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sábado, 19 de fevereiro de 2022

Emmanuel: 'Benevolência em Ação'

"Usa a benevolência tanto quanto puderes, recordando que todos somos necessitados de tolerância.  Ainda mesmo em se tratando de nós outros, os companheiros desencarnados, estamos ainda em áspera luta, por dentro de nós mesmos, buscando a luz do autoaperfeiçoamento.  Muito longe da condição angélica, todos nos amontoamos no pátio das necessidades espirituais, contando com o amparo e a compreensão uns dos outros, a fim de conseguirmos atingir a solução de nossos problemas.  Por isto mesmo, conscientes de nossas próprias realidades, quando estivermos com a palavra em casa, na rua, nos diálogos de serviço ou nos cenáculos da fé, aprendamos a esquecer o mal semeando o bem, para que o bem se fixe entre nós.  Não te reportes a conflitos, a fim de que a paz se estabeleça.  Não condenes os irmãos que suponhas caídos na estrada, porque não sabes se amanhã estarás nas dificuldades em que se encontram.  Desfaze-te de qualquer ideia de racismo e separação, para que a fraternidade te ilumine os pensamentos.  Abstém-te de cultivar ressentimentos e ódios, para que o amor não se te mantenha distante do próprio ambiente.  Evita salientar a delinquência e a crueldade, de modo a que não se te transforme o verbo nessa ou naquela indução infeliz, em algum dos cérebros que te escutam.  Sejamos irmãos uns dos outros, respeitando os opositores que, porventura, não nos compreendam.  E se observarmos irmãos positivamente errados, anotemos as qualidades nobres que já possuem e procuremos vê-los ou interpretá-los através do melhor que nos apresentem, lembrando-nos de que o amor infinito de Deus nos tolera a todos, doando-nos, a cada um, a bênção do tempo, dentro da qual, seguindo de prova em prova e de experiência em experiência, ser-nos-á possível adquirir o passo firme e certo na conquista da perfeição." - Emmanuel

"Usa a benevolência tanto quanto puderes, recordando que todos somos necessitados de tolerância.

Ainda mesmo em se tratando de nós outros, os companheiros desencarnados, estamos ainda em áspera luta, por dentro de nós mesmos, buscando a luz do autoaperfeiçoamento.

Muito longe da condição angélica, todos nos amontoamos no pátio das necessidades espirituais, contando com o amparo e a compreensão uns dos outros, a fim de conseguirmos atingir a solução de nossos problemas.

Por isto mesmo, conscientes de nossas próprias realidades, quando estivermos com a palavra em casa, na rua, nos diálogos de serviço ou nos cenáculos da fé, aprendamos a esquecer o mal semeando o bem, para que o bem se fixe entre nós.

Não te reportes a conflitos, a fim de que a paz se estabeleça.

Não condenes os irmãos que suponhas caídos na estrada, porque não sabes se amanhã estarás nas dificuldades em que se encontram.

Desfaze-te de qualquer ideia de racismo e separação, para que a fraternidade te ilumine os pensamentos.

Abstém-te de cultivar ressentimentos e ódios, para que o amor não se te mantenha distante do próprio ambiente.

Evita salientar a delinquência e a crueldade, de modo a que não se te transforme o verbo nessa ou naquela indução infeliz, em algum dos cérebros que te escutam.

Sejamos irmãos uns dos outros, respeitando os opositores que, porventura, não nos compreendam.

E se observarmos irmãos positivamente errados, anotemos as qualidades nobres que já possuem e procuremos vê-los ou interpretá-los através do melhor que nos apresentem, lembrando-nos de que o amor infinito de Deus nos tolera a todos, doando-nos, a cada um, a bênção do tempo, dentro da qual, seguindo de prova em prova e de experiência em experiência, ser-nos-á possível adquirir o passo firme e certo na conquista da perfeição."


Chico Xavier e Emmanuel
Capítulo 13, do livro 'Paz'


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais


quarta-feira, 3 de junho de 2020

"Oh! Desperta! Sê consciente!", por Rabindranath Tagore

"A cada manhã, a luz do dia - luz de fonte divina - vem nos tirar do sono, pondo fim, em um instante, ao torpor de uma noite inteira.  Quando desce a noite, porém, como romper o estado de ilusória vigília no qual vivemos? Uma longa jornada de trabalhos e preocupações envolveu nosso ser nas redes de sua enganadora aparência: como dela o libertar, a fim de imergi-lo em uma Paz imaculada e sem limites?  Semelhante a uma imensa teia de aranha, tecida de hora em hora, um véu se estendeu ao redor de nossa alma, envolvendo-a de todos os lados e levantando uma tela opaca entre ela e o Eterno. Como perfurar essa tela e abrir-se ao conhecimento do Infinito?  Oh! Desperta! Sê consciente!  Quando, sem cessar, permanecemos mergulhados em múltiplas atividades e confusões inumeráveis, enquanto o véu, fio por fio, se fecha, e a tela, pouco a pouco, se torna espessa, se não mantivermos em nós certa vigilância, graças a esse apelo interior cem vezes repetido.  Oh! Desperta! Sê consciente!  Se esse encantamento, no próprio seio da ação, não brotar, mais uma e ainda outra vez, das profundezas de nosso ser, então, quando nossa consciência se encontrar mais opacamente cercada, ela mergulhará em uma letargia sem fundo.  Nosso desejo de a isso escapar gradualmente se extingue; nossa vida não tem mais outra realidade além da rede em que nos sentimos pegos na armadilha; toda fé em verdade diferente, pura e eterna, é assim aniquilada, e perdemos até a capacidade de nos interrogar sobre nosso aprisionamento.  No zunzum dos nossos trabalhos sem fim, não deixe de ressoar no fundo de nós mesmos, como que emitido por um instrumento de corda única, esse constante chamado: Oh! Desperta! Sê consciente!" - Rabindranath Tagore, in "A Morada da Paz"
Rabindranath Tagore, em 21 de novembro de 1916
Livraria do Congresso doas Estados Unidos (CC0)

"A cada manhã, a luz do dia - luz de fonte divina - vem nos tirar do sono, pondo fim, em um instante, ao torpor de uma noite inteira.

Quando desce a noite, porém, como romper o estado de ilusória vigília no qual vivemos? Uma longa jornada de trabalhos e preocupações envolveu nosso ser nas redes de sua enganadora aparência: como dela o libertar, a fim de imergi-lo em uma Paz imaculada e sem limites?

Semelhante a uma imensa teia de aranha, tecida de hora em hora, um véu se estendeu ao redor de nossa alma, envolvendo-a de todos os lados e levantando uma tela opaca entre ela e o Eterno. Como perfurar essa tela e abrir-se ao conhecimento do Infinito?

Oh! Desperta! Sê consciente!

Quando, sem cessar, permanecemos mergulhados em múltiplas atividades e confusões inumeráveis, enquanto o véu, fio por fio, se fecha, e a tela, pouco a pouco, se torna espessa, se não mantivermos em nós certa vigilância, graças a esse apelo interior cem vezes repetido.

Oh! Desperta! Sê consciente!

Se esse encantamento, no próprio seio da ação, não brotar, mais uma e ainda outra vez, das profundezas de nosso ser, então, quando nossa consciência se encontrar mais opacamente cercada, ela mergulhará em uma letargia sem fundo.

Nosso desejo de a isso escapar gradualmente se extingue; nossa vida não tem mais outra realidade além da rede em que nos sentimos pegos na armadilha; toda fé em verdade diferente, pura e eterna, é assim aniquilada, e perdemos até a capacidade de nos interrogar sobre nosso aprisionamento.

No zunzum dos nossos trabalhos sem fim, não deixe de ressoar no fundo de nós mesmos, como que emitido por um instrumento de corda única, esse constante chamado: Oh! Desperta! Sê consciente!"

Rabindranath Tagore, in "A Morada da Paz"





terça-feira, 18 de março de 2014

Recado de Deus

Não desista estou no controle da sua vida, acredite estou escrevendo uma nova história creia, 

nela estou colocando muita saúde, amor, paz, união, prosperidade, paciência e muita fé,

acredite, vou realizar seus sonhos, pois saiba os seus sonhos também são meus sonhos, 

e, acredite te criei para vencer, sorria sempre meu (minha) filh@ eu te amo!!!


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Orações ao Povo Cigano de Umbanda


Durante a 2ª guerra mundial, famílias inteiras de ciganos foram encerradas em uma ala do campo de Birkenau - Auschwitz II - pelos nazistas. A maior parte foi para as câmaras de gás em julho de 1944. Birkenau é o campo de concentração nazista que a maior parte das pessoas conhece como Auschwitz. Ali se encerraram centenas de milhares de judeus e ali também foram executados mais de um milhão de judeus e ciganos.


Em 10 de outubro do mesmo ano, os meninos destas famílias ciganas foram barbaramente exterminados, na câmara de gás em Birkenau, pelos carrascos genocidas que seguiam a Adolf Hitler, que foi o maior criminoso de guerra da história contemporânea.

As câmaras de gás do Birkenau foram destruídas pelos nazis em novembro de 1944, com a intenção de esconder as atrocidades cometidas no campo das tropas soviéticas que se aproximavam. Em 17 de janeiro de 1945 os nazistas iniciaram uma evacuação em massa do campo.

A maioria dos prisioneiros, em sua grande maioria ciganos e judeus, deveria partir para o oeste. Aqueles muito fracos para caminhar foram deixados para trás. Perto de 7.500 prisioneiros, pesando entre 23 e 35Kg, foram liberados pelo Exército Vermelho em 27 de janeiro de 1945.

Por isto hoje posto orações à Santa Sara Kali e ao Povo Cigano que tarbalha na Umbanda. Se no passado estes ciganos sofreram os horrores da guerra e a ira de um ditador lunático, hoje trabalham na Lei de Umbanda, ajudando a todos que os procuram.

O Povo Cigano tem um dom, de saber olhar profundamente nos olhos, e ler a mente e a alma do outro. A partir daí, e com o conhecimento da quiromancia, conseguem se integrar ao campo vibracional e lê o passado e o futuro do consulente.

Quem começa a ler a mãos dos outros apenas a partir de um estudo das linhas da mão, não conseguirá acessar toda verdade a ser dita. Por outro lado, a cigana não terá permissão do astral para falar tudo o que sabe.

Esta arte, é muito útil para os ciganos que já tem seus espíritos esclarecidos para trabalhar no astral junto com os Benfeitores da Luz, e inclusive na Umbanda, em geral chegando na vibração do Povo de Oriente, quando evoca-se o Orixá Xangô, ou Almas, caminhando frequentemente com os Pretos Velhos da Umbanda, e ainda na que se chama Linha da Esquerda, na vibração dos Exus.

Esta falange abençoada integrou-se perfeitamente à Umbanda, porque milenarmente aprendeu a respeitar a Mãe Natureza e os seus ciclos, sua Energia, sua vibração.

Minha intenção de hoje é de, através desta postagem, mostrar publicamente meu agradecimento, à Santa Sara e ao Povo Cigano. Esta maravilhosa falange espiritual que tanto nos ajudou, ajuda e ajudará, trazendo clarividência, proteção, beleza, liberdade, alegria e riqueza, material e espiritual.

Saravá o Povo Cigano, viva Santa Sara Kali, Opcha!



Oração, em Romanês, à Santa Sara Kali

Manglimos Katar e Santa Sara Kali Tu Ke San Pervo Icana Romli Anelumia Tu Ke Biladiato Le Gajie Anassogodi Guindiças Tu Ke daradiato Le Gajie, Tai Chudiato Anemaria Thie Meres Bi Paiesco Tai Bocotar Janes So Si e Dar, E Bock, Thai O Duck Ano Ilô Thiena Mekes Murre Dusmaia Thie Açal Mandar Thai Thie Bilavelma Thie Aves Murri Dukata Angral O Dhiel Thie Dhiesma Bar, Sastimôs Thai Thie Blagois Murrô Traio Thie Diel O Dhiel.

Tradução:

Tu que és a única Santa Cigana do Mundo. Tu que sofrestes todas as formas de humilhação e preconceitos. Tu que fostes amedrontada e jogada ao mar. Para que morresses de sede e de fome. Tu sabes o que é o medo, a fome, a mágoa e a dor no coração. Não permitas que meus inimigos zombem de mim ou me maltratem. Que Tu sejas minha advogada perante à Deus. Que Tu me concedas sorte, saúde e que abençoe a minha vida. Assim seja!

Oração à Santa Sara em louvor a todos os ciganos

Opacha, Opcha, minha Santa Sara Kali,
mãe de todas as tribos ciganas dessa Terra ou do além túmulo.
Mãe de todos os ciganos e protetora das carruagens ciganas.

Rezo invocando teu poder, minha poderosa Sta. Sara Kali,
para que abrande meu coração e tire as angústias que depositaram aos meus pés.

Santa Sara me ajude.
Abra meus caminhos para a fé no teu poder milagrosos.
Venceste o mal, todas as tempestades e caminhou nas estradas que Jesus Cristo andou.

Mãe dos mistérios ciganos que dá força a todos os ciganos no dom da magia,
me fortaleça agora, sendo eu cigano ou não cigano, bondosa.

Santa Sara,abrande os leões que rugem para me devorar.
Santa Sara, afungente as almas perversas para que não possam me enchergar.
Ilumine minha tristeza para a felicidade chegar, Rainha.
Atravesaste as águas dos rios e do mar por cima delas e não afundaste,
eu invoco teu poder para eu não afundar no oceano da vida.

Santa Sara, sou pecador, triste, sofrido e amargurado.
Me traga força e coragem, como dás ao Povo Cigano, teus protegidos,
Mãe, Senhora e Rainha da Festas Ciganas.
Nada se pode fazer numa Tenda Cigana sem primeiro invocar teu nome,
e eu invoco pelo meu pedido Santa Sara Kali.

Tocam os violinos, caem as moedas,
dançam as ciganas de pés descalços em volta da fogueira,
vem o cheiro forte dos perfumes ciganos, as palmas batendo,
louvando o Povo de Santa Sara Kali.

Que o Povo Cigano me traga riquezas, paz, amor e vitórias.
Agora e sempre louvarei teu nome Santa Sara Kali e todo Povo Cigano.

Opcha, opcha Santa Sara Kali! Salve, salve, salve!

Oração da tradição cigana à Santa Sara (em Romanês)

Tu ke san pervo icana romli anelumia
Tu ke biladiato le gajie anassogodi guindiças
Tu ke daradiato le gajie, tai chudiato
Anemaria, thie meres bi paiesco tai bocotar
Janes so si e dar, e bock, thai e duck ano iló
Thiená mekes murre dusmaia thie açal
Mandar thai thie bilavelma
Thie avez murri dukata angral o Dhiel
Thie dhiesma bar sastimós
Thai thie blagois murró traio

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A Anunciação: O Arcanjo Gabriel e Nossa Senhora



Texto do Beato Tiago de Varazze*

A Anunciação, também conhecida como Anunciação da Virgem Maria, é a celebração cristã do anúncio feito pelo Arcanjo Gabriel para a Virgem Maria, de que ela seria a mãe de Jesus Cristo. Mesmo virgem, Maria concebeu uma criança, o Cristo.

Através do anjo, São Gabriel, foi anunciada a Encarnação do Verbo à Virgem Maria. Esse importante momento da História da Redenção é apresentado pelas belas e profundas palavras da piedade medieval, eternizadas na Legenda Áurea (ou Legenda Dourada).

Essa importante obra, composta na Idade Média pelo bem-aventurado Tiago de Varazze (arcebispo de Gênova, oriundo da ordem dominicana, 1226-1298), expressa muito bem a inteligência privilegiada e os dotes literários e devocionais do autor; foi ela responsável pela alimentação espiritual de numerosas almas no decorrer de vários séculos.

Anunciação

A Anunciação do Senhor é assim chamada porque no dia agora comemorado um anjo anunciou a vinda do Filho de Deus na carne. Por três razões convinha que a encarnação do Filho de Deus fosse precedida por um anúncio, que foi feito pelo anjo:

1) Para que a ordem da reparação correspondesse à ordem da prevaricação. Assim como o diabo tentou a mulher para levá-la à dúvida, da dúvida ao consentimento, e do consentimento à queda, o anjo anunciou à Virgem para estimular sua fé e levá-la da fé ao consentimento e do consentimento à concepção do Filho de Deus.

2) Por causa do ministério do anjo, porque sendo o anjo ministro e escravo do Altíssimo, e tendo a bem-aventurada Virgem sido escolhida para mãe de Deus, era sumamente conveniente que o ministro servisse à senhora e era justo que a Anunciação fosse feita à bem-aventurada Virgem pelo ministério de um anjo.

3) Para reparar a queda do anjo. Se a Encarnação não teve como único objetivo reparar a queda do homem, mas também reparar a ruína do anjo, os anjos não deveriam ser dela excluídos. Como a mulher não está excluída do conhecimento do mistério da Encarnação e da Ressurreição, o mesmo deveria ser do conhecimento do mensageiro angélico. Por isso Deus anunciou ambos os mistérios à mulher por intermédio de um anjo: a Encarnação à Virgem Maria, e a Ressurreição a Maria Madalena.

A bem-aventurada Virgem ficou dos três aos quatorze anos de idade no Templo, junto com outras virgens, e fez voto de castidade até que Deus dispusesse de outro modo. Conforme está detalhadamente relatado na história da natividade da bem-aventurada Maria, José tomou-a como esposa após ter recebido uma revelação divina e após seu ramo ter florescido. A fim de tomar providências para seu casamento, José foi a Belém, onde nascera, enquanto Maria retornava para a casa de seus pais, em Nazaré, nome que significa "flor". Comenta São Bernardo: "a flor quis nascer de uma flor, em uma flor, e na estação das flores".

Foi lá, portanto, que o anjo apareceu a ela e a saudou dizendo: "Salve, cheia de graça, o Senhor está contigo, bendita entre as mulheres". São Bernardo explica: "o exemplo de São Gabriel e o movimento de São João - Batista - convidam-nos a saudar Maria, para nosso benefício".

Mas convém agora buscar os motivos pelos quais o Senhor desejou que sua mãe se casasse. São Bernardo dá três razões: "foi preciso que Maria se casasse com José porque assim o mistério ficava oculto aos demônios, porque o esposo comprovava a virgindade dela,e porque o pudor e a reputação da Virgem ficavam resguardados". A isso podemos acrescentar outras razões:

4) Para fazer com que fosse apagada a desonra nas mulheres de qualquer condição, solteiras, casadas e viúvas, tríplice condição pela qual a própria Virgem passou.

5) Para que pudesse receber serviços de seu esposo.

6) Para ser uma prova da importância do casamento.

7) Para estabelecer para o filho a genealogia do marido.

Por isso o anjo disse: "Salve, cheia de graça". São Bernardo, explicando tais palavras, diz que "a graça da divindade está em seu seio, a graça da caridade em seu coração, a graça da afabilidade em sua boca, a graça da misericórdia e da generosidade em suas mãos". E acrescenta que "Ela é verdadeiramente cheia de graça, pois de sua plenitude todos os cativos recebem redenção; os doentes, cura; os tristes, consolação; os pecadores, perdão; os justos, graça; os anjos, alegria; enfim, toda a Trindade, glória; o Filho do homem, a natureza humana". "O Senhor está contigo" - explica São Bernardo - significa que "contigo está o Senhor enquanto Pai, que gerou Aquele que concebeste, enquanto Espírito Santo, do qual concebeu, enquanto Filho, que se revestiu de tua carne". Bendita entre as mulheres significa que: "acima de todas as mulheres, porque sereis mãe e virgem, e mãe de Deus".

As mulheres estavam sujeitas a uma tríplice maldição: a da desonra, a da maldição, e a do suplício. A da desonra atingia as que não concebiam, e assim Raquel dizia: "O Senhor me tirou do opróbrio em que estive"; a do pecado recaía nas que concebiam, daí o salmo dizer que "fui concebido em iniqüidade"; a do suplício afligia as parturientes, conforme está no Gênesis: "terás filhos com dor". Somente a Virgem Maria é bendita entre todas as mulheres, pois sua virgindade está unida à fecundidade, sua fecundidade à santidade na concepção e sua santidade à alegria no parto. Ela é cheia de graça, pelo que diz São Bernardo, por quatro razões que fulguravam em seu espírito a devoção da humildade, o respeito ao pudor, a grandeza da fé e o martírio do seu coração.

O anjo acrescentou: "o Senhor está contigo" por quatro razões, que do Céu resplandeceram em sua pessoa, ainda conforme São Bernardo: a santificação de Maria, a saudação angélica, a vinda do Espírito Santo, a Encarnação do Filho de Deus. Disse também: "Bendita entre as mulheres" por quatro outros privilégios que, segundo São Bernardo, resplandeceram em sua carne: rainha das virgens (virgindade absoluta), fecundidade sem corrupção, gravidez sem incômodos, e parto sem dor.

"Ao ouvir tais palavras do anjo, ficou perturbada e refletiu sobre o significado daquela saudação". Ao ouvir o elogio, a Virgem ponderou sobre ele; afetada na sua modéstia, ficou calada; tocada no seu pudor, pensou com prudência o que significava aquela saudação. Ela ficou perturbada pelas palavras do anjo, não pela sua aparição, porque a bem-aventurada Virgem vira anjos com freqüência, porém nunca os tinha ouvido falar daquele jeito. Pedro de Ravena comentou: "a anjo era de aparência doce mas de palavras impressionantes, daí ela o ter visto com júbilo e ouvido com apreensão". Segundo São Bernardo, "a perturbação que ela sentiu foi resultado de seu pudor virginal, e se ela não ficou mais perturbada isso deveu-se à força de alma, que a levou a calar e refletir, dando prova de prudência e discrição".

E então o anjo tranqüilizou-a, dizendo: "não temas, Maria, tu encontraste a graça junto ao Senhor". São Bernardo comenta: "encontrou graça de Deus, a paz dos homens, a destruição da morte, a reparação da vida". "Eis que tu conceberás e darás à luz um menino a quem chamarás Jesus isto é, Salvador, pois Ele salvará o povo de seus pecados. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo". Diz São Bernardo que "isso significa que aquele que é grande como Deus será também grande homem grande doutor, grande profeta". Então Maria perguntou ao anjo: "Como será isso possível, se não conheço homem?", isto é, se não me proponho a conhecer? Ela foi virgem de espírito, de carne e de intenção.


No entanto Maria interroga; ora, quem interroga tem dúvida. Por que então ela não foi, como Zacarias, castigada pela mudez? A esse respeito Pedro de Ravena dá quatro razões:

Quem conhece os pecadores considera não apenas as palavras, mas o fundo de seus corações, julga não o que disseram, mas o que sentiam. A causa que os levou a interrogar foi diferente, e o que esperavam não eram a mesma coisa. Maria acreditou no que ia contra natureza, Zacarias duvidou pela natureza. Ela quis saber como as coisas aconteceriam, ele negou serem possíveis as coisas que Deus queria fazer. Ele, apesar de existirem exemplos anteriores, não teve fé; ela, sem tais exemplos, a teve. Ela ficou admirada de uma virgem dar à luz, ele contestou a concepção. Portanto ela não duvida do fato, mas apenas indaga sobre seu modo e suas circunstâncias, porque como há três modos de concepção - o natural, o espiritual e o maravilhoso - ela se pergunta sob qual deles conceberia.

E o anjo respondeu: "o Espírito Santo virá sobre ti, e Ele mesmo te fará conceber".

Diz-se que Cristo foi concebido do Espírito Santo por quatro razões:

1) Mostrar que é pela inefável caridade divina que o Verbo de Deus se fez carne, conforme diz João: "Deus amou tanto o mundo que lhe deu seu Filho único". Esta explicação nos é dada pelo Mestre das Sentenças.

2) Mostrar que foi uma graça concedida sem que para isso houvesse algum merecimento por parte dos homens. Essa razão é dada por Santo Agostinho.

3) Mostrar que foi por poder e obra do Espírito Santo que Ele foi concebido. Essa explicação é da autoria de Ambrósio.

4) Hugo de São Victor diz que o motivo da concepção natural é o amor do marido pela esposa, e da esposa pelo marido: "ocorreu o mesmo com a Virgem, pois o amor que ela tinha ao Espírito Santo ardia singularmente em seu coração, enquanto o amor do Espírito Santo a ela operava maravilhas em seu corpo".

"E a virtude do Altíssimo te cobrirá com sua sombra". Segundo a Glosa, isso quer dizer que a sombra é naturalmente formada por um corpo colocado no caminho da luz, e como a Virgem, por sua natureza humana, não podia receber a plenitude da divindade, "a virtude do Altíssimo te cobrirá com sua sombra" significa que nela a luz incorpórea da divindade assumiu a humanidade do corpo a fim de que Deus pudesse sofrer. São Bernardo parece aceitar esta explicação quando diz: "Como Deus é espírito e como na verdade somos o corpo de sua sombra, Ele veio entre nós para que por meio da carne vivificada víssemos o Verbo na carne, o sol na nuvem, a luz na lâmpada, a vela no castiçal". São Bernardo, ainda comentando a mesma passagem, afirma:

É como se o anjo dissesse que o modo pelo qual tu conceberás Cristo do Espírito Santo será ocultado pela sombra do poder de Deus em seu asilo mais secreto, para que seja conhecido apenas por Ele e por ti. É como se o anjo dissesse: "Por que me perguntas o que saberás por experiência própria? Tu saberás, saberás, felizmente saberás, mas por intermédio daquele que ao mesmo tempo será teu professor e teu autor. Fui enviado para anunciar a concepção virginal, não para criá-la". Aquela frase pode ainda indicar que ele a cobrirá com sua sombra, isto é, extinguirá o ardor do vício.

"Eis que tua prima Isabel concebeu um filho na velhice". O anjo disse isso para contar que ocorrera uma grande novidade na vizinhança. Segundo São Bernardo, a concepção de Isabel foi anunciada a Maria por quatro motivos. O primeiro, aumentar sua alegria; o segundo, aperfeiçoar seu conhecimento; o terceiro; melhorar sua doutrina; o quarto, possibilitar sua misericórdia.

Sobre tudo isso, São Jerônimo disse:

A gravidez da prima estéril foi anunciada a Maria para que um milagre somado a outro milagre juntasse alegria a uma outra alegria. Ou então, porque era conveniente que a Virgem soubesse pela boca de um anjo, e não pela de um homem, a novidade que devia estar sendo divulgada por toda parte, a fim de que a mãe de Deus não ficasse afastada das coisas de seu filho, não permanecesse na ignorância de acontecimentos tão próximos. Ou ainda, porque sabendo da vinda tanto do Salvador quanto do Precursor, sabendo do momento e do encadeamento dos fatos, poderia posteriormente revelar a verdade a escritores e pregadores do evangelho. Ou, por fim, para que conhecendo a gravidez de sua prima já idosa, a jovem a pudesse ajudar, e permitir ao pequeno profeta João prestar homenagem ao Senhor, ocorrendo, diante de um milagre, um milagre ainda mais admirável.

Mais adiante São Bernardo acrescentou: "Ó Virgem, respondei logo. Ó minha senhora, dizei uma palavra e recebei a Palavra, proferi uma palavra e recebei a palavra divina, dizei uma palavra transitória e recebei a eterna. Levantai-vos, correi, abri. Levantai-vos para demonstrar vossa fé, correi para mostrar vossa devoção, abri para exibir uma marca de vosso consentimento".

Então Maria, estendendo as mãos e erguendo os olhos para o Céu, disse: "Eis aqui a escrava do Senhor, que se faça comigo segundo tua palavra". São Bernardo explica: "Conta-se que uns receberam o Verbo de Deus no ouvido, outros na boca, outros na mão. Quanto a Maria, recebeu-a no ouvido pela saudação angélica, no coração pela fé, na boca pela confissão, na mão pelo tato, no ventre pela Encarnação, no seio pelo sustento, nos braços pela oferenda". "Que se faça comigo segundo tua palavra". São Bernardo continua: "Que ele seja feito em mim não como palavra vazia e declamatória, nem como alegoria, nem como sonho imaginário, mas como inspiração silenciosa, personalidade encarnada que habita corporalmente em minhas entranhas". Imediatamente o Filho de Deus foi concebido no seu ventre como Deus perfeito, homem perfeito e, desde o primeiro dia de sua concepção, tinha a mesma sabedoria e o mesmo poder de quando alcançou a idade de trinta anos.

"Então Maria partiu, foi para a casa de Isabel nas montanhas, e ao ouvir sua saudação João [Batista] estremeceu no ventre da mãe". Diz a Glosa que como ele não podia fazê-lo com a língua, demonstrou por movimento sua alegria e começou assim sua função de Precursor. Ela ajudou sua prima durante três meses, até o nascimento de São João [Batista], que ela ergueu com suas mãos, como se lê no Livro dos Justos. Ao longo tempos Deus sempre realiza nesse dia grande número de maravilhas, contadas por um poeta nos belos versos:

Salve, dia festivo, remédio de nossos males,
No qual o anjo foi enviado, Cristo crucificado,
Adão criado e caído no pecado,
Abel ofertou dízimo generoso, e foi morto pelo irmão invejoso,
Melquisedeque ofereceu sacrifício, Isaac subiu ao altar,
O bem-aventurado Batista foi decapitado,
Pedro chorou, e Tiago sob Herodes pereceu.
Muitos santos ressuscitaram com Cristo,
O bom ladrão foi por Cristo perdoado.

Amém.

O lírio com as palavras "Ave Maria"

Um nobre e rico soldado, tendo renunciado à vida no mundo secular ingressou na Ordem Cisterciense, mas como não era letrado os monges não ousaram colocar tão nobre personagem entre os irmãos leigos, e então deram-lhe um mestre, esperando que aprendesse algo para poder assim continuar entre eles. No entanto, o mestre não foi capaz de lhe ensinar nada além de duas palavras, Ave Maria, as quais ele memorizou com tal amor que as repetia a todo instante, onde quer que estivesse, seja o que for que estivesse fazendo. Depois de morrer foi sepultado, e em seu túmulo nasceu um magnífico lírio, em cujas folhas estavam escritas em letras douradas as palavras Ave Maria. Todos correram a contemplar tão grande espetáculo, e tirando a terra do túmulo viram que a raiz do lírio partia da boca do morto. Entenderam então que com tal prodígio Deus quis honrar quem tinha tanta devoção ao pronunciar aquelas duas palavras.

Efeito protetor da saudação a Maria

Um cavaleiro, cujo castelo ficava junto a uma estrada, espoliava sem piedade os transeuntes, mas cotidianamente saudava a Virgem Mãe de Deus, e nunca se passava um dia sem que ele realizasse a saudação. Certo dia um santo religioso passou por ali e o cavaleiro mandou que o espoliassem, mas o santo homem rogou aos assaltantes que o conduzissem até seu senhor porque tinha certos segredos a lhe comunicar. Levado diante do guerreiro, pediu-lhe que reunisse todas as pessoas da sua família e de seu castelo para lhes pregar a palavra de Deus.

Quando todos estavam reunidos, o religioso disse: "Não estão todos aqui: ainda falta alguém". Como lhe assegurassem de que todos já estavam ali, ele insistiu: "Olhem bem, e verão que falta alguém". Então um deles percebeu que o camareiro não viera. O religioso disse: "Sim, é ele quem está faltando". Logo mandaram buscá-lo, mas ao ver o homem de Deus ele virava os olhos de forma horrível, agitava a cabeça como louco e não ousava aproximar-se. O santo homem falou: "Eu te conjuro, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, a nos dizer quem és e a revelar diante de todos o motivo de ter vindo aqui". E o camareiro respondeu:

Ai de mim! É por ter sido conjurado e forçado que revelo que não sou um homem, mas um demônio que tomou o aspecto humano, permanecendo assim catorze anos sob este senhor. Nosso príncipe mandou­me aqui para observar com atenção o dia em que ele não viesse a recitar a saudação à sua Maria, a fim de então me apoderar dele e estrangulá-lo sem demora, pois morrendo sob o efeito de suas ações más ele seria nosso. Mas como todos os dias ele dizia a saudação, não pude exercer poder sobre ele. Dia após dia eu o vigio com cuidado, e ele não passou sequer um dia sem saudá-la.

Ouvindo isso, o cavaleiro foi tomado de grande pavor, jogou-se aos pés do homem de Deus, pediu perdão, e a partir desse dia mudou seu modo de viver. O santo homem disse ao demônio: "Eu te ordeno, demônio, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, sai daqui e nunca mais vá a um lugar onde alguém invoque a gloriosa mãe de Deus". Imediatamente o demônio desapareceu, e com respeito e gratidão o cavaleiro deixou o santo homem partir.

* Tiago de Varazze foi um religioso italiano, nasceu na atual Varazze (então chamada Viraggio e, em latim, Voragine), perto de Génova, em 1230 e fez sua passagem em 12 de julho de 1298. Ingressou nos Dominicanos, em 1244, foi ordenado arcebispo, em 1292, ficando famoso pela sua piedade, pela sua dedicação ao estudo e por ter sido um grande orador, professor e hagiologista.


AVE MARIA MATER DEI, ORA PRO NOBIS ~ ODOYÁ!

segunda-feira, 30 de março de 2009

Dalai-Lama, palavras de sabedoria

"O sentimento de culpa pode ser superado. Para o budismo, esse sentimento não existe. De acordo com a essência de Buda, todos os aspectos negativos podem ser purificados."

"A fé dissipa a dúvida e a hesitação, liberta-nos do sofrimento e nos conduz à terra da paz e da felicidade."

"A fé diminui o orgulho e é a base da veneração. Com fé, você pode facilmente atravessar de um estágio de conduta espiritual para outro."

"Somente a fé remove a desordem mental e devolve a clareza de espírito."

Dalai-Lama / Palavras de Sabedoria - pgs. 92, 93, 94 e 95.

sexta-feira, 20 de março de 2009

A fórmula da paz e da alegria (Minutos de Sabedoria)

"Se você quiser encontrar paz e alegria neste mundo, espalhe em torno de si otimismo e bondade. Não se deixe ficar inativo na comodidade que nada produz. É pelo trabalho em benefício do próximo que armazenamos energias, a fim de vencer os embates da vida. Não pare jamais, não perca as oportunidades que se apresentam diariamente de fazer o bem, para que o bem venha abundante sobre você."  Torres Pastorino - Minutos de Sabedoria

"Se você quiser encontrar paz e alegria neste mundo, espalhe em torno de si otimismo e bondade.
Não se deixe ficar inativo na comodidade que nada produz.
É pelo trabalho em benefício do próximo que armazenamos energias, a fim de vencer os embates da vida.
Não pare jamais, não perca as oportunidades que se apresentam diariamente de fazer o bem, para que o bem venha abundante sobre você."



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