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quarta-feira, 15 de maio de 2019

A lenda do filá de Omolu

Lendas e Histórias de Omolu

"Houve uma festa e todos os Orixás estavam presentes.

Menos Omolu que ficara do lado de fora.

Ogum pergunta por que o irmão não vem e Nanã responde que é por vergonha de suas feridas causadas pelas doenças.

Ogum resolve ajudá-lo e o leva até a floresta onde tece para ele uma roupa de palha que lhe cobre o corpo todo. O filá!

Mas a ajuda não dá muito certo, pois muitos viram o que Ogum fizera e continuavam a ter nojo de dançar com o jovem Orixá, menos Iansã, altiva e corajosa, dança com ele e com eles o vento de Iansã que levanta a palha e para espanto de todos, revela um homem lindo, sem defeito algum.

Todos os Orixás presentes, ficam estupefatos com aquela beleza, principalmente Oxum, mas agora é tarde, Omolu, não quer mais dançar com ninguém.

Em recompensa pelo gesto de Iansã, Omolu dá a ela o poder de também reinar sobre os mortos.

Mas daquele dia em diante, Omolu declara que dança sozinho doravante."
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Fonte: "Lendas e Histórias de Omolu": T.E.U Orixás Lendas e Histórias (Facebook: @ORIXAS.LENDAS.E.HISTORIAS)

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Iemanjá, a Rainha do Mar

"Iemanjá, rainha do mar, é também conhecida por dona Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá e Maria, no paralelismo com a religião católica. Aiocá é o reino das terras misteriosas da felicidade e da liberdade, imagem das terras natais da África, saudades dos dias livres na floresta."
Jorge Amado


É uma das rainhas das águas, sendo as duas salgadas: as águas provocadas pelo choro da mãe que sofre pela vida de seus filhos, que os vê se afastarem de seu abrigo, tomando rumos independentes; e o mar, sua morada, local onde costuma receber os presentes e oferendas dos devotos. 

Em Cuba, é conhecida por Yemayá e também possui as cores azul e branca, é uma rainha do mar negra, assume o nome cristão de La Virgen de la Regla e faz parte da Santeria como santa padroeira dos portos de Havana.

Odoyá Mãe Iemanjá, Senhora da calunga grande, rainha do mar. Sincretizada com Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora dos Navegantes, é a grande Mãe de toda vida na Terra. As cerimônias em sua homenagem são comumente feitas à beira-mar, as oferendas podem ser feitas na areia ou colocadas em um barquinho que é solto após passar (pular) por 7 ondas. Suas cores são o azul claro e branco, sua bebida é a sidra, espumante e champanhe. 

A mais tradicional Festa de Iemanjá acontece em Salvador, capital da Bahia, tem lugar na praia do Rio Vermelho todo dia 2 de Fevereiro. No Sul é sincretizada com Nossa Senhora dos Navegantes, lá recebe uma das maiores homenagens feitas à Orixá, no mesmo dia da Santa católica (02/02). Na mesma data, Iemanjá também é cultuada em diversas outras praias brasileiras, onde lhe são ofertadas velas e flores, lançadas ao mar em pequenos barcos artesanais. Na verdade suas festividades e homenagens começam logo após o Natal e se estendem por todo mês de janeiro do ano seguinte em todo Brasil. Na praia de Copacabana as comemorações de Iemanjá marcam a passagem de ano e podem ser vistas também por toda orla marítima do Rio de Janeiro.

Qualidades ~ Candomblé: Yemowô - que na África é mulher de Oxalá, Iyamassê - é a mãe de Sàngó, Yewa - rio africano paralelo ao rio Ògún e que frequentemente é confundido em algumas lendas com Iemanjá, Olossa - lagoa africana na qual desaguam os rios Yewa e Ògún, Iemanjá Ogunté - que casa com Ògún Alagbedé, Iemanjá Asèssu - muito voluntariosa e respeitável, Iemanjá Saba ou Assabá - está sempre fiando algodão é a mais jovem.

IEMANJÁ = Santa Maria, Nossa Senhora
COR: azul 
DIA: 2 de fevereiro (31 de dezembro / 1 de janeiro)
DIA DA SEMANA: Sábado
METAL: prata e prateados
SÍMBOLOS: abebé prateado, alfange, agadá, obé, peixe, couraça, adê, braceletes, e pulseiras
AMALÁ: 7 velas brancas e 7 azuis, champanhe, manjar branco, rosas brancas ou outro tipo de flor branca. Local da entrega: Na praia. 
ERVAS (banho de descarrego): Pata de Vaca, Folhas de Lágrima de N. Senhora, Erva Quaresma, Trevo e chapéu de couro, Alfazema.


Arquétipo: (Do livro "Orixás - Pierre Fatumbi Verger - Editora Corrupio")

Tomamos emprestada a descrição do arquétipo de Iemanjá a Lydia Cabrera, sua filha, certamente a mais competente de todas aquelas que nos foi dado o prazer de conhecer: "As filhas (e filhos) de Iemanjá são voluntariosas, fortes, rigorosas, protetoras, altivas e, algumas vezes, impetuosas e arrogantes; têm o sentido da hierarquia, fazem-se respeitar e são justas mas formais; põem à prova as amizades que lhes são devotadas, custam muito a perdoar uma ofensa e, se a perdoam, não a esquecem jamais. 

Preocupam-se com os outros, são maternais e sérias. Sem possuírem a vaidade de Oxum, gostam do luxo, das fazendas azuis e vistosas, das jóias caras. Elas têm tendência à vida suntuosa mesmo se as possibilidades do cotidiano não lhes permitem um tal fausto". 

No arquétipo psicológico, segundo o livro 'Os Orixás', publicado pela Editora Três, expandem-se as características insinuadas pela descrição dos mitos e lendas de Iemanjá. Também fica fácil entender os conceitos principais se mantivermos a comparação com o Orixá Oxum. Como os filhos da mãe da água doce, os de Iemanjá, também gostam de luxo, das jóias caras e dos tecidos vistosos. Gostam de viver num ambiente confortável e, mesmo quando pobres, pode-se notar uma certa sofisticação em suas casas, se comparadas com as demais da comunidade de que fazem parte. 

Enquanto os filhos de Oxum são diplomatas e sinuosos, os de Iemanjá se mostram mais diretos. São capazes de fazer chantagens emocionais, mas nunca diabólicas. A força e a determinação fazem parte de seus caracteres básicos, assim como o sentido da amizade e do companheirismo. Como são pessoas presas ao arquétipo da mãe, a família e os filhos têm grande importância na vida dos filhos de Iemanjá. A relação com eles pode ser carinhosa, mas nunca esquecendo conceitos tradicionais como respeito e principalmente hierarquia. 


São pessoas que não gostam de viver sozinhas, sentem falta da tribo, inconsciente ancestral, e costumam, por isso casar ou associar-se cedo. Não apreciam as viagens, detestam os hotéis, preferindo casas onde rapidamente possam repetir os mecanismos e os quase ritos que fazem do cotidiano. Apesar do gosto pelo luxo, não são pessoas obcecadas pela própria carreira, sem grandes planos para atividades a longo prazo, a não ser quando se trata do futuro de filhos e entes próximos.

Todos esses dados nos apresentam uma figura um pouco rígida, refratária a mudanças, apreciadora do cotidiano. Ao mesmo tempo, indicam alguém doce, carinhoso, sentimentalmente envolvente e com grande capacidade de empatia com os problemas e sentimentos dos outros. Mas nem tudo são qualidades em Iemanjá, como em nenhum Orixá. Seu caráter pode levar o filho desse Orixá a ter uma tendência a tentar concertar a vida dos que o cercam - o destino de todos estariam sob sua responsabilidade. Ela é mãe de todos nós.

Os filhos de Iemanjá são bons conhecedores da natureza humana, analíticos, demoram um pouco pra confiar em alguém. Quando aceitam uma pessoa no seu círculo íntimo de amigos, deixam de ter restrições, aceitando-a completamente e defendendo-a; seja nos erros ou acertos, tendo grande capacidade de perdoar as pequenas falhas humanas. Se um(a) filho(a) de Iemanjá guarda rancor ou tem sentimentos negativos para com outra pessoa, é melhor se afastar e esquecer. A mãe de toda vida terrena repudia violência, desamor, vingança, ódio e qualquer sentimento negativo entre seus filhos.

 Lenda de Iemanjá 
 segundo o Candomblé 



Iemanjá era a filha de Olokum, a deusa do mar. Em Ifé, ela tornou-se a esposa de Olofin-Odudua, com o qual teve dez filhos, estas crianças receberam nomes simbólicos e todos tornaram-se orixás. Um deles foi chamado de Oxumaré, o Arco-Íris, “aguele-que-se-desloca-com-a-chuva-e-revela-seus-segredos”. De tanto amamentar seus filhos, os seios de Iemanjá tornaram-se imensos. 

Cansada da sua estadia em Ifé, Iemanjá fugiu na direção do “entardecer-da-terra”, como os iorubas designam o Oeste, chegando a Abeokutá. Ao norte de Abeokutá, vivia Okerê, rei de Xaki. Iemanjá continuava muito bonita. Okerê desejou-a e propôs-lhe casamento. Iemanjá aceitou mas, impondo uma condição, disse-lhe: “Jamais você ridicularizará da imensidão dos meus seios.” Mas, um dia, ele bebeu vinho de palma em excesso. Voltou para casa bêbado e titubeante. Ele não sabia mais o que fazia. Ele não sabia mais o que dizia. Tropeçando em Iemanjá, esta chamou-o de bêbado e imprestável. Okerê, vexado, gritou: “Você, com seus seios compridos e balançantes! Você, com seus seios grandes e trêmulos!” Iemanjá, ofendida, fugiu em disparada.

Certa vez, antes do seu primeiro casamento, Iemanjá recebera de sua mãe, Olokum, uma garrafa contendo uma poção mágica pois, dissera-lhe esta: “Nunca se sabe o que pode acontecer amanhã. Em caso de necessidade, quebre a garrafa, jogando-a no chão.” Em sua fuga, Iemanjá tropeçou e caiu, a garrafa quebrou-se e dela nasceu um rio. As águas tumultuadas deste rio levaram Iemanjá em direção ao oceano, residência de sua mãe Olokum. Okerê, contrariado, queria impedir a fuga de sua mulher. 

Querendo barrar-lhe o caminho, ele transformou-se numa colina, chamada, ainda hoje, Okerê, e colocou-se no seu caminho, Iemanjá quis passar pela direita, Okerê deslocou-se para a direita, Iemanjá quis passar pela esquerda, Okerê deslocou-se para a esquerda. Iemanjá vendo assim bloqueado seu caminho para a casa materna, chamou Xangô, o mais poderoso dos seus filhos. Xangô veio com dignidade e seguro do seu poder, Ele pediu uma oferenda de um carneiro e quatro galos, um prato de “amalá”, preparado com farinha de inhame, e um prato de “gbeguiri”, feito com feijão e cebola e declarou que, no dia seguinte, Iemanjá encontraria por onde passar. 

Nesse dia, Xangô desfez todos os nós que prendiam as amarras da chuva, começaram a aparecer nuvens dos lados da manhã e da tarde do dia, começaram a aparecer nuvens da direita e da esquerda do dia e quando todas elas estavam reunidas, chegou Xangô com seu raio. Ouviu-se então: "Kakara rá rá rá" … Ele havia lançado seu raio sobre a colina Okere. Ela abriu-se em duas e, "suichchchch" … Iemanjá foi-se para o mar de sua mãe Olokum, aí ficou e recusa-se, desde então, a voltar em terra.





Seus filhos chamam-na e saúdam-na: 

“Odo Iyá, a Mãe do rio, ela não volta mais.
Iemanjá, a rainha das águas, que usa roupas cobertas de pérola.”
Ela tem filhos no mundo inteiro. 
Iemanjá está em todo lugar onde o mar vem bater-se com suas ondas espumantes.
Seus filhos fazem oferendas para acalmá-la e agradá-la.
Odô Iyá, Iemanjá, Ataramagbá
Ajejê lodô! Ajejê nilê!
“Mãe das águas, Iemanjá, que estendeu-se ao longe na amplidão. 
Paz nas águas! Paz na casa!”

 Oração de Iemanjá para abrir caminhos 

"Salve, Estrela do Mar, deusa poderosíssima, mãe e advogada de todos os que navegam no mar agitado da vida!

À vossa valiosa proteção confia-nos o vosso séquito de auxiliares, sereias, ninfas, caboclas do mar, para serem nossas guias, protetoras, consolo e alento durante as tempestades da vida terrestre.

Refugiamo-nos cheios de confiança e fé em vossa aura e manto vibratório.

Seja nossa guia, seja nosso farol, seja sempre nossa brilhante estrela divina que nos orienta, a fim de que nunca pereçamos nem nos falte rumo da rota segura que nos fará desviar dos escolhos do mar agitado da vida material.

Aceitai a minha devoção humilde como símbolo de meu carinho e esperança, para que eu possa trilhar o caminho vital com a mente limpa e o corpo sem os fluídos negativos que possam dificultar minhas atividades. 


Odoyá! Assim seja!"

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ORAÇÕES CATÓLICAS À IEMANJÁ (NOSSA SENHORA)
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 Nossa Senhora dos Navegantes 

"Ó Nossa Senhora dos Navegantes, Mãe de Deus criador do céu, da terra, dos rios, lagos e mares; protegei-me em todas as minhas viagens. 

Que ventos, tempestades, borrascas, raios e ressacas, não perturbem a minha embarcação e que monstro nenhum, nem incidentes imprevistos causem alteração e atraso à minha viagem, nem me desviem da rota traçada. 

Virgem Maria, Senhora dos Navegantes, minha vida é a travessia de um mar furioso. As tentações, os fracassos e as desilusões são ondas impetuosas que ameaçam afundar minha frágil embarcação no abismo do desânimo e do desespero. 

Nossa Senhora dos Navegantes, nas horas de perigo eu penso em vós e o medo desaparece; o ânimo e a disposição de lutar e de vencer tornam a me fortalecer. Com a vossa proteção e a bênção de vosso Filho, a embarcação da minha vida há de ancorar segura e tranqüila no porto da eternidade.

Nossa Senhora dos Navegantes, Rogai Por Nós!"

 Nossa Senhora do Perpétuo Socorro 

"Ó Senhora do Perpétuo Socorro, mostrai-nos que sois verdadeiramente nossa Mãe, obtendo-me o seguinte benefício: (faz-se o pedido) e a graça de usar dela para a glória de Deus e a salvação de minha alma.

Ó glorioso Santo Afonso, que por vossa confiança na bem-aventurada Virgem conseguistes tantos favores e tão perfeitamente provastes, em vossos admiráveis escritos, que todas as graças nos vêm de Deus pela intercessão de Maria, alcançai-me a mais terna confiança para com nossa Mãe do Perpétuo Socorro e rogai-lhe, com instância, que me conceda o favor que reclamo de seu poder e bondade maternal.

Eterno Pai, em nome de Jesus e pela intercessão de nossa Mãe do Perpétuo Socorro e de Santo Afonso, peço-vos que me atendais para vossa glória e bem da minha alma. ASSIM SEJA."
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 Nossa Senhora da Piedade 

"Prostrado aos vossos pés, ó grande Rainha dos céus, vos venero e confesso que sois filha do divino Pai, Mãe do Verbo divino e Esposa do Espírito Santo. Sois cheia de graça, de virtude e de dons celestes, sois templo puríssimo da Santíssima Trindade. Sois a tesoureira e despenseira de suas misericórdias. 

Sendo vosso puríssimo coração cheio de caridade, de doçura e de ternura para conosco, pecadores, por isso vos chamamos mãe da divina Piedade. Por isso, com grande confiança me apresento a vós, mãe amorosíssima, aflito e angustiado, e vos peço fazer-me experimentar a caridade com que me amastes, concedendo-me a graça... se for conforme a divina vontade e para meu proveito. 

Volvei, vos suplico, os vossos puríssimos olhos a mim e a todos os meus próximos. Recordai-vos, terníssima mãe, que somos vossos filhos redimidos com o preciosíssimo sangue de vosso Unigênito. Dignai-vos rogar incessantemente à Santíssima Trindade, a fim de que nos conceda as graças com as quais os justos se santificam e os pecadores se convertem. 

Rogai, mãe amorosíssima, esta graça pela infinita bondade de Deus, pelos méritos de vosso santíssimo Filho, pela solicitude com que o servistes, pelo amor com que amastes, pelas lágrimas que derramastes e pela dor que sofrestes em sua paixão. 

Alcançai-nos o grande dom que todo o mundo forme um povo e uma Igreja, que dê glória, honra e agradecimento à Santíssima Trindade a vós que sois a medianeira. Esta graça nos conceda o poder do Pai, a sabedoria do Filho e a virtude do Espírito Santo. Assim seja."

 Nossa Senhora Aparecida 
(Para pedir uma graça - Reze 3 dias seguidos, em caso extremo fazer em 3 horas)

"Querida Mãe Nossa Senhora Aparecida,
Vós que nos amais e nos guiais todos os dias,
vós que sois a mais bela das Mães,
a quem eu amo de todo o meu coração.
Eu vos peço mais uma vez que me ajudeis a alcançar uma graça...
Sei que me ajudareis e sei que me acompanhareis sempre,
até a hora da minha morte. AMÉM."



sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Lendas de Exú

Orixá Exú, Candomblé do Brasil, 1978 - Foto: Jurema Oliveira (CC0)


Exu, que entre outras coisas é o Mensageiro dos Orixás, vigia as passagens, abre e fecha os caminhos.


Por isso ajuda a resolver problemas da vida fora de casa e a encontrar caminhos para progredir, além de proteger contra perigos e inimigos. 

É o orixá da comunicação, da paciência, da ordem e da disciplina. É o guardião das aldeias, cidades, casas e do axé, das coisas que são feitas e do comportamento humano.


A palavra Èșù, em iorubá, significa 'esfera', e, na verdade, Exu é o orixá do movimento. 


Ele é quem deve receber as oferendas em primeiro lugar a fim de assegurar que tudo corra bem e de garantir que sua função de mensageiro entre o Orun (o mundo espiritual) e o Aiye (o mundo material) seja plenamente realizada.

É o responsável por administrar as encruzilhadas da psiquê humana.  É o dono dos caminhos, o que abre e fecha o acesso do ser humano às fortunas e à felicidade. Em síntese, o grande agente mágico do equilíbrio universal. Também é o guardião dos trabalhos de magia, pela qual opera com as forças do astral. Assim deve caminhar a vida, lembrando sempre de que sem Exú não se faz nada!

Conheça algumas lendas, muito antigas, sobre o grande Orixá que é Exú. Essas histórias vão te ajudar a compreender melhor suas características, beleza e magia:

 Porque Exú Recebe Oferendas Antes Dos Outros Orixás 

"Exu foi o primeiro filho de Iemanjá e Oxalá. Ele era muito levado e gostava de fazer brincadeiras com todo mundo. Tantas fez que foi expulso de casa. Saiu vagando pelo mundo, e então o país ficou na miséria, assolado por secas e epidemias. 

O povo consultou Ifá, que respondeu que Exu estava zangado porque ninguém se lembrava dele nas festas; e ensinou que, para qualquer ritual dar certo, seria preciso oferecer primeiro um agrado a Exu. Desde então, Exu recebe oferendas antes de todos, mas tem que obedecer aos outros Orixás, para não voltar a fazer tolices."

 Vingança de Exú 


"Um homem rico tinha uma grande criação de galinhas. Certa vez, chamou um pintinho muito travesso de Exú, acrescentando vários xingamentos. 

Para se vingar, Exú fez com que o pinto se tornasse muito violento. Depois que se tornou galo, ele não deixava nenhum outro macho sossegado no galinheiro: feria e matava todos os que o senhor comprava. 

Com o tempo, o senhor foi perdendo a criação e ficou pobre. Então, perguntou a um babalaô o que estava acontecendo. O sacerdote explicou que era uma vingança de Exú e que ele precisaria fazer um ebó pedindo perdão ao Orixá. Amedrontado, o senhor fez a oferenda necessária e o galo se tornou calmo, permitindo que ele recuperasse a produção."

 Exú instaura o conflito entre Iemanjá, Oiá e Oxum 

"Um dia, foram juntas ao mercado Iansã e Oxum, esposas de Xangô, e Iemanjá, esposa de Ogum. Exú entrou no mercado conduzindo uma cabra, viu que tudo estava em paz e decidiu plantar uma discórdia. Aproximou-se de Iemanjá, Iansã e Oxum e disse que tinha um compromisso importante com Orumilá.

Ele deixaria a cidade e pediu a elas que vendessem sua cabra por vinte búzios. Propôs que ficassem com a metade do lucro obtido. Iemanjá, Oiá e Oxum concordaram e Exú partiu. A cabra foi vendida por vinte búzios. Iemanjá, Iansã e Oxum puseram os dez búzios de Exú a parte e começaram a dividir os dez búzios que lhe cabiam. 

Iemanjá contou os búzios. Haviam três búzios para cada uma delas, mas sobraria um. Não era possível dividir os dez em três partes iguais. Da mesma forma Iansã e Oxum tentaram e não conseguiram dividir os búzios por igual. Aí as três começaram a discutir sobre quem ficaria com a maior parte.

Iemanjá disse: “É costume que os mais velhos fiquem com a maior porção. Portanto, eu pegarei um búzio a mais”. Oxum rejeitou a proposta de Iemanjá, afirmando que o costume era que os mais novos ficassem com a maior porção, que por isso lhe cabia.

Iansã intercedeu, dizendo que, em caso de contenda semelhante, a maior parte caberia à do meio. As três não conseguiam resolver a discussão. Não havia meio de resolver a divisão. Exú voltou ao mercado para ver como estava a discussão. 

Ele disse: “Onde está minha parte?”.

Elas deram a ele dez búzios e pediram para dividir os dez búzios delas de modo eqüitativo. Exú deu três a Iemanjá, três a Oiá e três a Oxum. O décimo búzio ele segurou. Colocou-o num buraco no chão e cobriu com terra. Exú disse que o búzio extra era para os antepassados, conforme o costume que se seguia no Orun.

Toda vez que alguém recebe algo de bom, deve-se lembrar dos antepassados. Dá-se uma parte das colheitas, dos banquetes e dos sacrifícios aos Orixás, aos antepassados. Assim também com o dinheiro. Este é o jeito como é feito no Céu. Assim também na terra deve ser. Quando qualquer coisa vem para alguém, deve-se dividi-la com os antepassados. “Lembrai que não deve haver disputa pelos búzios.”

Iemanjá, Oiá e oxum reconheceram que Exú estava certo. E concordaram em aceitar três búzios cada. Todos os que souberam do ocorrido no mercado de Oió passaram a ser mais cuidadosos com relação aos antepassados, a eles destinando sempre uma parte importante do que ganham com os frutos do trabalho e com os presentes da fortuna."


 Exú torna-se o amigo predileto de Orumilá 


"Como se explica a grande amizade entre Orumilá e Exú, visto que eles são opostos em grandes aspectos?


Orumilá, filho mais velho de Olorum, foi quem trouxe aos humanos o conhecimento do destino pelos búzios.

Exú, pelo contrario, sempre se esforçou para criar mal-entendidos e rupturas, tanto aos humanos como aos Orixás. Orumilá era calmo e Exú, quente como o fogo.

Mediante o uso de conchas adivinhas, Orumilá revelava aos homens as intenções do supremo deus Olorum e os significados do destino. Orumilá aplainava os caminhos para os humanos, enquanto Exú os emboscava na estrada e fazia incertas todas as coisas. O caráter de Orumilá era o destino, o de Exú, era o acidente. Mesmo assim ficaram amigos íntimos.

Uma vez, Orumilá viajou com alguns acompanhantes. Os homens de seu séqüito não levavam nada, mas Orumilá portava uma sacola na qual guardava o tabuleiro e os Obis que usava para ler o futuro.

Mas na comitiva de Orumilá muitos tinham inveja dele e desejavam apoderar-se de sua sacola de adivinhação. Um deles mostrando-se muito gentil, ofereceu-se para carregar a sacola de Orumilá. Um outro também se dispôs à mesma tarefa e eles discutiram sobre quem deveria carregar a tal sacola. Até que Orumilá encerrou o assunto dizendo: “Eu não estou cansado. Eu mesmo carrego a sacola”.

Quando Orumilá chegou em casa, refletiu sobre o incidente e quis saber quem realmente agira como um amigo de fato. Pensou então num plano para descobrir os falsos amigos. Enviou mensagens com a notícia de que havia morrido e escondeu-se atrás da casa, onde não podia ser visto. E lá Orumilá esperou.

Depois de um tempo, um de seus acompanhantes veio expressar seu pesar. O homem lamentou o acontecido, dizendo ter sido um grande amigo de Orumilá e que muitas vezes o ajudara com dinheiro. Disse ainda que, por gratidão, Orumilá lhe teria deixado seus instrumentos de adivinhar.

A esposa de Orumilá pareceu compreendê-lo, mas disse que a sacola havia desaparecido. E o homem foi embora frustrado. Outro homem veio chorando, com artimanha pediu a mesma coisa e também foi embora desapontado. E assim, todos os que vieram fizeram o mesmo pedido. Até que Exú chegou.

Exú também lamentou profundamente a morte do suposto amigo. Mas disse que a tristeza maior seria da esposa, que não teria mais pra quem cozinhar. Ela concordou e perguntou se Orumilá não lhe devia nada. Exú disse que não. A esposa de Orumilá persistiu, perguntando se Exú não queria a parafernália de adivinhação. Exú negou outra vez. Aí Orumilá entrou na sala, dizendo: “Exú, tu és sim meu verdadeiro amigo!”. Depois disso nunca teve amigos tão íntimos, tão íntimos como Exú e Orumilá."

 Exú leva aos homens o Oráculo de Ifá 


"Em épocas remotas os deuses passaram fome. Às vezes, por longos períodos, eles não recebiam bastante comida de seus filhos que viviam na Terra. 


Os deuses cada vez mais se indispunham uns com os outros e lutavam entre si guerras assombrosas.

Os descendentes dos deuses não pensavam mais neles e os deuses se perguntavam o que poderiam fazer. Como ser novamente alimentados pelos homens? 

Os homens não faziam mais oferendas e os deuses tinham fome. Sem a proteção dos deuses, a desgraça tinha se abatido sobre a Terra e os homens viviam doentes, pobres, infelizes. 

Um dia Exú pegou a estrada e foi em busca de solução. Exú foi até Iemanjá em busca de algo que pudesse recuperar a boa vontade dos homens. Iemanjá lhe disse: “Nada conseguirás. Xapanã já tentou afligir os homens com doenças, mas eles não vieram lhe oferecer sacrifícios”. 

E continuando... falou: “Exú matará todos os homens, mas eles não lhe darão o que comer. Xangô já lançou muitos raios e já matou muitos homens, mas eles nem se preocupam com ele. Então é melhor que procures solução em outra direção. Os homens não tem medo de morrer. Em vez de ameaçá-los com a morte, mostra a eles alguma coisa que seja tão boa que eles sintam vontade de tê-la. E que, para tanto, desejem continuar vivos”.

Exú retornou então seu caminho e foi procurar Orungã. Orungã lhe disse: “Eu sei por que vieste. Os dezesseis deuses tem fome. É preciso dar aos homens alguma coisa de que eles gostem, alguma coisa que os satisfaça. Eu conheço algo que pode fazer isso. É uma grande coisa que é feita com dezesseis caroços de dendê. Arranja os cocos da palmeira e entenda seu significado. Assim poderás conquistar os homens”.

Exú foi ao local onde havia palmeiras e conseguiu ganhar dos macacos dezesseis cocos. Exú pensou e pensou, mas não atinava no que fazer com eles. Os macacos então lhe disseram: 

“Exú, não sabes o que fazer com os dezesseis cocos de palmeira? Vai andando pelo mundo e em cada lugar pergunta o que significam esses cocos de palmeira. Deves ir a dezesseis lugares para saber o que significam esses cocos de palmeira. Em cada um desses lugares recolheras dezesseis odus, recolherás dezesseis histórias, dezesseis oráculos. Cada história tem a sua sabedorias, conselhos que podem ajudar os homens. Vai juntando os odus e ao final de um ano terás aprendido o suficiente. Aprenderás dezesseis vezes dezesseis odus. Então volta para onde moram os deuses. Ensina aos homens o que terás aprendido e os homens irão cuidar de Exú de novo”. 

Exú fez o que lhe foi dito e retornou ao Orun, o Céu dos Orixás. Exú mostrou aos deuses os odus que havia aprendido e os deuses disseram: “Isso é muito bom”. Os deuses, então, ensinaram o novo saber aos seus descendentes, os homens. Os homens então puderam saber todos os dias os desígnios dos deuses e os acontecimentos do porvir. Quando jogavam os dezesseis cocos de dendê e interpretavam o odu que eles indicavam, sabiam da grande quantidade de mal que havia no futuro. 

Eles aprenderam a fazer sacrifícios aos Orixás para afastar os males que os ameaçavam. Eles recomeçavam a sacrificar animais e a cozinhar suas carnes para os deuses. Os Orixás estavam satisfeitos e felizes. Foi assim que Exú trouxe aos homens o Oráculo de Ifá."


Veja também:




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Fonte: Contos transmitidos do folclore das Religiões de Matriz Africana (web.archive.org)

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Educação :: Exu não pode?



Recentemente, um jornal carioca destacou o caso da professora proibida de usar o livro "Lendas de Exu" em uma escola municipal. A professora é umbandista e a diretora da escola é evangélica.

É cada vez mais comum que professores e alunos de candomblé ou umbanda sejam discriminados nas escolas. A pergunta é: por que Jesus pode estar em um livro para o ensino religioso católico, destinado à rede pública, e Exu não pode? 

Exu não entra na escola porque este país é racista, e o racismo está presente na escola. Acredito também que atravessamos uma fase de avanço conservador na educação pública.

A manutenção da oferta do ensino religioso na Constituição de 88, a aprovação deste como confessional no Rio, os livros didáticos católicos, a Concordata Brasil-Vaticano, são vitórias silenciosas que ampliam e legitimam as circunstâncias necessárias para discriminações como essa.

A mãe-de-santo Beata de Yemanjá diz: 
"Pensam que o Brasil é uma coisa só e nos discriminam. Isso é racismo." 
Para o pesquisador Antônio Sérgio Guimarães, o racismo brasileiro é heterofóbico, a negação absoluta das diferenças implicando um ideal, explícito ou não, de homogeneidade (ou uma coisa só, como diz Beata).

Quando uma escola proíbe um livro de lendas africanas ela discrimina culturas afrodescendentes. Exu é negro. Um poderoso e imenso orixá negro. É o orixá mais próximo dos seres humanos porque representa a vontade, o desejo, a sexualidade, a dúvida. Por que esses sentimentos não são bem-vindos na escola? Porque a Igreja católica tratou de associá-lo ao seu diabo e muitas escolas incorporam essa lógica conservadora, moralista e racista. 

O Exu proibido afirma que este país tem negros com diferentes culturas que, se entendidas como modos de vida, podem incluir diferentes modos de ver, crer, não crer, sentir, entender e explicar a vida. Positivo foi que muitos professores e professoras criticaram o ocorrido, o que mostra que também a escola não é "uma coisa só". É nas suas tensões cotidianas que devemos lutar contra o racismo.

As culturas com suas religiões fazem parte do ensino de História da África. Como é que vai ser? Pais e professores arrancarão as páginas desses livros? Ou eles já serão confeccionados mutilados pelo racismo? Respondo com a saudação ao orixá excluído da escola: Laro oyê Exu! Para que ele traga mais confusão e com ela, o movimento, a comunicação, a transformação onde reina.

Stela Guedes Caputo é professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Xangô ✡ São João Batista ✡ 24 de junho


Xangô é sincretizado com São Jerônimo, São Pedro e São João Batista. Seu poder se manifesta na pedreira, é o Senhor da justiça. 

Seu símbolo é o machado de duas faces, significando que o machado tanto protege seus filhos das injustiças como os punem quando as cometem, bem como, a Estrela de 6 pontas cujo símbolo é em si o poder equilibrador do Universo.

A Lenda de Xangô
Segundo a mitologia ancestral do Candomblé

Quando Deus Criou os Estados exteriores da Criação, o Primeiro foi o vazio (Exu), o Segundo estado foi o Espaço em si mesmo (Oxalá) e o Quarto Estado da Criação exterior foi o equilíbiro de tudo e de todos (Xangô). Como em Olorum (Zambi), não se pode dizer quem foi o primeiro a ser exteiorizado, nós umbandistas preferimos amá-los e ponto final.

Tudo trata-se de ângulos de visões religiosas, pois o poder de Olorum que equilibra todo o Universo que faz par com o estado purificador (Kali-yê), é chamado de Xangô na religião umbandista, ou seja, na Umbanda não o adoramos como um deus com características humanas, mas sim, como o poder equilibrador de Olorum manifestado em seu exterior.

Cor: marrom e vermelho.

Saudação: Kao-Kabelecilie-Obá




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