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quarta-feira, 12 de abril de 2017

Oração da Quarta-feira Santa

Quarta-feira Santa ou Grande e Sagrada Quarta-feira é a quarta-feira que antecede a celebração da morte e ressurreição de Jesus. 

É o quarto dia da Semana Santa no cristianismo ocidental e o quinto no cristianismo oriental (que conta também o Sábado de Lázaro, anterior ao Domingo de Ramos).

Logo depois dos eventos do Domingo de Ramos, o Sinédrio se reuniu e planejou matar Jesus antes da festa da Páscoa judaica (relatos em Mateus 26:3-5, Marcos 14:1-2 e Lucas 22:1-2). Na quarta-feira antes de sua morte, Jesus estava em Betânia, hospedado na casa de Simão, o Leproso. 

Enquanto jantavam, uma mulher chamada Maria ungiu a cabeça e os pés de Jesus com um caro óleo de nardo (Mateus 26:8-9, João 12:5 e Marcos 14:4-5). Mas Judas Iscariotes, que cuidava do dinheiro do grupo de Jesus, queria ter utilizado o dinheiro para dar aos pobres (ou para si mesmo, segundo João 12:6). 

Logo depois do evento, Judas foi até o Sinédrio e ofereceu-se para entregar Jesus em troca de dinheiro e, a partir daí, só lhe faltava encontrar a oportunidade ideal (Mateus 26:14-16, Marcos 14:10-12 e Lucas 22:3-6).

Embora também seja frequentemente celebrada na Quinta ou na Sexta-feira Santa o Ofício das Trevas ("Tenebrae") acontece nesta data. A palavra "tenebrae" vem do latim e significa "escuridão". 

Neste serviço, todas as velas da mesa do altar são apagadas gradativamente até que todo a igreja fique escura. Neste momento de trevas, um grande barulho simboliza a morte de Jesus. O "strepitus", como é conhecido o som, provavelmente relembra também o terremoto que se seguiu à morte de Jesus (descrito em Mateus 27:51).

Oração da Quarta-feira Santa

Pela manhã

Por qual porta posso entrar para te abraçar, Deus? Pela que está elevada sobre a terra e tem forma de cruz; pela porta do ferimento aberto pela lança. O que assim está convertido em porta absoluta, com seu corpo ferido, nos atrai para ti. Buscou a paz para nós. Tirou a raiz amarga que nos fazia tanto dano: a morte.

Colocou em nosso prato de cada dia outra comida: a dos filhos já reconciliados e reunidos em sua festa, para escutar a voz de quem nos convocava. Deus nos teve desde sempre inscritos no registro de seu fogo e quis sempre nos fazer partícipes da plenitude de seu amor. Porque nunca terá amor maior aquele que da a vida por aqueles a quem se ama.

Estou convidado a fazer o mesmo: convidado a amar como fui amado; convidado a dar minha vida pelos irmãos. Cristo meu, tu não resistes nem volta atrás na hora de cumprir esta missão de nos amar até o extremo. Ofereceu teu corpo todo aos que quiseram o destroçar.

Não escondestes o rosto para evitar os ultrajes que te fizeram. O Senhor era tua ajuda; sabia com certeza que, com Ele a teu favor, não ficaria defraudado. Teu sangue, que correu abundante acusando, mas ao mesmo tempo fecundando a terra, apura nossa consciência das obras da morte e nos prepara para nos apresentar ao Deus vivo.

Tudo isto já o sei. E a cada dia, através desta oração redundante, recordo-o e faço-o presente e desejo assimilá-lo. Mas não tenho que inventar coisas novas para falar contigo ou para comunicar a meus irmãos, tentando talvez mais que orar de verdade ante os demais com este exercício diário, mas vaidoso, das entregas que lhes faço.

Disseste-o tudo já com tua própria vida; só temos que olhar e querer repetir com a nossa aquilo que Tu foste para todos. Deve ser uma opção minha, da cada um, em liberdade completa escolher  ser imitador de Deus e viver como Ele no amor. Quero vestir-me com teus sentimentos, para que a força de repetir e repetir, de recordar e recordar, o que Tu és vá insensivelmente acabando com o que eu sou antes de chegar à fé e te conhecer.

E a força de querer que vivas em mim, chegue o momento de que já não seja eu quem vive, senão Tu em mim, meu Cristo. Que como Paulo, possa eu repetir que para mim a vida é Cristo, e um ganho morrer.

Pela noite

Minhas mãos estão estendidas para ti, Deus de todos e mais ainda dos humildes, como oferenda agradecida. Porque quando recordo a história de minha vida, descubro que segue sendo o que acolhe a qualquer hora, ao não saber nunca recusar a quem a Ti chega. É misericórdia que não se esgota, o Deus que nunca esquece sua bondade e mantém sua promessa para sempre.

A cólera não te pertence; é algo exclusivamente nosso. Entranha de misericórdia é o que és.  Hoje segue realizando proezas, portentos, façanhas de amor incalculáveis. Abraça-me com teus com laços de bondade; escolhe-me como amigo e confidente. Pelo sangue de teu Filho, faz-me entrar em uma doce intimidade contigo. Comunica a meus olhos a luz e a alegria que Tu mesmo és. Minhas mãos estendidas expressam tudo isso: qual deus é grande como nosso Deus?

Teu poder é o perdão; por isso te sobram todos os exércitos, polícias ou tribunais constitucionais. Teu braço resgata-nos com a vida, jamais com a força da violência, algo também exclusivamente nosso. Só em Ti descanso e tenho paz; só de Ti vem minha salvação; só Tu és a rocha de minha esperança. Deixa-me, Senhor, estremecer-me ante o que és.

Permite-me, apesar das nuvens que escurecem minha vida, me permite me ajoelhar e desafogar em Ti meu coração. Possa adorar-te e acolher-te para que me dê a vida, e saiba te agradecer com toda a alma o que fizestes a Cristo para mim, para nós, para todos sabedoria, justiça, santificação e redenção. E que por Ele, por seu sangue, recebo o perdão dos pecados. Por Ele nos reconciliaste, e fizeste a paz pelo sangue de sua cruz.

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