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domingo, 21 de junho de 2015

Trechos do livro "Ecce Homo", de Friedrich Nietzsche



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"A filosofia, como a compreendi e a vivi até agora, é a vida voluntária no meio do gelo e das altas montanhas – é a busca de tudo que é estranho e duvidoso na existência, de tudo que foi até agora proscrito pela moral." pág. 16.
"Os anos de minha baixa vitalidade foram aqueles em que deixei de ser pessimista: o instinto do auto-restabelecimento me proibiu uma filosofia de pobreza e de desanimo." pág. 23
"Aquilo que não o mata o torna mais forte." pág. 24.
"Estou sempre a altura das circunstâncias; para ser mestre de mim mesmo é preciso que eu seja colhido de improviso." pág. 26
"A piedade só é chamada virtude entre os decadentes." pág. 27.
"Meu tipo de represália consiste em punir tão rápido a asneira pela inteligência." pág. 28.
"Estar doente nada mais é do que uma espécie de ressentimento." pág. 29
"Não é pela inimizade que se termina com a inimizade, é com a amizade que se consegue terminar com a inimizade." pág. 29.
"O ressentimento, nascido da fraqueza, não prejudica ninguém mais que o fraco." pág. 29.
"O pendor agressivo é tão inerente a força como o sentimento de vingança e de rancor o é da fraqueza." pág. 30.
"A força do agressor se mede, por assim dizer, pelos adversários de que necessita." pág. 30.
"Igualdade diante do inimigo – primeira condição de um duelo leal." pág. 30.
"Minha pratica de guerra se resume em quatro princípios. Primeiro: só ataco causas vitoriosas. Segundo: só ataco coisas contra as quais não posso encontrar nenhum aliado onde avanço sozinho. Terceiro: não ataco nunca as pessoas. Quarto: só ataco as coisas das quais toda acepção de pessoa está excluída, nas quais falta todo um plano de experiências estranhas. pág. 31.
"Deus, imortalidade da alma, salvação, além são outros tantos conceitos os quais não me dediquei nenhuma atenção, tão pouco nenhum tempo, nem sequer quando era criança - talvez eu não fosse já bastante infantil para isso?" pág. 35.
"Esta cultura (idealismo) que ensina desde o inicio a perder de vista as realidades para ir a caça de objetivos inteiramente problemáticos chamados ideais." pág. 36
"O idealismo foi a doença que me reconduziu à razão." pág. 40.
"Deve-se evitar o máximo possível o acaso, o estimulo externo; fechar-se entre muros de alguma forma faz parte da elementar sabedoria instintiva, da gestação intelectual." pág. 41.
"Eu não teria podido suportar minha juventude sem a musica de Wagner." pág. 46.
"O erudito gasta toda a sua energia em dizer sim e não na critica daquilo que já foi pensado, ele próprio não pensa mais." pág. 49.
"Ninguém pode escutar nas coisas, inclusive nos livros, mais do que já sabe. Não se tem ouvidos para escutar aquilo a que não se tem acesso pela experiência vivida." pág. 56.
"Porque só na medida em que a coragem ousa se aventurar, se aproxima precisamente da verdade. O conhecimento, o dizer sim a realidade, constituem para o forte uma necessidade da mesma ordem que, para o fraco a covardia é a fuga diante da realidade – o ideal – sob a inspiração da fraqueza... o fraco não tem liberdade de conhecer : os decadentes tem necessidade da mentira, tem nela uma das condições da própria conservação." pág. 67.
"A doença me conferiu de qualquer forma o direito de uma reviravolta completa de todos os meus hábitos; permitiu-me, ordenou-me o esquecimento; deu-me de presente a obrigação de permanecer deitado, do ócio, da espera e da paciência... Mas é justamente isso que se chama pensar... Meus olhos decidiram por si sós acabar com toda bibliomania, falando claro: a filologia: livre-me dos livros, durante anos não voltei a ler mais nada – o maior beneficio que me concedi a mim mesmo." pág. 80.
"A questão da origem dos valores morais é, pois, para mim uma questão capital, porque condiciona o futuro da humanidade." pág. 84.
"Falando teologicamente – que se ouça com atenção, pois raramente falo como teólogo – foi o próprio Deus que, sob a aparência de serpente ao final de sua tarefa repousou sobre a arvore do conhecimento: assim descansava de ser Deus...tudo o que ele tinha feito era muito belo, o diabo não é mais do que a ociosidade de Deus a cada sete dias..." pág. 102.
"Definição da moral: a idiossincrasia de decadentes, com a intenção oculta de se vingar da vida – e isso, com sucesso. Dou muito valor a esta definição." pág. 121.
"Tudo o que até hoje se chamava ‘verdade’ é reconhecido como a forma mais nociva, mais pérfida, mais subterrânea de mentira; o pretexto sagrado de ‘melhorar’ a humanidade, reconhecido como astúcia para sugar o sangue da vida, para torná-la anêmica." pág. 122.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Reflexão: "Das Vantagens de Ser Bobo", por Clarice Lispector



"O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando". Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a ideia.

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não veem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os veem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoiévski.

Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranquilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.

Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"

Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.

Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo."

Clarice Lispector

sábado, 15 de março de 2014

"Ser Amigo", poema de Paulo Goulart


"Ser Amigo"


É o que faz sem perguntar.
É o que acolhe, participa e ajuda.
É o que ouve, aconselha e respeita.
É o que alerta, aplaude e critica.
É o que partilha a alegria e a dor.
É o que desconstrói construindo.
É o que discorda, não do conteúdo, mas da forma.
É ser fraterno, sem ser irmão.
É ser membro da Grande Família Universal.
É fazer mais do que falar.
É não ter dia, nem hora.
É ser o outro, sem deixar de ser você.
É não estar só.
É sonhar.
É saber esperar!


Síntese do amigo, está aqui no ditado popular:
“Para o amigo, tudo! Para os outros, justiça!”


~ Paulo Goulart

nome artístico de Paulo Afonso Miessa 
(Ribeirão Preto, 9 de janeiro de 1933 — São Paulo, 13 de março de 2014) 
de crença Espírita, foi radialista e renomado ator brasileiro.

terça-feira, 19 de maio de 2009

A viagem - One Dharma


"Ao percorrer o caminho da atenção, da tomada de consciência, também desenvolvemos fé e confiança no mais vasto desabrochar da viagem da nossa vida, uma viagem não no tempo e no espaço, mas uma viagem da nossa compreensão interior."

One Dharma: The Emerging Western Buddhism - by Joseph Goldstein



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