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domingo, 2 de dezembro de 2018

A velhice é uma bênção (por G. de Purucker)

por G. de Purucker*


"Aprenda a controlar a mente. O ser humano é filho dos deuses, e sua mente deve se transformar em divina, seus pensamentos devem ser inspirados, seu coração constantemente abrindo-se ao amor.

Vá aos lugares silenciosos de seu coração; entre nas câmaras quietas de seu ser interior. Logo você aprenderá a abrir as portas de seu próprio coração. Então a intuição virá a você. Terá conhecimento imediato; conhecerá a verdade instantaneamente. Este é o Caminho, este é o ensinamento.

Nestes calmos lugares da alma, nestes profundos silêncios do coração, é que entram os Grandes Seres quando querem mais luz e conhecimento; pois assim fazendo entram na própria estrutura e fábrica do Universo, e conhecem assim a Verdade de primeira mão, porque se tornam um com o Universo, vibrando sincronicamente com as vibrações de todos os planos da Mãe Eterna.

Quem assim procede não precisa temer a velhice. Para aquele que viveu corretamente e com altos ideais, a velhice traz maior espiritualidade e mais profunda visão.

Na velhice a alma está se retirando do corpo cansado. Mas essa retirada da alma é pacífica e calma, é o modo da natureza de fazer a morte chegar como uma suave bênção de paz e harmonia.

Em vez de ser um forte puxão, como é no caso do jovem quando vem a morte, a morte para os idosos vem em paz e quietude, soltando as amarras que prendem a alma a seu veículo de carne, e a passagem para a outra vida é tão calma e gentil como a chegada do crepúsculo que antecede a noite.

Qualquer ser humano pode evitar uma velhice dolorosa, ou ao menos minimizar seus problemas; e isto pode ser conseguido vivendo com humanidade, vivendo nos níveis mais elevados da personalidade, ao invés de permanecer apegado aos desejos do corpo. Desse modo a velhice chega trazendo bênçãos e aumentando as faculdades espirituais.

Porém, se a vida foi vivida à procura de grosseiros desejos físicos, se os elos que unem a alma ao corpo foram fortalecidos no veículo de carne através da auto-indulgência para com os apetites grosseiros, então mesmo na velhice a morte é dolorosa, pois a retirada natural da alma não acontece.

Doenças, por outro lado, são processos purificadores, e para as pessoas de nosso estágio imperfeito de evolução são muitas vezes uma bênção enviada dos céus. Elas curam o egoísmo, ensinam paciência, fazem a mente admirar a beleza da vida e ver a necessidade de viver corretamente. Tornam a pessoa gentil e agradável.

Considere o ser humano médio em seu presente estágio de evolução: apaixonado, com emoções desgovernadas, com ferozes desejos de sensação. Se tais pessoas tivessem corpos que não adoecessem, provavelmente seriam mortas pelos excessos. As doenças, na verdade, são avisos para reformar-se e viver de acordo com as leis da natureza.

Não é uma natureza externa e tirânica que nos traz doenças. As doenças, com seu sofrimento e dores, são amigos que nos advertem. Elas amaciam nosso coração, expandem nossa mente, dão-nos a oportunidade de exercitar nossa vontade. Fazem nascer em nosso peito piedade e compaixão pelos outros.


Cada um é responsável por suas doenças e infelicidades.  Elas vêm a nós como reações, efeitos, das sementes de pensamentos e ações que semeamos no passado.

Quando o sofrimento e a tristeza vierem, receba-os: eles são despertadores. Os prazeres nos fazem dormir, as alegrias físicas nos fazem dormir. A dor e a mudança nos despertam. Pensar assim nos dá força, nos dá paz, nos capacita a encarar os problemas da vida com uma mente iluminada.

O ser individual está aprendendo, crescendo. Não importa quão pequeno ou grande é esse ser – inseto ou deus, superdeus ou átomo – todos estão aprendendo e crescendo, portanto passam por estágios de felicidade e dor.

Siga esta regra: seja o que vier, encare com coragem. Isso passará. Mantenha sua face para o Leste místico do futuro, encha seu coração com coragem e lembre que você é um descendente dos deuses imortais que controlam e guiam o Universo.

Há momentos na vida em que o Eu Superior interno nos leva para caminhos de provas para que possamos crescer ao reagir com sucesso a essas provas. Mas o Eu Superior está sempre conosco, constantemente nos advertindo através das intuições para ser corajoso (a), para encarar a vida com energia, para ser sincero, limpo, forte, animado e muitas outras coisas. E são essas qualidades que nos protegem do desastre.

O único desastre que o espírito do homem conhece é a fraqueza, o fracasso, o desencorajamento. Desastres físicos e outras coisas da vida física são frequentemente bênçãos disfarçadas.

Encare a tempestade, e muito breve verá o céu azul se abrindo, porque você terá passado no teste, e isso o fez mais forte. Cada sábio e vidente ensinou a mesma coisa: limpe o templo do espírito (o corpo físico), desaloje os demônios da natureza inferior. Quais são estes demônios? Seus próprios pensamentos.

Pensamentos desarmônicos são veneno em sua corrente sanguínea, e daí resulta a doença. Os pensamentos desarmônicos são os pensamentos egoístas, pensamentos mesquinhos, que surgem num coração que não ama. Se há amor no coração humano, haverá um corpo forte e limpo e uma mente harmônica.

Quando os maus pensamentos passarem por sua mente, não lute nem desperdice sua força. Pense nas virtudes opostas, pense nas coisas que ama. O segredo é a visualização interna.

Se você se sentir sombrio, se tiver vergonha dos pensamentos que tem na mente, não lute com eles, esqueça-os. Eles são os fantasmas que surgem do seu passado. Volte seu rosto para o Oriente e observe o sol que nasce. Observe os picos montanhosos de sua natureza onde uma aurora dourada acena seu esplendor mágico. Esta é uma regra simples para vencer.

Há um jeito de saber se algo vem de seu Eu Superior, ou se é meramente algum desejo inferior: o Eu Superior é sempre impessoal, é amável, é gentil, é compassivo. A natureza inferior é egoísta, aquisitiva, irada, violenta, sem disposição de perdoar.

O Eu Superior é uma entidade espiritual e plana sobre a lama do eu inferior, assim como o Sol brilha sobre a Terra. O Eu Superior tem tremenda influência sobre o eu inferior, mas este não tem nenhuma influência sobre o Eu Superior. O eu inferior apenas tem influência sobre a natureza humana, que é a intermediária.

Um pensamento amável enviado a outra pessoa é uma proteção para ela. Poucas coisas são tão satisfatórias para o coração e a mente, como saber que pelo menos hoje não fomos duros em nossos sentimentos para com os outros, mas sim gentis e prestativos."
O jovem Dr. G. de Purucker, em 1892
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Sobre o autor: Gottfried de Purucker (1874 - 1942), mais conhecido como G. de Purucker, ou abreviadamente, GdeP, foi um teosofista, autor e um dos grandes líderes de uma das Sociedades Teosóficas, no caso, a Sociedade Teosófica de Point Loma (que em 1951 haveria de se dividir numa guerra de sucessão entre James Long e William Hartley, ficando o primeiro a liderar a atual Sociedade Teosófica de Pasadena enquanto alguns elementos que haviam sido expulsos ou que saíram voluntariamente constituíram a chamada tradição de Point Loma, da qual a principal representante é neste momento a Blavatsky House-ST Point Loma). De Purucker esteve à frente da referida organização entre 1929 e 1942, sucedendo à controversa Katherine Tingley, que por sua vez tinha herdado a sua posição de William Quan Judge, um dos fundadores da Sociedade Teosófica original.

O principal contributo de GdeP terá sido o de ter procurado tornar mais acessível a literatura deixada por Helena Blavatsky, tentando inclusive desenvolver alguns pontos (o que lhe granjeou algumas críticas de desvirtuação dos conceitos da chamada Teosofia original). No entanto, na generalidade, o trabalho de GdeP é olhado com respeito, independentemente do quadrante do movimento teosófico que se lhe refere.

sábado, 3 de novembro de 2018

O Buda interior, por G. de Purucker




Imagem: Buda/Elliott Brown/Flickr (CC BY 2.0)
"Um Buda é aquele que escalou os graus da evolução humana, um por um, e assim atingiu o estado búdico, que significa glória intelectual e espiritual. 

Ele é um "Desperto," que manifesta a divindade que está no coração de seu próprio ser.

Os Budas são as flores mais nobres da raça humana. São seres que se elevaram acima da humanidade, atingindo a divindade, e isto foi feito libertando a luz que estava aprisionada no interior, a luz da divindade interior, brilhando na alma humana.

Cada ser humano é um Buda que ainda não se expressou. Agora neste momento, dentro e acima de você, está seu Eu Superior, e à medida que os milênios passam e você conquista o eu inferior a fim de se tornar o Eu Maior, você se aproxima mais e mais do Buda adormecido dentro de você.

Mas na verdade não é o Buda interior que está adormecido, é você que está dormindo na matéria, tendo sonhos maus trazidos por suas paixões, suas visões falsas, seu egoísmo, produzindo pesados véus de personalidade ao redor do Buda interior.

Aqui está o segredo: o Buda dentro de você o está observando. Seu Buda interior tem um olho sobre você, misticamente falando. A mão d’Ele está estendida com compaixão em direção a você, digamos assim, mas você deve estender a sua para tocá-lo através de sua própria vontade e aspiração.

Considere o que é um ser humano: alguém que tem um deus em seu coração, com um Buda que envolve  esse deus, uma alma espiritual que envolve esse Buda, uma alma humana que envolve essa alma espiritual, uma alma animal que envolve essa alma humana e um corpo que envolve a alma animal.

Quando o ser humano aprendeu tudo que a Terra pode ensiná-lo, ele se torna divino e não mais retorna à terra pela reencarnação – exceto aqueles cujos corações estão tão cheios da sagrada chama da Compaixão, que permanecem próximos desse planeta a fim de ajudar seus irmãos mais jovens e menos evoluídos.

Essas exceções são os Budas de Compaixão.

Existem, por outro lado, seres muito grandes, santos e puros, cujo conhecimento é vasto e profundo, mas que quando atingem o estado de Buda, em vez de sentir o chamado do Amor para voltar e ajudar, passam adiante e entram na Luz Divina, no estado de indizível bem-aventurança que é o Nirvana, e deixam a humanidade para trás.


Esses são os Budas Pratyekas. Embora exaltados, não se encontram no mesmo nível da sublimidade dos Budas de Compaixão.

O Buda sabe que não pode avançar para a glória espiritual a menos que viva a vida espiritual, a menos que cultive sua natureza espiritual, mas quando o faz apenas para receber recompensas espirituais, vida espiritual só para si, ele é um Buda Pratyeka.

Por outro lado, aquele que pertence à ordem dos Budas de Compaixão, embora tenha em vista os mesmos objetivos, treina seu espírito para se tornar completamente indiferente a suas próprias vantagens. Este último tem a fazer um trabalho enorme, e logicamente a recompensa também corresponde.

O Buda de Compaixão, com a expansão de seu ser, torna-se um com o Universo espiritual, enquanto que o Buda Pratyeka torna-se um com uma linha particular de evolução no Universo.

O Buda de Compaixão, tendo ganhado tudo, ganhado o direito à paz e felicidade cósmicas, renuncia a isso para poder voltar e ajudar a humanidade. O Buda Pratyeka passa adiante e entra na bem-aventurança indizível do Nirvana, e ali permanece por milhões de eras; e quando o Buda Pratyeka emergir do Nirvana para retomar sua evolução em direção à expansão de seu ser, ele se encontrará na retaguarda do Buda de Compaixão, que estará mais avançado no caminho do Infinito.

O ser humano, em sua longa evolução, pode tomar, desses dois caminhos, aquele que preferir."

Nota: a palavra Buda interior pode ser substituída por Deus interior, Cristo interior, Luz interior, Orixá interior, Krishna interior...
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Sobre o autor: Gottfried de Purucker - ou simplesmente, como é mais conhecido, G. de Purucker - foi um teosofista, autor e líder da Sociedade Teosófica de Pasadena de 1929 a 1942. O pai de Purucker, era um ministro anglicano e preparou seu filho para o futuro com a igreja por meio de treinamento extensivo em idiomas e estudos religiosos. Seu legado inclui várias publicações, incluindo elucidações dos escritos de Helena Blavatsky. Vários trabalhos adicionais também foram publicados postumamente.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

O caminho para o Coração do Universo, por G. de Purucker

G. de Purucker (divulgação/web)

"Gottfried de Purucker foi um teosofista, autor e líder da Sociedade Teosófica Pasadena de 1929/42. 

O pai de Purucker, um ministro anglicano, preparou seu filho para o futuro com a igreja por meio de treinamento extensivo em idiomas e estudos religiosos.

Seu legado inclui várias publicações, incluindo elucidações dos escritos de Helena Blavatsky. Vários trabalhos adicionais também foram publicados postumamente.

Façamos agora uma meditação com a leitura do texto a seguir, um guia para trilharmos o caminho que nos leva diretamente ao coração do Universo:

"Há uma fome em todo coração humano que nada pode satisfazer ou aplacar – uma fome por algo mais verdadeiro do que podem conceber os seres humanos comuns, uma fome pelo real, uma fome pelo sublime. É a saudade da alma, do espírito do homem. A fonte desse anseio é a saudade trazida pela lembrança de nossa morada espiritual, de onde viemos e em direção à qual estamos agora em nossa jornada de volta.

Os homens, inconscientemente, intuitivamente, sem que a mente-cérebro esteja consciente, sentem falta do indescritível, imortal, aquilo que traz indizível paz e um amor sem fronteiras!

Há um caminho de sabedoria e iluminação que começa, para cada ser humano, em alguma de suas encarnações, e que o leva para dentro de si mesmo, para seu coração, que também é o coração do Universo.

O caminho para o coração do Universo é um só, mas ainda assim diferente para cada ser humano. Isso quer dizer que cada ser humano é em si mesmo aquele caminho, que é construído na fábrica de seu próprio ser.

Há um caminho longo, que também é largo. É o caminho no qual você permite que a corrente natural da energia flua dentro de si mesmo, sem obstáculos, e seguindo este caminho você alcança a perfeição em seu devido tempo; mas é o caminho da evolução lenta, que segue pouco a pouco, através de idades incalculáveis.

Há um outro caminho, íngreme e espinhoso, difícil de seguir, mas que os Grandes Seres da raça humana têm trilhado. É o caminho rápido, mas difícil. É o caminho da autoconquista, o caminho de abandonar o ego em favor da Totalidade, o caminho onde o homem pessoal se torna o Buddha impessoal, o Cristo impessoal; o caminho no qual o amor por si mesmo é posto de lado, e todo seu ser se torna cheio de amor por todas as coisas. É um caminho difícil de seguir, pois é o caminho da iniciação.

A Divindade está em seu coração. É sua raiz. E você pode subir pelo caminho do Eu espiritual, passando véu após véu que obscurecem o Ser, até atingir a união com essa Divindade interior.

O primeiro passo no caminho para o coração do Universo é reconhecer que tudo vem de dentro. Todas as inspirações do gênio, todos os grandes pensamentos  que fizeram e desfizeram civilizações, todas as maravilhosas mensagens dos Grandes Seres da Terra para os seres humanos – tudo vem do interior.

Nesse caminho, você se dirige mais e mais para dentro, que é o mesmo que dizer mais e mais para cima, até unir-se a sua parentela – os deuses – que são os governadores do Universo, e dos quais os seres humanos são filhos.

No mais profundo de você há um deus, uma Divindade viva; e desta fonte divina flui para sua mente humana todas as coisas que tornam grandes os homens, todas as coisas que despertam o amor e a esperança, a inspiração e a aspiração, e o auto-sacrifício, que é a mais nobre de todas.

Em você mesmo estão todos os mistérios do Universo. Em seu Ser interior, você tem um caminho que leva ao coração do Universo. Se você caminhar neste estrada que leva sempre para dentro, se puder passar véu após véu do ego, cada vez mais profundo em si mesmo, penetrará cada vez mais nos assombrosos mistérios da natureza universal.

Conhecendo a si mesmo, você progride mais rapidamente que aqueles guiados pela evolução comum mediana; e quando essa marcha é acelerada ao máximo, há iniciações, que são na verdade atalhos, mas apenas para os que estão prontos para tais atalhos. O crescimento se realiza passo a passo.


Esta é a doutrina secreta do coração. A doutrina do olho é aquela que pode ser vista e é mais ou menos aberta.

Aqueles cujas faculdades e poderes estão operando conscientemente, cujas naturezas internas estão mais desenvolvidas, são os aptos, os neófitos, cujas naturezas estão se abrindo e que têm os ouvidos para ouvir e os olhos para ver o que se coloca diante deles.

Aqueles que têm a intuição de algo maior dentro de si, de algo esplêndido e grandioso, de algo que está crescendo dentro do coração e dentro da mente, como um botão de flor: esses são os que terão revelações; são os iniciados que estão se desenvolvendo em grandes videntes e sábios.

O homem é uma parte inseparável do Universo no qual vive, se move e tem seu ser. Não há separação entre suas raízes e as raízes do Universo. A mesma vida universal flui através de todas as coisas que existem. A mesma corrente de consciência  que flui  no poderoso Todo do Universo, flui também no homem, parte inseparável do Universo.

Como se deve levar a vida para avançar neste caminho? Um coração limpo, uma mente pura, um intelecto ansioso em conhecer, a busca para obter uma percepção espiritual: estes são os primeiros passos da escada de ouro. E este “viver a vida” nada tem a ver com o tolo ascetismo, torturas corporais e métodos autodestrutivos.

Para avançar espiritualmente não é necessário abandonar sua virilidade; o caminho para se fortalecer não é sendo um tolo; o caminho para obter a paz divina não é tornando-se um imbecil na Terra. O asceta está no caminho errado. Não se obtém os reinos do espírito vivendo meramente de batatas e cenouras, ou dormindo apenas uma hora por noite, ou deitando-se sobre uma cama de pregos.

Não mate sua personalidade. Ela é parte de você, a parte emocional e mental, sua mente inferior, sua parte passional, o trabalho evolucionário de muitas eras do passado. Eleve a personalidade. Purifique-a, treine-a, torne-a de acordo com sua vontade e pensamento, discipline-a, torne-a o templo de um deus vivo para que ela seja um veículo apropriado, um canal limpo para receber na consciência humana os raios da glória fluindo do deus interior.

Quando a personalidade se transfigurar, quando o eu pessoal se tornar mais ou menos capaz de manifestar o fluxo sublime do deus em seu interior, então você caminhará sobre a Terra como um deus humano, e agirá como um deus. Pois cada um é a representação sobre a Terra de seu próprio deus interior, e cada um expressa na esfera física o que sua evolução permite manifestar dessa essência divina.

Volte sua visão para dentro, não para fora. E isto não quer dizer que deva se tornar introspectivo e abandonar o mundo exterior. Não é esta a ideia. Você deve ver em ambas as direções. Mas não busque a verdade em nenhum lugar, exceto em seu interior.

É a mente-cérebro, cheia dos pensamentos do dia, cheia dos desejos de cada momento, cheia dos preconceitos e opiniões que são transitórios, que impede a visão da verdade.
Cada entidade é uma parte inseparável do infinito Todo, porque é seu filho, vida de sua vida, sangue de seu sangue, pensamento de seu pensamento.

Quando você se autoconhecer, nada o desviará mais do caminho, nada mudará o que você é no fundo do coração, pois a divindade estará lutando por você, a divindade carregará seus fardos.

Sobre os picos montanhosos do espírito, você verá o sol nascente. Entrará na luz e na liberdade. Não estará sujeito aos mandos de ninguém, não será controlado por ninguém, será um homem livre: livre no espírito, livre no intelecto, porque terá se tornado um com a natureza espiritual.

Quão maravilhosa, sagrada, sublime, inspiradora é esta verdade: que dentro de cada pessoa existe uma indizível fonte de força, sabedoria, amor, compaixão, perdão, pureza! Una-se a esta fonte de força; ela está em você, ninguém pode jamais tirá-la de você. Seu valor é maior que todos os tesouros do Universo, pois conhecendo-a, sendo ela, você é Tudo."


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Fonte: Ensinamentos dos grandes mestres do Yoga. A essência da vida espiritual. Técnicas de meditação e concentração: O caminho para o Coração do Universo, por G. de Purucker (Web/reprodução) - Imagem: THEOSOPHY/G. de Purucker (reprodução) - Pixabay: "Fantasia, espaç o, star" (CC0)



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