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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Discutindo a Doutrina Espírita - O Porvir e o nada - Thelema e a Iluminação

Depois de muito interogar e pouco afirmar, Kardec coloca em dúvida o panteísmo, além de ligar o hedonismo ao niilismo. Hoje, com a evolução e entrada da humanidade na Era da Informação e do Conhecimento, podemos questionar estas sugestões, afinal sabemos que Deus não é apenas este Universo, é um organismo supremo e inatingível do qual faz parte, também o Multiverso.

Kardec não podia ver pelos olhos do telescópio Hubble, imaginar quarks, neutrinos, a existência de partículas subatômicas, dobras espaciais ou muito menos a pesquisa do bosão de Higgs. Se o decodificador da Doutrina Espírita podia prever as descobertas futuras, a evolução tecnológica e a libertação através do conhecimento, na época se ateve aos rígidos conceitos morais imperantes e isto pode o ter bitolado na redação de sua obra. Progredimos muito em 200 anos, hoje muita coisa que Kardec tentava explicar, tentando decodificar o que não pode na verdade ser codificado ou compreendido, integralmente, pela capacidade intelectual humana da época.

O célebre médium francês questionou: Se Deus é tudo, está em tudo e em todos, então Ele não teria vontade própria? Ora, mas é claro que sim, inclusive nós mesmos e nossos atos, sejam eles positivos ou negativos, fazem parte da vontade de Deus, bem como do Próprio. Parece ter passado desapercebido a Kardec que a maioria dos Espíritos, antes tidos como 'inferiores', nas sessões em que promovia, na verdade eram encarnações anteriores dos próprios Espíritos de Luz com quem se comunicava. Qual Espírito, na época, não havia tido encarnação como índio ou indivíduo de raça africana? Por mais estranho que possa parecer, apesar de não haver nada de estranho nisso, a lógica responde a esta e a muitas outras perguntas.

Um século após a revelação Espírita surgiu no Brasil a Umbanda. Foi então que uma compreensão maior, pode ser obtida através das entidades que se apresentaram como índios e negros escravizados. Apresentando-se nesta roupagem humilde estão Espíritos de alto grau de iluminação e uma sabedoria que permitiu a popularização da antes elitista Doutrina Espírita.

Hoje diversos centros Espírita aceitam a participação destas Entidades em seus trabalhos, muitas vezes inclusive lhes entregando a direção das sessões. A prova é que um Exu, por exemplo, pode usar o cascão de uma encarnação anterior sua como médico, para coordenar trabalhos de cura em em uma sessão de mesa branca.

Bom, o próprio Kardec, após discursar de forma moralista, logo no capítulo 1 da primeira parte de 'O Céu e o Inferno', concluí que a tolerância é o caminho para a futura fusão das religiões:

"14. - Instintivamente tem o homem a crença no futuro, mas não possuindo até agora nenhuma base certa para defini-lo, a sua imaginação fantasiou os sistemas que originaram a diversidade de crenças. A Doutrina Espírita sobre o futuro - não sendo uma obra de imaginação mais ou menos arquitetada engenhosamente, porém o resultado da observação de fatos materiais que se desdobram hoje à nossa vista -congraçará, como já está acontecendo, as opiniões divergentes ou flutuantes e trará gradualmente, pela força das coisas, a unidade de crenças sobre esse ponto, não já baseada em simples hipótese, mas na certeza. A unificação feita relativamente à sorte futura das almas será o primeiro ponto de contato dos diversos cultos, um passo imenso para a tolerância religiosa em primeiro lugar e, mais tarde, para a completa fusão."

É importante lembrar que para todas as religiões de unirem precisaremos unir todo conhecimento, este não será o ditado pela doutrina Espírita, pela Umbanda, pela Igreja, ou qualquer outra crença. Será a união! Acredito que teremos o melhor de cada, a verdade que segundo Buda é uma, pois não existe segunda. Com o escopo na criação desta futura 'Araca da Religiões', creio ser indispensável a interpretação correta dos dois preceitos da 'Lei de Thelema': "Faze o que tu queres será o todo da Lei." - "Amor é a lei, amor sob vontade

É comum que a Lei de Thelema seja mal interpretada. Alguns vêem nela uma licença para o gozo pleno de todos os seus desejos e caprichos, sem que haja responsabilidade ou consequências por seus atos. Entretanto, é assaz informar aos incautos que esta filosofia prega justamente o oposto. Partindo do princípio de que cada ser humano, por possuir livre arbítrio, é inteiramente responsável por sua existência e por suas ações, sem ser absolvido ou culpado por nenhum Deus ou Diabo, no que tange o destino de sua própria vida.

A liberdade de todo homem e toda mulher é assim cultuada, uma vez que, como consta no Liber AL vel Legis, livro que apresenta a teoria, "todo homem e toda mulher é uma estrela". O resultado da compreensão disto é um profundo respeito a si próprio, a cada indivíduo e a cada forma de vida, como sendo expressões particulares do Divino. Segundo a mesma filosofia, cada um de nós tem por obrigação descobrir e cumprir sua Verdadeira Vontade, deixando de lado todo capricho e distração que possa nos afastar deste objetivo máximo; entretanto, como saber o que é dispensável e inócuo evolutivamente sem antes o experimentarmos?

Ao realizar nossa Verdadeira Vontade, estamos nos integrando perfeitamente a nossa Natureza, que reflete a ordem do Universo. Portanto, realizar a Verdadeira Vontade é despertar para a Vontade do Universo, para o que Deus realmente espera de nós. Afinal, "Crescei-vos, Multiplicai-vos", Ele ordenou! A filosofia nos ensina o perdoai-vos, pois como podemos esperar um perdão Divino se nós mesmos não nos perdoarmos pelos nossos atos?

O maior, se não único ser, prejudicado pelos seus atos, que venham a interferir na Ordem Natural das Coisas, é o próprio autor do ato falho, vil, que terá de pagar pelo praticado, nesta ou em outra vida. É lógico que há de prevalecer o bem, pois também o recebemos de volta. Colocar a culpa por atos indignos, insensatos e inconsequentes, cometidos ou não, em uma entidade poderosa, do mal, que combate a Vontade Divina, não é só comodo, é também desculpa, fraqueza de espírito, Vontade e caráter.

Em Thelema, considera-se a Divindade como algo imanente: isto é, que vive dentro de tudo. Logo, conhecer sua Vontade mais íntima também é conhecer a Vontade de Deus. Esse processo de descoberta da Vontade além dos desejos do Ego constitui um método de realização espiritual baseado principalmente no autoconhecimento. Infelizmente, os escritos de Crowley são mal interpretados, e incrivelmente tomados no sentido oposto ao original, dando origem a comportamentos anti-sociais que nada têm a ver com a filosofia da Lei de Thelema.

Na esfera sociopolítica, Thelema pode ser entendida como a luta pela vivência da Liberdade de cada indivíduo, de modo que ele possa se realizar de acordo com sua órbita particular, isto é, dentro de suas vivências e escolhas específicas. Considerar a importância essencial do indivíduo para o mundo pode ser uma postura menos pragmática do que a tradição política adotada por sociedades opressoras e massificantes.

Ao nos aprofundar na filosofia contemporânea, fica claro e cristalino, como a tirania e regimes tirânicos nada têm a ver com Thelema. Estudando, antes de ouvir a voz da ignorância, podemos perceber  que Aleister Crowley nada tem a ver com o Diabo; pintado de vermelho, com rabo e chifres, que infelizmente, ainda muitos tentam continuar nos impondo. Está na hora de serem retiradas as vendas colocadas nas pessoas através dos tempos, numa clara estratégia usada por instituiões seculares com o único objetivo em perpetuar o domínio exercido sobre os crentes, através do medo e do terror.

Eis que nesta Era da Informação e do Conhecimento vem a verdade, única, que nos prepara para o que previu Kardec, a fusão das religiões em uma só. É chegado o momento do esclarecimento da humanidade, um iluminação jamais antes vista. Para isto Deus permitiu ao homem criar a Internet, como um laboratório, preparando sua ciação para a queda de todas as barreiras.

Referências: Capítulo 1 da 1ª Parte da Obra Espírita - O Céu e o Inferno - escrita por Allan Kardec. / Livro da Lei (Liber AL vel Legis), de Aleister Crowley / http://pt.wikipedia.org/wiki/Thelema / http://pt.wikipedia.org/wiki/Liber_al_vel_legis / http://pt.wikipedia.org/wiki/Aleister_Crowley

Um comentário:

Andréa Destefani disse...

Fico sempre pensando como fazer as pessoas pensarem sobre nossa unidade espiritual. O primeiro ponto essencial que vejo é na simplicidade da comunicação. Kardec elitizou uma comunicação que deveria ser massiva. Crowley fez isto também.Caminhamos efetivamente para uma nova união, mas para que ela ocorra, como tudo de novo que se instala neste Universo, precisamos do caos. E estamos perto. Quanto mais forem preconceituosas as religiões mais sairão delas os seres de luz que buscarão uma nova leitura do Divino. Estas sim propagarão a simplicidade que decorre da vida eterna no Divino.Estamos no início da nova consciência divina, e até a natureza vem se manufestando em seu favor....