Nosso conteúdo é vasto! Faça sua busca personalizada e encontre o que está procurando...

Translate

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Origens Apócrifas do Cristianismo



Por Gilberto Schroeder

O sacerdote franciscano Jacir de Freitas Faria, mestre em exegese bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, realizou um estudo profundo das origens do cristianismo a partir do legado dos evangelhos apócrifos.

O livro das Origens Apócrifas do Cristianismo, do Frei Jacir de Freitas Faria, OFM (Ordem dos Frades Menores), é o volume 16 da série Teologias Bíblicas (Paulinas), que tem como objetivo aprofundar os estudos sobre as grandes correntes teológicas existentes no Primeiro e Segundo Testamentos. Ou, como explica Frei Jacir, “como o povo da Bíblia foi percebendo a revelação histórica de Deus na sua caminhada”.

Jacir diz que se “impôs” a nobre tarefa de estudar as origens do cristianismo que os evangelhos apócrifos nos legaram, porque é importante “olhar para trás”. O estudioso explica que “em nossos dias, cresce cada vez mais o desejo de redescobrir valores perdidos ou deixados de lado pela tradição cristã. Olhar par trás não significa cumprir a sina da mulher de Ló’, isto é, tornar-se uma estátua de sal. Olhar para trás significa deixar-se salgar pelo sal das primeiras comunidades, purificar-se de conceitos historicamente consagrados, sobretudo em relação à atuação das mulheres da primeira hora do cristianismo”.

Conversamos com Frei Jacir para saber mais respeito de seus estudos e outros temas relacionados aos evangelhos apócrifos.

O que são, exatamente, os textos apócrifos do cristianismo? Como considerar textos como o de O Livro de Enoch e O Livro de Noé, citados por alguns autores como sendo apócrifos? Eles estariam entre os apócrifos do que você chamou de Primeiro Testamento, ou Antigo Testamento?
Quando alguém usa o substantivo apócrifo, logo pensa em algo falso, recheado de mentiras. Na linguagem bíblica, apócrifo passou a significar texto não canônico (oficial) e, por conseguinte, não inspirado. Temos apócrifos do Primeiro e do Segundo Testamentos. Não considerando os inúmeros fragmentos de textos, podemos falar de 52 livros do Primeiro Testamento e 60 do Segundo. Esta classificação é também discutida.

A tradição protestante se encarregou de chamar os apócrifos também de pseudepígrafos, isto é, falsos escritos atribuídos à pessoa de notável autoridade na tradição, como Adão, Henoc, Moisés, etc. Os apócrifos, segundo a tradição protestante, são os livros excluídos da lista dos livros inspirados dos judeus, sendo que os cristãos os incluíram no cânon grego do Primeiro Testamento. A tradição católica, por sua vez, chamou estes livros de deuterocanônicos. São eles: Tobias, Judite, Sabedoria, 1 e 2 Macabeus, Eclesiástico e Baruc. Assim, os pseudepígrafos, oriundos do judaísmo e de uso restrito em determinados grupos, são os apócrifos para os católicos.

Creio que melhor seria não usar a terminologia pseudepígrafo, pois este substantivo tem uma conotação pejorativa. Na Bíblia canônica, também temos textos com teor de pseudepígrafo, isto é, o texto foi atribuído a um autor, mas não é de sua autoria. Cânticos dos Cânticos, O Livro de Enoch, assim como Livro dos Jubileus; Vida de Adão e Eva; I Henoque; II Henoque; Apocalipse de Abraão; Testamento de Abraão; Testamento de Jacó, etc, são considerados livros apócrifos do Segundo Testamento. Na lista dos livros apócrifos do Segundo Testamento, temos, por exemplo, evangelho de Maria Madalena, Tomé, Pedro etc, sejam eles de origem gnóstica ou não.

Em seu livro As Origens Apócrifas do Cristianismo, você diz que é preciso olhar para trás e estudar as origens do cristiuanismo, especialmente por meio dos evangelhos apócrifos. Essa é uma postura comum no cristianismo? É comum associarmos a palavra apócrifo a algo “proibido” ou “não verdadeiro”, especialmente quando citado por fontes católicas. Um exemplo clássico disso é o próprio Livro de Enoch, que também quase sempre é citado por pesquisadores que se referem à atuação de seres extraterrestre no passado longínquo da humanidade.
Quando eu defendo os apócrifos do Segundo Testamento, quero dizer que eles são importantes para resgate das origens do cristianismo. Sei que esta não é uma postura comum no meio cristão, seja ele católico ou não. Os apócrifos do Segundo Testamento, muitos deles preciosidades que não entraram no Cânon, podem e devem ser considerados também como voz alternativa de grupos heréticos, aqueles que pensavam diferente. Isto é a definição de “herético”.

É nom ser herético. Mesmo que neles não contenham verdades absolutas, mesmo que eles questionem, desinstalem a opinião sedimentada, vale a pena redescobri-los e lê-los de modo crítico e ecumênico. Jesus, Pedro, Madalena e os apóstolos, visto sob a ótica desses escritos, ganham uma nova feição, não menos importante que aquela que é objeto de nossa fé. Sabendo que a segunda é superior à primeira.

Com a minha pesquisa, quero convocar as pessoas a tomar consciência que nos apócrifos há exageros, mas não só isto. Deixemos de lado o que simplesmente é aberração nos apócrifos e tenhamos a coragem de dialogar com eles. A nossa tradição de fé que se perpetuou na oralidade, bem como em muitos dogmas, tem também fundamento nos livros apócrifos. A relação homem e mulher, tão debatida em nossos dias, encontra luzes no evangelho luzes no evangelho de Maria Madalena. Este o tema que discuto e aprofundo no meu próximo livro sobre os apócrifos, que está para ser lançado no próximo mês de março (2005). Ele leva o título de o Outro Pedro e a Outra Madalena Segundo os Apócrifos: Uma Leitura de Gênero, e está sendo publicado pela Editora Vozes.

Fala-se, também, que em alguns textos apócrifos – ou em um texto especifico, possivelmente entre os apócrifos encontrados em Nag Hammadi – é dito que Jesus Cristo pretendeu formar uma igreja – entendida como uma entidade, uma organização. Diz-se, ainda, que esse texto não é divulgação porque não é do interesse da Igreja Católica que esse conhecimento se torne público. Isso existe de fato? E sobre os rumores – ou boatos – de que existe um texto que pode ser atribuído ao próprio Cristo?
Os relatos sobre Jesus são uma ínfima parte daquilo que Jesus fez ou disse. A escolha dos fatos a serem escritos está relacionada com a experiência da comunidade que os escreve, após tê-lo guardado na memória.


Jesus nunca escreveu nada sobre ele. Nunca saberemos, de fato, toda a sua história, mas interpretações dela. Creio que distinguir a fala do Jesus histórico do da fé é tarefa não muito fácil. O que era dado de fé virou dado histórico e vice-versa. Estudos exegéticos e históricos mais recentes estimam que somente 18% das palavras atribuídas a Jesus nos evangelhos foram efetivamente pronunciadas por ele. Os evangelhos canônicos, pela sua beleza literária histórica e incontestável inspiração, continuam como obras fidedignas de nossa fé em Jesus, mas urge considerar os apócrifos.

A fundação da Igreja como instituição foi uma decorrência lógica da pregação, vida, morte e ressurreição de Jesus. Quem nele acreditou nos legou esta fé. Agora, dizer que Jesus, como nos tempos modernos, tinha como objetivo fundar uma Igreja é um exagero.

Sobre a definição de textos apócrifos, diz-se também que um texto apócrifo pode ser um texto falso ou falsificado no conteúdo ou titulo. O que isso significa, exatamente? Como definir se um texto é falso?
É difícil distinguir. Antigamente, acreditava-se que os textos sagrados eram ditados do alto. Hoje, não mais podemos acreditar nisto. Os apócrifos forma importantes, mas eles jamais poderão substituir a Bíblia. No entanto, com o avanço das ciências, não se permoite mais um estudo apenas piedoso dos textos sagrados. Não que todo estudo bíblico seja sempre piedoso, mar urge estudar, dialogar de forma responsável também com a literatura apócrifa, não somente com a canônica.

É verdade que os primeiro cristãos e seus sucessores, usando do bom senso, souberam selecionar os testemunhos escritos sobre a vida de Jesus e de seus seguidores. Um livro que não era usado por muitas comunidades tinha menos valor do que aquele que era amplamente conhecido. E também é claro que a seleção dos livros para entrar na Bíblia obedeceu a critérios de inspiração. Por outro lado, também não deixaram de entrar em jogo os interesses das lideranças cristãs e judaicas. Não exageramos quando afirmamos que os apóstolos, humanos como nós, disputaram o poder de mando na comunidade. E, nessa batalha, as mulheres foram deixadas de laldo. Embora muitas delas tenham feito valer a sua opinião, elas forma desprezadas. Até o século II da era Comum (E.C.), entre grupos de cristãos gnósticos, as mulheres exerciam mistérios de direção nas comunidades (mestras, sacerdotisas); depois disso, era considerado herege que se concedesse poder às mulheres.

Existem apócrifos que cobrem a fase da vida de Jesus da qual sempre diz que pouco ou nada se sabe? Em caso positivo, quais são esses textos e o que eles dizem de importante?
A infância de Jesus, que os evangelhos canônicos não mencionam, está presente nos apócrifos com narrativas que falam das façanhas pueris. São histórias incríveis de um menino que mata, pune, brinca, ressuscita. Histórias desse menino prodígio estão presentes em evangelhos como Pseudo-Tomé; Evangelho arménio da infância; Evangelho da Infância do Salvador; Evangelho do Pseudo-Mateus; Evangelho árabe da infância, etc. A piedade popular não suportou essas histórias. O evangelho História de José, o Carpinteiro fala que Jesus tinha 18 quando José morreu. Jesus encomendou o corpo de seu velho adotivo. José morreu com 111 anos de idade, segundo a tradição apócrifa.

Quanto ao Evangelho de Maria Madalena, sobre o qual sua pesque se aprofunda, que novas informações importantes ele apresenta? Existem referências ao amor (físico) entre Jesus e Maria Madalena? Qual seria o verdadeiro papel e importância de Maria Madalena para cristianismo?
A tradição apócrifa gnóstica conservou, para a relação entre Maria Madalena e Jesus, conceitos, no mínimo, controvertidos. A comunidade de Felipe assim descreve: “Eram três que acompanhavam sempre o Senhor: sua mãe Maria, a irmã dela, e Madalena, que é chamada de sua companheira. Com efeito, era “Maria” sua irmã, sua mãe e consorte”.

O entendimento desse texto diverge entre os tradutores. Alguns entendem que Maria era o nome da irmã de Maria, a mãe de Jesus. Outros dizem que Maria era também o nome de uma irmã de Jesus, tradição anotada por Epifânio. Também os apócrifos sobre Maria afirmam que Maria, a mãe de Jesus, teve uma outra irmã, de nome Maria, que se tornou a esposa de Cleofas, informação também anotada em Jó 19, 25. Na verdade, três Marias são importantes na vida de Jesus: a sua mãe, sua irmã e sua companheira. O último apelativo se refere a Maria Madalena. No evangelho de Maria Madalena, Pedro reconhece que Jesus amava Madalena diferentemente das outras mulheres (página 10, 1-3). Ele pergunta apavorado: “Será que Ele verdadeiramente a escolheu e a preferiu a nós?” (página 17,20). Levi, na defesa de Madalena, e reconhecendo que ela era a amada do Senhor, dá puxão de orelha em Pedro, quando lhe diz: “Pedro, tu sempre um irascível. Vejo-te agora te encarniçar contra a mulher, como o fazem nossos adversários. Pois bem! Se o mestre tornou-a digna, quem és tu para rejeitá-la? Seguramente, o mestre a conhece muito bem... Ele a amou mais que a nós”. No Evangelho de Felipe, uma outra informação surpreende os ouvidos menos avisados: “A companheira de Cristo é Maria Madalena. O Senhor amava Maria Madalena mais que todos os discípulos, e a beijava na boca repetida vezes. Os discípulos lhe disseram: ‘Por que a amas mais que a nós?’ O Salvador respondeu dizendo: ‘Como é possível que eu não vos ame tanto quanto a ela?’” (página 63,34-64,5).

O apócrifo Perguntas de Maria e outros escritos da época revelam que certos gnósticos admitiam que Madalena era amante, parceira sexual ou esposa carnal de Jesus. Opinião considerada exagerada, a qual vem contestada em Pistis Sophia. Esses textos nos colocam, inevitavelmente, na discussão em torno à relação matrimonial: entre Jesus e Madalena. A discussão sobre essa temática tem alargado nos últimos decênios. Muitas hipóteses tem sido levantadas. O que dizer de tudo isso? Com certeza, a duvida vai permanecer para sempre. Dos evangelhos canônicos decorre que Jesus estava muito próximo das mulheres, desprezadas pelas correntes machistas da sociedade judaica. Jesus foi humano com elas, mostrou paixão para com Marta e Maria, libertou Madalena da possessão, etc.

Dos evangelhos apócrifos, descortina um Jesus que não só está próximo das mulheres, mas as ama com sua sexualidade, não necessariamente genital. Para os gnósticos, a união entre o masculino e o feminino era vista numa esfera espiritual de superação da divisão corpórea. Jesus e Madalena eram vistos como exemplo dessa integração. O beijo entre eles, a expressão desse desejo espiritual. Por isso, se diz que o beijo comunicava o saber. Um se transformava no outro, Madalena podia transmitir os ensinamentos do Mestre/Amado.

Esse modo de explicar o fato do beijo não tem o objetivo de suavizar a nossa visão “puritana” e “negativa” do corpo e dizer que o beijo entre eles era simbólico. Outras explicações são possíveis. O que devemos compreender é que, nos apócrifos, Jesus é visto como um homem que ama uma mulher, como todos os homens do seu tempo. Onde está o erro nisso? Jamais Jesus teria proibido essa relação humana e divina. Poderia até ter dito que alguns, para se dedicarem de forma integral ao Reino, optam pela vida sem relação sexual. Não duvido que isso seja possível. Por outro lado, não podemos negar o corpo. A sexualidade está em todos nós. O Eros precisa ser despertado sempre em nossas relações. Jesus soube fazer isso. Não necessariamente de forma genital.

Assim, acredito no amor entre Jesus e Madalena. Um amor que integra tudo em todos: um amor sublime e humano. O papel de Madalena, a amada de Jesus, e não a prostituta, como quiseram muitos, é o de devolver a dignidade á mulher. Madalena é mulher paixão, ternura e vigor.

Fonte: Revista Sexto Sentido nº 51, páginas 8-13. "As Origens Apócrifas do Cristianismo" - Jacir de Freitas Faria – Ed. Paulinas

"Não minha, Senhor. Não é minha, mas sim TODA TUA a Glória"

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A borboleta e a flor

Certa vez, um homem pediu a Deus uma flor e uma borboleta.
Mas Deus lhe deu um cacto e uma lagarta. O homem ficou triste, pois não entendeu por que o seu pedido veio errado.

Daí pensou: Também, com tanta gente para atender...
E resolveu não questionar.

Passado algum tempo, o homem foi verificar o pedido que deixou esquecido. Para sua surpresa, do espinhoso e feio cacto havia nascido a mais bela das flores... E a horrível lagarta transformara-se em uma belíssima borboleta.

Deus sempre age certo.

O seu caminho é o melhor, mesmo que aos nossos olhos pareça estar dando tudo errado.
Se você pediu uma coisa a Deus e recebeu outra, confie. Tenha certeza de que Ele dá o que você precisa, no momento certo.

Nem sempre o que você deseja é o que você precisa. Como Ele nunca erra na entrega dos pedidos, siga em frente sem murmurar ou duvidar. O espinho de hoje será a flor de amanhã!

Do livro: A vida por linhas certas - Autor: Legrand

A Riqueza e o Conhecimento

Era uma vez, num reino distante, um jovem que entrou numa floresta e disse ao seu mestre espiritual: "Quero possuir riqueza ilimitada para poder ajudar o mundo. Por favor, conte-me, qual é o segredo para se gerar abundância?"

O mestre espiritual respondeu: "Existem duas deusas que moram no coração dos seres humanos. Todos são profundamente apaixonados por essas entidades supremas. Mas elas estão envoltas num segredo que precisa ser revelado, e eu lhe contarei qual é." Com um sorriso, ele prosseguiu:

"Embora você ame as duas deusas, deve dedicar maior atenção a uma delas, a deusa do Conhecimento, cujo nome é Sarasvati. Persiga-a, ame-a, dedique-se a ela. A outra deusa, chamada Lakshmi, é a da Riqueza. Quando você dá mais atenção a Sarasvati, Lakshmi, extremamente enciumada, faz de tudo para receber o seu afeto. Assim, quanto mais você busca a deusa do Conhecimento, mais a deusa da Riqueza quer se entregar a você. Ela o seguirá para onde for e jamais o abandonará. E a riqueza que você deseja será sua para sempre."

Existe poder no conhecimento, no desejo e no espírito. E esse poder que habita em você é a chave para a criação da prosperidade.

Do livro: Criando Prosperidade - Autoria de Deepak Chopra - na imagem: Lakshmi, Saraswati e Ganapati.

Encontre e leia este e outros livros de Deepak Chopra, o gurú da Nova Era.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Rudolf Steiner e a Antroposofia



Por Gilberto Schroeder

Nascida como uma dissidência da Sociedade Teosófica, a Antroposofia, fundada por Rudolf Steiner em 1913, espalhou-se pelo mundo com uma visão das mais interessantes a respeito da missão do ser humano no planeta, com resultados práticos como o desenvolvimento da Pedagogia Waldorf.

No site da Sociedade Antroposófica no Brasil existe uma: passagem interessante que diz o que a Antroposofia “não é”. Assim, ela não é um “movimento ou edifício místico de idéias”. A Antroposofia entende que o misticismo é baseado essencialmente em sentimentos e na transmissão de conhecimentos em forma de imagens e metáforas, enquanto a Antroposofia é transmitida ao pensamento consciente sob forma de conceitos.

Portanto, também não é uma religião, pois não tem cultos; é cultivada individualmente ou em grupos de estudo abertos, além das instituições. Não emprega mediunismo. Ela fala sobre o desenvolvimento e o uso de órgãos de percepção supra-sensível, que deve ser feito em plena consciência, em estado de vigília. Também não é sexista, racista ou nacionalista. Nossa missão na presente Terra é a evolução da essência de cada ser humano, o “Eu Superior”, que não tem sexo, raça, religião ou nacionalidade.

Também não é moralista, de modo que não existem normas de conduta para os que adotam a Antroposofia como princípio de vida. Não é dogmática; o própria Rudolf Steiner, o fundador da Antroposofia, se referiu ao fato de que não se deveria acreditar naquilo, que ele expôs, mas sim tomar como hipótese de trabalho à espera de comprovação pessoal. Da mesma forma, a Antroposofia deve acompanhar a evolução da humanidade.

Não é uma seita, e não é secreta, uma vez que tudo está publicado e os grupos de estudo podem ser freqüentados por qualquer pessoa. Não é uma sociedade fechada, pois qualquer um pode se tornar membro.

Então, o que é a Antroposofia? O termo vem do grego, significando “conhecimento do ser humano”, e está diretamente ligada às atividades do austríaco Rudolf Steiner (1861-1925), que por algum tempo esteve ligado à Sociedade Teosófica. A definição diz que se trata de um método de conhecimento da natureza, do ser humano e do universo que amplia o conhecimento obtido pelo método científico convencional, bem como trata da aplicação desse conhecimento em praticamente todas as áreas da vida humana.

Rudolf Steiner utilizava a palavra "oculto", mas com um sentido diferente do que é geralmente usado hoje em dia. Para ele, o oculto era aquilo que não estava acessível aos nossos sentidos físicos, considerando os cinco sentidos. Segundo Valdemar W. Setzer – responsável pelos textos do site e estudioso da Antroposofia desde 1961, a membro desde 1971 - com os sentidos conhecidos não é possível observar certas atividades interiores do ser humano, coma a volição, os sentimentos e os pensamentos. Ninguém nunca viu nossos impulsos de vontade, nossos sentimentos e pensamentos. Aparelhos como o da ressonância magnética, por exemplo, podem detectar alguma reação física do organismo àquelas atividades, que Steiner chamava de atividades anímicas -, mas não estará detectando as próprias atividades. Portanto, nossos sentimentos são ocultos, no sentido que Steiner quis dar à palavra. Da mesma forma, explica Setzer, aquilo que dá vida a um ser vivo é oculto, ou seja, podemos perceber sua manifestação através do próprio ser, mas a “força” que é a essência da vida não é perceptível aos nossos sentidos físicos.

Assim, diz-se que uma contribuição fundamental de Steiner foi chamar a atenção para o fato de que esse “oculto” pode ser investigado com a mesma clareza com que se investigam os fenômenos físicos, ainda que essa investigação seja realizada com outros métodos e com outros órgãos de percepção, que também são “ocultos”.

São fornecidos 10 itens que distinguem a Antroposofia de outros conjuntos de idéias, filosofias e praticas. Um é a abrangência; a Antroposofia cobre toda a vida humana e a natureza, podendo ser aplicada em todas as áreas da vida. Uma realização prática é a Pedagogia Waldorf, existente desde 1919, e hoje aplicada em mais de 800 escolas no mundo, 13 delas no Brasil. Ela também é apresentada sob forme de conceitos que se dirigem à capacidade de pensar e à sede de conhecimento e compreensão do ser humano.

Outro aspecto, ligado ao espiritualismo, é que seu método propicia se chegar-se ao fato de que o universo não é constituído apenas de matéria e energia física, mas descobre um mundo espiritual estruturado de maneira complexa em vários níveis. Por exemplo, a Antroposofia diz que os seres humanos têm um nível de “substância” espiritual, não-física, mais complexa do que a das plantas e dos animais, e também descreve seres puramente espirituais, sem expressão física, e que atuam em diferentes níveis de espiritualidade. Entende que alguns desses seres estão em níveis acima dos níveis da constituição humana, mas ainda assim são compreensíveis por meio de uma observação direta “supra-sensorial”. Dessa forma, diz que a substancia física é uma condensação da “substancia” espiritual, não-física, e para ela não existe o paradoxo do espírito atuar na matéria, uma vez que o espírito é a origem de tudo.


A Antroposofia também parte da compreensão do ser humano, para que ele entenda não apenas a si próprio, mas todo o universo. Fala a respeito do desenvolvimento de órgãos de percepção supra-sensorial, demonstrando que o mundo espiritual pode ser observado com tanta ou maior clareza que o mundo físico. Para isso é necessário que se desenvolvam individualmente órgãos de percepção que estão latentes em todos os seres humanos. Por exemplo, o que se chama intuição, para a Antroposofia já é uma percepção espiritual, ainda que não consciente e seu autocontrole. Para o desenvolvimento dessa capacidade, indica exercícios de meditação individual baseados na atividade do pensamento consciente, que deve conservar sua clareza, ser totalmente controlado e ser desenvolvido a ponto de não depender de conceitos e imagens provenientes do mundo físico.

A Antroposofia afirma que quatro características humanas devem ser preservadas e desenvolvidas de forma radical: o desenvolvimento da consciência, da autoconsciência, da individualidade e da liberdade. Apresenta uma cosmovisão aberta, ou seja, não há nada de secreto na Antroposofia. No aspecto da perspectiva histórica, o pensamento antroposófico afirma que se pode compreender conceitualmente muito do que foi transmitido na Antigüidade através de imagens como as dos mitos antigos, assim como relatos do Antigo e Novo Testamentos. Essa compreensão resgata a continuidade histórica, mostrando como o ser humano atual é a Conseqüência de uma linha de acontecimentos espirituais e físicos desde os primórdios do universo.

A Antroposofia apresenta indicações de como ampliar a pesquisa cientifica e torná-la mais humana, mais coerente com a natureza, sendo uma evolução do método científico estabelecido por Goethe. E, finalmente, a Antroposofia recomenda um desenvolvimento moral que deve ser feito pessoalmente, fundamentado no conhecimento da essência do ser humano e do universo. Assim, a missão do ser humano na presente Terra é o desenvolvimento moral baseado no amor altruísta, e essas atitudes morais devem preservar a liberdade individual, ou seja, não devem ser baseadas em imposições exteriores, mandamentos, dogmas e leis, mas irradiar do amor e do conhecimento individuais em plena liberdade.

Rudolf Steiner nasceu em Kraljevec, na fronteira austro-húngara. Formou-se engenheiro na Escole Politécnica de Viena e obteve seu doutorado em Filosofia ria Universidade de Rostock, na Alemanha. Logo após a formatura, foi convidado a integrar a equipe que estava produzindo uma edição das obras de Goethe, em Weimar, cabendo a ele editar as obras cientificas.

Sua tese de doutorado, Verdade e Ciência, trata da essência do pensar, a posteriormente por expandida na obra filosófica que ele considerava a mais fundamental, A Filosofia da Liberdade, publicada no Brasil pela Editora Antroposófica. Após o período que passou em Weimar, foi para Berlim e trabalhou como redator numa revista de literatura e deu aulas de História e Filosofia numa faculdade aberta para operários, até que entrou em choque com a concepção marxista dos diretores.

Foi em Berlim, freqüentando os círculos literários, que entrou em contata com o movimento teosófico. Segundo disse em sua biografia, foi o único grupo que estava interessado em ouvir o que ele tinha a contar sobre suas pesquisas do mundo espiritual, que vinha realizando há anos. Assim, no começo do século Steiner teve uma carreira como conferencista, expondo suas idéias esotéricas. Tornou-se Secretário-Geral da Sociedade Teosófica na Alemanha, mas entrou em choque com os dirigentes da saciedade, que estavam seguindo uma corrente orientalista e declaravam o jovem hindu Krishnamurti como o novo messias.

A discordância lavou à sua separação da Sociedade Teosófica, em 1913, seguido por várias membros, formando-se assim a primeira Sociedade Antroposófica, com sede em Dornach, na Suíça. Construiu um prédio de madeira que foi chamado de Goetheanurn, considerado uma verdadeira obra de arte. Steiner ainda introduziu, nos congressos do movimento teosófico, atividades e apresentações artísticas, que passaram a ser parte essencial do movimento.


Em 1919, Emil Molt, diretor da fábrica de cigarros Waldorf-Astoria, pediu que Steiner organizasse uma escola baseada em sua cosmovisão do ser humano; a escola logo se tornou independente e foi a origem da Pedagogia Waldorf, que se espalhou pelo mundo. No mesmo ano – percebendo que a Primeira Guerra Mundial tinha sido fruto de concepções sociais absolutamente incoerentes com a constituição do homem moderno – escreveu o livro Os Pontos Centrais da Questão Social, proferindo dezenas de palestras sobre uma nova organização social que ele chamou de A Trimembração do Organismo Social. Essa organização é aplicada hoje em dia na organização de empresas e foi a base do que veio a se chamar de Pedagogia Social. Posteriormente, a Sociedade Antroposófica e as Escolas Waldorf foram fechadas pelos nazistas. Os livros de Steiner foram queimados, e ele mesmo sofreu um atentado, em Munique, de modo que todo o movimento se transferiu para a Suíça. A antroposofia também foi proibida na União Soviética e no leste europeu até a abertura de 1989.

Outra das aplicações práticas da antroposofia, que obteve imenso sucesso, foi a idéia de se utilizar as atividades artísticas como terapia. A atividade começou na primeira clinica antroposófica, fundada em 1921 pela dra. Ita Wegman e posteriormente desenvolvida pelos que deram continuidade às atividades.

Paralelamente à medicina, também, ocorreu um desenvolvimento de uma farmacêutica antroposófica, produzida principalemente pelos laboratórios Weleda e Wala, o primeiro deles presente no Brasil.

Já em 1912, nos congressos da Sociedade Teosófica, Steiner introduziu duas novas formas artísticas: a arte da fala e a euritmia. Esta última é uma expressão corporal que tenta mostrar, em gestos, a essência profunda dos sons falados ou musicais, e é usada de três formas: artística, terapêutica e educacional.

Em 1924, após ter sido convidado a proferir uma série de palestras sobre agricultura, Steiner deu inicio ao que redundou no movimento chamado Agricultura Biodinâmica, um aperfeiçoamento de agricultura orgânica que leva em conta os ritmos cósmicos e a interação entre plantas, animais e seres humanos.

O Goetheanum foi vitima de um atentado na passagem do ano 1922 para 23, queimando inteiramente. Mas Steiner não perdeu tempo e começou os planos para a construção de um novo prédio, em concreto aparente, o que estabeleceu as bases da arquitetura antroposófica, na qual as edificações são tratadas como obras de arte funcionais que procuram se integrar nas características do meio ambiente. Uma das características que tornam a arquitetura antroposófica facilmente reconhecida é a quase ausência de ângulos retos, a não ser no contato com o solo. A idéia é a de que um ângulo reto não dá margem a quase nenhuma criatividade; mas se ele é evitado, o arquiteto tem de decidir qual ângulo usar, qual corresponde melhor à estática e funcionalidade.

Ainda em 1924, teve inicio a Pedagogia Curativa, outra aplicação prática da Antroposofia que surgiu de outra série de palestras de Steiner. Essas noções originaram o trabalho do dr. Karl König, na Escócia, com o Movimento Camphill, no qual se formam aldeias para deficientes, estimulanso-se a sua auto-suficiencia.

E, seu texto, Setzer ainda expõe que essas aplicações da Antroposofia devem sempre se basear na atuação de pessoas que abraçaram a visão antroposófica do ser humano e do mundo. Segundo explica, não há muito sentido em se aplicar certas técnicas terapêuticas ou pedagógicas sem que elas sejam inspiradas pela cosmovisão introduzida por Steiner. Assim, qualquer dessas aplicações, quando desligada da fonte original, tende a se desviar e se descaracterizar. Em outra palavras, não é possível separar da Antroposofia alguma técnica que tenha sido inspirada nela pois, se uma pessoa trabalha com uma determinada técnica, derivada dos ensinamentos de Steiner, e não concorda com sua cosmovisão, ele não deveria estar de acordo com a técnica em si.

Steiner disse que a Antroposofia deveria mudar com o tempo, o que seus continuadores vêm fazendo, ainda que se diga que não surgiu ninguém com a sua profundidade de visão e conhecimento.

Antroposofia no Brasil

A Antroposofia chegou ao Brasil ainda na época de Steiner, através de imigrantes europeus. A primeira tradução de um livro de Steiner – a obra Como se Adquirem Conhecimentos dos Mundos Superiores – surgiu no país antes da Segunda Guerra Mundial, e em 1939 já havia Ramos da Sociedade em São Paulo, Rio e Porto Alegre, com todo o trabalho ainda feito em alemão. Isso causou problemas durante a guerra, pois o receio de falar alemão fez com que os grupos de dividissem em pequenos círculos de estudo.

Por volta de 1950, o dr. Rudolf Lanz organizou várias palestras públicas do professor Otto Julius Hartmann, na Universidade de Gratz, que visitava o Brasil, autor de vários bons livros de divulgação da Antroposofia.

Uma Escola Waldorf foi fundada pelos antropósofos Selma e Dirk Berkhout, Ernst Mahle e esposa, e Paulo Bromberg e esposa. Os Berkhout colocaram á disposição uma casa em Higienópolis, em São Paulo, e a escola começou a funcionar em 1956, com Rudolf e Mariane Lanz fundando o Seminário Pedagógico Waldorf, em 1970. Foi através desse movimento pedagógico que a aplicação da Antroposofia chegou a outras cidades do país.

Em 1957, com a visita dos médicos antroposóficos da Ita Wegman Klinik, se estabeleceu os primeiras passos para a introdução da medicina antroposófica e da Weleda do Brasil, fundada em 1959. A primeira clínica antroposófica nas Américas, a Clínica Tobias, foi fundada em 1969, por Gudrun e Pedro Schmidt.

A Editora Antroposófica surgiu em 1981, por iniciativa de Rudolf Lanz e Jacyra Cardoso, e desde então tem publicado as obras de Steiner e do seus continuadores.

Já a agricultura biodinâmica iniciou suas atividades no Brasil em 1973, na Estância Demétria, em Botucatu.

Para maiores informações visite o site da S.A.B.: http://www.sab.org.br/ 

Fonte: Texto extraído da revista Sexto Sentido 54, páginas 26-31

Recomendado para você

domingo, 4 de outubro de 2009

Descrição de Jesus - Publius Lentulus

"Existe nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente, de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado profeta da verdade e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do Céu e da Terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado; em verdade, cada dia se ouvem coisas maravilhosas desse Jesus; ressuscita os mortos, cura os enfermos; em uma só palavra: é um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto.

Há tanta majestade no rosto, que aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou a teme-lo. Tem os cabelos da cor da amêndoa bem madura, distendidos até às orelhas e das orelhas até às espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes.

Tem no meio da sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso nos Nazarenos; o seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face de uma cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis.

A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio; seu olhar é muito especioso e grave; tem os olhos graciosos e claros; o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo o seu semblante, porque quando resplende, apavora, e quando ameniza faz chorar; faz-se amar e é alegre com gravidade. Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar.

Tem os braços e as mãos muito belos; na palestra contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele alguém se aproxima, verifica que é muito modesto na presença e na pessoa. É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante à sua mãe, a qual é de uma rara beleza; não se tendo jamais visto, por estas partes, uma donzela tão bela...

De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada. Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram. Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes.

Em verdade, segundo me dizem os hebreus não se ouviram, jamais, tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos judeus o tem como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de tua Majestade.

Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde."

"Há Dois Mil Anos", de Chico Xavier - Espírito Emmanuel. (Psicografado)

sábado, 3 de outubro de 2009

Por quê fazemos oferendas? A finalidade dos amalás.

Como todos sabem as religiões de matriz africana utilizam-se das oferendas em sua prática ritual. O amalá é elemento indisociável na Umbanda e deve ser feito por todos os inciados e iniciadas nesta religião. Muitos perguntam o por quê destas entregas, outros simplesmente as fazem, mas não sabem exatamente o motivo ou finalidade.

Não existe meio para recebermos Axé sem que seja deitado um Amalá pra isto. Àse, do yoruba ou Axé em português é igual a: energia, poder, força da natureza. Poder de realização através de força sobrenatural. As entregas servem não só para compartilharmos com os Orixás, obter proteção, este ritual pode servir pra vários fins, quais? Bom, aí só os guias e Orixás sabem, entretanto o campo de força criado é sempre revertido em benefício de quem deitou a entrega.

O Axé está ligado diretamente com os amalás, este poder é transmitido através da manipulação correta de elementos e substâncias. Cada Orixá têm elementos correspondentes a sua vibratória cósmica originária, estes por sua vez são utilizados na oferenda, ou seja, o Axé de cada Orixá está inoculado nos alimentos, bebidas e freqüência das cores correspondentes a cada vibratória original.

O Axé é encontrado em qualquer elemento material, pois a matéria nada mais é que o reflexo das energias cósmicas, sintetizadas nos elementos químicos que compõem o universo. Esta dádiva divina é disponibilizada no plano material para que façamos uso de acordo com nossas necessidades e livre-arbítrio. O Axé está presente, basicamente, nos 4 elementos.

Reunimos este materiais com a finalidade de retribuir as dádivas a seus provedores, os Orixás, criamos um campo de força, este por sua vez é assimilado pela Linha a que se dirige a oferenda. Desta forma compartilhamos elementos indispensáveis ao nosso sustento físico com Aqueles que gentilmente os disponibilizaram.

Todos somos formados pelos mesmos elementos que compõe os amalás. Segundo o filósofo e teólogo Bentto de Lima, na Umbanda existe uma interligação simbólica entre esses diversos usos, de modo que os elementos se combinem. Desta ligação entre os elementos resulta a eficácia mágica dos ritos. Enfim, tudo que conhecemos é impregnado pelo Axé.

No amalá, simplesmente, estamos libertando este Axé de sua ligação com a matéria, enviando-o de volta a sua origem. Provamos ao Orixá que não vivemos como servos dos sentidos, mostrando nosso desapego a matéria e transmutando-a novamente em Axé. A energia resultante desta prática ritual, depois de sua passagem pelo astral, nos é retribuída em benefício do fiel que, com fé e na fé, deitou os elementos no amalá.

Nesta comida ritual votiva, está presente o significado da vida e da morte, afinal o amalá queima e apodrece, transformando-se, do latim transformatione* = trans ("movimento para além de", "através de"; "posição para além de"; "posição ou movimento de través") + formatione. "Ato, efeito ou modo de formar". É o ato ou efeito de transformar-se, vale dizer, dar nova forma, feição ou caráter a algo, abstrato ou concreto, pessoal ou não; tornar-se diferente do que era; mudar-se, alterar-se, modificar-se, transfigurar-se, metamorfosear-se. Esta ação resulta uma nova energia, modificada em sentido amplo, relativamente ao estado original. Nessa compreensão ampla, o novo estado pode eventualmente coincidir com o estado original. (*wikipédia)

Muitos falam em sangue, pois pasmem, a seiva do vegetal também é sangue! Água, sal e carvão são sangue de origem mineral. Inclusive é importante lembra que nosso irmão do Candomblé ofertam nos amalás somente o sangue e as vísceras do animal, a carne é preparada por uma Iyabassê e servida aos seguidores desta religião como refeição impregnada de Axé... explicação que considero importante, porém tendo em vista que não é o nosso caso, na Umbanda. Esta observação apenas faço para esclarecer os que não toleram esta religião de matriz africana, que cultua os mesmos Orixás que nós. Ao menos eu, afirmo, não mato animais e não uso sangue em rituais, apesar de apreciar muito um churrasco e um galetinho.

Concluindo, o Amalá é um banquete que servimos aos verdadeiros Senhores e Senhoras da esfera que habitamos, vulgarmente falando, nossos Senhorios, que nos emprestam esta morada que vaga pelo infinito. Se comemos, bebemos, fumamos (quem não fuma usa combustíveis ou energia) e etc... nada mais justo que compartilhemos com estes, que além de locatários de nosso terreno são também parentes, nossos pais. Injusto é quem sacia seu desejo carnal através da boa mesa e não lembra de convidar tão ilustres Deuses e Deusas para a ceia. Convide seu pai e sua mãe para o banquete que serve, em troca receba gratidão, amor, Axé!

Finalizando esta breve explanação sobre a prática ritual do amalá, importante é também fazer aqui uma observação quanto a questão ecológica. Não deixe materiais que não sejam biodegradáveis na natureza. Use coités para as bebidas e leve embora consigo latas e garrafas. Ao invés de alguidares e pratos use o purungo (cabaça), folhas de bananeira ou peneiras de palha. Faça aos Orixás o que quer que Eles lhe façam, e ao planeta o que você espera que Ele faça por você.

Saravá!

Pai Ronald - Rio de Janeiro

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Curitiba - Capital ecológica e espiritista do Brasil

Foto: Flickr (Raquel Santana) - Gratidão à Raquel, que me inspirou a fotografar os reflexos do Largo, no Bebedouro

"Prazer da pura percepção, sejam os sentidos, a crítica da razão"

Este Hai-Kai do Paulo Leminski esteve por vários anos pintado em letras garrafais no paredão do prédio que fica do lado direito da Casa Romário Martins, no Largo da Ordem. Casa da gravura se não me engano.

Especulo que é mensagem subliminar do Espírito, pois (sem bairrismo, afinal hoje tenho 'crachá de carioca'), Curitiba é a cidade mais espiritualizada que conheço entre a Paraíba e o Rio Grande do Sul, isto passando pelo sertão, zona da mata, interior da Bahia, Minas Gerais e indo até Foz...

Quando trabalhei na Diretoria de Esporte e Lazer da PMC, em 1993, que ficava no Edifício Adolpho Romanó, andava todo dia pelo Largo. Eita lugar mágico! Tem mais espírito indígena que de colono andando por lá, mais alma desencarnada que encarnada. Até o Tindiquera marca ponto alí.

E o bebedouro, ainda existe? Lembro como se fosse ontem, e é... pode parecer estranho mas a primeira vez que senti a vibração de Oxum não foi no Terreiro nem na Cachoeira, foi no bebedouro do Largo... rsrsrs.. eu tinha tomado umas e outras e fui com uma prima até o bebedouro pra conversar reservado. Oxum, a Orixá estava lá e nos abençoou. Os chopes que tínhamos tomado no bar da Márcia Petúnia evaporaram na hora, foi como se o resto da cidade não existisse, só havia aquela fonte (de água corrente na época).

Sou saudoso de Curitiba, a Terra de Muito Pinhão, fruto que cai do céu e que se guardado estraga. Aliás, sempre enxerguei o pinhão como o fruto mais parecido com o maná descrito na bíblia. Quando fiz minha primeira sapecada era mais novo que meu filho é hoje. Foi meu pai que ensinou, ele ensinou que era o modo como os índios preparavam o pinhão.

Lembro quando fui pela primeira vez com o Leo numa fonte que brota na rua, uns quarteirões pra cima do country, no Cabral. Fomos lá pra lavar nossas guias, o Leo me disse que ali era um jorro direto do Aquífero Guaraní, água especial, e que Curitiba é um dos 'umbigos do mundo'. Uau, que Axé!

Só agora, após tantos anos, me veio um insight! Será que seo Akuan é predecessor do Cacique Tinguí, o Tindiquera? Não sei, mas que ele é Guaraní em sua vida passada isso creio que é.

O Paraná é abençoado pelos caboclos, vejam, o nome do estado é derivado do tupi pa'ra = "mar" + nã = "semelhante, parecido". Paraná é, portanto, "semelhante ao mar, rio grande, parecido com o mar", naturalmente pelo seu tamanho.

E Curitiba? Etimologicamente deriva da expressão indígena "core et tuba", ou, "curi'i ty(b) ba", que em língua guarani significa "muito pinhão", fruto que cai do céu.

Este lugar mágico que é a capital do Paraná nasceu ali, no Largo da Ordem e Paranaguá, o "Grande Mar Redondo", Pernagoa, ficou como cidade portuária.

Na verdade o marco zero pra mim não é na praça do homem nú, e sim o bebedouro do Largo. Não é a troco de nada que a padroeira é Nsa Sra da Luz Dos Pinhais, ao meu ver Oxum.

Paraná-ê-Parana-ê-Paraná!

Encerro este post como comecei: "Prazer da pura percepção, sejam os sentidos, a crítica da razão"

Será que seo Exú do Fogo, em sua última encarnação não foi Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera?

***

Por aí saravo e por aí vou saravando, como eterno aprendiz que sou...

Axé,

Ronald Sanson Stresser Junior


Atualização, em 30 de agosto de 2021:
Inclui este e outros contos e textos, que desenvolvi em meu livro 'DESPROGRAME-SE: poemas, frases e pensamentos para libertar a sua mente', publicado em 12 de maio de 2021 (homenagem ao dia de Pretos-velhos: 13 de maio). Uma publicação independente disponível no site da Amazon em formato eBook Kindle e Capa Comum (Clique para verLiberte sua mente e não deixem de ler!
Desejando sempre o melhor para todos / Ronald



O Princípio Espiritual do Universo

Por Carlos de Brito Imbassahy

O físico Carlos Brito Imbassahy diz que a evolução do conhecimento científico da humanidade já não comporta as hipóteses materialistas com relação à formação do universo.

De há muito, uma terrível dúvida a respeito da formação do Universo tem pairado no domínio científico das pesquisas, com o único objetivo de se imaginar não só o motivo pelo qual nosso Universo tenha sido estruturado, como, ainda, saber porque ele teria sido criado.

A primeira hipótese de trabalho a respeito dessas preocupações nasceu quando os astrofísicos puderam perceber como se realizava a transformação de uma estrela vermelha em um buraco negro, com implosão de toda energia em seu entorno até sua saturação e, finalmente, sua explosão para a formação de uma super nova.

Foi assim que nasceu a idéia do Big Bang, ou seja, a grande explosão da qual teria partido tudo aquilo que hoje compõe nosso espaço sideral.

Imaginaram, portanto, que um Agente Supremo – sem ser o Deus religioso, contudo, com poderes de criação acima do que as crenças humanas possam admitir – teria implodido toda essa energia cósmica que se acha em expansão, a tal ponto que, como no caso dos buracos negros (também agentes de implosão de energia), ao se saturar ou, ao se chegar a um limite de capacidade, teria explodido, dando, então, vazão à expansibilidade de toda energia acumulada em um fulcro central.

Os distúrbios da explosão justificariam a formação de estruturadores capazes de fazer com que tal energia cósmica se condensasse formando as partículas materiais e, com elas, a própria matéria em si. Só não conseguiram nenhuma prova desta hipótese.

Big Bang

Os primeiros pontos de atrito começaram a surgir quando Albert Einstein (1915) equacionou a expansão universal, chegando à conclusão de que ela seria homogênea e o espaço sideral seria curvo, o que se tornaria um contraste se, de fato, o Universo tivesse sido oriundo de uma grande explosão.

Logo a seguir, o astrofísico norte americano Edwin Powell Hubble estabeleceu uma constante de proporcionalidade do afastamento das galáxias (1929), reformulando tudo o que, até então se tinha como cosmofísico. Estabeleceu a teoria da expansão homogênea do Universo, com o que viria derrubar a tese do Big Bang ante uma série de outros fatores.

Mas foi em 1975 que Murray Gell Mann, à frente do acelerador de partículas da Stanford University estabeleceu o novo princípio revolucionário de que as partículas atômicas, por si só, jamais poderiam ser formadas se, sobre a energia cósmica universal não atuassem agentes estranhos ao domínio material e com poderes para estruturá-las.

Daí até a hipótese da existência dos frameworkers foi uma caminhada longa.

Nunca é demais, porém, lembrar que, ao formular em 1927 o Princípio da Incerteza, o físico alemão Werner Karl Heisenberg observou que, partículas lançadas sobre um mesmo alvo em idênticas condições, nem sempre obedeciam a mesma trajetória, sofrendo um desvio anômalo sem que se pudesse saber o motivo pelo qual assim agiam. Ele chegou a dizer que pareciam ovelhas desgarradas com vontade própria.

Foi dessa maneira que se estabeleceu o primeiro princípio admitindo que, sobre a energia cósmica universal atuariam agentes externos capazes de modulá-la e dar-lhes forma dita material. Ou melhor, dotar-lhe da tal “vontade própria”.

Posteriormente, a tese foi reforçada pelas pesquisas do Observatório Heck II do Haway ao verificar, ao final do século 20, que a estrela Alfa Centauro estaria formando um sistema planetário sugerindo que, em seu entorno, haveria uma ação conjunta de agentes externos ao Universo com poderes capazes de agregar a poeira cósmica, dando início ao sistema planetário em causa.

A Ciência está um passo de admitir que exista um outro domínio externo ao Universo, que, para os reencarnacionistas, seria o mundo espiritual.

Ora, se já é tácito que uma partícula atômica não possa ser automaticamente formada pelos distúrbios do universo sem que, sobre sua energia atue uma agente estruturador, atualmente conhecido como frameworker, o que se dirá, então, de uma vida biológica que, além da forma dita material apresenta um princípio de vida?

Sem Materialismo

O frameworker nada mais será, então, do que um princípio estruturador que, na evolução das formas, é capaz de mutar para a vida vegetal e, numa ascendência normal, apresentar-se como um espírito animal em suas diversas escalas zoológicas.

Em síntese, é a velha hipótese de que tudo tenha um princípio espiritual: os minerais, apenas, estruturadores forma. Sem vida biológica e guardando um princípio geológico de formação. Os vegetais apresentariam um forma biológica inanimada, princípio rudimentar de vida, dita psicofitóide. Os seres animados rudimentares teriam, em seu lugar, os princípios espirituais ditos psicozoóides e, finalmente, os animais, com seu espírito e seu grupo de evolução compatível com cada espécie, até chegar à forma hominal.

É assim que se raciocina cientificamente: o princípio é o mesmo e se repete no macro, como no micro, guardados patamares de evolução.

Enquanto a Ciência se preocupa com tais análises, uma grande parte de adeptos da doutrina espírita prefere procurar a salvação pelas mais variadas formas possíveis. Poucos estão preocupados, deveras, com o conhecimento e com as verdades espiríticas. Muitos são os que confiam na esperança de que Jesus, de fato, seja o salvador, outros praticam a “caridade” acintosa com o intuito de se salvarem às custas do que pregou Kardec e alguns poucos pugnam pelo estudo doutrinário com o fito de trazer o conhecimento da razão para que a verdade espírita triunfe, pois, sem dúvida, os novos conhecimentos humanos já não mais comportam hipóteses materialistas na formação universal.

Texto publicado no site do CVDEE - www.cvdee.org.br - Extraído da revista Espiritismo e Ciência, número 7, páginas 06-09.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Os Sacerdotes - Santiago Bovisio - Reflexão 24

a) Não repitamos a cruxificação!
b) Onde estão localizados?
c) Exortação.

Os sacerdotes são profissionais, e têm que estudar muitos anos para aceder a sua profissão, como os engenheiros, os médicos e os advogados. As religiões são muitas, antigas e modernas, e cada uma delas tem uma equipe sacerdotal capacitada nas doutrinas que sustentam.

E como as religiões, com o passar dos séculos, têm-se modificado em diversas igrejas, seitas e caminhos, os sacerdotes, se especializaram na doutrina de seus grupos para exercer o oficio da melhor maneira possível, da mesma forma que os médicos se especializam em cirurgiões, clínicos, pediatras, oncologistas, etc.

O sacerdote ortodoxo defende dogmas diferentes dos do padre católico, do bispo luterano, do pastor evangélico e de muitos outros, embora todos sejam cristãos e prediquem o evangelho de Jesus.

Há dois livros nesta coleção do Mestre Bovisio que descrevem as mais importantes religiões, algumas antigas que ninguém pratica, e outras que ainda estão em vigência: Livro N° XXIII "Religiões Comparadas" e Livro N° XXIV "Dez Grandes Religiões". O Capítulo 3 do Livro XXIII: "O Hinduísmo" menciona algumas de suas inumeráveis escolas e correntes, com seus corpos sacerdotais, ritos, costumes, cerimônias e seguidores.

O mesmo ocorre com outras grandes religiões: Capítulo 25 "O Cristianismo", Capítulo 26, "O Islamismo", etc. As diferentes correntes não tradicionais são milhares, e não se realizou o inventário das mesmas, menos ainda uma sistematização. Cada um destes grupos tem seus sacerdotes, treinados na doutrina que promovem em qualquer lugar onde estiverem, nas praias de Rio de Janeiro com fogueiras noturnas, em edifícios da Igreja Cristã Unificada, em mesquitas, sinagogas, templos, catedrais, capelas, tabernáculos, estádios de futebol e praças públicas.

Algumas vezes, um sacerdote consagra ante uma dúzia de fiéis que o escutam; outras, um prelado oficia diante de um milhão de pessoas. As diferenças são muito grandes em quantidade e em qualidade, enfrentando-se uns com outros; porém, todos falam de um Deus único que fez os homens e também os fez, os sacerdotes.

A instituição sacerdotal do mundo se encontra em uma desordem geral, não pelas diferenças que os separam, mas porque não conseguiu um ordenamento eqüitativo na diversidade. Na natureza, as formas e as cores são variadas e coerentes.

Em uma grande orquestra sinfônica há muitos instrumentos que soam diferentemente, porém interpretam música harmoniosa. Na orquestra cacofônica dos sacerdotes, as partituras têm-se misturado ou estão incompletas, e a música que tocam é uma Torre de Babel incompreensível, no final de uma época que termina, para deixar lugar a outras harmonias nunca escutadas na Terra.

a) Não repitamos a cruxificação!

Um engenheiro viário constrói pontes e caminhos, um médico cardiologista cura as enfermidades do coração, e um professor ensina História em escolas e universidades; porém, não sabemos exatamente o que fazem os sacerdotes nestes tempos, qualquer que seja a religião que pratiquem.

Nesta Reflexão tentaremos descobrir não só suas atividades exteriores, mas o que são, suas posses na economia espiritual do mundo, que relação mantêm com Deus, e sobretudo, com os seres humanos. O sacerdote constitui uma classe especial, tem uma estrutura metafísica diferente do comum, ou, simplesmente faz coisas? Que significa ingressar na Ordem Sagrada? Muda sua natureza interior?

Agora que o Divino Iniciado está na Terra, vivendo junto aos homens para ensinar-lhes diretamente a nova forma de viver, sem intermediários, sem interpretações estranhas, os porta-vozes são desnecessários. Enquanto o Maitreya está vivo, só sua palavra é legítima e verdadeira.

Os sacerdotes do mundo se encontram numa encruzilhada, especialmente os cristãos e os budistas, porque ambas as tradições anunciaram o regresso do Redentor. Jesus anunciou claramente nos Evangelhos que voltaria triunfante no final de seu período cristão. Se os sacerdotes o aceitam e o reconhecem terão que calar e esperar a renovação do Evangelho, tal como o Redentor queira pronunciá-la. Se o rechaçam, converter-se-ão em seus inimigos mortais, como ocorreu há dois milênios em Jerusalém, e poderão repetir o deicídio cometido pelo Sinédrio com efeitos imprevisíveis.

Poucos anos depois da Crucificação, os romanos destruíram o Templo e os judeus foram dispersos. A História se repete, porém num nível mais elevado; a Humanidade está na crise da mudança de Raças, há milhares de bombas nucleares dispersas entre as nações inimigas e o Planeta está convulsionado em todas as ordens naturais e sociais.

O Maitreya dará logo sua Mensagem de Salvação e segundo seja a resposta humana, assim serão os acontecimentos universais. A sub raça Ária Americana se iniciou com forte presença e nada pode impedir que cumpra seu destino. Nos homens está a responsabilidade do futuro. Diz o Livro XVIII "O Caminho da Renúncia", Capítulo 9,34: "O que se pode fazer para atenuar esse golpe tremendo e espantoso?

Uma guerra futura será fulminante; em poucos meses tudo será destruído, ou pela guerra ou pela desesperação coletiva e a psicose. É possível fazer algo para atenuá-la? Se bem que a Divina Providência não permita que se entre no véu que cobre o Maitreya, sabe-se que quanto mais almas existam que cumpram a Renúncia, que vivam a vida do Espírito, mais se poderá ajudar na salvação do mundo."

b) Onde estão localizados?

O Iniciado Solar de Primeira Categoria, Manu, fundou a Raça Raiz Ária; desde então o Planeta, os homens e a vida foram diferentes, avançando para a conquista da razão. Outros Grandes Iniciados Solares, Rama, Noé, Krishna, fundaram novas e progressivas Eras para o benefício da Humanidade. Os Grandes Iniciados Solares de Quarta Categoria, Buda e Cristo, foram os últimos que, no Oriente e no Ocidente, renovaram a alma humana no princípio da compaixão e do desprendimento dos apegos materiais.

Agora, o novo Redentor Solar está vivo entre os homens e desenvolverá o maravilhoso dom da intuição pelo Caminho da Renúncia. Para que isto se possa realizar, os homens terão que esquecer tudo o que aprenderam com a razão, e que os tem levado à borda do abismo. Esquecerão pela Renúncia ou pela destruição (Renúncia Conseqüente).

Aqui desempenham um papel fundamental, uma missão, os sacerdotes, de qualquer corrente, com sua enorme capacidade de persuasão sobre as pessoas que acreditam neles.

Nesta Reflexão não nos ocupamos das instituições religiosas (igrejas, sinagogas, ashrams, mesquitas, seitas, ordens e demais corporações afins) porque os templos não falam; falam os homens. As instituições têm consolidados seus dogmas e não podem mudá-los; fazê-lo seria desaparecer. Como para sobreviver, aferram-se ao que já têm, e o que está à vista são posses materiais e poder social.

Porém os sacerdotes têm uma quota de liberdade privilegiada pela sua condição humana, que podem exercer se quiserem. Perguntávamos antes onde estão localizados? Não há duvidas: frente ao Maitreya ou em nenhum lugar. Porque o Maitreya é Jesus, é Buda, é Krishna, são todos os seres divinos que ajudaram a Humanidade sempre. Agora está encarnado junto aos homens, e os sacerdotes do mundo devem segui-lo.

Quando um Rei deixa por um tempo seu lugar, nomeia um substituto para que administre o Reino em sua ausência; quando regressa o Rei, automaticamente ocupa o Trono e o administrador desaparece. Agora que o Senhor regressou, todos os administradores do mundo regressam à sua antiga condição de criados, calam-se e obedecem ao Senhor.

Ainda o Maitreya não deu a conhecer sua presença; porém, está no Trono. Os sacerdotes deveriam fixar sua postura já, comunicando aos fiéis onde estão situados, como servidores da palavra divina, e preparando-os para que tenham fé e esperem em vigília permanente a visita do Salvador. O ruído das armas aumenta terrivelmente, e os sacerdotes devem falar antes que seja tarde.

c) Exortação

Sacerdotes: Os Grandes Iniciados, que deram origem às diversas correntes religiosas e filosóficas do mundo, conformam um Corpo Místico Espiritual chamado "Comunhão dos Santos", e abençoam sem descanso a Humanidade através do Poder da Grande Corrente, explicada nos Ensinamentos do Mestre Santiago (Livro XII "Vida Espiritual de Cafh", Capítulo 15).

A benção desce pura até aquelas almas limpas dispostas a recebê-la. Quando chega o momento indicado, um desse Seres Divinos vem viver encarnado entre os homens para ensinar-lhes diretamente e dar-lhes força. Atualmente, está conosco aquele a quem chamamos Maitreya. Os sacerdotes, para isso foram conduzidos à ordem sagrada, deveriam predicar que os homens se preparem para recebê-lo espiritualmente, limpando suas almas do egoísmo, do medo, da cobiça, da separatividade e das paixões violentas.

A benção do Redentor chegará só quando se tenha tirado a sujeira do coração.
Exortamos os sacerdotes a fazerem três coisas:

1. Que todos os dias dediquem um tempo de preces para que o Salvador ajude as almas que o estão esperando.

2. Que falem às pessoas com as quais se relacionam para ensinar-lhes a missão e a tarefa do Maitreya, especialmente às crianças.

3. Que tratem deste tema com outros sacerdotes. Como síntese destas Reflexões transcrevemos uma parte do Hino ao Maitreya que o Mestre Santiago elaborou há muitos anos, e que se encontra completo, junto com outras informações sobre o Salvador, nos "Comentários" deste site de Internet*.

HINO AO MAITREYA
Amado Maitreya: habita-nos.

"Revela-nos o mistério do amor.
Solidão incomensurável daquele que, sem ser humano, vive entre os homens.
E se faz homem no mais puro, insondável ato e sacrifício de amor.
Pureza, luz eterna de um amor sem mancha.
Só, e ao mesmo tempo uno com as almas.
Chamamos-te às portas do Divino Santuário.
Glorificamos-te para sermos elevados ao Amor.
Adoramos-te no fundo mais profundo de nosso coração.
Afunda-nos mais e mais no centro do coração, até deixar de ser um homem isolado e perdido.
Deixar de ser uma ilusão.
Ponho em tuas mãos divinas meu pequeno coração."

*Fonte: http://www.santiagobovisio.org

Doe para continuarmos nossa obra:

Gostou?
Então contribua com qualquer valor
Use a chave PIX ou o QR Code abaixo
(Stresser Mídias Digitais - CNPJ: 49.755.235/0001-82)

Sulpost é um veículo de mídia independente e nossas publicações podem ser reproduzidas desde que citando a fonte com o link do site: https://sulpost.blogspot.com/. Sua contribuição é essencial para a continuidade do nosso trabalho.