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sábado, 30 de janeiro de 2021

André Luiz: 'Preceitos de Saúde'

André Luiz: 'Preceitos de Saúde'

"Guarde o coração em paz, à frente de todas as situações e de todas as coisas. - Todos os patrimônios da vida pertencem a Deus.

Apóie-se no dever rigorosamente cumprido. - Não há equilíbrio físico sem harmonia espiritual.

Cultive o hábito da oração. - A prece é luz na defesa do corpo e da alma.

Ocupe o seu tempo disponível com o trabalho proveitoso, sem esquecer o descanso imprescindível ao justo refazimento. - A sugestão das trevas chega até nós pela hora vazia.

Estude sempre. - A renovação das ideias favorece a sábia renovação das células orgânicas.

Evite a cólera. - Enraivecer-se é animalizar-se, caindo nas sombras de baixo nível.

Fuja à maledicência. - O lodo agitado atinge a quem o revolve.

Sempre que possível, respire a longos haustos e não olvide o banho diário ainda que ligeiro. - O ar puro é precioso alimento e a limpeza é simples obrigação.

Coma pouco. - A criatura sensata come para viver, enquanto a criatura imprudente vive para comer.

Use a paciência e o perdão infatigavelmente. - Todos nós temos sido caridosamente tolerados pela Bondade Divina milhões de vezes e conservar o coração no vinagre da intolerância é provocar a própria queda na morte inútil."


Chico Xavier e André Luiz, em "Aulas da Vida" (Capítulo 12)


Fonte: Capítulo 12 do livro "Aulas da Vida", por Francisco Cândido Xavier e Espíritos Diversos - Imagem: Mohamed Hassan/1403 images, sob licença gratuita PH - PxHere (Adicionado o título da postagem por e-magia) - Observação: os Bons Espíritos, através do magnetismo, exercem poderoso efeito benéfico sobre nossa saúde física, mental e principalmente à saúde espiritual, que está diretamente ligada à saúde do corpo - mas cabe lembrar sempre que o Espiritismo é amigo da ciência. Se você sentir algum problema, sintoma, ou disfunção com respeito à sua saúde física ou psíquica é sempre recomendado que procure um médico ou serviço de saúde. Paz, Luz e Bem!



sábado, 23 de maio de 2020

A verdade que fere é pior que a mentira que consola?

"Interagir nos grupos a que pertencemos significa se comunicar, e na comunicação ou falamos a verdade ou falamos a mentira.

Vários podem ser os motivos que nos levam a mentir, até mesmo querer ser cordial ou evitar aborrecer outras pessoas. 

Mas seria legal mentir para que a outra pessoa não fique chateada?

A mentira, mesmo a mentira que consola, faz a outra pessoa interpretar que tudo vai bem, e que, portanto, nada precisa ser reformado. É como se lhe tirassem o direito ao raciocínio, fazendo-a estagnar em seu processo evolutivo.

Jesus ensinou que somente a verdade pode nos libertar dos sofrimentos¹. A verdade nos permite conhecer a realidade e raciocinar as soluções que realmente cabem nas questões que a vida nos apresenta, superando obstáculos e seguindo em frente.

Mesmo que cause desconforto, a verdade não é ruim. Embora nem sempre seja aceita pela outra pessoa, por despertar-lhe a consciência e solicitar-lhe a reforma, é nosso dever moral não faltar com a verdade. Ela deve ser dita sempre.

Mas a verdade só resultará no bem se formos cuidadosos. Primeiro, quanto ao modo de revelar a verdade, recordando outra lição de Jesus: a de sermos brandos e pacíficos². É preciso moderação, mansuetude, afabilidade e paciência.

Depois, precisamos tomar cuidado com a dose de verdade que cada um já consegue suportar. Para isso precisamos ter sensibilidade, compreensão e compaixão. Tal como nós, cada um tem uma capacidade relativa de compreender o que lhe diz respeito. A verdade deve ser dita na medida certa, se necessário em doses homeopáticas.

Esses cuidados são muito importantes para que a verdade não fira, deixando de ser um bem. A verdade que fere é pior que a mentira que consola, porque é uma causa de desequilíbrio e sofrimento para a outra pessoa, muitas vezes de longa e difícil recuperação.


A verdade deve ser dita com naturalidade, sem excessos de emoção ou informação. Jesus ensinou que o nosso falar deve ser “sim, sim; não, não”, e o que passa disso é prejudicial.³

Sábias são as palavras uma vez psicografadas por Chico Xavier: “no mundo, a fórmula para se encontrar a felicidade, com esplendor, é uma gota de verdade, dentro de um litro de amor”."

Referências: 1 - João, cap. 8, versículo 32; 2 - Mateus, cap. 5, versículo 5. O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 9; 3 - Mateus, cap. 5, versículo 37.
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Fonte: "Verdade que fere e mentira que consola" - Site do "Grupo Beneficente José Nunes Feller" (reprodução) - Imagem: Placas indicando caminhos: "Verdade" e "Mentira" - editada da internet, meramente ilustrativa.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Chico Xavier e a humildade



"Estávamos – diz Adelino Silveira – na residência do Chico. Seu estado de saúde não lhe permitia deslocar-se até o Centro.

A multidão se comprimia lá na rua em frente.

Quando o portão se abriu, a fila de pessoas tinha alguns quarteirões. Foram passando uma a uma em frente ao Chico. Pessoas de todas as idades, de todas as condições sociais e dos mais distantes lugares do País. Algumas diziam:

– Eu só queria tocá-lo...
– Meu maior sonho era conhecê-lo...
– Só queria ouvir sua voz e apertar sua mão.

Uns queriam notícias de familiares desencarnados, espantar uma idéia de suicídio. Outros nada diziam, nada pediam, só conseguiam chorar.

Com uma simples palavra do Chico, seus semblantes se transfiguravam, saíam sorridentes. Ao ver as pessoas ansiosas para tocá-lo, a interminável fila, a maneira como ele atendia a todos fiquei pensando: “Meu Deus, a aura do Chico é tão boa... seu magnetismo é tão grande, que parece que pulveriza nossas dores e ameniza nossas ansiedades”.

De repente, ele se volta para mim e diz:

– Comove-me a bondade de nossa gente em vir visitar-me. Não tenho mais nada para dar. Estou quase morto. Por que você acha que eles vêm?

Perguntou-me e ficou esperando a resposta.


Aí, pensei: Meu Deus, frente a um homem desses, a gente não pode mentir nem dizer qualquer coisa que possa vir ofender a sua humildade (embora ele sempre diga que nunca se considerou humilde). Comecei então a pensar que quando Jesus esteve conosco, onde quer que aparecesse, a multidão o cercava.

Eram pessoas de todas as idades, de todas as classes sociais e dos mais distantes lugares. Muitos iam esperá-lo nas estradas, nas aldeias ou nas casas onde Ele se hospedava. Onde quer que aparecesse, uma multidão o cercava. Tanto que Pedro lhe disse certa vez: “Bem vês que a multidão te comprime”.

Zaqueu chegou a subir numa árvore somente para vê-lo. Ver, tocar, ouvir era só o que queriam as pessoas. Tudo isso passou pela minha cabeça com a rapidez de um relâmpago. E como ele continuava olhando para mim esperando a resposta, animeime a dizer:

– Chico, acho que eles estão com saudades de Jesus.

Palavras tiradas do fundo do coração, penso que elas não ofenderam sua modéstia.

A multidão continuou desfilando. Todos lhe beijavam a mão e ele beijava a mão de todos. Lá pelas tantas da noite, quando a fila havia diminuído sensivelmente, percebi que seus lábios estavam sangrando. Ele havia beijado a mão de centena de pessoas. Fiquei com tanta pena daquele homem, nos seus oitenta e oito anos, mais de setenta dedicados ao atendimento de pessoas, que me atrevi a lhe perguntar:

– Por que você beija a mão deles?

A humildade de sua resposta continuará emocionando-me sempre:

– Porque não posso me curvar para beijar-lhes os pés."

(Do livro “Momentos com Chico Xavier”, de Adelino da Silveira.1ª ed. 1999.)


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

"Não resistais ao maligno", por Huberto Rohden



"É esta, certamente, uma das palavras mais enigmáticas do Mestre Nazareno, das menos compreendidas e ainda menos praticadas, sobretudo no ocidente cristão, essencialmente violentista. 

No número de abril de 1959, da célebre revista mensal “Stimmen der Zeit”, dos padres jesuítas alemães, aparece um artigo, da autoria do jesuíta P. Hirschmann, provando que a guerra atômica pode ser lícita, no caso de que seja necessária para salvar o Cristianismo sobre a face da terra. No mesmo sentido escreve o jesuíta P. Gundlach, que foi conselheiro espiritual do Papa Pio XII, afirmando que a guerra atômica, e mesmo a extirpação de um povo inteiro (naturalmente a Rússia!) é não somente lícita, mas pode até ser dever de consciência, no caso que esse povo seja um impedimento para o triunfo do Cristianismo.

O que inspira semelhantes monstruosidades, oficialmente aprovadas pela respectiva igreja, é a clamorosa confusão entre “Cristianismo” e “Cristo”. Por “Cristianismo” entendem esses autores uma determinada organização eclesiástica, engendrada, através dos séculos, por hábeis teólogos e devidamente codificada pelos chefes hierárquicos dessa sociedade eclesiástica. A fim de preservar da destruição essa orgarnização político-financeiro-clerical apregoam esses homens a liceidade da destruição do espírito do Cristo, que em hipótese alguma aprovaria a morte de um único ser humano, menos ainda a extinção de muitos milhões de inocentes, a fim de salvar o reino de Deus. Como se pode salvar o verdadeiro Cristianismo, que é o reino de Deus, destruindo-o radicalmente pela matança em massa?

Por onde se vê que esses doutores em teologia eclesiástica são perfeitos analfabetos na suprema sabedoria do Sermão da Montanha, e do Evangelho do Cristo em geral.

O gentio Mahatma Gandhi, não permitindo a morte de um só homem para libertar a Índia, compreendia mil vezes melhor o espírito do Cristo do que esses chamados “cristãos”, razão por que declarava a todos os missionários do ocidente que procuravam convertê-lo ao Cristianismo: “Aceito o Cristo e seu Evangelho - não aceito o vosso Cristianismo “Não resistais ao maligno!”...

Nenhuma igreja, nenhum Estado cristão aceitou, até hoje, essa doutrina do divino Mestre. Todos praticam violência, por sinal que todas as sociedades, civis e eclesiásticas, se guiam, até hoje, pela lei de Talião, estabelecida por Moisés, “olho por olho, dente por dente”. Aliás, parece mesmo que uma sociedade organizada não pode guiar-se pelo espírito do Evangelho do Cristo, porque qualquer sociedade organizada é baseada sobre o egoísmo, que aprova a violência; parece que só um indivíduo pode ser realmente crístico, não violentista.

A sociedade tem determinados estatutos, leis, parágrafos jurídicos, que implicam sanção, isto é, violência, punição aos infratores dos estatutos jurídicos da sociedade. Sendo que toda a sociedade é produto da inteligência, e a inteligência é, essencialmente, egoísta, não pode haver uma sociedade não-egoísta, não-violentista. Se Mahatma Gandhi conseguiu libertar a Índia com ahimsa (não-violência) foi unicamente porque, ao redor dele, havia numerosos indivíduos firmemente alicerçados na mesma verdade, como concebeu o próprio Presidente Nehru, e não porque a sociedade como tal se guiasse pelo princípio altruísta da ahimsa. Toda e qualquer sociedade, como sociedade, pratica necessariamente himsa (violência), sob pena de se destruir a si mesma, não fazendo valer as suas leis; só um indivíduo pode praticar ahimsa, não pagando mal com mal, mas pagando o mal com o bem, amando aos que o odeiam.

“Não resistir ao maligno” é, pois, uma ordem que visa diretamente o indivíduo em vias de cristificação. Uma sociedade, sendo fundamentalmente egoísta, nunca pode ser crística, embora possa dizer-se cristã, isto é, egoísta envernizada de Cristianismo.

Nenhuma sociedade organizada pode abrir mãos dos seus “direitos”, sob pena de cometer suicídio, ela só existe em virtude dos seus “direitos”; o direito, porém, é uma forma de egoísmo, e egoísmo gera violência. Só se a sociedade abdicasse dos seus “direitos”, tudo endireitaria; mas, enquanto ela faz valer os seus “direitos”, tudo está torto.

O contrário do “direito” é a “justiça”, que é praticamente idêntica ao amor. A “justiça”, no sentido bíblico, é invariavelmente a “justeza”, o perfeito “ajustamento”, a harmonia entre o indivíduo e o Universal, entre o homem e Deus, entre a criatura finita e o Criador Infinito. Essa justiça, porém, é o perfeito amor, como aparece no “primeiro e maior de todos os mandamentos”, enunciado por Jesus.

No frontispício do Fórum da cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, se acham gravadas estas palavras do jurista-filósofo Cícero: “Summum jus - Sumida injuria” (o supremo direito é a suprema injustiça). Quem reclama todos os seus direitos pessoais, age em nome de seu ego, que é necessariamente egoísta; mas quem pratica a justiça, age em nome da Constituição Cósmica do Universo, age em nome da própria alma do Universo, que é Deus; age, em nome do amor cósmico, que é a voz do divino Eu no homem.

Quem apela para seus “direitos” age em nome do ego, que é violentista.

Quem apela para a “justiça” age em nome do Eu, que não é violentista.

“Não resistir ao maligno” é, pois, um apelo para o divino Eu no homem, e não para seu humano ego.

Há, na legislação mosaica, uma matemática estranha: supõe que uma violência se neutralize com outra violência. Se alguém me arranca um olho ou quebra um dente, e eu lhe arrancar também um olho e quebrar um dente, estamos quites; porque cobrei do meu devedor uma dívida em aberto. Na realidade, porém, não estamos quites, nem eu nem ele, porque um negativo dele mais um negativo meu dão dois negativos; quer dizer que nós dois, meu ofensor e eu, ofensor dele, criamos dois males no mundo; e, como a segunda ofensa exige uma terceira, da parte dele, e essa reclama uma quarta ofensa, da minha parte, e assim por diante, numa indefinida “reação em cadeia” - é claro que nós dois, o ofensor de lá e o ofensor de cá, vamos piorando o mundo cada vez mais, enchendo-o de negativos e mais negativos.

Contra essa falsa matemática de Moisés opõe Jesus a verdadeira matemática, absolutamente lógica e racional, afirmando que o negativo (mal) só se neutraliza pelo positivo (bem), e que o único modo de melhorar o mundo e a humanidade é pelo processo de: 1) não resistir ao mal; 2) de opor o bem ao mal. O meu positivo oposto ao negativo do meu ofensor neutraliza esse negativo, e o resultado é zero; mas, se eu opuser ao negativo do ofensor não apenas um positivo (um bem), porém muitos - digamos 10 - neste caso não somente neutralizei 0 negativo (mal) dele, mas ainda há um superavit de positivos, isto é, enriqueci a humanidade de bens positivos.

Mahatma Gandhi - precisamente por ser mabatma, “grande alma” - compreendeu e praticava admiravelmente essa matemática espiritual do Evangelho do Cristo, dando à não-resistência o nome sânscrito de ahimsa e à política benevolente para com o ofensor o nome de satyagraha (apego à verdade), ou seja amor, justiça cósmica.

Naturalmente, para que alguém possa praticar essa não-violência e essa benevolência, tem de passar por uma profunda experiência mística sobre a sua verdadeira natureza, e não se identificar com seu ego físico-mental-emocional."

Fonte: Huberto Rohden, em "O SERMÃO DA MONTANHA", pg 17 - Imagem gratuita: www.imagick.org.br



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