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quarta-feira, 14 de maio de 2025

Divaldo Franco volta para a Pátria Espiritual

Divaldo Franco: o homem que falava com a alma e abraçava com o coração

Por Ronald Sanson Stresser Junior

 
Divaldo Franco - Reprodução/Internet
 

Na noite de 13 de maio, um silêncio diferente tomou conta da Mansão do Caminho, em Salvador. Não era apenas a morte de Divaldo Franco, aos 98 anos, que causava comoção. Era a sensação de que o Brasil perdia um pai amoroso, um amigo constante, um mestre que falava como quem acende luzes por dentro.

Mas quem conheceu Divaldo — pessoalmente ou por suas palavras — sabe: ele não partiu. Apenas voltou para casa.

A infância marcada pela dor, o coração moldado pela fé

Divaldo nasceu em Feira de Santana, interior da Bahia, no ano de 1927. Desde pequeno, experimentou o sofrimento com perdas irreparáveis, como a morte de dois irmãos. Ainda menino, começou a ouvir vozes e a ver espíritos, fenômenos que o isolaram, mas também o empurraram com firmeza para o caminho que transformaria sua vida — e a de milhões de outras pessoas.

Encontrou no espiritismo o colo que tanto buscava. E, mais do que isso, descobriu uma missão: consolar os que choram, guiar os que se perdem, cuidar dos que ninguém mais vê.

Não podemos evitar que o sofrimento nos alcance, mas podemos escolher como vamos enfrentá-lo.” — gostava de dizer, com aquele sorriso sereno que atravessava qualquer turbulência.

A Mansão do Caminho e o milagre cotidiano do amor

Em 1952, ao lado do inseparável amigo Nilson de Souza Pereira, fundou a Mansão do Caminho. Mais do que uma obra social, tornou-se um lar. Um útero coletivo de afeto, educação e dignidade para milhares de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade.

Lá, não se ensinava apenas matemática ou português. Ensinava-se, sobretudo, o valor da bondade, o respeito pela vida, a força do perdão. Divaldo não era apenas o fundador — era o cuidador, o contador de histórias, o abraço de fim de dia.

Vale a pena amar. O amor é a alma da vida.” — repetia, enquanto acolhia sem distinção quem chegasse.

A palavra que cura e a fé que não impõe

Mais de 260 livros psicografados. Conferências em mais de 70 países. Uma vida a serviço da paz, da espiritualidade e do diálogo. Mesmo nos momentos em que o mundo parecia endurecer, Divaldo se mantinha fiel ao seu compromisso com a ternura. Nunca usou a fé para condenar. Usava-a para libertar.

Ele dizia:

Se alguém te fere, perdoa. Se alguém te abandona, ora. O outro é sempre o espelho do que ainda precisamos trabalhar em nós.

Durante o velório, na própria Mansão do Caminho, não houve desespero — mas gratidão. Maria Piedade, voluntária da instituição, chorava sorrindo:

— Ele ensinou a gente a viver por dentro. A amar sem medida. A servir com alegria.

Graça Leal, outra amiga espiritual, lembrou com carinho do passe que recebeu dele, ainda grávida, em 1982, quando médicos diziam que sua filha não sobreviveria:

— Hoje minha filha é uma mulher linda. E viva graças à fé que ele me deu naquele momento.

A luz segue acesa

Fabrício Carpinejar o descreveu como “um poste de luz que jamais se apagará”. E é isso. Divaldo Franco continua. Em cada criança salva pela Mansão. Em cada espírito confortado por suas palavras. Em cada pessoa que, mesmo sem o conhecer pessoalmente, se sentiu amada ao ouvir sua voz.

O Centro Espírita Paulo de Tarso, em Brasília, resumiu com doçura:

— Ele foi um verdadeiro mensageiro de Cristo, em ações e ensinamentos. E esses nunca morrem.

E de fato, não morrem.

Porque como ele mesmo dizia:

Tudo passa… menos o que construímos com o coração.

Vai em paz Divaldo!

quinta-feira, 8 de maio de 2025

Leão XIV: um novo tempo para a Igreja e para o coração dos fiéis

Com a fumaça branca que subiu ao céu de Roma no dia 8 de maio de 2025, às 13h11 (horário de Brasília), Deus nos deu um novo pastor: o Papa Leão XIV. Vindo de Chicago, formado no espírito missionário da América Latina, ele chega para continuar — e expandir — o legado luminoso de Francisco

 
 

Habemus Papam

Não são apenas palavras. São um sussurro vindo do alto. Um chamado. Uma confirmação. A Igreja, em sua sabedoria conduzida pelo Espírito Santo, elegeu mais um sucessor de Pedro. E com ele, renova a esperança de mais de um bilhão de corações espalhados pelos continentes.

Dessa vez, o chamado recaiu sobre um homem de fala mansa e passos firmes: Robert Francis Prevost, norte-americano, agostiniano, missionário, bispo, e agora Papa Leão XIV.

Ele é o primeiro papa vindo dos Estados Unidos — e, curiosamente, carrega na alma a vivência dos que conhecem a pobreza do povo latino-americano. Durante anos, serviu no Peru, evangelizando com os pés no barro e o olhar voltado para os céus.

O que representa um novo papa?

Mais do que uma nova liderança, um novo papa é um sinal visível da continuidade do amor de Deus pela humanidade. Desde Pedro, o primeiro a receber as chaves do Reino, cada pontífice tem sido um elo entre o céu e a terra. Um canal para que Cristo continue presente, operando, ensinando, cuidando.

Quando o Papa Francisco renunciou, muitos sentiram um aperto no peito. Seu papado foi um marco de simplicidade, coragem e misericórdia. Mas Deus, em sua infinita providência, jamais deixa a barca à deriva. A fumaça branca desta quinta-feira foi como um abraço vindo do alto. E a resposta ao anseio de tantos corações: a missão continua.

A luz de Francisco, o sopro novo de Leão

Papa Leão XIV não chega para romper com o passado, mas para caminhar a partir dele. Seu nome, uma referência a Leão XIII — defensor dos trabalhadores e das causas sociais — já nos fala de um pontificado atento às dores do mundo. Mas sua trajetória como missionário também nos indica algo mais: um papa com cheiro de povo, de campo, de altar improvisado e partilha verdadeira.

O que podemos esperar? Mais proximidade, mais escuta, mais presença real da Igreja onde ela mais precisa estar: nas periferias, nas fronteiras da fé, nas encruzilhadas do mundo moderno. Leão XIV parece ser uma ponte entre o zelo pastoral de Francisco e um novo impulso evangelizador, capaz de tocar almas distraídas e acalmar os corações aflitos.

Não estamos sozinhos

Ao olharmos para o novo Papa na sacada da Basílica de São Pedro, sentimos algo difícil de explicar. Uma paz silenciosa. Uma certeza antiga: o Espírito Santo ainda guia a Igreja. Ainda sopra onde quer. Ainda confunde os sábios e exalta os humildes.

O nome, a origem, a idade — tudo isso importa. Mas o que realmente importa é que **Deus está no comando**. E que, mais uma vez, Ele nos deu um homem de fé para ser farol. Para apontar o caminho em meio às tormentas. Para, como Pedro, dizer com firmeza: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo".

A jornada de Leão XIV apenas começa. Mas desde já, nossos joelhos se dobram. Nossas preces se erguem. E nosso coração se abre para o novo tempo que vem aí.

Que o Senhor o abençoe, Santo Padre. Que Maria o cubra com seu manto. E que a Igreja de Cristo, sob sua condução, continue sendo sal da terra e luz do mundo.

sexta-feira, 18 de abril de 2025

A visão espírita da Sexta-feira SantaA visão espírita da Sexta-feira Santa

A visão espírita da Sexta-feira Santa: um convite à reflexão, ao amor e à renovação

 
 

Para o Espiritismo, a Sexta-feira Santa vai além da memória da crucificação de Jesus. É um dia de profunda reflexão sobre os valores cristãos, a imortalidade da alma e a jornada de evolução espiritual que todos estamos convidados a trilhar. A morte e a ressurreição de Jesus são compreendidas como símbolos poderosos da vitória do espírito sobre a matéria, nos inspirando a seguir seus passos com humildade, amor e caridade.

A Doutrina Espírita não encara a morte de Jesus como um castigo ou punição, mas como um gesto supremo de amor e entrega. Seu sacrifício é visto como um exemplo de coragem moral e compaixão, que nos ensina sobre o perdão, a empatia e o compromisso com o bem coletivo.

Neste dia, os espíritas se dedicam à prática do bem, à interiorização e ao serviço ao próximo. A caridade e a humildade tornam-se os principais instrumentos de conexão com os ensinamentos do Cristo, reforçando a ideia de que a verdadeira religiosidade se expressa nas atitudes do dia a dia.

Diferentemente de algumas tradições religiosas, o Espiritismo não impõe restrições alimentares durante a Semana Santa. A proposta é mais ampla: é a transformação interior que importa, não os rituais exteriores. O foco está em como cada um pode se tornar uma pessoa melhor, mais generosa e consciente de sua missão no mundo.

Jesus é visto pelos espíritas como o maior mestre da humanidade. Sua vida e palavras são guias éticos e espirituais para todos os que buscam o caminho do bem. Não é apenas sobre crer nele, mas sim sobre vivenciar sua mensagem — com amor, sabedoria e compaixão.

O médium Chico Xavier, uma das figuras mais queridas do Espiritismo no Brasil, frequentemente abordava a Sexta-feira Santa em suas mensagens. Para ele, esse momento não deveria ser marcado apenas pela dor e pelo sofrimento de Jesus, mas, acima de tudo, pelo amor incondicional que Ele demonstrou a todos — dos mais humildes aos marginalizados. Chico nos lembrava que o verdadeiro sentido da Páscoa está na esperança, na renovação espiritual e na transformação interior.

Reflexões inspiradas por Chico Xavier:

Lembre-se do amor: Em vez de focar na dor, foque no amor imenso que Jesus sentia por todos nós.

Esperança e renovação: A ressurreição representa a esperança de um novo começo, possível a cada dia.

Amor sem distinções: O Cristo não fazia acepções. Ele acolhia a todos, com ternura e compreensão.

Trabalho no bem: A maior homenagem que podemos prestar a Jesus é servir ao próximo com dedicação.

Olhar para dentro: Aproveite esse tempo para refletir sobre suas atitudes, seus caminhos e sua evolução espiritual.

Em resumo, para os espíritas, a Sexta-feira Santa é um momento de luz. Um convite à introspecção, à prática do bem e à renovação das esperanças. É quando o silêncio da dor se transforma no chamado amoroso à transformação. Um dia para se aproximar de Jesus, não pela tristeza da cruz, mas pela alegria de sua mensagem imortal.

Ronald Sanson Stresser Junior

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sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

O Peso da Pedra


Dona Clarice, viúva de 72 anos, era conhecida na vizinhança pela sua pontualidade e palavra firme. Toda terça-feira, às oito em ponto, ela ia ao mercadinho da esquina buscar pão fresco e uma conversa rápida com o Seu Raimundo, o padeiro. Para ela, a vida era feita de pequenos compromissos que, por mais simples que parecessem, carregavam o peso de sua integridade.

Certa manhã, enquanto ajeitava os cabelos brancos no espelho, percebeu que estava atrasada. Não era comum. Tinha perdido a noção do tempo ao procurar o relógio de pulso, que sempre ficava no criado-mudo, mas naquele dia parecia ter evaporado. Resmungando consigo mesma, pegou a bolsa e saiu apressada.

Ao virar a esquina, tropeçou em uma pedra pequena no caminho. A queda foi brusca. Sentada no chão, com o joelho ralado, olhou para a pedra como se ela tivesse vida própria. "Ninguém tropeça em montanha", murmurou, esfregando o joelho. "É sempre numa pedra pequena." Um rapaz que passava parou para ajudá-la, mas Dona Clarice recusou com um gesto firme. 

— Estou bem, meu filho. Só tropecei na minha própria pressa.

Quando finalmente chegou ao mercadinho, já passava das oito e meia. Seu Raimundo, um homem calvo e sempre sorridente, a olhou com surpresa.

— Achei que não vinha hoje, Dona Clarice. Já ia ligar pra senhora.

— Pois é, Raimundo, tropecei numa pedra. Literal e metaforicamente.

Ele riu, mas percebeu o tom sério nas palavras dela. Clarice contou sobre o pequeno atraso que causara a pressa e, consequentemente, a queda. 

— É engraçado, Raimundo. A gente vive falando de grandes virtudes, mas esquece das pequenas. Ser pontual, por exemplo, é uma maneira de dizer que a gente respeita o tempo do outro. Hoje, ao me atrasar, senti que estava desrespeitando você, mesmo que só fosse por alguns minutos.

Raimundo colocou um pão quente na sacola dela e respondeu:

— Dona Clarice, a senhora já é um exemplo aqui. Um tropeço ou outro não apaga isso. Mas, sabe, ouvir isso da senhora me fez pensar. Acho que, às vezes, a gente também precisa tropeçar para lembrar de olhar onde pisa.

Clarice sorriu. A simplicidade das palavras do padeiro fez eco em seu coração. Voltou para casa caminhando mais devagar, reparando nas pedras pelo caminho, mas também nas flores que cresciam nas rachaduras do asfalto. 

Naquela noite, antes de dormir, encontrou o relógio perdido debaixo do sofá. Colocou-o no criado-mudo com cuidado, pensando em como as pequenas coisas – uma pedra, um atraso, uma conversa – têm o poder de moldar quem somos.

Ronald Sanson

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Oração de Proteção a São Lázaro, Omulu e Exu

 

Hoje, 17 de dezembro, dia sagrado de São Lázaro, eu elevo minha voz em prece e fé. São Lázaro, amigo amado de Jesus Cristo, protetor dos doentes, dos desamparados e daqueles que sofrem. Omulu, orixá da cura, senhor do mistério entre a vida e a morte, guia das almas e protetor contra as forças negativas. Exu, guardião dos caminhos e defensor de quem pede com coração sincero, eu vos chamo.

Senhor São Lázaro,

Senhor Omulu,

Todo o povo da Calunga e Exus, escutem minha oração!

Que meu corpo e meu espírito estejam fechados contra os inimigos, visíveis e invisíveis. Que nenhum mal, inveja ou feitiço me alcance. Que as energias negativas, as palavras malditas e os pensamentos ruins voltem para o nada, se dissipem como poeira ao vento. Que qualquer intento de perturbação contra mim, minha família e meus amigos seja quebrado e transformado em luz.

Omulu, Senhor das curas e cicatrizações, cuide das minhas feridas emocionais, espirituais e físicas. Dê-me saúde, força e paz. Exu, abra meus caminhos para a prosperidade e feche-os para aqueles que desejam minha queda. Que todo laço ou armadilha plantada contra mim seja desfeito em nome da justiça divina e da fé que carrego.

Se meus inimigos me perseguem, que se confundam. Se há trevas, que a luz se faça. Passarei firme no meio de qualquer exército armado, protegido pelo escudo divino. Nenhuma arma, física ou espiritual, me atingirá. Nenhum olho mau me derrubará, pois estou guardado pelo poder de São Lázaro, pela sabedoria de Omulu e pela proteção dos Exus.

Que a calma reine na minha mente, o perdão se instale no meu coração e que a sabedoria me guie. Perdôo aqueles que me feriram, mas me mantenho distante de quem já traiu minha confiança. Liberto-me de culpas, de mágoas e de qualquer peso que ainda me prende.

Atotô, Omulu!

Laroyê, Exu!

Salve São Lázaro, amigo fiel de Cristo!

Que o Senhor dos Caminhos me defenda, que Omulu me cure e que São Lázaro me proteja. Com fé, coragem e humildade, sigo meu caminho, certo de que nenhum mal terá poder sobre mim.

Credo em Cruz,

Inimigo sem luz,

Antes de você me olhar,

Quem me olhou foi Jesus!

Amém, Atotô, Laroyê!

Ronald S. S. Jr., um devoto muito agradecido.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Chá de orégano é bom pra saúde?

Sim, o chá de orégano pode ter vários benefícios para a saúde, mas é importante não substituir o tratamento médico com ele.

 

O orégano é rico em nutrientes, como fibras, vitaminas A e C, e substâncias medicinais, que podem ajudar em diversas condições: 

  • Fortalecer o sistema imunológico 
  • Diminuir sintomas de alergia, gripes e resfriados
  • Ajudar na digestão e combater a flatulência 
  • Aliviar dores de cólicas menstruais 
  • Tratar problemas respiratórios, como tosse, asma e bronquite 
  • Auxiliar no tratamento de inflamações ou infecções 
  • Manter a saúde do coração 
  • Regular o ciclo menstrual 
  • Melhorar a saúde da pele e dos cabelos 

O chá de orégano deve ser feito com as folhas frescas, que conservam melhor os nutrientes da planta. 

No entanto, o chá de orégano não deve ser consumido por mulheres grávidas, pois pode causar aborto. Também é recomendado interromper o consumo duas semanas antes de cirurgias, pois pode aumentar o risco de sangramentos. 

Imagem: Companhia das Ervas Orégano Companhia Das Ervas Pote Pet 30G 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Conto espírita: "O Natal não é apenas uma data"

 

Era uma noite silenciosa, dessas que parecem guardar um segredo antigo no ar. Eu, médium de coração inquieto, sentei-me à mesa com papel e caneta em mãos, pronto para acolher as mensagens que, vez ou outra, os Espíritos de luz me traziam. Naquela ocasião, um perfume suave invadiu o ambiente, e senti que não estava só. Uma presença radiante, serena e acolhedora, aproximou-se. Era alguém que, embora não pudesse ver com os olhos da carne, senti com os olhos da alma. Então, as palavras começaram a fluir como um rio calmo.

"Filho, aproxima-se o Natal. Um tempo que, na Terra, deveria ser repleto de luz, mas que muitas vezes se perde em brilhos que não iluminam. Não permitas que essa celebração seja apenas troca de presentes ou mesa farta. O verdadeiro Natal é a oportunidade sublime de recordar o Mestre e, mais que isso, vivê-Lo.

Lembra-te de que Jesus não nasceu em um palácio, mas em uma manjedoura humilde, cercado pelo amor simples de Maria e José. Ali, entre o canto dos anjos e o silêncio dos campos, o Amor fez-se carne para nos ensinar a essência da vida: amar e servir.

Por isso, meu amigo, faz do Natal mais que um dia. Torna-o um estado de espírito. Convida o Cristo a nascer em teu coração, transformando-o em abrigo para os que sofrem e em consolo para os que choram. Amplia tua comunhão com os outros, mesmo aqueles que julgas distantes ou diferentes, porque a fraternidade verdadeira não exclui ninguém.

Jesus acredita em nós. Deposita em cada alma uma fé inquebrantável, como quem planta uma semente e confia no tempo para fazê-la brotar. E Ele nos chama, especialmente neste tempo, a responder a essa confiança com ações: abraçar, compreender, perdoar. Pois o Natal, filho, não é apenas um marco no calendário, mas a chance de renovarmos a alma e o mundo pelas bases do Amor, da Solidariedade e do Trabalho.

Ao erguer a prece na noite de Natal, lembra-te dos filhos da tristeza, mergulhados na aflição. Muitos, de rua em rua, buscam o abrigo de um coração disposto a ouvir, a acolher, a cuidar. E enquanto a mesa se enfeita e o bolo se corta, que tua lembrança leve o bálsamo da bondade àqueles que ainda esperam. Pois o Mestre, ainda hoje, caminha entre nós, procurando pelas manjedouras de corações dispostos a acolhê-Lo.

O Senhor não nos pede perfeição. Ele nos pede amor. Não um amor vaidoso, que busca retorno ou aplauso, mas o amor genuíno que se dá sem reservas, que ama por amar. Pois, somente quando nos tornarmos verdadeiros irmãos uns dos outros, é que viveremos plenamente o Natal eterno que Jesus nos oferece.

Assim, meu amigo, diante da luz desse Santo Natal, faz tua prece. Pede ao Mestre que te sustente e ilumine tua senda, não apenas nesse dia, mas em todos os outros. E que, em cada gesto de solidariedade, em cada sorriso compartilhado, em cada mão estendida, possamos ouvir, ao longe, o cântico celestial: 'Glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade para com os homens.' Que assim seja.

Quando a mensagem terminou, senti meu coração inundado de uma paz indescritível. Compreendi, ali, que o Natal não é uma data, mas um chamado. E que, em cada pequena ação, podemos responder a esse chamado, transformando a vida — nossa e dos outros — em um incessante e divino Natal.

Ronald Sanson S. J., dezembro de 2024.

terça-feira, 26 de novembro de 2024

A hora da Luz

Desafie limites, revele seu poder e transforme o mundo com coragem e amor!

 

 

A TODOS OS SERES QUE SÃO GUIADOS PELA CORAGEM E SERVEM APENAS À LUZ, que possamos encontrar força e clareza nos momentos mais desafiadores, pois, como nos ensina a vida, nossa missão é muito maior do que imaginamos. A cada passo dado com fé, a cada esforço renovado, estamos contribuindo para a realização de um propósito divino que vai além das nossas limitações e medos.

Que mantenhamos a vontade e a força, não apenas no mundo exterior, mas também em nosso interior. Ao sustentar o foco e a leveza, criamos um espaço sagrado onde a paz e a sabedoria podem florescer. Cada movimento que fazemos é uma semente plantada no campo da nossa evolução, e a união entre os planos material e espiritual nos permite desabrochar, mesmo nos tempos mais difíceis.

Sim, os tempos são fortes, desafiadores, mas somos muito mais fortes ainda! Nossos mistérios e poderes divinos estão latentes, aguardando o momento certo para se revelarem. É essencial entregarmo-nos ao nosso próprio espírito, pois nele reside a chave para a verdadeira transformação. Quando nos rendemos ao chamado da nossa essência, a magia da Era Dourada se concretiza diante de nossos olhos, trazendo luz para aqueles que desejam mais do que simples sobrevivência – que buscam a verdadeira realização.

Agora é o momento da realização plena do Amor e da Luz! E, como disse Steve Jobs: “Aqui é para os loucos, os desajustados, os rebeldes, os desordeiros, os pinos redondos em buracos quadrados ... aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não gostam de regras... Você pode citá-los, discordar com eles, glorificar ou difamar, mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los, porque eles mudam as coisas... Eles empurram a raça humana para a frente, e enquanto alguns podem vê-los como loucos, nós vemos gênios, porque os que são loucos o suficiente para pensar que podem mudar o mundo, são os que o fazem.”

Aqueles que ousam ser diferentes, que seguem sua verdade, que não têm medo de romper com os padrões, são os que vão transformar a realidade ao seu redor. Eles sabem que a jornada é desafiadora, mas, ao se entregarem ao seu propósito, tornam-se instrumentos do Divino, movendo o mundo em direção a um futuro mais iluminado.

Acredite no poder que reside dentro de você. Você é capaz de realizar o impossível, porque é guiado pela Luz. A hora de manifestar a transformação já chegou. Que sua coragem seja maior que seus medos e sua determinação mais forte que qualquer obstáculo. A verdadeira magia começa quando você se entrega à sua própria essência.

Ronald Stresser

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Quando entendi as lições do meu pai

 

Era difícil para Lucas entender a rigidez de seu pai. Às vezes, sentia que morava em uma casa onde tudo o incomodava — ou melhor, onde o pai o incomodava o tempo todo.

— "Você saiu da sala sem desligar o ventilador."

— "A TV tá ligada e não tem ninguém assistindo. Desliga!"

— "Guarde a caneta no suporte."

Essas pequenas repreensões diárias deixavam Lucas impaciente. "Por que tanto perfeccionismo?", pensava. Mas aguentava, repetindo para si mesmo que, assim que pudesse, deixaria aquela casa, aquela cidade, e viveria do seu jeito, sem regras.

Então, veio a chance de uma entrevista de emprego. Lucas estava animado. Era a oportunidade de provar seu valor e, quem sabe, finalmente conquistar a liberdade que tanto desejava. Na manhã da entrevista, seu pai o aconselhou: "Responda com confiança, mesmo que não saiba a resposta. E leve um pouco mais de dinheiro, só para garantir." Lucas saiu com um meio sorriso, achando aquilo tudo um exagero.

Quando chegou ao local, notou que a porta do prédio estava entreaberta e com a trava solta. Sem pensar muito, ajeitou a trava antes de entrar. Um pouco mais adiante, viu uma mangueira derramando água pela calçada, então a posicionou perto das plantas para que a água fosse aproveitada. E assim ele foi, ajustando detalhes ao seu redor — algo que tinha aprendido a fazer quase sem perceber.

No corredor de espera, viu alguns ventiladores ligados sem ninguém por perto. "Por que deixar ventiladores ligados à toa?", pensou, relembrando a voz do pai, e desligou-os antes de se sentar.

Finalmente, sua vez chegou. Ele entrou na sala de entrevistas, ansioso, mas a primeira pergunta o surpreendeu:

— "Quando pode começar a trabalhar?"

Lucas hesitou, confuso, mas o entrevistador logo esclareceu:

— "Nós avaliamos candidatos de uma forma diferente. Observamos suas atitudes ao longo do prédio, por meio das câmeras. Notamos que foi o único a arrumar a trava da porta, a ajustar a mangueira, a desligar as luzes e ventiladores desnecessários. Sua atenção aos detalhes e responsabilidade são justamente o que procuramos."

Lucas ficou em silêncio, absorvendo o que acabara de ouvir. Foi nesse instante que tudo fez sentido: a exigência do pai, as pequenas broncas. Tudo aquilo que, por anos, havia considerado uma implicância, eram lições que o prepararam para aquele momento. Saiu da entrevista contratado, e com um novo sentimento — gratidão.

Lucas voltou para casa, decidido a agradecer ao pai. A rigidez que tanto o irritava, percebeu, era na verdade uma forma de amor. E essa era a grande verdade que às vezes nos escapa: pais não ensinam por capricho, mas por se importarem. O que hoje pode parecer dureza é, na realidade, o molde que forma o nosso caráter.

Os pais, afinal, são aqueles que nos sustentam nos ombros para que possamos ver além do que eles mesmos enxergam. E um dia, quando eles não estiverem mais aqui, essas pequenas lições se transformarão em saudade, em orgulho, e em gratidão. Porque, no fundo, tudo o que nossos pais querem é que sejamos fortes o bastante para caminhar pelo mundo com nossos próprios passos.

Ronald Stresser

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