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domingo, 13 de junho de 2010

Santo Antônio ✝︎ 13 de junho


Santo António de Lisboa (português europeu) ou Santo Antônio de Lisboa (português brasileiro), também chamado Santo Antônio de Pádua, OFM (Lisboa, 15 de Agosto de 1191-1195 - Pádua, 13 de Junho de 1231), de seu nome de batismo Fernando de Bulhões, foi um Doutor da Igreja que viveu na viragem dos séculos XII e XIII. Primeiramente foi frade agostiniano, tendo ingressado como noviço (1210) no Convento de São Vicente de Fora, em Lisboa, tendo posteriormente ido para o Convento de Santa Cruz, em Coimbra, onde fez seus estudos de Direito. Tornou-se franciscano em 1220 e viajou muito, vivendo inicialmente em Portugal, depois na Itália e na França. 

No ano de 1221 passou a fazer parte do Capítulo Geral da Ordem de Assis, a convite do próprio Francisco, o fundador. Foi professor de Teologia e grande pregador. Foi convidado por São Francisco para pregar contra os Albigenses em França. Foi transferido depois para Bolonha e de seguida para Pádua, onde morreu aos 36 (ou 40) anos.

Santo Antônio de Lisboa é considerado por muitos católicos um grande taumaturgo, sendo-lhe atribuído um notável número de milagres, desde os primeiros tempos após a sua morte até aos dias de hoje.

Protetor dos noivos, é tradição em Lisboa realizar-se um casamento coletivo, no dia 13 de Junho, na sua igreja, junto à Sé de Lisboa. Na tradição católica, de acordo com historiadores, Santo Antônio foi assentado como praça da Infantaria portuguesa por ter intercedido no ‘milagre’ da vitória sobre as forças espanholas e francesas, chegando à patente de Tenente-Coronel.

No Brasil, ‘auxiliou’ nas lutas contra o Quilombo dos Palmares (pela Capitania de Pernambuco) e a esquadra de corsários franceses de Duclerc (na Capitania do Rio de Janeiro), ficando no posto de Tenente-Coronel até a Proclamação da República, quando teve seu soldo abolido pelo Marechal Hermes da Fonseca. Sendo identificado como padroeiro de incursões militares e batalhas, o santo frade acabou sincretizado com o orixá Ogum na Bahia, por exemplo.

Oração
5 minutos diante de Santo Antônio


"Há quanto tempo te esperava, ó alma devota, pois bem conheço as graças de que necessitas e que queres que eu peça ao Senhor.

Estou disposto a fazer tudo por ti; mas, filho, dize-me uma a uma todas as tuas necessidades, pois desejo ser o intermediário entre tua alma e Deus com o fim de suavizar teus males. Sinto a aflição de teu coração e quero unir-me às tuas amarguras.

Desejas o meu auxílio no teu negócio..., queres a minha proteção para restituir a paz na tua família..., tens desejo de conseguir algum emprego..., queres ajudar alguns pobres..., alguma pessoa necessitada..., desejas que cesse alguma tribulação..., queres a tua saúde ou a de alguém a quem muito estimas? Coragem, que tudo obterás.
Agradam-me, também, as almas sinceras que tomam sobre si as dores alheias, como se fossem próprias. Mas, eu bem vejo como desejas aquela graça que há tanto tempo me pedes.

Tem fé que não tardará a hora em que hás de obtê-la.

Uma coisa, porem, desejo de ti. Quero que sejas mais assíduo ao Santíssimo Sacramento; mais devoto para com a nossa Mãe, Maria Santíssima; quero que propagues a minha devoção e ajudes meus pobres. Oh! Quanto isso me agrada ao coração! Não sei negar nenhuma graça àqueles que socorrem os outros por meu amor, e bem sabes quantos favores são obtidos por esse meio.
Quantos, com viva fé, têm recorrido a mim com o pão dos pobres na mão e são atendidos! Invocam-me para ter êxito feliz em um negócio, para achar um objeto perdido, para obter a saúde de uma pessoa enferma, para conseguir a conversão de alguém afastado de Deus, e eu, por amor dos meus pobres cuja miséria está a meu cargo, obtenho de Deus tudo o que pedem e ainda muito mais.

Temes que eu não faca outro tanto por ti? Não penses nisso porque prezo muito as prerrogativas concedidas por Deus de ser – o santo dos milagres.
Muitos outros, como tu, têm precisado de mim e temem pedir-me, pensando que me importunam.

Leio tudo no fundo do coração e a tudo darei remédio; hei de obter as graças; não temas.

Agora, volta às tuas ocupações e não te esqueças do que te recomendei; vem sempre procurar-me, porque eu te espero; tuas visitas me hão de ser sempre agradáveis, porque amigo afeiçoado como eu não acharás.

Deixo-te no coração sagrado de Jesus e, também, no de Maria e no de São José."

Reze em seguida: 1 Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.

SERMÃO SOBRE SANTO ANTÔNIO 

Nesse vídeo fantástico Maria Bethânia declama uma trecho do Sermão sobre Santo Antônio, do Padre Antônio Vieira, de 1654 proferido em São Luís do Maranhão.




Fonte:
Wikipédia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Santo_ant%C3%B4nio_de_p%C3%A1dua
http://gufec.blogspot.com/2007/06/santo-antnio.html
http://wagsantos.sites.uol.com.br/personalidades/index.html
sites acessados em 13 de julho de 2010 entre 13h00 e 14h44.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Amai-vos...

Amai-vos um ao outro, mas não façais do amor um grilhão.

Que haja, antes, um mar ondulante
entre as praias de vossa alma.

Enchei a taça um do outro,
mas não bebais da mesma taça.

Dai do vosso pão um ao outro,
mas não comais do mesmo pedaço.

Cantai e dançai juntos,
e sede alegres,

mas deixai
cada um de vós estar sozinho.

Assim como as cordas da lira
são separadas e,
no entanto,
vibram na mesma harmonia.

Dai vosso coração,
mas não o confieis à guarda um do outro.

Pois somente a mão da Vida
pode conter vosso coração.

E vivei juntos,
mas não vos aconchegueis demasiadamente.

Pois as colunas do templo
erguem-se separadamente.

E o carvalho e o cipreste
não crescem à sombra um do outro.

~Gibran Kahlil Gibran

Fundamentos do Espiritismo


O pensamento filosófico e religioso de Allan Kardec, (que hoje em dia é um dos pilares fundamentais de imensos movimentos religiosos de natureza espírita), é imensamente complexo, contudo podemos afirmar que consiste em 9 pontos fundamentais:

I
O ser humano é constituído por um corpo material aliado a um espírito

II
O corpo físico é mortal, contudo o espírito é imortal

III
O fenomeno da vida, seja ela física ou espiritual, não é exclusivo do planeta terra, sendo que ocorre por todo o universo e é parte da grande Criação de Deus

IV
Jesus, era um ser espiritual imensamente evoluído, que atingiu as metas da virtude e da bondade, emanando luz e iluminação para o mundo. Jesus foi por isso, o "Espírito mais perfeito que Deus ofereceu aos homens para servir-lhes de modelo e guia"

V
O corpo físico é um receptáculo do espírito, que através de um processo de reencarnações, vem a este mundo a fim de realizar um aprendizagem espiritual

VI
O objetivo deste processo de reencarnações, é a evolução espiritual até que seja alcançada a plenitude do ser espiritual. O ciclo de reencarnações e aperfeiçoamento visa atingir a virtude e o bem, um estado celestial de luz e iluminação

VII
A alma, é o espírito enquanto ligado a um corpo físico

VIII
O espírito encontra-se ligado ao corpo físico na forma de um invólucro denominado perispirito, sendo que esse é muitas vezes observado e chamado de "fantasma"

IX
Os espíritos desencarnados, comummente conhecidos por "mortos", e os espíritos encarnados, vulgarmente conhecidos pelos "vivos", podem comunicar-se através do processo denominado channeling, ou em português: mediunidade.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Helena Blavatsky e a Sabedoria Divina

Retrato autografado de Madame Blavatsky (reprodução/internet)



Em pleno século 19, uma mulher desafiou as diferentes religiões em seus aspectos dogmáticos e corporativos, mostrando que todas elas são imperfeitas e nenhuma possui contato exclusivo com o mundo divino. Mas a escritora russa-ucraniana Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891) também mostrou que cada grande religião tem, em sua essência, contato interior com a sabedoria eterna e universal que é patrimônio comum de toda a humanidade.

Retomando o termo criado por Amônio Sacas de Alexandria nos séculos dois e três da era cristã, Helena usou a palavra “teosofia” para referir-se a essa sabedoria primordial, e fundou, em Nova Iorque em 1875, o movimento esotérico moderno.

Ela também desafiou os dogmas científicos da época, e retomou a tradição clássica segundo a qual a religião, a ciência e a filosofia devem ser reconhecidas como inseparáveis em um universo em que cada coisa tem vida e movimento em seu interior e está ligada a todas as outras partes do cosmo.

Sensitiva, durante alguns anos promoveu fenômenos parapsicológicos para mostrar em um plano prático que o universo não tem apenas três dimensões e que a vida é maior do que o mundo dos cinco sentidos. Trabalhando em contato com raja-iogues dos Himalaias - sábios que operam em um plano intuitivo da consciência - Blavatsky trabalhou pela compreensão não-dogmática de que todos os seres humanos são irmãos, sem distinção de raça, credo, sexo, ideologia ou condição social.

Em troca, foi desprezada, chamada de doida, charlatã e mentirosa. Também foi incompreendida e atacada dentro do próprio movimento teosófico que ela fundou.

Em 1885, no auge de uma campanha clerical contra suas idéias universalistas que desbancavam crenças dogmáticas, Helena Blavatsky foi alvo de uma investigação por parte da Society for Psychical Research (Sociedade de Pesquisas Psíquicas, SPP), de Londres, e qualificada como um caso “fascinante” de fraude.

Quase cem anos depois do “processo”, levando em conta certos estudos e evidências, a SPP contratou um expert em fraudes e falsificações, Vernon Harrison, para re-examinar a “condenação” de H.P. Blavatsky.

A investigação técnica reverteu diametralmente a posição da SPP, e Harrison escreveu um livro com suas conclusões. Ele testemunhou que, realmente, houve fraude; não da parte de Blavatsky, mas dos seus acusadores. As provas contra Blavatsky é que foram forjadas. Em 1986, a Society for Psychical Research (SPR) de Londres fez uma autocrítica pública, integral e sem meias palavras. Embora tardia, a reparação serviu para restabelecer a verdade. [1] Os mais desinformados, no entanto, ainda hoje tratam Blavatsky com base nas calúnias e preconceitos do século 19.

Menos de 150 anos depois da sua morte, está documentado o fato de que a vida e o trabalho de Helena P. Blavatsky causaram um forte impacto positivo na história do pensamento humano. Porém, muito do que ela escreveu e publicou em vida ainda está por ser compreendido e decodificado mais claramente. Há previsões segundo as quais a importância de Blavatsky será melhor percebida no futuro. [2]

HPB escreveu incansavelmente sua vida toda ― cartas, artigos e livros. A publicação dos seus artigos e textos curtos, os “Escritos Reunidos” (Collected Writings) só terminou na década de 1980 e ocupou 15 volumes. Suas obras ocupam no total quase 30 volumes, com destaque para “A Doutrina Secreta”, “A Chave Para a Teosofia”, “Ísis Sem Véu” e “A Voz do Silêncio”.

A seguir, um diálogo com o conjunto da obra de HPB:


1) O que significa a palavra Teosofia?

R: Significa “sabedoria divina”, ou sabedoria dos deuses, assim como a teogonia é a genealogia dos deuses. A palavra theos significa “um deus” em grego, um dos seres divinos ― certamente não “Deus” no sentido atribuído em nossos dias ao termo. Portanto, não é “sabedoria de Deus”, como traduzido por alguns, mas sabedoria divina, a sabedoria possuída pelos deuses.

2) Qual é a origem do nome?

R: Ele nos foi transmitido pelos filósofos de Alexandria, conhecidos como os amigos da verdade, filaleteus, de filo, amigo, e aletéia, verdade. O nome Teosofia data do terceiro século de nossa era e foi introduzido por Amônio Sacas e seus discípulos, os quais iniciaram o sistema teosófico eclético.

3) O objetivo dos teosofistas de Alexandria era o mesmo dos teosofistas modernos: criar uma percepção e um espaço de vivência da fraternidade universal de todos os seres humanos, com base em uma ética comum e no reconhecimento de certas verdades eternas presentes nas diferentes filosofias, religiões e ciências. Mas a meta não é fácil e não me parece possível alcançá-la sem autoconhecimento. Como podemos educar-nos sem dogmas, trocando desejos menores pela busca da paz e da verdade?

R: Quando o desejo busca o que é puramente abstrato, quando o desejo perdeu todo traço ou tonalidade de “eu”, então ele tornou-se puro.

O primeiro passo para essa pureza é eliminar o desejo pelas coisas materiais, já que elas só podem ser apreciadas pela personalidade separada. O segundo passo é deixar de desejar para si até mesmo coisas abstratas como poder, conhecimento, amor, felicidade ou fama; porque, afinal de contas, elas são todas egoístas.

A própria vida ensina essas lições; porque todos esses objetos de desejos tornam-se frutos do Mar Morto no momento em que são alcançados. Isto nós aprendemos por experiência própria. A percepção intuitiva captura a verdade positiva de que a satisfação é alcançável só no infinito; a vontade torna essa convicção um fato real na consciência, até que, afinal, todo desejo está centrado no que é Eterno.

4) O que é preciso fazer, então, para alcançar o verdadeiro autoconhecimento?

R: A primeira condição para obter autoconhecimento é tornar-nos profundamente conscientes da nossa ignorância; sentir com cada fibra do nosso coração que somos incessantemente auto-iludidos.

O segundo requisito é a convicção ainda mais profunda de que tal conhecimento ― um conhecimento seguro e intuitivo ― pode ser obtido pelo esforço.

O terceiro e mais importante é uma determinação indômita de obter e enfrentar esse conhecimento. O autoconhecimento desse tipo não pode ser alcançado através do que normalmente se chama de “auto-análise”. Ele não é obtido pelo raciocínio ou por qualquer processo cerebral, porque ele é o despertar da consciência da natureza divina no ser humano.

Obter esse conhecimento é uma realização maior do que ter domínio sobre os elementos da natureza ou conhecer o futuro.

5) O que você está descrevendo é inseparável do despertar da intuição. Como se pode desenvolver a verdadeira intuição?

R: Em primeiro lugar, exercitando-a. E, em segundo lugar, não usando-a para propósitos meramente pessoais. Exercitá-la significa que ela deve ser seguida através de erros e derrotas, até que, a partir das tentativas sinceras de usá-la, ela adquire força própria. Isso não significa que podemos fazer coisas erradas e deixar os resultados de lado, mas quer dizer que, estabelecendo nossa consciência sobre uma base correta pela adoção da regra de ouro [3] , nós abrimos espaço para a intuição e aumentamos a sua força.

Inevitavelmente, no início cometeremos erros, mas se formos sinceros em seguida a intuição brilhará com mais clareza e não errará. Deveríamos acrescentar o estudo das obras daqueles que trilharam esse caminho no passado e descobriram o que é real e o que não é. Eles dizem que o Eu Superior [4] é a única realidade. O cérebro deve ter acesso a visões mais amplas da vida (...).


6) A filosofia esotérica formulada por você ensina que a evolução da humanidade faz parte da evolução do planeta, e que tudo no cosmo (assim como na vida de cada indivíduo) obedece a ciclos, com períodos regulares de atividade e descanso, de atividade externa e recolhimento interior. Tanto as pessoas como os universos reencarnam: tudo é cíclico.

Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se recicla. E na obra “A Doutrina Secreta”, publicada em 1888, você afirma que o eixo da Terra sofre alterações periodicamente, o que causa profundas mudanças geológicas...

R: A doutrina de que os mundos e as raças são destruídos periodicamente, ora pela água, ora pelo fogo (vulcões e terremotos), e que se renovam depois, é tão velha quanto o homem.

Manu, Hermes, os Caldeus e a antigüidade toda acreditavam nisso. A superfície do globo terrestre já foi mudada duas vezes pelo fogo e duas vezes pela água, desde que o homem apareceu por aqui. Assim como a terra necessita de repouso e de renovação, de forças novas e de mudança do solo, assim também sucede com os oceanos.

Daí resulta uma redistribuição periódica da terra e da água, mudança de clima, etc., tudo provocado por alterações geológicas e seguido finalmente de um deslocamento do eixo da Terra.

Podem os astrônomos encolher os ombros à idéia de uma mudança periódica na inclinação do eixo da Terra, e sorrir da conversa, que se lê no Livro de Enoch, entre Noé e seu “avô” Enoch; mesmo assim, a alegoria continua indicando um fato geológico e astronômico. Ocorre uma mudança periódica na inclinação do eixo da Terra, e a sua mudança fixa está registrada em um dos grandes Ciclos Secretos. Tal como ocorre em muitas outras questões, a ciência se aproxima gradualmente do nosso modo de pensar.

7) Independentemente dos ciclos geológicos inevitáveis, o ser humano parece ter uma boa dose de responsabilidade em relação ao equilíbrio ecológico e às crises ambientais. A decadência da Grécia e de Roma antigas, por exemplo, foi em grande parte conseqüência da destruição de suas florestas.

Henrique Roessler, um pioneiro da defesa ambiental no Brasil, afirmou em 1957: “A História mostra que os povos que se desfizeram de seus recursos naturais, entre os quais o maior é a floresta (...), desapareceram do mundo” [5]. Tendo vivido na Índia, o que é que você pode dizer a respeito?

R: Todos os patriotas hindus lamentam a decadência do seu país, mas poucos compreendem a causa real do fato. Mais do que a dominação estrangeira, o excesso de impostos ou a economia descuidada, a causa é a destruição das florestas. O desmatamento das montanhas e encostas é um crime contra a nação, e vai dizimar a população mais eficazmente do que seria possível pela espada de qualquer invasor estrangeiro. (...)

Basta olhar as páginas da história para ver que a ruína e a total extinção do poder nacional seguem-se à destruição das florestas tão certamente como a noite segue o dia. A Natureza dá os meios para o progresso humano; e suas leis nunca podem ser violadas sem desastre.

NOTAS:


[1] “H.P. Blavatsky and the S.P.R., an examination of the Hodgson Report of 1885”, livro de Vernon Harrison, membro da SPR. Theosophical University Press, Pasadena, Califórnia, EUA, 1997, 78 pp.
[2] Sobre o impacto do trabalho de HPB na história humana e na cultura do século 20, veja a parte sete da biografia “Helena Blavatsky, a vida e a influência extraordinária da fundadora do movimento esotérico moderno”, de Sylvia Cranston, Ed. Teosófica, Brasília, 1997, 678 pp. Essa é a tradução de uma das 18 biografias que há sobre Blavatsky em língua inglesa.
[3] A regra de ouro aparece no Novo Testamento: “Tudo aquilo que vocês quiserem que os homens lhes façam, façam vocês a eles, porque essa é a Lei” (Mt 7:12). No entanto, esse princípio ético não surgiu com o cristianismo. Cinco séculos antes de Jesus, na velha China, Confúcio ensinava: “O que não desejo que me façam os outros, tampouco desejo fazê-lo, eu, aos outros.” [“Lun-Yu, ou Conversas Filosóficas”, de Confúcio, obra também conhecida como “Os Analectos”, capítulo 5, versículo 11: ver Los Grandes Libros, Confúcio, Ed. Siglo Veinte, Buenos Aires, 1943, p. 94.]
[4] Eu Superior: “Higher Self” no original em inglês; a Alma Imortal, o Ser Superior, o verdadeiro Ser.
[5] “O Rio Grande do Sul e a Ecologia, crônicas escolhidas de um naturalista contemporâneo”, Henrique Luiz Roessler, edição da AGAPAN, Porto Alegre, 1984, 219 pp., ver p. 93.
NOTA BIBLIOGRÁFICA:

As fontes das respostas acima são as seguintes, respectivamente: 1) “A Chave Para a Teosofia”, Helena P. Blavatsky, Ed. Teosófica, Brasília, 1991, 261 pp., ver p. 15; 2) “A Chave Para a Teosofia”, obra citada, mesma página; 3) “Collected Writings”, Helena P. Blavatsky, Theosophical Publishing House, Índia, 1990, volume VIII, p. 129; 4) “Collected Writings”, H. P. Blavatsky, Theosophical Publishing House, Índia, 1990, volume VIII, p. 108; 5) “Collected Writings”, obra citada, volume IX, reimpressão de 1986, página 400-H; 6) “A Doutrina Secreta”, H. P. Blavatsky, edição em seis volumes, Ed. Pensamento, SP, 1981, volume IV, p. 295; 7) Revista “The Theosophist”, Bombay, Índia, edição de novembro de 1879, p. 42. Uma edição facsimilar da coleção do primeiro ano dessa revista é distribuída pela Theosophy Company, de Los Angeles, EUA. É desta edição a tradução do texto acima, realizada por Joaquim Soares.

Fonte: http://www.vislumbresdaoutramargem.com/ (reprodução para estudos)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A Verdadeira Vida Lá Fora (Um insight de Vovô Miguel)

Imagem meramente ilustrativa - Fonte: Library of Congress (U.S.) - Domínio Público


A correria do dia dia, nas tarefas que nos são colocadas pela obrigação, deve ter limites. Não somos máquinas! Hoje pela manhã, quando fui tomar café, tive um insight, que me foi enviado por um bom e pacífico Espírito de um Preto Velho.

Conheça um pouco da história de Vovô Miguel ...


Vovô Miguel, natural da África, teve sua encarnação mais recente na Terra como escravo. Nasceu na África onde foi capturado e trazido a força para servir como escravo no Brasil...

O nome de batismo dele, em sua tribo natal, no Congo, era Omo Zambiapongo, traduzindo 'Filho de Deus'. Um nome simples para uma pessoa simples. Amo vivia feliz em sua tribo e era um jovem guerreiro e caçador. Como a região em que se localizava sua aldeia era pacífica, seus predicados mais utilizados em serviço de sua família e de seu povo era os da arte da caça e da pesca.

Ele também fora iniciado nas artes da magia, pelo pajé de sua tribo, o Babalawô Mizifunfum, que não sei afirmar bem acertadamente qual seria tradução do nome, mas seria lago como 'Meu filho de Deus, guardião do mistério'.

Além de exímio caçador, Miguel gostava muito de ficar com as crianças, tinha um espírito jovem e sua criança interior era bem latente em tudo que fazia e dizia. Omo Zambiapongo carregava com ele a alegria de uma criança como uma sombra que segue uma pessoa caminhando sob o sol. Sempre feliz, bem humorado e prestativo.

Um dia a aldeia em que vivia sofrer assalto de traficantes de escravos. Homens brancos e negros conhecidos como 'mandingas', de origem muçulmana, que ajudavam os brancos (portugueses) a caçar outros negros, destinados à escravidão, em troca de mercadorias como tecidos, espelhos, armas e víveres.

Os traficantes de escravos eram terríveis. Destruiram toda a aldeia, mataram a maioria dos que resistiram, estuprar as mulheres e não pouparam nem as crianças. Verdadeiros espíritos malignos, que buscavam o enriquecimento através da escravidão de todo um um povo.

Omo Zambiapongo foi separado de sua família e passou mais de dois meses acorrentado, sem ver a luz do dia, no porão de um navio negreiro. Mesmo sofrendo tal injustiça, vil e covarde, não deixou que o ódio tomasse conta de sua alma. Omo havia aprendido com o Babalawô Mizifunfum que sentimentos de ira, raiva, ódio, rancor, ressentimento e revolta não ajudam em nada, apenas atraem 'kiumbas', que são Eguns (Espíritos de desencarnados) do mal, trevosos que obsidiam a mente humana podendo até levar a pessoa à loucura.

Chegando ao porto de Salvador, na Bahia, Omo foi vendido como escravo.


Mesmo tento passado mais de dois meses acorrentado ao porão escuro e fétido de um navio negreiro - vendo outros mais fracos, alguns conhecidos, padecerem e ficarem apodrecendo até exalar mal cheiro, quando tinham seus corpos lançados ao mar pelos feitores de escravos - Omo Zambiapongo ainda conseguia manter um sorriso no rosto, da alegria e gratidão aos Orixás (Santos africanos) por estar vivo. Manteve também sua força e musculatura e como que milagrosamente as feridas que carregava no corpo, das valências que sofrera, quando capturado, subjugado e acorrentado, estavam cicatrizadas.

Quando um negro feito escravo chegava ao seu destino, que era a fazenda, engenho, ou qualquer outra atividade para a qual seria designado pelo seu comprador, a primeira coisa que faziam era lhes dar um nome de 'homem branco'. Alguns, como fora o caso de Omo, eram batizados, ao qual ele fora destinado a trabalhar , em regime de escravidão, pelo resto de seus dias na Terra, pertencia a uma família que se achava muito católica, como se católicos de verdade pudessem aprovar tal crueldade, tal qual essa, que era a escravidão.

Foi batizado como Miguel pelo padre que comandava a igrejola do Engenho Sergipe. O nome fora escolhido porque Omo, agora Miguel, enquanto dentro da igrejola não conseguia tirar seus olhos da imagem do Santo Arcanjo Miguel, ao qual se abaixava em reverência e fazia preces em sua língua nativa. O padre o repreendeu, por fazer reverências e orações iorubanas à imagem de um Santo, dentro da Igreja, mas o sorriso de Miguel era tão contagiante, a pureza de sua alma tão perceptível, que o sacerdote se compadeceu e não o castigou, batizando-lhe com o nome de Miguel.

Por sua força Miguel foi encaminhado para trabalhar no engenho, na casa de bagaço, onde juntamente com outros escravos girava a gigantesca pedra de Mó e as engrenagens, que moíam a cana de açúcar. Como ele era trabalhador e prestativo, mesmo escravizado e forçado a muitas horas de trabalho duro, sempre sorria e as vezes era chicoteado apenas por isso, por sorrir, porque os feitores achavam que ele estava zombando deles ao sorrir apenas por manter na face o seu sorriso puro.

O feitor-mor, seu Joaquim, com o passar dos anos se afeiçoou a Miguel, porque percebeu que o sorriso era mesmo puro, como de uma criança em corpo de homem, que não fazia cara feia para o trabalho, mesmo que forçado e levado ao limite de suas forças. Com o tempo Miguel foi envelhecendo, ao passo que ganhava a simpatia de todos. Ao completar cerca de 40 anos lhe colocaram para cuidar de atividades mais brandas, que em sua maioria eram destinadas às mulheres, como ordenhar vacas, colher ovos, cuidar do galinheiro - para que raposas não chegassem perto -, colher flores para enfeitar a casa grande e até caçar. Miguel, apenas com um sorriso no rosto, conquistara a simpatia e o coração de todos.

Já com cerca de 60 e poucos anos foi colocado para cuidar das crianças da senzala, enquanto seus pais trabalhavam e chegou até a cuidar dos filhos dos senhores do engenho, sempre contando histórias ligadas a sua cultura original mas sabiamente transformadas em contos tipicamente portugueses ou abrasileirados. Criativamente dava 'outros nomes aos bois', e assim subliminarmente divulgava sua cultura ancestral, e isso lhe trazia alegria. 

Assim Miguel passou sua vida, e em sua velhice era o mais requisitado para contar histórias e cuidar das crianças, com as quais se divertia igual fosse uma delas, mesmo já estando na faixa de 80 anos de idade. Ninguém nunca soube ao certo sua idade cronológica de fato, mas provavelmente tenha vivido encarnado por mais de 100 anos, porque ele dizia, ao final da vida, ter mais de 100 primaveras.

Voltando ao Insight, a história do açúcar


Toda essa história me veio com emoção e comoção, à mente, quando ao colocar açúcar em meu café deixei uma colher cair sobre o inox da pia e vi o grande valor daqueles grãos de açúcar, que hoje produzidos por máquinas, mas nos tempos da escravidão o açúcar era fabricado com o mão de obra escrava, à base da força dos músculos dos escravos. 

Isto me fez ver a revolução industrial e tecnológica com olhos de liberdade, pois trabalhos braçais pesados, que por milênios foram feitos por seres humanos, nossos irmãos de jornada na Terra que eram lançados cruelmente ao trabalho forçado, apenas por ter outras crenças e outro tom de pele, que não era a predominante, dos colonizadores portugueses; ou cultura diferente daquela tida como dentro do padrão aceitável para a pessoa ser considerada um homem ou mulher livre, membro efetivo da 'sociedade civilizada'.

Vovô Miguel me fez ver todo sofrimento que passou na produção de açúcar e como hoje o processo é todo industrializado; isto junto uma visão  ainda meio assustadora, que vislumbrei dentre os grãos de açúcar que se espalharam, entre eles pude ver quantos ainda vivem em situação análoga à escravidão no trabalho de corte da cana-de-açúcar, mais um processo que vem sendo substituído pelo uso de grande máquinas, entretanto muitos engenhos de cana ainda usam mão de obra humana para o corte da cana.

O sábio Preto velho me fez ver como um produto que adoça pode carregar dor e suor humano em sua produção. Aquele açúcar que usei em meu café da manhã me mostrou e contou muita história, através da visão que tive na conexão com o momento presente e o Espírito de Vovô Miguel. Tanto o açúcar quanto o café tem sua produção, desde o plantio, passando pela colheita e industrialização do produto final feita por máquinas. 

Muita gente critica a mecanização das lavouras, mas fato é que elas contribuem para o fim definitivo da mão de obra escrava no Brasil. Se muitos perdem emprego no plantio e colheita, também muitos ganham na conservação e manutenção do maquinário. Plantadoras, colheitadeiras, aviões e drones de mapeamento e pulverização da lavoura, trabalhadores da agricultura livres, que vivem e são remunerados com dignidade.

Poucos pensam sobre a verdadeira vida lá fora...

Pense como um produto agropecuário é produzido, como funciona e quantos trabalhadores rurais e da indústria estão envolvidos na cadeia de produção de alimentos. Imagine como é hoje a vida nas grandes fazendas.

É muito importante pensarmos e filosofarmos sobre o assunto, para evoluir na produção e consumir alimentos mais saudáveis, não apenas no que tange a produtos usados na lavoura, como fertilizantes e agrotóxicos que podem trazer dano à saúde humana, mas também na mão de obra que envolve a produção, industrialização e distribuição de alimentos. 

O alimento que consumimos carrega a energia da forma como foi produzido, como chegou até nossas casas, desde o plantio até nossa mesa.

Contemplando a natureza podemos ler as páginas de seu magnífico livro. Até em uma simples colher de açúcar, colocada acidentalmente fora da xícara de café, sai um texto como este, que acabo de escrever para você. Vejam que levei pouco mais de uma hora escrevendo, para descrever o que me foi mostrado em apenas um segundo.

Como meu querido vovô Miguel também sou trabalhador, mesmo que sem emprego formal ou carteira assinada. Hoje não recebo nenhum benefício ou tenho renda suficiente para conseguir pagar INSS como autônomo.

Vou fazendo meu trabalho na pedra de Mó que é a Internet, empurrando suas engrenagens, na esperança de ter o trabalho duro aliviado à medida que vou envelhecendo e a dignidade de uma velhice bem amparada; por justiça social e pelo carinho de todos vocês, meu leitores, minhas irmãs e meus irmãos de jornada.

Levo a vida sorrindo, porque se há muita vida lá fora, é porque também há muita vida aqui dentro, e muitas histórias para contar. A verdadeira vida lá fora fora é a verdadeira vida vida que nasce dentro de cada um. Se você busca alguma coisa, tem um objetivo na vida, antes seja feliz. Mantenha sempre viva sua criança interior, sua curiosidade e a simplicidade nas relações humanas.

A vida que vemos acontecer forte na gente, em verdade é a vida que vivemos dentro de nós mesmos, pois tudo tem origem no pensamento. Se o mundo da imaginação é o mundo dos espíritos, talvez seja porque a vida que levamos fora é o mundo que carregamos dentro de nós.

A vida sempre começa de dentro para fora, até um dia crescer tanto e ao. mesmo tempo se tornar tão pequenina diante de Zambi (Deus) que se dissolve na grandeza do cosmo infinito, unindo-se ao todo.

Axé / Ronald

Nota: texto escrito no futuro e postado no passado . . .

O insight que descrevo para vocês, neste pequeno e despretensioso texto, partiu de um devaneio que tive na manhã do dia 4 de maio de 2021, e postei aqui no dia 9 de junho de 2010, porque o documento .pdf que compunha a postagem original, de quase 11 anos atrás, foi apagado do 'Scribd' por seu autor.

De um texto apagado, nasceu um texto vivo, novo, com a história de Omo Zambiapongo. Vovô Miguel, na Terra, e agora na linha de Congo, da Umbanda, a religião nascida no Brasil e carinhosamente propagada no cosmo pelos espíritos dos Pretos e Pretas-Velhos, que se outrora foram escravizados na África, continente mãe de toda a humanidade.

Um apequena história que mostra como a revolução industrial, e amais recente revolução tecnológica, não precisam ser escravizados, porque se o Grande Arquiteto Do Universo nos permitiu criador-las, não é para escravizar e sim para libertar a humanidade da escravidão e da subserviência de uns para com os outros...

Somos todos iguais, todos nascemos e desencarnamos da mesma forma. Nos cabendo apenas o livre-arbítrio sobre o caminho que vamos percorrer e percorremos na Terra, e que determinará a vida que teremos no Astral. Por isso ande sempre no caminho do bem!

Aqui, o que se vê, é a reencarnação do texto, conduzida pelo bom Vovô Miguel de Aruanda, assim evoluímos, aguardando a reencarnação do Verbo de Deus, que trará 1000 anos de muita paz e fartura para toda a humanidade. Com a benção de São Miguel Arcanjo . . . Gratidão Vovô Miguel!


Curitiba, 04 de maio de 2021
(Este e outros contos, textos e poemas fazem parte do livro 'DESPROGRAME-SE')






terça-feira, 8 de junho de 2010

Saravá Seo Omolú! Atotô Obaluaiê!

Omolú, nosso pai Obaluaê. Saudação: Atotô!

O sincretismo de Omolú, Obaluaê (ou Obaluaiê) ocorre com dois santos distintos da Igreja Católica, São Lázaro e São Roque, e ambos representam o “Médico dos Orixás”.

Dias de comemoração: 13 de Maio (Pretos-Velhos), 16 de Agosto, 2 de Novembro e 17 de Dezembro.

Toda segunda-feira todo devoto e toda devota de São Roque e São Lázaro faz homenagem aos santos, então na última segunda-feira de cada ano estes mesmos fiéis prestam as últimas homenagem do ano aos santos, lotando as Igrejas.

A comemoração mais conhecida é  na igreja de São Lázaro que fica no bairro da Federação, em Salvador (foto abaixo). Lá os devotos também homenageiam Obaluaê, orixá que representa São Lázaro no Candomblé. É nesta data - última segunda-feira do ano - que as baianas dão o tradicional banho de pipoca nos(as) fiéis e filhos(as) de santo, promovendo a limpeza astral do perispírito e atraindo o Axé curador de Abaluaiê.


Igreja de São Lázaro e São Roque

Essa mesma comemoração, como o banho de pipoca, se repete na última segunda-feira do primeiro mês de ano.

É uma festa abençoada, na qual todo mundo pode participar e pedir paz, saúde, proteção, livrando-se da inveja e da maldade. 

Através do banho de pipoca e do Pádua, o fiel fica protegido e pronto a conquistar muitas coisas boas na vida.

Saudação: Atotô Obaluayê! 

(ou Atotô Abaluaiê!)

Obalúayé; "Rei dono da Terra", Omolu "Filho do Senhor", Xapanã "Dono da Terra" são os nomes dados a Sànpònná, um título ligado a grande calor, o sol e também conhecido como Babá Igbona, pai da quentura no Candomblé. É ligado ao mundo dos mortos. A este Orixá fazemos os pedidos para problemas de Saúde e cortes de magia.

O guardião dos espíritos torna as pessoas intuitivas e carismáticas. Ajuda no amor e família.

Simbologia

Omolu é representado pelo Sàsàrà ou Xaxará (feixe de palha da costa e búzios)

Elemento: terra

Astro regente: Saturno

Dia da semana: segunda-feira, bom para culto aos ancestrais

Personalidade: tímido e vingativo

Oferenda: Èwà dúdú - feijão preto temperado com cebola, camarão seco e dendê. Na Umbanda também é usada pipoca passada no azeite de dendê. Pipoca estourada na areia de praia sem sal; amendoim pilado e torrado.

Doce: Cuscuz

Bebida: Água de arroz

Cores: Preto, branco e vermelho que simbolizam mistérios e sobriedade, e atraem respeito

Frutas: Banana da terra, abacaxi

Flores: Qualquer flor de cor branca

Ervas: Canela de velho, jurubeba, erva de bicho, picão

Metal: Chumbo


Local de oferenda: Praias, cemitérios e grutas

Características do orixá: Omolu é sábio e destemido. É originário do antigo Dahomey onde era chamado de Sakpatá. É filho de Anabiko e irmão de Besen. Usa o fìlà (cobertura de palha da costa).

Seu número é o 13 (Odù éjì ológbon - magia)

Saudação: "Atôtô!" (Silêncio!)


Protegido por Omolu: O Ator Milton Gonçalves é sábio e determinado como Omolu. Pelos inúmeros papéis de sucesso, Milton tornou-se referência imprescindível na dramaturgia nacional. "Para proteção, use uma pedra de ônix".

Axés e magias: Para ajudar na cura de doenças, macere em um balde com 5 litros d'água cana-do-brejo, saião e raiz santa. Tome este banho da cabeça aos pés e vista-se de branco. Despache as numa grama.

Magia de Omolu para despertar o desejo do seu amor: Forre uma panela de barro com folhas de colônia e mamona. Consiga uma roupa íntima da pessoa e coloque por cima das folhas. Cubra esta roupa com pó de pemba vermelha e lelecun em pó. Estoure 500g de pipoca no azeite doce. Triture as pipocas, misture-as com mel de abelha e coloque-as por cima de tudo. Tampe a panela e enterre-a aos pés de uma árvore fazendo os seus pedidos com fé a Omolu.

Sobre Omolú

Para a maior parte dos devotos do Candomblé e da Umbanda, os nomes são praticamente intercambiáveis, referentes a um mesmo arquétipo e, correspondentemente, uma mesma divindade.Já para alguns Babalorixás, porém, há de se manter certa distância entre os dois termos, uma vez que representam tipos diferentes do mesmo Orixá.

São também comuns as variações gráficas Obaluaê e Abaluaiê


Em termos mais estritos, Obaluaê é a forma jovem do Orixá Xapanã, enquanto Omolu é sua forma velha. Como porém, Xapanã é um nome proibido tanto no Candomblé como na Umbanda, não devendo ser mencionado pois pode atrair a doença inesperadamente, a forma Omolu é a que mais se popularizou e acabou sendo confundida não apenas com a forma mais velha do Orixá, mas com sua essência genérica em si. Esta distinção se aproxima da que existe entre as formas básica de Oxalá: Oxalá (o Crucificado), Oxaguiã a forma jovem e Oxalufã a forma mais velha.

A figura de Omolu-Obaluaê, assim como seus mitos, é completamente cercada de mistérios e dogmas indevassáveis. Em termos gerais, a essa figura é atribuído o controle sobre todas as doenças, especialmente as epidêmicas. Faria parte da essência básica vibratória do Orixá tanto o poder de causar a doença como o de possibilitar a cura do mesmo mal que criou.

Em algumas narrativas mais tradicionalistas tentam apontar-se que o conceito original da divindade se referia ao deus da varíola, tal visão porém, nos parece uma evidente limitação. A varíola não seria a única doença sob seu controle, simplesmente pôr ser a epidemia mais devastadora e perigosa que conheciam os habitantes da comunidade original africana, onde surgiu Omolu-Obaluaê, o Daomé.

Assim, sombrio e grave como Iroco, Oxumarê (seus irmãos) e Nanã (sua Mãe), Omolu-Obaluaê é uma criatura da cultura jeje, posteriormente assimilada pelos iorubas. Enquanto os Orixás iorubanos são extrovertidos, de têmpera passional, alegres, humanos e cheios de pequenas falhas que os identificam com os seres humanas, a figuras daomeanas estão mais associadas a uma visão religiosa em que distanciamento entre deuses e seres humanos é bem maior.

Quando há aproximação, há de se temer, pois alguma tragédia está para acontecer, pois os Orixás do Daomé são austeros no comportamento mitológico, graves e consequentes em suas ameaças.


A visão de Omolu-Obaluaê é a do castigo. Se um ser humano falta com ele ou um filho-de-santo seu é ameaçado, o Orixá castiga com violência e determinação, sendo difícil uma negociação ou um aplacar, mais prováveis nos Orixás iorubás.

Pierre Verger, nesse sentido, sustenta que a cultura do Daomé é muito mais antiga que a ioruba, o que pode ser sentido em seus mitos: A antigüidade dos cultos de Omolu- Obaluaê e Nanã (Orixá feminino), freqüentemente confundidos em certas partes da África, é indicada por um detalhe do ritual dos sacrifícios de animais que lhe são feitos. Este ritual é realizado sem o emprego de instrumentos de ferro, indicando que essas duas divindades faziam parte de uma civilização anterior à Idade do Ferro e à chegada de Ogum.

Como parte do temor dos iorubas, eles passaram a enxergar a divindade (Omolu-Obaluaê) mais sombria dos dominados como fonte de perigo e terror, entrando num processo que podemos chamar de malignação de um Orixá do povo subjugado, que não encontrava correspondente completo e exato (apesar da existência similar apenas de Ossâim). Omolu-Obaluaê seria o registro da passagem de doenças epidêmicas, castigos sociais, já que atacariam toda uma comunidade de cada vez.

Existe uma grande variedade de tipos de Omolu-Obaluaê, como acontece praticamente com todos os Orixás. Existem formas guerreiras e não guerreiras, de idades diferentes, etc., mas resumidos pelas duas configurações básicas do velho e do moço. A diversidade de nomes pode também nos levar a raciocinar que existem mitos semelhantes em diferentes grupos tribais da mesma região, justificando que o Orixá é também conhecido como Skapatá, Omolu Jagun, Quicongo, Sapatoi, Iximbó, Igui.

Arquétipo: O senhor da doença é relacionado um arquétipo psicológico derivado de sua postura na dança: se nela Omolu-Obaluaê esconde dos espectadores suas chagas, não deixa de mostrar, pelos sofrimentos implícitos em sua postura, a desgraça que o abate. No comportamento do dia-a-dia, tal tendência se revela através de um caráter tipicamente masoquista.

Pierre Verger define os filhos de Omolu como pessoas que são incapazes de se sentirem satisfeitas quando a vida corre tranqüila para elas. Podem até atingir situações materiais e rejeitar, um belo dia, todas essas vantagens por causa de certos escrúpulos imaginários. São pessoas que, em certos casos, se sentem capazes de se consagrar ao bem-estar dos outros, fazendo completa abstração de seus próprios interesses e necessidades vitais.


No Candomblé, como na Umbanda, tal interpretação pode ser demais restritiva. A marca mais forte de Omolu-Obaluaê não é a exibição de seu sofrimento, mas o convívio com ele. Ele se manifesta numa tendência autopunitiva muito forte, que tanto pode revelar-se como uma grande capacidade de somação de problemas psicológicos (isto é, a transformação de traumas emocionais em doenças físicas reais), como numa elaboração de rígidos conceitos morais que afastam seus filhos-de-santo do cotidiano, das outras pessoas em geral e principalmente os prazeres. Sua insatisfação básica, portanto, não se reservaria contra a vida, mas sim contra si próprio, uma vez que ele foi estigmatizado pela marca da doença, já em si uma punição.

Em outra forma de extravasar seu arquétipo, um filho do Orixá , menos negativista, pode apegar-se ao mundo material de forma sôfrega, como se todos estivessem perigosamente contra ele, como se todas as riquezas lhe fossem negadas, gerando um comportamento obsessivo em torno da necessidade de enriquecer e ascender socialmente.

Mesmo assim, um certo toque do recolhimento e da autopunição de Omolu-Obaluaê serão visíveis em seus casamentos: não raro se apaixonam por figuras extrovertidas e sensuais (como a indomável Iansã, a envolvente Oxum, o atirado Ogum) que ocupam naturalmente o centro do palco, reservando ao cônjuge de Omolu-Obaluaê um papel mais discreto. Gostam de ver seu amado brilhar, mas o invejam, e ficam vivendo com muita insegurança, pois julgam o outro, fonte de paixão e interesse de todos.

Imagem de Obaluaê em gesso 

Assim como Ossâim, as pessoas desse tipo são basicamente solitárias.

Mesmo tendo um grande círculo de amizades, freqüentando o mundo social, seu comportamento seria superficialmente aberto e intimamente fechado, mantendo um relacionamento superficial com o mundo e guardando sua intimidade para si própria.

Não raro são pessoas que julgam. Ter características detestáveis, que vivem criticando, motivo de vergonha. O filho do Orixá oculta sua individualidade com uma máscara de austeridade, mantendo até uma aura de respeito e de imposição, de certo medo aos outros.

Pela experiência inerente a um Orixá velho, são pessoas irônicas. Seus comentários porém não são prolixos e superficiais, mas secos e diretos, o que colabora para a imagem de terrível que forma de si próprio.

Um último, mas importante detalhe; em diversas de suas lendas, o Orixá da varíola é apresentado como uma divindade que perdeu uma perna. Isso se refletiria em seus filhos como um defeito congênito em uma das pernas ou a tendência a sofrer, durante sua vida, por um problema de relativa gravidade em seus membros inferiores, a partir de quedas ou desastres que podem ou não ser curados e ultrapassados.


"Salve o Senhor o Rei da Terra! Médico da Umbanda, Senhor da Cura de todos os males do corpo e da alma. Pai da riqueza e da bem-aventurança. Em ti deposito minhas dores e amarguras, rogando-te as bênçãos de saúde, paz e prosperidade. Faz-me, Senhor do trabalho; um filho de bom ânimo e disposição, para triunfar na luta pela sobrevivência. Faz-me digno de merecer todo dia e toda noite, vossas bênçãos de luz e misericórdia."  ATOTÔ OBALUAUÊ! ATOTÔ BABÁ!

Lendas de Omolú (Obaluaiê)


1) "Por causa do feitiço usado por Nanã para engravidar, Omolu nasceu todo deformado. Desgostosa com o aspecto do filho, Nanã abandonou-o na beira da praia, para que o mar o levasse. Um grande caranguejo encontrou o bebê e atacou-o com as pinças, tirando pedaços da sua carne. Quando Omolu estava todo ferido e quase morrendo, Yemanjá saiu do mar e o encontrou. Penalizada, acomodou-o numa gruta e passou a cuidar dele, fazendo curativos com folhas de bananeira e alimentando-o com pipoca sem sal nem gordura até que o bebê se recuperou. Então Iemanjá criou-o como se fosse seu filho."


2) "Omolu tinha o rosto muito deformado e a pele cheia de cicatrizes. Por isso, vivia sempre isolado, se escondendo de todos. Certo dia, houve uma festa de que todos os Orixás participavam, mas Ogum percebeu que o irmão não tinha vindo dançar. Quando lhe disseram que ele tinha vergonha de seu aspecto, Ogum foi ao mato, colheu palha e fez uma capa com que Omolu se cobriu da cabeça aos pés, tendo então coragem de se aproximar dos outros. Mas ainda não dançava, pois todos tinham nojo de tocá-lo. Apenas Iansã teve coragem; quando dançaram, a ventania levantou a palha e todos viram um rapaz bonito e sadio;e Oxum ficou morrendo de inveja da irmã."

3) "Quando Obaluaê ficou rapaz, resolveu correr mundo para ganhar a vida. Partiu vestido com simplicidade e começou a procurar trabalho, mas nada conseguiu. Logo começou a passar fome, mas nem uma esmola lhe deram. Saindo da cidade, embrenhou-se na mata,onde se alimentava de ervas e caça, tendo por companhia um cão e as serpentes da terra. Ficou muito doente.Por fim, quando achava que ia morrer, Olorun curou as feridas que cobriam seu corpo. Agradecido, ele se dedicou à tarefa de viajar pelas aldeias para curar os enfermos e vencer as epidemias que castigaram todos que lhe negaram auxílio e abrigo."



5 Orações ao Senhor Omolú

1) "Atotô, Atotô, Atotô, Meu Pai Obaluaiê.

Salve querido Pai da vida e da riqueza. Eu venho humildemente e com todo o respeito, Senhor, pedir-lhe (faça o pedido). Oh, grande Obaluaiê, se meus pedidos forem injustos e não merecidos, não me puna, Pai. Não deixe que caia sobre mim a sua ira. Mas me dê o que for do meu merecimento. Senhor da lama e do ouro, Pai de todo o Ayê, que as suas bênçãos me livrem de todo o mal, de todas as dores, de todas as doenças, de todas as moléstias e perseguições. Ilumine Obaluaiê a minha vida, minha consciência, e que sua justiça seja sempre a minha companheira.

Proteja-me, Pai, Atotô. Axé!!! Atotô, Atotô, Atotô, Meu Pai Obaluaiê.

Proteja-me, Pai, Atotô. Axé !!!"


2) "Oh, Mestre da Vida,
Proteja seus filhos para que suas vidas sejam marcadas pela saúde.
Vós é o limitador das enfermidades.
Vós é médico dos corpos terrenos e almas eternas.
Suplicamos sua misericórdia aos males que nos afetam!
Que suas chagas abriguem nossas dores e sofrimentos.
Concede-nos corpos sadios e almas serenas.
Mestre da Cura, amenize nossos sofrimentos que escolhemos resgatar nessa encarnação!
Atotô meu Pai! Axé!"

3) "Dominador das epidemias. De todas as doenças e da peste. Omulu, Senhor da Terra. Obaluaiê, meu Pai Eterno. Dai-nos saúde para a nossa mente, dai-nos saúde para nosso corpo. Refoçai e revigorai nossos espíritos para que possamos enfrentar todos os males e infortúnios da matéria. Atotô meu Obaluaiê! Atotô meu Velho Pai! Atotô Rei da Terra! Atotô Babá!"

São Roque

4) "Mestre das almas!
Meu corpo está enfermo…
Minha alma está abalada,
Minha alma está imersa na amargura de um sofrimento
Que me destrói lentamente.
Senhor Omolu!
Eu evoco - Obaluaiê
Oh!
Deus das doenças
Orixá que surge, diante dos meus olhos
Na figura sofredora de Lázaro.
Aquele que teve a graça de um milagre
No gesto do Divino Filho de Jesus.
Oh!
Mestre dos mestres
Obaluaiê
Teu filho está enfermo…
Teu filho se curva, diante da tua aura luminosa.
Na magia do milagre,
Que virá de tuas mãos santificadas pelo sofrimento…
Socorre-me…
Obaluaiê…
Dai-me a esperança da tua ajuda.
Para que me encoraje diante do martírio imenso que me alucina,
Faças com que eu não sofra tanto - Meu Pai
Senhor Omolu!
Tu és dono dos cemitérios,
Tu que és sentinela do sono eterno,
Daqueles que foram seduzidos ao teu reino.
Tu que és guardião das almas. que ainda não se libertou da matéria,
Ouve a minha súplica, atende ao apelo angustioso do teu filho.
Que se debate no maior dos sofrimentos.
Salve-me - Irmão Lázaro.
Aqui estou diante da tua imagem sofredora,
Erguendo a derradeira prece dos vencidos,
Conformado com o destino que o Pai Supremo determinou.
Para que eu suplicasse minha alma no maior dos sofrimentos.
Salve minha alma desse tormento que me alucina.
Tome meu corpo em teus braços.
Eleva-me para teu reino.
Se achares porém, que ainda não terminou minha missão neste planeta,
Encoraja-me com exemplo da tua humildade e da tua resignação.
Alivia meus sofrimentos, para que levante deste leito e volte a caminhar.
Eu te suplico, mestre!
Eu me ajoelho diante do poder imenso,
De que és portador.
Invoco a vibração do Obaluaiê.
A - TÔ - TÔ, Meu Pai.
Obaluaiê,
Meu Senhor, ajude-me!"

5) "Salve o Senhor o Rei da Terra!
Médico da Umbanda, Senhor da Cura de todos os males do corpo e da alma.
Pai da riqueza e da bem-aventurança.
Em ti deposito minhas dores e amarguras, rogando-te as bênçãos de saúde, paz e prosperidade.
Faz-me, Senhor do trabalho; um filho de bom ânimo e disposição, para triunfar na luta pela sobrevivência.
Faz-me digno de merecer todo dia e toda noite, vossas bênçãos de luz e misericórdia."

ATOTÔ OBALUAUÊ! ATOTÔ BABÁ!





Fonte/Referências: Casa Espirita Xango Airá-http://cexapublicacoes.blogspot.com/2008/08/omolu-obalua.html - Coluna de Pai Paulo no Jornal Extra (Rio de Janeiro): http://extra.globo.com/lazer/materias/2010/05/06/pai-paulo-omolu-te-deixara-intuitivo-carismatico-916514590.asp - http://www.pallaseditora.com.br/omolu.php - http://povodearuanda.wordpress.com/2007/09/10/obaluaye - CANDOMBLE - RELIGIAO DO CORPO E DA ALMA Por Carlos Eugênio Marcondes de Moura (2000). Imagens: pesquisa: Google images.

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