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domingo, 14 de maio de 2017

Dia das Mães: dia de saudar as Yabás


A palavra Yabá quer dizer “Mãe Rainha” e que na África era um título apenas atribuído aos Orixás Yemanjá e Oxum e que no Brasil se estendeu a todos os outros orixás femininos.  

"Senhoras misteriosas em seus fundamentos, ligadas muitas vezes as águas e fecundidade, entedê-las profundamente é como se nós quiséssemos conhecer todos os mistérios da vida e do surgimento da vida.  

Crer na força das Yabás ou nas nossas chamadas “Mães de Cabeça” é como querer estar sempre amparado pela própria mãe carnal em si.  Tal como na família material onde muitas vezes a figura da mãe tem o papel mediador entre a postura educativa e mais séria do pai para com o filho, assim são essas sagradas mãezinhas.  

Energeticamente falando, as Yabas são a metade feminina da existência; ou seja, não há procriação sem a presença do homem, muito menos da mulher.  

Trataremos abaixo das nossas Yabás cultuadas na Umbanda... 



Oxum é a senhora das águas doces, cascatas e rios, desde a sua nascente até o seu encontro com o mar.  Senhora do ouro, do mel, da beleza, da vaidade feminina,  encanto e também do jogo de Ifá (jogo de búzios).  

Ela rege também a fertilidade devido a sua ligação ao óvulo liberado em cada ciclo menstrual.  É a responsável pelas artes culinárias, a qual segundo as lendas, “dobravam” as opiniões contrárias dos seus inimigos através do estômago.  

Possui o título de Yialodê (ou “Senhora da Tribo”), ou seja, é a grande mãe que de todos toma conta, zela e protege.  Suas cores na umbanda são o amarelo, dourado ou azul claro em algumas casas.  

Seu campo de atuação é o amor, as relações humanas, a comunicação, a sensualidade pelo encanto e pela beleza.  Suas obrigações devem sempre serem feitas em ambiente limpo (Oxum detesta poeira e sujeira), gosta de doces finos e frutas das mais variadas,  principalmente as ricas em caldo e sua comida mais ofertada, sem dúvida é o omolocum.


Yemanjá é a senhora dos mares e oceanos...


Dona do Ori, rege o casamento a vida em família.  Senhora também da etiqueta social.  Yabá bastante adorada em nosso país devido a grande extensão de praias e também do mar ser para alguns a sua única fonte de sobrevivência e sustento.  Suas cores são o azul, o branco e também o prateado.  

Também gosta de espelhos tão  quanto Oxum por também estar ligada a vaidade, sendo que esta vaidade não é tão coquete e dengosa quanto a de Oxum, a vaidade de Yemanjá está mais ligada a vaidade de uma rainha soberana e poderosa, visto que, ao lado de Oxalá, também está bastante ligada a criação e na mitologia yorubá ocupar a posição de mãe de todos os Orixás – a grande Matriarca.  

É a senhora de todas as obrigações de cabeça e oboris.  Rege também a fase da gestação até o nascimento da criança.  A Yemanjá pode ser ofertado cocadas brancas, eboya, arroz branco com camarão seco, claras em neve, frutas claras, peixes (tais como sioba e corvina, p. ex.) e também o manjar e etc.


Iansã é a senhora dos bambuzais, das ventanias, dos redemoinhos das tempestades...


 Yabá muito ligada ao elementos fogo e ar.  Yansã representa a sensualidade, a sexualidade, o prazer, a boa risada, a gargalhada sincera e a alegria vibrante.  

A energia da sensualidade que emana desta yabá vem pelos caminhos do desejo ardente e incontrolável.  Tanto que nas lendas africanas, Yansã foi esposa de vários orixás (Obaluayê, Ossain, Ogun, Oxossi, Xangô) isso não só para representar a inquietude regida por ela mas também para mostrar que o elemento AR está presente em vários lugares da natureza e necessário a eles (o vento é necessário para a procriação das plantas, multiplicação das florestas, para alimentar o fogo, por exemplo etc.).  

Mãe Yansã representa a mulher que antes de ir a luta beija os filhos com carinho e chegando nos campos de batalha não deixa a bravura sufocar a sua feminilidade e sensualidade.  Em suas comidas votivas não pode faltar dendê, sendo o acarajé seu prato mais ofertado.  

Também aceita frutas diversas.  Também aceita o abará (papa de feijão fradinho em folha de bananeira cozida em banho maria).  Suas cores principais são o vermelho e o coral, também sendo em algumas casas o rosa e o amarelo.


Nanã Buruquê é a senhora dos pântanos, alagadiços e manguezais.  É a mais velha das Yabás muito ligada aos mistérios da criação...

 
Segundo lendas, Nanã participou da criação do mundo junto a Oxalá, emprestando-lhe o barro para a confecção do ser humano, fazendo –lhe jurar que ao final da vida de cada um deles que ele devolvesse o seu “barro sagrado” novamente, daí a sua saudação: Saluba Nanã Buruquê (Retornaremos ou nos refugiaremos em Nanã Buruquê).  

Yabá muito ligada a vida e a morte, tão quanto Obaluayê, rege a ancestralidade, a tudo o que é antigo e arcaico.  Rege o que não precisa ser mudado por já funcionar (representa “o modernizar pra quê?”) - ex.: uma moringa de barro ao invéz de uma jarra metálica ou uma escama de pirarucu (usada no mundo indígena para o corte de animais e hortaliças ao invés da moderna faca de aço -.  

Nanã é contrário a modernidades e barulheira.  Representa o silêncio, a meditação o aconselhamento e a sabedoria dos mais antigos.  Representa os idosos e sua sabedoria acumulada pela experiência.  Suas cores são o branco e o lilás, ou também o azul cobalto.  Gosta de efó, omolocum de feijão branco, água mineral, beterraba e berinjela preparadas devidamente.  Também aceita frutas."

Fonte: http://irmandadeumbandistaluzdearuanda.blogspot.com.br/2012/12/yabas.html
Imagens: Google images




sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Oferenda para Iemanjá durante as comemorações de Ano Novo



Fazer um agrado pra Mãe d'água, Rainha das Ondas e sereias do mar, é fácil. Muita gente acredita que uma boa oferenda pra Iemanjá traz boa sorte no ano que está nascendo, e traz mesmo.

A oferenda pode ser feita qualquer dia próximo da virada de ano e fica meio que ao critério de cada um. 

Você pode simplesmente jogar flores ao mar - dando preferência às palmas e rosas brancas - ou ainda abrir um espumante branco, doce, e despejar sobre as ondas. 

Para uma oferenda completa, você pode fazer um Amalá para Iemanjá. Na Umbanda usamos os seguintes elementos:

7 velas brancas e 7 azuis, champanhe, manjar branco. O manjar servido em folha de bananeira, deve ser enfeitando, em volta, com rosas brancas ou outro tipo de flor branca. Você pode arrumar as 7 velas brancas e as 7 azuis em maços, amarrando com uma fita azul e/ou branca - queimando todas juntas fica mais fácil de acender, principalmente se estiver ventando - use fósforos e se não os tiver acenda uma vela extra com isqueiro, então com esta vela acenda as demais, descartando-a depois. Se quiser pode colocar o espumante branco em um coité (casca de coco), derramando o restante, em círculo, sobre as flores. O local de entrega para Iemanjá é sempre na praia.

Depois que acender as velas e colocar o champanhe, não se esqueça de agradecer pelos bons momentos deste ano que se vai e pedir que frutifiquem, multipliquem as bênçãos no ano que chega. Pense só coisas boas e lembre-se que a alegria depende de você, não é um fator externo. Não há porque competir, e sim colaborar, lembre-se: 'é a união que faz a força!'. Procure sempre a companhia de pessoas generosas, que somem com você, afaste tudo de negativo. Peça que Iemanjá leve todo mal para o fundo do mar, que suas ondas, ao rolarem na praia, levem tudo de ruim e que as mesmas ondas tragam tudo de bom.

Faça seus pedidos à mãe Iemanjá, se quiser pode inclusive escrever em um bilhetinho e colocar junto na oferenda. Se preferir você também pode usar um barquinho pra colocar sua oferenda, arrume tudo no barquinho, acenda as velas, pule sete ondas e solte o barquinho no mar. Sempre depois de fazer sua oferenda vá até o mar, molhe os pés, medite por um instante, faça uma oração, permita-se receber o maravilhoso Axé de Iemanjá.

Não deixe lixo na praia! As velas queimadas juntas, queimam até o final e pouco resta da parafina. Não deixe pratos, copos, taças ou garrafas na praia, além de não serem bio-degradáveis, alguém pode se cortar com os cacos. Se quiser dar um presente dê as jóias que estiver usando, se for dar perfume derrame-o no mar, Iemanjá não precisa do vidro. Não deixe objetos de plástico, frascos de vidro ou espelhinhos na praia, só vai poluir...

Usando folha de bananeira pra colocar a comida e despejando a bebida em torno da entrega o poder da oferenda será ainda maior. Outra dica é antes de deitar sua oferenda cavar um buraco na areia, isto vai ajudar a arrumar sua oferenda mais bonita e as velas a queimarem melhor, principalmente se estiver ventando. Faça uma festa bonita pra Iemanjá, Ela gosta, e beleza também é magia. Capriche, com certeza Iemanjá irá lhe retribuir, com toda beleza e magia que tem as forças do mar.


"Ó Nossa Senhora dos Navegantes, Mãe de Deus criador do céu, da terra, dos rios, lagos e mares; protegei-me em todas as minhas viagens. 

Que ventos, tempestades, borrascas, raios e ressacas, não perturbem a minha embarcação e que monstro nenhum, nem incidentes imprevistos causem alteração e atraso à minha viagem, nem me desviem da rota traçada.

Virgem Maria, Senhora dos Navegantes, minha vida é a travessia de um mar furioso. As tentações, os fracassos e as desilusões são ondas impetuosas que ameaçam afundar minha frágil embarcação no abismo do desânimo e do desespero. 

Nossa Senhora dos Navegantes, nas horas de perigo eu penso em vós e o medo desaparece; o ânimo e a disposição de lutar e de vencer tornam a me fortalecer. Com a vossa proteção e a bênção de vosso Filho, a embarcação da minha vida há de, um dia, ancorar segura e tranquila no porto da eternidade.

Nossa Senhora dos Navegantes, rogai por nós.  

Que assim seja! 

Odoyá!"

Imagem: Luan di Nunes e Cleiton/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

sábado, 3 de outubro de 2009

Por quê fazemos oferendas? A finalidade dos amalás.

Como todos sabem as religiões de matriz africana utilizam-se das oferendas em sua prática ritual. O amalá é elemento indisociável na Umbanda e deve ser feito por todos os inciados e iniciadas nesta religião. Muitos perguntam o por quê destas entregas, outros simplesmente as fazem, mas não sabem exatamente o motivo ou finalidade.

Não existe meio para recebermos Axé sem que seja deitado um Amalá pra isto. Àse, do yoruba ou Axé em português é igual a: energia, poder, força da natureza. Poder de realização através de força sobrenatural. As entregas servem não só para compartilharmos com os Orixás, obter proteção, este ritual pode servir pra vários fins, quais? Bom, aí só os guias e Orixás sabem, entretanto o campo de força criado é sempre revertido em benefício de quem deitou a entrega.

O Axé está ligado diretamente com os amalás, este poder é transmitido através da manipulação correta de elementos e substâncias. Cada Orixá têm elementos correspondentes a sua vibratória cósmica originária, estes por sua vez são utilizados na oferenda, ou seja, o Axé de cada Orixá está inoculado nos alimentos, bebidas e freqüência das cores correspondentes a cada vibratória original.

O Axé é encontrado em qualquer elemento material, pois a matéria nada mais é que o reflexo das energias cósmicas, sintetizadas nos elementos químicos que compõem o universo. Esta dádiva divina é disponibilizada no plano material para que façamos uso de acordo com nossas necessidades e livre-arbítrio. O Axé está presente, basicamente, nos 4 elementos.

Reunimos este materiais com a finalidade de retribuir as dádivas a seus provedores, os Orixás, criamos um campo de força, este por sua vez é assimilado pela Linha a que se dirige a oferenda. Desta forma compartilhamos elementos indispensáveis ao nosso sustento físico com Aqueles que gentilmente os disponibilizaram.

Todos somos formados pelos mesmos elementos que compõe os amalás. Segundo o filósofo e teólogo Bentto de Lima, na Umbanda existe uma interligação simbólica entre esses diversos usos, de modo que os elementos se combinem. Desta ligação entre os elementos resulta a eficácia mágica dos ritos. Enfim, tudo que conhecemos é impregnado pelo Axé.

No amalá, simplesmente, estamos libertando este Axé de sua ligação com a matéria, enviando-o de volta a sua origem. Provamos ao Orixá que não vivemos como servos dos sentidos, mostrando nosso desapego a matéria e transmutando-a novamente em Axé. A energia resultante desta prática ritual, depois de sua passagem pelo astral, nos é retribuída em benefício do fiel que, com fé e na fé, deitou os elementos no amalá.

Nesta comida ritual votiva, está presente o significado da vida e da morte, afinal o amalá queima e apodrece, transformando-se, do latim transformatione* = trans ("movimento para além de", "através de"; "posição para além de"; "posição ou movimento de través") + formatione. "Ato, efeito ou modo de formar". É o ato ou efeito de transformar-se, vale dizer, dar nova forma, feição ou caráter a algo, abstrato ou concreto, pessoal ou não; tornar-se diferente do que era; mudar-se, alterar-se, modificar-se, transfigurar-se, metamorfosear-se. Esta ação resulta uma nova energia, modificada em sentido amplo, relativamente ao estado original. Nessa compreensão ampla, o novo estado pode eventualmente coincidir com o estado original. (*wikipédia)

Muitos falam em sangue, pois pasmem, a seiva do vegetal também é sangue! Água, sal e carvão são sangue de origem mineral. Inclusive é importante lembra que nosso irmão do Candomblé ofertam nos amalás somente o sangue e as vísceras do animal, a carne é preparada por uma Iyabassê e servida aos seguidores desta religião como refeição impregnada de Axé... explicação que considero importante, porém tendo em vista que não é o nosso caso, na Umbanda. Esta observação apenas faço para esclarecer os que não toleram esta religião de matriz africana, que cultua os mesmos Orixás que nós. Ao menos eu, afirmo, não mato animais e não uso sangue em rituais, apesar de apreciar muito um churrasco e um galetinho.

Concluindo, o Amalá é um banquete que servimos aos verdadeiros Senhores e Senhoras da esfera que habitamos, vulgarmente falando, nossos Senhorios, que nos emprestam esta morada que vaga pelo infinito. Se comemos, bebemos, fumamos (quem não fuma usa combustíveis ou energia) e etc... nada mais justo que compartilhemos com estes, que além de locatários de nosso terreno são também parentes, nossos pais. Injusto é quem sacia seu desejo carnal através da boa mesa e não lembra de convidar tão ilustres Deuses e Deusas para a ceia. Convide seu pai e sua mãe para o banquete que serve, em troca receba gratidão, amor, Axé!

Finalizando esta breve explanação sobre a prática ritual do amalá, importante é também fazer aqui uma observação quanto a questão ecológica. Não deixe materiais que não sejam biodegradáveis na natureza. Use coités para as bebidas e leve embora consigo latas e garrafas. Ao invés de alguidares e pratos use o purungo (cabaça), folhas de bananeira ou peneiras de palha. Faça aos Orixás o que quer que Eles lhe façam, e ao planeta o que você espera que Ele faça por você.

Saravá!

Pai Ronald - Rio de Janeiro

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