Nosso conteúdo é vasto! Faça sua busca personalizada e encontre o que está procurando...

Translate

Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta allan kardec. Ordenar por data Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta allan kardec. Ordenar por data Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O Espiritismo e a Codificação de Allan Kardec (obras em .pdf)

Sr. Allan Kardec (1804/1869)

Hyppolyte Leon Denizard Rivail (Allan Kardec), nasceu em 3 de outubro de 1804, em Lion, França. Ele era filho de um juiz, Jean Baptiste-Antoine Rivail, e sua mãe chamava-se Jeanne Louise Duhamel... Sentir Kardec; Estudar Kardec; Anotar Kardec; Meditar Kardec; Analisar Kardec; Comentar Kardec; Interpretar Kardec; Cultivar Kardec; Ensinar Kardec e Divulgar Kardec. 

O professor Rivail fez em Lion os seus primeiros estudos e completou em seguida a sua bagagem escolar, em Yverdun (Suíça), com o célebre professor Pestalozzi, de quem cedo se tornou um dos mais eminentes discípulos, colaborador inteligente e dedicado.

Aplicou-se, de todo o coração, à propaganda do sistema de educação que exerceu tão grande influência sobre a reforma dos estudos na França e na Alemanha. 

Muitíssimas vezes, quando Pestalozzi era chamado pelos governos, para fundar institutos semelhantes ao de Yverdun, confiava a Denizard Rivail o encargo de o substituir na direção da sua escola. Linguista insigne, conhecia a fundo e falava corretamente o alemão, o inglês, o italiano e o espanhol; conhecia também o holandês, e podia facilmente exprimir-se nesta língua.

Membro de várias sociedades sábias, notadamente da Academia Real de Arras, foi autor de numerosas obras de educação, dentre as quais podemos citar:
  • Plano Proposto para o Melhoramento da Instrução Pública (1828);
  • Curso Teórico e Prático de Aritmética, segundo o método Pestalozzi, para uso dos professores e mães de família (1829); 
  • Gramática Francesa Clássica (1831); 
  • Manual para Exames de Capacidade ; Solucões Racionais de Questões e problemas de Aritmética e Geometria (1846); 
  • Catecismo Gramatical da Língua Francesa (1848); 
  • Programas de cursos Ordinários de Física, Química, Astronomia e Fisiologia, que professava no Liceu Polimático; 
  • Ditados normais dos exames da Prefeitura e da Sorbone, acompanhados de Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas (1849).
Além das obras didáticas, Rivail também fazia contabilidade de casas comerciais, passando então a ter uma vida tranquila em termos monetários. Seu nome era conhecido e respeitado e muitas de suas obras foram adotadas pela Universidade de França. No mundo literário, conhece a culta professora Amélia Gabrielle Boudet, com quem contrai matrimônio, no dia 6 de fevereiro de 1832.

Em 1854, através de um amigo chamado Fortier, o professor Denizard ouve falar pela primeira vez sobre os fenômenos das mesas girantes, em moda nos salões europeus, desde a explosão dos fenômenos espíritas em 1848, na cidadezinha de Hydesville nos Estados Unidos, com as irmãs Fox. 

No ano seguinte, se interessou mais pelo assunto, pois soube tratar-se de intervenção dos Espíritos, informação dada pelo sr. Carlotti, seu amigo há 25 anos. Depois de algum tempo, em maio de 1855, ele foi convidado para participar de uma dessas reuniões, pelo Sr. Pâtier, um homem muito sério e instruído. 

O professor era um grande estudioso do magnetismo e aceitou participar, pensando tratar-se de fenômenos ligados ao assunto. Após algumas sessões, começou a questionar para descobrir uma resposta lógica que pudesse explicar o fato de objetos inertes emitirem mensagens inteligentes. Admirava-se com as manifestações, pois parecia-lhe que por detrás delas havia uma causa inteligente responsável pelos movimentos. Resolveu investigar, pois desconfiou que atrás daqueles fenômenos estava como que a revelação de uma nova lei.

As "forças invisíveis" que se manifestavam nas sessões de mesas falantes diziam que eram as almas de homens que já haviam vivido na Terra. O Codificador intrigava-se mais e mais. Num desses trabalhos, uma mensagem foi destinada especificamente a ele.

Um Espírito chamado Verdade disse-lhe que tinha uma importante missão a desenvolver. Daria vida a uma nova doutrina filosófica, científica e religiosa. Kardec afirmou que não se achava um homem digno de uma tarefa de tal envergadura, mas que sendo o escolhido, tudo faria para desempenhar com sucesso as obrigações de que fora incumbido.

Allan Kardec iniciou sua observação e estudo dos fenômenos espíritas, com o entusiasmo próprio das criaturas amadurecidas e racionais, mas sua primeira atitude é a de ceticismo: "Eu crerei quando vir, e quando conseguirem provar-me que uma mesa dispõe de cérebro e nervos, e que pode se tornar sonâmbula; até que isso se dê, dêem-me a permissão de não enxergar nisso mais que um conto para provocar o sono".

Depois da estranheza e da descrença inicial, Rivail começa a cogitar seriamente na validade de tais fenômenos e continua em seus estudos e observações, mais e mais convencido da seriedade do que estava presenciando.

Eis o que ele nos relata: "De repente encontrava-me no meio de um fato esdrúxulo, contrário, à primeira vista, às leis da natureza, ocorrendo em presença de pessoas honradas e dignas de fé. Mas a idéia de uma mesa falante ainda não cabia em minha mente".

O desenvolvimento da Codificação Espírita basicamente teve início na residência da família Baudin, no ano de 1855. Na casa havia duas moças que eram médiuns. Tratava-se de Julie e Caroline Baudin, de 14 e 16 anos, respectivamente. Através da "cesta-pião", um mecanismo parecido com as mesas girantes, Kardec fazia perguntas aos Espíritos desencarnados, que as respondiam por meio da escrita mediúnica. À medida que as perguntas do professor iam sendo respondidas, ele percebia que ali se desenhava o corpo de uma doutrina e se preparou para publicar o que mais tarde se transformou na primeira obra da Codificação Espírita.

A forma pela qual os Espíritos se comunicavam no princípio era através da cesta-pião que tinha um lápis em seu centro. As mãos das médiuns eram colocadas nas bordas, de forma que os movimentos involuntários, provocados pelos Espíritos, produzissem a escrita.

Com o tempo, a cesta foi substituída pelas mãos dos médiuns, dando origem à conhecida psicografia. Das consultas feitas aos Espíritos, nasceu "O Livro dos Espíritos", lançado em 18 de abril de 1857, descortinando para o mundo todo um horizonte de possibilidades no campo do conhecimento.

A partir daí, Allan Kardec dedicou-se intensivamente ao trabalho de expansão e divulgação da Boa Nova. Viajou 693 léguas, visitou vinte cidades e assistiu mais de 50 reuniões doutrinárias de Espiritismo.

Pelo seu profundo e inexcedível amor ao bem e à verdade, Allan Kardec edificou para todo o sempre o maior monumento de sabedoria que a Humanidade poderia ambicionar, desvendando os grandes mistérios da vida, do destino e da dor, pela compreensão racional e positiva das múltiplas existências, tudo à luz meridiana dos postulados do Cristianismo.

Filho de pais católicos, Allan Kardec foi criado no Protestantismo, mas não abraçou nenhuma dessas religiões, preferindo situar-se na posição de livre pensador e homem de análise. Compungia-lhe a rigidez do dogma que o afastava das concepções religiosas. O excessivo simbolismo das teologias e ortodoxias, tornava-o incompatível com os princípios da fé cega.

Situado nessa posição, em face de uma vida intelectual absorvente, foi o homem de ponderação, de caráter ilibado e de saber profundo, despertado para o exame das manifestações das chamadas mesas girantes. A esse tempo o mundo estava voltado, em sua curiosidade, para os inúmeros fatos psíquicos que, por toda a parte, se registravam e que, pouco depois, culminaram no advento da altamente consoladora doutrina que recebeu o nome de Espiritismo, tendo como seu codificador, o educador emérito e imortal de Lyon.

O Espiritismo não era, entretanto, criação do homem e sim uma revelação divina à Humanidade para a defesa dos postulados legados pelo Rabi da Galiléia, numa quadra em que o materialismo avassalador conquistava as mais brilhantes inteligências e os cérebros proeminentes da Europa e das Américas.

A codificação da Doutrina Espírita colocou Kardec na galeria dos grandes missionários e benfeitores da Humanidade. A sua obra é um acontecimento tão extraordinário como a Revolução Francesa. Esta estabeleceu os direitos do homem dentro da sociedade, aquela instituiu os liames do homem com o universo, deu-lhe as chaves dos mistérios que assoberbavam os homens, dentre eles o problema da chamada morte, os quais até então não haviam sido equacionados pelas religiões. 

A missão do mestre, como havia sido prognosticada pelo Espírito de Verdade, era de escolhos e perigos, pois ela não seria apenas de codificar, mas principalmente de abalar e transformar a Humanidade. A missão foi-lhe tão árdua que, em nota de 1o. de janeiro de 1867, Kardec referia-se as ingratidões de amigos, a ódios de inimigos, a injúrias e a calúnias de elementos fanatizados. Entretanto, ele jamais esmoreceu diante da tarefa.

O seu pseudônimo, Allan Kardec, tem a seguinte origem: Uma noite, o Espírito que se autodenominava "Z", deu-lhe, por um médium, uma comunicação toda pessoal, na qual lhe dizia, entre outras coisas, tê-lo conhecido em uma precedente existência, quando, ao tempo dos Druidas, viviam juntos nas Gálias. 

Ele se chamava, então, Allan Kardec, e, como a amizade que lhe havia votado só fazia aumentar, prometia-lhe esse Espírito secundá-lo na tarefa muito importante a que ele era chamado, e que facilmente levaria a termo. No momento de publicar o Livro dos Espíritos, o autor ficou muito embaraçado em resolver como o assinaria, se com o seu nome - Denizard-Hippolyte-Léon Rivail, ou com um pseudônimo. 

Sendo o seu nome muito conhecido do mundo científico, em virtude dos seus trabalhos anteriores, e podendo originar uma confusão, talvez mesmo prejudicar o êxito do empreendimento, ele adotou o alvitre de o assinar com o nome de Allan Kardec, pseudônimo que adotou definitivamente.

 Em 1º de Janeiro de 1858 o missionário lionês publicou o primeiro número da Revista Espírita, que serviu como poderoso auxiliar para o desenvolvimento de seus trabalhos, trabalho que desenvolveu sem interrupção por 12 anos, até sua morte.

Deve figurar na sua relação de obras, não só por ter estado sob sua direção até 1869, como também porque as suas páginas expressam o pensamento e a ação do Codificador do Espiritismo.
Em 1º de abril de 1858, Allan Kardec fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas - SPEE, que tinha por objetivo o estudo de todos os fenômenos relativos às manifestações espíritas e suas aplicações às ciências morais, físicas, históricas e psicológicas.

De 1855 a 1869, Allan Kardec consagrou sua existência ao Espiritismo. Sob a assistência dos Espíritos Superiores, representando o Espírito de Verdade, estabeleceu a Doutrina Espírita e trouxe aos homens o Consolador Prometido.

O Codificador desencarnou em Paris, no dia 31 de março de 1869, aos 65 anos de idade. Em seu tumulo está escrito : "Nascer, Morrer, Renascer ainda e Progredir sem cessar, tal é a Lei." 

- Livros que escreveu: 
(leitura e download gratuito, em .pdf)








"Lembrando o Codificador da Doutrina Espírita é imperioso estejamos alerta em nossos deveres fundamentais. Convençamos-nos de que é necessário: Sentir Kardec; Estudar Kardec; Anotar Kardec; Meditar Kardec; Analisar Kardec; Comentar Kardec; Interpretar Kardec; Cultivar Kardec; Ensinar Kardec e Divulgar Kardec. Que é preciso cristianizar a humanidade é afirmação que não padece dúvida; entretanto, cristianizar, na Doutrina Espírita, é raciocinar com a verdade e construir com o bem de todos, para que, em nome de Jesus, não venhamos a fazer sobre a Terra mais um sistema de fanatismo e de negação." - Emmanuel
 
Mensagem recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier "Reformador", março de 1961, FEB.






sábado, 5 de junho de 2010

A identidade jamais revelada do Espírito de Verdade

A identidade jamais revelada do Espírito de Verdade


MARCELO BORELA DE OLIVEIRA
De Londrina

A primeira manifestação ostensiva do Espírito de Verdade ao professor Hippolyte Léon Denizard Rivail ocorreu em sua casa no dia 25/3/1856 através de pancadas. O relato que se segue se baseia nas próprias palavras do Codificador do Espiritismo.



A 25 de março de 1856 estava Allan Kardec em seu escritório, trabalhando no preparo d' O Livro dos Espíritos, quando ouviu ressoarem pancadas repetidas na parede. Ele procurou, sem sucesso, a causa dos ruídos e voltou ao trabalho. Sua mulher, Amélie, entrando cerca das 10 horas no escritório, ouviu os mesmos ruídos. De novo, procuraram localizar a causa do barulho, sem nenhum resultado, e as coisas foram se repetindo de tal modo que bastava Kardec voltar à tarefa e as pancadas se faziam ouvir em diferentes pontos da sala. 

No dia seguinte, na reunião que se realizava na casa do sr. Baudin, Kardec pediu aos Espíritos explicação para o fato. 

Eis como ele mesmo transcreveu em "Obras Póstumas" o diálogo que então se verificou:

"– Ouvistes o fato que acabo de narrar. Podereis dizer-me a causa dessas pancadas que se fizeram ouvir com tanta insistência?
– Era o teu Espírito familiar.
– Com que fim vinha ele bater assim?
– Queria comunicar-se contigo.
– Podereis dizer-me o que queria ele?
– Podes perguntar a ele mesmo, porque está aqui.
– Meu Espírito familiar, quem quer que sejais, agradeço-vos terdes vindo visitar-me. Quereis ter a bondade de dizer-me quem sois?
– Para ti chamar-me-ei Verdade, e todos os meses, durante um quarto de hora, estarei aqui à tua disposição.
– Ontem, quando batestes, enquanto eu trabalhava, tínheis alguma coisa de particular a dizer-me?
– O que eu tinha a dizer-te era sobre o trabalho que fazias. O que escrevias me desagradava e eu queria fazer-te parar.
– A vossa desaprovação versava sobre o capítulo que eu escrevia, ou sobre o conjunto do trabalho?
– Sobre o capítulo de ontem: faço-te juiz dele. Torna a lê-lo esta noite e reconhecerás os erros e os corrigirás.
– Eu mesmo não estava muito satisfeito com esse capítulo e o refiz hoje. Está melhor?
– Está melhor, mas não muito bom. Lê da 3a à trigésima linha e reconhecerás um grave erro.
– Rasguei o que tinha feito ontem.
– Não importa. Essa inutilização não impede que subsista o erro. Relê e verás."

Jobard e Sanson vêem o Espírito de Verdade – Dois anos depois, Kardec anotaria em uma de suas obras: “Tendo eu interrogado esse Espírito, ele se deu a conhecer sob um nome alegórico (eu soube, depois, por outros Espíritos, que fora o de um ilustre filósofo da Antiguidade).”(Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, Edicel, pp. 227 e 228.) 

A respeito do assunto, vale a pena consultar o volume da Revista Espírita de 1862, pp. 72 e 172,  bem como o livro “Kardec, Irmãs Fox e Outros”, de Jorge Rizzini, pp. 11 e 12, após o que será fácil concluir, com apoio no que o próprio Codificador registrou:

1o. O Espírito de Verdade não é Jesus, mas um Espírito familiar de Allan Kardec. Como sabemos, a expressão “Espírito familiar” está definida com clareza na obra da codificação, que nos ensina, na questão 514 d´O Livro dos Espíritos, que o Espírito familiar é alguém da família espiritual, é “o amigo da casa”.

2o. O Espírito de Verdade foi um filósofo na Antiguidade, cujo verdadeiro nome terreno ele não quis declinar, provavelmente porque sua divulgação não traria à obra em curso nenhum proveito. Lembremos também que o Codificador, ao assinar suas obras espíritas, ocultou seu verdadeiro nome, entendendo que usá-lo não traria vantagem ao trabalho e poderia mesmo prejudicá-lo.

3o. O Espírito de Verdade não é uma plêiade, uma falange, uma reunião de Espíritos superiores, mas uma individualidade espiritual, o que pôde ser comprovado quando Jobard e Sanson, então desencarnados, afirmaram tê-lo visto no recinto da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Aliás, reportando-se a esse Espírito, Kardec escreveu: “A qualificação de Espírito de Verdade não pertence senão a um só, e pode ser considerada como um nome próprio. Está especificada no Evangelho. Aliás, esse Espírito se comunica raramente e apenas em circunstâncias especiais” (Revista Espírita de 1866, pág. 221). 

4o. Kardec jamais entendeu ou deu a entender que esse Espírito fosse o próprio Jesus, um equívoco que tem sido repetido por autores e palestrantes espíritas, sem nenhum fundamento. Para os que duvidam do que ora dizemos convidamos a que leiam o comentário que Kardec fez a propósito da comunicação atribuída a Jesus, inserta no item IX do cap. XXXI d´O Livro dos Médiuns.

O Espírito de Verdade em pessoa na Sociedade Espírita de Paris

Com respeito à individualidade do Espírito de Verdade, tema que jamais foi motivo de dúvida entre Kardec e seus seguidores, é interessante recordar os depoimentos de dois amigos do Codificador, expressos em reuniões realizadas na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.

Depois de sua desencarnação, o Sr. Jobard, confrade e amigo íntimo de Kardec, comunicou-se várias vezes na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, de cujas sessões participava então com freqüência, na condição agora de Espírito liberto das vestes físicas.

Em 11 de novembro de 1861, em resposta a uma pergunta de Kardec: “Vedes os Espíritos que aqui estão conosco?”, Jobard, valendo-se da médium Sra. Costel, respondeu o que segue:

“Vejo, principalmente, Lázaro e Erasto; depois, mais afastado, o Espírito de Verdade, planando no espaço; depois uma multidão de Espíritos amigos que vos cercam, agradecidos e benevolentes”. (Revista Espírita de 1862, pág. 72.)

Praticamente seis meses depois, em 2 de maio de 1862, o Sr. Sanson, amigo e companheiro de Kardec na Sociedade Espírita de Paris, recentemente desencarnado, também descreveria, a pedido do Codificador, o ambiente espiritual da Sociedade no momento das reuniões. Eis parte do diálogo que então se registrou:

Kardec: – Entre os Espíritos que aqui se acham vedes o nosso presidente espiritual São Luís?
Sanson: – “Está sempre ao vosso lado e, quando se ausenta, sabe sempre deixar um Espírito superior, que o substitui.”
Kardec: – Não vedes outros Espíritos?
Sanson: – “Perdão: o Espírito de Verdade, Santo Agostinho, Lamennais, Sonnet, São Paulo, Luís e outros amigos que evocais estão sempre nas vossas sessões.” (Revista Espírita de 1862, pág. 172.) (M.B.O.)


O Espírito de Verdade segundo Jorge Rizzini

A competência e a autoridade intelectual do confrade Jorge Rizzini, autor de inúmeras obras de grande importância para os estudiosos da Doutrina Espírita, não é preciso ser aqui lembrada. Dele é o excepcional livro Kardec, Irmãs Fox e Outros, que a EME Editora publicou em 1994.

Composta de 17 capítulos, a obra dedica parte do capítulo primeiro ao assunto de que ora tratamos, que é ali desdobrado em três partes: a questão da denominação da Entidade, a discussão da idéia de que o Espírito de Verdade seja uma falange de Espíritos e, por fim, a identidade do Espírito.

Espírito Verdade ou Espírito de Verdade?

1o. – No tocante ao pseudônimo que o Espírito de Verdade preferiu utilizar por ocasião da codificação do Espiritismo, Jorge Rizzini segue a opinião da maioria, que prefere grafá-lo “Espírito de Verdade”, diferentemente de Canuto Abreu, que lhe chamava simplesmente “Espírito Verdade”, omitindo a preposição “de”, assunto de que já tratamos neste jornal em julho último. É bom lembrar que Kardec também usava a forma preferida por Rizzini: L´Esprit de Vérité, como podemos ver na edição francesa de 1866 d´O Evangelho segundo o Espiritismo, tanto no prefácio como no cap. VI.  

Escreveu então Jorge Rizzini (obra citada, pág. 11): “Preferimos a tradição evangélica: ´Espírito de Verdade´. Além da tradição histórica, acrescentemos este fato decisivo: em uma das mensagens em língua francesa dirigidas a Allan Kardec o pseudônimo da Entidade crística aparece com a preposição, ou seja, Espírito de Verdade, de conformidade com o Novo Testamento”. 

Espírito de Verdade é o nome de uma falange?

2o. – Rizzini não aceita a idéia, que vez por outra ouvimos no meio espírita, de que o Espírito de Verdade seja uma falange, uma plêiade, uma reunião de Espíritos. 

Eis o que ele escreveu (obra citada, pág. 12): “O insigne Espírito de Verdade é uma individualidade! Lembremo-nos de que em sua primeira mensagem (psicografada em 1856 em Paris pelas irmãs Baudin) a Entidade afirmou, dirigindo-se a Allan Kardec: ' – Para ti, eu me chamarei A VERDADE...' 

“Note-se que a Entidade não escreveu: 'Nós' e, sim, conforme se lê em 'Obras Póstumas': 'Eu me chamarei A VERDADE'. 

“Outra prova da sua individualidade está no fato de que seu pseudônimo aparece nos prolegômenos de ´O Livro dos Espíritos` entre os nomes de Sócrates, Platão, Fénelon, Santo Agostinho, Erasto etc. Oferecemos, ainda, outra prova que reputamos, também, inquestionável. Abramos o livro ´O Céu e o Inferno`, edição da Edicel, página 167. Em uma sessão mediúnica dirigida por Allan Kardec e realizada na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas manifestou-se o Espírito Jobard, o qual fora presidente honorário daquela instituição e amigo particular do próprio Kardec. A certa altura do diálogo com Jobard perguntou Kardec:

– Vedes os Espíritos que aqui se encontram conosco?
– Vejo, sobretudo, Lázaro e Erasto. Depois, mais distanciado, o Espírito de Verdade que paira no espaço.”

Jesus e o Espírito de Verdade são a mesma pessoa?

3o. Com respeito à idéia de que o Espírito de Verdade seja o próprio Cristo, Jorge Rizzini é categórico (obra citada, pág. 12):
“Não. Se fosse, jamais teria dito aos apóstolos: ´... eu rogarei ao Pai e Ele vos enviará outro Consolador, para que fique eternamente convosco: o Espírito de Verdade.”

Os que pensam de forma contrária apóiam-se principalmente na semelhança de linguagem que se nota entre algumas comunicações assinadas pelo Espírito de Verdade e as palavras de Jesus constantes do Evangelho.

Esclarece então Jorge Rizzini:

“A semelhança de personalidade, e até de linguagem (uma é reflexo de outra), explica-se pelo fato de que a evolução de ambos pode apresentar o mesmo nível ou quase o mesmo. Recordemos que Jesus não disse que enviaria o Espírito de Verdade; o que o Mestre disse, e com ênfase, é que rogaria a Deus e o Pai, então, enviaria o Espírito de Verdade à Terra. O Espírito de Verdade foi um ilustre filósofo da Antiguidade. E, por ser puro, é que o insigne Espírito foi porta-voz do Cristo ao trazer para nosso planeta o Espiritismo...”

Com relação à notícia de que a mencionada Entidade fora um ilustre filósofo da Antiguidade, Rizzini faz a seguinte observação: 

“Dissemos que o Espírito de Verdade é um filósofo da Antiguidade. Essa informação encontra-se em uma obra de Kardec publicada em 1858 e que o Codificador jamais reeditou. Refiro-me ao livro 'Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas'. Examine o leitor as páginas 227-228 do volume 'Iniciação Espírita', das Obras Completas de Allan Kardec (1a edição) lançada pela Edicel Ltda., ou a página 91 da 2a edição de 'Instruções Práticas' publicada pela 'Livraria O Clarim', então sob a direção de Cairbar Schutel. Eis aí a revelação que Allan Kardec nos deu sobre o Espírito de Verdade: 'Tendo eu interrogado esse Espírito, ele se deu a conhecer sob um nome alegórico (eu soube, depois, por outros Espíritos, que fora o de um ilustre filósofo da Antiguidade)'.” 

Marcelo Borela de Oliveira

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Doutrina Espírita: Trechos do Evangelho para Leitura e Meditação


O Evangelho Segundo o Espiritismo é um livro espírita francês. De autoria de Allan Kardec. Foi publicado em Paris em 15 de abril de 1864 - Contendo o conjunto de ensinamentos transmitidos por Espíritos Superiores, ela é o roteiro para a reforma íntima guiada por Jesus para se alcançar a paz interior. 

O Codificador, Kardec, autor da obra,  nasceu Hyppolyte Leon Denizard Rivail (Allan Kardec), em 3 de outubro de 1804, em Lion (França), e desencarnou em Paris, no dia 31 de março de 1869, aos 65 anos de idade. Em seu túmulo está escrito: "Nascer, Morrer, Renascer ainda e Progredir sem cessar, tal é a Lei."

"Lembrando o Codificador da Doutrina Espírita é imperioso estejamos alerta em nossos deveres fundamentais. Convençamos-nos de que é necessário: Sentir Kardec; Estudar Kardec; Anotar Kardec; Meditar Kardec; Analisar Kardec; Comentar Kardec; Interpretar Kardec; Cultivar Kardec; Ensinar Kardec e Divulgar Kardec. Que é preciso cristianizar a humanidade é afirmação que não padece dúvida; entretanto, cristianizar, na Doutrina Espírita, é raciocinar com a verdade e construir com o bem de todos, para que, em nome de Jesus, não venhamos a fazer sobre a Terra mais um sistema de fanatismo e de negação."
EMMANUEL
(Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier "Reformador", março de 1961, FEB.)

"NÃO VIM DESTRUIR A LEI"

1. Não penseis que eu tenha vindo destruir a lei ou os profetas: não os vim destruir, mas cumpri-los: - porquanto, em verdade vos digo que o céu e a Terra não passarão, sem que tudo que se acha na lei esteja perfeitamente cumprido, enquanto reste um único iota e um único ponto.  
(São Mateus, cap. V, vv. 17 e 18.)

"MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO"

2.  Pilatos, tendo entrado de novo no palácio e feito vir Jesus à sua presença, perguntou-lhe: És o rei dos judeus? – Respondeu-lhe Jesus: Meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, a minha gente houvera combatido para impedir que eu caísse nas mãos dos judeus; mas, o meu reino ainda não é aqui.

Disse-lhe então Pilatos: És, pois, rei? – Jesus lhe respondeu: Tu o dizes; sou rei; não nasci e não vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade. Aquele que pertence a verdade escuta a minha voz. 
(S. João, cap. XVIII, vv. 33,36 e 37.)

"HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI"

3. Não se turbe o vosso coração. – Credes em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai; se assim não fosse, já eu vo-lo teria dito, pois me vou para vos preparar o lugar. – Depois que me tenha ido e que vos houver preparado o lugar, voltarei e vos retirarei para mim, a fim de que onde eu estiver, também vós ai estejais. 
(S. João, cap. XIV, vv. 1 a 3.)

"NINGUÉM PODERÁ VER O REINO DE DEUS SE NÃO NASCER DE NOVO"

4. Jesus, tendo vindo as cercanias de Cesaréia de Filipe, Interrogou assim os seus discípulos: “Que dizem os homens, com relação ao Filho do Homem? Quem dizem que eu sou?” – Eles lhe responderam: “Dizem uns que és João Batista; outros,  que Elias; outros, que Jeremias, ou algum dos profetas.”- Perguntou-lhes Jesus:  “E vós, quem dizes que eu sou?” – Simão Pedro, tomando a palavra, respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” – Replicou-lhe Jesus: “Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne nem o sangue que isso te revelaram, mas meu Pai, que está no reino dos céus.”
(S. Mateus, cap. XVI, vv. 13 a 17; S. Marcos, cap. VIII, vv. 27 a 30.)

5. Nesse ínterim, Herodes, o Tetrarca, ouvira falar de tudo o que fazia Jesus e seu espírito se achava em suspenso - porque uns diziam que João Batista ressuscitara dentre os mortos; outros que aparecia Elias; e outros que um dos antigos profetas ressuscitara. - Disse então Herodes: "Mandei cortar a cabeça a João Batista; quem é então esse de que ouço dizer tão grandes coisas? E ardia por vê-lo. 
(S. Marcos, cap. VI, vv.14 a 16; S. Lucas, cap.IX, vv.7a 9.)

6. (Após a transfiguração.) Seus discípulos então o interrogaram desta forma: "Por que dizem os escribas ser preciso que antes volte Elias?" - Jesus lhes respondeu: "É verdade que Elias e restabelecer todas as coisas: - mas, eu vos declaro que Elias já veio e eles não o conheceram e o trataram como lhes aprouve. É assim que farão sofrer o Filho do Homem." - Então, seus discípulos compreenderam que fora de João Batista que ele falara.   
(S. Mateus, cap. XVII, vv. 10 a 13; - S. Marcos, cap. IX, vv. 11 a 13.)

7. Ora, entre os fariseus, havia um homem chamado Nicodemos, senador dos judeus – que veio a noite ter com Jesus e lhe disse: “Mestre, sabemos que vieste da parte de Deus para nos instruir como um doutor, porquanto ninguém poderia fazer os milagres que fazes, se Deus não estivesse com ele”.

Disse-lhe Nicodemos: “Como pode nascer um homem já velho? Pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, para nascer segunda Vez?”

Jesus lhe respondeu: “Em verdade, em verdade, digo-te: Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo”.

Retorquiu-lhe Jesus: “Em verdade, em verdade, digo-te: Se um homem não renasce da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. – O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é Espírito. – Não te admires de que eu te haja dito ser preciso que nasças de novo. – O Espírito sopra onde quer e ouves a sua voz, mas  não sabes donde vem ele, nem para onde vai; o mesmo se dá com todo homem que é nascido do Espírito.”

Respondeu-lhe Nicodemos: “Como pode isso fazer-se?” – Jesus lhe observou: Pois quê! És mestre em Israel e ignoras estas coisas? Digo-te em verdade, em verdade, que não dizemos senão o que sabemos e que não damos testemunho, senão do que temos visto. Entretanto, não aceitas o nosso testemunho. – Mas, se não me credes, quando vos falo das coisas da Terra, como me crereis, quando vos fale das coisas do céu?” 
(S. João, cap. III, vv. 1 a 12.)

"BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS"

8. Bem-aventurados os que choram, pois que serão consolados. - Bem-aventurados os famintos e os sequiosos de justiça, pois que serão saciados.- Bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, pois que é deles o reino dos céus. 
(S Mateus, cap. V, vv. 5, 6 e 10.)

9. Bem-aventurados vós, que sois pobres, porque vosso é o reino dos céus. - Bem-aventurados vós , que agora tendes fome, porque sereis saciados. - Ditosos sois, vós que agora chorais, porque rireis.
(S. Lucas, cap. VI, vv. 20 e 21.)

Mas, ai de vós ricos! que tendes no mundo a vossa consolação . - Ai de vós que estais saciados, porque tereis fome. - Ai de vós que agora rides, porque sereis constrangidos a gemer e a chorar.  
(S. Lucas, cap. VI, vv. 24 e 25.)

_______
Fonte: Trechos transcritos da obra "O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO" de Allan Kardec - Acesse Gratuitamente ou adquira seu exemplar através do link abaixo... 






sexta-feira, 3 de junho de 2011

Livro espírita não deve ser recolhido, decide juiz



Os exemplares do livro “Obras Póstumas de Allan Kardec”, editado pelo Instituto de Difusão Espírita, não devem ser recolhidos. O juiz federal Marcelo Freiberger Zandavali, substituto da 3ª Vara Federal de Bauru, negou pedido de liminar feito em Ação Popular.

Pedro Valentim Benedito entrou com a ação, com pedido de antecipação de tutela, sob o argumento da obra ser lesiva ao patrimônio histórico e cultural e por veicular conteúdo racista. Ele baseou o pedido, dentre outros documentos, na Convenção Internacional Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, tratado internacional cujo cumprimento, em território nacional, foi objeto do Decreto nº 65.810/69.

O juiz Marcelo Zandavali destacou trecho da convenção sobre discriminação racial. “Entende-se discriminação racial qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência fundadas na raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por fim ou efeito anular ou comprometer o reconhecimento, o gozo ou o exercício, em igualdade de condições, dos direitos humanos e das liberdades fundamentais nos domínios político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro domínio da vida pública”.

De acordo com o juiz, o Instituto não teve a intenção específica de anular ou comprometer o reconhecimento, o gozo ou o exercício dos direitos humanos e liberdades fundamentais dos negros. Ao contrário, em “nota explicativa”, ao final do livro, expressa o “mais absoluto respeito à diversidade humana, sem preconceito de nenhuma espécie”. Ele ressaltou, ainda, que a obra traz a opinião de uma pessoa que viveu no século XIX, época em que era comum este tipo de pensamento com relação aos negros, tanto que em boa parte dos países ainda havia a escravidão.

Assim, de acordo com ele, “fica clara como água da rocha a intenção dos editores de divulgar, sem mutilações, o pensamento kardecista, sem, para tanto, elevar a distinção baseada na cor da pele em ideologia discriminatória”. Com informações do Núcleo de Comunicação Social da Justiça Federal de primeiro grau em São Paulo.

Ação Popular nº 0003015-78.2011.403.6108
Clique aqui para ler a decisão



Kardec, racismo e espiritismo - Uma reflexão
por Jorge Hessen

Não fales e nem escrevas
Algo que fira ou degrade;
Racismo é uma chaga aberta
No corpo da Humanidade
~Cornélio Pires

O racismo é um tema pouco abordado nas hostes doutrinárias. A bibliografia é escassa. Os escritores e estudiosos espíritas brasileiros ainda não se debruçaram com maior profundidade sobre o assunto. Para alguns, as poucas análises sobre a questão do segregacionismo e da escravidão do negro, no Espiritismo deixam transparecer as influências da teoria arianista , da visão positivista e idealista da história, desconsiderando os fatos nos seus relativismos e contradições.

Para a investigação kardequiana, a respeito do negro, torna necessário ser considerado o contexto histórico em que foi discutida a temática. Incidiria em erro, sob o ponto de vista histórico, considerar Allan Kardec contaminado de preconceitos ou de índole racista. Essa palavra detém uma carga semântica muito forte, inadequada para definir os ideais do mestre lionês.

Não há nenhum indício de que ele tenha discriminado algum indivíduo ou grupo de origem negra ou quaisquer indivíduos, sejam no movimento espírita ou fora dele. A jornalista Dora Incontri, com mestrado e doutorado em Educação, pela USP, em seu livro Para entender Kardec, nos trás um fato interessante que muito bem nos dará uma idéia de quem era o senhor Rivail. Vejamos:

"É bom lembrar que, na Sociedade de Estudos Espíritas de Paris, havia um Camille Flammarion, astrônomo, e um calceteiro (operário braçal que fazia as calçadas de Paris, de quem Kardec noticia a morte) e ambos eram membros da Sociedade"... Clique aqui para ler esta postagem na íntegra...

CLIQUE AQUI PARA ADQUIRIR O LIVRO "OBRAS PÓSTUMAS" DE ALLAN KARDEC

domingo, 13 de agosto de 2017

Prece Espírita para o Dia dos Pais

Oração para benção dos pais: "Venho hoje a ti, Senhor pedir que estenda tuas mãos divinas sobre todos os pais, abençoando-os. Abençoa, Senhor, o pai amigo e companheiro. O pai sempre presente, que oferece colo e estende a mão, mas, também, o pai ausente, colocando todo teu amor sem seu coração.   Abençoa, Senhor, o pai que hoje recebe o abraço dos filhos e o pai que chora a ausência do filho que partiu para teus braços. Dai a este o consolo da mansa saudade e enxuga, com teu divino manto, as lágrimas que vertem de seus olhos.   Estenda, Senhor, tuas mãos de amor sobre todos os pais, concedendo a eles os dons da paciência, compreensão, tranquilidade, ternura, justiça, fé na vida e em seus filhos e amor, muito amor.   E aos filhos, cujos pais estão junto a ti, dai a fé e o entendimento de que os pais nunca vão embora. Eles apenas mudam de lugar." - Allan Kardec

Allan Kardec foi o decodificador do espiritismo. Depois de muito estudar acontecimentos sobrenaturais e de receber mensagens, ele juntou o que descobriu na Doutrina Espírita que prega valores como caridade, a Lei do Retorno e a importância de se rezar. 

As preces espíritas que Allan Kardec e outros líderes indicam, falam sobre o equilíbrio, a proteção, o bem e o amor a todos a sua volta.

Faça essa prece espírita de Allan Kardec todas as noites ou de manhã para pedir fé e força para enfrentar os desafios da vida. Sinta-se sempre acompanhado e amparado pelas forças do Universo.



Oração aos Anjos Guardiões – Preces espíritas de Allan Kardec

"Espíritos sábios e benevolentes, mensageiros de Deus, cuja missão é assistir aos homens e conduzi-los pelo bom caminho. Amparai-me nas provas desta vida; dai-me a força de sofrê-las sem lamentações; desviai de mim os maus pensamentos, e fazei que eu não dê acesso a nenhum dos maus Espíritos que tentariam induzir-me ao mal.

Esclarecei a minha consciência sobre os meus próprios defeitos, e tirai-me dos olhos o véu do orgulho, que poderia impedir-me de percebê-los e de confessá-los a mim mesmo.

Vós, sobretudo, meu Anjo Guardião, que velais mais particularmente por mim, e vós todos, Espíritos Protetores, que vos interessais por mim, fazei que eu me torne digno da vossa benevolência. Vós conheceis as minhas necessidades; que elas sejam satisfeitas segundo a vontade de Deus.

Meu Deus, permite que os Bons Espíritos que me assistem possam ajudar-me, quando me achar em dificuldades, e amparar-me nas minhas vacilações. Senhor, que eles me inspirem a fé, a esperança e a caridade, que sejam para mim um apoio, uma esperança e uma prova da Vossa misericórdia. Fazei, enfim, que eu neles encontre a força que me faltar nas provas da vida, e para resistir às sugestões do mal, a fé que salva e o amor que consola.

Espíritos amados, Anjos Guardiões, vós, a quem Deus na sua infinita misericórdia, permite velarem pelos homens, sede o nosso amparo nas provas desta vida terrena.

Dai-nos a força, a coragem e a resignação; inspirai-nos na senda do bem, detendo-nos no declive do mal; que vossa doce influência impregne as nossas almas; fazei que sintamos a presença, ao nosso lado, de um amigo devoto, que assista os nossos sofrimentos e participe das nossas alegrias.

E vós, meu Anjo Bom, nunca me abandoneis. Necessito de toda a vossa proteção, para suportar com fé e amor as provas que Deus quiser enviar-me."


Oração para benção dos pais 



"Venho hoje a ti, Senhor pedir que estenda tuas mãos divinas sobre todos os pais, abençoando-os. Abençoa, Senhor, o pai amigo e companheiro. O pai sempre presente, que oferece colo e estende a mão, mas, também, o pai ausente, colocando todo teu amor sem seu coração. 

Abençoa, Senhor, o pai que hoje recebe o abraço dos filhos e o pai que chora a ausência do filho que partiu para teus braços. Dai a este o consolo da mansa saudade e enxuga, com teu divino manto, as lágrimas que vertem de seus olhos. 

Estenda, Senhor, tuas mãos de amor sobre todos os pais, concedendo a eles os dons da paciência, compreensão, tranquilidade, ternura, justiça, fé na vida e em seus filhos e amor, muito amor. 

E aos filhos, cujos pais estão junto a ti, dai a fé e o entendimento de que os pais nunca vão embora. Eles apenas mudam de lugar."




terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Por quê o prof. Hippolyte Rivail mudou o nome para Allan Kardec?

Allan Kardec, o chefe druída

por Mauro Quintella¹

"A vitória final teria sido de Roma se não existisse a reencarnação. Utilizando-se desse mecanismo natural, o druida Allan Kardec renasceu no Século XIX para dar continuidade ao seu trabalho no campo científico, filosófico e religioso.  O local escolhido foi a cidade de Lyon, na atual França, antiga Gália, no ano de 1804. Seu novo nome seria Hippolyte Léon Denizard Rivail. Educado na Suíça, mudou-se, depois, para Paris, capital cultural do mundo.  Durante muitos anos, o ex-druida dedicou-se ao estudo e prática da Educação. Todavia, aos 50 anos, atraído pelos fantasmagóricos fenômenos que invadiram o globo, sua atenção voltou-se integralmente para as questões transcendentais da vida.  Convencido que os estranhos acontecimentos eram produzidos por espíritos, Rivail começou a fazer-lhes várias perguntas sobre as causas e características das coisas. Desse material saiu sua primeira obra sobre o assunto, O Livro dos Espíritos. Estava inaugurada a nova filosofia espiritualista, que ele chamou de Espiritismo.  Já sabendo que era um druida reencarnado, através da revelação do Espírito Zéfiro, Rivail preferiu assinar O Livro com seu antigo nome celta, a fim de separar seu trabalho de educador do de autor espírita. Fechava-se, assim, um ciclo palingenético, pessoal e histórico.  O espírito Kardec/Rivail completava sua tarefa de condutor de almas e as grandes teses druídicas ressurgiam no bojo da novel Doutrina Espírita. Tudo sobre o mesmo solo gaulês..."
Professor Hippolyte Léon Denizard Rivail / Allan Kardec - Imagem de Ronald Sanson por Pixabay

"Influenciados pela moda que varria a França, os Baudin (Émile-Charles, Clémentine e as filhas Caroline e Julie) começaram a conversar com uma mesa girante em 1853, quando ainda moravam na colônia francesa da Ilha da Reunião, na costa oriental da África.

Como em outros lugares, logo constatou-se que a mesa era movida pelas almas dos mortos.

Depois de algum tempo, as reuniões passaram a ser dirigidas por um espírito, que se apresentou como o guia espiritual da família. Interrogado a respeito do seu nome, o ser invisível respondeu:

– Chamem-me pelo que sou, o zéfiro da verdade.

Zéfiro era o nome de um vento típico da região. O apelido pegou.

Certa noite, o guia previu que seus protegidos mudariam brevemente para Paris:

– Émile arrumará seus negócios e entrará na Escola Naval. Caroline e Julie tomarão professoras mais competentes e encontrarão seus noivos. E eu procurarei contato com um velho amigo e chefe, desde o nosso tempo de druidas.

Nessa época, os Baudin não tinham a menor intenção de morar na França. No entanto, uma crise no comércio do café e do açúcar, principais produtos das atividades agrícolas e comerciais de Émile-Charles, obrigou-os a mudar para a Corte em 1855. Zéfiro os acompanhou. Ou foi o contrário?

As reuniões continuaram em Paris. Numa noite, Zéfiro escreveu:

– Nosso dia de glória já chegou.

O Sr. Baudin pediu mais explicações. O espírito amigo respondeu:

– Vamos ter, afinal, o convívio de nosso velho chefe druida!

– Aquele que você esperava encontrar em Paris?

– Sim, ele mesmo, em pessoa. Você vai trazê-lo aqui. Caroline vai atraí-lo.

– Você pode me dizer o nome dele?

– Allan Kardec!

Émile achou o nome estranhíssimo e deu o diálogo por encerrado.

As sessões dos Baudin davam-se num clima de total descontração e sem qualquer formalismo.

Na hora combinada, a casa enchia-se de curiosos, convidados pela família ou recomendados pelos amigos do clã.

Nessa época, os espíritos já tinham abandonado as mesas girantes e se comunicavam através da psicografia indireta, escrevendo num quadro de ardósia (uma lâmina de pedra, portátil). Caroline, Julie e Clémentine funcionavam como médiuns, segurando uma cestinha de vime (corbelha, do francês corbeille), em cujo bico amarravam um lápis de pedra.

Os participantes faziam perguntas, que eram respondidas na ardósia e lidas em voz alta. Após a leitura das respostas, seguiam-se comentários nos mais diversos tons, revelando o espanto de uns e o contentamento de outros.

Zéfiro, o dirigente espiritual da casa, gostava de pilheriar e alfinetar os consulentes antes de dirigir-lhes a palavra.

Certa noite, o Sr. Denizard Rivail, educador lionense radicado em Paris, compareceu à reunião, acompanhado de sua esposa, Amelie Boudet, a convite do próprio Émile-Charles. O pai Baudin os havia conhecido numa sessão de mesa girante na casa da Sra. Planemaison, na qual Rivail aprofundava seu recente interesse pelos fenômenos espíritas.

O espírito guia dos Baudin os recebeu efusivamente, saudando o professor com as seguintes palavras:

– Salve, caro pontífice, três vezes salve!

Lida em voz alta, a saudação arrancou risadas da platéia.

O Sr. Baudin, meio envergonhado, explicou a Rivail que Zéfiro era muito espirituoso e tinha o costume de brincar com os visitantes. O professor não se agastou e respondeu sorrindo:

– Minha bênção apostólica, prezado filho!

Nova risada geral. Zéfiro, porém, redargüiu que tinha feito uma saudação respeitosa, a um verdadeiro pontífice, pois Rivail havia sido um grande chefe druida, no tempo da invasão da Gália pelo Imperador Júlio César.

Os druidas eram os sacerdotes do povo celta, uma etnia que habitava várias extensões da antiga Europa.

Essa área compreendia Portugal e Espanha (a oeste), a Cordilheira dos Cárpatos (a leste), a Bélgica (ao norte) e a Itália (ao sul), passando pela Irlanda, Inglaterra, País de Gales, Escócia, França, Dinamarca, Suíça, Áustria e Alemanha.

Júlio César invadiu a Gália (atual França) no Século 58 a.C. e denominou os celtas locais de gauleses. Segundo Zéfiro, ele e Rivail estavam reencarnados nessa época e local.

O termo druida quer dizer consciência do carvalho, a árvore sagrada dos celtas. Os futuros sacerdotes, escolhidos na classe aristocrática, submetiam-se, desde crianças, a intenso aprendizado junto aos druidas mais velhos.

Os druidas não limitavam sua ação à religião, acumulando a função de juízes, professores, médicos, conselheiros militares e guardiões da cultura céltica. O cargo não era exclusivo dos homens, pois também existiam druidesas.

Viviam integrados na comunidade e podiam se casar. Estimulavam os homens a combater o mal e a praticar bravuras e as mulheres a serem o ponto de união entre o céu e a terra. Júlio César os perseguiu duramente porque insuflavam a resistência ao domínio romano. Segundo o próprio Imperador, foi na Gália que ele viveu a mais árdua de suas campanhas.

Os celtas dominavam diversas áreas do conhecimento humano, como a fitoterapia, a agricultura, a tecelagem, a mineração, a cerâmica, a pecuária, a metalurgia e a astronomia. Inventaram a roda de madeira, o barril e a carroça. No campo artístico, cultivavam a música, a poesia, a escultura, a ourivesaria e a joalheria

O que unia os povoados, vencendo as grandes distâncias que os separavam, não era a obediência a um único rei, mas a língua, a arte e a religião.

A filosofia religiosa dos celtas era muito avançada.

Acreditavam numa Divindade única, que podia ser cultuada como homem (Deus ou o céu) ou mulher (Deusa ou a terra). Como não admitiam templos, seus cerimoniais eram realizados ao ar livre, nos campos e florestas, debaixo de grandes carvalhos.

Além disso, criam na imortalidade da alma, na reencarnação, no livre-arbítrio, na lei de causa e efeito, na evolução espiritual, na inexistência de penas eternas, nas esferas espirituais, na existência de elementais (duendes, fadas, gnomos, etc.) e na proteção dos Espíritos superiores.

Um celta não morria, pois a morte era apenas um ponto no meio da estrada.

Só houve uma coisa negativa: os druidas proibiram a palavra escrita como instrumento de preservação da história céltica, por temerem que textos escritos caíssem em mãos escusas.

Por isso, todo o conhecimento desse povo era transmitido oralmente e se perdeu muito no decorrer dos séculos.

Com a queda do grande chefe Vercingetórix, no ano de 52 a.C., toda a Gália acabou rendendo-se, pouco a pouco, aos exércitos romanos, mais treinados e portadores de armas mais leves e manejáveis. No final do Século I a.C., todos os domínios celtas, exceto a Irlanda e a Escócia, estavam submetidos a Roma. A falta de unificação política, geográfica e militar das tribos também colaborou para o sucesso de Júlio César.

Com a forte repressão política aos druidas, movida pelo Imperador, a cultura céltica foi perdendo sua força e, no final do Século I d.C., a quase totalidade dos celtas estava “romanizada” ou misturada à multidão de povos que invadiu o continente europeu.

O druidismo passou então a ser uma prática fechada e esotérica. Isso, porém, não impediu que muitos druidas aceitassem as idéias de Jesus de Nazaré, quando o Cristianismo primitivo chegou à Europa. No entanto, o nascente Catolicismo romano não gostou desse sincretismo e ajudou a perseguir os sacerdotes celtas. Pode-se dizer que o desaparecimento dos druidas é diretamente proporcional ao crescimento e fortalecimento da Igreja Católica.

Como os grandes druidas eram conhecidos como as serpentes da sabedoria, São Patrício regozijava-se de ter acabado com as “serpentes” da Bretanha.

A vitória final teria sido de Roma se não existisse a reencarnação. Utilizando-se desse mecanismo natural, o druida Allan Kardec renasceu no Século XIX para dar continuidade ao seu trabalho no campo científico, filosófico e religioso.

O local escolhido foi a cidade de Lyon, na atual França, antiga Gália, no ano de 1804. Seu novo nome seria Hippolyte Léon Denizard Rivail. Educado na Suíça, mudou-se, depois, para Paris, capital cultural do mundo.

Durante muitos anos, o ex-druida dedicou-se ao estudo e prática da Educação. Todavia, aos 50 anos, atraído pelos fantasmagóricos fenômenos que invadiram o globo, sua atenção voltou-se integralmente para as questões transcendentais da vida.

Convencido que os estranhos acontecimentos eram produzidos por espíritos, Rivail começou a fazer-lhes várias perguntas sobre as causas e características das coisas. Desse material saiu sua primeira obra sobre o assunto, O Livro dos Espíritos. Estava inaugurada a nova filosofia espiritualista, que ele chamou de Espiritismo.

Já sabendo que era um druida reencarnado, através da revelação do Espírito Zéfiro, Rivail preferiu assinar O Livro com seu antigo nome celta, a fim de separar seu trabalho de educador do de autor espírita. Fechava-se, assim, um ciclo palingenético, pessoal e histórico.

O espírito Kardec/Rivail completava sua tarefa de condutor de almas e as grandes teses druídicas ressurgiam no bojo da novel Doutrina Espírita. Tudo sobre o mesmo solo gaulês..."


Bibliografia:

'O Livro dos Espíritos e sua tradição Histórica e Lendária' – Silvino Canuto de Abreu, Edições LFU, São Paulo, 1992

'Os Celtas' – Venceslas Kruta, Editora Martins Fontes, São Paulo, 1979

Internet – (diversas páginas sobre celtas)

Fonte: Artigo publicado originalmente no jornal 'A Voz do Espírito' – Edição 89: Janeiro/Fevereiro de 1998 (reprodução parcial do texto publicado no 'Portal do Espírito') - Visite o Blog do autor Mauro Quintella








Doe para continuarmos nossa obra:

Gostou?
Então contribua com qualquer valor
Use a chave PIX ou o QR Code abaixo
(Stresser Mídias Digitais - CNPJ: 49.755.235/0001-82)

O Sulpost é um veículo de mídia independente e nossas publicações podem ser reproduzidas desde que citando a fonte com o link do site: https://sulpost.blogspot.com/. Sua contribuição é essencial para a continuidade do nosso trabalho.