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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Yom Kipur, o Dia do Perdão




O Yom Kipur ou Ioum Quipúr é o Dia do Perdão, uma das datas mais importantes do judaísmo. Começa no crepúsculo que inicia o décimo dia do mês hebreu de Tishrei (que coincide com Setembro, Outubro ou Novembro no calendário judaico), continuando até ao seguinte pôr do sol. Os judeus tradicionalmente observam esse feriado com um período de jejum de 24 horas e oração intensa.


Nesta época (início do outono – Israel ou primavera – Brasil), os judeus do mundo comemoram a seqüência de festas típicas da estação de outono: o Rosh Hashaná (também conhecido como festa das trombetas), os 10 dias de Arrependimento (cujo último dia é conhecido como Yom Kipur, o dia do Perdão) e a Festa dos Tabernáculos ou festa da colheita (Sucôt).

Entre o Rosh Hashaná, que é o primeiro dia do sétimo mês, e o dia da expiação (Yom Kipur), que é o décimo dia do sétimo mês, há um período de dez dias separados para o arrependimento e perdão dos pecados de Israel. Esses dez dias são como um período especial onde as pessoas se tornam mais cerimoniais e contemplativas acerca de seus pecados, num nível coletivo-nacional. 

Deus concedeu um dia para expiação dos pecados da nação. O bode expiatório que era enviado ao deserto era uma prefiguração do trabalho de Yeshua (Jesus) o Messias, que morreu na cruz pelos pecados do mundo inteiro. Por causa da solenidade que traz esse dia, tornou-se tradição tomar dez dias entre os dois dias santos para contemplação e arrependimento.

Os judeus, de modo geral, levantam bem cedo, antes do nascer do sol, e recitam orações e cânticos de arrependimento que expressam a profunda tristeza que cada indivíduo e toda coletividade tem pela fraqueza e pelos pecados que eles cometeram. Não há nenhuma outra nação que gaste dez dias meditando acerca da expiação e perdão dos pecados como a nação de Israel.

A consciência de pecado ensinada pelo Rabino Shaul (Paulo) está provavelmente influenciada pelas orações do dia da expiação. Passagens como Romanos 7:24 “Desventurado homem que sou? Quem me livrará do corpo desta morte?”, podem estar influenciados pelas confissões do dia da expiação, que repetidamente enfatizam a fraqueza e a vulnerabilidade do homem.

Durante o Yom Kipur, as orações devem ser voltadas ao pedido de perdão do homem para Deus com relação aos pecados e transgressões que cometeu. A Kipur, expiação do pecado, só acontece se pedimos, previamente, perdão a quem ofendemos e magoamos, se não Deus não poderá intervir. Por isso, costuma-se, nos dias anteriores ao Yom Kipur, pedir perdão para todos aqueles que ofendemos. Ao contrário do que muitos pensam, o jejum não faz parte do ritual do perdão, só tem a função de distanciar o homem das necessidades corporais e aproximá-lo das necessidades espirituais.


Seguem-se as datas dos próximos Yom Kipur, segundo o calendário gregoriano:

- 2018: 19 de setembro
- 2019: 9 de outubro
- 2020: 28 de setembro
- 2021: 16 de setembro

Existem 6 proibições no Yom Kipur:

1. Comer (come-se um pouco antes do pôr-do-sol ainda na véspera do dia até o nascer das estrelas do dia de Yom Kipur);
2. Usar calçados de couro;
3. Manter relações conjugais;
4. Passar cremes, desodorante, etc. no corpo;
5. Banhar-se por prazer.
6. Usar eletrodomésticos.

A essência destas proibições é causar aflição ao corpo, dando, então, prioridade à alma. Pela perspectiva judaica, o ser humano é constituído pelo yetzer hatóv (o desejo de fazer as coisas corretamente, que é identificado com a alma) e o yetzer hará (o desejo de seguir os próprios instintos, que corresponde ao corpo). Nosso desafio na vida é "sincronizar" nosso corpo com o yetzer hatóv. Uma analogia é feita no Talmud entre um cavalo (o corpo) e um cavaleiro (a alma): É sempre melhor o cavaleiro estar em cima do cavalo!

Jejum no Yom Kipur

É o dia do perdão - quando Deus perdoa a todo Israel. Durante esse dia, nada pode ser comido ou bebido, inclusive água. Não é permitido lavar a boca, escovar os dentes ou banhar o corpo. Somente o rosto e as mãos podem ser lavados pela manhã, antes das orações. Não se pode carregar nada, acender fogo, fumar, nem usar eletricidade. O jejum não é permitido para crianças menores de 9 anos, pessoas gravemente enfermas, mulheres grávidas e aquelas que deram à luz há menos de trinta dias.

Se uma pessoa, enquanto estiver jejuando em Yom Kippur, passar mal, a ponto de quase desmaiar, deve-se lhe dar comida até que se recupere. Se houver perigo de uma epidemia, e os médicos da cidade aconselharem que é necessário comer a fim de resistir à moléstia, exige-se que todos comam.

Existem outras proibições, além daquelas contra trabalhar, comer ou beber. As relações conjugais são proibidas, bem como o uso de perfumes e ungüentos, exceto para fins médicos. Além disso, sapatos e outras peças da indumentária feitas de couro não podem ser usadas no Yom Kipur, pois não se pode usar nenhum material para o qual seja necessário matar um animal.

Após o Yom Kipur, espera-se que haja festa e alegria, não perdendo de vista o fato de que o feriado é um dia santo de júbilo.

Orações

Durante as orações fala-se o Vidui, uma confissão, e Al Chet, uma lista de transgressões entre o homem e Deus e o homem e seu semelhante (uma confissão dos pecados que possamos ter cometido, consciente ou inconscientemente, no decorrer do ano). É interessante notar duas coisas: primeiro, as transgressões estão em ordem alfabética (em hebraico). Isto torna a lista bastante abrangente, além de permitir a inclusão de qualquer transgressão que se queira na letra apropriada.

Em segundo lugar, o Vidui e Al Chet estão no plural, o que pretende transmitir a ideia de que o povo judeu é um povo "entrelaçado", onde todos devem ser responsáveis pelos outros. Mesmo não cometendo uma determinada ofensa, pretende-se transmitir uma carga de responsabilidade por aqueles que a cometeram - especialmente se a transgressão pudesse ter sido evitada por aqueles que não arcarão com as culpas.

Yom Kipur é o Dia da Expiação, o Dia do Perdão. Pedimos perdão a Deus e perdoamos aos outros, mas só podemos perdoar a Deus quando sabemos que Ele é nosso Pai, pois quando é nosso Pai quem fala, ouvimos apenas bênçãos.

Fontes: Wikipédia e AMES, Brasil

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