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segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Orações para os Pretos-Velhos (Saudação, Amalá e Defumação)

"Preto Velho", OST, p/ Edmundo Migliaccio

Pretos velhos ou Pretos-velhos são entidades de umbanda, espíritos que se apresentam em corpo fluídico de velhos africanos que viveram nas senzalas, majoritariamente como escravos que morreram no tronco ou de velhice, e que adoram contar as histórias do tempo do cativeiro. São divindades purificadas de antigos escravos africanos. Sábios, ternos e pacientes, dão o amor, a fé e a esperança aos "seus filhos".

O preto velho, na Umbanda, está associado aos ancestrais africanos, assim como, por exemplo, o caboclo está associado aos índios e o baiano aos migrantes nordestinos.

São os mestres da sabedoria e da humildade. Através de suas várias experiências, em inúmeras vidas, entenderam que somente o amor constrói e une a todos, que a matéria nos permite existir e vivenciar fatos e sensações, mas que a mesma não existe por si só, nós é que a criamos para estas experiências, e que a realidade é o espírito. Com humildade, apesar de imensa sabedoria, nos auxiliam nesta busca, com conselhos e vibrações de amor incondicional. Também são mestres dos elementos da natureza, a qual utilizam em seus benzimentos.

Os Pretos Velhos incluem os Tios e Tias, Pais e Mães, Avôs e Avós todos com a forma do idoso, do senhor de idade, do escravo. Sua forma idosa representa a sabedoria, o conhecimento, a fé. A sua característica de ex-escravo passa a simplicidade, a humildade, a benevolência e a crença no “poder maior”, no Divino. A característica desta linha seria o conselho, a orientação aos consulentes devido a elevação espiritual de tais entidades, são como psicólogos, receitam auxílios, remédios e tratamentos caseiros para os males do corpo e da alma.

Os nomes de alguns Pretos Velhos comuns de que se tem notícia são Pai João, Pai Joaquim de Angola, Pai José de Angola, Pai Francisco, Vovó Maria Conga, Vovó Catarina, Vovô Miguel, Pai Jacó , Pai Benedito, Pai Anastácio, Pai Jorge, Pai Luís, Mãe Maria, Mãe Cambina, Mãe Sete Serras, Mãe Cristina, Mãe Mariana, Maria Conga, Vovó Rita, Vovó Joana, Dona Maria Redonda, Tio Antônio e Pai Maneco, dentre outros.

O Dia de Pretas e Preto-Velho é comemorado em 13 de maio


"Dia 13 de maio é dia de Preto-velho na Umbanda. Dia de comemorar com festa estas entidades que representam velhos negros e negras, Espíritos de antepassados. Velhos escravos que voltam à terra para ajudar as pessoas, e são muito queridos pelos fiéis."

Saudação aos Pretos-Velhos


"Adorei às Almas!"
"Saravá todos os Pretos e Pretas-velhos de Umbanda!"
"Malembe as Almas!"

Defumação para Pretos-Velhos

Colocar no turíbulo, com brasa de carvão vegetal: açúcar cristal, bagaço de cana de açúcar, pó de café, mistura sagrada de quebra demanda. O mais utilizado é a defumação com incensos ou a erva seca, in-natura, de benjoim, alecrim, alfazema e guiné.

Prece ao bondoso Preto-Velho


"Ensina-nos a ter a tua experiência milenar, a calma, a resignação,

a compreensão que muito necessitamos e que estejamos sempre contigo, assim como Jesus o tem na Santa Glória.

A ti, bondoso Preto-Velho, oferecemos esta prece, reafirmando nossa fé, nossa crença, e nossa esperança na tua força espiritual, sempre a serviço do bem.

Protege-nos querido Preto-velho que tanto sofreste, dá-nos a coragem que às vezes nos falta para poder prosseguir na nossa jornada, e algum dia tenhamos merecimento para receber as graças de Deus.

Que assim seja!"

Oração aos Pretos-velhos

"Preto Velho

Carreteiro de Oxalá
Bastão bendito de Zambi
Mensageiro de Obatalá
Meu pensamento eleva-se ao teu espírito e peço Agô.
Que tuas guias sejam o farol que norteie minha vida.
Que vossa pemba trace o caminho certo para todos os meus actos.
Que vossas palavras, tão cheias de compreensão e bondade, iluminem minha mente e meu coração.

Que teu cajado me ampare em meus tropeços.

Ontem te curvastes aos senhores...
Hoje, ajoelho-me aos teus pés pedindo que intercedas junto a Oxalá por mim e por todos que neste momento clamam por vós.
Maleme e paz sobre meu lar e que a luz divina de Obatalá se estenda pelo mundo.
E que o grito de todos os orixás sejam o sinal de vitória sobre todas as demandas de minha vida.
Maleme as almas.
Maleme para todos os meus inimigos, para que saiam do negrume da vingança.
E encontrem fonte fecunda e clara do amor e caridade.

Que assim seja!"

Oração dos Pretos-velhos


“Senhor, Nosso Pai, que sois o Poder, a Bondade, a Misericórdia, olhai por aqueles que acreditam em Vós e esperam por vossa bondade, poder e misericórdia.

Dá Pai, aos que vacilam ao Vosso Poder, na Vossa Misericórdia e Bondade, a clareza de pensamento e abri-lhes, Senhor, os olhos para que pratiquem sempre o bem, a caridade para com os outros dentro da humildade de Vossa Sabedoria, reconhecendo assim a Vossa Existência, Poder e Misericórdia, bem assim, o Vosso Reino.

Senhor, perdoa aqueles que a escuridão ainda não deixou ver, os erros cometidos na sua passagem terrena. Dá, Senhor, a eles que sofrem a luz de Seu imenso Amor e da Sua Sabedoria. Que a sua luz nos ilumine neste mundo e em outros que ainda desconhecemos, e em todos os lugares por onde passarmos nos proteja. 

Oh ! Meu Pai Santíssimo! A nós pecadores, aceita o nosso arrependimento dos erros que temos cometido. Pai, pela sua sagrada bondade e paixão, consenti que caminhe até vós pelo caminho da perfeição.

Dá Senhor, orientação perfeita no caminho da virtude, único caminho pelo qual devemos trilhar. Misericórdia aos nossos inimigos. Perdão a todos os nossos erros, e que Vossa Bondade não nos falte hoje e sempre… 

Amém!”

Oração de invocação e reverência aos Pretos-velhos


Ao Sagrado Princípio do Todo invocamos, do mais íntimo de nossa Consciência, em sinal de reverência à Verdade, ao Amor e à Virtude, propositado a cooperar junto às Legiões de Pretos Velhos, Índios, Hindus e Caboclos, para os serviços que são chamados a desempenhar na Ordem Doutrinária.

Ao Cristo apelamos, como Diretor Planetário e Senhor dos Sete Escalões em que se distribui a Humanidade Terrestre, composta de encarnados e desencarnados,

desejando oferecer colaboração eficiente, de caráter fraterno, em defesa da Verdade e da Justiça, contra aqueles que, contrariando os Sagrados Objetivos da vida, se entregam aos atos que contradizem a Lei de Deus. 

Conscientes da integridade da Justiça Divina, afirmamos a mais fiel e intensa observância dos Mandamentos da Lei, conforme o Divino Exemplo do Verbo Exemplar, para todos os efeitos invocativos. 

Acima de alternativas constituirá barreira contra o Mal, em qualquer sentido em que se apresente, venha de onde vier, seja contra quem for, conquanto que, em defesa da Verdade, do Bem e do Bom.

Conseqüentemente, que aos bondosos Pretos Velhos seja dado refletir, em seus trabalhos, os sábios e santos desígnios daqueles que, traduzindo a Divina Tutela do Cristo Planetário, assim determinarem das Altas Esferas da Vida. Que as legiões de Índios, simples, espontâneas e valorosas, sempre maravilhosamente ligadas à natureza exuberante, possam agir sob a direção benévola e rigorosa dos Altos Mentores da Vida Planetária. 

Lutando pela Ordem e pelo Bem, pelo progresso no seio do Amor, que tenham de Deus as graças devidas. Que às numerosas legiões de Hindus, profundamente  ligadas às mais remotas Civilizações do Planeta, formando portanto nas Altas Cortes da Hierarquia Terrestre, sejam concedidas pelo Senhor Planetário as devidas oportunidades, para que forcem, sustentem e imponham a Suprema Autoridade. 

Que nesta hora cíclica, em que a Terra transita de uma para outra Era, as Mentes humanas possam receber os eflúvios da Pureza e da Sabedoria, a fim de que sintam os Divinos Apelos do Cristo, em favor dos Santos Desígnios do Pai amantíssimo, que é a divinização de todos os filhos. 

Que as legiões de Caboclos, humildes e bondosos, tão ligadas aos que peregrinam a encarnação, para efeito de expiações, missões e provas, a todos possam envolver, proteger e sustentar, desde que se esforcem a bem da Moral, do Amor, da Revelação, da Sabedoria e da Virtude, pois que, fora dessa Ordem Doutrinária, não há Evangelho.

Que assim seja!"

Prece a Preto-velho para fazer um pedido

"Louvados sejam todos os pretos e pretas-velhos.

Louvados sejam vós que formais o santíssimo rosário da Virgem Maria.

Santas Almas Benditas, protetoras de todos aqueles que se encontram em aflição.

A vós recorremos espíritos puros pelos  sofrimentos, grandiosos pela humildade e bem aventurados pelo amor que irradiam, socorre-me pois encontro-me em aflição.

Concedam-me, meus bondosos pretos-velhos, a graça de (pede-se a graça que deseja alcançar) através da vossa intercessão junto a Santa Virgem Maria, santíssima mãe de Deus e de todos nós.

Dai-me meus pretos-velhos um pouco de vossa humildade, de vosso amor, e de vossa pureza de pensamentos, para que possa cumprir a minha missão na Terra, seguindo todos os vossos exemplos de bondade.

Louvadas sejam todas as Santas Almas Benditas. Tenham piedade de nós. 

Assim seja!"

Amalá ou entrega para Pretos e Pretas-velhos

7 ou 14 velas branca e preta, tutu de feijão, feijão fradinho, doces naturais como cocada, rapadura, frutas – como banana, cerveja preta ou marafo (cachaça) com mel diluído, (se o médium ou ofertante não bebe pode também oferecer água mineral pura ou café preto, sem açúcar, ou adoçado com açúcar mascavo ou cristal), flores brancas, cachimbo, fumo ou cigarro de palha.

A comida pode ser entregue sobre uma folha de planta (folha de bananeira, por exemplo) e a cerveja, ou a bebida escolhida, derramada ao redor do Amalá. Cascas de frutas podem ser utilizadas como coitês, (maracujá, laranja, coco), para evitar a entrega de itens de plásticos, vidros ou ainda latas, desta forma fazendo uma entrega ecologicamente correta, ao preservar a natureza e não agredir o meio-ambiente.

Local da entrega: Na pedreira, ou sobre uma pedra grande e bonita, podendo ser entregue na campina, ao lado de um córrego, rio ou riacho ou clareira no meio da mata, de preferência sempre sobre uma pedra. (não deixe lixo na natureza, faça sua entrega respeitando o meio-ambiente).




____
Fonte: Organizado por Ronald Sanson, com informações livres, preces de autoria espiritual e orações do folclore brasileiro de Umbanda - Imagem: "Preto Velho", óleo sobre tela, autoria de Edmundo Migliaccio (CC-BY-3.0)

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Omolu e Obaluaê





Em termos mais estritos, Obaluaê seria a forma mais jovem do Orixá Xapanã, enquanto Omolu a sua forma velha. Como porém, Xapanã, no início da formação dos cultos afro brasileiros era proibido tocar em seu nome fora dos terreiros, não devendo ser mencionado, pois poderia atrair suposta doença inesperada.

Assim, a expressão Omolu é a que mais se popularizou e acabou sendo confundida não apenas com a forma mais velha do Orixá, mas com sua essência genérica em si. Esta distinção se aproxima da que existe entre as formas básicas de Oxalá: Oxalá (o Crucificado), Oxaguiã a forma jovem e Oxalufã a forma mais velha. 

A figura de Omolu-Obaluaê, assim como seus mitos, é completamente cercada de mistérios e dogmas indevassáveis. Em termos gerais, a essa figura é atribuído o controle sobre todas as doenças, especialmente as epidêmicas. Faria parte da essência básica vibratória do Orixá tanto o poder de causar a doença como o de possibilitar a cura do mesmo mal que criou. 


A diferença entre Omolu e Obaluaê

Em algumas narrativas mais tradicionalistas tentam apontar-se que o conceito original da divindade se referia ao Deus da varíola, tal visão porém, nos parece uma evidente limitação. A varíola não seria a única doença sob seu controle, simplesmente pôr ser a epidemia mais devastadora e perigosa que conheciam os habitantes da comunidade original africana, onde surgiu Omolu-Obaluaê, o Daomé. 

Assim, sombrio e grave como Iroco, Oxumarê (seus irmãos) e Nanã (sua Mãe), Omolu-Obaluaê é uma criatura da cultura Jeje, posteriormente assimilada pelos Iorubás. 

Enquanto os Orixás Iorubanos são extrovertidos, de têmpera passional, alegres, humanos e cheios de pequenas falhas que os identificam com os seres humanos, as figuras Daomeanas estão mais associadas a uma visão religiosa em que o distanciamento entre Deuses e seres humanos se estruturou de uma maneira bem ampla e complexa.

Quando havia aproximação, havia de se temer, pois alguma tragédia estaria para acontecer, pois os Orixás do Daomé eram austeros no comportamento mitológico, graves e conseqüentes em suas ameaças. 

A visão de Omolu-Obaluaê para os antigos Daomeanos era a do castigo. Se um ser humano faltava com ele ou um filho-de-santo seu fosse ameaçado, o Orixá castigariia com violência e determinação, sendo difícil uma negociação ou um aplacar, mais prováveis nos Orixás Iorubás.

Na Umbanda a diferença entre esses Orixás se coloca de forma mais prática. São vistos como Tronos de Deus que subsistem e se manifestam na natureza e na vida através das energias que irradiam. 

As energias se diferem primeiramente pelo ponto de força. Os dois são representados pela terra, porém a terra de Omolu é mais seca, fazendo contraponto a imensidão do oceano de Iemanjá, ele representa o todo componente de terra firme dos continentes.

A terra de Obaluaê já tem ligação com as margens de lagos e pântanos, águas paradas ligadas Nanã. Assim a terra propensa a germinação, ao crescimento de folhas, plantas, árvores, havendo ligada a vibração a Obaluaê.

Na Umbanda, Omolu é estabilizador, mais concreto, absorvedor estando no polo negativo da mãe Iemanjá que é positivo. Obaluaê é evoluidor, expansivo, irradiador estando no polo positivo da mãe Nanã que é negativo. 

Omolu formata a linha em que trabalham os Exús, já Obaluaê formata junto a Oxalá a linha em que trabalham os Pretos Velhos.

Omolu atua nos seres humanos pelo chacra básico, enquanto Obaluaê está presente pelo chacra esplênico.

Para muitos umbandistas a vela que se acende para Omolu é preta ou roxa, já para Obaluaê é violeta.

Por: Fernando Ribeiro
Referencias. Luis Antonio Modesto / Rubens Saraceni/ Pierre Verger
Fonte: UTHiS: A diferença entre Omolu e Obaluaê

Quer saber? Encontre mais literatura sobre os Orixás, clicando aqui...

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sábado, 11 de maio de 2013

Pretos-Velhos :: 13 de Maio




"NESTA TERRA MOÇO... 
EU RACHEI A MINHA MÃO... 
E nas covas do meu rosto, eu plantei a Solidão... 
Levarei no meu malote, um rosário de apelos... 
Cicatrizes de chicote... 
A Velhice nos cabelos... 

A Esperança adormecida... 
E o nascer para uma Vida... 
Onde não tem Solidão... 
Me de tua mão seu Moço... 
Venha sentir meu Calor... 
Plante a semente comigo... 

QUE AMOR E TRIGO, NA SENZALA VIRA FLOR... 

(Trecho da Música em homenagem aos Pretos Velhos) 

LIVRE É AQUELE QUE LIBERTA... 

Diante disso podemos dizer que:

 “EM CADA NEGRO TEM UM BRANCO QUE A PRINCESA LIBERTOU”

Salve 13 de Maio!"


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Erva Boa!

por Andréa Destefani, em 11/10/2011

Tem planta que não vinga aqui no sítio. Você pode fazer de tudo,mas não vão adiante. Louro, alecrim, café e arruda são algumas delas. Não sei exatamente o porquê, mas já tentamos de tudo. Em compensação pimenta ,boldo, hortelã, pitangueira e carqueja é só piscar que nascem aos montes. A natureza é cheia de mistérios, que os que são da terra os resolvem rapidamente.

Na Umbanda, que trata da manipulação das energias naturais, não há como negar a grande força e sabedoria dos pretos. A palavra certa, o conselho certeiro, a manipulação rápida da energia são fatos concretos que observamos numa primeira impressão. Em nossas mentes, como falei no post anterior, associamos as pretas a doceiras, mas há mais uma característica unida à imagem delas: as benzedeiras. Por sua vez, se formos pensar nas benzedeiras a erva que é indissociável é a arruda.

Poucos sabem, mas a Arruda é originária da Ásia. Na Grécia antiga, ela era usada para tratar diversas enfermidades, mas seu ponto forte era mesmo contra as forças do mal. As mulheres romanas costumavam andar pelas ruas sempre carregando um ramo de arruda na mão, pois diziam que era para se defenderem contra doenças contagiosas mas, principalmente, para afastar todos os males que iam além do corpo físico.William Shakespeare, na obra Hamlet, se refere à arruda como sendo "a erva sagrada dos domingos".

Dizem que ela passou a ser chamada assim, porque nos rituais de exorcismo, realizados aos domingos, costumava-se fazer um preparado à base de vinho e arruda que era ingerido pelos "possessos" antes de serem exorcizados pelos padres.No século XVI deu origem a uma estória curiosa: quando morriam em Londres 7.000 pessoas por semana com a peste, e as casas atingidas eram marcadas com uma cruz vermelha, alguns ladrões não se incomodavam e entravam para roubar e não eram atingidos pela peste.

O motivo: um famoso vinagre, dos quais um dos principais componentes é a arruda, num galão de vinagre de vinho junto com a sálvia, losna, menta, alecrim e lavanda, temperadas com alho, cânfora, noz moscada, cravo e canela, constituindo um poderoso anti-séptico. Essa mistura ficou conhecida como vinagre dos quatro ladrões. Já Michelangelo e Leonardo da Vinci, afirmaram que foi graças aos poderes metafísicos da arruda que ambos tiveram sensíveis melhoras em seus trabalhos de criatividade.

No Brasil pós-escravidão a Arruda era vendida nas ruas pelas ex-escravas, embora antes já o fizessem como mostra a gravura que postei aqui de Debret. No Boletim da Comissão Catarinense de Folclore, num texto de Carlos da Costa Pereira encontramos o seguinte: "Para afugentar os sortilégios, as negras costumavam trazê-la "nas pregas dos turbantes, nos cabelos, atrás da orelha e mesmo nas ventas", e as brancas usavam-na em geral escondida no seio". Acrescenta que quando as negras, vendedoras de frutas, encontravam uma concorrente tida por inimiga, costumavam exclamar: 'Cruz, Ave Maria, arruda', colocando subitamente os dois dedos index sobre a boca", e para se acautelarem "de um perigo iminente, elas diziam: 'toma arruda, ela corrige tudo'".

Nas Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida , deparam-se-nos duas referências ao uso da arruda na época em que se situam as cenas do romance. A primeira, quando o autor descreve o "traje habitual" da comadre, que "era como o de todas as mulheres da sua condição e esfera, uma saia lila preta, que se vestia sobre um vestido qualquer, um lenço branco muito teso e engomado ao pescoço, outro na cabeça, um rosário pendurado no cós da saia, um raminho de arruda atrás da orelha, tudo isto coberto por uma clássica mantilha, junto à renda da qual se pregava uma figa de ouro ou de osso".

E a outra, quando narra os preparativos feitos para o momento em que a Chiquinha daria à luz, sendo improvisado "um oratório com uma toalha, um copo com arruda e uma imagem de Nossa Senhora da Conceição..."A arruda também entrou na poesia popular brasileira, tendo Carlos Góis registrado as seguintes quadras — colhidas em Minas Gerais, a primeira, e no Ceará, a segunda — em que se fazem alusão a essa planta:

              Arruda tem vinte folhas,
              No meio seu arrodeio;
              Trata de mim que sou teu,
              Deixa de amores alheios.
              Arruda também se muda
              Do sertão para o deserto
              Também se ama de longe
              Quem não pode amar de perto.


Aliás, estes versos atestam não só a popularidade como a adaptabilidade a regiões indiscriminadas, da planta que, pelas suas pretensas virtudes, os portugueses trouxeram para os seus domínios neste lado do Atlântico".

Arruda serve para quase tudo. No meu entender a mistura da energia de qualquer erva em especial com a linha dos Pretos, que fundamenta a Umbanda, potencializa não só a energia que está sendo manipulada, mas nos envolve de forma carinhosa na sabedoria e no alento da certeza de crescimento. Não somos nós que ajudamos os pretos e pretas a andarem no terreiro, são eles que nos calçam os pés na bondade e no amor, na alegria de viver, para que nossos pés possam pisar firmes em direção a verdadeira caridade - esta sim o grande mistério da humildade destas almas.

Neste texto me baseei no estudo feito na Faculdade Integrada Espírita, aqui de Curitiba, por Ana Lúcia Trinquinato Toriani e Lourenço de Oliveira http://www.esalq.usp.br/siesalq/pm/monografia_ruta_graveolens.pdf

terça-feira, 1 de junho de 2010

Oração a um Preto-Velho


"Ensina-nos a ter a tua experiência milenar, a calma, a resignação, a compreensão que muito necessitamos e que estejamos sempre contigo, assim como Jesus Cristo (Oxalá) o tem na Santa Glória.

A ti, bondoso Preto-Velho, oferecemos esta prece, reafirmando nossa fé, nossa crença, e nossa esperança na tua força espiritual, sempre a serviço do bem.

Protege-nos querido Preto-velho que tanto sofreste, dá-nos a coragem que as vezes nos falta para poder prosseguir na nossa jornada, e algum dia tenhamos merecimento para receber as graças de Deus.

Que assim seja!"

O Dia de Pretas e Preto-Velho é comemorado em 13 de maio


"Dia 13 de maio é dia de Preto-velho na Umbanda. Dia de comemorar com festa estas entidades que representam velhos negros e negras, Espíritos de antepassados. Velhos escravos que voltam à terra para ajudar as pessoas, e são muito queridos pelos fiéis."

Saudação aos Pretos-Velhos

"Adorei às Almas!"
"Saravá todos os Pretos e Pretas-velhos de Umbanda!"
"Malembe as Almas!"

Defumação para Pretos-Velhos

Colocar no turíbulo, com brasa de carvão vegetal: açúcar cristal, bagaço de cana de açúcar, pó de café, mistura sagrada de quebra demanda. O mais utilizado é a defumação com incensos ou a erva seca, in-natura, de benjoim, alecrim, alfazema e guiné.

Amalá ou entrega para Pretos e Pretas-velhos

7 ou 14 velas branca e preta, tutu de feijão, feijão fradinho, doces naturais como cocada, rapadura, frutas – como banana, cerveja preta ou marafo (cachaça) com mel diluído, (se o médio ou afeitaste não bebe pode também oferecer água mineral), flores brancas, cachimbo, fumo ou cigarro de palha.

A comida pode ser entregue sobre uma folha de planta (folha de bananeira, por exemplo) e a cerveja, ou a bebida escolhida, derramada ao redor do Amalá. Cascas de frutas podem ser utilizadas como coitês, (maracujá, laranja, coco), para evitar a entrega de itens de plásticos, vidros ou ainda latas, desta forma fazendo uma entrega ecologicamente correta, ao preservar a natureza e não agredir o meio-ambiente.

Local da entrega: Na pedreira, ou sobre uma pedra grande e bonita, podendo ser entregue na campina, ao lado de um córrego, rio ou riacho ou clareira no meio da mata, de preferência sempre sobre uma pedra. (não deixe lixo na natureza, faça sua entrega respeitando o meio-ambiente).




quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Oração a Preto-velho

Saudação aos Pretos-Velhos  "Adorei às Almas!" "Saravá todos os Pretos e Pretas-velhos de Umbanda!" "Malembe as Almas!"  Defumação para Pretos-Velhos  Colocar no turíbulo, com brasa de carvão vegetal: açúcar cristal, bagaço de cana de açúcar, pó de café, mistura sagrada de quebra demanda. O mais utilizado é a defumação com incensos ou a erva seca, in-natura, de benjoim, alecrim, alfazema e guiné.  Amalá ou entrega para Pretos e Pretas-velhos  7 ou 14 velas branca e preta, tutu de feijão, feijão fradinho, doces naturais como cocada, rapadura, frutas – como banana, cerveja preta ou marafo (cachaça) com mel diluído, (se o médio ou afeitaste não bebe pode também oferecer água mineral), flores brancas, cachimbo, fumo ou cigarro de palha.  A comida pode ser entregue sobre uma folha de planta (folha de bananeira, por exemplo) e a cerveja, ou a bebida escolhida, derramada ao redor do Amalá. Cascas de frutas podem ser utilizadas como coitês, (maracujá, laranja, coco), para evitar a entrega de itens de plásticos, vidros ou ainda latas, desta forma fazendo uma entrega ecologicamente correta, ao preservar a natureza e não agredir o meio-ambiente.  Local da entrega: Na pedreira, ou sobre uma pedra grande e bonita, podendo ser entregue na campina, ao lado de um córrego, rio ou riacho ou clareira no meio da mata, de preferência sempre sobre uma pedra. (não deixe lixo na natureza, faça sua entrega respeitando o meio-ambiente).
Busto do Pai Maneco (Imagem intuitiva por Jimmi) - Photoshop por Ronald Sanson (Rio de Janeiro 2009)


"Preto Velho,
Mensageiro de Oxalá,
Bastão bendito de Zambi,
Obreiro de Obatalá;

Meu pensamento se eleva ao teu Espírito e peço Agô (licença),
Que tuas guias sejam o farol que norteia minha vida,
Que vossa pemba trace o caminho certo que devo seguir,
Que vossas palavras, tão cheias de compreensão e bondade, iluminem minha mente, meu coração e minha alma,
Que teu cajado me ampare em meus tropeços;

Ontem te curvastes aos senhores...
Hoje, ajoelho-me aos teus pés pedindo que intercedas junto a Oxalá por mim, por meus familiares e por todos que neste momento clamam por vós,
Maleme se cometi algum erro, derrame paz sobre meu lar para que eu também possa espalhar a luz divina de Obatalá pelo mundo;

Que o brado de todos os Orixás seja o sinal de vitória sobre todas as demandas de minha vida, protegei-me sempre,
Maleme as santas almas se no passado tropecei,
Malembe também para todos os meus inimigos, para que saiam do negrume da vingança e encontrem no Axé de Oxalá a fonte fecunda, clara do amor e caridade. Assim seja.

Saravá!"
Oração: Ronald Sanson

O Dia de Pretas e Preto-Velho é comemorado em 13 de maio


"Dia 13 de maio é dia de Preto-velho na Umbanda. Dia de comemorar com festa estas entidades que representam velhos negros e negras, Espíritos de antepassados. Velhos escravos que voltam à terra para ajudar as pessoas, e são muito queridos pelos fiéis."

Saudação aos Pretos-Velhos

"Adorei às Almas!"
"Saravá todos os Pretos e Pretas-velhos de Umbanda!"
"Malembe as Almas!"

Defumação para Pretos-Velhos

Colocar no turíbulo, com brasa de carvão vegetal: açúcar cristal, bagaço de cana de açúcar, pó de café, mistura sagrada de quebra demanda. O mais utilizado é a defumação com incensos ou a erva seca, in-natura, de benjoim, alecrim, alfazema e guiné.

Amalá ou entrega para Pretos e Pretas-velhos

7 ou 14 velas branca e preta, tutu de feijão, feijão fradinho, doces naturais como cocada, rapadura, frutas – como banana, cerveja preta ou marafo (cachaça) com mel diluído, (se o médium ou ofertante não bebe pode também oferecer água mineral pura ou café preto adoçado com açúcar mascavo ou cristal), flores brancas, cachimbo, fumo ou cigarro de palha.

A comida pode ser entregue sobre uma folha de planta (folha de bananeira, por exemplo) e a cerveja, ou a bebida escolhida, derramada ao redor do Amalá. Cascas de frutas podem ser utilizadas como coitês, (maracujá, laranja, coco), para evitar a entrega de itens de plásticos, vidros ou ainda latas, desta forma fazendo uma entrega ecologicamente correta, ao preservar a natureza e não agredir o meio-ambiente.

Local da entrega: Na pedreira, ou sobre uma pedra grande e bonita, podendo ser entregue na campina, ao lado de um córrego, rio ou riacho ou clareira no meio da mata, de preferência sempre sobre uma pedra. (não deixe lixo na natureza, faça sua entrega respeitando o meio-ambiente).


Oração antiga, de autoria desconhecida e em domínio público, adaptada em 26 de agosto de 2009 por Ronald Sanson Stresser, Jr
Página atualizada em 13 de maio de 2021 - Imagem: Pai Maneco (Jimmi) - Photoshop: Ronald Sanson (ao reproduzir cite a fonte)


quarta-feira, 13 de maio de 2009

Salve Nossa Senhora de Fátima! Saravá Pretos Velhos!

Há 92 anos foram reveladas as aparições Marianas em Fátima, Portugal. Maria surgiu no lugar da Cova da Iria e falou aos três pastorinhos, Lúcia, e seus primos Francisco Marto e Jacinta Marto. A primeira aparição foi em 13 de Maio e o fenômeno repetiu-se por diversas vezes até 13 de Outubro de 1917. No local das aparições foi construido o Santuário de Fátima, local de peregrinação bastante procurado pelos fiéis católicos e devotos de Nossa Senhora de Fátima.


ORAÇÃO:

"Santíssima Virgem, que nos montes de Fátima vos dignastes revelar a três pastorinhos os tesouros de graças contido na prática do vosso santo Rosário, incute profundamente em nossa alma o apreço em que devemos ter esta devoção, a vós tão querida, a fim de que, meditando os mistérios da redenção, que neles se comemoram, nos aproveitemos de seus preciosos frutos e alcancemos a graça... que vos pedimos, se for para maior glória de Deus e proveito de nossas almas. Assim seja."


Rezar: 1 Pai-nosso, 1 Ave-maria e 1 Glória ao Pai

"Meu Deus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisam."




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O 13 de maio no Brasil é especial também porque é Dia de Pretos Velhos. A existência destes maravilhosos seres de Luz é comemorada hoje em razão do aniversário da Lei Áurea; assinada em 13 de maio de 1888 pela Princesa Isabel, extinguindo a escravidão no Brasil. Lembremo-nos com muito carinho de todos os Pretos e Pretas velhas, nossos guias, que tanto trabalham pela evolução dos habitantes deste planeta. É uma data de reflexão para Umbanda. Axé!

"É preto, e preto, é
É do meu Gongá
É preto e preto,
Vamos todos Saravá."



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