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terça-feira, 22 de agosto de 2017

Marinheiros e Marinheiras de Umbanda



Nomes de Marinheiros e Marinheiras na Umbanda, assim como de outras linhas, costumam trazer dúvidas e curiosidade aos umbandistas.

A Umbanda é uma religião 100% brasileira que se utiliza de conceitos de outras religiões como as religiões indígenas, o espiritismo, o catolicismo, etc.

Como tal, apresenta uma ampla linha de trabalho pautada em diferentes culturas.

Uma delas é a linha de Marinheiros regida diretamente por Iemanjá e indiretamente por outros Orixás (dependendo de onde aquele Marinheiro é).

Algumas Casas de Umbanda tratam a linha de Marinheiro como vibração direcionada a Linha D’Agua: Oxum (Marinheiros de águas doces), Iemanjá (Marinheiro dos mares), Nanã (Marinheiro de águas turvas), Iansã (Marinheiro de águas agitadas e tempestades).

Mas nada impede de termos um Marinheiro ligado aos outros Orixás: Pescadores (Oxóssi/Iemanjá/Oxum), soldados da marinha (Ogum), profissionais e mercadores do porto (Oxóssi), etc.

Já o Candomblé segue Nações (Ketu, Gêge, Nagô) e, como tal, sua doutrina antecede a Umbanda e nem todas elas reconhecem a linha de Marinheiros.

Isso ocorre por que a maior parte do Candomblé prefere atuar com Orixás e não com “catiços”.

Não entraremos nesta questão teológica, mas apresentaremos abaixo alguns nomes de Marinheiros de Umbanda:

-Martin Pescador

-Martin Negreiro

-Marinheiro das Sete Praias

-Marinheiro Mercador

-Manoel Marujo

-Manoel da Praia

-João da Praia

-João do Rio

-João do Farol

-João Marujo

-Zé do Mar

-Zé da Jangada

-Zé do Bote

-Zé do Cais

-Zé Pescador

-Zé da Proa

-Seu Atenor

-Seu Sete Ondas

-Seu Sete Cais


Nomes de Marujas ou Marinheiras também tem surgido recentemente. Ainda não se sabe se são figuras de “Marinheiras”, “Sereias” ou “Ondinas”, mas se percebe a manifestação de mentoras na linha de Marinheiros:

-Dona Sete Praias

-Luzia dos Sete Mares

-Luzia do Cais

-Maria do Farol

-Maria das Ondinas

-Luíza Ondina

-Luíza do Cais

-Marina Pescadora

-Marina das Sete Ondas

-Janaína da Jangada

-Janaína Mercadora

-Tina do Cais

-Tina do Porto

Em algumas Casas também tem se notado nomes de Marinheiros com atuação na Direita e na Esquerda (vulgo “Piratas”) assumindo papel na linha de Marinheiros como Zé Pilintra está para a linha de Baianos/Esquerda:

-João Pirata

-João Caolho

-Zé do Timão

-Zé da Prancha

-Pirata Ruerez

-Capitão Baleia

-Capitão Caveira

-Seu Perna de Pau dos Sete Mares

-Seu Terra a Vista

Sua Casa pode:

1) Reconhecer ou não a linha de Marinheiros;

2) Reconhecer ou não a presença de mentoras nesta linha;

3) Enquadrar as mentoras na linha de Marinheiro ou na linha das Ondinas/Sereias;

4) Reconhecer ou não a presença de espíritos que se aproximam à configuração de uma linha de Piratas;

5) Enquadrá-los tal como Zé Pilintra entendendo que estes Guias atuam tanto na força da Direita quanto da Esquerda.

Independente de qual seja a doutrina da sua Casa, respeite a fé alheia, pois a Umbanda já tem intolerantes demais do lado de fora.

Cada Casa tem a sua doutrina e cada Guia o seu Axé. Se você é médium em desenvolvimento e obteve intuição do nome do seu (sua) Marinheiro (a) e ainda tem dúvidas, procure o Pai de Santo de sua confiança.

Fonte: Texto de Eduardo de Oxóssi - Blog do Baiano Juvenal

domingo, 20 de novembro de 2016

Dia da Consciência Negra



"O dia 20 de novembro faz menção à consciência negra, a fim de ressaltar as dificuldades que os negros passam há séculos.

A escolha da data foi em homenagem a Zumbi, o último líder do Quilombo dos Palmares, em consequência de sua morte. Zumbi foi morto por ser traído por Antônio Soares, um de seus capitães.

A localização do quilombo ficava onde é hoje o estado de Alagoas, na Serra da Barriga.

O Quilombo dos Palmares foi levantado para abrigar escravos fugitivos, pois muitos não suportavam viver tendo que aguentar maus tratos e castigos de seus feitores, como permanecerem amarrados aos troncos, sob sol ou chuva, sem água e sofrendo com açoites e chicotadas. O local abrigou uma população de mais de vinte mil habitantes.

Ao longo da história, os negros não foram tratados com respeito, passando por grandes sofrimentos. Pelo contrário, foram escravizados para prestar serviços pesados aos homens brancos, tendo que viver em condições desumanas, amontoados dentro de senzalas.

Muitas vezes suas mulheres e filhas serviam de escravas sexuais para os patrões e seus filhos, feitores e capitães do mato, que depois as abandonavam.

As casas dos escravos eram de chão batido, não tinham móveis nem utensílios para cozinhar. As esposas dos barões é quem lhes concedia alguns objetos, para diminuir as dificuldades de suas vidas. Nem mesmo estando doentes eram tratados de forma diferente, com respeito e dignidade. Ficavam sem remédios e sem atendimento médico, motivo pelo qual inventaram medicamentos com ervas naturais, ações aprendidas com os índios durante o período de colonização.


Algumas leis foram criadas para defender os direitos dos negros, pois muitas pessoas não concordavam com a escravização. A Lei do Ventre Livre foi a primeira delas, criada em 1871, concedendo liberdade aos filhos dos escravos nascidos após a lei. No ano de 1885, criaram a Lei dos Sexagenários, dando liberdade aos escravos com mais de sessenta anos de idade.

Porém, com a Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888, foi que os escravos conquistaram definitivamente sua liberdade.

O grande problema dessa libertação foi que os escravos não sabiam realizar outro tipo de trabalho, continuando nas casas de seus patrões, mesmo estando libertos. Com isso, a tão esperada liberdade não chegou por completo.

As oportunidades de vida que tiveram eram limitadas apenas aos trabalhos pesados, como não haviam estudado e não aprenderam outros ofícios além dos braçais, porém, alguns conseguiram emprego no comércio.
O dia da consciência negra surgiu para lembrar o quanto os negros sofreram, desde a colonização do Brasil, suas lutas, suas conquistas. Mas também serve para homenagear àqueles que lutaram pelos direitos da raça e seus principais feitos.

Na data são realizados congressos e reuniões discutindo-se a história de preconceito racial que sofreram, a inferioridade da classe no meio social, as dificuldades encontradas no mercado de trabalho, a marginalização e discriminação, tratando-se também de temas como beleza negra, moda, conquistas, etc."

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Cavalo de Santo: Religiões afro-gaúchas

FICHTNER, Mirian. Cavalo de Santo: religiões afro-gaúchas. Porto Alegre, 2010. 168 p.
Mauro Dillmann Tavares*, I; Fernando RipeII / IUniversidade do Vale do Rio dos Sinos - Brasil  / IIMestre em Educação - Brasil



O trabalho da fotógrafa brasileira Mirian Fichtner, que ora se apresenta, demonstra grande sensibilidade desta gaúcha que se dedicou a registrar as religiões de matriz africana do seu estado, num tempo em que a liberdade de expressão religiosa se afirma cada vez mais, embora a intolerância ainda seja uma realidade perceptível em nossa sociedade.

O livro, cuja edição independente recebeu o patrocínio da Fundação Cultural Palmares e do Ministério da Cultura, do governo federal, foi publicado em 2010, depois de quatro anos de trabalho fotográfico, percorrendo em torno de cem terreiros no Rio Grande do Sul, visitando cerca de 30 casas e escolhendo 13 para documentar.


A motivação para a fotógrafa foi o expressivo índice da crença religiosa afro-brasileira apontada pelo Censo 2000, que indicava o Rio Grande do Sul como tendo o maior número de seguidores: 1,62%. Mirian confessou sua perplexidade com esses dados, devido à "invisibilidade" e o "ineditismo do assunto" (p. 29).

A beleza da publicação inicia-se pelo excelente trabalho gráfico; encadernado e com papel de boa qualidade, o livro traz todos os seus escritos também em inglês, assumindo a forma bilíngue, de tal modo a possibilitar um maior alcance social.

Ao apresentar a obra, o antropólogo Ari Pedro Oro explica o título:

As religiões afro-gaúchas [...] são religiões de possessão, isto é, por ocasião das cerimônias, certos indivíduos, em estado de transe, são "possuídos" pelas entidades espirituais, as quais, segundo a terminologia nativa, "se ocupam" da pessoa, em cujo corpo podem cavalgar. Assim, o corpo do iniciado se torna o "cavalo de santo". (p. 25).

A seleção das imagens, resultado do trabalho de escolha pessoal da autora, demonstra plenamente que Mirian não apenas viu, mas experienciou o olhar para as manifestações religiosas que se propôs a fotografar. O olhar, muito mais complexo que o ver, percebe, interpreta, indaga. (Cardoso, 1988). Seu trabalho, a construção imagética, é uma representação que está diretamente relacionada com a subjetividade desse olhar.


O livro apresenta 153 fotografias reveladoras desse olhar da fotógrafa, carregado da sua impressão sobre o "outro", e que revelam também sobre ela própria, sobre o seu contexto e sobre o lugar de onde fotografava. 

Revela a sensibilidade e o envolvimento da artista com seu trabalho, apresenta a força e o vigor das manifestações religiosas africanistas na contemporaneidade e a observação atenta de quem está do lado de fora, de quem tem expectativas com o diferente, com o surpreendente. Suas imagens demonstram um verdadeiro exercício do "olhar", da investigação e da busca da compreensão do "outro".

As manifestações de fé das religiões de matriz africana são o foco da autora, entre elas a umbanda e o batuque (nome dado ao culto aos orixás, chamado de candomblé em outras partes do Brasil, porém com características ritualísticas próprias). Documentar visualmente o sagrado como um forte elemento cultural dos gaúchos e destacar o protagonismo dos religiosos na preservação da sua fé, que é baseada na oralidade e na tradição, parece ter sido um dos objetivos marcantes do trabalho de Mirian.


O trabalho vem contribuir com os poucos estudos dedicados às expressões religiosas africanas no Rio Grande do Sul. As fotografias são devidamente identificadas com legendas ao final do livro, tornando-se fontes de referência e estudo para os interessados na temática.

O livro traz imagens da ritualística, de oferendas, de danças, de objetos sagrados, de apresentações públicas, de festas populares, de espaços considerados sagrados ou sacralizados, de devotos e iniciados, de religiosos "incorporados" e/ou "ocupados", todos, devidamente legendados no "índice de fotos" ao final da obra. 


Mirian traz um glossário, explicando temas como "axé", designado como "poder de realização e transformação ligados aos orixás", até "yorubá", sendo "língua africana oriunda da Nigéria" (p. 160). Por tudo, a obra além de dar visibilidade ao culto afro e aos religiosos, também divulga as manifestações de fé e contribui no combate ao preconceito, ainda existente, sobre essas práticas religiosas.

Com retratos da sensibilidade religiosa, da emoção, do instante de vivências e experiências sagradas, o livro desmistifica e traz imagens da naturalidade dos instantes da ritualística e da magia, das demonstrações públicas e privadas de sentimentos.

O registro dos instantes mágicos, de transe mediúnico, de reverência ao sagrado, de preparação de oferendas e objetos para o domínio religioso e da relação do corpo com o sacrifício de animais contribui para divulgar e para dar a conhecer religiões por muito tempo relegadas socialmente e pejorativamente denominadas, no Rio Grande do Sul, como "macumbas".

O culto, a veneração, a fé, a afeição são registrados por Mirian nas imagens que demonstram as ferramentas de orixás, a culinária africanista e, também, no ritual de entrega de axés. Destacam-se, igualmente, aquelas que mostram a prática do sacrifício de animais sobre a cabeça do "filho de santo", ao realizar "bori" para seu orixá.


Essa intenção de captar a devoção é nítida nas fotografias de Mirian, tanto que o jornal Zero Hora de 16 de abril de 2011, com uma reportagem sob o título "Viagem aos terreiros da querência" (Wagner, 2011), destacou: 
"Ao folhear o livro, o leitor é conduzido para dentro de uma casa de religião." 
É interessante pensar que o leitor é conduzido não apenas para a casa de religião, mas também para todo o universo simbólico das religiões afro-gaúchas.

Dividido em quatro capítulos, "Nação batuque", "Caboclos e pretos-velhos", "Ciganos, exus e pombagiras" e "Festas populares", o livro mostra a dinamicidade cultural dessas religiosidades, as zonas de contato, os encontros culturais, as relações interativas e a originalidade do resultado.

Como o sincretismo - santos católicos que representam orixás, a especificidade local e cultural como a costela assada no espeto servindo como oferenda para Ogum, a imagem de Nossa Senhora da Conceição representando Oxum e o registro do encontro de padres católicos e tamboreiros (alabês) são exemplos de imagens que carregam marcas de construção religiosa em fronteiras culturais diversas.


Envolvida com seu trabalho, Mirian assume uma postura de crença, tamanho o fascínio com seu objeto de estudo artístico: dedica o livro a "todos os orixás e entidades que nos guiaram". Ao destacar o plural, "nos guiaram", a fotógrafa divide e compartilha o seu trabalho com seu parceiro Carlos Caramez e com "uma equipe de produção solidária com os objetivos do projeto" (p. 29).

No dizer do antropólogo Ari Pedro Oro, além de Mirian assinalar visualmente aspectos das religiões afro-gaúchas, capta e evidencia sua dimensão estética, a união do belo e do sagrado (p. 27). De fato, não se pode deixar de destacar a qualidade do trabalho técnico da fotógrafa. Ao olhar atento e sensível de Mirian, aliaram-se suas capacidades de perita em cores, luzes e sombras.

O objetivo da fotógrafa era "realizar um trabalho autoral com olhar em profundidade" (p. 29). Para além do que é simplesmente visto, parece que Mirian alcançou o seu intento, olhou bem, viu o novo e traduziu em imagens bem tratadas em iluminação e composição, dando visibilidade a um aspecto da cultura gaúcha até então invisibilizado.


Referências

CARDOSO, S. O olhar viajante (do etnólogo). In: NOVAES, A. (Org.). O olhar. São Paulo: Companhia das Letras, 1988. p. 347-360.   
WAGNER, C. Viagem aos terreiros da querência. Zero Hora, 16 abr. 2011. Disponível em: <http://zerohora.clicrbs.com.br/especial/rs/segundocaderno/19,1030,3277686,Viagem-aos-terreiros-da-querencia.html>. Acesso em: 20 abr. 2011.  

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-71832012000100024&script=sci_arttext
Fotos: Google Image




quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Documentário :: Pra ver a Umbanda passar

Baseado na pesquisa “Pra ver a Umbanda passar: do esquecimento à lembrança – Levantamento e mapeamento dos terreiros umbandistas em Curitiba, como elementos constitutivos da memória cultural da cidade”, este documentário acompanha o trabalho de oito centros umbandistas de Curitiba, retratando suas diferenças, identidades e um pouco da história de vida dos seus líderes.


Direção e Roteiro: Luciano Coelho e Marcelo Munhoz - Assistência de Direção: Luciana Patrícia de Morais - Direção de Fotografia, Câmera e Edição: Luciano Coelho - Produção e Entrevistas: Marcelo Munhoz - Direção de Fotografia e Câmeras Adicionais: Tiago Borges e Vitor Schuhli - Assistência de Câmera e Som Direto: Tiago Borges, Vitor Schuhli e Claudia Amorim - Coordenação de Pesquisa: Marcilene “Lena” Garcia - Pesquisadoras: Débora Agulham e Luciana Patrícia de Morais.


terça-feira, 21 de julho de 2009

Os Santos e os Orixás na cultura afro-descendente

"Os Santos, como heróis semideuses da mitologia greco-romana, dimensionam-se dentro da história. Os Orixás, como os Deuses, são mitos cuja existencia antecede a espécie humana. Suas funções estão ligadas à justificativa e formação do mundo natural. O fato dos Orixás passarem a ser representados, sob coação do terror escravocrata, por imagens católicas, serviu apenas para preservar seus conteúdos metafísicos. A imposição branca foi mais eficiente ao nível da forma representativa. Não conseguiu substituir os conteúdos dos Orixás - símbolos da Natureza - por personalidades históricas. Essa substituição de conteúdo foi, por sua vez, fracamente tentada no Brasil pela colonização portuguesa. A colonização inglesa, ao contrário, exigiu do escravo convertido um conhecimento maior das escrituras judaico-cristãs, ou seja, maior deculturação. Para o colonizador ibérico, bastava que o escravo fosse batizado, confessasse, recebesse a comunhão, soubesse algumas preces e frequentasse missa. O catecismo vulgar e superficialmente pregado aos negros escravos não poderia de modo algum substituir a cosmovisão da cultura negra, elaborada durante os milenios de sua existencia."

Bentto de Lima - Malungo - pg.204

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