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domingo, 26 de julho de 2020

Os verdadeiros objetivos do Espiritismo, por Allan Kardec

Pela ocasião da passagem de ano no calendário Maia (26/07), o ano-novo galáctico, recordemos e memoremos os verdadeiros objetivos e preceitos do Espiritismo, que tem na união, amor e caridade suas principais bandeiras...


Pela ocasião da passagem de ano no calendário Maia (26/07), o ano-novo galáctico, recordemos e memoremos os verdadeiros objetivos e preceitos do Espiritismo, que tem na união, amor e caridade suas principais bandeiras... Em carta enviada por Allan Kardec à Sociedade Espírita de Lyon, por ocasião da passagem do ano-novo do calendário cristão, de 1862, o decodificador da Doutrina Espírita resume os verdadeiros objetivos do Espiritismo, os quais lembramos em trecho transcrito nesta postagem.  Kardec já alertava sobre os cuidados que devemos ter com os inimigos do Espiritismo, com as tentativas de divisão do movimento por inimigos que iriam buscar plantar a divisão e a dissolução através de discussões políticas e intolerância religiosa, "criando sistemas divergentes e suscitando entre eles (nós) a desconfiança e a inveja."...

Em carta enviada por Allan Kardec à Sociedade Espírita de Lyon, por ocasião da passagem do ano-novo do calendário cristão, de 1862, o decodificador da Doutrina Espírita resume os verdadeiros objetivos do Espiritismo, os quais lembramos em trecho transcrito nesta postagem.

Kardec já alertava sobre os cuidados que devemos ter com os inimigos do Espiritismo, com as tentativas de divisão do movimento por inimigos que iriam buscar plantar a divisão e a dissolução através de discussões políticas e intolerância religiosa, "criando sistemas divergentes e suscitando entre eles (nós) a desconfiança e a inveja."

Ano-Novo e Nova Era

No dia 26 de julho é comemorado o ano-novo no calendário Maia. O "Ano-Novo Galáctico". Por oportunidade dessa ocasião e em meio às grandes transformações pelas quais passa a sociedade humana. Devemos estar alertas para com as divisões provocadas pela polarização política que racha a sociedade nos maiores países do mundo, e a pandemia de coronavírus que vivemos em 2020. Se faz assim assaz lembrar as palavras de Allan Kardec.

Temos historicamente a oportunidade e obrigação de aprender com os acontecimentos. Despertar para a coletividade, para o cuidado com a nossa casa comum, buscando por tempos de maior igualdade, fraternidade e justiça social. A união dos povos, através das pessoas de boa vontade, pode fazer com que o mundo saia um lugar melhor para se viver. A humanidade não pode valorizar novamente o ter em detrimento do ser, isto seria um grande erro. 

Cabe a nós plantar e cultivar o amor ao próximo, assim como o Cristo nos ensinou, e deixar as diferenças e divisões no passado. Como nos lembrou Kardec: "fora da caridade não há salvação." Se depois dessa pandemia não nos tornarmos pessoas melhores, então não teremos aprendido nada da vida. Vivemos um momento no qual o ser humano é chamado para voltar a ser humano!

Cumprimentos de ano-novo (Revista Espírita, 1862)


"... A tática ora em ação pelos inimigos dos espíritas, mas que vai ser empregada com novo ardor, é a de tentar dividi-los, criando sistemas divergentes e suscitando entre eles a desconfiança e a inveja. Não vos deixeis cair na armadilha, e tende certeza de que quem quer que procure, seja por que meio for, romper a boa harmonia, não pode ter boas intenções. Eis por que vos advirto para que tenhais a maior circunspeção na formação dos vossos grupos, não só para a vossa tranquilidade, mas no próprio interesse dos vossos trabalhos.

A natureza dos trabalhos espíritas exige calma e recolhimento. Ora, isto não é possível se somos distraídos pelas discussões e pela expressão de sentimentos malévolos. Se houver fraternidade, não haverá sentimentos malévolos, mas não pode haver fraternidade com egoístas, ambiciosos e orgulhosos. Com orgulhosos que se chocam e se ferem por tudo; com ambiciosos que se desiludem quando não têm a supremacia; com egoístas que só pensam em si mesmos, a cizânia não tardará a ser introduzida. Daí, vem a dissolução. É o que queriam nossos inimigos e é o que tentarão fazer.

Se um grupo quiser estar em condições de ordem, de tranquilidade, de estabilidade, é preciso que nele reine um sentimento fraterno. Todo grupo ou sociedade que se formar sem ter por base a caridade efetiva não terá vitalidade, enquanto os que se formarem segundo o verdadeiro espírito da doutrina olhar-se-ão como membros de uma mesma família que, não podendo viver todos sob o mesmo teto, moram em lugares diversos.

Entre eles, a rivalidade seria uma insensatez, pois ela não poderia existir onde reina a verdadeira caridade, porque a caridade não pode ser entendida de duas maneiras. Reconhecei, pois, o verdadeiro espírita pela prática da caridade em pensamentos, palavras e atos, e dizei a vós mesmos que aquele que em sua alma nutre sentimentos de animosidade, de rancor, de ódio, de inveja e de ciúme mente para si mesmo se pretende compreender e praticar o Espiritismo.

O egoísmo e o orgulho matam as sociedades particulares, como matam os povos e as sociedades em geral. Lede a história e vereis que os povos sucumbem sob o abraço desses dois mortais inimigos da felicidade humana.

Quando se apoiarem nas bases da caridade, serão indissolúveis, porque estarão em paz entre si e consigo mesmos, cada um respeitando os bens e os direitos de seu vizinho. Essa será a nova era predita, da qual o Espiritismo é o precursor, e para a qual todo espírita deve trabalhar, cada um na sua esfera de atividade.

É uma tarefa que lhes incumbe, e da qual serão recompensados conforme a maneira pela qual a tenham realizado, pois Deus saberá distinguir os que no Espiritismo só procuraram a sua satisfação pessoal, dos que ao mesmo tempo trabalharam pela felicidade de seus irmãos.

Devo ainda assinalar-vos outra tática dos nossos adversários, a de procurar comprometer os espíritas, induzindo-os a se afastarem do verdadeiro objetivo da doutrina, que é o da moral, para abordarem questões que não são de sua alçada e que, a justo título, poderiam despertar suscetibilidades e desconfianças.

Não vos deixeis cair nessa armadilha; afastai cuidadosamente de vossas reuniões tudo quando se refere à política e a questões irritantes; a tal respeito, as discussões apenas suscitarão embaraços, enquanto ninguém terá nada a objetar à moral, quanto esta for boa.

Procurai no Espiritismo aquilo que vos pode melhorar: eis o essencial. Quando os homens forem melhores, as reformas sociais realmente úteis serão uma consequência natural; trabalhando pelo progresso moral, lançareis os verdadeiros e mais sólidos fundamentos de todas as melhoras, e deixareis a Deus o cuidado de fazer com que cheguem no devido tempo. No próprio interesse do Espiritismo, que é ainda jovem, mas que amadurece depressa, oponde uma firmeza inquebrantável aos que quiserem vos arrastar por uma via perigosa.

Visando desacreditar o Espiritismo, pretendem alguns que ele vá destruir a religião. Sabeis exatamente o contrário, pois a maioria de vós, que mal acreditáveis em Deus e na alma, agora creem; quem não sabia o que era orar, ora com fervor; quem não mais punha os pés nas igrejas, agora vai com recolhimento.

Aliás, se a religião devesse ser destruída pelo Espiritismo, é que ela seria destrutível e o Espiritismo seria mais poderoso. Dizê-lo seria uma inabilidade, pois seria confessar a fraqueza de uma e a força do outro.

O Espiritismo é uma doutrina moral que fortalece os sentimentos religiosos em geral e se aplica a todas as religiões; ele é de todas, e não é de nenhuma em particular; por isso não diz a ninguém que a troque; deixa a cada um livre para adorar Deus à sua maneira e para observar as práticas que sua consciência lhe dita, pois Deus leva mais em conta a intenção do que o fato. Ide, pois, cada um aos templos do vosso culto, e provai com isso que vos caluniam quando vos taxam de impiedade.

... Se alguns quiserem fazer um grupo à parte, não os olheis com maus olhos; se vos atirarem pedras, nem as recolhais, nem as devolvais: entre eles e vós Deus será juiz dos sentimentos de cada um. Aqueles que creem ser os únicos a estar com a verdade que o provem por uma maior caridade e uma maior abnegação de amor-próprio, porque a verdade não poderia estar ao lado daquele que falta ao primeiro preceito da doutrina.

Se estiverdes em dúvida, fazei sempre o bem: os erros do espírito pesam menos na balança de Deus que os erros do coração.

Repetirei aqui o que disse noutras ocasiões: em caso de divergência de opinião, o meio fácil de sair da incerteza é ver qual a que reúne mais partidários, pois há nas massas um bom-senso inato que não se poderia enganar. O erro só seduz alguns espíritos enceguecidos pelo amor próprio e por um falso julgamento, mas a verdade sempre acaba vencendo.

Tende certeza, portanto, que o erro deserta das fileiras que se esclarecem e que há uma obstinação irracional em crer que um só tenha razão contra todos. Se os princípios que eu professo só tivessem ecos isolados, e se tivessem sido repelidos pela opinião geral, eu seria o primeiro a reconhecer que poderia ter me enganado; mas vendo crescer incessantemente o número dos aderentes em todas as camadas da sociedade e em todos os países do mundo, devo acreditar na solidez das bases sobre as quais repousam.

Eis por que vos digo com toda a segurança para que marcheis com passo firme na via que vos é traçada. Dizei aos antagonistas que se eles querem que os sigais, que vos ofereçam uma doutrina mais consoladora, mais clara, mais inteligível, que melhor satisfaça à razão e que, ao mesmo tempo, seja uma garantia melhor para a ordem social.

Pela vossa união, frustrai os cálculos dos que vos queiram dividir; provai, enfim, pelo vosso exemplo, que a doutrina nos torna mais moderados, mais dóceis, mais pacientes, mais indulgentes, o que será a melhor resposta a dar aos seus detratores, ao mesmo tempo que a visão de seus resultados benéficos é o mais poderoso meio de propaganda.

Eis, meus amigos, os conselhos que vos dou e aos quais junto os meus votos para o ano que começa. Não sei que provas Deus nos destina para este ano, mas sei que, sejam quais forem, as suportareis com firmeza e resignação, pois sabeis que para vós, como para o soldado, a recompensa é proporcional à coragem.

Quanto ao Espiritismo, pelo qual vos interessais mais do que por vós mesmos, e cujo progresso, pela minha posição, posso julgar melhor que ninguém, sinto-me feliz em dizer-vos que o ano se inicia sob os mais favoráveis auspícios, e que ele verá, sem dúvida nenhuma, o número dos adeptos crescer numa proporção imprevisível. Mais alguns anos como estes que se passaram, e o Espiritismo terá a seu favor três quartas partes da população. Deixai que vos cite um fato entre milhares.

Num departamento vizinho de Paris há uma cidadezinha onde o Espiritismo penetrou apenas há seis meses. Em poucas semanas tomou um desenvolvimento considerável. Uma oposição formidável logo foi organizada contra os seus partidários, ameaçando até os seus interesses particulares. Eles enfrentaram tudo com uma coragem e um desinteresse dignos dos maiores elogios. Entregaram-se à Providência e a Providência não lhes faltou.

Essa cidade conta com uma população operária numerosa, em cujo meio as ideias espíritas, graças à oposição levantada, aumenta dia a dia. Ora, um fato digno de nota é que as mulheres e as moças esperaram sua gratificação de ano-novo para comprar as obras necessárias à sua instrução e só para essa cidade um livreiro teve que remetê-las às centenas.

Não é prodigioso ver simples operárias reservarem suas economias para comprar livros de moral e de filosofia em vez de romances e bugigangas? Homens preferindo essa leitura às alegrias barulhentas e embrutecedoras do cabaret? Ah! É que aqueles homens e aquelas mulheres, que sofrem como vós, agora compreendem que não é aqui que se realiza o seu destino.

Abrem-se as cortinas, e eles entreveem os esplêndidos horizontes do futuro. 

Essa cidadezinha é Chauny, no departamento do Aisne. Novos filhos da grande família, eles vos saúdam, irmãos de Lyon, como seus irmãos maiores, e desde já formam um dos elos da cadeia espiritual que une Paris, Lyon, Metz, Sens, Bordeaux e outras, e que em breve ligarão todas as cidades do mundo num sentimento de mútua confraternidade, porque em toda parte o Espiritismo lançou sementes fecundas e seus filhos se dão as mãos por cima das barreiras dos preconceitos de seitas, castas e nacionalidades.

Vosso muito dedicado irmão e amigo,

ALLAN KARDEC"

If after this pandemic we do not become better people, then we will not have learned anything from life

Fonte: Trecho da resposta de Allan Kardec à mensagem dos espíritas lioneses por ocasião do Ano Novo: "Cumprimentos de ano-novo" (Revista Espírita 1862) reprodução do Portal IPEAK - Imagem:  foto gratuita pxhere e imagem com os dizeres "Se depois dessa pandemia não nos tornarmos pessoas melhores, então não teremos aprendido nada da vida" - material em domínio público, se reproduzir por favor faça a citação das devidas fontes.

       

domingo, 15 de setembro de 2019

Allan Kardec: 'Mundos de Expiações e de Provas'


"13. Que vos direi, que já não conheçais, dos mundos de expiações, pois que basta considerar a Terra que habitais? A superioridade da inteligência, num grande número de seus habitantes, indica que ela não é um mundo primitivo, destinado à encarnação de Espíritos ainda mal saídos das mãos do Criador. Suas qualidades inatas são a prova de que já viveram e realizaram um certo progresso, mas também os numerosos vícios a que se inclinam são o indício de uma grande imperfeição moral. Eis porque Deus os colocou num mundo ingrato, para expiarem suas faltas através de um trabalho penoso e das misérias da vida, até que se façam merecedores de passar para um mundo mais feliz.

14. Não obstante, não são todos os Espíritos encarnados na Terra que se encontram em expiação. As raças que chamais selvagens constituem-se de Espíritos apenas saídos da infância, e que estão, por assim dizer, educando-se e desenvolvendo-se ao contato de Espíritos mais avançados. Vem a seguir as raças semicivilizadas, formadas por esses mesmos Espíritos em progresso. Essas são, de algum modo, as raças indígenas da Terra, que se desenvolveram pouco a pouco, através de longos períodos seculares, conseguindo algumas atingir a perfeição intelectual dos povos mais esclarecidos

Os Espíritos em expiação aí estão, se assim nos podemos exprimir como estrangeiros. Já viveram em outros mundos, dos quais foram excluídos por sua obstinação do mal, que os tornava causa de perturbação para os bons. Foram relegados, por algum tempo, entre os Espíritos mais atrasados, tendo por missão fazê-los avançar, porque trazem uma inteligência desenvolvida e os germes dos conhecimentos adquiridos. È por isso que os Espíritos punidos se encontram entre as raças mais inteligentes, pois são estas também as que sofrem mais amargamente as misérias da vida, por possuírem mais sensibilidade e serem mais atingidas pelos atritos do que as raças primitivas, cujo senso moral é mais obtuso.

15. A Terra nos oferece, pois, um dos tipos de mundos expiatórios, em que as variedades são infinitas, mas têm por caráter comum servirem de lugar de exílio para os Espíritos rebeldes à lei de Deus. Nesses mundos, os Espíritos exilados têm de lutar, ao mesmo tempo, contra a perversidade dos homens e a inclemência da natureza, trabalho duplamente penoso, que desenvolve a uma só vez as qualidades do coração e as da inteligência. È assim que Deus, na sua bondade, torna o próprio castigo proveitoso para o progresso do Espírito. — Santo Agostinho. (Paris, 1862)"
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Fonte: "O Evangelho Segundo o Espiritismo", obra de Allan Kardec, Capítulo III, páginas 82 e 83. (1864) - Imagem: PxHere (Domínio Público)







sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Sanson, em espírito, se comunica com Kardec

Mausoléu de Kardec, no cemitério Père La Chaise, em Paris.
"Sanson, ex-membro da Sociedade Espírita de Paris - eis a forma como o espírito se identifica, assinando a mensagem: Perda de pessoas amadas. Mortes prematuras (O evangelho segundo o espiritismo, cap. V, item 21), bem assim a que se encontra inserida no cap. XI, item 10 da mesma obra, e que disserta a respeito de A lei de amor, ambas datadas do ano 1863.

Sanson era membro da Sociedade Espírita de Paris e desencarnou no dia 21 de abril de 1862, "após mais de um ano de sofrimentos cruéis", conforme nos informa o Codificador na Revista Espírita do mês de maio do mesmo ano.

Quase dois anos antes, o sr. Sanson dirigira a Kardec, na qualidade de Presidente da dita Sociedade, uma carta onde solicitava que, após a sua morte, fosse evocado e o mais imediatamente possível.

Isto fazia, reafirmando um desejo que expressara "há cerca de um ano".

O seu era o propósito de, através "dessa espécie de autópsia espiritual" servir no além-túmulo, "dando-lhe os meios de estudar fase por fase, nessas evocações, as diversas circunstâncias que se seguem ao que o vulgo chama a morte".

Recomendando-se às preces dos companheiros da Sociedade Espírita de Paris, discorre ainda, na mesma missiva, sobre sua preocupação com respeito à escolha e oportuno momento de sua próxima reencarnação.

Allan Kardec compareceu, com alguns membros da Sociedade ao local onde se encontrava o corpo do sr. Sanson e ali, uma hora antes do enterro, deu-se a sua primeira comunicação, onde demonstrou plena ciência de sua situação, afirmando que após 8 horas de sua morte, recobrara a lucidez das suas idéias.

O médium que serviu de intermediário foi o sr. Leymarie, que jamais tinha visto o sr. Sanson e desconhecia o seu caráter, os seus hábitos e muito menos sabia se ele tinha filhos, o que na mensagem é mencionado, provando a sua autenticidade, onde o espírito "se revela pelo seu lápis".

À beira do túmulo, Allan Kardec discursa, apresentando o sr. Sanson como um homem de bem em toda a extensão do vocábulo.

Diz ainda que ele era dotado de uma inteligência incomum, desenvolvida por uma instrução variada e profunda.

Simples nos seus modos de vida, aplicava a sua atividade intelectual em pesquisas e invenções muito engenhosas que, no entanto, não lhe trouxeram resultados.

"Era um desses homens que jamais se aborrecem, porque sempre estão pensando em algo de sério. Conquanto sua posição o tivesse privado daquilo que faz a doçura da vida, seu bom humor jamais se alterava."

A crença espírita o ajudou a suportar os "longos e cruéis padecimentos com uma paciência e uma resignação muito cristãs.

Não há um só dentre nós", prossegue o Codificador, "que o tendo visto em seu leito de dor não se tenha edificado com a sua calma e a sua inalterável serenidade. Desde muito tempo ele previa o seu fim; mas, longe de se apavorar, o esperava como a hora da libertação. Ah! é que a fé espírita dá, nesses momentos supremos, uma força da qual só se dá conta quem a possui. E o sr. Sanson a possuía em grau supremo."

Nos dias 25 de abril e a 2 de maio do mesmo ano de 1862, outras duas palestras ocorrem, em que, ainda servindo como médium o sr. Leymarie, o espírito Sanson responde as questões mais delicadas da situação do espírito após a morte física, dizendo-se "muito feliz por me tornar útil aos meus antigos colegas e ao seu digno presidente".

Nas observações do mestre lionês, as palestras propiciam "um elevado ensino na descrição que ele faz do próprio instante da transição" e salienta "que nem todos os Espíritos seriam aptos a descrever esse fenômeno com tanta lucidez quanto ele.

O sr. Sanson viu na sua morte o seu próprio renascimento, circunstância pouco comum e que devia à elevação de seu Espírito."
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Fonte: Kardec, Allan. O evangelho segundo o espiritismo, FEB, 1987. Kardec, Allan. Revista espírita, EDICEL. Maio e Junho de 1862. - http://www.espiritismogi.com.br/biografias/sanson.htm

"Vocês que entendem a vida espiritual, escutem as batidas do seu coração chamando esses bem-amados; e se você orar a Deus para abençoá-lo, você vai sentir esses poderosos consoladores que secam as lágrimas dos que mostram as aspirações de prestígio ao futuro prometido pelo soberano Senhor." ~Sanson ANC. (Membro da Sociedade Espírita de Paris, 1863).

sábado, 5 de junho de 2010

A identidade jamais revelada do Espírito de Verdade

A identidade jamais revelada do Espírito de Verdade


MARCELO BORELA DE OLIVEIRA
De Londrina

A primeira manifestação ostensiva do Espírito de Verdade ao professor Hippolyte Léon Denizard Rivail ocorreu em sua casa no dia 25/3/1856 através de pancadas. O relato que se segue se baseia nas próprias palavras do Codificador do Espiritismo.



A 25 de março de 1856 estava Allan Kardec em seu escritório, trabalhando no preparo d' O Livro dos Espíritos, quando ouviu ressoarem pancadas repetidas na parede. Ele procurou, sem sucesso, a causa dos ruídos e voltou ao trabalho. Sua mulher, Amélie, entrando cerca das 10 horas no escritório, ouviu os mesmos ruídos. De novo, procuraram localizar a causa do barulho, sem nenhum resultado, e as coisas foram se repetindo de tal modo que bastava Kardec voltar à tarefa e as pancadas se faziam ouvir em diferentes pontos da sala. 

No dia seguinte, na reunião que se realizava na casa do sr. Baudin, Kardec pediu aos Espíritos explicação para o fato. 

Eis como ele mesmo transcreveu em "Obras Póstumas" o diálogo que então se verificou:

"– Ouvistes o fato que acabo de narrar. Podereis dizer-me a causa dessas pancadas que se fizeram ouvir com tanta insistência?
– Era o teu Espírito familiar.
– Com que fim vinha ele bater assim?
– Queria comunicar-se contigo.
– Podereis dizer-me o que queria ele?
– Podes perguntar a ele mesmo, porque está aqui.
– Meu Espírito familiar, quem quer que sejais, agradeço-vos terdes vindo visitar-me. Quereis ter a bondade de dizer-me quem sois?
– Para ti chamar-me-ei Verdade, e todos os meses, durante um quarto de hora, estarei aqui à tua disposição.
– Ontem, quando batestes, enquanto eu trabalhava, tínheis alguma coisa de particular a dizer-me?
– O que eu tinha a dizer-te era sobre o trabalho que fazias. O que escrevias me desagradava e eu queria fazer-te parar.
– A vossa desaprovação versava sobre o capítulo que eu escrevia, ou sobre o conjunto do trabalho?
– Sobre o capítulo de ontem: faço-te juiz dele. Torna a lê-lo esta noite e reconhecerás os erros e os corrigirás.
– Eu mesmo não estava muito satisfeito com esse capítulo e o refiz hoje. Está melhor?
– Está melhor, mas não muito bom. Lê da 3a à trigésima linha e reconhecerás um grave erro.
– Rasguei o que tinha feito ontem.
– Não importa. Essa inutilização não impede que subsista o erro. Relê e verás."

Jobard e Sanson vêem o Espírito de Verdade – Dois anos depois, Kardec anotaria em uma de suas obras: “Tendo eu interrogado esse Espírito, ele se deu a conhecer sob um nome alegórico (eu soube, depois, por outros Espíritos, que fora o de um ilustre filósofo da Antiguidade).”(Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, Edicel, pp. 227 e 228.) 

A respeito do assunto, vale a pena consultar o volume da Revista Espírita de 1862, pp. 72 e 172,  bem como o livroKardec, Irmãs Fox e Outros, de Jorge Rizzini, pp. 11 e 12, após o que será fácil concluir, com apoio no que o próprio Codificador registrou:

1o. O Espírito de Verdade não é Jesus, mas um Espírito familiar de Allan Kardec. Como sabemos, a expressão “Espírito familiar” está definida com clareza na obra da codificação, que nos ensina, na questão 514 d´O Livro dos Espíritos, que o Espírito familiar é alguém da família espiritual, é “o amigo da casa”.

2o. O Espírito de Verdade foi um filósofo na Antiguidade, cujo verdadeiro nome terreno ele não quis declinar, provavelmente porque sua divulgação não traria à obra em curso nenhum proveito. Lembremos também que o Codificador, ao assinar suas obras espíritas, ocultou seu verdadeiro nome, entendendo que usá-lo não traria vantagem ao trabalho e poderia mesmo prejudicá-lo.

3o. O Espírito de Verdade não é uma plêiade, uma falange, uma reunião de Espíritos superiores, mas uma individualidade espiritual, o que pôde ser comprovado quando Jobard e Sanson, então desencarnados, afirmaram tê-lo visto no recinto da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Aliás, reportando-se a esse Espírito, Kardec escreveu: “A qualificação de Espírito de Verdade não pertence senão a um só, e pode ser considerada como um nome próprio. Está especificada no Evangelho. Aliás, esse Espírito se comunica raramente e apenas em circunstâncias especiais” (Revista Espírita de 1866, pág. 221)

4o. Kardec jamais entendeu ou deu a entender que esse Espírito fosse o próprio Jesus, um equívoco que tem sido repetido por autores e palestrantes espíritas, sem nenhum fundamento. Para os que duvidam do que ora dizemos convidamos a que leiam o comentário que Kardec fez a propósito da comunicação atribuída a Jesus, inserta no item IX do cap. XXXI d´O Livro dos Médiuns.

O Espírito de Verdade em pessoa na Sociedade Espírita de Paris

Com respeito à individualidade do Espírito de Verdade, tema que jamais foi motivo de dúvida entre Kardec e seus seguidores, é interessante recordar os depoimentos de dois amigos do Codificador, expressos em reuniões realizadas na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.

Depois de sua desencarnação, o Sr. Jobard, confrade e amigo íntimo de Kardec, comunicou-se várias vezes na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, de cujas sessões participava então com freqüência, na condição agora de Espírito liberto das vestes físicas.

Em 11 de novembro de 1861, em resposta a uma pergunta de Kardec: “Vedes os Espíritos que aqui estão conosco?”, Jobard, valendo-se da médium Sra. Costel, respondeu o que segue:

“Vejo, principalmente, Lázaro e Erasto; depois, mais afastado, o Espírito de Verdade, planando no espaço; depois uma multidão de Espíritos amigos que vos cercam, agradecidos e benevolentes”. (Revista Espírita de 1862, pág. 72.)

Praticamente seis meses depois, em 2 de maio de 1862, o Sr. Sanson, amigo e companheiro de Kardec na Sociedade Espírita de Paris, recentemente desencarnado, também descreveria, a pedido do Codificador, o ambiente espiritual da Sociedade no momento das reuniões. Eis parte do diálogo que então se registrou:

Kardec: – Entre os Espíritos que aqui se acham vedes o nosso presidente espiritual São Luís?
Sanson: – “Está sempre ao vosso lado e, quando se ausenta, sabe sempre deixar um Espírito superior, que o substitui.”
Kardec: – Não vedes outros Espíritos?
Sanson: – “Perdão: o Espírito de Verdade, Santo Agostinho, Lamennais, Sonnet, São Paulo, Luís e outros amigos que evocais estão sempre nas vossas sessões.” (Revista Espírita de 1862, pág. 172.) (M.B.O.)


O Espírito de Verdade segundo Jorge Rizzini

A competência e a autoridade intelectual do confrade Jorge Rizzini, autor de inúmeras obras de grande importância para os estudiosos da Doutrina Espírita, não é preciso ser aqui lembrada. Dele é o excepcional livro Kardec, Irmãs Fox e Outros, que a EME Editora publicou em 1994.

Composta de 17 capítulos, a obra dedica parte do capítulo primeiro ao assunto de que ora tratamos, que é ali desdobrado em três partes: a questão da denominação da Entidade, a discussão da idéia de que o Espírito de Verdade seja uma falange de Espíritos e, por fim, a identidade do Espírito.

Espírito Verdade ou Espírito de Verdade?

1o. – No tocante ao pseudônimo que o Espírito de Verdade preferiu utilizar por ocasião da codificação do Espiritismo, Jorge Rizzini segue a opinião da maioria, que prefere grafá-lo “Espírito de Verdade”, diferentemente de Canuto Abreu, que lhe chamava simplesmente “Espírito Verdade”, omitindo a preposição “de”, assunto de que já tratamos neste jornal em julho último. É bom lembrar que Kardec também usava a forma preferida por Rizzini: L´Esprit de Vérité, como podemos ver na edição francesa de 1866 d´O Evangelho segundo o Espiritismo, tanto no prefácio como no cap. VI.  

Escreveu então Jorge Rizzini (obra citada, pág. 11): “Preferimos a tradição evangélica: ´Espírito de Verdade´. Além da tradição histórica, acrescentemos este fato decisivo: em uma das mensagens em língua francesa dirigidas a Allan Kardec o pseudônimo da Entidade crística aparece com a preposição, ou seja, Espírito de Verdade, de conformidade com o Novo Testamento”. 

Espírito de Verdade é o nome de uma falange?

2o. – Rizzini não aceita a idéia, que vez por outra ouvimos no meio espírita, de que o Espírito de Verdade seja uma falange, uma plêiade, uma reunião de Espíritos. 

Eis o que ele escreveu (obra citada, pág. 12): “O insigne Espírito de Verdade é uma individualidade! Lembremo-nos de que em sua primeira mensagem (psicografada em 1856 em Paris pelas irmãs Baudin) a Entidade afirmou, dirigindo-se a Allan Kardec: ' – Para ti, eu me chamarei A VERDADE...' 

“Note-se que a Entidade não escreveu: 'Nós' e, sim, conforme se lê em 'Obras Póstumas': 'Eu me chamarei A VERDADE'. 

“Outra prova da sua individualidade está no fato de que seu pseudônimo aparece nos prolegômenos de ´O Livro dos Espíritos` entre os nomes de Sócrates, Platão, Fénelon, Santo Agostinho, Erasto etc. Oferecemos, ainda, outra prova que reputamos, também, inquestionável. Abramos o livro ´O Céu e o Inferno`, edição da Edicel, página 167. Em uma sessão mediúnica dirigida por Allan Kardec e realizada na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas manifestou-se o Espírito Jobard, o qual fora presidente honorário daquela instituição e amigo particular do próprio Kardec. A certa altura do diálogo com Jobard perguntou Kardec:

– Vedes os Espíritos que aqui se encontram conosco?
– Vejo, sobretudo, Lázaro e Erasto. Depois, mais distanciado, o Espírito de Verdade que paira no espaço.”

Jesus e o Espírito de Verdade são a mesma pessoa?

3o. Com respeito à idéia de que o Espírito de Verdade seja o próprio Cristo, Jorge Rizzini é categórico (obra citada, pág. 12):
“Não. Se fosse, jamais teria dito aos apóstolos: ´... eu rogarei ao Pai e Ele vos enviará outro Consolador, para que fique eternamente convosco: o Espírito de Verdade.”

Os que pensam de forma contrária apóiam-se principalmente na semelhança de linguagem que se nota entre algumas comunicações assinadas pelo Espírito de Verdade e as palavras de Jesus constantes do Evangelho.

Esclarece então Jorge Rizzini:

“A semelhança de personalidade, e até de linguagem (uma é reflexo de outra), explica-se pelo fato de que a evolução de ambos pode apresentar o mesmo nível ou quase o mesmo. Recordemos que Jesus não disse que enviaria o Espírito de Verdade; o que o Mestre disse, e com ênfase, é que rogaria a Deus e o Pai, então, enviaria o Espírito de Verdade à Terra. O Espírito de Verdade foi um ilustre filósofo da Antiguidade. E, por ser puro, é que o insigne Espírito foi porta-voz do Cristo ao trazer para nosso planeta o Espiritismo...”

Com relação à notícia de que a mencionada Entidade fora um ilustre filósofo da Antiguidade, Rizzini faz a seguinte observação: 

“Dissemos que o Espírito de Verdade é um filósofo da Antiguidade. Essa informação encontra-se em uma obra de Kardec publicada em 1858 e que o Codificador jamais reeditou. Refiro-me ao livro 'Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas'. Examine o leitor as páginas 227-228 do volume 'Iniciação Espírita', das Obras Completas de Allan Kardec (1a edição) lançada pela Edicel Ltda., ou a página 91 da 2a edição de 'Instruções Práticas' publicada pela 'Livraria O Clarim', então sob a direção de Cairbar Schutel. Eis aí a revelação que Allan Kardec nos deu sobre o Espírito de Verdade: 'Tendo eu interrogado esse Espírito, ele se deu a conhecer sob um nome alegórico (eu soube, depois, por outros Espíritos, que fora o de um ilustre filósofo da Antiguidade)'.” 

Marcelo Borela de Oliveira

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O Espírito da Verdade na Sociedade Espírita de Paris



Com respeito à individualidade do Espírito de Verdade, tema que jamais foi motivo de dúvida entre Kardec e seus seguidores, é interessante recordar os depoimentos de dois amigos do Codificador, expressos em reuniões realizadas na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. 

Depois de sua desencarnação, o Sr. Jobard, confrade e amigo íntimo de Kardec, comunicou-se várias vezes na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, de cujas sessões participava então com freqüência, na condição agora de Espírito liberto das vestes físicas.

Em 11 de novembro de 1861, em resposta a uma pergunta de Kardec: “Vedes os Espíritos que aqui estão conosco?”, Jobard, valendo-se da médium Sra. Costel, respondeu o que segue: “Vejo, principalmente, Lázaro e Erasto; depois, mais afastado, o Espírito de Verdade, planando no espaço; depois uma multidão de Espíritos amigos que vos cercam, agradecidos e benevolentes”. (Revista Espírita de 1862, pág. 72.)

Praticamente seis meses depois, em 2 de maio de 1862, o Sr. Sanson, amigo e companheiro de Kardec na Sociedade Espírita de Paris, recentemente desencarnado, também descreveria, a pedido do Codificador, o ambiente espiritual da Sociedade no momento das reuniões. Eis parte do diálogo que então se registrou:

Kardec: – Entre os Espíritos que aqui se acham vedes o nosso presidente espiritual São Luís?

Sanson: – “Está sempre ao vosso lado e, quando se ausenta, sabe sempre deixar um Espírito superior, que o substitui.”

Kardec: – Não vedes outros Espíritos?

Sanson: – “Perdão: o Espírito de Verdade, Santo Agostinho, Lamennais, Sonnet, São Paulo, Luís e outros amigos que evocais estão sempre nas vossas sessões.” (Revista Espírita de 1862, pág. 172.)

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