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sábado, 24 de março de 2012

Eu sou humano, e você?

Amo as mulheres, amor verdadeiro, desinteressado e sem pisar em campo minado pela paixão. O coração não sente, bate; o espírito vê, ouve e ama... o amor puro é racional e está erigido sobre a rocha firme de Xangô. O pulso ainda pulsa, alimentando a vida, que é o que tod@s temos inegavelmente em comum neste momento.

As sete encruzilhadas da psiquê humana podem ser apenas cruzamentos pelos quais passamos batidos, seguindo aquele Odu que nos foi concedido, ou armadilhas que podem nos atrair para fora do caminho do meio, que é o único caminho. Tenho profunda consideração pelas mulheres desta época em que vivemos, pois elas além de conquistarem espaço estão se mostrando mais equilibradas que os homens.

Outrora a mulher era tida como desequilibrada, era subestimada e a corrente sexista, a mesma que execrou Maria Madalena do livro cristão, imperou tiranamente por séculos. Diziam os hipócritas; pioneiros da privatização da fé que reflete o atual sistema religioso de consumo massivo: 'queimem as bruxas!'. Mas elas só queriam dançar nuas, em harmonia com a natureza a qual cultuamos, não eram 'bruxas' foram revolucionárias.

A mulher tem espírito revolucionário por natureza, enquanto nós homens temos a missão de resgatar o mesmo apreço que elas tem pela vida, pois nem todos somos dotados da percepção de um mundo só, unido pelo Espírito. As distrações são muitas, mas a fé pura é uma só. O papel do homem, de verdade, hoje, é equilibrar a relação entre os sexos, sem se submeter ou se deixar ser dominado.

Oxalá não tem sexo, anjos não tem sexo, se nós temos é porque Zambi quer que a gente aprenda, até voltar a ser um só. Se o homem acaba onde está o firmamento e a mulher começa ali mesmo refletindo as coisas do céu, quando olhamos do espaço, do vácuo onde não há vida corpórea, o homem que é as coisas da Terra e a mulher que é as coisas do Céu são um só, um único organismo vivo viajando pelo espaço e pelo tempo, carregando a mesma alma que um dia irá voltar para onde veio, reintegrando-se ao Criador.

'Prazer da pura percepção, sejam os sentidos a crítica da razão' e seja a razão purificadora dos sentidos. Antes de sermos homens ou mulheres, somos humanos, o sexo é apenas uma fórmula encontrada pela natureza para reprodução da espécie. Para alcançar Olorum ainda teremos que nos multiplicar muito, infinitamente, pois o número dele não tem começo ou fim, é infinito.

Se no astral houvesse moeda e os que lá vivem a acumulassem, como fazemos virtualmente e por escolha própria aqui na Terra, tem muito espírito que daria tudo o que tem pra encarnar aqui. O homem que se espelha na mulher, sem confundir as coisas da terra com as coisas do céu, vive com os pés no chão e a cabeça no ar.

O homem que não se espelha na mulher ou quer virar mulher, bate a cabeça no chão e vai enrolando, porque não conhece o Pai.

Por isso saravo Xangô na pedreira, ao passo que aprendi a também saravar Xangô no cemitério. Saravo Yansã a cada movimento involuntário da respiração que me traz o ar da vida, ao passo que também saravo Yançã na calunga, onde quem respira é a alma enquanto o ar dissipa e desintegra as coisas da matéria. Saravo Omolú, porque debaixo da vestimenta de palha da costa está a luz pura, da criação, a mesma luz que criou o mundo, Oxalá!

No dia que homens e mulheres puderem ver esta luz sem se tornar cegos, voltaremos a ser um só. Quando chegar a uma encruzilhada, na dúvida entre virar a esquerda ou a direita, não pare no meio dela, siga adiante! Mulheres, somos todos homens; homens, somos todos mulheres. Eu amo vocês!


p.s. o texto não é meu; seria hipocrisia revindicá-lo como autoria exclusiva minha... ergo, sou apenas uma palavra, ao passo que tod@s nós, junt@s, somos o texto

(agradeço ao café com quindim pela presença de espírito!)

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