossa Santíssima Glória, e salvai-nos, pelos méritos de vossa Sagrada Paixão e por vossa morte de cruz, das penas do inferno para que sejamos dignos de entrar na posse daquele Reino, onde levastes ao bom ladrão, que foi crucificado convosco.

Vós que viveis e reinais com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. 

Amém!"

Oração a Santo Agostinho, para alcançar a salvação

"Socorrei-me, Senhor e vida minha, a fim de que não venha a morrer na minha maldade. Se não me criásseis, não existiria; criastes-me, passei a existir; se não me dirigirdes, cessarei de existir.

Não foram encantos ou méritos meus que vos compeliram a dar-me o ser, senão a vossa infinita munificência. Suplico-Vos, pois, que aquele mesmo amor que Vos compeliu à minha criação, possa igualmente compelir-Vos a reger-me; porquanto, que aproveita haver-Vos o vosso amor compelido a criar-me, se eu morrer na minha miséria, privado da direção de vossa destra?

Obrigue-Vos, Senhor, a salvar-me essa mesma clemência que Vos levou a tirar do nada o que jazia no nada; vença-Vos em libertar-me a caridade que Vos venceu em criar-me, pois não é hoje menor este vosso atributo do que era então.

A caridade sois Vós mesmos, que sempre sois e não mudais. Não se Vos encurtou a mão, que não possais salvar-me; nem se Vos endureceu o ouvido, que não mais Vos seja dado ouvir-me.

Amém!"

Oração ao Divino Espírito Santo, composta por Santo Agostinho

"Divino amor, ó vínculo sagrado que unis o Pai e o Filho, Espírito onipotente, fiel consolador dos aflitos, penetrai nos abismos profundos de meu coração e fazei aí brilhar vossa resplandecente luz.

Derramai vosso doce orvalho sobre esta terra deserta, a fim de fazer cessar sua longa aridez.

Enviai os dardos celestes de vosso amor até o santuário de minha alma, de modo que nela penetrando acendam chamas ardentes que consumam todas as minhas fraquezas, minhas negligências e meus langores.

Vinde, vinde doce Consolador das almas desoladas, refúgio no perigo e protetor na aflição desamparada.

Vinde, Vós que lavais as almas de suas sordícies e que curais suas chagas.

Vinde, força dos fracos, apoio daqueles que caem.

Vinde, doutor dos humildes e vencedor dos orgulhosos.

Vinde, pai dos órfãos, esperança dos pobres, tesouro dos que estão na indigência.

Vinde, estrela dos navegantes, porto seguro dos náufragos.

Vinde, força dos vivos e salvação dos moribundos.

Vinde, ó Espírito Santo, vinde e tende piedade de mim. Tornai minha alma simples, dócil e fiel, e condescendei com minha fraqueza. Condescendei com tanta bondade, que minha pequenez ache graça diante de vossa grandeza infinita, minha impotência diante de vossa força, minhas ofensas diante da multidão de vossas misericórdias. 

Amém!"

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Santo Agostinho, apóstolo da inteligência, rogai por nós!

sábado, 27 de agosto de 2011

Santa Mônica ☧ 27 de Agosto

Santa Mônica de Hipona - 331 / 387 - é uma considerada santa cristã e mãe de santo Agostinho de Hipona. A sua festa se realiza em 27 de agosto.

Foi modelo de esposa e de mãe. Conseguiu, com suas orações e seu bom exemplo, converter o marido, que lhe era infiel, não acreditava em Deus e tinha gênio muito difícil.


Conseguiu também despertar seu filho - antes foi adepto da heresia maniquéia e teve vida devassa - para a Fé, que, mais tarde transformou-o no grande Santo Agostinho, bispo de Hipona e Doutor da Igreja Católica.

Segundo conta a lenda, Mônica casou-se aos dezessete ou dezoito anos de idade, com Patrício, o casal ocupava uma posição social avantajada, mas memso assim ela não era feliz no casamento. Seu marido lhe era infiel  e isso atingia diretamente seu ideal, cristão, de boa esposa e mãe.

Apesar disso, Mônica jamais teria criado qualquer discórdia por este motivo. Converteu-se ao cristianismo com 33 anos de idade, e desde então passou a dedicar-se de corpó e alma a conversão do filho, Agostinho.

Santo Agostinho considerava sua mãe como a "intermediária" entre ele e Deus. Durante a adolescência de Agostinho até ao seu batismo, Mônica vivia chorando e lamentando a vida de abusos materiais do filho, e orava fervorosamente para que ele encontrasse a verdadeira "fé".

Agostinho atribuiu a um sonho de sua mãe seu passo definitivo à "confirmação" de sua vocação religiosa, assim Mônica tornou-se a responsável pelo destino cristão do filho.

A partir disso o filho vê a mãe de forma santificada, mas reconhece o fardo feminino que ela carrega, já que nos primórdios da Igreja Católica, a mulher era vista entre dois extremos, o da exaltação e da condenação, devido à face maniqueísta desta religião.

A "parte boa" do sexo feminino era representada por Maria e a "parte ruim", que se entrega à tentação, representada por Eva. Foi dessa forma que Mônica foi vista por seu filho e pela Igreja Católica.

Santa Mônica teria desencarnado aos 56 anos de idade - em 387 d.C. - mesmo ano da conversão de seu filho ao cristianismo. Seus restos mortais foram encontrados em 1430 e transferido para Roma, onde mais tarde foi erguida uma igreja em sua homenagem.

Mônica foi canonizada não por ter operado milagres ou por ser mártir, mas sim por seu amoroso trabalho na conversão de seu filho, ensinado-lhe as condutas cristãs, a moral, pudor e mansidão, mostrando a intervenção feminina - através da oração e da fé - no seio da família, meio pelo qual levou a vida religiosa ao filho.

Nas viagens mediterrâneas de Agostinho, Mônica confortou os marinheiros, eles oravam a ela pedindo uma chegada a salvo em seu porto de destino.
"Era ela que, nos riscos dos mares, incutia coragem aos próprios marinheiros que costumavam animar os inexperientes navegadores do abismo, quando se perturbam: prometia-lhes a chegada a salvamento, porque Vós, em visão, lho havíeis prometido" ( Santo Agostinho ~ Confissões, p. 131) -, e pacientemente aguardou até o último momento a conversão de seu filho amado: "respondeu-me ... que esperava ver em Cristo que, antes de partir desta vida me havia de ver fiel católico" (Santo Agostinho - Confissões, p. 132).


Oração à Santa Mônica

"Ó Esposa e Mãe exemplar, Santa Mônica:   Tu que experimentastes as alegrias e as dificuldades da vida conjugal; Tu que conseguiste levar à fé teu esposo Patrício, homem de caráter desregrado e irascível; Tu que chorastes tanto e oraste dia e noite por teu filho Agostinho e não o abandonaste mesmo quando te enganou e fugiu de ti.  Intercede por nós, ó grande Santa, para que saibamos transmitir a fé em nossa família; para que amemos sempre e realizemos a paz.  Ajuda-nos a gerar nossos filhos também à vida da Graça; conforta-nos nos momentos de tristeza e alcaça-nos da Santíssima Virgem, Mãe de Jesus e Mãe nossa, a verdadeira paz e a Vida Feliz, que assim seja.   Santa Mônica, rogai por nós.   Amém!"

"Ó Esposa e Mãe exemplar, Santa Mônica:


Tu que experimentastes as alegrias e as dificuldades da vida conjugal;
Tu que conseguiste levar à fé teu esposo Patrício, homem de caráter desregrado e irascível;
Tu que chorastes tanto e oraste dia e noite por teu filho Agostinho e não o abandonaste mesmo quando te enganou e fugiu de ti.

Intercede por nós, ó grande Santa, para que saibamos transmitir a fé em nossa família; para que amemos sempre e realizemos a paz.

Ajuda-nos a gerar nossos filhos também à vida da Graça; conforta-nos nos momentos de tristeza e alcaça-nos da Santíssima Virgem, Mãe de Jesus e Mãe nossa, a verdadeira paz e a Vida Feliz, que assim seja.


Santa Mônica, rogai por nós.


Amém!"

Oração à Santa Mônica e Santo Agostinho
Para pedir a conversão de um filho(a)

"Ó Santa Mônica, que pela oração e pelas lágrimas, alcançastes de Deus a conversão de vosso filho transviado, depois santo, Santo Agostinho, olhai para o meu coração, amargurado pelo comportamento de meu filho desobediente, rebelde e inconformado, que tantos dissabores causou ao meu coração e a toda a família.   Que vossas orações se juntem com as minhas, para comover o bom Deus, a fim que ele faça meu filho(a) entrar em si e voltar ao bom caminho.  Santa Mônica, fazei que o Pai do céu chame de volta à casa paterna o filho pródigo. Dai-me esta alegria e eu serei agradecido(a).  Santo Agostinho, rogai por nós.  Santa Mônica, atendei-me.  Que assim seja!"

"Ó Santa Mônica, que pela oração e pelas lágrimas, alcançastes de Deus a conversão de vosso filho transviado, depois santo, Santo Agostinho, olhai para o meu coração, amargurado pelo comportamento de meu filho desobediente, rebelde e inconformado, que tantos dissabores causou ao meu coração e a toda a família. 

Que vossas orações se juntem com as minhas, para comover o bom Deus, a fim que ele faça meu filho(a) entrar em si e voltar ao bom caminho.

Santa Mônica, fazei que o Pai do céu chame de volta à casa paterna o filho pródigo. Dai-me esta alegria e eu serei agradecido(a).

Santo Agostinho, rogai por nós.

Santa Mônica, atendei-me.

Que assim seja!"

Fontes/Referências:
www.ricardocosta.com/pub/stamon.ht - www.sintoniasaintgermain.com.br/santas.html -  www.quiosqueazul.com.br/2009/08/santa-monica-santo-agostinho.html

sábado, 5 de junho de 2010

A identidade jamais revelada do Espírito de Verdade

A identidade jamais revelada do Espírito de Verdade


MARCELO BORELA DE OLIVEIRA
De Londrina

A primeira manifestação ostensiva do Espírito de Verdade ao professor Hippolyte Léon Denizard Rivail ocorreu em sua casa no dia 25/3/1856 através de pancadas. O relato que se segue se baseia nas próprias palavras do Codificador do Espiritismo.



A 25 de março de 1856 estava Allan Kardec em seu escritório, trabalhando no preparo d' O Livro dos Espíritos, quando ouviu ressoarem pancadas repetidas na parede. Ele procurou, sem sucesso, a causa dos ruídos e voltou ao trabalho. Sua mulher, Amélie, entrando cerca das 10 horas no escritório, ouviu os mesmos ruídos. De novo, procuraram localizar a causa do barulho, sem nenhum resultado, e as coisas foram se repetindo de tal modo que bastava Kardec voltar à tarefa e as pancadas se faziam ouvir em diferentes pontos da sala. 

No dia seguinte, na reunião que se realizava na casa do sr. Baudin, Kardec pediu aos Espíritos explicação para o fato. 

Eis como ele mesmo transcreveu em "Obras Póstumas" o diálogo que então se verificou:

"– Ouvistes o fato que acabo de narrar. Podereis dizer-me a causa dessas pancadas que se fizeram ouvir com tanta insistência?
– Era o teu Espírito familiar.
– Com que fim vinha ele bater assim?
– Queria comunicar-se contigo.
– Podereis dizer-me o que queria ele?
– Podes perguntar a ele mesmo, porque está aqui.
– Meu Espírito familiar, quem quer que sejais, agradeço-vos terdes vindo visitar-me. Quereis ter a bondade de dizer-me quem sois?
– Para ti chamar-me-ei Verdade, e todos os meses, durante um quarto de hora, estarei aqui à tua disposição.
– Ontem, quando batestes, enquanto eu trabalhava, tínheis alguma coisa de particular a dizer-me?
– O que eu tinha a dizer-te era sobre o trabalho que fazias. O que escrevias me desagradava e eu queria fazer-te parar.
– A vossa desaprovação versava sobre o capítulo que eu escrevia, ou sobre o conjunto do trabalho?
– Sobre o capítulo de ontem: faço-te juiz dele. Torna a lê-lo esta noite e reconhecerás os erros e os corrigirás.
– Eu mesmo não estava muito satisfeito com esse capítulo e o refiz hoje. Está melhor?
– Está melhor, mas não muito bom. Lê da 3a à trigésima linha e reconhecerás um grave erro.
– Rasguei o que tinha feito ontem.
– Não importa. Essa inutilização não impede que subsista o erro. Relê e verás."

Jobard e Sanson vêem o Espírito de Verdade – Dois anos depois, Kardec anotaria em uma de suas obras: “Tendo eu interrogado esse Espírito, ele se deu a conhecer sob um nome alegórico (eu soube, depois, por outros Espíritos, que fora o de um ilustre filósofo da Antiguidade).”(Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, Edicel, pp. 227 e 228.) 

A respeito do assunto, vale a pena consultar o volume da Revista Espírita de 1862, pp. 72 e 172,  bem como o livroKardec, Irmãs Fox e Outros, de Jorge Rizzini, pp. 11 e 12, após o que será fácil concluir, com apoio no que o próprio Codificador registrou:

1o. O Espírito de Verdade não é Jesus, mas um Espírito familiar de Allan Kardec. Como sabemos, a expressão “Espírito familiar” está definida com clareza na obra da codificação, que nos ensina, na questão 514 d´O Livro dos Espíritos, que o Espírito familiar é alguém da família espiritual, é “o amigo da casa”.

2o. O Espírito de Verdade foi um filósofo na Antiguidade, cujo verdadeiro nome terreno ele não quis declinar, provavelmente porque sua divulgação não traria à obra em curso nenhum proveito. Lembremos também que o Codificador, ao assinar suas obras espíritas, ocultou seu verdadeiro nome, entendendo que usá-lo não traria vantagem ao trabalho e poderia mesmo prejudicá-lo.

3o. O Espírito de Verdade não é uma plêiade, uma falange, uma reunião de Espíritos superiores, mas uma individualidade espiritual, o que pôde ser comprovado quando Jobard e Sanson, então desencarnados, afirmaram tê-lo visto no recinto da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Aliás, reportando-se a esse Espírito, Kardec escreveu: “A qualificação de Espírito de Verdade não pertence senão a um só, e pode ser considerada como um nome próprio. Está especificada no Evangelho. Aliás, esse Espírito se comunica raramente e apenas em circunstâncias especiais” (Revista Espírita de 1866, pág. 221)

4o. Kardec jamais entendeu ou deu a entender que esse Espírito fosse o próprio Jesus, um equívoco que tem sido repetido por autores e palestrantes espíritas, sem nenhum fundamento. Para os que duvidam do que ora dizemos convidamos a que leiam o comentário que Kardec fez a propósito da comunicação atribuída a Jesus, inserta no item IX do cap. XXXI d´O Livro dos Médiuns.

O Espírito de Verdade em pessoa na Sociedade Espírita de Paris

Com respeito à individualidade do Espírito de Verdade, tema que jamais foi motivo de dúvida entre Kardec e seus seguidores, é interessante recordar os depoimentos de dois amigos do Codificador, expressos em reuniões realizadas na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.

Depois de sua desencarnação, o Sr. Jobard, confrade e amigo íntimo de Kardec, comunicou-se várias vezes na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, de cujas sessões participava então com freqüência, na condição agora de Espírito liberto das vestes físicas.

Em 11 de novembro de 1861, em resposta a uma pergunta de Kardec: “Vedes os Espíritos que aqui estão conosco?”, Jobard, valendo-se da médium Sra. Costel, respondeu o que segue:

“Vejo, principalmente, Lázaro e Erasto; depois, mais afastado, o Espírito de Verdade, planando no espaço; depois uma multidão de Espíritos amigos que vos cercam, agradecidos e benevolentes”. (Revista Espírita de 1862, pág. 72.)

Praticamente seis meses depois, em 2 de maio de 1862, o Sr. Sanson, amigo e companheiro de Kardec na Sociedade Espírita de Paris, recentemente desencarnado, também descreveria, a pedido do Codificador, o ambiente espiritual da Sociedade no momento das reuniões. Eis parte do diálogo que então se registrou:

Kardec: – Entre os Espíritos que aqui se acham vedes o nosso presidente espiritual São Luís?
Sanson: – “Está sempre ao vosso lado e, quando se ausenta, sabe sempre deixar um Espírito superior, que o substitui.”
Kardec: – Não vedes outros Espíritos?
Sanson: – “Perdão: o Espírito de Verdade, Santo Agostinho, Lamennais, Sonnet, São Paulo, Luís e outros amigos que evocais estão sempre nas vossas sessões.” (Revista Espírita de 1862, pág. 172.) (M.B.O.)


O Espírito de Verdade segundo Jorge Rizzini

A competência e a autoridade intelectual do confrade Jorge Rizzini, autor de inúmeras obras de grande importância para os estudiosos da Doutrina Espírita, não é preciso ser aqui lembrada. Dele é o excepcional livro Kardec, Irmãs Fox e Outros, que a EME Editora publicou em 1994.

Composta de 17 capítulos, a obra dedica parte do capítulo primeiro ao assunto de que ora tratamos, que é ali desdobrado em três partes: a questão da denominação da Entidade, a discussão da idéia de que o Espírito de Verdade seja uma falange de Espíritos e, por fim, a identidade do Espírito.

Espírito Verdade ou Espírito de Verdade?

1o. – No tocante ao pseudônimo que o Espírito de Verdade preferiu utilizar por ocasião da codificação do Espiritismo, Jorge Rizzini segue a opinião da maioria, que prefere grafá-lo “Espírito de Verdade”, diferentemente de Canuto Abreu, que lhe chamava simplesmente “Espírito Verdade”, omitindo a preposição “de”, assunto de que já tratamos neste jornal em julho último. É bom lembrar que Kardec também usava a forma preferida por Rizzini: L´Esprit de Vérité, como podemos ver na edição francesa de 1866 d´O Evangelho segundo o Espiritismo, tanto no prefácio como no cap. VI.  

Escreveu então Jorge Rizzini (obra citada, pág. 11): “Preferimos a tradição evangélica: ´Espírito de Verdade´. Além da tradição histórica, acrescentemos este fato decisivo: em uma das mensagens em língua francesa dirigidas a Allan Kardec o pseudônimo da Entidade crística aparece com a preposição, ou seja, Espírito de Verdade, de conformidade com o Novo Testamento”. 

Espírito de Verdade é o nome de uma falange?

2o. – Rizzini não aceita a idéia, que vez por outra ouvimos no meio espírita, de que o Espírito de Verdade seja uma falange, uma plêiade, uma reunião de Espíritos. 

Eis o que ele escreveu (obra citada, pág. 12): “O insigne Espírito de Verdade é uma individualidade! Lembremo-nos de que em sua primeira mensagem (psicografada em 1856 em Paris pelas irmãs Baudin) a Entidade afirmou, dirigindo-se a Allan Kardec: ' – Para ti, eu me chamarei A VERDADE...' 

“Note-se que a Entidade não escreveu: 'Nós' e, sim, conforme se lê em 'Obras Póstumas': 'Eu me chamarei A VERDADE'. 

“Outra prova da sua individualidade está no fato de que seu pseudônimo aparece nos prolegômenos de ´O Livro dos Espíritos` entre os nomes de Sócrates, Platão, Fénelon, Santo Agostinho, Erasto etc. Oferecemos, ainda, outra prova que reputamos, também, inquestionável. Abramos o livro ´O Céu e o Inferno`, edição da Edicel, página 167. Em uma sessão mediúnica dirigida por Allan Kardec e realizada na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas manifestou-se o Espírito Jobard, o qual fora presidente honorário daquela instituição e amigo particular do próprio Kardec. A certa altura do diálogo com Jobard perguntou Kardec:

– Vedes os Espíritos que aqui se encontram conosco?
– Vejo, sobretudo, Lázaro e Erasto. Depois, mais distanciado, o Espírito de Verdade que paira no espaço.”

Jesus e o Espírito de Verdade são a mesma pessoa?

3o. Com respeito à idéia de que o Espírito de Verdade seja o próprio Cristo, Jorge Rizzini é categórico (obra citada, pág. 12):
“Não. Se fosse, jamais teria dito aos apóstolos: ´... eu rogarei ao Pai e Ele vos enviará outro Consolador, para que fique eternamente convosco: o Espírito de Verdade.”

Os que pensam de forma contrária apóiam-se principalmente na semelhança de linguagem que se nota entre algumas comunicações assinadas pelo Espírito de Verdade e as palavras de Jesus constantes do Evangelho.

Esclarece então Jorge Rizzini:

“A semelhança de personalidade, e até de linguagem (uma é reflexo de outra), explica-se pelo fato de que a evolução de ambos pode apresentar o mesmo nível ou quase o mesmo. Recordemos que Jesus não disse que enviaria o Espírito de Verdade; o que o Mestre disse, e com ênfase, é que rogaria a Deus e o Pai, então, enviaria o Espírito de Verdade à Terra. O Espírito de Verdade foi um ilustre filósofo da Antiguidade. E, por ser puro, é que o insigne Espírito foi porta-voz do Cristo ao trazer para nosso planeta o Espiritismo...”

Com relação à notícia de que a mencionada Entidade fora um ilustre filósofo da Antiguidade, Rizzini faz a seguinte observação: 

“Dissemos que o Espírito de Verdade é um filósofo da Antiguidade. Essa informação encontra-se em uma obra de Kardec publicada em 1858 e que o Codificador jamais reeditou. Refiro-me ao livro 'Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas'. Examine o leitor as páginas 227-228 do volume 'Iniciação Espírita', das Obras Completas de Allan Kardec (1a edição) lançada pela Edicel Ltda., ou a página 91 da 2a edição de 'Instruções Práticas' publicada pela 'Livraria O Clarim', então sob a direção de Cairbar Schutel. Eis aí a revelação que Allan Kardec nos deu sobre o Espírito de Verdade: 'Tendo eu interrogado esse Espírito, ele se deu a conhecer sob um nome alegórico (eu soube, depois, por outros Espíritos, que fora o de um ilustre filósofo da Antiguidade)'.” 

Marcelo Borela de Oliveira

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