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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Adultério na visão Cristã

O adultério na bíblia  é considerado crime, pois vai contra a lei de Deus, veja em Ex 20,17 e Dt 5,18. Em Lv 20,10 está estabelecido que caso aconteça um adultério, o adúltero  e a adúltera deverão ser mortos.
Mas também, na bíblia, a palavra adultério é usada para designar a infidelidade do povo de Israel para com Deus, o seu único  Senhor.  Veja em Jr 3,8 e Os  2,2-23 a imagem do povo que se afasta de Deus é definida como uma mulher adúltera.  Em Os 2,2-23,  Deus para contrapor a idéia de castigo dado a quem pratica o adultério, vai se aproximar do povo de Israel, que o abandonou, levá-lo novamente ao deserto e falar-lhe ao coração. Deus quer reconquistar o povo para si e não mais castigá-lo.
O castigo ao adultério (cf. Lv 20,10)  foi determinado em um ambiente patriarcal, em que mulheres eram consideradas propriedade do homem ( o pai e depois o marido) e sem direitos plenos. Por isso, muitas vezes no casamento o homem que não mais se agradasse  de sua mulher poderia despedi-la por qualquer motivo e dar-lhe carta de divórcio, como está estabelecido em Dt 24,1. É contra esta ação do homem, despedir sua mulher por motivos fúteis, ou repudiá-la,  que Jesus vai contra, como está em Mt 19,3-9; Mc 10, 2-12 e Lc 16,18.
A  imagem de Deus amoroso, bondoso e que perdoa a quem está arrependido de sua má conduta para com ELE e  seus irmãos e irmãs, nos é revelada por Jesus. Deus quer a vida de todas as pessoas e por isso em Jo 8,1-11, Jesus é contra a pena de morte, por causa de adultério, que no caso só seria aplicada à mulher.
O adultério rompe a união de uma só carne iniciada no casamento, a união de amor do homem com a mulher, como está em Mt 19,4-5. A carta aos Hebreus nos lembra a necessidade que todas as pessoas casadas têm de honrar o matrimônio cf. Hb 13,4.
Por: Silvia Togneri, em 26/01/2012

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

27 de Agosto :: Santa Monica, mãe de Santo Agostinho

Em 27 de agosto celebramos a memória desta grande santa, que nos provou com sua vida que realmente “tudo pode ser mudado pela força da oração.” Santa Mônica nasceu no norte da África, em Tagaste, no ano 332, numa família cristã que lhe entregou – segundo o costume da época e local – como esposa de um jovem chamado Patrício.

Como cristã exemplar que era, Mônica preocupava-se com a conversão de sua família, por isso se consumiu na oração pelo esposo violento, rude, pagão e, principalmente, pelo filho mais velho, Agostinho, que vivia nos vícios e pecado.

A história nos testemunha as inúmeras preces, ultrajes e sofrimentos por que Santa Mônica passou para ver a conversão e o batismo, tanto de seu esposo, quanto daquele que lhe mereceu o conselho: “Continue a rezar, pois é impossível que se perca um filho de tantas lágrimas”.

Santa Mônica tinha três filhos. E passou a interceder, de forma especial, por Agostinho, dotado de muita inteligência e uma inquieta busca da verdade, o que fez com que resolvesse procurar as respostas e a felicidade fora da Igreja de Cristo. Por isso se envolveu em meias verdades e muitas mentiras. Contudo, a mãe, fervorosa e fiel, nunca deixou de interceder com amor e ardor, durante 33 anos, e antes de morrer, em 387, ela mesma disse ao filho, já convertido e cristão: “Uma única coisa me fazia desejar viver ainda um pouco, ver-te cristão antes de morrer”.

Por esta razão, o filho Santo Agostinho, que se tornara Bispo e doutor da Igreja, pôde escrever: “Ela me gerou seja na sua carne para que eu viesse à luz do tempo, seja com o seu coração para que eu nascesse à luz da eternidade”.

Oração: 

Ó Santa Mônica, que pela oração e pelas lágrimas alcançastes de Deus a conversão de vosso filho transviado, depois santo, Santo Agostinho, olhai para o meu coração, amargurado pelo comportamento do meu filho desobediente, rebelde e inconformado, que tantos dissabores causou ao meu coração e à toda a família. 

Que vossas orações se juntem com as minhas, para comover o bom Deus à fim de que ele faça meu filho entrar novamente ao bom caminho. Santa Mônica, fazei que o Pai do Céu chame de volta à casa paterna o meu filho pródigo. Dai-me esta alegria e serei muito agradecida(o). Santo Agostinho, rogai por nós. Santa Mônica, atendei-me. 

Amém!

Devoção: Principalmente à oração

Padroeiro: Das esposas, dos filhos que precisam de conversão

Outros Santos do dia: Outros santos do dia: Mônica, Rufo (bispo); Eulália (Virgem); Marcelino, Manea, João, Serapião, Pedro, Antusa (mrs); Cesáreo, Licério, Siagrio, João, Namo (bispo); Margarida (Virgem); Pemão (na); Sabas e Alexandre (Márts).

Santa Mônica, rogai por nós!

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

VITRIOL :: O Simbolismo

"O Simbolismo transforma os fenômenos visíveis em uma idéia, e a idéia em imagem, mas de tal forma que a idéia continua a agir na imagem, e permanece, contudo, inacessível; e mesmo se for expressa em todas as línguas, ela permanece inexprimível. Já a Alegoria, transforma os fenômenos visíveis em conceito, o conceito em imagem, mas de tal maneira, que esse conceito continua sempre limitado pela imagem, capaz de ser inteiramente apreendido e possuído por ela, e inteiramente exprimido por essa imagem."

Johann Wolfgang von Goethe




"visita o interior da terra e, retificando-te, encontrarás a pedra oculta"

sábado, 16 de agosto de 2014

O Inferno de Fogo Faz Parte da Justiça Divina?


Já viu alguém ser torturado? Esperamos que não. A tortura deliberada é horrível e repugnante. Mas, o que dizer duma tortura infligida por Deus? Consegue imaginar algo assim? Pois é exatamente isto o que dá a entender o ensino do inferno de fogo, doutrina oficial de muitas religiões. Só por um momento, imagine a seguinte cena horrível: Alguém está sendo assado numa chapa de ferro quente. Na sua agonia, ele grita por misericórdia, mas ninguém escuta. 

A tortura continua, hora após hora, dia após dia — sem interrupção! Não importa que crime o sofredor tenha cometido, não condoeria seu coração por ele? Que dizer daquele que mandou torturá-lo? Seria uma pessoa amorosa? De forma alguma! O amor é misericordioso e compassivo. Um pai amoroso pode punir os filhos, mas nunca os torturaria!

No entanto, muitas religiões ensinam que Deus tortura os pecadores num perpétuo inferno de fogo. Afirma-se que esta é a justiça divina. Se for verdade, quem é que criou esse terrível lugar de tormento eterno? E quem é responsável pelas dolorosas agonias infligidas ali? A resposta pareceria óbvia. Se tal lugar realmente existisse, então Deus teria de ter sido o criador dele, e ele seria responsável pelo que acontece ali. Consegue você aceitar isso? A Bíblia diz: “Deus é amor.” (1 João 4:8) Será que um Deus de amor infligiria tortura que até mesmo os humanos com certo grau de decência acham revoltante? É evidente que não!

Um Ensino Desarrazoado

Ainda assim, muitos creem que os iníquos irão para um inferno de fogo e serão atormentados para sempre. Será que este ensino é lógico? A vida humana tem a duração limitada a 70 ou 80 anos. Mesmo que alguém praticasse extrema iniquidade durante toda a sua vida, seria o tormento eterno uma punição justa? Não. Seria gravemente injusto atormentar alguém para sempre pelo número limitado de pecados que pode cometer durante a vida. 

Quem sabe a verdade a respeito do que acontece depois de morrermos? Somente Deus pode revelar esta informação, e ele fez isso na sua Palavra escrita, a Bíblia, acima mencionada. O seguinte é o que a Bíblia diz: “Como morre [o animal], assim morre [o homem]; e todos eles têm apenas um só espírito... Todos vão para um só lugar. Todos eles vieram a ser do pó e todos eles retornam ao pó.” (Eclesiastes 3:19, 20) Não há ali nenhuma menção dum inferno de fogo. Os humanos voltam ao pó — à inexistência — quando morrem.

Para alguém ser atormentado, ele precisa estar cônscio. Estão os mortos cônscios? Não. “Os viventes estão cônscios de que morrerão; os mortos, porém, não estão cônscios de absolutamente nada, nem têm mais salário, porque a recordação deles foi esquecida.” (Eclesiastes 9:5) É impossível que os mortos, que “não estão cônscios de absolutamente nada”, sintam as agonias causadas por um inferno de fogo.

Leia mais sobre esse assunto: http://www.watchtower.org/t/20020715/art...

Para mais informações: tireduvidas2011@hotmail.com

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

15 de agosto :: A Assunção Gloriosa de Nossa Senhora

42 D.C. —A Virgem Maria, Nossa Senhora, mãe de Jesus segundo a tradição da Igreja teria "dormido" e ressuscitado sendo elevada ao Céu em corpo e alma pelos anjos.


A Assunção de Nossa Senhora foi transmitida pela tradição escrita e oral da Igreja. Ela não se encontra explicitamente na Sagrada Escritura, mas está implícita.

Os protestantes acreditam que a Mãe de Deus, apesar de ter sido o Tabernáculo vivo da divindade, devia conhecer a podridão do túmulo, a voracidade dos vermes, o esquecimento da morte, o aniquilamento de sua pessoa.

Vamos analisar o fato histórico, segundo é contato pelos primeiros cristãos e transmitido pelos séculos de forma inconteste.

Na ocasião de Pentecostes, Maria Santíssima tinha mais ou menos 47 anos de idade. Depois desse fato, permaneceu Ela ainda 25 anos na terra, para educar e formar, por assim dizer, a Igreja nascente, como outrora ela educara, protegera, e dirigira a infância do Filho de Deus.

Ela terminou sua “carreira mortal” na idade de 72 anos, conforme a opinião mais comum.

A morte de Nossa Senhora foi suave, chamada de “dormição”.

Quis Nosso Senhor dar esta suprema consolação à sua Mãe Santíssima e aos seus apóstolos e discípulos que assistiram a “dormição” de Nossa Senhora, entre os quais se sobressai S. Dionísio Aeropagita, discípulo de S. Paulo e primeiro Bispo de Paris, o qual nos conservou a narração desse fato.

Diversos Santos Padres da Igreja contam que os Apóstolos foram milagrosamente levados para Jerusalém na noite que precedera o desenlace da Bem-aventurada Virgem Maria.

S. João Damasceno, um dos mais ilustres doutores da Igreja Oriental, refere que os fiéis de Jerusalém, ao terem notícia do falecimento de sua Mãe querida, como a chamavam, vieram em multidão prestar-lhe as últimas homenagens e que logo se multiplicaram os milagres em redor da relíquia sagrada de seu corpo.

Três dias depois chegou o Apóstolo S. Tomé, que a Providência divina parecia ter afastado, para melhor manifestar a glória de Nossa Senhora, como dele já se servira para manifestar o fato da ressurreição de Nosso Senhor.

S. Tomé pediu para ver o corpo de Nossa Senhora.

Quando retiraram a pedra, o corpo já não mais se encontrava.

Do túmulo se exalava um perfume de suavidade celestial!

Como o seu Filho e pela virtude de seu Filho, a Virgem Santa ressuscitara ao terceiro dia. Os anjos retiraram o seu corpo imaculado e o transportaram ao céu, onde ele goza de uma glória inefável.

Nada é mais autêntico do que estas antigas tradições da Igreja sobre o mistério da Assunção da Mãe de Deus, encontradas nos escritos dos Santos Padres e Doutores da Igreja, dos primeiros séculos, e relatadas no Concílio geral de Calcedônia, em 451.

Como Nossa Senhora era isenta do ‘pecado original’, ela estava imune à sentença de morte (consequência da expulsão do paraíso terrestre). Todavia, por não ter acesso à “árvore da vida” (que ficava no paraíso terrestre), Maria Santíssima teria que passar por uma “morte suave” ou uma “dormição”.

Por um privilégio especial de Deus, acredita-se que Nossa Senhora não precisaria morrer se assim o desejasse, ainda que não tivesse acesso à “árvore da vida”.

Tudo isso, é claro, ainda poderá ser melhor explicado com o tempo, quando a Igreja for explicitando certos mistérios relativos à Santíssima Virgem Maria que até hoje permanecem.

Muito pouco ainda descobrimos sobre a grandeza de Nossa Senhora, como bem disse S. Luiz Maria G. de Montfort em seu livro “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem“.

É certo que Nossa Senhora escolheu passar pela morte, mesmo não tendo necessidade.

Quais foram, então, as razões da escolha da morte por Nossa Senhora?

Pode-se levantar várias hipóteses. O Pe. Júlio Maria (da década de 40) assinala quatro:

1) Para refutar, de antemão, a heresia dos que mais tarde pretenderiam que Maria Santíssima não tivesse sido uma simples criatura como nós, mas pertencesse à natureza angélica.

2) Para em tudo se assemelhar ao seu divino Filho.

3) Para não perder os merecimentos de aceitação resignada da morte.

4) Para nos servir de modelo e ensinar a bem morrer.

Podemos, pois, resumir esta doutrina dizendo que Deus criou o homem mortal. Deus deu a Maria Santíssima não o direito (por não ter acesso à “Árvore da vida”), mas o privilégio, de ser imortal. Ela preferiu ser semelhante ao seu Filho, escolhendo voluntariamente a morte, e não a padecendo como castigo do pecado original que nunca tivera.

Analisemos, agora, a Ressurreição de Maria Santíssima.

Os Apóstolos, ao abrirem o túmulo da Mãe de Deus para satisfazer a piedade de São Tomé e ao desejo deles todos, não encontrando mais ali o corpo de Nossa Senhora, deduziram e perceberam que Ela havia ressuscitado!

Não era preciso ver à ressurreição para crer no fato, era uma dedução lógica decorrente das circunstâncias celestiais de sua morte, de sua santidade, da dignidade de Mãe de Deus, da sua Imaculada Conceição, da sua união com o Redentor, tudo isso constituía uma prova irrefutável da Assunção de Nossa Senhora.

A Assunção difere da ascensão de Nosso Senhor no fato de que, no segundo caso, Nosso Senhor subiu por seu próprio poder, enquanto sua Mãe foi assunta ao Céu pelo poder de Deus.

Ora, há vários argumentos racionais em favor da Assunção de Nossa Senhora. Primeiramente, havendo entrado de modo sobrenatural nesta vida, seria normal que saísse de forma sobrenatural, esse é um princípio de harmonia nos atos de Deus. Se Deus a quis privilegiar com a Imaculada Conceição, tanto mais normal seria completar o ato na morte gloriosa.

Depois, a morte, como diz o ditado latino: “Talis vita, finis ita“, é um eco da vida. Se Deus guardou vários santos da podridão do túmulo, tornando os seus corpos incorruptos, muito mais deveria ter feito pelo corpo que o guardou durante nove meses, pela pele que o revestiu em sua natureza humana, etc.

Nosso Senhor tomou a humanidade do corpo de sua Mãe. Sua carne era a carne de sua Mãe, seu sangue era o sangue de sua Mãe, etc. Como permitir que sua carne, presente na carne de sua santíssima Mãe, fosse corrompida pelos vermes e tragada pela terra? Ele que nasceu das entranhas amorosíssimas de Maria Santíssima permitiria que essas mesmas entranhas sofressem a podridão do túmulo e o esquecimento da morte? Seria tentar contra o amor filial mais perfeito que a terra já conheceu. Seria romper com o quarto mandamento da Lei de Deus, que estabelece “Honrar Pai e Mãe“.

Qual filho, podendo, não preservaria sua Mãe da morte?

A dignidade de Filho de Deus feito homem exigia que não deixasse no túmulo Aquela de quem recebera o seu Corpo sagrado. Nosso Senhor Jesus Cristo, por assim dizer, preservando o corpo de Maria Santíssima, preservava a sua própria carne.

Ainda podemos levantar o argumento da relação imediata da paixão do Filho de Deus e da compaixão da Mãe de Deus, promulgada, de modo enérgico, no Evangelho, pela profecia de S. Simeão falando à própria Mãe: “Eis que este menino está posto para a ressurreição de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição. E uma espada transpassará a tua alma” (Luc. 2, 34, 45).

Esta tradução em vernáculo (português, no caso) é larga. O texto latino (em latim) tem uma variante que parece ir além do texto em português. “Et tuam ipsius animam pertransibit glaudius” – o que quer dizer literalmente: o mesmo gládio trans passará a alma dele e a vossa.

Como seria possível que o Filho, tendo sido unido à sua Mãe em toda a sua vida, na sua infância e na sua dor, não se unisse à Ela na sua glória?

Tudo isso se levanta dos Evangelhos.

A Assunção de Maria Santíssima foi sempre ensinada em todas as escolas de teologia e não há voz discordante entre os Doutores. A Assunção é como uma consequência da encarnação do Verbo.

Se a Virgem Imaculada recebeu outrora o Salvador Jesus Cristo, é justo que o Salvador, por sua vez, a receba. Não tendo Nosso Senhor desdenhado descer ao seu seio puríssimo, deve elevá-la agora, para partilhar com Ela a sua glória.

Cristo recebeu sua vida terrena das mãos de Maria Santíssima. Natural é que Ela receba a Vida Eterna das mãos de seu divino Filho.

Além de conservar a harmonia em sua própria obra, Deus devia continuar favorecendo a Virgem Imaculada, como Ele o fez, desde a predestinação até a hora de sua morte.

Ora, podendo preservar da corrupção do túmulo a sua santa Mãe, tendo poder para fazê-la ressuscitar e para levá-la ao céu em corpo e alma, Deus devia fazê-lo, pois Ele devia coroar na glória aquela que já coroara na terra… Dessa forma, a Santíssima Mãe de Deus continuava a ser, na glória eterna, o que já fora na terra: “a mãe de Deus e a mãe dos homens“.

Tal se nos mostra Maria na glória celestial, como cantava o Rei de sua Mãe, assim canta Deus de Nossa Senhora: “Sentada à direita de seu Filho querido” (3 Reis, 2, 19), “revestida do sol” (Apoc. 12, 1), cercada de glória “como a glória do Filho único de Deus” (Jo. 1, 14), pois é a mesma glória que envolve o Filho e a Mãe! Ele nos aparece tão belo! E ela como se nos apresenta suave e terna em seu sorriso de Mãe, estendendo-nos os braços, num convite amoroso, para que vamos a Ela e possamos um dia partilhar de sua bem-aventurança!
 

domingo, 10 de agosto de 2014

Superstição com metais e objetos domésticos

Ferro:

Embora digam as crenças que o ferro tem o poder de afastar feiticeiros e maus espíritos, levar um pedaço de ferro para casa acarreta infelicidades.

Uma tradição afirma que o brilho do ferro novo cega os espíritos do mal e os afasta; entretanto, o ferro velho e enferrujado não tem poder sobre eles, que poderão instalar-se na casa da pessoa que o possui. Por este motivo, qualquer peça de antiguidade, destinada à decoração, dever ser cuidadosamente limpa, antes de ser colocada dentro de casa.

Ferradura:


A ferradura é, por certo, um dos mais populares objetos dos quais se vale a crença supersticiosa. Poucas são as pessoas que negam a opinião geral de que a ferradura é um talismã de boa sorte.

Dá sorte achar uma ferradura na rua e levá-la para dentro de casa, pregando-a sobre a porta, com as extremidades voltadas para cima.

Também se pode colocar a ferradura voltada para um dos lados, de modo a formar a letra C, inicial de Cristo.

Para muitos, o formato da ferradura simboliza o céu e o telhado da casa, representando, assim, a vida material e espiritual do homem.

O poder da ferradura deriva do fato de ter sido criada no fogo sagrado, e feita com o ferro – metal igualmente sagrado.

Antigamente acreditava-se que a ferradura era fixada, com pregos, no casco dos animais, e estes não sentiam dor, simplesmente por se tratar de um objeto poderoso.

Ferrugem:

Embora seja desagradável observar que um objeto da cada está enferrujando, isto quer dizer que alguém na casa receberá um presente em dinheiro ou uma herança.

Prego:

Encontrar um prego na rua é sinal de boa sorte; e quando pregado no portal da cozinha, dá mais sorte ainda.

Machado e enxada:

Trazer para dentro de casa um machado ou uma enxada trará a morte para alguém dessa casa.

Para proteger as reses contra o olho-grande e a feitiçaria, deve-se fazê-las passar sobre um machado, quando saírem a pastar pela primeira vez, em uma fazenda.

Pá:

A pá é o instrumento do coveiro, portanto simboliza a morte. Uma pá levada para dentro de casa dá má-sorte a quem a levou e às pessoas da casa.

Tesoura:

Apanhar uma tesoura que tenha caído no chão atrai a infelicidade; deve-se se pedir a outra pessoa que o faça; ou, pelo menos, pisar de leve na tesoura, para livrar-se do perigo. Pode-se, também, afastar a má sorte esfregando a tesoura na palma da mão, até que ela esquente; e, só então, se poderá usá-la de novo.

A tesoura tem duplo poder, pois tanto o ferro e o aço são sagrados, como, por ser objeto afiado, pode cortar a sorte.

Se, ao cair, uma tesoura ficar com uma das partes espetada no chão, é indício de morte; se a tesoura quebrar-se ao meio, é indício de que uma grande decepção está próxima.

Deixar uma tesoura aberta, segundo uma antiquíssima tradição, significa cortar mortalha, isto é, a morte de alguém.

Alfinete:

Segundo uma crença muito difundida, dá sorte encontrar um alfinete no chão. Alfinetes com cabeça preta, em qualquer parte do vestuário, atraem a morte de quem os usa. Os alfinetes usados em um funeral não devem ser usados nunca mais.

Uma noiva que subisse ao altar com um alfinete em qualquer peça de suas roupas estaria desafiando o destino.

Vidro:

Olhar para alguém através de um pedaço de vidro quebrado fará com que a pessoa tenha uma briga séria com outra.

Se um copo contendo um remédio para uma pessoa for quebrado acidentalmente, é sinal de que a pessoa será curada.

Um copo quebrado em uma festa é bom sinal.

Fonte: QUEIROZ, William L. - Superstições, Origem, Significado e Mistério. - Ediouro.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Karma e Dharma

Quando os indivíduos são confrontados com situações difíceis em suas vidas, nada é menos útil do que tentar racionalizar com eles a causa de sua dor com base em possíveis eventos que podem ter suas raízes ancoradas em uma situação de vida anterior. Este tipo de introspecção, longe de trazer alívio e cura, pode causar os aspectos negativos da raiva, ressentimento e negação, e pode facilmente intensificar a quantidade de dor de sua vida.

O Karma e Dharma, ao mesmo tempo a causa e a finalidade dos acontecimentos em nossas vidas, deve ser estudada com cuidado, e sempre com um estado estável da mente, quando a capacidade de analisar e compreender não são prejudicados pela dor e menor emoções. Eles são conceitos poderosos que podem trazer luz em situações e como eles tecem-se no tecido de nossas vidas.

Uma das melhores influências da sabedoria oriental para nossas mentes ocidentais é a noção de Karma como uma cadeia de eventos passados, pessoas e circunstâncias que ainda estão presentes em nossas vidas como desafios a serem enfrentados e superados.

A palavra Karma é agora uma palavra vernácula incorporado em todas as línguas e cultura da nossa civilização ocidental, mesmo para aqueles que não necessariamente aceitar o conceito como realidade filosófica do processo de pensamento oriental.

Esta visão unidimensional aceita o conceito como um jogo simplificado de proporções matemáticas, quando na verdade é muito mais do que simples adição e subtração: é um integrante complicado, com um conjunto de causas que interagem uns com os outros holograficamente, gerando um efeito.

O completo entendimento deste conceito é difícil, porque da forma como é atualmente divulgado como um conceito autônomo. Quando foi originalmente ensinado, Karma foi explicado em contexto com outros conceitos importantes, como os seus homólogos Dharma e Samshara.

Para o aluno iniciante, Dharma pode facilmente vir a ser um conceito muito mais complexo do Karma. Seu significado original pode ser considerado algo como conduta correta, finalidade, evolução, ensino, retidão moral, a espiritualidade e o propósito divino. Mas ainda depois de todas estas definições, o conceito de Dharma não é facilmente definível, porque todas as traduções são incompletas e parciais em suas descrições significativas.

Como principal complementar a noção de Karma, Dharma pode ser bem definido como uma tendência ou linha de conduta que temos de incorporar em nossas vidas como resultado do alinhamento com o nosso Karma, a direção, ou o caminho que devemos trilhar durante esta vida.

Na verdade, o nosso Karma é composto por muitos conflitos diferentes, procedimentos diversos e circunstâncias resultantes de alguma harmônica e algumas ações desarmônicas de nosso caminho reencarnatório. A tangente resultante desses vários pontos ações para uma determinada direção ou curso que está alinhado com a Ordem Universal Divina e nossas vidas. Este é Dharma.

O cristianismo diz respeito ao Dharma como o "plano divino de nossas vidas". No entanto, para alcançar o Dharma em nossas vidas, precisamos primeiro navegar nas águas tormentosas do Karma até que não haja mais a dissonância e o nosso mundo interno está alinhado com o nosso mundo exterior. Quando este alinhamento é conseguido, não há mais uma diferença entre o nosso Karma e nosso Dharma. Quanto mais trabalhamos no sentido de uma transmutação do Karma, mais manifestamos o nosso propósito Dharma na vida. Quando a força completa da alma se torna desperta na forma física, Karma e Dharma equilíbrio e se tornam a mesma coisa.

Mesmo nos momentos mais dolorosos de nossas vidas, estamos trabalhando simultaneamente o nosso Karma e Dharma nosso, porque, em última análise o nosso Dharma é todo o propósito que veio a se desdobrar nesta vida.

A compreensão desses dois conceitos complementares é a pedra angular para a construção de uma base sólida de conhecimento, o que facilitará a duradoura de situações difíceis em nossas existências. Ambos os agregados desconhecidos e invisíveis forças casuais, que tendem a moldar nosso destino, alterando a ação de escolha de ação, por opção, a visão geral de nossas vidas, tanto através agradável e menos de experiências agradáveis. Dor e sofrimento parece manifestar um efeito Dhármico, bem como o sistema de Karma ( causa e efeito) compensador.

Através do sofrimento humano estão as duras lições ou reorientação diretiva que semeia as sementes da tolerância, empatia, compaixão e paciência.

Fonte: humanityhealing.net | http://on.fb.me/1qRC9hs

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Reflexão :: Das Vantagens de Ser Bobo

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."

Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a ideia.

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não veem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os veem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoiévski.

Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranquilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.

Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"

Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.

Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

~Clarice Lispector

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Salmo XXXXI: "O Senhor me me livra do mal e me socorre no desespero"

O Salmo 41 é recitado contra doenças; para pedir saúde, para quando sentir que está abandonado(a), para ter alívio de dores de doenças incuráveis, pedindo a Deus a cura. 

Poderoso para nos livrar do mal e dos males, visíveis e invisíveis, este Salmo traz renovação ao espírito, à alma. Estimula a cura e acalma perturbações espirituais, proporcionando estabilidade financeira àqueles(as) que tem fé e confiam realmente a vida AO Senhor Deus. Ore com fé o Salmo 41 e acalme o sofrimento.

1.  Bem-aventurado é aquele que atende ao pobre; o SENHOR o livrará no dia do mal.
2.  O Senhor o livrará, e o conservará em vida; será abençoado na terra, e tu não o entregarás à vontade de seus inimigos.
3.  O Senhor o sustentará no leito da enfermidade; tu o restaurarás da sua cama de doença.
4.  Dizia eu: Senhor, tem piedade de mim; sara a minha alma, porque pequei contra ti.
5.  Os meus inimigos falam mal de mim, dizendo: Quando morrerá ele, e perecerá o seu nome?
6.  E, se algum deles vem me ver, fala coisas vãs; no seu coração amontoa a maldade; saindo para fora, é disso que fala.
7.  Todos os que me odeiam murmuram à uma contra mim; contra mim imaginam o mal, dizendo:
8.  Uma doença má se lhe tem apegado; e agora que está deitado, não se levantará mais.
9.  Até o meu próprio amigo íntimo, em quem eu tanto confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar.
10. Porém tu, Senhor, tem piedade de mim, e levanta-me, para que eu lhes dê o pago.
11. Por isto conheço eu que tu me favoreces: que o meu inimigo não triunfa de mim.
12. Quanto a mim, tu me sustentas na minha sinceridade, e me puseste diante da tua face para sempre.
13. Bendito seja o Senhor Deus de Israel de século em século. Amém e Amém.


segunda-feira, 28 de julho de 2014

O Xamã :: Contatos com o além e auto-cura

O xamã (a palavra é de origem tungusiana) não é o mesmo que curandeiro, feiticeiro ou mágico, encontráveis em todos os grupos primitivos até os tempos de hoje. É, na verdade, um tipo especial de indivíduo que sobrevive entre alguns caçadores do Norte da Sibéria e entre os esquimós, e que deixou vestígios na Austrália e na África.

É um homem que combina funções e habilidades que no mundo contemporâneo se divorciaram umas das ou­tras; é simultaneamente sacerdote, médico e artista. Con­forme pode ser comprovado pela arte dos xamãs atuais, muitas das mais antigas pinturas rupestres franco-cantábricas são "xamanistas" — isto é, produzidas por xamãs e derivadas de sua maneira de pensar. Para compreender essas pinturas é necessária, portanto, uma explicação mais precisa do que é o xamã.

Entre vários povos primitivos, xamã e curandeiro pre­enchem funções idênticas e usam idênticas técnicas psico­lógicas, mas cada qual tem caráter e mentalidade comple­tamente diferentes. O curandeiro surge em todos os grupos primitivos, quase sem exceção. Sua função é, antes e aci­ma de tudo, a de médico, mas possui também posição fim; portanto dentro do grupo. Frequentemente se encontra no pólo oposto ao do chefe. Às vezes ambas as funções são exercidas pelo mesmo indivíduo. Na maioria dos casos, seu papel ultrapassa o do médico e se aproxima do exer­cido pelo pastor ou sacerdote — ou pelo psicólogo de hoje.

O xamã também desempenha as funções de padre e médico, mas, ao contrário do curandeiro, age sempre em estado de transe auto-induzido. Quando conjura espíri­tos ou faz tentativas de cura, jamais opera em estado de inteira lucidez e, sim, em êxtase. Encontram-se, portanto, em relação ao xamã, fenômenos psíquicos, tais como tele­patia, clarividência, desaparecimentos e reaparecimentos misteriosos etc. Para o curandeiro, essas atividades per­tencem mais ao reino da mistificação. São exercidas a fim de sublinhar o efeito da sugestão sobre o auditório. O xamã, por outro lado, experimenta todos êsses fenômenos psicológicos com grande intensidade, em sua própria pes­soa. No curandeiro é possível perceber um inconfundível desejo de poder. O xamã, porém, é uma personalidade mais complexa. Em vários casos, torna-se o que é, não por von­tade própria, mas porque é forçado, impelido pelo sen­timento de que é essa a sua vocação. O xamã exerce grande influência sôbre os que o rodeiam, e sua função social é sem dúvida a de lhes controlar e preservar o equilíbrio psicológico, mas desempenha-a, não em busca de poder, mas como resultado de seu próprio desenvol­vimento psicológico.

As diferenças psicológicas entre curandeiro e xamã são encontradas no decurso dos acontecimentos que os levam a adotar suas respectivas funções, nas diferenças entre suas personalidades, em sua atitude em relação ao mundo que os rodeia e nas diferentes técnicas que usam para influir sobre o meio. Finalmente, há o fato de que o xamã é muitas vezes um artista em atividade — cantor, dan­çarino, decorador ou ensaiados —, funções que o curandeiro não desempenha. O xamã com frequência assume involuntariamente seus deveres. Parece estar sob pressão, de que só escapará tornando-se xamã. Narrativas sibe­rianas tornam bem claro que o futuro xamã não sente nenhum desejo consciente para exercer tal ofício, mas é forçado a isso "pelos espíritos" e finalmente acede, para não perecer. O jovem xamã em formação é um homem doente. Sofre de perturbações psicóticas ou epiléticas, além de ser fisicamente enfermo. Apesar de frequentes tentativas para fugir às exigências que sobre ele fazem os espíritos, não o consegue, o que lhe agrava cada vez mais a condição doentia. Encontra-se, então, num dilema que só pode solucionar morrendo ou assumindo o ofício de xamã.

Em termos correntes, sofre de uma psicose progressiva, que o compele a adotar uma atitude mental e um modo de agir estabelecidos pela tradição, ou então perecer. A psicose pode ser tão séria que chegue realmente a destruí-]o, se não for curado a tempo. O processo de cura considerado uma forma de morte e renascimento. O xamã em potencial pressente como o espírito o dilacera, consome e mata. Durante a cura, sente as diversas partes de seu corpo reunirem-se novamente e vê restaurar-se sua personalidade. A psicose de que sofrem tais pessoas deve ter longa história. Em data muito remota, os homens já devem ter descoberto meios de curá-la e devem ter dado a esses meios certas formas tradicionais. 

Em contraste com o curandeiro, que assume sua profissão como indi­víduo saudável, ávido de poder, o xamã, a principio, surge como inválido, que precisa atravessar determinado pro­cesso de desenvolvimento antes de curar-se. As suas fun­ções sociais desenvolvem-se, por assim dizer, como um auxiliar desse processo de cura. E são essas funções sociais, naturalmente, que o tornam tão significativo para o grupo ao qual presta assistência. A cura, que se trans­forma num transe prolongado, se bem que frequentemente interrompido, é incorporada à tradição religiosa local. Nesse estado de inconsciência, o xamã vê mentalmente imagens, e a tradicional cosmologia de sua comunidade, sua mitologia, assume em seu espírito uma nova forma artística e poética. Determinadas formas e estilos podem ser atribuídos à influência do xamanismo, e certos mé­todos e técnicas, tais como o drama, a dança, a recitação de odes e o uso de máscaras, provavelmente se originaram, em grande parte, do processo de auto-cura a que o xamã em potencial teve de se submeter.

Os membros da tribo consideram-no alguém que, em transe, pode separar a "alma" do corpo pela força de sua vontade e viajar para o "outro mundo" ou para o "além", onde cria (num plano psicológico) pré-requisitos neces­sários à ocorrência de fatos no mundo real. O xamanismo, como técnica e como atitude mental, deve ter-se de­senvolvido num tempo em que o homem não mais se sentia unido à natureza numa entidade orgânica, e se tornara consciente de uma existência física e mental in­dependente. Vigorosas experiências psíquicas começaram a surgir, não como acidente pessoal, mas como projeções de espíritos estranhos, invisíveis ao comum dos mortais, e que se supunha haverem tomado posse do corpo do xamã. Em terminologia antropológica, os xamãs são clas­sificados como “sacerdotes frenéticos". 

O fenômeno do frenesi só ocorre no estágio do desenvolvimento humano em que o indivíduo não se encontra ainda inteiramente cônscio do efeito de seus próprios processos mentais. O conceito de uma alma capaz de se separar do corpo, continuar a viver depois da morte e mais tarde ser no­vamente dotada de um corpo é de fundamental significa­ção no surgimento do xamanismo. Tanto os homens como os animais dispunham de uma alma, sujeita às mesmas leis que regiam a separação e a reencarnação. A magia dos povos caçadores primitivos, que é de origem muito an­tiga, baseia-se inteiramente na idéia de que a alma dos animais pode ser aprisionada e morta. Segue-se daí que os animais podiam ser mortos pelos mesmos meios.

A fim de garantir o êxito de suas expedições de caça, o xamã transporta-se, ou mais exatamente, manda sua alma para outro mundo, enquanto "seu corpo fica como morto". Ali, ou ele caça espíritos de animais, ou negocia com a "senhora dos animais", espírito a quem toda a fauna deve submissão. Desenhos, poemas e danças, tudo serve ao xamã como meio para descrever sua viagem ao além. O segredo da magia propiciatória da caça consiste na mímica. A expedição bem sucedida é mentalmente visualizada, com antecipação, pelo xamã, e representada com tal convicção que quando os caçadores partem nem sequer concebem a possibilidade de um fracasso. Ao per­seguirem e abaterem a presa, estão dotados da segurança dos sonâmbulos. O xamã tem o poder de afastar doenças e acidentes, tanto quanto possível, através de influência sobre a atitude psicológica do paciente. Essa influência,exercida sobre o bem-estar de seus companheiros de tribo, consiste em despertar entre eles sentimentos de autocon­fiança, ou a absoluta convicção em seu imediato sucesso.

Muita atenção se tem dado, com razão, ao papel social do xamã como mágico, sacerdote e médico. Suas realiza­ções artísticas, porém, talvez sejam mais importantes, senão do ponto de vista social, pelo menos do individual. São logicamente vitais para a compreensão das pinturas rupestres. Todo o processo de se tornar e agir como xamã é essencialmente um processo de criação artística. Para começar, um inválido cura-se desenvolvendo as habilida­des artísticas latentes. Em seguida, sua eficácia social consiste em repetir o processo à vontade, em ocasiões específicas. Principia caindo em transe, para o que usa diversos meios, geralmente o som repetido e monótono de um tambor, acompanhado de movimentos de dança. Perdendo consciência, dá expressão à sua mente criativa subconsciente.

O xamã pode representar vividamente a cosmologia da comunidade aos que o rodeiam. Parece também que, em transe, é capaz de transferir com mais facilidade aos doentes físicos e mentais o poder de curar que adquiriu. Nesse estado cria imagens mentais e acredita achar-se em comunicação com os espíritos, visualizando a mudança de seu plano de consciência como uma '`viagem para o além". Os “espíritos" ou a "viagem" nunca são concebi­dos como manifestações de seu ser pessoal. A "comunica­ção com os espíritos" parece ser uma ativação de re­giões da consciência que ele não consegue pôr em jogo em estado normal. Isto é, evidentemente, uma técnica psí­quica, provavelmente de origem muito recuada, ainda a ser redescoberta pelos psicólogos de hoje, e que aparentemente é remédio muito antigo para estados depres­sivos de espírito.

Nossos conhecimentos do xamanismo são em geral ba­seados em narrativas oriundas da Sibéria e da América do Norte, mas, uma vez que se defina o xamã como al­guém que só pode agir em transe, o fenômeno torna-se muito mais geral. Parece ocorrer em quase todas as re­giões onde sobreviveram, até há bem pouco, culturas caçadoras primitivas: entre os esquimós, os lapões do Norte da Escandinávia, na América do Sul e do Norte, em várias partes da África e no Extremo Noroeste da Austrália.

Fonte: A Arte Pré-Histórica e Primitiva, Andréas Lommel, diretor do Museu de Etnologia de Munique, Livraria José Olympio Editora.