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sexta-feira, 20 de abril de 2012

William Blake: 'Provérbios do Inferno'

"If the doors of perception were cleansed, everything would appear to man as it is, infinite"

"Se as portas da percepção estivessem livres, tudo se mostraria ao homem como é, infinito"

~William Blake - 'O casamento do Céu e do Inferno', 1793


Monumento próximo ao túmulo sem marca de Blake

William Blake nasceu em Londres, no dia 28 de novembro de 1757 e fez sua passagem na mesma cidade em 12 de agosto de 1827, foi um poeta, tipógrafo e pintor inglês, sendo sua pintura definida como pintura fantástica.

Em 1782, após um relacionamento infeliz que terminou com uma recusa à sua proposta de casamento, Blake casou-se com Catherine Boucher. Blake ensinou-a a ler e escrever, além de tarefas de tipografia. Catherine retribuiu ajudando Blake devotamente em seus trabalhos, durante toda sua vida.

Blake escreveu e ilustrou mais de vinte livros, incluindo "O livro de Jó" da Bíblia, "A Divina Comédia" de Dante Alighieri - trabalho interrompido pela sua morte - além de títulos de grandes artistas britânicos de sua época. Muitos de seus trabalhos foram marcados pelos seus fortes ideais libertários, principalmente nos poemas do livro "Songs of Innocence and of Experience" ("Canções da Inocência e da Experiência"), onde ele apontava a igreja e a alta sociedade como exploradores dos fracos.

Em 1790, publicou sua prosa mais conhecida, "O casamento do céu e do inferno", em que formula uma posição religiosa e política revolucionária na época: "a negação da realidade da matéria, da punição eterna e da autoridade"

É em "O casamento do Céu e do Inferno" que está, além da frase inspiradora da banda The Doors, que abre esta postagem, o mais famoso poema de Blake: "Proverbs of Hell", "Provérbios do Inferno", o qual reproduzo logo abaixo. No vídeo, logo após a reprodução da poesia de Blake, também compartilho a versão da banda brasileira "As Mercenárias", que musicou "Provérbios do Inferno", em 1987. Abra as portas da sua percepção!


Provérbios do Inferno

"No tempo de semeadura, aprende; na colheita, ensina; no inverno, desfruta.
Conduz teu carro e teu arado sobre a ossada dos mortos.
O caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria.
A Prudência é uma rica, feia e velha donzela cortejada pela Impotência.
Aquele que deseja e não age engendra a peste.
O verme perdoa o arado que o corta.
Imerge no rio aquele que a água ama.
O tolo não vê a mesma árvore que o sábio vê.
Aquele cuja face não fulgura jamais será uma estrela.
A Eternidade anda enamorada dos frutos do tempo.
À laboriosa abelha não sobra tempo para tristezas.
As horas de insensatez, mede-as o relógio; as de sabedoria, porém, não há relógio que as meça.
Todo alimento sadio se colhe sem rede e sem laço.
Toma número, peso e medida em ano de míngua.
Ave alguma se eleva a grande altura, se se eleva com suas próprias alas.
Um cadáver não revida agravos.
O ato mais alto é até outro elevar-te.
Se persistisse em sua tolice, o tolo sábio se tornaria.
A tolice é o manto da malandrice.
O manto do orgulho, a vergonha.
Prisões se constroem com pedras da Lei; Bordéis, com tijolos da Religião.
A vanglória do pavão é a glória de Deus.
O cabritismo do bode é a bondade de Deus.
A fúria do leão é a sabedoria de Deus.
A nudez da mulher é a obra de Deus.
Excesso de pranto ri. Excesso de riso chora.
O rugir de leões, o uivar de lobos, o furor do mar em procela e a espada destruidora são fragmentos de eternidade, demasiado grandes para o olho humano.
A raposa culpa o ardil, não a si mesma.
Júbilo fecunda. Tristeza engendra.
Vista o homem a pele do leão, a mulher, o velo da ovelha.
O pássaro um ninho, a aranha uma teia, o homem amizade.
O tolo, egoísta e risonho, o tolo, sisudo e tristonho, serão ambos julgados sábios, para que sejam exemplo.
O que agora se prova outrora foi imaginário.
O rato, o camundongo, a raposa e o coelho espreitam as raízes; o leão, o tigre, o cavalo e o elefante espreitam os frutos.
A cisterna contém: a fonte transborda.
Uma só idéia impregna a imensidão.
Dize sempre o que pensas e o vil te evitará.
Tudo em que se pode crer é imagem da verdade.
Jamais uma águia perdeu tanto tempo como quando se dispôs a aprender com a gralha.
A raposa provê a si mesma, mas Deus provê ao leão.
De manhã, pensa, Ao meio-dia, age. Ao entardecer, come. De noite, dorme.
Quem consentiu que dele te aproveitasses, este te conhece.
Assim como o arado segue as palavras, Deus recompensa as preces.
Os tigres da ira são mais sábios que os cavalos da instrução.
Da água estagnada espera veneno.
Jamais saberás o que é suficiente, se não souberes o que é mais que suficiente.
Ouve a crítica do tolo! É um direito régio!
Os olhos de fogo, as narinas de ar, a boca de água, a barba de terra.
o fraco em coragem é forte em astúcia.
A macieira jamais pergunta à faia como crescer; nem o leão ao cavalo como apanhar sua presa.
Quem reconhecido recebe, abundante colheita obtém.
Se outros não fossem tolos, seríamos nós.
A alma de doce deleite jamais será maculada.
Quando vês uma Águia, vês uma parcela do Gênio; ergue a cabeça!
Assim como a lagarta escolhe as mais belas folhas para pôr seus ovos, o sacerdote lança sua maldição sobre as alegrias mais belas.
Criar uma pequena flor é labor de séculos.
Maldição tensiona: Benção relaxa.
O melhor vinho é o mais velho, a melhor água, a mais nova.
Orações não aram! Louvores não colhem!
Júbilos não riem! Tristezas não choram!
A cabeça, Sublime; o coração, Paixão; os genitais, Beleza; mãos e pés, Proporção.
Como o ar para o pássaro, ou o mar para o peixe, assim o desprezo para o desprezível.
O corvo queria tudo negro; tudo branco, a coruja.
Exuberância é Beleza.
Se seguisse os conselhos da raposa, o leão seria astuto.
O Progresso constrói caminhos retos; mas caminhos tortuosos sem Progresso são caminhos de Gênio.
Melhor matar um bebê em seu berço que acalentar desejos irrealizáveis.
Onde ausente o homem, estéril a natureza.
A verdade jamais será dita de modo compreensível, sem que nela se creia.
Suficiente! ou demais."



Fonte/referências:
http://www.youtube.com/watch?v=G0Ytk9gl8VA - http://pintura.aut.org/BU04?Autnum=11.210
http://www.reproarte.com/painter/William_Blake/index.html - http://www.friendsofblake.org/
http://en.wikipedia.org/wiki/William_Blake



sexta-feira, 13 de abril de 2012

Quem é de Axé diz que é


Omolu / Obaluaiyé é o rei da terra. A sua vestimenta é feita de ìko; uma fibra de ráfia extraída do Igí-Ògòrò, a “palha da costa”, elemento de grande significado ritualístico, principalmente em ritos ligados à morte e o sobrenatural, sua presença indica que algo deve ficar oculto. 

Compostos de duas partes o “Filá” e o “Azé”, a primeira parte, a de cima que cobre a cabeça é uma espécie de capuz trançado de palha da costa, acrescido de palhas em toda sua volta, que passam da cintura, o Azé, seu asó-ìko (roupa de palha) é uma saia de palha da costa que vai até os pés em alguns casos, em outros, acima dos joelhos, por baixo desta saia vai um Xokotô, espécie de calça, também chamado “cauçulú”, em que oculta o mistério da morte e do renascimento. Nesta vestimenta acompanha algumas cabaças penduradas, onde supostamente carrega seus remédios. Ao vestir-se com ìko e cauris, revela sua importância e ligação com a morte.

Sua festa anual é o Olubajé. Tido como filho de Nanã no Brasil, a sua origem, forma, nome e culto em África é bastante variado, de acordo com a região, essa variação de nomes é em conformidade com a região, Obaluaiyé ou Xapanã em Tapá (Nupê) chegando ao território Mahi ao norte do Daomé; Sapata é a sua versão Fon, trazida pelos Nagôs.

Em alguns lugares se misturam, em outros são deuses distintos, confundidos até com Nanã Buruku; Omolu em keto e Abeokutá. O seu parentesco com Oxumaré e Iroko é observado em Keto (vindo de Aisê segundo uns e Adja Popo segundo outros), onde se pode ver uma lança (oko Omolu) cravada na terra, esculpida em madeira onde figuram esses três personagens mencionados, também em Fita próximo de Pahougnan, território Mahi, onde o rei Oba Sereju, recebera o fetiche Moru, três fetiches ao mesmo tempo Moru (Omolu), Dan (Oxumaré) e Loko (Iroko).

Qualidades

Akavan: Tem ligação com Oyá, veste estampado.

Azonsu / Ajunsu: Tem fundamentos com Oxumaré, Oxun e Oxalá. Carrega lança e veste branco.

Azoani: É jovem, veste vermelho, palha vermelha Tem caminhos com Iroko, Oxumaré, Iemanjá e Oyá.

Arawe / Jagun: Tem fundamento com Oyá e Oxalá.

Ajoji / Jagun: Tem fundamentos com Ogun e Oxagian.

Avimaje Tem fundamento com Nana e Ossain e Odé.

Ajoji / Segí/Jagun: Tem ligação com Yemanjá e Oxumare / Nanã.

Afomam: Veste a estopa e carrega duas bolsas de onde tira as doenças. Veste de amarelo e preto. Todas as plantas trepadeiras pertencem-lhe. Tem caminhos com Oxumaré, Ogun de quem é companheiro, dança cavando a terra com Intoto para depositar os corpos que lhe pertencem.

Agbagba Jagun: tem fundamento com Oyá.

Itubé Jagun: É jovem e guerreiro; leva na mão uma lança chamada okó; Tem caminhos com Ogunjá, Oxaguian, Ayrá, Exu e Oxalufan. Não come feijão preto e é o único que come Igbin (Caracol).

Ìpòpò: Tem forte fundamento com Nanã, usa biokô.

Tetu / Etetu Jagun: É jovem e guerreiro. Come com Ogum e Oyá. Veste de branco, usa biokô:

Agòrò: veste branco, usa biokô com franjas de palha

Itetù Jagun: ligado a Yemnjá e Oxalá

Dizem que são 14 qualidades ou caminhos de Obaluaiye/Omolú/Jagun/Sakpata. Teremos ainda vários nomes, títulos e qualidades parecidas: Ajágùsí, Topodún, Janbèlé, Parú, Polibojí, Akarejebé, Aruajé, Ahoye, Olutapá, Sapatá Ainon, WariWarún, etc.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

São Martinho de Tours: conheça sua história e poderosa oração

"Senhor, se o vosso povo precisa de mim, não vou fugir do trabalho. Seja feita a vossa vontade", dizia Martinho, bispo de Tours, aos oitenta e um anos de idade...
São Martinho de Tours, rogai por nós!


Festa litúrgica: 11 de novembro


"Senhor, se o vosso povo precisa de mim, não vou fugir do trabalho. Seja feita a vossa vontade", dizia Martinho, bispo de Tours, aos oitenta e um anos de idade.

Martinho nasceu na Hungria, antiga Panônia, por volta do ano 316. Seu pai era comandante do exército romano. Por curiosidade começou a frequentar uma Igreja cristã, ainda criança, sendo instruído na doutrina cristã, porém sem receber o batismo. 

Ao atingir a adolescência, para tê-lo mais à sua volta, seu pai o alistou na cavalaria do exército imperial. Mas se o intuito do pai era afastá-lo da Igreja, o resultado foi inverso, pois Martinho continuava praticando os ensinamentos cristãos, principalmente a caridade. Depois, foi destinado a prestar serviço na Gália, atual França.

Foi nessa época que ocorreu o famoso episódio do manto. Um dia, um mendigo que tiritava de frio pediu-lhe esmola e, como não tinha, o cavalariano cortou seu próprio manto com a espada, dando metade ao pedinte. Durante a noite, o próprio Jesus apareceu-lhe em sonho usando o pedaço de manta que dera ao mendigo e agradeceu a Martinho por tê-lo aquecido no frio. Dessa noite em diante, ele decidiu que deixaria as fileiras militares para dedicar-se à religião.

Com vinte e dois anos, já estava batizado, provavelmente pelo bispo de Amiens, afastado da vida da Corte e do exército. Tornou-se monge e discípulo do famoso bispo de Poitiers, santo Hilário, que o ordenou diácono. Mais tarde, quando voltou do exílio, em 360, doou a Martinho um terreno em Ligugé, a doze quilômetros de Poitiers. Lá, Martinho fundou uma comunidade de monges. Mas logo eram tantos jovens religiosos que buscavam sua orientação que Martinho construiu o primeiro mosteiro da França e da Europa ocidental.

No Ocidente, ao contrário do Oriente, os monges podiam exercer o sacerdócio para que se tornassem apóstolos na evangelização. Martinho liderou, então, a conversão de muitos e muitos habitantes da região rural. 


Com seus monges, ele visitava as aldeias, pregava o evangelho e onde encontrava resistência, fundava um mosteiro. Com os monges evangelizando pelo exemplo da caridade cristã, logo todo o povo se convertia. Dizem os escritos que, nessa época, havia recebido dons místicos, operando muitos prodígios em beneficio dos pobres e doentes que tanto amparava.

Quando ficou vaga a diocese de Tours, em 371, o povo aclamou-o, unanimemente, para ser o bispo. Martinho aceitou, apesar de resistir no início. Mas não abandonou sua peregrinação apostólica: visitava todas as paróquias, zelava pelo culto e não desistiu de pregar os ensinamentos de cristo, convertendo os ímpios e exercer exemplarmente a caridade. Nas proximidades da cidade, fundou outro mosteiro, chamado de Marmoutier. E sua influência não se limitou a Tours, tendo se expandido por toda a França, tornando-o querido e amado por todo o povo.

Martinho exerceu o bispado por vinte e cinco anos. Morreu, aos oitenta e um anos, na cidade de Candes, no dia 8 de novembro de 397. Sua festa é comemorada no dia 11, data em que foi sepultado na cidade de Tours.

Venerado como são Martinho de Tours, ele se tornou o primeiro santo não mártir a receber culto oficial da Igreja e também um dos santos mais populares da Europa medieval. 

ORAÇÃO A SÃO MARTINHO DE TOURS


"Glorioso São Martinho, nosso amigo e protetor, que ao dividir vosso manto com o mendigo que padecia de frio na neve encontrastes o próprio Senhor Jesus, ajudai-nos, a saber, partilhar o que temos com os mais empobrecidos que encontramos em nosso caminho, principalmente as crianças mais abandonadas, reconhecendo nelas a imagem de nosso divino mestre.

Ó Bom Jesus, por intercessão de São Martinho dai-nos os dons da caridade e do amor fraterno, que nos fazem servir com desprendimento aos vossos filhos mais excluídos dessa terra

Que Assim Seja!"

Fonte: reprodução de http://preceserezas.blogspot.com.br/2011/12/vida-e-oracao-sao-martinho-de-tours.html



domingo, 8 de abril de 2012

Congá, aglutinador de forças




A palavra “Congá” é de origem banto e é utilizada no ritual de Umbanda para denominar o “altar sagrado” do terreiro. Este altar é composto de imagens de santos católicos, caboclos, preto-velhos, e outros.

O Congá é o lugar do terreiro onde são colocadas as imagens dos santos, os assentamentos ou imãs dos Orixás e falanges. 

É o centro da imantação de um templo, pois é dali que emanam todas as vibrações através de seus imãs. 

A parte onde são colocados os imãs é fechada, pois eles não podem ficar a mostra. Tocar nos imãs ou assentamentos só é permitido ao Babá (Pai ou Mãe de Santo), pois a ele(ela) pertence e somente no caso de algum problema com o/a dirigente poderão ser tocados pela Mãe ou Pai pequeno. 

Os assentamentos do Congá têm que ser limpos periodicamente. Os filhos de santo da casa tem obrigação de saldar este altar antes de começar o ritual e no seu término. Aos visitantes e consulentes a saudação só pode ser feita caso lhes tenha sido dada autorização. Das extremidades do altar é que partem as vibrações para a corrente mediúnica.

No livro 'Umbanda De A a Z', N.Peixoto, Ramatís, define-se:

"O congá é o mais potente aglutinador de forças em um terreiro: e atrator, condensador, escoador, expansor, transformador, e alimentador dos mais diferentes tipos de energias e magnetismo. 
Existe um processo de constante renovação de Axé que emana do congá, como núcleo centralizador de todo o trabalho na Umbanda. Cada vez que um consulente chega à sua frente, renovam-se naturalmente os planos espiritual, físico, numa junção que sustenta toda a consagração dos Orixás na Terra, na área física do templo..."

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Simpatia para uma boa Páscoa


Domingo que vem é Domingo de Páscoa, e se você quer um almoço com muita paz, pegue sete qualidades de frutas, coloque numa fruteira e no meio das frutas coloque uma rosa branca. No final do almoço, dê a rosa branca para a mulher mais velha da mesa e ofereça a todos as frutas como sobremesa. 

Faça com fé e Feliz Páscoa!

Outra simpatia (por Dila Cortes) boa é para acabar com brigas, na sexta-feira santa, jogue na casa, água de camomila com água de arroz.

Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/religiao-e-fe/pai-paulo-de-oxala/o-triunfante-orixa-ajudara-no-dinheiro-4452907.html#ixzz1r6M1GTAM - Imagem: Pixabay (CC0)


quarta-feira, 28 de março de 2012

Orìkí fún Oya ⚡️ Orìkí para Yansã


Orìkí fún Oyá


"Ajalaiyé Ajalorin, fún mi ire
Ìba Oyá
Ajalaiye Ajalorun, fun mi gbogbo ire
Iba Yansan
Ajalaiye Ajalorun wi wini
Bem ma Yansan

Àṣẹ"

Orìkí para Yansã

"Os ventos da Terra e o Céu me dão fortuna boa
Eu elogio o Filho da Mãe dos Nove
Os ventos da Terra e o Céu me dão fortuna boa
Eu elogio o Espírito do Vento
Os ventos da Terra e o Céu são maravilhosos
Sempre haverá a Mãe dos Nove

Axé!"


segunda-feira, 26 de março de 2012

Oríkì fún Ògún ☧ Oríkì para Ogum

Oríkì fún Ògún 

 I 
Ògún pèlé o!
Ògún alákáyé,
Osìn ímolè.
Ògún alada méjì.
O fi òkan sán oko.
O fi òkan ye ona.

Ojó Ògún ntòkè bò.
Aso iná ló mu bora,
Ewu ejè lówò.
Ògún edun olú irin.
Awònye òrìsà tií bura re sán wònyìnwònyìn.

Ògún onire alagbara.
A mu wodò,
Ògún si la omi Logboogba.
Ògún lo ni aja oun ni a pa aja fun.
Onílí ikú,

Olódèdè màríwò.
Ògún olónà ola.
Ògún a gbeni ju oko riro lo,
Ògún gbemi o.
Bi o se gbe Akinoro.

 II 
Ògún laka aye
Osinmole
Olomi nile fi eje we
Olaso ni le
Fi imo bora

La ka aye
Moju re
Ma je ki nri ija re
Iba Ògún
Iba re Olomi ni le fi eje we
Feje we. Eje ta sile. Ki ilero

Ase

 III 
Ògún awo, olumaki, alase to juba
Ògún ni jo ti ma lana talí ode
Ògún onire, onile kangun dangun ode
Orún egbé iehin
Pá san ba pon ao lana to
Imo kimobora egbé lehin a nle a benge ologbe

Ase



 I 
Ogum, eu te saúdo!
Ogum, senhor do universo,
líder dos Orixás.
Ogum, dono de dois facões,
Usou um deles para preparar a horta
e o outro para abrir caminho.

No dia em que Ogum vinha da montanha
ao invés de roupa usou fogo para se cobrir.
E vestiu roupa de sangue.

Ogum, a divindade do ferro
Orixá poderoso, que se morde inúmeras vezes.
Ògún Onire, o poderoso.
O levamos para dentro do rio
e ele, com seu facão, partiu as águas em duas partes iguais.
Ogum é o dono dos cães e para ele sacrificamos.
Ogum, senhor da morada da morte.

o interior de sua casa é enfeitado com màríwò.
Ogum, senhor do caminho da prosperidade.
Ogum, é mais proveitoso ao homem cultuá-lo do que sair para plantar
Ogum, apoie-me
do mesmo modo que apoiou Akinoro.

 II 
Ogun poderoso do mundo
O próximo a Deus
Aquele que tem água em casa, mas prefere banho com sangue
Aquele que tem roupa em casa
Mas prefere se cobrir de mariô

Poderoso do mundo
Eu o saúdo
Que eu não depare com sua ira
Eu saúdo Ogum
Eu o saúdo, aquele que tem água em casa, mas prefere banho de sangue
Que o sangue caia no chão para que haja paz e tranquilidade

Axé

 III 
Elogiado é o Espírito do aço 
Espírito de mistério do aço, chefe da força,
Dono do poder, eu o elogio 
Espírito do aço, abra os caminhos 
Espírito do aço, dono da fortuna boa,
Dono de muitas coisas no céu,
Ajude em nossa caminhada 
Remove a obstrução de nossa estrada 
Sabedoria do Espírito da guerra,
Nos guie por em nosso caminho
Com força de Espírito, dai-nos a vitória

Axé
Dai-nos saúde, alegrias, milagres, vida longa e próspera pai Ogum!



domingo, 25 de março de 2012

Tirando a limpo A verdadeira e pura Maçonaria



Pra você que é compelido a pensar que a Maçonaria é 'do mal', e que ela que faz parte de uma conspiração para dominar o mundo, saiba que esta ignóbia ideia ganha terreno através da deterioração do verdadeiro propósito iniciático, que se desvia do propósito espiritual. Me pergunto se hoje algumas lojas não se distanciaram de seu real propósito; como por exemplo dos nobres preceitos inseridos na proposta inicial da ordem Martiniana (circa 1900), que nada mais pregava que idéias liberais, afim de colocar a liberdade de pensamento fluente sobre o véu obscuro da intolerância, sempre através de grande esforço altruístico, dissipando as trevas do ignorantismo e da superstição.

O propósito desta ordem é fortalecer intuitos superiores, a concórdia, a tolerância e a harmonia, polindo arestas ligadas a superstições tolas e ao fanatismo. União, tolerância, aperfeiçoamento, trabalho honesto, auxílio mútuo, resignação na adversidade, perdão e crença inabalável são os verdadeiros pilares da Maçonaria.

Não se deixe enganar por teorias da conspiração e contos da carochinha, estas distrações são plantadas por representantes de monarquias que detém domínio sobre as instituições representantes do atraso das trevas. Como, por exemplo, instituições financeiras que prosperam através da especulação e todas as crenças derivadas do cristianismo, que usam das palavras e ensinamentos do maior avatar da humanidade para obter, gerir e manter poder político, financeiro e psicológico através da superstição entrópica.

Mas nem tudo está perdido, subvertido ou muito menos corrompido; pois a maioria dos componentes da nossa raça, que é a raça humana, sem distinção de cor, ideologia ou credo, compartilha de um consciente coletivo uno e poderoso. Pessoas altruísticas não se deixam dominar ou levar por inserções psicológicas plantadas ao melhor estilo da propaganda dirigida à bovinização das massas através de lavagem cerebral.

Somos UM e o Deus é um só. O capital do conhecimento, o capital humano, não necessitam da vil moeda para prosperar através dos tempos. Amigos que se ajudam e repudiam a competição fazem parte da mais pura natureza humana, somos uma tribo, e enquanto loja não vendemos nada, doamos. A chave da prosperidade está na colaboração e não na competição. Ajude quem te ajuda, goste de quem gosta de você, fortaleça aquele que te fortalece. Bloqueie, vete, aqueles que competem e cobiçam os bens alheios, não dê ouvidos as vozes ditadoras da fofoca, da vaidade, da ganância e da cobiça destruidora. Escute seu espírito e seja você mesm@!

Tod@s temos poder criativo, imaginação e opinião própria, não deixe outros pensarem por você, pense por sí própri@. A real independência não é material, é espiritual. A partir do momento em que você se libertar e aceitar o devir, seu sustento estará garantido, seu caminho traçado sem desvios e as dúvidas irão se dissipar, junto com os sentimentos inferiores que diminuem a grandeza da espécie humana, somos reflexo do divino.

Fique sabendo, você que se deixa levar por mentalidade e pensamento alheio, você consegue pensar por si! Talvez seja apenas uma míope visão - ademais de um leigo em se tratando do assunto - a que coloquei nas linhas acima, entretanto só posso acreditar que Maçonaria não é conspiração, é união. União pela luz, pela verdade, pela evolução mental e espiritual da raça humana. Juntos somos fortes! 

Paz e Luz!

sábado, 24 de março de 2012

Eu sou humano, e você?




Amo as mulheres, amor verdadeiro, desinteressado e sem pisar em campo minado pela paixão. O coração não sente, bate; o espírito vê, ouve e ama... o amor puro é racional e está erigido sobre a rocha firme de Xangô. O pulso ainda pulsa, alimentando a vida, que é o que tod@s temos inegavelmente em comum neste momento.

As sete encruzilhadas da psiquê humana podem ser apenas cruzamentos pelos quais passamos batidos, seguindo aquele Odu que nos foi concedido, ou armadilhas que podem nos atrair para fora do caminho do meio, que é o único caminho. Tenho profunda consideração pelas mulheres desta época em que vivemos, pois elas além de conquistarem espaço estão se mostrando mais equilibradas que os homens.

Outrora a mulher era tida como desequilibrada, era subestimada e a corrente sexista, a mesma que execrou Maria Madalena do livro cristão, imperou tiranamente por séculos. Diziam os hipócritas; pioneiros da privatização da fé que reflete o atual sistema religioso de consumo massivo: 'queimem as bruxas!'. Mas elas só queriam dançar nuas, em harmonia com a natureza a qual cultuamos, não eram 'bruxas' foram revolucionárias.

A mulher tem espírito revolucionário por natureza, enquanto nós homens temos a missão de resgatar o mesmo apreço que elas tem pela vida, pois nem todos somos dotados da percepção de um mundo só, unido pelo Espírito. As distrações são muitas, mas a fé pura é uma só. O papel do homem, de verdade, hoje, é equilibrar a relação entre os sexos, sem se submeter ou se deixar ser dominado.

Oxalá não tem sexo, anjos não tem sexo, se nós temos é porque Zambi quer que a gente aprenda, até voltar a ser um só. Se o homem acaba onde está o firmamento e a mulher começa ali mesmo refletindo as coisas do céu, quando olhamos do espaço, do vácuo onde não há vida corpórea, o homem que é as coisas da Terra e a mulher que é as coisas do Céu são um só, um único organismo vivo viajando pelo espaço e pelo tempo, carregando a mesma alma que um dia irá voltar para onde veio, reintegrando-se ao Criador.

'Prazer da pura percepção, sejam os sentidos a crítica da razão' e seja a razão purificadora dos sentidos. Antes de sermos homens ou mulheres, somos humanos, o sexo é apenas uma fórmula encontrada pela natureza para reprodução da espécie. Para alcançar Olorum ainda teremos que nos multiplicar muito, infinitamente, pois o número dele não tem começo ou fim, é infinito.

Se no astral houvesse moeda e os que lá vivem a acumulassem, como fazemos virtualmente e por escolha própria aqui na Terra, tem muito espírito que daria tudo o que tem pra encarnar aqui. O homem que se espelha na mulher, sem confundir as coisas da terra com as coisas do céu, vive com os pés no chão e a cabeça no ar.

O homem que não se espelha na mulher ou quer virar mulher, bate a cabeça no chão e vai enrolando, porque não conhece o Pai.

Por isso saravo Xangô na pedreira, ao passo que aprendi a também saravar Xangô no cemitério. Saravo Yansã a cada movimento involuntário da respiração que me traz o ar da vida, ao passo que também saravo Yançã na calunga, onde quem respira é a alma enquanto o ar dissipa e desintegra as coisas da matéria. Saravo Omolú, porque debaixo da vestimenta de palha da costa está a luz pura, da criação, a mesma luz que criou o mundo, Oxalá!

No dia que homens e mulheres puderem ver esta luz sem se tornar cegos, voltaremos a ser um só. Quando chegar a uma encruzilhada, na dúvida entre virar a esquerda ou a direita, não pare no meio dela, siga adiante! Mulheres, somos todos homens; homens, somos todos mulheres. Eu amo vocês!


p.s. o texto não é meu; seria hipocrisia revindicá-lo como autoria exclusiva minha... ergo, sou apenas uma palavra, ao passo que tod@s nós, junt@s, somos o texto

(agradeço ao café com quindim pela presença de espírito!)

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