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quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Oração às Sete Linhas da Umbanda, com a benção de Obaluaiê

Oração aos 7 Orixás de Umbanda: Oxalá, Iemanjá, Ogum, Oxum, Oxóssi, Iansã e Xangô, com a benção de Obaluaiê - Saravá as 7 Linhas de Umbanda!


Pai Oxalá nos conduza sempre no caminho da fé racional, em iluminar e esclarecer ao próximo, respeitando sempre suas crenças e princípios, para que eu possa levar sua bandeira o mundo inteiro sem encontrar resistência.  Que estejamos sempre conectados a Tí, Oxalá, em Tua Luz maior que a todos ilumina. Oxalá, te rogamos, nos concede uma vida próspera, repleta de alegrias, paz, luz e bem, nos fazendo latente e forte o chamado para a ação no agora, pois o passado já se foi e o futuro depende das nossas ações no presente.  Mãe Iemanjá, berço esplêndido da vida na Terra, me conceda a graça da concepção da vida sem nunca atentar contra a beleza da própria vida, de toda vida e do seu fluxo natural.  Renova sempre a vida Grande Mãe, Rainha do Mar, renovando nossa fé através do poder de resiliência que nos concede para vencer as adversidades. Nos mostra que é possível renascer para vida no sublime momento que é o presente momento, o eterno agora. Seja a Senhora uma fonte de bençãos sem fim em minha vida, minha advogada e protetora.  Que se eu me desviar do caminho a vibração de meu Pai Ogum me reconduza sempre ao caminho do bem, me iluminando e guiando na senda da paz e do bem. O seu cavalo corre e a sua espada reluz em defesa daqueles que andam sempre com Zambi (Deus) ao seu lado.   Me protege oh Ogum, e as pessoas que amo, com suas poderosas espadas da luz cósmica dentro da Lei maior que é sempre atuante desde o princípio dos tempos. Protege-nos Pai, das ciladas do inimigo e dos maus espíritos que tentam nos confundir, influenciando nossos pensamentos de forma errada e depois zombando de nós. Afasta de nós todo o mal; nos protege de tudo que seja contrário ao bem maior que é propagado sob a bandeira de Oxalá, sendo, pois, o Senhor dos nossos caminhos, mantém os caminhos do bem sempre abertos.  Mamãe Oxum conduza meu coração para o amor incondicional; lembrando-me que é amando que se amado e que a base para o amor ao próximo é o amor próprio, pois não podemos dar aquilo que não temos. Oxum, daí-nos sede de esperança, daí-nos sede de aprender e sacia nossa sede com suas águas de amor a abundância.   Propaga e semeia, ó poderosa Oxum, o amor no seio de toda a humanidade, para que assim este Planeta deixe de ser apenas um lugar de expiação e se torne um lugar de alegrias, pela felicidade da evolução moral, ética, social e espiritual que só o amor pode proporcionar.   Que o grande médico da natureza, o vibrante e alegre Pai Oxóssi, restaure diariamente minhas boas condições de saúde física, mental e espiritual, dirija sempre minha mente para o conhecimento. Ajuda-nos oh grande guerreiro a aprender e evoluir através das lembranças das coisas que ficaram esquecidas ou adormecidas no passado nas minhas vidas pretéritas, para que eu não recaia nos mesmo erros e possa contribuir à evolução do meu Espírito, e com a humanidade através dos meus acertos.   Nos empresta Teu arco e Tua flecha, oh Grande Orixá das Matas, para que sejamos todos defensores da natureza de todas as formas de vida que habitam a Terra sejamos também guerreiros, defensores da nossa casa e do nosso tesouro comum, que o Axé dos Orixás manifesta para distribuir de maneira equânime entre todos os seres que  habitam esta dimensão.  Mãe Iansã, Senhora dos Ventos e Tempestades, restaura a paz e a tranquilidade em meu íntimo quando eu me encontrar em meio às tormentas e intempéries externas e internas da vida. Que a brisa sopre sempre leve onde eu estiver, e que centelhas de amor e sabedoria façam forte meu coração que é a porta do universo mental.   Poderosa Oyá, seja minha protetora para que ninguém tenha o poder de me tirar do bom caminho atormentando meu ser, meu íntimo com palavras tempestuosa e ofensivas. Mantém sempre meu equilíbrio mental, corporal e espiritual; minha fé, ânimo e boa vontade, mesmo diante das tormentas que possam se abater sobre a minha vida, meu caminho e das pessoas que amo. Protege-nos do mal com tua espada e daí-nos de beber da água da vida através do cálice sagrado que és a Guardiã.  Que eu jamais esqueça de aplicar sempre a justiça do Pai Xangô, principalmente quando eu pensar em ser injusto com meus semelhantes. Que o poder de Xangô nos dê a vitória nas justas causas e não permita que direitos que possuímos nos sejam injustamente retirados. Que a justiça seja um bem comum e esteja à disposição de todos, restaurando o caminho da ordem e do progresso, pois sem justiça não há paz.  Por princípio, meio e fim, na contínua regeneração da vida na Terra, que o velho e bom Pai Obaluaiê, neste exato instante me leve à evolução em todos os sentidos, dando tudo que humildemente eu tenha merecimento, provendo minhas necessidades, das pessoas que amo e de todos os necessitados que buscam o Seu auxílio. Que façamos por merecer uma vida longa e próspera, para podermos receber as bençãos da evolução espiritual aqui na Terra sem que nada nos falte para tornar o transito pela matéria mais suave, de acordo com o nosso merecimento ao seguir e honrar a Lei maior, pois é trilhando os caminhos corretos, do bem, é que os Orixás nos mostram todo Seu poder. Saravá!  Que assim Seja! Saravá 7 linhas da Umbanda! (Ronald 9-9-20)

"Oxalá nos conduza sempre no caminho da fé racional, em iluminar e esclarecer ao próximo, respeitando sempre suas crenças e princípios, para que eu possa levar sua bandeira ao mundo inteiro sem encontrar resistência.

Que estejamos sempre conectados a Tí, Oxalá, em Tua Luz maior que a todos ilumina. Pai, te rogamos, nos concede uma vida próspera, repleta de alegrias, paz, luz e bem, nos fazendo latente e forte o chamado para a ação no agora, pois o passado já se foi e o futuro depende das nossas ações do presente.

Iemanjá, berço esplêndido da vida na Terra, me conceda a graça da concepção da vida sem nunca atentar contra a beleza da própria vida, de toda vida e do seu fluxo natural.

Renova sempre a vida Grande Mãe, Rainha do Mar, renovando nossa fé através do poder de resiliência que nos concede para vencer as adversidades. Nos mostra que é possível renascer para vida no sublime momento que é o presente momento, o eterno agora. Seja a Senhora uma fonte de bençãos sem fim em minha vida, minha advogada e protetora.

Ogum se eu me desviar do caminho que Sua vibração me reconduza sempre ao caminho do bem, me iluminando e guiando na senda da paz e do bem. O seu cavalo corre e a sua espada reluz em defesa daqueles que andam sempre com Zambi (Deus) do lado. 

Me protege Ogum, e as pessoas que amo, com suas poderosas espadas da luz cósmica, para que andemos dentro da Lei maior que é sempre atuante desde o princípio dos tempos.

Protege-nos Pai, das ciladas do inimigo e dos maus espíritos que tentam nos confundir, influenciando nossos pensamentos de forma a induzir o erro e depois zombando de nós. Afasta de nós todo o mal; nos protege de tudo que seja contrário ao bem maior que é propagado sob a bandeira de Oxalá, sendo, Ogum, o Senhor dos nossos caminhos, nos mantenha os caminhos do bem sempre abertos, fechando as estradas que levam ao mal.

Oxum conduza meu coração para o amor incondicional; lembrando-me que é amando que se amado e que a base para o amor ao próximo é o amor próprio, pois não podemos dar aquilo que não temos. Mãe d'água doce e dos tesouros do mundo, daí-nos sede de esperança, daí-nos sede de aprender e sacia nossa sede com suas águas de amor a abundância. 

Propaga e semeia, Cinda, o amor no seio de toda a humanidade, para que assim este Planeta deixe de ser apenas um lugar de expiação e se torne um lugar de alegrias, pela felicidade da evolução moral, ética, social e espiritual que só o amor pode proporcionar. 

Que o grande médico da natureza, o vibrante e alegre Oxóssi, restaure diariamente minhas boas condições de saúde física, mental e espiritual, dirija sempre minha mente para o conhecimento. Ajuda-nos grande Orixá a aprender e evoluir através das lembranças das coisas que ficaram esquecidas ou adormecidas no passado das minhas vidas pretéritas, para que eu não recaia nos mesmo erros e possa contribuir à evolução do meu Espírito, e com a evolução da humanidade através dos meus acertos e do meu exemplo. 

Nos empresta Teu arco e Tua flecha, oh Grande Orixá das Matas, para que sejamos todos defensores da natureza de todas as formas de vida que habitam a Terra. Sejamos também guerreiros, defensores da nossa casa e tesouro comum, que o Axé dos Orixás manifesta no plano material para ser distribuído de maneira equânime entre todos os seres que  habitam esta dimensão.

Iansã, Senhora dos Ventos e Tempestades, restaura a paz e a tranquilidade em meu íntimo quando eu me encontrar em meio às tormentas e intempéries externas e internas da vida. Que a brisa sopre sempre leve, sempre mantendo minha calma seja aonde eu estiver, e que centelhas de amor e sabedoria façam forte meu coração que é a porta do universo mental. 

Poderosa Oyá, seja minha protetora para que ninguém tenha o poder de me tirar do bom caminho atormentando meu ser, meu íntimo com palavras tempestuosa e ofensivas. Mantém sempre meu equilíbrio mental, corporal e espiritual; com fé, ânimo e boa vontade, mesmo diante das tormentas que possam se abater sobre  o meu caminho e das pessoas que amo. Protege-nos do mal com tua espada de raios e dai-nos de beber da água da vida através do cálice sagrado de que és a Guardiã.

Que eu jamais esqueça de aplicar sempre a justiça de Xangô, principalmente quando eu pensar em ser injusto com meus semelhantes. Que o poder de Xangô nos dê a vitória nas justas causas e não permita que direitos que possuímos ou aos quais temos direitos não nos sejam retirados.

Que a justiça seja um bem comum e esteja à disposição de todos, restaurando o caminho da ordem e do progresso, pois sem justiça não há paz.

Por princípio, meio e fim, na contínua regeneração da vida na Terra, que o velho e bom senhor Obaluaiê, neste exato instante me leve à evolução em todos os sentidos, dando tudo que humildemente eu mereça através da minha fé, provendo assim as minhas necessidades, a das pessoas que amo e de todos os necessitados que buscam o o auxílio dos Orixás. 

Atotô! Sua benção velho Omolú, que façamos por merecer uma vida longa e próspera, para podermos receber as bençãos da evolução espiritual aqui na Terra sem que nada nos falte, para tornar assim o trânsito pela matéria mais suave, com saúde, abundância e prosperidade, pois é trilhando os caminhos corretos, do bem, que os Orixás nos mostram Seu poder, nos enviando Seu maravilhoso Axé. Saravá!

Que assim Seja! Saravá 7 linhas da Umbanda!"

Ronald Sanson (9/9/2020)


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domingo, 16 de agosto de 2020

A Respeito de Omolú - O Orixá e seu Arquétipo

Obaluaiê – Omolú – Xapanã


Pintura: Seu Omolú, por Luís Antonio Modesto - "...Em termos mais estritos, Obaluaê é a forma jovem do Orixá Xapanã, enquanto Omolú é sua forma velha. Como porém, Xapanã é um nome muito respeitado tanto no Candomblé como na Umbanda, em sinal de respeito não devendo ser mencionado, a forma Omolú é a que mais se popularizou e acabou sendo confundida não apenas com a forma mais velha do Orixá, mas com sua essência genérica em si. Esta distinção se aproxima da que existe entre as formas básica de Oxalá: Oxalá (Jesus Cristo), Oxaguiã a forma jovem (Menino Jesus) e Oxalufã a forma mais velha (Cristo Cósmico)..."
Seu Omolú, por Luís Antonio Modesto


"Para a maior parte dos devotos do Candomblé e da Umbanda, os nomes são praticamente intercambiáveis, referentes a um mesmo arquétipo e, correspondentemente, uma mesma divindade.

Já para alguns babalorixás, porém, há de se manter certa distância entre os dois termos, uma vez que representam tipos diferentes do mesmo Orixá.

São também comuns as variações gráficas Obaluaê e Abaluaê.

Em termos mais estritos, Obaluaê é a forma jovem do Orixá Xapanã, enquanto Omolú é sua forma velha. Como porém, Xapanã é um nome muito respeitado tanto no Candomblé como na Umbanda, em sinal de respeito não devendo ser mencionado, a forma Omolú é a que mais se popularizou e acabou sendo confundida não apenas com a forma mais velha do Orixá, mas com sua essência genérica em si. Esta distinção se aproxima da que existe entre as formas básica de Oxalá: Oxalá (Jesus Cristo), Oxaguiã a forma jovem (Menino Jesus) e Oxalufã a forma mais velha (Cristo Cósmico).

A figura de Omolú-Obaluaê, assim como seus mitos, é completamente cercada de mistérios e dogmas indevassáveis. Em termos gerais, a essa figura é atribuído o controle sobre todas as doenças, especialmente as epidêmicas e suas respectivas curas. Faria parte da essência básica vibratória do Orixá tanto o poder de causar a doença como o de possibilitar a cura do mesmo mal que criou.

Em algumas narrativas mais tradicionalistas tentam apontar-se que o conceito original da divindade se referia ao deus da varíola, tal visão porém, nos parece uma evidente limitação. A varíola não seria a única doença sob seu controle - e sim todas as doenças, contagiosas ou não -, simplesmente pôr ser a epidemia mais devastadora e perigosa que conheciam os habitantes da comunidade original africana, onde surgiu Omolú-Obaluaê, o Daomé.

Assim, muito sérios e merecedores de muito respeito, como Iroco, Oxumaré (seus irmãos) e Nanã (sua Mãe), Omolú-Obaluaê é um Orixá da cultura Jejê, posteriormente assimilada pelos iorubás.

Enquanto os Orixás iorubanos são extrovertidos, de têmpera passional, alegres, humanos e cheios de pequenas falhas que os identificam com os seres humanas, a figuras daomeanas estão mais associadas a uma visão religiosa em que distanciamento entre deuses e seres humanos é maior. Quando há aproximação, há de se ter respeito, cuidado e pensamentos puros, evitando a atração de energias indesejáveis, pois os Orixás do Daomé são austeros no comportamento mitológico, exigentes e impõe grande respeito.

A visão de Omolú-Obaluaê é a da aplicação da Lei do retorno. Se um ser humano falta com ele ou um filho-de-santo seu é ameaçado, o Orixá pode responder com veemência e determinação, sendo difícil uma negociação ou um aplacar até que a demanda seja completada na aplicação da Lei Cármica.

Pierre Verger, nesse sentido, sustenta que a cultura do Daomé é muito mais antiga que a Iorubá, o que pode ser sentido em seus mitos: A antigüidade dos cultos de Omolú-Obaluaê e Nanã (Orixá ancestral feminino), freqüentemente confundidos em certas partes da África, é indicada por um detalhe do ritual dos sacrifícios de animais que lhe eram feitos. Este ritual é realizado sem o emprego de instrumentos de ferro, indicando que essas duas divindades faziam parte de uma civilização anterior à Idade do Ferro e à chegada de Ogum.

Como parte do respeito e temor dos iorubás, eles passaram a enxergar a divindade (Omolú-Obaluaê) mais sombria dos dominados como fonte de castigo divino, da ira dos deuses, entrando num processo que podemos chamar de malignação de um Orixá do povo subjugado, que não encontrava correspondente completo e exato (apesar da existência similar apenas de Ossâim). Omolú-Obaluaê seria o registro da passagem de doenças epidêmicas, castigos sociais, já que atacariam toda uma comunidade de cada vez.

Existe uma grande variedade de tipos de Omolú-Obaluaê, como acontece praticamente com todos os Orixás. Existem formas guerreiras e não guerreiras, de idades diferentes, etc., mas resumidos pelas duas configurações básicas do velho e do moço. A diversidade de nomes pode também nos levar a raciocinar que existem mitos semelhantes em diferentes grupos tribais da mesma região, justificando que o Orixá é também conhecido como Skapatá, Omolú Jagun, Quicongo, Sapatoi, Iximbó, Igui.

CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OMOLÚ-OBALUAÊ


O senhor da doença (e da cura) é relacionado um arquétipo psicológico derivado de sua postura na dança: se nela Omolú-Obaluaê esconde dos presentes suas chagas, não deixa de mostrar, pelos sofrimentos implícitos em sua postura, o fenômeno que lhe é peculiar. No comportamento do dia-a-dia, tal tendência se revela através de um caráter as vezes com viés masoquista, que pode ser superado através do equilíbrio interior.

Nota: Há também a interpretação de que o filá de Omolú (sua veste de palha da costa), em verdade não esconde suas 'chagas' e sim sua Luz, que é tão brilhante que tem o poder de cegar a pessoa que a mire diretamente. Por isso o Orixá usa a veste, para preservara visão física dos mortais de sua poderosa Luz.

Pierre Verger define os filhos de Omolú - que não estão em posse de suas faculdades espirituais e mentais plenas - como pessoas que são incapazes de se sentirem satisfeitas quando a vida corre tranqüila para elas. Podem até atingir situações materiais e rejeitar, um belo dia, todas essas vantagens por causa de certos escrúpulos imaginários. São pessoas que, em certos casos, se sentem capazes de se consagrar ao bem-estar dos outros, fazendo completa abstração de seus próprios interesses e necessidades vitais.

No Candomblé, como na Umbanda, tal interpretação pode ser demais restritiva. A marca mais forte de Omolú-Obaluaê não é a exibição de seu sofrimento, mas o convívio pacífico com ele na intenção de elevação e progresso moral.

Ele pode se manifestar numa tendência autopunitiva muito forte, que tanto pode revelar-se como uma grande capacidade de somação de problemas psicológicos (isto é, a transformação de traumas emocionais em doenças físicas reais), como numa elaboração de rígidos conceitos morais que afastam seus filhos-de-santo do cotidiano, das outras pessoas em geral e principalmente os prazeres.

Sua insatisfação básica, portanto, não se reservaria contra a vida em si, mas sim contra si próprio, uma vez que ele foi estigmatizado pela marca da 'doença', já seria em si uma punição. Por outro lado, vibrando positivamente, é sempre bom lembrar que ele também é o Orixá da cura.

Em outra forma de extravasar seu arquétipo, um filho do Orixá, menos negativista, pode apegar-se ao mundo material de forma sôfrega, como se todos estivessem perigosamente contra ele, como se todas as riquezas lhe fossem negadas, gerando um comportamento obsessivo em torno da necessidade de enriquecer e ascender socialmente. A compreensão deste arquétipo pode ajudar seus filhos e filhas no autoconhecimento e consequente superação das vibrações fortes que os guiam para a senda da evolução moral.

Mesmo assim, um certo toque do recolhimento e da autoestigmatização, dos filhos e filhas de Omolú-Obaluaê, serão visíveis em seus casamentos: não raro se apaixonam por figuras extrovertidas e sensuais - como a indomável Iansã, a envolvente Oxum, o atirado Ogum - que ocupam naturalmente o centro do palco, reservando ao cônjuge de Omolú-Obaluaê um papel mais discreto. Gostam de ver seu amado brilhar, mas devem tomar cuidado com a inveja e os ciúmes, para evitar viver sentindo  insegurança, devem evitar julgar o próximo, fonte de paixão e interesse de todos.

Assim como Ossâim, as pessoas desse tipo são basicamente solitárias, introvertidas, curtem o isolamento e são anti-sociais. Mesmo tendo um grande círculo de amizades, freqüentando o mundo social, seu comportamento seria superficialmente aberto e intimamente fechado, mantendo um relacionamento superficial com o mundo e guardando sua intimidade ara si própria. Não raro são pessoas que julgam - o que deve ser evitado pois quem julga também pode ser julgado. Ter atenção para características detestáveis, como viver criticando, pode evitar que se torne motivo de vergonha.

O filho do Orixá oculta sua individualidade com uma máscara de austeridade, mantendo até uma aura de respeito e de imposição, de certo medo aos outros. Pela experiência inerente a um Orixá velho, são pessoas irônicas. Seus comentários porém não são prolixos e superficiais, mas secos e diretos, o que colabora para a imagem negativa que forma de si próprio.

Um último, mas importante detalhe; em diversas de suas lendas, o Orixá da doença é apresentado como uma divindade que perdeu uma perna. Isso se refletiria em seus filhos como um defeito congênito em uma das pernas ou a tendência a sofrer, durante sua vida, por um problema de relativa gravidade em seus membros inferiores, a partir de quedas ou desastres que podem ou não ser curados e superados."

Saudação: Atotô Obaluaê! Atotô Babá!

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Fonte: texto editado com objetivo de estudos e melhor compreensão do Orixá Omolú/Obaluaê - o qual não devemos temer e sim amar e respeitar - através de informações extraídas da leitura de: 'O Livro Da Nação Espírita, por Luís Antonio Modesto' - Para mais obras a respeito do Orixá seu Obaluaê, Omulu, Xapanã, visite este link - Imagem: pintura de Omolú, por Luís Antonio Modesto (rep produção do livro linkado acima) Adaptação: Ronald 𓂀

terça-feira, 18 de junho de 2019

Súplica a Iemanjá


Odoyá Mãe Iemanjá!

"Sereia Rainha, protetora da fauna e flora marítima, guia dos marinheiros, navegantes, pescadores e dos que se encontram perdidos nos mares da existência  dirige também os humildes, os simples de coração, os fracos, os aprendizes, os ignorantes e todos os que se desviaram da rota correta com suas incertezas morais e evangélicas, navegando em ondas tempestuosas sem divisar o porto seguro da perfeição espiritual …

Senhora dos Oceanos, símbolo da fecundidade, da procriação e do princípio vital surgido em suas águas, sê também a imagem da fecunda pureza a ser seguida por aqueles que estão famintos de ajuda espiritual, sedentos de Justiça e necessitados de caridade, criando nos cérebros de nossos companheiros a consciência de nossa condição de irmãos vindos da mesma origem e destinados a alcançar mundos elevados, integrando-os no Todo que é Zâmbi, Olorum, Jeová, Deus, Consciência Cósmica ou qualquer outro nome que se lhe dêem e tornando-nos iguais, porque assim o somos, malgrado as aparências exteriores …

Orixá dos Mares, representante das emoções, da reprodução e da restauração, conforme crença de nossos antepassados africanos; controla as atividades emotivas de nossas autoridades, políticos, dirigentes de grupos religiosos, iluminando-lhes as mentes e os corações para produzirem idéias e empreendimentos salutares visando minorar o sofrimento de milhares de criaturas, diariamente atiradas em nossas tendas, terreiros, ilês e templos, carregando pesado fardo de angústia, ansiedade, desespero, doenças físicas e psíquicas, desequilibradas emocionalmente, em decorrência de adversidades na luta pela sobrevivência ou da situação difícil que atravessamos, sofrendo revezes e derrotas, à procura de emprego, sofrendo a situação precária ou de outros fatores negativos que lhes imponham sofrimentos morais e psicológicos …

Deusa das Águas, juntamente com sua corte de sereias, ondinas e ninfas, caboclas do mar e espíritos aquáticos, lava as impurezas da mente daqueles que, afastados dos nobres ensinamentos do mestre Oxalá, guiados pelo instinto animal, procedam mal, intentando toda sorte de maldades contra o semelhante, para que, purificados em seus sentimentos, entrevejam e se conscientizem de que somos todos células do mesmo organismo social, humano, divino e, enquanto existir uma célula doente, o corpo todo não está sadio …

Mãe Universal, faça que todos se irmanem nos mesmos ideais e sentimentos cristãos de fraternidade, união e compreensão; que os companheiros que forem às praias para te homenagearem, o façam com todo respeito, afeto e carinho e, acima de tudo, com esperança de um futuro melhor para o gênero humano, sem mágoas, ódios ou ressentimentos, mas com amor, a única semente capaz de gerar bons frutos, sê, querida Sereia, a base devocional de nossa estimada Umbanda, fazendo-a progredir para o bem comum; que todos, na praia, à beira de teu encantado Reino líquido, se dêem as mãos e se unam em bondade, caridade e amor uns aos outros para, limpos das impurezas dos vícios e imperfeições materiais, estejam aptos a alcançarem o plano angélico, a meta mais próxima do estágio humano, para breve podermos nos integrar na Mente Divina em Sua glória e onipotência…" 

Que assim seja, porque assim é! Axé!

Fonte: trecho do livro: “IEMANJÁ” - Autor: J, EDSON ORPHANAKE


quarta-feira, 15 de maio de 2019

A lenda do filá de Omolu

Lendas e Histórias de Omolu

"Houve uma festa e todos os Orixás estavam presentes.

Menos Omolu que ficara do lado de fora.

Ogum pergunta por que o irmão não vem e Nanã responde que é por vergonha de suas feridas causadas pelas doenças.

Ogum resolve ajudá-lo e o leva até a floresta onde tece para ele uma roupa de palha que lhe cobre o corpo todo. O filá!

Mas a ajuda não dá muito certo, pois muitos viram o que Ogum fizera e continuavam a ter nojo de dançar com o jovem Orixá, menos Iansã, altiva e corajosa, dança com ele e com eles o vento de Iansã que levanta a palha e para espanto de todos, revela um homem lindo, sem defeito algum.

Todos os Orixás presentes, ficam estupefatos com aquela beleza, principalmente Oxum, mas agora é tarde, Omolu, não quer mais dançar com ninguém.

Em recompensa pelo gesto de Iansã, Omolu dá a ela o poder de também reinar sobre os mortos.

Mas daquele dia em diante, Omolu declara que dança sozinho doravante."
____
Fonte: "Lendas e Histórias de Omolu": T.E.U Orixás Lendas e Histórias (Facebook: @ORIXAS.LENDAS.E.HISTORIAS)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

"Patacori Ogum!": qual o significado da saudação a Ogum?


A saudação mais popular ao orixá Ogum é Ogum Ye (ou Ogunhê ou Ogum Iê). Mas com certeza você também já ouviu a saudação "Patacori Ogum" e talvez tenha ficado se perguntando o que quer dizer... bem, vamos lá:
  • Patacori (ou Patakori) é apenas uma palavra de todo o trecho laudatório, ao orixá Ogum. 

A saudação completa, em Yorubá, é essa:
  • Patakorí, Ogum! (Patacori, Ogum!) 

Etimologia:
  • pataki = “principal, importante, supremo”
  • ori = “cabeça, coroa” 

Então, “Patacori Ogum” quer dizer “Ogum supremo, principal Orixá de nossa cabeça” ou “Salve Ogum o principal da cabeça” ou “o Cabeça Principal”!

No sincretismo religioso, Ogum é identificado com São Jorge da Capadócia...
 
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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Prece e Orações a Ibeji

Figuras Yorubá de Ibeji, representando gêmeos / W*

Ibeji é o Orixá-criança, em realidade, duas divindades gêmeas infantis, ligadas a todos os Orixás e seres humanos. Na África, as crianças representam a certeza da continuidade, por isso os pais consideram seus filhos sua maior riqueza. 

A palavra "Ibeji" é uma junção dos termos iorubás ibi, nascimento, e eji, dois e quer dizer "gêmeos". Forma-se a partir de duas entidades distintas que coexistem, respeitando o princípio básico da dualidade.

Por serem gêmeos, são associados ao princípio da dualidade; por serem crianças, são ligados a tudo que se inicia e nasce: a nascente de um rio, o nascimento dos seres humanos, o germinar das plantas, etc. Ibeji na nação Ketu, ou Vunji nas nações Angola e Congo. 

É o Orixá Erê, ou seja, o Orixá Criança. É a divindade da brincadeira, da alegria; a sua regência está ligada à infância.

Existe uma confusão latente entre Ibeji e os Erês. É evidente que há uma relação, mas não se trata da mesma entidade, confundindo até mesmo como Orixá. Ibeji são divindades gêmeas, sendo costumeiramente sincretizadas aos santos gêmeos católicos Cosme e Damião.

A palavra Erê vem do iorubá iré, que significa "brincadeira, divertimento". Daí a expressão siré, que significa "fazer brincadeiras". O Erê (não confundir com "criança", que, em iorubá, é omodé) aparece instantaneamente logo após o transe do Orixá: ou seja, o Erê é o intermediário entre o iniciado e o Orixá. Durante o ritual de iniciação, o Erê é de suma importância, pois é ele que, muitas vezes, trará as várias mensagens do Orixá ao recém-iniciado.

A grande cerimônia dedicada a Ibeji acontece a 27 de setembro, Dia de Cosme e Damião, quando comidas como caruru, vatapá, bolinhos, doces, balas (associadas às crianças, portanto) são oferecidas tanto a eles como aos frequentadores dos terreiros.

Símbolos: 2 bonecos gêmeos, 2 cabacinhas, brinquedos;

Plantas: jasmim, maçã, alecrim, rosa;

Dia da semana: domingo e segunda-feira para nações Queto e Jeju Jexá;

Cor: azul, rosa, verde, mas na verdade gosta do colorido em si;

Metal: estanho;

Elementos: fogo, ar;

Saudação: Omi Beijada! Bejiróó! Farami Sóibeji!

Domínios: parto e infância / amor e união;

Comidas: caruru, cocada, cuscuz, frutas e doces;

Características: alegre, otimista, brincalhão, esperto, trabalhador, imaturo, birrento, voraz;

Campos de ação: ajuda a resolver problemas de crianças, dá harmonia na família, facilita uniões.

Amalá, oferenda, entrega: clique aqui para saber com agradar a Ibejada...


Prece

"Salve Ibeji, Orixá da continuidade da vida. Governadores da Falange Ibeijada, do Erês.

Orixá criança, que alegra nossos corações e marca o inicio da nossa vida.

Nos leve pelos caminhos da saúde, do amor e da prosperidade assegurando-nos a união e a fraternidade.

Farta seja nossa mesa e prospero seja nosso lar.

Omi Beijada!"

Oração

"Omi Ibeji. Bejé eró! 

Salve as forças das crianças. 
Força pura, verdadeira, 
Que reluz no céu azul 
E na rosa das flores, 
Traga ao nosso Axê a paz 
E a esperança, 
Zele por nossas crianças.

Peça a Oxalá, com sua 
imensa pureza, 
que meus pedidos feitos 
com clareza 
e verdade sejam atendidos. 

Doces crianças, 
representantes de Cosme e Damião, 
Que vossa santa proteção 
Nos sirva de consolo e apoio nas horas difíceis.

Aceitem essa oferenda que é feita 
Com verdade 
E interceda por mim junto ao Pai 
De Amor Supremo. 

Agradeço desde já a vocês, 
Crianças. 

Obrigado!"

Oração para pedir o Axé da Ibejada

"Cosme e Damião, luzeiros espíritos da corte de Oxalá, amados benfeitores, queridos guias, nós vos imploramos a vossa proteção, força, saúde e resignação para que possamos cumprir com os desígnios do Pai.

Dai-nos sempre os fluídos de paz, amor, alegria e felicidade que vos são peculiares. Curai nossos males, fortalecendo nosso corpo material proporcionando aos nossos Espíritos as satisfações que lhes sejam agradáveis.

Protegei-nos e a nossos familiares; protegei também, a todos as criancinhas para que tenham cada dia, uma vida melhor, sob o prisma material. Que vossos fluídos sacrossantos, recaiam sobre nossas cabeças, é o pedido que humildemente vos fazemos.

Saravá Cosme e Damião! Erê!

Saravá Ibejada!"
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Imagem: Yoruba Ibeji figures, representing twins/"Yoruba Ibeji figures, representing a male and female twins. The figures, when made, are soaked in an infusion of medical plants, and adorned with amulets to ensure the twins' good fortune."/Wellcome Images (CC0)

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Lendas de Exú

Orixá Exú, Candomblé do Brasil, 1978 - Foto: Jurema Oliveira (CC0)


Exu, que entre outras coisas é o Mensageiro dos Orixás, vigia as passagens, abre e fecha os caminhos.


Por isso ajuda a resolver problemas da vida fora de casa e a encontrar caminhos para progredir, além de proteger contra perigos e inimigos. 

É o orixá da comunicação, da paciência, da ordem e da disciplina. É o guardião das aldeias, cidades, casas e do axé, das coisas que são feitas e do comportamento humano.


A palavra Èșù, em iorubá, significa 'esfera', e, na verdade, Exu é o orixá do movimento. 


Ele é quem deve receber as oferendas em primeiro lugar a fim de assegurar que tudo corra bem e de garantir que sua função de mensageiro entre o Orun (o mundo espiritual) e o Aiye (o mundo material) seja plenamente realizada.

É o responsável por administrar as encruzilhadas da psiquê humana.  É o dono dos caminhos, o que abre e fecha o acesso do ser humano às fortunas e à felicidade. Em síntese, o grande agente mágico do equilíbrio universal. Também é o guardião dos trabalhos de magia, pela qual opera com as forças do astral. Assim deve caminhar a vida, lembrando sempre de que sem Exú não se faz nada!

Conheça algumas lendas, muito antigas, sobre o grande Orixá que é Exú. Essas histórias vão te ajudar a compreender melhor suas características, beleza e magia:

 Porque Exú Recebe Oferendas Antes Dos Outros Orixás 

"Exu foi o primeiro filho de Iemanjá e Oxalá. Ele era muito levado e gostava de fazer brincadeiras com todo mundo. Tantas fez que foi expulso de casa. Saiu vagando pelo mundo, e então o país ficou na miséria, assolado por secas e epidemias. 

O povo consultou Ifá, que respondeu que Exu estava zangado porque ninguém se lembrava dele nas festas; e ensinou que, para qualquer ritual dar certo, seria preciso oferecer primeiro um agrado a Exu. Desde então, Exu recebe oferendas antes de todos, mas tem que obedecer aos outros Orixás, para não voltar a fazer tolices."

 Vingança de Exú 


"Um homem rico tinha uma grande criação de galinhas. Certa vez, chamou um pintinho muito travesso de Exú, acrescentando vários xingamentos. 

Para se vingar, Exú fez com que o pinto se tornasse muito violento. Depois que se tornou galo, ele não deixava nenhum outro macho sossegado no galinheiro: feria e matava todos os que o senhor comprava. 

Com o tempo, o senhor foi perdendo a criação e ficou pobre. Então, perguntou a um babalaô o que estava acontecendo. O sacerdote explicou que era uma vingança de Exú e que ele precisaria fazer um ebó pedindo perdão ao Orixá. Amedrontado, o senhor fez a oferenda necessária e o galo se tornou calmo, permitindo que ele recuperasse a produção."

 Exú instaura o conflito entre Iemanjá, Oiá e Oxum 

"Um dia, foram juntas ao mercado Iansã e Oxum, esposas de Xangô, e Iemanjá, esposa de Ogum. Exú entrou no mercado conduzindo uma cabra, viu que tudo estava em paz e decidiu plantar uma discórdia. Aproximou-se de Iemanjá, Iansã e Oxum e disse que tinha um compromisso importante com Orumilá.

Ele deixaria a cidade e pediu a elas que vendessem sua cabra por vinte búzios. Propôs que ficassem com a metade do lucro obtido. Iemanjá, Oiá e Oxum concordaram e Exú partiu. A cabra foi vendida por vinte búzios. Iemanjá, Iansã e Oxum puseram os dez búzios de Exú a parte e começaram a dividir os dez búzios que lhe cabiam. 

Iemanjá contou os búzios. Haviam três búzios para cada uma delas, mas sobraria um. Não era possível dividir os dez em três partes iguais. Da mesma forma Iansã e Oxum tentaram e não conseguiram dividir os búzios por igual. Aí as três começaram a discutir sobre quem ficaria com a maior parte.

Iemanjá disse: “É costume que os mais velhos fiquem com a maior porção. Portanto, eu pegarei um búzio a mais”. Oxum rejeitou a proposta de Iemanjá, afirmando que o costume era que os mais novos ficassem com a maior porção, que por isso lhe cabia.

Iansã intercedeu, dizendo que, em caso de contenda semelhante, a maior parte caberia à do meio. As três não conseguiam resolver a discussão. Não havia meio de resolver a divisão. Exú voltou ao mercado para ver como estava a discussão. 

Ele disse: “Onde está minha parte?”.

Elas deram a ele dez búzios e pediram para dividir os dez búzios delas de modo eqüitativo. Exú deu três a Iemanjá, três a Oiá e três a Oxum. O décimo búzio ele segurou. Colocou-o num buraco no chão e cobriu com terra. Exú disse que o búzio extra era para os antepassados, conforme o costume que se seguia no Orun.

Toda vez que alguém recebe algo de bom, deve-se lembrar dos antepassados. Dá-se uma parte das colheitas, dos banquetes e dos sacrifícios aos Orixás, aos antepassados. Assim também com o dinheiro. Este é o jeito como é feito no Céu. Assim também na terra deve ser. Quando qualquer coisa vem para alguém, deve-se dividi-la com os antepassados. “Lembrai que não deve haver disputa pelos búzios.”

Iemanjá, Oiá e oxum reconheceram que Exú estava certo. E concordaram em aceitar três búzios cada. Todos os que souberam do ocorrido no mercado de Oió passaram a ser mais cuidadosos com relação aos antepassados, a eles destinando sempre uma parte importante do que ganham com os frutos do trabalho e com os presentes da fortuna."


 Exú torna-se o amigo predileto de Orumilá 


"Como se explica a grande amizade entre Orumilá e Exú, visto que eles são opostos em grandes aspectos?


Orumilá, filho mais velho de Olorum, foi quem trouxe aos humanos o conhecimento do destino pelos búzios.

Exú, pelo contrario, sempre se esforçou para criar mal-entendidos e rupturas, tanto aos humanos como aos Orixás. Orumilá era calmo e Exú, quente como o fogo.

Mediante o uso de conchas adivinhas, Orumilá revelava aos homens as intenções do supremo deus Olorum e os significados do destino. Orumilá aplainava os caminhos para os humanos, enquanto Exú os emboscava na estrada e fazia incertas todas as coisas. O caráter de Orumilá era o destino, o de Exú, era o acidente. Mesmo assim ficaram amigos íntimos.

Uma vez, Orumilá viajou com alguns acompanhantes. Os homens de seu séqüito não levavam nada, mas Orumilá portava uma sacola na qual guardava o tabuleiro e os Obis que usava para ler o futuro.

Mas na comitiva de Orumilá muitos tinham inveja dele e desejavam apoderar-se de sua sacola de adivinhação. Um deles mostrando-se muito gentil, ofereceu-se para carregar a sacola de Orumilá. Um outro também se dispôs à mesma tarefa e eles discutiram sobre quem deveria carregar a tal sacola. Até que Orumilá encerrou o assunto dizendo: “Eu não estou cansado. Eu mesmo carrego a sacola”.

Quando Orumilá chegou em casa, refletiu sobre o incidente e quis saber quem realmente agira como um amigo de fato. Pensou então num plano para descobrir os falsos amigos. Enviou mensagens com a notícia de que havia morrido e escondeu-se atrás da casa, onde não podia ser visto. E lá Orumilá esperou.

Depois de um tempo, um de seus acompanhantes veio expressar seu pesar. O homem lamentou o acontecido, dizendo ter sido um grande amigo de Orumilá e que muitas vezes o ajudara com dinheiro. Disse ainda que, por gratidão, Orumilá lhe teria deixado seus instrumentos de adivinhar.

A esposa de Orumilá pareceu compreendê-lo, mas disse que a sacola havia desaparecido. E o homem foi embora frustrado. Outro homem veio chorando, com artimanha pediu a mesma coisa e também foi embora desapontado. E assim, todos os que vieram fizeram o mesmo pedido. Até que Exú chegou.

Exú também lamentou profundamente a morte do suposto amigo. Mas disse que a tristeza maior seria da esposa, que não teria mais pra quem cozinhar. Ela concordou e perguntou se Orumilá não lhe devia nada. Exú disse que não. A esposa de Orumilá persistiu, perguntando se Exú não queria a parafernália de adivinhação. Exú negou outra vez. Aí Orumilá entrou na sala, dizendo: “Exú, tu és sim meu verdadeiro amigo!”. Depois disso nunca teve amigos tão íntimos, tão íntimos como Exú e Orumilá."

 Exú leva aos homens o Oráculo de Ifá 


"Em épocas remotas os deuses passaram fome. Às vezes, por longos períodos, eles não recebiam bastante comida de seus filhos que viviam na Terra. 


Os deuses cada vez mais se indispunham uns com os outros e lutavam entre si guerras assombrosas.

Os descendentes dos deuses não pensavam mais neles e os deuses se perguntavam o que poderiam fazer. Como ser novamente alimentados pelos homens? 

Os homens não faziam mais oferendas e os deuses tinham fome. Sem a proteção dos deuses, a desgraça tinha se abatido sobre a Terra e os homens viviam doentes, pobres, infelizes. 

Um dia Exú pegou a estrada e foi em busca de solução. Exú foi até Iemanjá em busca de algo que pudesse recuperar a boa vontade dos homens. Iemanjá lhe disse: “Nada conseguirás. Xapanã já tentou afligir os homens com doenças, mas eles não vieram lhe oferecer sacrifícios”. 

E continuando... falou: “Exú matará todos os homens, mas eles não lhe darão o que comer. Xangô já lançou muitos raios e já matou muitos homens, mas eles nem se preocupam com ele. Então é melhor que procures solução em outra direção. Os homens não tem medo de morrer. Em vez de ameaçá-los com a morte, mostra a eles alguma coisa que seja tão boa que eles sintam vontade de tê-la. E que, para tanto, desejem continuar vivos”.

Exú retornou então seu caminho e foi procurar Orungã. Orungã lhe disse: “Eu sei por que vieste. Os dezesseis deuses tem fome. É preciso dar aos homens alguma coisa de que eles gostem, alguma coisa que os satisfaça. Eu conheço algo que pode fazer isso. É uma grande coisa que é feita com dezesseis caroços de dendê. Arranja os cocos da palmeira e entenda seu significado. Assim poderás conquistar os homens”.

Exú foi ao local onde havia palmeiras e conseguiu ganhar dos macacos dezesseis cocos. Exú pensou e pensou, mas não atinava no que fazer com eles. Os macacos então lhe disseram: 

“Exú, não sabes o que fazer com os dezesseis cocos de palmeira? Vai andando pelo mundo e em cada lugar pergunta o que significam esses cocos de palmeira. Deves ir a dezesseis lugares para saber o que significam esses cocos de palmeira. Em cada um desses lugares recolheras dezesseis odus, recolherás dezesseis histórias, dezesseis oráculos. Cada história tem a sua sabedorias, conselhos que podem ajudar os homens. Vai juntando os odus e ao final de um ano terás aprendido o suficiente. Aprenderás dezesseis vezes dezesseis odus. Então volta para onde moram os deuses. Ensina aos homens o que terás aprendido e os homens irão cuidar de Exú de novo”. 

Exú fez o que lhe foi dito e retornou ao Orun, o Céu dos Orixás. Exú mostrou aos deuses os odus que havia aprendido e os deuses disseram: “Isso é muito bom”. Os deuses, então, ensinaram o novo saber aos seus descendentes, os homens. Os homens então puderam saber todos os dias os desígnios dos deuses e os acontecimentos do porvir. Quando jogavam os dezesseis cocos de dendê e interpretavam o odu que eles indicavam, sabiam da grande quantidade de mal que havia no futuro. 

Eles aprenderam a fazer sacrifícios aos Orixás para afastar os males que os ameaçavam. Eles recomeçavam a sacrificar animais e a cozinhar suas carnes para os deuses. Os Orixás estavam satisfeitos e felizes. Foi assim que Exú trouxe aos homens o Oráculo de Ifá."


Veja também:




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Fonte: Contos transmitidos do folclore das Religiões de Matriz Africana (web.archive.org)

domingo, 26 de novembro de 2017

Zélio de Moraes, sobre o trabalho dos Exús




Zélio de Morais
© Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade
A transcrição a seguir é parte da entrevista gravada com o médium Zélio Fernandino de Morais no dia 22 de outubro de 1970, que faz algumas referências aos Exus.

Pergunta: Sr. Zélio, é sobre o trabalho dos Exús. Existem tendas que dão consultas com Exús em dias especiais além das consultas normais de Pretos Velhos e Caboclos. Como o Sr. vê isso?

Zélio: Eu sei disto, que há muitas tendas que trabalham com Exús, eu não gosto porque é muito fácil se manifestar com Exú, qualquer pessoa médium, um mal médium se manifesta com Exú, basta ter um espírito atrasado; ou também fingindo um espírito, por isso não gosto e fujo disto, na minha tenda não se trabalha com Exú por qualquer motivo.

(Nesta pergunta, quando o Sr. Zélio diz “na minha tenda não se trabalha com Exú por qualquer motivo”, pode-se notar então que o trabalho do Exú é um trabalho “especial” e que não está aí para ser mistificado, por isso deve-se ter respeito e preservá-lo.)

Pergunta: Mas o Sr. não considera o Exú um espírito trabalhador como todos os outros Orixás?

Zélio: Depois de despertado, porque o Exú é um espírito admitido nas trevas, depois de despertado, que ele dá um passo no caminho da regeneração é fácil ele trabalhar em benefício dos outros. Assim eu acredito no trabalho do Exú.

(Nesta pergunta, quando o Sr. Zélio diz “depois de despertado, que ele dá um passo no caminho da regeneração é fácil ele trabalhar em benefício dos outros”, pode-se notar que estas almas pretendem um local melhor, pretendem uma posição melhor e para isto escolheram o trabalho da caridade nas casas de Umbanda.)

Pergunta: Não haverá casos em que outros Orixás vibrando em outras linhas não possam resolver de imediato alguns problemas de filhos e, não seria o Exú aí o mais indicado para resolver, por estar mais perto materialmente, por estar mais aceito nos trabalhos materiais?

Zélio: O nosso chefe, “o Caboclo das Sete Encruzilhadas” nos ensinou assim, isto faz 60 anos, que o Exú é um trabalhador. Como na polícia tem soldado, o chefe de polícia não prende, o delegado não prende, quem prende são os soldados, cumprem ordens dos maiorais, então o Exú é um espírito que se encosta na falange, que aproveita para fazer o bem, porque cada passo para o bem que eles fazem vai aumentando a sua luz, de maneira, que é despertado e vai trabalhar, que dizer, vai pegar, vai seduzir este espírito que está obsedando alguém, então este Exú vai evoluir. É assim que o Caboclo das Sete Encruzilhadas nos ensinava.

Pergunta: De que modo o Exú é um auxiliar e não um empregado do Orixá ou vice-versa?

Zélio: Eu não digo empregado, mas é um espírito que tende a melhorar, então para ele melhorar ele vai fazer a caridade junto com as falanges, correndo em benefício daqueles que estão obsidiados, despertando e ajudando a despertar o espírito para afasta-lo do mal que ele estava fazendo, então ele se torna um auxiliar dos Orixás. 

(Nestas últimas duas perguntas - acima transcritas - ele deixa bem claro que os Exús são a "polícia espiritual" das casas de Umbanda e que trabalham ligados às falanges das Sete Linhas de Umbanda que trabalham nos Templos.) 

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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

São Roque, 16 de Agosto - Obaluaiê na Umbanda

São Roque, nasceu Roque de Montpellier (c. 1295 – 1327) é um santo da Igreja Católica Romana, protetor contra a peste e padroeiro dos inválidos e cirurgiões. É também considerado por algumas comunidades católicas como protetor do gado contra doenças contagiosas.   A sua popularidade, devido à intercessão contra a peste, é grande sendo orago de múltiplas comunidades em todo o mundo católico e padroeiro de diversas profissões ligadas à medicina, ao tratamento de animais e dos seus produtos e aos cães.   São Roque é geralmente representado em trajes de peregrino, por vezes com a vieira típica dos peregrinos de Compostela, e com um longo bordão do qual pende uma cabaça. Um dos joelhos é geralmente mostrado desnudado, sendo visível uma ferida (bubão da peste). Por vezes é acompanhado por um cão, que aparece a seu lado trazendo-lhe na boca um pão -  A sua festa celebra-se a 16 de Agosto - "Ó inefável padroeiro nosso, São Roque, pela ardente caridade com que amastes o próximo nesta terra, chegastes a expor vossa própria vida para assisti-lo nas necessidades e doenças, especialmente nas moléstias contagiosas. Oh! Fazei que estejamos sempre livres dessas terríveis enfermidades e livrai-nos da peste ainda perigosa que é o pecado. Amém!" “São Roque bendito, de Jesus querido, livrai-nos da peste e de quem nos tenha ofendido.”

São Roque, nasceu Roque de Montpellier (c. 1295 – 1327) é um santo da Igreja Católica Romana, protetor contra a peste e padroeiro dos inválidos e cirurgiões. É também considerado por algumas comunidades católicas como protetor do gado contra doenças contagiosas. 

A sua popularidade, devido à intercessão contra a peste, é grande sendo orago de múltiplas comunidades em todo o mundo católico e padroeiro de diversas profissões ligadas à medicina, ao tratamento de animais e dos seus produtos e aos cães. 

São Roque é geralmente representado em trajes de peregrino, por vezes com a vieira típica dos peregrinos de Compostela, e com um longo bordão do qual pende uma cabaça. Um dos joelhos é geralmente mostrado desnudado, sendo visível uma ferida (bubão da peste). Por vezes é acompanhado por um cão, que aparece a seu lado trazendo-lhe na boca um pão (vide a imagem acima).

A sua festa celebra-se a 16 de Agosto

A Palmi, Itália, 16 de agosto é feita a "festa de San Rocco". Existem inúmeras tradições. Durante a procissão da estátua pelas ruas, alguns fiéis vestindo participar de ofertas votivas, despido da cintura para cima, uma capa de espinhos de vassoura selvagem (chamados de "spalas"). 

A procissão dura quatro horas e meia e abrange sete quilômetros de estrada, com uma participação de cerca de 30 mil devotos. Outra forma de oferenda é cera, humano anatômica, como um sinal de gratidão por uma cura milagrosa. Nos dias do festival correr pelas ruas ao ritmo de tambores, dois gigantes de papelão chamado de "Mata" e "Grifone".



Sincretismo na Umbanda

No dia 16 de Agosto, festeja-se Omulu (Obaluaiê) na Umbanda. O sincretismo com São Roque dá-se pela representação desse santo apresentar chagas em seu corpo, e por serem cultuados os Orixás Omulu e Obaluaiê como as energias responsáveis tanto pelas doenças como por sua cura.

O nome desses Orixás está relacionado ao "rei e dono da terra". Sua veste é representada em palha e esconde o segredo da vida e da morte. Está relacionado à terra quente e seca, como o calor do fogo e do Sol.

Energias Divinas cultuadas desde o Antigo Egito, os Orixás Omulu e Obaluaiê sempre estiveram presentes nas diversas culturas, através da figura do “Anjo da Morte”, do “Ceifador de Vidas”. Na África, essas energias eram consideradas como os Senhores da Vida e da Morte, dependendo do culto seguido. Quando os negros africanos aqui chegaram, trouxeram em sua bagagem esse conhecimento adquirido ao longo dos tempos, legando a esses Orixás os domínios sobre a morte, as doenças e à medicina.

É muito comum, no culto umbandista, os terreiros não fazerem diferenciação entre a energia dos Orixás Obaluaiê e Omulu. No entanto, existem características distintas em cada uma dessas emanações do Criador. Provavelmente a confusão que existe em relação a essas duas Forças Cósmicas deriva do fato de que ambos os Orixás, Omulu e Obaluaiê, regem as energias relacionadas à vida e morte dos espíritos encarnados.

No aspecto relativo à morte, o Orixá Omulu é aquele que nos encaminha após nosso desencarne até o nosso local de destino, até que nos deparemos com o resultado de nossa última existência carnal. Seus falangeiros são os espíritos que atuam na hora da libertação da matéria. É por isso que a energia desse Orixá está presente em cemitérios, hospitais, necrotérios, etc.

Já a energia que recebe o nome de Obaluaiê, juntamente com a energia do Orixá Nanã, é encarregado de trazer o espírito à nova vida que irá ter na matéria. Obaluaiê é o Senhor das Passagens. Seus falangeiros respondem pela elaboração do projeto da nova encarnação do espírito, fazendo a redução do perispírito até o tamanho fetal, atuando na ligação do espírito ao corpo, após a fecundação, fixando-o ao útero materno para o desenvolvimento com vida e posterior nascimento.

Obaluaiê, assim como Omulu, traz a cura para as nossas doenças. É a energia de Obaluaiê que possibilita a atuação dos médicos e profissionais de saúde para trazerem o alívio necessário às dores dos que sofrem.


Oração a São Roque

"Glorioso São Roque, alcançai-nos de Cristo Nosso Senhor as graças que nos são necessárias para vivermos dignamente a vida cristã.
Aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade.
Seguindo o Vosso Exemplo queremos amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como Cristo nos mandou.
Queremos ajudar aos pobres, aos doentes, aos necessitados de toda a espécie, como vós mesmo o fizestes.
E que um dia, na glória do céu, nós possamos, convosco, gozar da vida eterna. Amém."

Oração a São Roque - Para alcançar a cura em qualquer enfermidade

"Ó inefável padroeiro nosso, São Roque, pela ardente caridade com que amastes o próximo nesta terra, chegastes a expor vossa própria vida para assisti-lo nas necessidades e doenças, especialmente nas moléstias contagiosas. Oh! Fazei que estejamos sempre livres dessas terríveis enfermidades e livrai-nos da peste ainda perigosa que é a transgressão às Leis de Deus. Que assim seja!"
“São Roque bendito, de Jesus querido, livrai-nos da peste e de quem nos tenha ofendido.”

Oração a Obaluaiê

"Salve o Senhor o Rei da Terra!
Médico da Umbanda, Senhor da Cura de todos os males do corpo e da alma.
Pai da riqueza e da bem-aventurança.
Em ti deposito minhas dores e amarguras, rogando-te as bênçãos de saúde, paz e prosperidade.
Faz-me digno de merecer todo dia e toda noite, vossas bênçãos de luz e misericórdia.
Oh, Mestre da Vida,
Vós é o limitador das enfermidades.
Suplicamos sua misericórdia aos males que nos afetam!
Que suas chagas abriguem nossas dores e sofrimentos. Concede-nos corpos sadios e almas serenas.
Mestre da Cura, amenize nossos sofrimentos que escolhemos resgatar nessa encarnação!
ATOTÔ
ATOTÔ OBALUAIÊ!"
“Casinha branca, casinha branca, que eu mandei fazer para oferecer a meu pai Omulu, meu pai Omulu, seu Atotô Obaluaiê oi salve Mamãe Oxum! Saluba Nanã Buruquê! Salve Atotô Obaluaiê...”
Fonte: Wikipedia | Genuína Umbanda


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