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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Oração a São Pedro e São Paulo


"Ó Santos Apóstolos São Pedro e São Paulo, nós vos bendizemos graças hoje e sempre como especiais protetores e advogados. Ao glorioso São Pedro, por ser a pedra sobre qual Deus edificou sua Igreja; ao bem-aventurado São Paulo, porque foi escolhido por Deus como pregador da verdade em todo o mundo.

Alcança-nos, vós lhes pedimos,
uma viva fé, firme esperança e ardente caridade;
um despojamento total de nós mesmos,
paciência nas adversidades,
humildade nas coisas prósperas,
atenção na oração,
desapego as coisas da matéria,
diligencia no cumprimento das obrigações,
constância nos propósitos,
força para frutificação do trabalho,
tudo em conformidade com vontade de Deus, Criador do Universo, e perseverança na divina graça nesta e em  outras vidas.

Pedimos a intercessão e evocamos teus gloriosos méritos, para poder assim, mais facilmente superar as tentações do mundo que por vezes nos desviam de nosso caminho, nos libertar da influência dos espíritos trevosos e de qualquer intenção que não seja pura de amor. 

Assim pedimos para que sejamos dignos de comparecer diante do supremo e eterno Pastor de almas, Jesus Cristo, Oxalá com o Pai e o Divino Espírito Santo, que vive e reina pelos séculos dos séculos.

E assim é!"



quarta-feira, 13 de junho de 2012

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Carna :: 1º de Julho




Carna é uma divindade romana cuja identidade se confunde com Cardea. Na Roma Antiga sua festa era celebrada em 1º de julho. Carna, Cardea ou Carda, é uma das ninfas da mitologia romana, deusa romana da dobradiça (do latim cardo, cardinis), das portas romanas que usavam dobradiças com pivô. 

O poeta Ovídio Augusto associou-a à outra deusa arcaica chamada Carna, cujo festival era celebrado durante as Calendas de Junho, ele também lhe deu os nomes alternativos de Cranê ou Cranea, uma ninfa. A fusão que Ovídio fez das deusas provavelmente tenha sido apenas uma invenção poética sua¹, entretanto também tem se discutido se o nome Carna poderia ser uma forma contraída de Cardina², observou-se que no mínimo, em Ovídio, suas tradições eram congruentes³.

Representação alegórica dos quatro estações (Horae) e figuras menores atendente que ladeiam uma porta dupla romana, que representa a entrada para a vida após a morte. A arte decora um sarcófago de meados do século 3 d.C.

Cardea e portas

Na polêmica cristã dos Padres da Igreja, Cardea está associada a duas divindades de outra forma desconhecidos que presidem portas: Forculus, de Fores, "porta", plural em forma, porque portas duplas eram comuns em edifícios públicos e residências da elite (domus) e Limentinus, de limen, Liminis, "limiar".

Santo Agostinho ridiculariza a trivialidade aparente desses "pequenos deuses" em um de seus "ataques contra a multidão de deuses," observou que, enquanto um porteiro é adequado para uma família humana, os deuses romanos exigiam três: "...evidentemente Forculus não pode assistir a dobradiça eo limiar ao mesmo tempo...". 

Estudos modernos apontam para que este conjunto particular de divindades pertence a rituais de marcação fora do espaço sagrado e fixar os limites, os desenvolvimentos religiosos hipoteticamente ter ocorrido durante a transição da pecuária para uma sociedade agrária. Entre as divindades romanas deste tipo, Terminus era o mais importante. 


Stefan Weinstock conjecturou que estas três divindades da entrada tinha um lugar na cosmologia como os Terrestres Ianitores, "porteiros da terra", guardando a passagem para a esfera terrestre. No esquema apresentado por Marciano Capella, os Terrestres Ianitores são colocados na região de 16 entre as divindades dos níveis mais baixos, enquanto Janus, por excelência divina porteiro, é colocado na região 1.

Este acordo pode representar o coeli ianuae (as portas do paraíso), as duas portas dos céus identificadas com os solstícios. Isidoro de Sevilha (560-636), disse que há duas ianuae coeli, uma no nascente (ou seja, no oriente) e outra no poente (ocidente) : "O avanço do Sol vem a partir do portão um, por outro lado, ele recua." A definição de Isidoro é imediatamente seguida por uma explicação dos cardiais (plural de cardo), os pivôs norte-sul do eixo em que a esfera do mundo gira. Estes são análogos aos das dobradiças superior e de fundo de rotação de uma porta romana. 


Além do significado de "dobradiça de porta", o cardo foi também encontra conceito fundamental no levantamento e planejamento da cidade romana. O cardo era a rua principal norte-sul da cidade, o levantamento do qual participaram os procedimentos augural que o espaço alinhado terrestre e celeste. O cardo foi também um princípio no layout do acampamento do exército romano de marcha, os portões eram alinhados com os pontos cardeais, demarcando o terreno do mesmo.

Carna, a carne e o feijão-calendas

As calendas, no antigo calendário romano, eram o primeiro dia de cada mês quando ocorria a Lua nova. Macróbio (séc V) diz que o nome de Carna foi derivado de caro, carnis, "carne, carne de alimentos", ("carnal" e "carnívora"), e que ela era a guardiã do coração e das partes vitais do corpo humano. O poder de evitar energias vampíricas, que Ovídio atribuía à Cardea-Carna, provavelmente pertencia a Carna, enquanto os encantos fixados nos batentes das casas são justamente de Cardea. Carna era reverenciada com um dia de festa, marcado no calendário como nefastus, ou seja, era um feriado quando não havia assembléia ou corte convocada para a data. 

Puré de feijão e banha de porco - um prato que talvez possa ser comparado hoje com feijão frito ou hoppinjohn - era oferecido a ela como res divinae e, assim, o dia foi conhecido como o Kalendae fabariae, o feijão-calendas, pois neste momento a colheita do feijão estava amadurecida. Os feijões ttinham reconhecidas propriedades mágico-religiosos na Grécia e na Roma antiga, além de sua importância como alimento.

William Warde Fowler levou Carna a ser uma deusa ancestral, cujo culto não foi revivido na inovação ou reforma religiosa e, portanto, havia caído no esquecimento até o final da República Romana. Auguste Bouché-Leclercq considerou Carna uma deusa da saúde. Sua natureza ilusória é indicada pelas conjecturas acadêmicas radicalmente divergentes que a mencionam: "ela era considerada uma divindade ctônica por Wissowa, uma deusa lunar por Pettazzoni, um feijão-deusa por Latte, e padroeira da digestão por Dumézil".

Carna e a magia, por Ovídeo

O mito das origens explica o que diz Ovídio: por que um ramo ou galho é usado para repelir tristezas... noxas, "danos maléficos", das portas (Fores). Por isso é necessário? Porque há gananciosas criaturas aladas prontas para voar para dentro e sugar o sangue de crianças jovens que ainda dormem, tomando apenas leite materno.

Ovídio descreve essas criaturas (6,131-142) como tendo uma cabeça grande, olhos proeminentes, e bicos adaptados para arrebatar e carregar; suas asas são brancas, e suas garras são como ganchos. A elas era dado o nome de striges, ou strix, como uma coruja ou ave de mau agouro, com denominação provavelmente derivada do verbo strideo, stridere, "grito". 

Ao mesmo tempo, Ovídio diz que eles são as criaturas aladas que o atormentam quando só, roubando a comida de sua mesa - isto é, as Harpias. Eles são um "composto desconcertante" que lembra as imagens desenhadas em certos comprimidos de maldição, um dos quais mostra um "coração de Hécate em festa", que corresponde a descrição de Ovídio. 

O próprio poeta enfatiza que é difícil dizer o que elas realmente são, se eles nasceram como aves, ou se tinha sido transformadas por um encantamento (carmen, foi a palavra que Ovídio acabou usado para descrevê-la por sua própria conta). Ele, então, glosa carmen como: "uma canção anciã de Marsi" (neniaque … Marsa …anūs)

Referências:
1- Carole E. Newlands, Playing with Time: Ovid and the Fasti (Cornell University Press, 1995) p. 14; William Warde Fowler, The Roman Festivals of the Period of the Republic (London, 1908) p. 131.
2- Thomas Keightley, Ovid's Fasti (London, 1848, 2nd edition), p. 210.
3- Christopher Michael McDonough, "Carna, Proca, and the Strix on the Kalends of June," Transactions of the American Philological Association 127 (1997), p. 330.
Wikipédia em língua inglesa

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Seja feita a sua vontade, ou não...


Não permita que o perverso lhe intoxique com sua retórica comercial. Sente-se à mesa para compartilhar, não para negociar. Se for ao balcão, não compre, apenas troque. 

As pessoas são o que são, não o que possuem. Vendedores e veiculações comerciais só podem lhe influenciar a comprar o que você não precisa, e na verdade não quer, se você permitir que lhe influenciem. 

Esteja alerta! 

Quando estamos cientes de nossa vontade, que quando pura é manifestação do amor. No momento em que claramente vemos que ser vale mais que ter, nenhuma estratégia de venda pode manipular o que a vontade nos leva a desejar.

Se venda é trabalho, compra é escolha. Ninguém é obrigado a comprar ou vender nada, faz quem quer. A pessoa que se deixa persuadir por comerciantes inescrupulosos está fazendo a vontade de outra pessoa, que muitas vezes pode não ser sua... 
Agora, sem hipocrisia, quando a vontade for realmente sua e você tiver certeza deste sentimento... faça o que pode para se satisfazer, levando sempre em conta a vontade das outras pessoas. 

Quando não se faz o que se quer se faz o que se pode!


Se é perverso o uso da persuasão de maneira perversa, amor é vontade. "Amor é a lei, amor sob vontade". Isto deve ser aprendido como significando que, enquanto Vontade é a Lei, a natureza daquela Vontade é o amor. Mas este amor é como se fosse um sub-produto daquela Vontade; não a contradiz ou suplanta; e se a contradição aparente erguer-se numa crise, é a Vontade que nos guiará corretamente. 

Se ligue! enquanto no Livro da Lei há muito de Amor, não há palavra de sentimentalismo. O ódio mesmo, é quase como o Amor! "Como irmãos lutai!" Todas as raças másculas do mundo entendem isto. O Amor de Liber Legis é sempre audaz, viril, mesmo orgiástico. Há delicadeza, mas é a delicadeza da força. Pujante, terrível e glorioso como ele é; contudo, é apenas a flâmula sobre a sagrada lança da Vontade... 


Amor é a lei, amor sob vontade. Sua vontade não tem qualquer limite, desde que não interfira com a vontade de outra pessoa. Entretanto, se ambos tiverem a mesma vontade... bom, aí já é!

domingo, 13 de maio de 2012

terça-feira, 8 de maio de 2012

Simpatias para Ganhar Dinheiro



11 Simpatias para Ganhar Dinheiro e melhorar a vida financeira


Enriquecer

Lottery Voodoo with Mom's Bingo Money
Na primeira semana do mês, durante todo o ano, procure fazer esta simpatia. Num guardanapo de papel, coloque 2 colheres de arroz feito no dia e 3 folhas de arruda. Embrulhe e guarde este pacotinho na geladeira, por 3 dias. Ao final dste prazo jogue o pacote num jardim.

Conseguir trabalho

Assista a uma missa na primeira sexta-feira do mês. No final dela, coloque 3 galhos de arruda e 3 moedas antigas aos pés da imagem do santo de sua devoção. Peça ao mesmo tempo, ajuda para subir no emprego. Depois, reze um Pai-Noso, uma Ave-Maria e uma Glória ao Pai.

Dinheiro Extra

Num prato de louça branco, acenda uma vela e derrame um pouco de mel. Coloque o prato num canto da casa, onde ninguém consiga vê-lo. Esta simpatia deve ser feita numa segunda-feira de Lua crescente.



Evitar dívidas

Guarde 1 imagem de papel de Santa Edwiges na sua bolsa ou carteira e carregue sempre com você. Toda primeira sexta-feira do mês dê dinheiro para 3 pessoas carentes.

Ganhar sempre

No primeiro dia de Lua Nova, pegue uma moeda de qualquer valor e coloque-a dentro de uma xícara grande nova com um pouco de açucar. Deixe a xícara no sereno. No dia seguite, passe a moeda e o açúcar para um xícara pequena também nova. Depois, coloque a pequena dentro da grande. No terceiro dia, ore com bastante fé e depois coloque amoeda dentro de sua carteira, deixando-a lá até conseguir o que deseja.

Manter emprego

No primeiro dia do mês, acenda uma vela de sete dias e coloque-a em um pires. Embaixo dele, coloque uma folha de papel de carta roxo e todas as noites, enquanto a vela arder, pegue o papel e escreva: “Meu anjo da guarda, ajude-me a manter meu emprego”. Quando a vela acabar, use o papel para embrulhar um galhinho de arruda e 3 dentes de alho. Guarde tudo em uma gaveta, no local onde trabalha, e não conte a ninguém.



Melhorar vida financeira

Na última sexta-feira do mês, dê algumas moedas para 3 pessoas carentes que encontrar. Coloque 1 figura (tipo santinho) de Santa Edwiges ou de São José no seu bolso. Ao chegar em casa, guarde a imagem dentro da sua carteira ou bolsa. Caso você perca a imagem, repita a simpatia e mantenha sempre um desses santos perto de você.

Novo Trabalho

Pegue uma foto sua recente 3×4 e escreva atrás dela o seu nome completo e a seguinte frase: “Com todas as forças do meu pensamento, daqui só saio empregado(a)”. Coloque a foto em sua carteira ou bolsa e deixe lá por 7 dias. Depois, jogue-a em água corrente, rezando um Pai-Nosso e uma Ave-Maria.

Influenciar o patrão

Escreva o nome do seu patrão num pedaço de papel branco. Dobre o papel ao comprido e amarre em volta uma linha vermelha. Firme o pensamento, dizendo a si mesma(o) que, desse ponto em diante, você será motivo de elogios por parte do patrão. Guarde o papel no bolso de um casado que você não usa constantemente. Assim, você terá o seu patrão sempre no “bolso”.



Livrar-se de ladrões

Chame pelos 12 apóstolos e repita a seguinte súplica: São Jorge, meu corpo não será preso nem ferido, nem meu sangue derramado. Andarei tão livre como Jesus. Andarei tão livre como Jesus Cristo, no ventre da Virgem Maria. Amém.

Não contrair dívidas

Para você não cair em tentações e contrair dívidas, todas as manhãs, antes de sair para o trabalho, se é que você trabalha fora, vire os bolsos do avesso. Quando pisar fora da porta em direção à rua, recoloque os bolsos na posição normal.


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Carta de AMOR




Não mexe comigo que eu não ando só
eu não ando só, que eu não ando só
não mexe não (2x)

Eu tenho Zumbi, Besouro o chefe dos Cupis
sou Tupinambá, tenho Erês, caboclo boiadeiro
mãos de cura, Morubichabas, Cocares, Arco-íris
Zarabatanas, Curarês, Flechas e Altares.
A velocidade da luz no escuro da mata escura
o breu o silêncio a espera. Eu tenho Jesus,
Maria e José, todos os Pajés em minha companhia
o menino Deus brinca e dorme nos meus sonhos
o poeta me contou.

Não mexe comigo que eu não ando só
eu não ando só, que eu não ando só
não mexe não (2x)

Não misturo , não me dobro a rainha do mar
anda de mãos dadas comigo, me ensina o baile
das ondas e canta, canta, canta pra mim, é do
ouro de Oxum que é feita a armadura guarda o
meu corpo, garante meu sangue, minha garganta
o veneno do mal não acha passagem e em meu
coração Maria ascende sua luz, e me aponta o
caminho.


Me sumo no vento, cavalgo no raio de Iansã,
giro o mundo, viro, reviro tô no reconcavo
tô em face, vôo entre as estrelas, brinco de
ser uma traço o cruzeiro do sul, com a tocha
da fogueira de João menino, rezo com as três
Marias, vou além me recolho no esplendor das
nebulosas descanso nos vales, montanhas, durmo
na forja de algum, mergulho no calor da lava
dos vulcões, corpo vivo de Xangô

Não ando no Breu nem ando na treva
Não ando no breu nem ando na treva
é por onde eu vou o Santo me leva
é por onde eu vou o Santo me leva(2x)

Medo não me alcança, no deserto me acho, faço
cobra morder o rabo, escorpião vira pirilampo
meus pés recebem bálsamos, unguento suave das
mãos de Maria, irmã de Marta e Lázaro, no
Oásis de Bethânia.


Pensou que eu ando só, atente ao tempo num
comece nem termine, é nunca é sempre, é tempo
de reparar na balança de nobre cobre que o rei
equilibra, fulmina o injusto, deixa nua a justiça

Eu não provo do teu féu, eu não piso no teu chão
e pra onde você for não leva o meu nome não
e pra onde você for não leva o meu nome não(2x)

Onde vai valente? você secô seus olhos insones
secaram, não veêm brotar a relva que cresce livre
e verde, longe da tua cegueira. Seus ouvidos se
fecharam à qualquer musica, qualquer som, nem o
bem nem o mal, pensam em ti, ninguém te escolhe
você pisa na terra mas não sente apenas pisa,
apenas vaga sobre o planeta, já nem ouve as
teclas do teu piano, você está tão mirrado que
nem o diabo te ambiciona, não tem alma você é
o oco, do oco, do oco, do sem fim do mundo.



O que é teu já tá guardado
não sou eu que vou lhe dar,
não sou eu que vou lhe dar,
não sou eu que vou lhe dar.(2x)

Eu posso engolir você só pra cuspir depois,
minha forma é matéria que você não alcança
desde o leite do peito de minha mãe, até o sem
fim dos versos, versos, versos, que brota do
poeta em toda poesia sob a luz da lua que deita
na palma da inspiração de Caymmi, se choro quando
choro e minha lágrima cai é pra regar o capim que
alimenta a visa, chorando eu refaço as nascentes
que você secou.


Se desejo o meu desejo faz subir marés de sal e
sortilégio, vivo de cara pra o vento na chuva e
quero me molhar. O terço de Fátima e o cordão de
Gandhi, cruzam o meu peito.
Sou como a haste fina que qualquer brisa verga
mas, nenhuma espada corta

Não mexe comigo que eu não ando só
eu não ando só, que eu não ando só(2x)
não mexe comigo






sexta-feira, 20 de abril de 2012

William Blake: 'Provérbios do Inferno'

"If the doors of perception were cleansed, everything would appear to man as it is, infinite"

"Se as portas da percepção estivessem livres, tudo se mostraria ao homem como é, infinito"

~William Blake - 'O casamento do Céu e do Inferno', 1793


Monumento próximo ao túmulo sem marca de Blake

William Blake nasceu em Londres, no dia 28 de novembro de 1757 e fez sua passagem na mesma cidade em 12 de agosto de 1827, foi um poeta, tipógrafo e pintor inglês, sendo sua pintura definida como pintura fantástica.

Em 1782, após um relacionamento infeliz que terminou com uma recusa à sua proposta de casamento, Blake casou-se com Catherine Boucher. Blake ensinou-a a ler e escrever, além de tarefas de tipografia. Catherine retribuiu ajudando Blake devotamente em seus trabalhos, durante toda sua vida.

Blake escreveu e ilustrou mais de vinte livros, incluindo "O livro de Jó" da Bíblia, "A Divina Comédia" de Dante Alighieri - trabalho interrompido pela sua morte - além de títulos de grandes artistas britânicos de sua época. Muitos de seus trabalhos foram marcados pelos seus fortes ideais libertários, principalmente nos poemas do livro "Songs of Innocence and of Experience" ("Canções da Inocência e da Experiência"), onde ele apontava a igreja e a alta sociedade como exploradores dos fracos.

Em 1790, publicou sua prosa mais conhecida, "O casamento do céu e do inferno", em que formula uma posição religiosa e política revolucionária na época: "a negação da realidade da matéria, da punição eterna e da autoridade"

É em "O casamento do Céu e do Inferno" que está, além da frase inspiradora da banda The Doors, que abre esta postagem, o mais famoso poema de Blake: "Proverbs of Hell", "Provérbios do Inferno", o qual reproduzo logo abaixo. No vídeo, logo após a reprodução da poesia de Blake, também compartilho a versão da banda brasileira "As Mercenárias", que musicou "Provérbios do Inferno", em 1987. Abra as portas da sua percepção!


Provérbios do Inferno

"No tempo de semeadura, aprende; na colheita, ensina; no inverno, desfruta.
Conduz teu carro e teu arado sobre a ossada dos mortos.
O caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria.
A Prudência é uma rica, feia e velha donzela cortejada pela Impotência.
Aquele que deseja e não age engendra a peste.
O verme perdoa o arado que o corta.
Imerge no rio aquele que a água ama.
O tolo não vê a mesma árvore que o sábio vê.
Aquele cuja face não fulgura jamais será uma estrela.
A Eternidade anda enamorada dos frutos do tempo.
À laboriosa abelha não sobra tempo para tristezas.
As horas de insensatez, mede-as o relógio; as de sabedoria, porém, não há relógio que as meça.
Todo alimento sadio se colhe sem rede e sem laço.
Toma número, peso e medida em ano de míngua.
Ave alguma se eleva a grande altura, se se eleva com suas próprias alas.
Um cadáver não revida agravos.
O ato mais alto é até outro elevar-te.
Se persistisse em sua tolice, o tolo sábio se tornaria.
A tolice é o manto da malandrice.
O manto do orgulho, a vergonha.
Prisões se constroem com pedras da Lei; Bordéis, com tijolos da Religião.
A vanglória do pavão é a glória de Deus.
O cabritismo do bode é a bondade de Deus.
A fúria do leão é a sabedoria de Deus.
A nudez da mulher é a obra de Deus.
Excesso de pranto ri. Excesso de riso chora.
O rugir de leões, o uivar de lobos, o furor do mar em procela e a espada destruidora são fragmentos de eternidade, demasiado grandes para o olho humano.
A raposa culpa o ardil, não a si mesma.
Júbilo fecunda. Tristeza engendra.
Vista o homem a pele do leão, a mulher, o velo da ovelha.
O pássaro um ninho, a aranha uma teia, o homem amizade.
O tolo, egoísta e risonho, o tolo, sisudo e tristonho, serão ambos julgados sábios, para que sejam exemplo.
O que agora se prova outrora foi imaginário.
O rato, o camundongo, a raposa e o coelho espreitam as raízes; o leão, o tigre, o cavalo e o elefante espreitam os frutos.
A cisterna contém: a fonte transborda.
Uma só idéia impregna a imensidão.
Dize sempre o que pensas e o vil te evitará.
Tudo em que se pode crer é imagem da verdade.
Jamais uma águia perdeu tanto tempo como quando se dispôs a aprender com a gralha.
A raposa provê a si mesma, mas Deus provê ao leão.
De manhã, pensa, Ao meio-dia, age. Ao entardecer, come. De noite, dorme.
Quem consentiu que dele te aproveitasses, este te conhece.
Assim como o arado segue as palavras, Deus recompensa as preces.
Os tigres da ira são mais sábios que os cavalos da instrução.
Da água estagnada espera veneno.
Jamais saberás o que é suficiente, se não souberes o que é mais que suficiente.
Ouve a crítica do tolo! É um direito régio!
Os olhos de fogo, as narinas de ar, a boca de água, a barba de terra.
o fraco em coragem é forte em astúcia.
A macieira jamais pergunta à faia como crescer; nem o leão ao cavalo como apanhar sua presa.
Quem reconhecido recebe, abundante colheita obtém.
Se outros não fossem tolos, seríamos nós.
A alma de doce deleite jamais será maculada.
Quando vês uma Águia, vês uma parcela do Gênio; ergue a cabeça!
Assim como a lagarta escolhe as mais belas folhas para pôr seus ovos, o sacerdote lança sua maldição sobre as alegrias mais belas.
Criar uma pequena flor é labor de séculos.
Maldição tensiona: Benção relaxa.
O melhor vinho é o mais velho, a melhor água, a mais nova.
Orações não aram! Louvores não colhem!
Júbilos não riem! Tristezas não choram!
A cabeça, Sublime; o coração, Paixão; os genitais, Beleza; mãos e pés, Proporção.
Como o ar para o pássaro, ou o mar para o peixe, assim o desprezo para o desprezível.
O corvo queria tudo negro; tudo branco, a coruja.
Exuberância é Beleza.
Se seguisse os conselhos da raposa, o leão seria astuto.
O Progresso constrói caminhos retos; mas caminhos tortuosos sem Progresso são caminhos de Gênio.
Melhor matar um bebê em seu berço que acalentar desejos irrealizáveis.
Onde ausente o homem, estéril a natureza.
A verdade jamais será dita de modo compreensível, sem que nela se creia.
Suficiente! ou demais."



Fonte/referências:
http://www.youtube.com/watch?v=G0Ytk9gl8VA - http://pintura.aut.org/BU04?Autnum=11.210
http://www.reproarte.com/painter/William_Blake/index.html - http://www.friendsofblake.org/
http://en.wikipedia.org/wiki/William_Blake



sexta-feira, 13 de abril de 2012

Quem é de Axé diz que é


Omolu / Obaluaiyé é o rei da terra. A sua vestimenta é feita de ìko; uma fibra de ráfia extraída do Igí-Ògòrò, a “palha da costa”, elemento de grande significado ritualístico, principalmente em ritos ligados à morte e o sobrenatural, sua presença indica que algo deve ficar oculto. 

Compostos de duas partes o “Filá” e o “Azé”, a primeira parte, a de cima que cobre a cabeça é uma espécie de capuz trançado de palha da costa, acrescido de palhas em toda sua volta, que passam da cintura, o Azé, seu asó-ìko (roupa de palha) é uma saia de palha da costa que vai até os pés em alguns casos, em outros, acima dos joelhos, por baixo desta saia vai um Xokotô, espécie de calça, também chamado “cauçulú”, em que oculta o mistério da morte e do renascimento. Nesta vestimenta acompanha algumas cabaças penduradas, onde supostamente carrega seus remédios. Ao vestir-se com ìko e cauris, revela sua importância e ligação com a morte.

Sua festa anual é o Olubajé. Tido como filho de Nanã no Brasil, a sua origem, forma, nome e culto em África é bastante variado, de acordo com a região, essa variação de nomes é em conformidade com a região, Obaluaiyé ou Xapanã em Tapá (Nupê) chegando ao território Mahi ao norte do Daomé; Sapata é a sua versão Fon, trazida pelos Nagôs.

Em alguns lugares se misturam, em outros são deuses distintos, confundidos até com Nanã Buruku; Omolu em keto e Abeokutá. O seu parentesco com Oxumaré e Iroko é observado em Keto (vindo de Aisê segundo uns e Adja Popo segundo outros), onde se pode ver uma lança (oko Omolu) cravada na terra, esculpida em madeira onde figuram esses três personagens mencionados, também em Fita próximo de Pahougnan, território Mahi, onde o rei Oba Sereju, recebera o fetiche Moru, três fetiches ao mesmo tempo Moru (Omolu), Dan (Oxumaré) e Loko (Iroko).

Qualidades

Akavan: Tem ligação com Oyá, veste estampado.

Azonsu / Ajunsu: Tem fundamentos com Oxumaré, Oxun e Oxalá. Carrega lança e veste branco.

Azoani: É jovem, veste vermelho, palha vermelha Tem caminhos com Iroko, Oxumaré, Iemanjá e Oyá.

Arawe / Jagun: Tem fundamento com Oyá e Oxalá.

Ajoji / Jagun: Tem fundamentos com Ogun e Oxagian.

Avimaje Tem fundamento com Nana e Ossain e Odé.

Ajoji / Segí/Jagun: Tem ligação com Yemanjá e Oxumare / Nanã.

Afomam: Veste a estopa e carrega duas bolsas de onde tira as doenças. Veste de amarelo e preto. Todas as plantas trepadeiras pertencem-lhe. Tem caminhos com Oxumaré, Ogun de quem é companheiro, dança cavando a terra com Intoto para depositar os corpos que lhe pertencem.

Agbagba Jagun: tem fundamento com Oyá.

Itubé Jagun: É jovem e guerreiro; leva na mão uma lança chamada okó; Tem caminhos com Ogunjá, Oxaguian, Ayrá, Exu e Oxalufan. Não come feijão preto e é o único que come Igbin (Caracol).

Ìpòpò: Tem forte fundamento com Nanã, usa biokô.

Tetu / Etetu Jagun: É jovem e guerreiro. Come com Ogum e Oyá. Veste de branco, usa biokô:

Agòrò: veste branco, usa biokô com franjas de palha

Itetù Jagun: ligado a Yemnjá e Oxalá

Dizem que são 14 qualidades ou caminhos de Obaluaiye/Omolú/Jagun/Sakpata. Teremos ainda vários nomes, títulos e qualidades parecidas: Ajágùsí, Topodún, Janbèlé, Parú, Polibojí, Akarejebé, Aruajé, Ahoye, Olutapá, Sapatá Ainon, WariWarún, etc.

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