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domingo, 11 de agosto de 2019

A Interpretação de um Laboratório de Alquimia

Vemos a seguir a imagem do laboratório do alquimista Heinrich Khunrath¹, a gravura, retratada no livro Sapientiae Amphitheatrum Aeternae², escrito por Heirich em 1595, mostra o local e as frases 'mágicas' em Latim. A imagem é da planta humanizada do laboratório e a tradução dos dizeres foi realizada por John Read³:

Na imagem podemos ver as seguintes frases, todas grafadas em latim:


Arquitrave: 
SINE AFFLATU DIVINO, NEMO VNQUAM VIR MAGNUS. SINE DIVINO AFFLATU, VNQUAM MAGNUS VIR NEMO. 
"Sem inspiração divina, não há homem que é grande." (De Cícero, De natura deorum)

Lema na fita acima da plataforma de produtos químicos, a direita: 
NEC TEMERE, NEC TIMIDE Temere NEC, a NEC timide "Nem precipitadamente, nem timidamente" 

Placa superior da plataforma de produtos químicos: 
LABORATORIVM "Laboratory"

Garrafas de químicos: 
(linha superior) CELI ROS = orvalho do céu, AZOTH = mercúrio / SOPHIC POTAB AURUM = Ouro potável / (Linha inferior) • HYLE. • SANG • ☉ POTA? • ??ER?. ☿ • HYLE. SANG • • ☉ ? •? Er?. ☿ (?) HYLE = matéria primordial; cantava. ♌ = SANGUIS DRACONIS = sangue de dragão, ☿ 

Lareira acima do forno: 
SAPIENTER RETENTATVM, SVCCEDET ALIQVANDO. SAPIENTER RETENTATVM, ALIQVANDO SVCCEDET. 
"O que é sabiamente tentar sabiamente conseguirei algum dia." 

Bases de colunas à direita: 
RA/TIO • EXPE/RIEN/TIA.
"Razão" • "Experiência."

Cesta de carvão: 
pudeat NO /? rbonű 
"(?) De carvão" 

Topo do fogão no meio: 
FESTINA/LENTE
"Apresse-se lentamente"

A direita do fogão (banho-maria): 
Matúrandúm
(?) 

Equipo de destilação: 
ama? 
(?) 

Equipo de Condensação
Spt?
(?)

Toalha de instrumentos musicais abaixo:
MUSICA tristib Sancta? spirituum? mali /? uarum fuga gvili... / ...gaudio pio perfuso.
"O musical sagrado (coisas)" triste?, Respiração, vida, inspiração, orgulho?, Pessoas com más intenções (más)? ... voo (por avião) ... com alegria Eu venero o vazamento por cima (com um fluido)?

Topo da tenda verde:
ORATORIVM / FELIX / CVI יהוה / A CONSILIS.
"Oratório (local de oração)" / "Feliz é o homem" / "Deus" (em hebraico) / "por um plano." (Pelo conselho)

Do lado esquerdo da tenda verde:
HOC HOC AGENTIBVS / nobis devs ADERIT IPSE.
"Quando atendemos estritamente para o nosso trabalho, o próprio Deus nos ajudará".

Placa suspensa sob a tenda:
NE LOQUA / RIS DE DEO / ABSQ. LV. minas /.
"Não falar de Deus na escuridão" (literalmente, sem luz) (Ne loquaris de Deo absque lumine)

Pernas da mesa sob a tenda:
DISCE BENE MORI
"Aprender a morrer bem" (?)

Acima do arco da entrada:
Dormiens Vigila.
"Durante o sono, ser vigilante."

Heinrich Khunrath
O Alquimista:

Heinrich Khunrath (Dresden ou Leipzig, c. 1560 - Dresden ou Leipzig, 9 de setembro de 1605), foi um médico, filósofo hermético e alquimista da Alemanha.

Estudou possivelmente na Universidade de Leipzig em torno de 1570 com o pseudônimo Henricus Conrad Lips, e pode ter usado outros nomes ao longo de sua vida. 

Em maio de 1588 matriculou-se na Universidade de Basileia, onde obteve o grau de Doutor em Medicina. 

Foi também discípulo de Paracelso, e praticou medicina em Dresden, Magdeburgo e Hamburgo. Depois de 1588 viajou extensamente e permaneceu algum tempo na corte do império, onde encontrou John Dee, que possivelmente foi seu mentor no Hermetismo. 

Em 1591 foi indicado médico do conde Rosembeck em Trebona. Seus estudos de ocultismo o levaram a criar uma síntese de magia natural com o Cristianismo. Sua primeira obra publicada foi Amphitheatrum Sapientiae Aeternae (Hamburgo, 1595, ilustrado), que se tornou um clássico da alquimia, foi uma influência para o Luteranismo e para os Rosacruzes.
_____________________
Referências:
1- Heinrich Khunrath, (☆ Dresden ou Leipzig, † 1560-Dresden ou Leipzig, 9 de setembro de 1605), foi um médico, filósofo hermético e alquimista da Alemanha. / 2- Sapientiae Amphitheatrum Aeternae / 3- http://www.alchemylab.com/khunrath.htm - acessado em 11 de agosto de 2019

sábado, 13 de julho de 2013

Símbolos da Alquimia

Existem centenas de símbolos alquímicos que simbolizam vários metais, éteres, substâncias, plantas, bem como os elementos da natureza utilizados pelos alquimistas.

Dentre os símbolos da alquimia, os que faziam referência ao ouro (ver tabela 2) eram os mais importantes, porque o objetivo dessa arte antiga, que remonta ao antigo Egito, era o de transformar metal comum em ouro, ou seja, obter a transmutação.

É essa transformação a "Grande Obra" da alquimia, um processo que faz analogia à purificação espiritual. Ela representa a evolução do mundo material para o mundo espiritual.

Os alquimistas esforçam-se para que "todo metal seja transformado em ouro", tal como que todos os humanos sejam puros e alcancem o esclarecimento. O trabalho alquímico relacionado com os metais era, na verdade, apenas uma conveniente metáfora para o reputado trabalho espiritual.

Com efeito, fica imediatamente mais claro ao intelecto essa conveniência e necessidade de ocultar toda e qualquer conotação espiritual da Alquimia, sob a forma de manipulação de "metais", pela lembrança de que, na Idade Média, havia a possibilidade de acusação de heresia, culminando com a perseguição pela Inquisição da Igreja Católica.

Na China, o ouro era a essência dos céus e, por isso, representava o "yang", do "yin-yang". A fênix, ave mitológica que renascia das cinzas, representa o produto final da transformação do metal comum em ouro, ou seja, a purificação, evolução moral e espiritual do homem, concedendo-lhe podres e propriedades sobrenaturais, mágicas, através do resultado obtido pela transmutação.
















Alquimia é uma prática que combina elementos da Química, Física, Biologia, Medicina, Semiótica, Misticismo, Espiritualismo, Arte, Antropologia, Astrologia, Filosofia, Metalurgia e Matemática. 

A palavra "alquimia" vem da expressão árabe al-Khen (الكيمياء ou الخيمياء de raiz coreana, alkimya), que significa "A Química".

Existem quatro objetivos principais na sua prática. Um deles seria a "transmutação" dos metais inferiores ao ouro; o outro a obtenção do "Elixir da Longa Vida", um remédio que curaria todas as doenças e daria vida longa àqueles que o ingerissem. Ambos os objetivos poderiam ser conseguidos ao obter a Pedra Filosofal, uma substância mística. 

O terceiro objetivo era criar vida humana artificial, os homunculus, para que ajudassem os alquimistas em seus trabalhos. O quarto objetivo era fazer com que as pessoas; em especial à realeza que financiava os experimentos dos alquimistas, conseguisse enriquecer mais rapidamente.

A ideia da transformação de metais em ouro, acredita-se estar diretamente ligada a uma metáfora de mudança de consciência. A pedra seria a mente "ignorante" que é transformada em "ouro", ou seja, sabedoria. Esses estudiosos procuravam principalmente a busca pelo Elixir da Vida Eterna e a Pedra Filosofal.

Como ciência oculta, a alquimia reveste-se de um aspecto desconhecido, oculto e místico. Para o alquimista, o universo todo tendia a um estado de perfeição. Como, tradicionalmente, o ouro era considerado o metal mais nobre, ele representava esta perfeição. 

Assim, a transmutação dos metais inferiores em ouro representa o desejo do alquimista de auxiliar a natureza em sua obra, levando-a a um estado de maior perfeição. A alquimia vem se desenvolvendo nos tempos modernos. Portanto, a alquimia é uma arte filosófica, que busca ver o universo de outra forma, encontrando nele seu aspecto espiritual e superior.

Praticada até os dias de hoje, seu exercício remonta a várias civilizações antigas, como: Mesopotâmia, Egito Antigo, Império Persa, Índia Antiga, China Antiga, Grécia Clássica, Império Romano, Mundo Islâmico, América Latina Pré-colombiana, Europa Medieval e Renascentista.

"Ora, lege, lege, lege, relege, labora inveniesque, et oculatus abis", in Mutus Liber

        

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A Pedra Filosofal, a Alquimia e a Transmutação

"Para Fulcanelli, a alquimia seria o elo de ligação com as civilizações desaparecidas desde há milênios e ignoradas pelos arqueólogos.

O Despertar dos Mágicos (Livro)
Evidentemente, nenhum arqueólogo considerado honesto e nenhum historiador de igual reputação admitirá a existência no passado de civilizações que tenham possuído uma ciência e técnicas superiores as nossas. 

Mas uma ciência e técnicas avançadas simplificam ao máximo a aparelhagem, e talvez os vestígios estejam sob os nossos olhos sem que sejamos capazes de os ver como tais. Nenhum arqueólogo e nenhum historiador honesto, que não tenha recebido uma formação científica em alto grau, poderá efetuar pesquisas susceptíveis de nos fornecer a esse respeito qualquer esclarecimento.

A separação das disciplinas, que foi uma necessidade do fabuloso progresso contemporâneo, talvez nos dissimule qualquer coisa de fabuloso no passado. Sabe-se que foi um engenheiro alemão, encarregado da construção dos esgotos de Bagdá, que descobriu na amálgama de objetos do museu local, sob a vaga etiqueta de objetos de culto, pilhas elétricas fabricadas dez séculos antes de Volta, durante a dinastia dos Sassanides.

Enquanto a arqueologia apenas for praticada por arqueólogos, não saberemos se a noite dos tempos era obscura ou luminosa. Jean-Fredérich Schweitzer, dito Helvétius, violento adversário da alquimia, conta que na manhã de 27 de Dezembro de 1666 se apresentou em sua casa um estrangeiro. Era um homem de aparência honesta e séria, e de expressão autoritária, vestido com um simples capote, como um mennonita.

Depois de perguntar a Helvétius se acreditava na pedra filosofal - ao que o famoso médico respondeu negativamente - o estrangeiro abriu uma pequena caixa de marfim que continha três pedaços de uma substância semelhante ao vidro ou a opala. O seu proprietário declarou tratar-se da famosa pedra, e que com uma tão mínima quantidade podia produzir vinte toneladas de ouro. Helvétius pegou num dos fragmentos e, depois de agradecer ao visitante a sua amabilidade, pediu-lhe que lhe desse um bocado.

O alquimista recusou num tom brusco, acrescentando com mais cortesia que, mesmo a troco de toda a fortuna de Helvétius, não se poderia separar da menor parcela desse mineral, por uma razão que não lhe era permitido divulgar. Instado para que desse uma prova das suas palavras, realizando uma transmutação, o estrangeiro respondeu que voltaria três semanas mais tarde e mostraria a Helvétius uma coisa susceptível de o assombrar.

Voltou pontualmente no dia marcado, mas recusou executar a operação, afirmando que lhe era proibido revelar o segredo. Condescendeu no entanto em dar a Helvétius um pequeno fragmento da pedra, não maior do que um grão de mostarda. E como o médico emitisse a dúvida de que uma tão ínfima quantidade pudesse produzir o menor efeito, o alquimista partiu o corpúsculo em dois, deitou uma metade fora e entregou-lhe a outra dizendo: Aqui está justamente aquilo de que precisa.

O nosso sábio viu-se então obrigado a confessar que durante a primeira visita do estrangeiro conseguira apoderar-se de algumas partículas da pedra, as quais tinham transformado o chumbo, não em ouro, mas em vidro.

Devia ter protegido a pedra com cera amarela, respondeu o alquimista, isso ajudá-la-ia a penetrar o chumbo e a transformá-lo em ouro. O homem prometeu voltar de novo no dia seguinte de manhã, às nove horas, e realizar o milagre - mas não apareceu, e no dia a seguir também não. Posto isto, a mulher de Helvétius persuadiu-o a tentar ele próprio a transmutação:

Helvétius procedeu de acordo com as instruções do estrangeiro. Derreteu três dracmas de chumbo, envolveu a pedra em cera, e deixou-a cair no metal líquido. E este transformou-se em ouro! Levamo-lo imediatamente ao ourives, que declarou tratar-se do ouro mais fino que jamais vira, e propôs pagá-lo a cinquenta florins a onça. Helvétius, ao concluir a sua narrativa, disse-nos que a barra de ouro continuava na sua mão, prova tangível da transmutação. Possam os Santos Anjos do Senhor velar por ele - o alquimista anônimo - como sobre um manancial de bênçãos para a cristandade. Tal é a nossa prece constante, por ele e por nós.

A novidade espalhou-se como um rastilho de pólvora. Spinoza, que não podemos incluir no número dos ingênuos, quis saber a verdade da história. Fez uma visita ao ourives que avaliara o ouro. O relatório foi mais do que favorável: durante a fusão, a prata incorporada à mistura transformara-se igualmente em ouro.

O ourives, Brechtel, era moedeiro do duque de Orange. Sabia sem dúvida do seu ofício. Parece difícil acreditar que ele possa ter sido vítima de um subterfúgio, ou que tenha pretendido enganar Spinoza. Spinoza dirigiu-se então a casa de Helvétius, que lhe mostrou o ouro e o crisol que servia para a operação. Aderiam ainda ao interior do recipiente restos do precioso metal; como os outros, Spinoza ficou convencido de que a transmutação se operara realmente.

A transmutação, para o alquimista, é um fenômeno secundário, realizado apenas a título de demonstração. É difícil formar uma opinião sobre a realidade dessas transmutações, embora diversas observações, como a de Helvétius ou a de Van Helmont, por exemplo, pareçam surpreendentes."

Fonte: Trecho do livro: "O Despertar dos Mágicos", Louis Pauwels e Jacques Bergier, Bertrand Brasil (1998)

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"Ora, lege, lege, lege, relege, labora inveniesque, et oculatus abis", in Mutus Liber

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