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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Evangelho de Tomé segundo Rohden



Vida Eterna e Luz como Alimento

11- Disse Jesus: Este céu passará, e passará também aquele que está por cima deste. Os mortos não vivem, e os vivos não morrerão. Quando comíeis o que era morto, vós o tornáveis vivo. Quando estiverdes na luz, que fareis? Quando éreis um, vos tornastes dois; mas, quando fordes dois, que fareis?

Essas palavras do Evangelho de Tomé são de imen­sa profundidade, e dificilmente encontrarão paralelo em outros livros sacros. O céu físico passará, e mesmo os outros céus - astral, etéreo, mental, ou que outro nome tenham - são estágios evolutivos não definitivos.

Todos os seres que não integrarem a sua individua­lidade viva na Vida Universal são mortos, porque mortais, embora se considerem fisicamente vivos. O que não é metafisicamente vivo não é realmente vivo. Somente o vivo que se integra na Vida é que é real e definitivamente vivo. Os vivos não integrados na Vida são mortos, pseudo-vivos, mas realmente mortos. Imor­tal é somente a Vida, a Divindade, o Infinito, o Eterno, o Absoluto; todas, as creaturas são mortais, ou então imortalizáveis; nenhuma creatura é realmente imor­tal; imortal é somente o Creador.

A Sagrada Escritura chama "morto" o homem que vive na ego-consciência, porque não integrou o seu ego, pseudo-vivo, na Vida; - o homem da ego - consciên­cia não é realmente vivo. Realmente vivo é somente o homem da cosmo-consciência, que integrou o seu vivo individual na Vida Universal.

Os verdadeiramente vivos não podem morrer jamais, porque integraram o seu indivíduo potencial­mente imortal na Realidade atualmente imortal. O homem ainda não realmente imortal come coisas mortas, como são todos os alimentos assimiláveis, mesmo os que ciência chama vivos, como vegetais crus. O homem definitivamente imortalizado não se nutre e nada que seja morto ou mortal.

Quem digere e assimila o morto ou mortal torna-o imortal. Assimilar quer dizer tornar o assimilado seme­lhante ao assimilados. A Filosofia Oriental manda "comer o mundo". O profano, porém, é comido pelo mundo, e por isto é mundanizado ou profanizado. O místico isolacionista recusa comer o mundo e se isola longe do mundo; não é mundano nem mundanizado. 


Somente o homem cósmico, o místico dinâmico, não é comido pelo mundo, nem recusa comer o mundo, mas come o mundo e o digere devidamente; e, neste caso, o mundo, devidamente digerido e assimilado, ajuda o homem a crescer e realizar-se cada vez mais. O homem cósmico é o homem realmente vivo e imortalizado.

Só o homem quando definitiva e realmente vivo, não necessita de comer, a não ser luz, que é a última fronteira do mundo material; a luz cósmica é energia descondensada, a substância mais sutil que existe no mundo creado. O homem, lucigênito e lucificado, é também lucífago.

No princípio, todo o Verso era Uno. O Uno creador manifestou-se no Verso criado, em infinitos graus de diversidade e diversificação. Agora o Universo existe como Realidade Uno e Facticidades Verso. 

Quando o Verso morre, volta ao Uno, o Vivo se dilui na Vida; ou então, como no homem, o Verso do Vivo se integra no Uno da Vida. As criaturas infra-humanas se diluem no Criador e deixam de existir como criaturas distintas. Somente o homem, em vez de se diluir, pode inte­grar-se na Vida do Criador.


1- Huberto Rohden nasceu em São Ludgero, no dia 31 de dezembro de 1893 e fez sua passagem ao mundo espiritual em São Paulo, no dia 7 de outubro de 1981. Rohden foi um filósofo, educador e teólogo catarinense, radicado em São Paulo. Filho de Johannes Rohden e de Anna Locks.

Precursor do espiritualismo universalista, escreveu mais de 100 obras (ao final da vida, condensadas em 65 livros), onde franqueou leitura ecumênica de temáticas espirituais e abordagem espiritualista de questões pertinentes à Pedagogia, Ciência e Filosofia, enfatizando o autoconhecimento, auto-educação e a auto-realização.

Propositor da filosofia univérsica, por meio da qual defendia a harmonia cósmica e a cosmocracia: autogoverno pelas leis éticas universais, conexão do ser humano com a consciência coletiva do universo e florescimento da essência divina do indivíduo, reconhecendo que deve assumir as conseqüências dos atos e buscar a reforma íntima, sem atribuir à autoridade eclesiástica o poder de eliminar os débitos morais do fiel.


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Um comentário:

Les alligators disse...

Maravilhoso, nem sabia que o Rohden tinha um livro sobre o Evangelho de Tomé... Tem um ótimo também que é do Hermínio Miranda. Continue o ótimo trabalho, muita paz e força a você!

Forte abraço, Hugo.

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